Um murro de Santana Castilho na consciência de Passos Coelho e da elite política "laranja" (18-01-2012): As "natas"

Terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Para quem quiser esmiuçar a declaração de Cavaco Silva

Sem querer eu próprio esmiuçar esta declaração à procura de vulnerabilidades, apenas partilho com os portugueses quatro interpretações telegramáticas, a descambar para estados de alma, até porque não esqueço que a escola pública e os professores pagaram um preço demasiado elevado à pala da cooperação estratégica entre Cavaco e Sócrates.
Primeira - não atribuo credibilidade a quase nada do que Sócrates pensa, diz ou faz, assim como deixei de prestar grande atenção e de valorar por aí além as intervenções de Cavaco Silva a partir do momento em que perdi a esperança de lhe ouvir, em público, uma declaração deste género: "era importante que os portugueses percebessem para onde vai o país em matéria de educação";
Segunda - querer cooperar e jurar lealdade na relação com alguém como Sócrates ou é imperícia política, ou é ingenuidade (não é normal um economista tão experimentado equivocar-se na destrinça entre moeda boa e moeda má), pelo que era óbvio que a relação de salamaleques acabaria em exercícios públicos de lavagem de roupa suja;
Terceira – é evidente que Cavaco Silva deveria ter denunciado, logo em Agosto, as tentativas de manipulação e de desvio das atenções por parte do PS de Sócrates, recorrendo a uma mera nota informativa a partir do seu chefe da Casa Civil, pois dessa forma teria aniquilado o caso e permitido recentrar o debate da campanha nas questões essenciais e, sobretudo, teria evitado condicionar a campanha eleitoral;
Quarta – ao reorganizar a sua Casa Civil na última semana de campanha eleitoral, desnecessariamente como hoje confirmamos, Cavaco Silva deu um sinal errado ao eleitorado, transmitindo uma pretensa assunção de culpas por parte de Belém e, dessa forma, esvaziando uma parte substantiva do discurso do PSD que, com o seu silêncio e intervenções ocasionais, havia estimulado. Hoje ninguém ficou a perceber, e muitos menos os sociais-democratas, a urgência da reestruturação da Casa Civil. E pela terceira vez prejudicou objectivamente o PSD.


Presidência da República, 29 de Setembro de 2009
1. Durante a campanha eleitoral foram produzidas dezenas de declarações e notícias sobre escutas, ligando-as ao nome do Presidente da República e, no entanto, não existe em nenhuma declaração ou escrito do Presidente qualquer referência a escutas ou a algo com significado semelhante.
Desafio qualquer um a verificar o que acabo de dizer.
E tudo isto sendo sabido que a Presidência da República é um órgão unipessoal e que só o Presidente da República fala em nome dele ou então os seus chefes da Casa Civil ou da Casa Militar.
2. Porquê toda aquela manipulação?
Transmito-vos, a título excepcional, porque as circunstâncias o exigem, a minha interpretação dos factos.
Outros poderão pensar de forma diferente. Mas os portugueses têm o direito de saber o que pensou e continua a pensar o Presidente da República.
Durante o mês de Agosto, na minha casa no Algarve, quando dedicava boa parte do meu tempo à análise dos diplomas que tinha levado comigo para efeitos de promulgação, fui surpreendido com declarações de destacadas personalidades do partido do Governo exigindo ao Presidente da República que interrompesse as férias e viesse falar sobre a participação de membros da sua casa civil na elaboração do programa do PSD (o que, de acordo com a informação que me foi prestada, era mentira).
E não tenho conhecimento de que no tempo dos presidentes que me antecederam no cargo, os membros das respectivas casas civis tenham sido limitados na sua liberdade cívica, incluindo contactos com os partidos a que pertenciam.
Considerei graves aquelas declarações, um tipo de ultimato dirigido ao Presidente da República.
3. A leitura pessoal que fiz dessas declarações foi a seguinte (normalmente não revelo a leitura pessoal que faço de declarações de políticos, mas, nas presentes circunstâncias, sou forçado a abrir uma excepção).
Pretendia-se, quanto a mim, alcançar dois objectivos com aquelas declarações:
Primeiro: Puxar o Presidente para a luta político-partidária, encostando-o ao PSD, apesar de todos saberem que eu, pela minha maneira de ser, sou particularmente rigoroso na isenção em relação a todas as forças partidárias.
Segundo: Desviar as atenções do debate eleitoral das questões que realmente preocupavam os cidadãos.
Foi esta a minha leitura e, nesse sentido, produzi uma declaração durante uma visita à aldeia de Querença, no concelho de Loulé, no dia 28 de Agosto.
4. Muito do que depois foi dito ou escrito envolvendo o meu nome interpretei-o como visando consolidar aqueles dois objectivos.Incluindo as interrogações que qualquer cidadão pode fazer sobre como é que aqueles políticos sabiam dos passos dados por membros da Casa Civil da Presidência da República.
Incluindo mesmo as interrogações atribuídas a um membro da minha Casa Civil, de que não tive conhecimento prévio e que tenho algumas dúvidas quanto aos termos exactos em que possam ter sido produzidas.Mas onde está o crime de alguém, a título pessoal, se interrogar sobre a razão das declarações políticas de outrem?
Repito, para mim, pessoalmente, tudo não passava de tentativas de consolidar os dois objectivos já referidos: colar o Presidente ao PSD e desviar as atenções.
5. E a mesma leitura fiz da publicação num jornal diário de um e-mail, velho de 17 meses, trocado entre jornalistas de um outro diário, sobre um assessor do gabinete do Primeiro-Ministro que esteve presente durante a visita que efectuei à Madeira, em Abril de 2008.
Desconhecia totalmente a existência e o conteúdo do referido e-mail e, pessoalmente, tenho sérias dúvidas quanto à veracidade das afirmações nele contidas.
Não conheço o assessor do Primeiro-Ministro nele referido, não sei com quem falou, não sei o que viu ou ouviu durante a minha visita à Madeira e se disso fez ou não relatos a alguém.
Sobre mim próprio teria pouco a relatar que não fosse de todos conhecido. E por isso não atribuí qualquer importância à sua presença quando soube que tinha acompanhado a minha visita à Madeira.
6. A primeira interrogação que fiz a mim próprio quando tive conhecimento da publicação do e-mail foi a seguinte: “porque é que é publicado agora, a uma semana do acto eleitoral, quando já passaram 17 meses”?
Liguei imediatamente a publicação do e-mail aos objectivos visados pelas declarações produzidas em meados de Agosto.
E, pessoalmente, confesso que não consigo ver bem onde está o crime de um cidadão, mesmo que seja membro do staff da casa civil do Presidente, ter sentimentos de desconfiança ou de outra natureza em relação a atitudes de outras pessoas.
7. Mas o e-mail publicado deixava a dúvida na opinião pública sobre se teria sido violada uma regra básica que vigora na Presidência da República: ninguém está autorizado a falar em nome do Presidente da República, a não ser os seus chefes da Casa Civil e da Casa Militar. E embora me tenha sido garantido que tal não aconteceu, eu não podia deixar que a dúvida permanecesse.
Foi por isso, e só por isso, que procedi a alterações na minha Casa Civil.
8. A segunda interrogação que a publicação do referido e-mail me suscitou foi a seguinte: “será possível alguém do exterior entrar no meu computador e conhecer os meus e-mails? Estará a informação confidencial contida nos computadores da Presidência da República suficientemente protegida?”
Foi para esclarecer esta questão que hoje ouvi várias entidades com responsabilidades na área da segurança. Fiquei a saber que existem vulnerabilidades e pedi que se estudasse a forma de as reduzir.
9. Um Presidente da República tem, às vezes, que enfrentar problemas bem difíceis, assistir a graves manipulações, mas tem que ser capaz de resistir, em nome do que considera ser o superior interesse nacional. Mesmo que isso lhe possa causar custos pessoais. Para mim Portugal está primeiro.
O Presidente da República não cede a pressões nem se deixa condicionar, seja por quem for.
Foi por isso que entendi dever manter-me em silêncio durante a campanha eleitoral.
Agora, passada a disputa eleitoral, e porque considero que foram ultrapassados os limites do tolerável e da decência, espero que os portugueses compreendam que fui forçado a fazer algo que não costumo fazer: partilhar convosco, em público, a interpretação que fiz sobre um assunto que inundou a comunicação social durante vários dias sem que alguma vez a ele eu me tenha referido, directa ou indirectamente.
E sabendo todos que a Presidência da República é um órgão unipessoal e que, sobre as suas posições, só o Presidente se pronuncia.
Uma última palavra quero dirigir aos portugueses: podem estar certos de que, por maiores que sejam as dificuldades, estarei aqui para defender os superiores interesses de Portugal.

A "extraordinária" Maria de Lurdes Rodrigues

Não me espanta nada que ainda apareça por aí uma vaga de fundo a favor da recondução de Maria de Lurdes Rodrigues como (nova/velha) ministra da Educação.
Parece que a oposição alinha.
Há quem suspeite que MLR vai para o terreno envolver-se directamente em acções de contra-resistência, pelo que não tardará a solicitar a sua adesão ao inolvidável movimento dos 13.


