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Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

Vasco Graça Moura: "(...) o Governo socialista passou quatro anos a desgovernar e a mentir aos portugueses"

DESGOVERNAR E MENTIR

Vasco Graça Moura
Escritor

O País vai gloriosamente a pique por obra e graça deste Governo. A crise que o mundo atravessa é muito posterior aos desastres sucessivos da governação socialista em Portugal. Antes dessa crise, já Portugal estava a meter água por todos os lados. E o que se passa hoje no mundo não pode ser um álibi para o Governo português, por muito que ele tente convencer-nos do contrário. Dos outros países da União Europeia, pode dizer-se que têm todos consideráveis dificuldades e com certeza problemas sérios e da mais variada ordem, mas não pode dizer-se de nenhum que ele se encontre num processo de naufrágio semelhante ao caso português. Temos a pior governação da Europa. A mais incompetente. A mais fracassada. A mais mentirosa. Essa governação preparou a catástrofe em todos os sectores da vida nacional. De facto, essa catástrofe foi provocada pela irresponsabilidade continuada e pela teimosia obstinada e aldrabona do Governo socialista em termos que não têm paralelo em qualquer dos outros países afectados pela crise. Portugal não está apenas a perder a solvabilidade, a produtividade e a competitividade. O Governo socialista lançou Portugal num exercício de auto-encolhimento e de descrédito. O País está a perder a esperança, a confiança e a auto-estima. Se continuar assim, acabará por lhe minguar a capacidade de sobrevivência. E com o Governo socialista, sem dúvida continuará a resvalar nesse plano inclinado e fatal numa imparável aceleração. O mesmo Governo, exactamente o mesmo Governo socialista, que há poucas semanas garantia aos portugueses um estado de coisas pouco menos do que paradisíaco, vem agora servir-lhe um desastre embrulhado em retórica barata feita só de improvisos pontuais e promessas de despesismo. O mesmo Governo, exactamente o mesmo Governo socialista, diz, desdiz-se, contradiz-se e reincide, alavancando as suas partes gagas numa campanha obscena de propaganda, de desinformação e de má-fé. Leva o eleitoralismo ao ponto culminante do descaramento sistemático. Vai-se assegurando o controlo de todos os circuitos e chamando a si o comando directo ou indirecto de todos os mecanismos de decisão. E espera que o contribuinte suporte docilmente os custos de tudo isso e muito mais. Incapaz de encarar de frente, e com seriedade e transparência mínimas, qualquer problema de fundo que lhe seja suscitado, o Governo socialista lança mão de expedientes ínvios e de espertezas saloias para desviar a atenção das situações mais graves e, quando interpelado, não dá qualquer espécie de resposta digna desse nome. Os tristes contorcionismos e evasivas do primeiro-ministro e dos seus ministros, tanto na Assembleia da República como fora dela, dão a exacta medida disso. Já ninguém os leva a sério. Este cândido cenário é confortado com o anúncio de que o PIB afinal se vai por água abaixo e o défice afinal vai chegar aos 3,9%. Só por si, e para quem sabe do que a casa gasta, isto prenuncia que os 4% vão ser rápida e largamente ultrapassados, talvez até com a "justificação" daqueles 6,83% falsos que o Governo volta e meia se lembra de invocar nas suas agressões ao PSD. A isso acresce a confissão, agora despudorada, da chegada da recessão, do aumento inacreditável da taxa de desemprego esperada, dos tempos afinal bastantemente turvos e nada radiosos que se avizinham, como se o primeiro-ministro pudesse invocar um desconhecimento virginal de todos os perigos e de todos os erros para que, ao longo dos anos, lhe foi sucessivamente chamada a atenção, até por gente altamente qualificada do seu próprio partido. A tragicomédia grotesca do Orçamento de Estado para 2009, com as pantominas inenarráveis de que o Governo socialista rodeou a sua apresentação ao Parlamento e até perante o Presidente da República, teve agora um novo episódio com o Orçamento Suplementar, aliás Rectificativo, aliás provisório, aliás não se sabe bem o quê até se ver o mais que aí vem como cambalhota bombástica oficial. Nestas andanças torpes, o País já não sabe a quantas anda. Só sabe que o Governo socialista passou quatro anos a desgovernar e a mentir aos portugueses.

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