Manuel Pinho vem, hoje, reclamar uma espécie de "estatuto de arrependido". Não concordo com esta pretensão. Penso que Pinho devia, antes, requerer o "estatuto de incompreendido". Homem dado a campanhas originais e a uma inusitada paixão pela promoção do país, o seu inconsciente deve-lhe ter ditado que, depois dos campos de golfe, dos autódromos e dos allgarves, era chegada a hora da promoção da tauromaquia. Contudo, ninguém esteve à altura do seu marketing criativo, pois nenhuma alma foi capaz de enxergar o potencial que se perdeu em termos da promoção mundial da "tourada à portuguesa", desbaratando-se a força de uma imagem que, num ápice, impressionou por esse mundo fora.
Agora, de um incompreendido espera-se recato, silêncio e longas férias no deserto. Multiplicar-se em entrevistas e perder-se em explicações auto-justificativas arruína-lhe a centelha de genialidade. Atente-se no caso do saudoso João César Monteiro, aquando da estreia de "Branca de Neve": o povo não percebeu, pois que se... (por razões óbvias, evito reproduzir o palavrão).
Roça o chocante a cumplicidade e a promiscuidade que, por estes dias, se vai observando, entre os negócios e a política. Veja-se a forma apressada e comprometida como determinados banqueiros, empreiteiros, economistas, reformados dourados, políticos falhados e ziguezagueantes, gestores de empresas públicas e de outras disfarçadamente privadas se imiscuem no debate político e forjam defesas excêntricas de Sócrates e dos seus desmandos. É fácil identificar um traço comum a todos estes personagens: alimentam-se ou aproveitam, aqui e ali, da teta suculenta do Estado investidor, esbanjador e opaco.
Tudo isto ganha expressão na forma como se vem defender o indefensável, desde criticar um Presidente da República que exige transparência até defender um primeiro-ministro com tiques controleiros e que falta à verdade, ou, ainda mais obsceno, fazer ofertas de emprego a ex-ministros acabados de cair em desgraça e de sair do Governo.
Convém não esquecer que Portugal ocupa um lugar muito pouco recomendável no ranking da complacência com a corrupção.
Em política, não basta ser, é necessário parecer!...
Oposição unida contra Código Contributivo
Há 19 minutos


2 comentários:
Olá Octávio
Parabéns! Dá um salto ao BioTerra.Foste nomeado.
Olá João,
Obrigado. Quem está mesmo de parabéns és tu, pela extraordinária quantidade de visitas que regista o teu excelente blogue.
Abraço,
Octávio
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