Coisas extraordinárias

Uma das coisas mais extraordinárias da noite eleitoral (as noites eleitorais são sempre férteis em coisas extraordinárias) foi ver o PS festejar a "vitória extraordinária" que terá sido a maioria relativa que conseguiu.
O PS teve, durante quatro anos, a faca e o queijo na mão e cortou a mão. Em quatro anos perdeu meio milhão de votos, perdeu 8,5% do eleitorado (20% do "seu" eleitorado), perdeu a maioria em vários distritos, perdeu 24 deputados. Só não perdeu, pelos vistos (os hábitos não se perdem facilmente), a pesporrência absoluta, já que a maioria absoluta perdeu-a também, e absolutamente. Isto quando todos os outros partidos, da Esquerda à Direita (até o PSD), cresceram em número de eleitores e de deputados, mesmo tendo votado menos gente que em 2005.
Dos 500 mil eleitores perdidos pelo PS, 200 mil vão provavelmente a crédito da ministra Maria de Lurdes Rodrigues e da sua ruinosa política educativa. Se Sócrates for coerente com o apoio acrítico que sempre lhe deu mantê-la-á no Governo. Todas as oposições aplaudirão, de olhos nas próximas eleições, esse acto de "extraordinária" firmeza.
In JN, 29/09/2009

O que eu penso sobre a concretização do COMPROMISSO EDUCAÇÃO

Texto publicado no blogue do PROmova


O PROmova orgulha-se de ter estado na origem da estratégia conhecida como COMPROMISSO EDUCAÇÃO, imediatamente acolhida, promovida e dinamizada, com extraordinário empenho, pelos três movimentos independentes de professores (APEDE, MUP e PROmova) e a qual constituiu uma das vertentes mais impressiva e eficaz da contestação empreendida pelos professores.
Desde Fevereiro de 2009, enquanto os sindicatos se entretiveram em negociações com o ME que toda a gente sabia que não dariam em nada e enquanto ziguezaguearam em aparições e hibernações ao sabor de agendas nem sempre claras, como ocorreu com a misteriosa mudança de agulha na luta prometida para o mês de Setembro, os movimentos independentes de professores foram construindo o COMPROMISSO EDUCAÇÃO com a visão estratégica e a tenacidade que faltou a outros que, certamente, tinham mais disponibilidade de recursos e de tempo para o fazer. Mas, adiante…
O COMPROMISSO EDUCAÇÃO contou com o acolhimento e o apoio de todos os partidos da oposição, trouxe a contestação dos professores para o centro do debate político, influenciou a campanha e os resultados das eleições para o parlamento europeu, apareceu explicitamente plasmado nos programas eleitorais de todos os partidos da oposição, voltando, agora, a ter impacto na retirada da maioria absoluta ao PS e no consequente reforço das forças parlamentares favoráveis à concretização das duas principais reivindicações dos professores (fim da divisão da carreira e do modelo de avaliação), as quais são transversalmente defendidas por todos os partidos da oposição que, nesta redistribuição de mandatos de deputados, se tornaram maioritários no parlamento.
Não restam dúvidas que os resultados eleitorais do dia 27 de Setembro também são, por um lado, um reflexo da persistência dos professores na defesa de reivindicações justas e inatacáveis que os portugueses e os partidos da oposição compreenderam e valorizaram, e, por outro, o resultado da arrogância e da prepotência de Maria de Lurdes Rodrigues e de Sócrates que não tiveram a inteligência e a humildade democrática para compreenderem que, se a divisão da carreira aviltou os professores e degradou o ambiente nas escolas, pela arbitrariedade e injustiça inerente à sua concretização, o modelo de avaliação imposto gerou resistências generalizadas e inultrapassáveis, dada a sua inadequação, inconsistência e falta de seriedade.
Nestas eleições legislativas, o povo português pronunciou-se com clareza e legitimou a resolução parlamentar dos graves problemas da escola pública, tal como denunciados e combatidos pelos professores.
Estão, pois, reunidas as condições para que, no momento político oportuno, um ou vários dos partidos da oposição (temos esse compromisso afirmado pelo PSD, mas não temos dúvidas que o BE, o PCP e o CDS/PP também o farão) apresentem as iniciativas legislativas tendentes a revogar, liminarmente, a divisão arbitrária e injusta da carreira e a suspender este modelo de avaliação.
Em conformidade com o objectivo da concretização parlamentar do COMPROMISSO EDUCAÇÃO, os movimentos independentes de professores vão procurar reunir com as lideranças dos partidos da oposição, esperando, neste domínio, o mesmo empenho da parte dos sindicatos.
As revogações da divisão da carreira e deste modelo de avaliação urgem, pois vivem-se as realidades mais diferenciadas, discricionárias e disparatadas nas escolas (vejam-se os diferentes enquadramentos das entregas e das recusas na entrega dos objectivos individuais), bem como climas de medo e de intimidação, frequentemente dirigidos àqueles professores que tiveram a coragem e a coerência de resistirem a medidas erradas e nada sérias, sem esquecer aqueles que recusam, de todo, participar na farsa desta avaliação e estão cheios de razão para o fazer, além de que souberam dar o melhor de si à escola e aos seus alunos, no período sob avaliação. Apenas não pactuam com a implementação de medidas erradas e iníquas, que ninguém do governo tem a coragem de contestar frente-a-frente com esses professores.
À investida dos movimentos de professores em prol do COMPROMISSO EDUCAÇÃO, devem os sindicatos acrescentar uma pressão imediata sobre o novo governo e a nova equipa do ministério da Educação, no sentido de poder ser dada ao novo governo a oportunidade de tomar a iniciativa de alterar as políticas educativas prosseguidas por Maria de Lurdes Rodrigues, pois só os espíritos superiores são capazes de reconhecer e de corrigir os erros que cometem.

Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Estou sem pachorra para analisar o delírio da "extraordinária vitória" do PS. Fica para mais logo


O PS perde quase 10% de votação, vê-se despojado de 20 deputados, perde a maioria absoluta e a concomitante prepotência e ainda tem o desplante de vir propalar uma “extraordinária” vitória? Tinham, de facto, a fasquia muito em baixo. É caso para dizer que, desta vez, o PS de Sócrates não festejou a vitória com champanhe, mas com “amarguinha”.
Eu, apesar de desgostoso com a vitória relativa de Sócrates a nível nacional, vou-me deliciando com o extraordinário chumbo (que rica avaliação lhe devolvemos) que os distritos de Vila Real e de Bragança fizeram da governação de Sócrates, conseguindo resistir, verticais, a acenos de auto-estradas, de barragens, de túneis e afins.
Pra cá do Marão os professores também souberam ser firmes e coerentes, contribuindo, e de que maneira, para a “extraordinária” derrota eleitoral de Sócrates (isso mesmo) em Trás-os-Montes, sua região natal.
Mas, o maior gozo pessoal da noite adveio da não eleição da 3ª candidata a deputada do PS por Vila Real, precisamente a professora Paula Barros, a qual caiu vencida nesta noite eleitoral, como cairão nos próximos meses as arbitrárias e injustas medidas que, de forma bajulatória, defendeu no parlamento.
Da minha parte, este blogue, apesar de estar de luto, vai continuar a dar luta a Sócrates e às suas miseráveis políticas educativas.
Ninguém me asfixia ou mete medo.
Mais logo, o teclado continuará crítico, irónico e mordaz q.b.
Nos próximos tempos, há um COMPROMISSO EDUCAÇÃO para concretizar no parlamento e que há-de conduzir ao fim da divisão da carreira e à suspensão deste modelo de avaliação.
Nem tudo se perdeu!...

Domingo, 27 de Setembro de 2009

Acompanhamento dos resultados das eleições legislativas no sítio oficial

Os resultados oficiais das eleições legislativas podem ser acompanhados na página do ministério da Justiça concebida para o efeito (espreitar e seguir aqui).
Votei por volta das 11h30m, numa das assembleias de voto de Vila Real e não tenho recordação de ver, em eleições anteriores, tamanha movimentação e concentração de pessoas para votar.
Esperemos que esta afluência possa traduzir a vontade das pessoas em reagir, tanto ao medo e à crispação social que este governo patrocinou, como aos sucessivos massacres da propaganda oficial e da manipulação jornalística.
Se assim fosse, este ficaria como um dia histórico na democracia portuguesa, pois, além de significar o levantamento da população em prol do fim da dita Socradura, representaria um sinal de maturidade e de inteligência dos portugueses.
Vamos esperar para ver!

Uma caneta que ficará ligada à história da minha vida. E não é pelo receio da gripe A

É com esta caneta que, hoje, vou exprimir a minha indignação e a minha revolta pela forma como fui afrontado e humilhado na minha dignidade profissional, no meu mérito e na minha dedicação à escola pública de mais de duas décadas, assim como na autoridade e na imagem pública valorizada que me é devida como professor exigente, empenhado e cumpridor dos meus deveres para com os alunos e os colegas.
Tudo isto foi arbitrariamente vandalizado por um grupo de personagens (e com o beneplácito de um partido que se tornou irreconhecível) a quem perdi o respeito, porque me desrespeitaram grosseiramente, e a quem não reconheço, nem autoridade moral, nem competência académica, para me violentarem, como o fizeram.
Votarei contra Sócrates e tudo o que ele representa, mas também votarei contra um partido, outrora de liberdade e de valores, que se deixou amarrar e amordaçar a um projecto narcísico, doentio e medíocre de poder pessoal.
Coloquei a caneta propositadamente em cima do livro de Santana Castilho, porque, hoje, o meu voto também é uma homenagem à inteligência e à tenacidade deste homem que consegue ver melhor e mais longe, em política educativa, de olhos fechados do que Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues e afins de olhos arregalados.
Esta caneta ficará na história da minha vida como a herança de dignidade, de coerência, de verticalidade e de frontalidade que quero deixar aos meus filhos.

Sábado, 26 de Setembro de 2009

Um primeiro-ministro inadaptado e contrariado? Amanhã vamos libertar Sócrates da sua "vida horrível"

Em 16 Setembro de 2000, Sócrates respondia assim a um jornalista:
- "Engenheiro José Sócrates, vamos vê-lo, um dia, primeiro-ministro?"
- "Não! Primeiro, porque não tenho talento e as qualidades que um primeiro-ministro deve ter. Segundo, porque ser primeiro-ministro é ter uma vida na dependência mais absoluta de tudo, sem ter tempo para mais nada. É uma vida horrível que eu não desejo. Ministro é o meu limite."



