A via unidimensional do pensamento único coincidente com a sabedoria do grande líder. A pretexto de remodelações, desmantela-se a opinião livre e o pensamento crítico. Silenciaram-se, no Rádio Clube, os professores incómodos. O povo está sedento de música!

DECLARAÇÕES MARCANTES EM 2009
Barack Obama: "No entanto, a verdade é que nem os professores e os pais mais dedicados, nem as melhores escolas do mundo são capazes do que quer que seja se vocês não assumirem as vossas responsabilidades. Se vocês não forem às aulas, não prestarem atenção a esses professores, aos vossos avós e aos outros adultos e não trabalharem duramente, como terão de fazer se quiserem ser bem sucedidos." (Discurso absolutamente improvável em Sócrates).
Cavaco Silva: "Nunca faltei à palavra dada e aos compromissos que assumi... Os cargos públicos são efémeros, mas o carácter dos homens é duradouro. Não são os cargos que definem a nossa personalidade, mas aquilo que somos em tudo aquilo que fazemos."

sábado, 4 de Julho de 2009

Portugal nas derivas da razão e da emoção - Episódios 1

Manuel Pinho vem, hoje, reclamar uma espécie de "estatuto de arrependido". Não concordo com esta pretensão. Penso que Pinho devia, antes, requerer o "estatuto de incompreendido". Homem dado a campanhas originais e a uma inusitada paixão pela promoção do país, o seu inconsciente deve-lhe ter ditado que, depois dos campos de golfe, dos autódromos e dos allgarves, era chegada a hora da promoção da tauromaquia. Contudo, ninguém esteve à altura do seu marketing criativo, pois nenhuma alma foi capaz de enxergar o potencial que se perdeu em termos da promoção mundial da "tourada à portuguesa", desbaratando-se a força de uma imagem que, num ápice, impressionou por esse mundo fora.
Agora, de um incompreendido espera-se recato, silêncio e longas férias no deserto. Multiplicar-se em entrevistas e perder-se em explicações auto-justificativas arruína-lhe a centelha de genialidade. Atente-se no caso do saudoso João César Monteiro, aquando da estreia de "Branca de Neve": o povo não percebeu, pois que se... (por razões óbvias, evito reproduzir o palavrão).


Roça o chocante a cumplicidade e a promiscuidade que, por estes dias, se vai observando, entre os negócios e a política. Veja-se a forma apressada e comprometida como determinados banqueiros, empreiteiros, economistas, reformados dourados, políticos falhados e ziguezagueantes, gestores de empresas públicas e de outras disfarçadamente privadas se imiscuem no debate político e forjam defesas excêntricas de Sócrates e dos seus desmandos. É fácil identificar um traço comum a todos estes personagens: alimentam-se ou aproveitam, aqui e ali, da teta suculenta do Estado investidor, esbanjador e opaco.
Tudo isto ganha expressão na forma como se vem defender o indefensável, desde criticar um Presidente da República que exige transparência até defender um primeiro-ministro com tiques controleiros e que falta à verdade, ou, ainda mais obsceno, fazer ofertas de emprego a ex-ministros acabados de cair em desgraça e de sair do Governo.
Convém não esquecer que Portugal ocupa um lugar muito pouco recomendável no ranking da complacência com a corrupção.
Em política, não basta ser, é necessário parecer!...

2 comentários:

João Soares disse...

Olá Octávio
Parabéns! Dá um salto ao BioTerra.Foste nomeado.

Octávio V Gonçalves disse...

Olá João,
Obrigado. Quem está mesmo de parabéns és tu, pela extraordinária quantidade de visitas que regista o teu excelente blogue.
Abraço,
Octávio