Que não tem talento nem qualidades para ser primeiro-ministro já tivemos, infelizmente, oportunidade de o confirmar no decurso desta legislatura.
Não sei se a sua vida como primeiro-ministro foi ou não horrível, agora não restam dúvidas que a vida, gratuita e contraproducentemente proporcionada aos professores e suas famílias, foi mesmo "horrível".
Apesar de tudo, Sócrates tem direito a fruir de uma vida tranquila e de acordo com o seu desejo.
Façamos-lhe a vontade, amanhã!

Um contributo modesto para atenuar a depressão nervosa dos seguidores ou apoiantes de Manuel Alegre

Confesso que mal tenho dormido, nas últimas noites, a matutar na melhor forma de solucionar o dilema proposto por Manuel Alegre aos seus apoiantes: desejo a vitória do PS, mas não por maioria absoluta.
Ao procurar concretizar esta asserção própria da ambiguidade de um poeta (que a plebe, maldosa e ironicamente, traduz na forma de um "nim") no guião comportamental de um militante anónimo identificado com as posições de Alegre e que amanhã se dirige à mesa de voto, dei comigo a pensar nas primeiras experiências de Pavlov com o seu cão (sem ofensa para ninguém, porque em psicologia fisiológica o recurso à experimentação animal para compreender o comportamento humano é uma prática corriqueira) e no modo como pensou ter encontrado a explicação para a emergência das doenças nervosas (que isto de depressão é termo mais recente e cosmopolita).
Quando confrontado com estímulos ambíguos e indecifráveis (uma elipse que já não era círculo nem quadrado – figuras com que fora condicionado) o bom cão pavloviano viu-se no meio de um processo de excitação e de inibição da salivação simultâneos, entrando em disfuncionamento nervoso, cuja sintomatologia se traduziu em tornar-se inquieto, agitado, urinando e latindo sem controlo.
Salvo, naturalmente, todas as distâncias, não há dúvida que com este seu posicionamento Manuel Alegre está a propiciar, aos seus apoiantes, as condições que lhes induzirão uma verdadeira depressão nervosa, mesmo acreditando que não chegarão ao descontrolo de poderem vir a urinar-se em plena mesa de voto. Porque o esquema excitação (voto PS – para assegurar a maioria relativa) – inibição (não posso votar PS – pois só assim tenho a certeza que evito a maioria absoluta) está lá presente em cada eleitor.
Para evitar depressões e as concomitantes cefaleias e outra sintomatologia mais severa, eu proporia aos apoiantes de Alegre que NÃO VOTASSEM NESTE PS e pelas razões que referencio: como as sondagens dizem que o PS será o partido mais votado já não vale a pena o voto, precavendo-se o risco de catapultar o partido para uma maioria absoluta e assim comprometer, irremediavelmente, a eleição de Alegre para a presidência da República; mostrariam alguma coerência com as posições críticas de Alegre face ao socratismo ao longo da legislatura; honrariam a coragem daquelas deputadas do grupo de Manuel Alegre que se opuseram com galhardia no Parlamento à imposição do modelo de avaliação e com isso foram afastadas das listas de candidatas a deputados (o mito da inclusão de todos, supostamente típico do PS, tem iludido este saneamento).

Imagem retirada daqui

Amanhã é, justamente, o dia para acreditarmos que esta "merda" vai mudar



Reposição do tema "Sem eira nem beira" em dia de concerto dos Xutos. Espero que tenham, em dia de reflexão, a coragem de cantar isto.
Para aqueles que afirmam que os Xutos até votam no PS, então das duas uma: também fazem parte daqueles que nos andam a enganar, pois equivocam-se e abandalham-se na (falta de)coerência que vai do dizer ao fazer; escreveram esta letra num momento de lúcida bebedeira (às vezes acontece).

Os jornalistas não têm coragem para confrontar Sócrates com o "caso" do homem que dá lições de ética a Manuel Alegre e aos professores

Apoderou-se da comunicação social portuguesa um tal acobardamento e uma tal subserviência face a Sócrates, que ninguém teve a ousadia de o confrontar com o “caso Lello” no decurso desta última semana de campanha eleitoral, ao contrário do que haviam feito com Manuela Ferreira Leite no âmbito do “caso Preto”.
Senhores directores de informação e jornalistas deste país expliquem-nos os vossos critérios jornalísticos (subterfúgio que tanto serve para encobrir as opções fulanizadas, como as encomendas e as colagens), como se fossemos todos, de facto, muito estúpidos, a propósito da diferenciação no tratamento destes dois casos:
Porquê tanta obsessão em noticiar e, sobretudo, em questionar Manuela Ferreira Leite sobre o “caso Preto” e, quase em simultâneo, tudo fazer para se poupar Sócrates às questões sobre o “caso Lello”?
É temor reverencial ou receio de que a eventual agressividade da “fera” (sempre podiam aproveitar esta janela efémera de mansidão) vos possa arruinar a peça jornalística ou mesmo a expectativa de carreira, no quadro do tão acanhado instinto português de assegurar a “vidinha”?
Será que é pelo facto de recearem a antipatia ou o ostracismo de Sócrates? (Como ocorreu com Manuela Moura Guedes, Teresa Dias Mendes ou Judite de Sousa, esta última acusando Sócrates de ser agressivo para com ela e de “emprenhar pelos ouvidos”).
É o medo de represálias pessoais (os processos de Sócrates contra jornalistas multiplicam-se, caso inédito nas democracias europeias) e de retaliações para as empresas de comunicação que representam?
É o cheiro a financiamentos, subsídios ou licenciamentos que podem perigar?
Seja o que for, façam o favor de se irem acomodando e de se tornarem coniventes com projectos de controlo que mais se assemelham a tentativas de venezualização da liberdade de imprensa, porque essa atitude ainda fará dos jornalistas portugueses “gente feliz”, mesmo que o futuro possa ser lacrimejante.
Atente-se como todas as televisões e jornais foram capitulando uma a uma e um a um ao rolo compressivo do condicionamento socrático, restando, porventura como única excepção, o Correio da Manhã. A própria abertura do Jornal da Noite de Sexta da TVI, com um Sócrates sorridente, roça a obscenidade e mostra como o condicionamento da informação compensou e chegou mesmo a tempo das legislativas.
Em Portugal, o “crime” compensa sempre!

Os professores e as suas famílias podem e devem derrotar o PS de Sócrates

Apelo disponibilizado no blogue do PROmova

Derrotar Sócrates, no dia 27 de Setembro, também está nas mãos dos professores e das suas famílias.
Os professores têm memória e têm sentido de dignidade, pelo que não esquecem as afrontas, as humilhações, as injustiças e as indignidades a que foram submetidos pelo despotismo arbitrário inspirado em Sócrates.
Como tal, faz todo o sentido o apelo dos movimentos independentes para que os professores NÃO votem no PS de Sócrates.
Na véspera das eleições, recuperamos o registo áudio do apelo à não votação no PS feito pelos representantes do PROmova e do MUP aos microfones da TSF (ouvir aqui).
NÓS PODEMOS DERROTAR SÓCRATES, JÁ
Vamos colocar-nos à mercê de mais ataques?
Vamos oxigenar os climas de pressão, de medo e de retaliação que se vivem em muitas escolas do país?
Vamos viabilizar a continuação do clima de degradação nas escolas e do ambiente de medo e de crispação permanente na sociedade?
Vamos premiar a incompetência e o facilitismo?
Vamos dar cobertura a manipulações, a encenações e a uma política de aparências e de mentira?
Vamos permitir que alguns professores se vejam impedidos, nos concursos, de se aproximarem do seu local de residência, enquanto outros o conseguem por cunhas e vias travessas?
Vamos permitir que se consolide a vergonhosa lotaria dos titulares?
Vamos pactuar com um modelo de avaliação de fachada que se suporta no copy e paste de objectivos e de fichas de auto-avaliação?
Vamos deixar que nos transformem em baby-sitters e que nos continuem a arruinar a autoridade e o prestígio perante os alunos e a sociedade?
NÃO VAMOS?...
ENTÃO, NÃO PODEMOS VOTAR NO PS DE SÓCRATES

Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Desculpem-me a franqueza, mas apoiarem as reivindicações dos professores e, ao mesmo tempo, quererem a vitória de Sócrates, a coisa não joga

Bloco declara vitória de Sócrates
Ricardo Jorge Pinto (www.expresso.pt)
25 de Set de 2009
O BE parece conformado, e até agradado, com a vitória do PS. O objectivo é mesmo evitar a maioria absoluta socialista.
"O risco não é a vitória de José Sócrates. O risco é o medo do regresso da maioria absoluta", disse a eurodeputada bloquista Marisa Matias, em Santa Maria da Feira.
(Retirado do Expresso online)

Espera-se que na eventualidade da "coisa" ocorrer, os professores e as suas reivindicações fundamentais (revogação da divisão da carreira e fim deste modelo de avaliação e seus efeitos) não venham a ser os sacrificados na ânsia e no deslumbramento do acesso ao poder.
Também fica o aviso: quem quebrar os seus compromissos eleitorais no que diz respeito às justas reivindicações dos professores, pode contar com a nossa reacção e com a ruína da sua credibilidade política.
De qualquer forma e como professor, não me vejo a votar em soluções que visem viabilizar a governação de Sócrates. Desculpem-me a sinceridade, mas estou farto da arrogância e da incompetência de Sócrates, pelo que já nem demolhado à esquerda o consigo engolir.

Yo no credo en "escutas" pero que las hay, las hay

In Expresso, 25/09/2009

Mesmo dando de barato que a gestão do "caso das escutas", tal como tem vindo a ser feita por Cavaco Silva, assume contornos de inesperado amadorismo e tende a prejudicar eleitoralmente o PSD, o problema é que existe aqui um fundo de verdade, sob a forma de condicionamento pelo rumor e pela casca de banana (para quem se deixa escorregar, como foi o caso do presidente da República).
Por um lado, é verdade que Cavaco Silva nem ata nem desata, deixando sinais e gestos contraditórios que, no essencial, foram aproveitados pelos homens de mão de Sócrates para desacreditar a tese da asfixia democrática do PSD (mesmo sendo inegável que existe condicionamento democrático de facto, e os exemplos abundam).
Mas o crucial destes processos, como, aliás, já ocorreu no caso dos magistrados que investigam o Freeport, é fazer-se passar a ideia e alimentar o rumor de que estas entidades podem estar sob escuta (mesmo que na prática não o estejam de facto), pois dessa forma atinge-se o objectivo desejado, isto é, lançar a incerteza e a crença na possibilidade de que se pode estar a ser escutado e, dessa forma, limitar-se o campo de actuação desses actores. Ou será que é assim tão transcendente perceber a estratégia que tem sido montada nas situações incómodas para Sócrates e que passam pelo cerceamento, de forma mais directa ou mais indirecta, da liberdade de actuação daqueles que se lhe opõem?
O que é absolutamente lastimável é que os portugueses venham a premiar, eleitoralmente, as estratégias do condicionamento da comunicação social, do condicionamento das magistraturas, da humilhação pública dos professores (1), da provocação de outros órgãos de soberania, do ataque troglodita ao funcionalismo público, das mentiras e das promessas por cumprir.
Para acabarmos assim talvez nos devêssemos questionar se terá valido a pena o 25 de Abril.

(1) Parece que há por aí uma minoria de colegas que se excitam com afrontas, assim como há alguns políticos que se afirmam do lado dos professores, indo, pela manhã, às escolas defender os docentes, para à noite se mostrarem agradados com a vitória de Sócrates - vejam-se as declarações de quem por estratégia política e por sedução do poder acaba por mandar às malvas as concepções e os princípios, com base nos quais fizeram (e bem) uma oposição encarniçada a Sócrates e ao que ele representa. Afirmou, ontem, Marisa Matias do BE: "O risco não é a vitória de José Sócrates". Olhe que para os professores é, exactamente, esse o risco.

Aposto em como a votação do PS não ultrapassa a fasquia dos 33%

Talvez o sistema político português tenda a caminhar para uma sondagemcracia, mas por enquanto vai valendo a democracia, pelo que é o voto de cada um dos portugueses que vai decidir, no próximo dia 27 de Setembro, quem ganha e quem perde.
É, no mínimo, uma cretinice que tantos embandeirem em arco, sem qualquer criticismo, face a sondagens que auscultam 850 pessoas e cerca de trezentas se mostram indecisas, acabando a fazer extrapolações com base em 500 unidades amostrais, ainda por cima desconhecendo-se, em muitas delas, o modo como na prática são formuladas as questões e este aspecto pode fazer toda a diferença (ainda há dias me ligaram para o telemóvel a propósito dos debates televisivos e a assistente quase me constrangia a reconhecer que Sócrates tinha ganho o debate a Ferreira Leite, quando essa não era de todo a minha opinião).
E depois convém não esquecer o historial de incompetência que caracteriza muitas das empresas de sondagens, em Portugal. Veja-se, a título exemplificativo, a primeira de eleição de Rui Rio no Porto (apanhado desprevenido sem o champanhe) e, mais recentemente, o falhanço estrondoso das previsões nas eleições europeias.
Muitas sondagens, em Portugal, transformaram-se em mais um instrumento de propaganda, com evidentes ligações e interesses de alguns situados nas esferas do PS.
Depois, não é crível que alguém que protagonizou uma governação medíocre, que afrontou inúmeras classes profissionais, que empobreceu o país, que aumentou o desemprego, que não cumpriu promessas básicas, que actuou na base da propaganda sem reflexos visíveis das políticas no terreno, que evidenciou “rabos de palha” incontornáveis e que mente e distorce dados e realidades de forma tão descarada, possa ter uma votação na casa dos 38 a 40%. Tal, significaria, apenas o triunfo da iliteracia e a vitória de um país sem valores e sem princípios a caminho da estupidificação.
Eu, como gosto de desafios e como aprecio arriscar prognósticos antes do jogo, aposto em como o PS não ultrapassará a fasquia dos 33%.
Suporto a minha estimativa nas seguintes percepções:
1) a aparência de uma adesão crescente à campanha de Sócrates é apenas o resultado de uma logística dispendiosa e pensada ao pormenor: ora são os autocarros que transportam pessoas para encher espaços (muitas das pessoas presentes no comício de Vila Real nunca tinham sido vistas por estas paragens transmontanas e os autocarros lá estavam para o confirmar), ora são as cortinas, os afunilamentos, as duplas e triplas bandeiras por pessoa ou os espelhos que duplicam o número dos presentes. Truques, arregimentados e bluff;
2) a falibilidade técnica óbvia das sondagens em Portugal com oscilações incompreensíveis em curtos período de tempo, com a não inclusão das regiões autónomas e, sobretudo, com desvios que nas eleições europeias chegaram aos 11%;
3) um sentimento e uma vontade de não suportar Sócrates por mais tempo e que são transversais a extensos grupos profissionais, além de que ecoam pelo país fora. Este fenómeno de rejeição há-de ter expressão eleitoral;
4) as pessoas vão-se apercebendo dos fretes que a maioria das empresas de comunicação social e dos jornalistas fazem ao PS de Sócrates, basta ver o tratamento que deram a esta notícia (José Lello e António Braga acusados de negociar cargos em troca de financiamento partidário), quando comparada com a projecção que foi dada à pretensa compra de votos na distrital de Lisboa do PSD (pouco crível, por sinal, pois estar-se-ia a comprar algo sem a garantia de o ter, uma vez que o voto é secreto). Ou como Edite Estrela produz, em Bragança, uma afirmação que é uma mentira desavergonhada e ninguém, na comunicação social, a denuncia ou a esmiúça.

Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

Comunicação de última hora da ministra da Saúde é inutilmente alarmista e oportunista

Estava a seguir a emissão do Jornal das 9 da SIC Notícias, quando fui surpreendido por uma comunicação de última hora da ministra da Saúde a partir de Coimbra, círculo pelo qual é cabeça de lista e onde se encontra a fazer campanha eleitoral.
Fiquei, naturalmente, sensibilizado pelo drama que o falecimento, devido à gripe A, de uma pessoa ainda tão jovem (41 anos de idade) representa para os seus familiares, mas fiquei, também, chocado com o indecente aproveitamento político que Ana Jorge fez deste caso fatídico e pelas razões que passo a expor:
1) atendendo ao tipo de situação excepcional, cujo risco de morte da pessoa em causa era potenciado por outras patologias graves sensíveis a uma qualquer infecção, não justificava o alarmismo de um comunicado de última hora e, sobretudo, vindo da ministra da Saúde;
2) quando muito, justificava-se uma nota explicativa da ocorrência por parte da DGS ou, no limite, uma aparição discreta do director-geral da Saúde nos telejornais do dia, evidenciando o carácter excepcional do caso e aproveitando para apelar à tranquilidade e ao cumprimento das regras de prevenção;
3) a circunstância de a morte ter acontecido no período da manhã tinha dado tempo suficiente à ministra para se deslocar a Lisboa e fazer a comunicação (embora fosse totalmente desnecessária, como se constatou) nas instalações do ministério ou da DGS, mas nunca aparecendo nas televisões a fazê-lo a partir de Coimbra onde joga um outro papel que não pode ser confundido com o de ministra da Saúde;
4) uma vez que a morte ocorreu no período da manhã, como se explica que a comunicação da situação seja protelada para a hora nobre das televisões, à noite, quando da informação veiculada não decorre nenhuma pedagogia ou profilaxia útil para as pessoas?
Lamentável!

O PS não se dedica à maledicência, mas Edite Estrela mente descaradamente em Bragança

Eis o Despacho que impôs a lei da rolha (ao professor Charrua este PS aplicou-lhe a lei do "saca-rolhas", isto é sanearam-no do lugar que ocupava na DREN) e que, de forma mentirosa e manipulatória, Edite Estrela imputou à ministra da Educação Manuela Ferreira Leite.
Atente-se no documento devidamente assinado pela então ministra da Educação "António Fernando Couto dos Santos".

Afirmações de Edite Estrela (citadas do Público online):
"Aí, sim, é que havia asfixia democrática”, afirmou Edite Estrela, aludindo ao despacho conhecido por “lei da rolha", assinado pelo ministro adjunto Couto dos Santos quando Ferreira Leite tutelava a pasta da Educação no último Governo de Cavaco Silva.

É este o rigor histórico e a decência que suporta a declaração de um elemento destacado do PS desesperado com a força que os professores representam nos distritos de Bragança e de Vila Real, procurando travar o voto útil no PSD.
Pela mentira, o PS também não vai lá, porque os professores são lúcidos, têm memória e não esquecem nem desculpam a maior afronta e desrespeito a que alguma vez foram sujeitos na história da democracia portuguesa. E isto aconteceu, exactamente, com Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues, Valter Lemos, Jorge Pedreira, Margarida Moreira e outros que tais.

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Triste Magalhães: de fetiche de propaganda a instrumento de chantagem eleitoral

Programa de distribuição do computador Magalhães suspenso (TSF)
Um ano depois do Governo entregar nas escolas os primeiros Magalhães a TSF apurou que o programa está suspenso. Fonte do plano tecnológico da Educação adiantou mesmo não dispor de qualquer informação sobre a continuidade do projecto. Os pais dos alunos que entraram agora para o primeiro ciclo têm pedido explicações às escolas e o que lhes dizem é que ainda não há ordem do Ministério da Educação para que o Magalhães volte a ser distribuído.
Acompanhar a notícia aqui.

Mais palavras para quê, é um produto "português", nascido envolto em mentiras, mistificações, manipulações e trapalhadas, para acabar como isco para votozinhos.

Sócrates, o rancoroso. Não recomendável a ingénuos, otários e indecisos

Nas antecâmaras do disfarce propagandístico e do fingimento que suporta a fábula do “bonzinho”, Sócrates vai deixando transparecer a sua verdadeira identidade.
Desta vez, foi o cancelamento da entrevista à Rádio Renascença, com a desculpa do cansaço (porventura, contagiado pelo apelido da Fernanda) e da sobrecarga de agenda.
A Rádio Renascença já reagiu, lembrando a reiterada indisponibilidade de Sócrates para dar entrevistas a esta empresa de comunicação social, à semelhança do que tem acontecido com a TVI.
Sócrates age de forma vingativa relativamente àqueles que não seguem o modelo jornalístico do alinhado e reverencial João Marcelino, fulanizando e diminuindo a dimensão de primeiro-ministro e de secretário-geral do PS à mesquinhez dos humores e do mau feitio com que se reage ao escrutínio crítico do indivíduo José Sócrates.
No dia 27 de Setembro, os portugueses saberão dizer NÃO a um projecto de país do medo, da crispação, da prepotência, do rancor, da retaliação e da diferenciação facciosa entre boas e más empresas, bons e maus jornalistas, funcionários/profissionais adesivos e contestatários, com base em critérios de subserviência e aclamação ao grande líder.
Sócrates vai deixando escapar sinais de que não se encontra em estado de fera amansada, mas de fera ferida, pronta para a desforra no momento oportuno.
Os portugueses têm o direito de não ter que levar em cima com os seus estados de alma e as suas “vendettas” políticas. Vamos inscrever esse direito no boletim de voto, no dia 27 de Setembro.

Albino Confap, o acólito de Maria de Lurdes Rodrigues e de Sócrates

A enxurrada do descrédito e do fracasso que arrastará Maria de Lurdes Rodrigues para os quintos da ostracização partidária e política não deixará, certamente, de impelir para o mesmo destino todos os protagonistas e todas as organizações que funcionaram como instrumentos ou como estruturas fantoche destinadas a sancionar, de forma acéfala e adesiva, políticas educativas erradas e injustas.
Entre os acólitos que serviram à mesa da subserviência ao governo de Sócrates, contam-se Albino Almeida (Confap) e Álvaro Pereira dos Santos (Conselho de Escolas).
Se o PS perder as eleições legislativas, espera-se a debandada desta gente. Mesmo que as venha a ganhar em minoria, adivinham-se tempos difíceis para os sequazes da arrogância e da prepotência da equipa do ME e do próprio Sócrates.
Que o deserto lhes seja tórrido!


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In Público, 22/09/2009
Obrigado, La Salette

Quem falou em baixar as armas?

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In Público, 22/09/2009
Obrigado, La Salette

Nota pesssoal:
Começo por referir que tenho apreço pessoal pela jornalista Graça Ribeiro e também não me esqueço da divulgação pública que tem dado à contestação dos movimentos de professores através das suas peças jornalísticas a partir dos contactos frequentes que estabeleceu connosco. Nunca tive, pessoalmente, qualquer queixa de deturpações ou de incorrecções na publicação de declarações minhas.
Todavia, considero que, desta vez, a jornalista não foi particularmente feliz no título que escolheu para o seu artigo, nem em termos do tempo verbal utilizado ("baixam"), nem ao permitir que se transmita a ideia, nesta fase, de uma desistência ou de um claudicar dos professores antes de 27 de Setembro. Quem não ler o artigo ver-se-á tentado a fazer esta interpretação, a qual não encontra acolhimento nas declarações dos bloggers ouvidos.
Pelo menos, no que me diz respeito, as mensagens que procurei transmitir foram as seguintes:
1) reconversão sindical do PROmova nunca, jamais em tempo algum;
2) até estar consumada a revogação da divisão da carreira e estar suspenso o actual modelo de avaliação e os seus efeitos não desmobilizarei nem baixarei os braços;
3) admito que, na circunstância de os problemas anteriores estarem resolvidos e de Sócrates perder as eleições legislativas, passarei a direccionar mais o investimento das minhas energias para a vida académica e, especificamente, para a investigação na área da psicologia cultural, embora nunca abdique de uma intervenção cívica e política neste blogue;
4) relativamente às questões educativas manterei uma postura de vigilância activa, não vá o diabo tecê-las novamente, além de que estou disponível para ajudar a fazer do PROmova um espaço de reflexão (think tank) sobre a educação e de valorização dos professores.
Acrescentaria ainda o seguinte: dada a satelização da representatividade sindical dos professores e as dependências partidárias conhecidas de muitas das estruturas sindicais (e não vem daí nenhum mal ao mundo, pois os partidos não têm peçonha e são constituídos por gente que reivindica, luta e tem ideias, ao contrário de muitos que os atacam, mas não mexem uma palha para defender a sua dignidade e os seus direitos) é de uma total falta de realismo e de oportunidade falar de Ordem dos Professores, sobretudo num momento em que os professores já não têm paciência para aturar todas e quaisquer tentativas de domesticação e de albardaria.

Terça-feira, 22 de Setembro de 2009

O insustentável peso de Cavaco

A não ser que o caso das pretensas "escutas a Belém" ainda venha a ter desenvolvimentos surpreendentes antes do dia 27 de Setembro, é a segunda vez que, de forma consciente ou inadvertida, Cavaco Silva prejudica extensivamente o PSD.
A primeira ocorreu com o tristemente célebre artigo da "boa moeda e da má moeda" publicado no Expresso em 2004, o qual foi por todos interpretado como uma crítica acintosa e uma estocada fatal em Santana Lopes. E, de facto, cumprida a legislatura entregue de mão beijada a Sócrates, os portugueses mais esclarecidos questionam-se, legitimamente, sobre a mais valia que a moeda socrática trouxe ao país: mais desemprego, mais endividamento, mais buracos financeiros, mais défice do Estado, mais falências, maior empobrecimento, mais degradação da educação, mais crispação social, mais medo e menos transparência.
Cavaco achará, hoje, que valeu a pena o impulso dado à "nova política monetária"?
A segunda intervenção, que é susceptível de redundar em prejuízo das expectativas eleitorais do PSD e de milhões de portugueses que têm a esperança de se verem livres de Sócrates, ocorre agora com a estratégia de protelar uma intervenção resoluta e esclarecedora sobre as insinuações da existência de escutas telefónicas em Belém, ao mesmo tempo que demite com um silêncio atordoante o seu assessor de imprensa.
Com esta demissão, em plena última semana de campanha eleitoral, o presidente da República interferiu objectivamente na luta partidária, alimentando rumores e ataques ao PSD (ensaiados já por Santos Silva e por Francisco Louçã) e comprometendo o seu dever de equidistância.
Não quero acreditar em agendas inconfessadas ou em estratégias de auto-interesse, motivadas pelo mito “dos mesmos ovos na mesma cesta”, mas em política o que parece também é.
Seria, absolutamente, condenável que, tanto Sócrates, como Cavaco, hipotecassem, cada um a seu modo, o futuro do país e a salubridade da democracia, apenas por fidelidade a agendas ocultas de projectos de poder pessoal.
É crucial que Cavaco Silva dê explicações antes de 27 de Setembro, pois caso contrário estará a prejudicar objectivamente o PSD, porque os portugueses têm memória curta e já se vão esquecendo de suspeitas de cariz idêntico lançadas pelo Procurador-Geral da República ou de pressões e intimidações ocorridas ao longo da legislatura em vários sectores da vida pública.

Os dias do fim da divisão da carreira e deste modelo de avaliação

Se ainda persistissem dúvidas, em alguns, sobre o propósito do PSD em acabar com a divisão da carreira e com este modelo de avaliação, elas ficaram, ontem, completamente dissipadas na Sessão de Esclarecimento ocorrida em Vila Real.
Publicamente e na presença de Manuela Ferreira Leite, o cabeça-de-lista do PSD por Vila Real, Montalvão Machado, reafirmou no seu discurso, e recorrendo às palavras textuais que constam no documento do COMPROMISSO EDUCAÇÃO, que será posto fim "à divisão arbitrária e injusta entre titulares e professores" e a um modelo de avaliação do desempenho rejeitado pela generalidade dos professores.
Desta vez, o próprio Passos Coelho me manifestou, pessoalmente, o seu apreço pelo documento do COMPROMISSO EDUCAÇÃO.
Por conseguinte e face ao cenário da inexistência de maioria absoluta por parte do PS de Sócrates, os professores mais afoitos a concorrerem à titularidade ou os mais empenhados em obterem vantagens de um modelo de avaliação destituído de seriedade e absolutamente inconsistente, bem podem começar a lamentar a perda do seu tempo, porque estas duas medidas indignas terão, a breve trecho, o destino que merecem, isto é, o caixote do lixo.
Sempre quero ver se a minoria de oportunistas, que vão acendendo velinhas a todos os santos para que tudo fique como está, se mobiliza e vem para a rua reivindicar a reposição de vantagens obtidas à custa de arbitrariedades, mas também à custa da coerência, do sentido de dignidade e da decência da maioria dos seus colegas.

Wash and go: está montada a campanha "sujinha" de lavagem da imagem de Sócrates

A falta de vergonha para caçar votos aos mais ingénuos não tem limites no staff dos assessores de imagem de Sócrates.
Depois da derrota nas eleições europeias (convém lembrar que Sócrates, após enganar os portugueses em 2005, nunca mais ganhou nada em eleições nacionais), o país tem assistido, num misto de incredulidade e repugnância, à operação mediática de lavagem da imagem pública de Sócrates, trajado agora com uma personalidade mais condizente com o tipo cortês que se emociona (alguém se lembra já do político determinado e obstinado a defender à outrance as medidas governativas mais disparatadas?) e que exercita esgares paternalistas, nunca escarnecendo dos seus adversários. Bastou, para tal, terem-lhe injectado uns extractos de animal manso para, de repente, emergir um timbre de voz a dar para o melodramático, um olhar de absorta e infinita complacência ou as sucessivas declarações de horror à maledicência, exorcizando a sua prática retórica de quando era oposição e de quando andava de peito inchado com o deslumbramento da maioria absoluta.
Para que o simulacro do “bonzinho” cole junto da opinião pública invocam-se repetidamente os filhos (terão estado, durante a legislatura, a estudar em algum colégio particular e não se terão apercebido da ferocidade do pai para com os professores e da degradação que instalou na escola pública? – sempre podiam tê-lo aconselhado a ser “fixe” com esse bando de privilegiados, os professores) e até se ensaiam lágrimas socráticas (porventura com a mesma composição química das choradas pelo crocodilo).
A figura vai ficando lavadinha e cintilante de tudo aquilo que antes não se foi.
Agora, é a notícia da reaproximação à ex-mulher, de forma a obter-se o efeito junto das pessoas que seja ajustado à táctica deste PS de defender o mesmo e o seu contrário, agradando aos apologistas da união de facto, mas piscando o olho aos que se revêem mais na estrutura familiar tradicional.
É bem provável que a grande Fátima Lopes, depois do irmão de Sócrates, ainda se lembre de convidar, esta semana, os filhos e a ex-mulher de Sócrates, de modo a poder-se passar a mensagem de um político demasiado humano, compreensivo e nada arrogante, que ideia!
Quem sabe se a seguir não aparecem o tio e os primos.
Já a menina Câncio talvez seja recomendável escondê-la, aproveitando o espaço livre no armário de Jorge Pedreira e afins.
No limite, não chegaremos a 27 de Setembro sem assistir a uma confissão de Sócrates do tipo “continuo a alimentar o sonho de um dia vir a ser professor – adoro os professores, numa qualquer escola TEIP, claro está, se o director for militante ou simpatizante do PS”.
Esta gente não tem sentido do ridículo?!

Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Os portugueses consideram que Sócrates é o pior primeiro-ministro desde 1985. E esta, hein?!

Será que ainda passa pela cabeça dos portugueses esclarecidos e com sentido da decência renovarem o mandato, mesmo que em minoria, ao seu pior primeiro-ministro?
José Sócrates é apontado pelos portugueses como o pior primeiro-ministro desde que Portugal entrou na União Europeia. A sondagem exclusiva da Exame/Gemeo-IPAM indica também que Cavaco Silva é o chefe do Governo mais acarinhado dos cinco políticos que governaram Portugal a partir de 1985.
O actual primeiro-ministro, José Sócrates, vai a votos no próximo domingo. Ainda que as sondagens mais recentes lhe dêem uma ligeira vantagem sobre Manuela Ferreira Leite, de uma coisa não se livra: do rótulo de pior primeiro-ministro desde 1985, ano em que Portugal aderiu à CEE.
Sócrates é apontado por 27% dos inquiridos (num total de 800 entrevistados) como o pior chefe do Governo da era europeia, batendo por quatro pontos percentuais o seu antecessor, Pedro Santana Lopes. Esta é uma das principais conclusões do estudo exclusivo que a Exame encomendou ao Gabinete de Estudos de Mercado e de Opinião, do IPAM (Instituto Português de Administração e Marketing).
Ler a continuação da notícia aqui.
In Exame Expresso, 21/09/2009

Leituras idiossincráticas dos (re)encontros nas Acções de Protesto de 19 de Setembro

Os reencontros com o Ramiro Marques e com o Mário Carneiro são sempre especiais, pois além da admiração pessoal que me merecem e da sintonia de ideias e de posições que partilhamos, eles constituem para mim, cada um a seu modo, as duas referências mais qualificadas do ponto de vista intelectual e literário com que esta "movimentação" dos professores pode contar. O impulso à contestação dos professores e as razões irrefutáveis que sustentam as nossas reivindicações não teriam a mesma força e autoridade sem o contributo de ambos.



O meu envolvimento na contestação levada a cabo pelos movimentos de professores deu-me a oportunidade de conhecer colegas como a Cristina Didelet e de reencontrar colegas e amigos dos longínquos anos de 1980 a 1985, na Universidade Católica de Lisboa, como o Nicolau (companheiro na criação da associação de estudantes de filosofia da UCP). O lado direito da foto fica, propositadamente, vazio, pois deveria apresentar outra(s) pessoa(s) reencontrada(s) e que tinha a expectativa e a esperança de ver na manifestação.



Poder contar, nesta luta, com amigos que evidenciam a disponibilidade e a qualidade intelectual e moral do Zé, do Ricardo, do Fernando e do Jorge é um extraordinário privilégio pessoal. Não esquecendo que o Jorge é um dos obreiros do magnífico trabalho do voto útil.



Gostei, particularmente, de rever, quer a colega La Salette Loureiro, que tem feito um trabalho incansável na tarefa de me municiar diariamente com as notícias do Público sobre educação, prontinhas a postar, quer a colega Fátima Gomes, de Barcelos, uma referência na arte de bem escrever e na coragem e determinação com que enfrentou a bestialidade do ataque aos professores e as medidas educativas afins.



Esforcei-me por explicar o melhor que pude as razões que suportam as reivindicações dos professores, embora os cortes e as depurações a que as peças jornalísticas são sujeitas lhes retirem algum significado e eficácia.
De forma a transmitir alegria e optimismo à luta dos professores, lá fui disfarçando a tristeza interior pelo falecimento, no dia anterior, de um familiar próximo.

Domingo, 20 de Setembro de 2009

No dia 27 de Setembro, os portugueses devem mostrar ousadia e pôr fim à fonte geradora de medo e de intimidação no país: a prepotência de Sócrates

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In Público, 20/09/2009
Nota pessoal:
Depois de uma legislatura que constituiu, quer uma oportunidade perdida, quer um projecto político que falhou rotundamente nas principais áreas da governação, desde a Educação à Justiça, passando pela Economia e pela Saúde, Sócrates não deixa, nem obra de monta que seja impulsionadora do desenvolvimento do país, nem indicadores económicos positivos que permitam sustentar que o país está melhor e mais preparado, hoje, do que estava em 2005.
Esta é a realidade objectiva do país e não adianta ensaiar truques, encontrar bodes expiatórios ou encobrir a situação com paninhos quentes. Desde os níveis do desemprego até ao colossal endividamento do país, este patina em taxas ridículas de crescimento económico e avança apenas nos caminhos do empobrecimento galopante.
Ao estado de pantanas para que Sócrates conduziu o país, acrescente-se a contingência muito grave de se viver, entre nós, um clima de medo, de intimidação e de retaliação que não é compatível com um país da Europa Ocidental. Exemplos disto mesmo são, tanto o medo que se vive em muitas escolas do Porto, de Lisboa e do Algarve, onde os professores vivem atemorizados e têm receio de falar abertamente entre si (uma escola acorrentada hoje é o melhor sintoma de uma sociedade medrosa e submissa amanhã), mas também são públicas as intimidações e/ou retaliações que se fazem às empresas ou, como no caso, desta notícia do Público, aos próprios juízes.
Um governo que ataca, de forma gratuita e despudorada, os professores, os juízes e os médicos está a minar os fundamentos estruturadores da sociedade, abrindo a caixa de Pandora e aventando o boomerang da inveja social e da caça a privilégios mitificados. Esta estratégia, se no imediato parece garantir os votos de alguns, a prazo pode vir a fomentar uma conflitualidade social ingovernável e a espartilhar a imprescindível coesão social.
Por tudo isto, o maior legado da governação de Sócrates é, indiscutivelmente, o seguinte:
- induzir o medo naqueles que são vítimas da imposição de medidas erradas e injustas, de modo a amputar-lhes a capacidade reactiva (“serão trucidados” - afirmava, num assomo de arrogância patética, um secretário de Estado deste governo);
- intimidar os que reagem e se levantam contra a prepotência e a ignomínia, acenando com ameaças, penalizações ou processos;
- retaliar sobre aqueles que, de alguma forma, se atravessaram no caminho de Sócrates ou do PS, como no caso vertente do corajoso juiz Rui Teixeira (espera-se a reacção da Associação Sindical dos Juízes);
- controlar e inactivar todos os jornalistas e órgãos de comunicação que não sigam uma linha editorial do tipo da adoptada pelo “pravda” Diário de Notícias;
- condicionar o campo de actuação de pessoas e órgãos, criando climas de suspeição e repassando rumores de que qualquer um é susceptível de poder estar sob vigilância (caso dos juízes e da Presidência da República), mesmo que o não esteja de facto (mas, como nunca se sabe…).
O dia 27 de Setembro é o momento para acabar, em definitivo, com este clima violentador das liberdades e da democracia.

Fartos das poses, das aventuras e das mentiras de Sócrates

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In Público, 20/09/2009

Sábado, 19 de Setembro de 2009

Racionalidade e emoção no lançamento do livro de Santana Castilho "Os Bonzos da estatística. Ideias falsas que travaram a Educação"

Há Homens que, pela grandeza do seu carácter e pela clarividência e agudeza do seu entendimento, estão bem acima das contingências do seu tempo e da visão e gesta medíocres dos actores circunstanciais do poder e da história. Santana Castilho é, indiscutivelmente, um desses Homens providenciais dotado da rara capacidade de acrescentar ao conhecimento profundo das questões da educação a dimensão profética da antecipação do porvir, em contraponto ao sono quase dogmático e à credulidade quase inocente da generalidade dos seus concidadãos.
É, exactamente, esta a percepção que ressalta da leitura das suas crónicas sobre Educação, publicadas na imprensa no decurso do período coincidente com o da legislatura do governo de Sócrates e que agora corporizam uma espécie de livro testamentário da força da racionalidade contra as fórmulas propagandísticas e as tentativas torpes de domesticação de um grupo profissional, cuja genética não pode ser outra que a que decorre do cruzamento de razão e liberdade.
No dia 17 de Setembro, desloquei-me (juntamente com o meu colega e amigo José Aníbal) de Vila Real a Lisboa para estar presente (como as fotos documentam) na sessão de lançamento deste livro do professor Santana Castilho, sob o título “Os Bonzos da estatística. As ideias falsas que travaram a Educação”, o qual substantiva e autoriza todas as razões que enquadram e configuram o levantamento dos professores e as suas mais do que justas reivindicações, impulsionados pela dinâmica inovadora dos movimentos espontâneos e independentes de professores. Não foi, pois, obra do acaso a circunstância de todos os movimentos terem marcado presença na sessão de apresentação do livro, tal a admiração dos professores por Santana Castilho e tal a sintonia de posições e de leituras sobre a realidade educativa.
Para mim próprio, a presença neste evento constituiu um momento invulgar e marcante da minha vida, assumindo o simbolismo da homenagem a um “Mestre”, mas que a sua sabedoria e generosidade devolveu, num golpe “maiêutico”, aos movimentos de professores e seus elementos mais conhecidos.
Admiro em Santana Castilho a coragem, a independência (apenas acessível aos espíritos verdadeiramente livres de amarras e que personificam o “sapere aude” de Kant), a lucidez, a profundidade da análise, o espírito visionário e, sobretudo, o grande coração de um Homem que se emociona e que contagia o auditório com a forma como SENTE os outros com quem sempre partilha as suas realizações e produções notáveis.
Por fim, fica o meu (emocionado) obrigado a Santana Castilho pela dedicatória e pelo destaque pessoal que teve a amabilidade de me dispensar, apesar de o meu papel no movimento de contestação dos professores aparecer claramente exagerado.
Um agradecimento pessoal, também, dirigido à pessoa do Professor Manuel Patrício Gouveia que, a pretexto da apresentação do livro de Santana Castilho, proferiu uma aula daquela sabedoria profunda que é o autêntico e inestimável “gourmet” do espírito.
Só espero que, no dia 27 de Setembro, os professores e os demais cidadãos deste país, se tornem merecedores do arrojo e da sabedoria de Santana Castilho, recusando-se a engrossar as fileiras dos Bonzos deste país, com Sócrates como mentor.

Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

Dias 17 e 19 o meu GPS está apontado a Lisboa: lançamento do livro de Santana Castilho e Acções de Protesto dos Professores

Às 19.00 horas de hoje, lá estarei, em meu nome pessoal e em representação do PROmova (juntamente com o colega e amigo José Aníbal), para agradecer ao professor Santana Castilho, tanto o incomensurável impulso que os seus escritos e as suas aparições públicas emprestaram à nossa contestação, como o contributo decisivo e o legado que deixa ao país na desmistificação das desastradas políticas educativas de Sócrates.

No Sábado, 19 de Setembro, marcarei presença de novo em Lisboa, vestido de negro e acompanhado por muitos professores de Vila Real e de Amarante, para protestar contra Sócrates e o seu governo, os quais protagonizaram o maior ataque alguma vez feito à dignidade e ao prestígio dos professores, assim como procuraram implementar nas escolas (sem sucesso) medidas destituídas de seriedade e de qualquer tipo de consistência.
Para mim e para milhares de professores, este PS de Sócrates NUNCA MAIS.

Quem diria que os pesadelos de Sócrates se viriam a chamar Manuelas, as heterogéneas

Sejam quais forem as teses que se invoquem, o que é inegável é que Sócrates levou a água ao seu moinho, mesmo que tenha usufruído dos bons ventos de Espanha (para que servem os melhores amigos, pá?...), pressionando no sentido do silenciamento do Jornal e da jornalista que lhe eram mais incómodos.
Equivoca-se, pois, quem agita o fantasma da asfixia democrática no país, porque, a rigor, tudo não passa de processos de homogeneização da informação à volta do timoneiro do abandalhamento do país, a quem grande número das empresas de comunicação social e muitos jornalistas prestam uma indisfarçada subserviência.
Para que conste, o caso Freeport foi arquivado, encerrado ou obituado (apenas procuro homogeneizar nomes) às 21 horas do dia 4 de Setembro, data em que deixou de ir para o ar o último Jornal da Noite heterogéneo.
Paz à sua alma!


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In Público, 16/09/2009

Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

Que susto... SÓCRATES!

Li e reli o artigo de Ana Benavente na tentativa de infirmar a minha incredulidade face ao apagão, aqui verificado, das críticas contundentes, sistemáticas e específicas que esta ex-governante brandiu durante toda a legislatura contra as políticas educativas de Sócrates e de Maria de Lurdes Rodrigues, os quais também não foram nada meigos com ela sempre que demonizavam o passado, zurzindo-a forte e feio, mesmo que injustamente.
Vejo este texto emanado de alguma confusão ou incoerência mental que, por estes dias, deve afectar Ana Benavente, pois finge não existir o factor Sócrates, perante o qual o PS genuflecte. A constatação dos portugueses é a de que o maior susto vem, exactamente, da continuidade de Sócrates.
Face à iminência do PS perder as eleições, não consegui discernir muito bem se Ana Benavente pretende fazer um apelo envergonhado à votação no BE ou se está a pretender “vender Sócrates por lebre”.
Sobre o argumento da periferia sempre que o tema é o TGV, não é por nada, mas lembro-me dos Estados Unidos, da Inglaterra, da Suécia, da Finlândia, apenas para citar alguns, e arrepia-me vê-los tão ultra-periféricos. Além do mais, com o endividamento e os prejuízos implicados no TGV, os quais sugarão, a breve prazo, os já escassos recursos do Estado, a generalidade dos trabalhadores, que os discursos destas esquerdas dizem defender, nunca lá sentarão o rabo, mas continuarão a ser espoliados em impostos para financiarem as rápidas e confortáveis viagens das elites empresariais e económicas do país. Grande esquerda!...

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In Público, 16/09/2009

Terça-feira, 15 de Setembro de 2009

PSD apostado em acabar com a divisão da carreira e com este modelo de avaliação, seja qual for o cenário pós-eleitoral

No contexto do Encontro com Professores promovido pelos candidatos a deputados do PSD por Vila Real, cujas conclusões podem ser lidas no blogue do PROmova, tive oportunidade de questionar o Dr. Montalvão Machado, cabeça-de-lista pelo distrito e figura importante do PSD de Manuela Ferreira Leite, sobre a disponibilidade dos deputados que venham a ser eleitos por Vila Real e do próprio PSD nacional para, na eventualidade de sair das eleições legislativas um governo minoritário do PS, desencadearem as iniciativas legislativas que conduzam à revogação da divisão da carreira e à suspensão imediata da divisão da carreira.
A resposta do Dr. Montalvão Machado não podia ser mais clara:
Além de reafirmar todos os compromissos que se encontram escritos no programa do PSD (valorização da autoridade e do prestígio dos professores, fim da divisão da carreira, suspensão imediata do modelo de avaliação e revisão do estatuto do aluno), referiu o espírito de abertura e de diálogo do PSD com as estruturas representativas dos professores na definição de um novo modelo de avaliação e também um novo compromisso sob a forma de "dever dos deputados do PSD apresentarem as iniciativas legislativas" que conduzam, quer ao fim da divisão entre professores de 1ª e de 2ª, quer à remoção de um modelo de avaliação completamente desacreditado que acabou na vergonha dos copy paste de fichas de auto-avaliação.
Isto leva-me a concluir que, de facto, a divisão da carreira e este complex ou facilitex estão à beira do fim.

Quem não se sente não é filho de boa gente. No dia 19 de Setembro, volto a Lisboa para protestar contra as políticas educativas de Sócrates

Estarei em Lisboa, no dia 19 de Setembro, porque, ao contrário do que ainda ontem afirmou Sócrates, eu, enquanto professor, não me limito a discordar dele em questões de pormenor, mas quero vê-lo a “léguas”, farto que estou das afrontas, das injustiças e da prepotência a que fui sujeito ao longo de toda uma legislatura, pelo que já nem sequer suporto o semblante fingido que agora adoptou por mera táctica eleitoralista.
Os seus assessores de imagem necessitam de se esforçar mais, porque os professores não se deixam levar por “lorpas” assim tão facilmente.
Enquanto dirigente do PROmova é muito provável que me desloque aos três locais onde decorrem as Acções de Protesto, embora o lugar natural para onde pende a minha vontade seja a Assembleia da República, mercê da esperança que advirá da nova composição das diferentes bancadas parlamentares a partir de 27 de Setembro.
Será também por aqui que passará muita da esperança dos professores.

Domingo, 13 de Setembro de 2009

A política troca-tintas: em todas as pastas haverá novos ministros, ou seja, velhos ministros

Preparava-me para postar um texto sobre o despedimento em directo (chamar-lhe-ia mais remoção, tratando-se de um cadáver político há muito em processo de putrefacção) e por justa causa de Maria de Lurdes Rodrigues, quando fui, hoje, surpreendido pela hermenêutica de Sócrates, desdizendo o que, ontem, dissera tão explicitamente a uma questão colocada por Clara de Sousa e visando a eventual recondução da actual ministra da Educação.
Numa jogada de aparências e de mera estratégia eleitoralista, mas sem substância, pois o discurso oficial do ME é o de que foi tudo “muito positivo” e, como tal, deve-se aprofundar e consolidar, Sócrates está empenhado em vender a ideia de algum arrependimento e da assunção de um outro erro, sem nunca ter a honestidade de concretizar o que está mal e o que mudaria (recorrendo sempre ao exemplo da simplificação do processo de avaliação, quando toda a gente sabe que essa medida é transitória).
É no contexto desta habilidade manhosa que Sócrates foi, ontem, confrontado relativamente à manutenção de Maria de Lurdes Rodrigues. Respondeu Sócrates: “em todas as pastas haverá novos ministros”.
Tendo em conta a enormidade inerente à generalização que ontem fizera, Sócrates veio, hoje, dizer que não disse o que de facto e, reiteradamente, disse.
O problema de Sócrates é, efectivamente, um problema de credibilidade e de carácter. Este homem não atribui qualquer valor ao que diz ou ao que promete, pelo que não é confiável.
Na votação de 27 de Setembro já não estão em jogo atitudes ou medidas políticas, está em causa a questão de carácter do primeiro-ministro de Portugal. Um país com 800 anos de história não pode sufragar para primeiro-ministro uma pessoa com graves distorções de carácter.
Se, a 27 de Setembro, os portugueses reconduzirem no cargo de primeiro-ministro um troca-tintas deste quilate, eu, pese embora o respeito pela escolha democrática dos cidadãos, ponderarei colocar uma faixa preta bem visível em casa, em sinal de luto pela morte de valores e de princípios nucleares, nomeadamente aquele que aprendi directamente em casa: o valor da palavra dada.
É uma traiçoeira ironia da história que tenha sido dado o nome de Sócrates a este homem, uma vez que ele está nos antípodas do grande filósofo Sócrates, incarnando, ao invés, o mais grotesco dos sofistas.
Na sua dimensão política, Sócrates é uma pessoa repugnante que mente de forma compulsiva.

NÃO VOTAR NO PS: Importante estudo do Jorge Martins sobre o voto útil em cada círculo eleitoral

Face às medidas tomadas pelo governo de José Sócrates contra os professores, conjugadas com as ofensas constantes da sinistra ministra da Educação e seus maquiavélicos secretários de Estado, urge, da parte dos docentes portugueses e seus familiares a tomada de uma posição radical nas eleições legislativas de 27 de Setembro: não votar no PS.
Com efeito, independentemente da ideologia de cada um de nós, existem, à direita e à esquerda, várias alternativas à actual maioria socretina. Contudo, face ao sistema eleitoral português, nem todos os votos contribuem para eleger deputados, em especial nos círculos mais pequenos.
Por esse motivo, é importante que o nosso voto, em 27 de Setembro, seja o mais eficaz para derrotar o PS nos 22 círculos eleitorais (20 no território nacional e 2 da emigração).
Com esse objectivo, analisei os resultados das eleições legislativas de 2005 e das europeias de 2009: as primeiras por serem as anteriores eleições da mesma natureza; as segundas, por serem bastante recentes.
A parte teórica do estudo encontra-se no documento Word anexo, enquanto que a análise dos resultados eleitorais se encontra na folha de Excel anexa. No final de ambos, existe uma tabela onde, com base nessa análise, se mostram, em cada círculo eleitoral, o(s) partido(s) da actual oposição que pode(m) eleger deputados e com que grau de probabilidade.
Há muito tempo que tinha ideia de fazer este estudo, mas achei melhor fazê-lo já perto das eleições. Sei que o colega “Fafe” (editor do blogue “Primeiro Fax”) realizou um estudo semelhante. Este não pretende ser concorrente; é apenas paralelo. Em todo o caso, é mais uma perspectiva sobre a questão. Por isso, agradecia que o divulgassem aos colegas: nos vossos e noutros blogues, aos vossos contactos e, até, eventualmente, imprimi-lo para outros colegas. E, já agora, a todos (professores ou não) que queiram acabar com o (des)governo socretino.
Claro que cada um é livre de votar da forma que entender: por convicção ou de forma estratégica. Este estudo destina-se apenas a fornecer informação sobre os efeitos mecânicos do seu voto (ou seja, aqueles que estão ligados à mecânica do sistema eleitoral) a todos aqueles que desejem votar com o objectivo supremo de derrotar Sócrates, Milú e Cª.
Por mim, desde que não votem no PS, tudo bem!
Jorge Martins
(Professor de Geografia da Escola Secundária Rodrigues Lobo, em Leiria, membro dos órgãos sociais da APEDE e mestrando em Ciência Política na Universidade Nova de Lisboa)

Votos certamente úteis:
Aveiro – PSD, CDS
Beja – CDU
Braga – PSD, CDS, CDU, BE
Bragança – PSD
Castelo Branco – PSD
Coimbra – PSD
Évora – CDU
Faro – PSD
Guarda – PSD
Leiria – PSD, CDS
Lisboa – PSD, CDS, CDU, BE
Portalegre – PSD (provavelmente útil)
Porto – PSD, CDS, CDU, BE
Santarém – PSD, CDU
Setúbal – PSD, CDS, CDU, BE
Viana do Castelo – PSD
Vila Real – PSD
Viseu – PSD, CDS
Açores – PSD
Madeira – PSD
Europa – PSD
Fora da Europa – PSD

Sábado, 12 de Setembro de 2009

Alguns subsídios para Manuela Ferreira Leite atirar Sócrates ao tapete em matéria educativa no debate de mais logo

Seria absolutamente lamentável e incompreensível que do debate de logo entre Sócrates e Manuela Ferreira Leite estivesse arredada a temática da Educação, tendo em conta que é o domínio mais decisivo para o desenvolvimento do país, ao mesmo tempo que se tratou da área da governação em que Sócrates falhou rotundamente e que se tornou um dos temas nucleares da contenda política, além de que os movimentos de professores conseguiram trazer, através do Compromisso Educação, as questões educativas para o centro do debate público e político, como nunca acontecera em nenhuma campanha eleitoral anterior.
Manuela Ferreira Leite tem todas as razões para jogar ao ataque contra Sócrates, mesmo quando vier à baila uma ou outra referência ao passado e a episódios ou medidas avulsas em que Sócrates vem escudando as suas fraquezas e tem utilizado, retoricamente, como arma de arremesso. Refiro-me, concretamente, aos problemas ocorridos na colocação de professores no início do ano lectivo 2004/2005, à introdução do inglês no 1.º ciclo, à colocação de professores por 4 anos, às novas oportunidades, ao alargamento da escolaridade obrigatória e ao plano tecnológico, uma vez que relativamente ao “Magalhães”, Sócrates não terá o desplante de o invocar, tal os erros pedagógicos e as trapalhadas que envolveram o processo.
Assim sendo, deixo aqui as seguintes seis dicas para desmontar algumas (poucas) escapatórias que Sócrates pensa que o resguardarão do seu fiasco geral:
1) em relação ao concurso de professores de 2004/2005 é conveniente lembrar a Sócrates que se tratou de um erro técnico de uma empresa contratada pelo ME (Sócrates está em condições de garantir que nenhuma empresa contratada pelo governo comete erros técnicos?), pelo que o mérito político esteve na capacidade da ministra Maria do Carmo Seabra (que levou com o problema em cima e para o qual não contribuiu) para resolver um problema tecnicamente complexo em apenas uma semana, mesmo debaixo de uma pressão política e mediática avassaladora. Fê-lo, contratando a empresa certa (a ATX), exactamente a mesma empresa que permitiu ao PS vir vangloriar-se de fazer colocações de professores a tempo e horas (ao menos reconheçam a mais valia da herança que receberam). O que se verifica hoje, é que, enquanto o PSD demorou uma semana para resolver um problema difícil e complexo, o PS arrastou-se durante dois anos sem ter capacidade para resolver o problema da avaliação, com todos os custos para a escola pública, para os professores e para a sociedade daqui decorrentes. O mérito em política está na capacidade de resolver os problemas com que os governos se enfrentam;
2) a introdução do inglês no 1.º ciclo era uma ideia já anunciada por Santana Lopes (claro está, sem tempo para a poder ter concretizado), mas que Sócrates desbaratou ao descontextualizá-la curricularmente, ao afastar os professores de inglês da sua leccionação (colocados através do concurso de professores do ME), entregando-a a algumas instituições/agentes de qualidade duvidosa e ao proporcioná-la como actividade extra-curricular que nem todos frequentaram. As consequências desastrosas disto foram, por um lado, o fomento da exploração de mão-de-obra barata (professores a recibos verdes, mal pagos e a más horas), da precariedade e da ausência de garantia de qualidade, e, por outro, a confrontação dos professores de inglês do 2.º ciclo com alunos que evidenciam diferentes padrões e ritmos de iniciação ao inglês, com todas as dificuldades de gestão das aulas que daqui emergem;
3) a colocação de professores por 4 anos, além de se ter feito à custa de um concurso marcado por inúmeros atropelos e ultrapassagens indevidas, como tem vindo a ser denunciado, é sempre um pau de dois bicos, pois condena muitos professores a martírios de deslocações e de afastamentos de casa que, antes eram de um ano e agora são de quatro, além de que também condena muitos alunos a um mesmo professor durante quatro anos (caso do 1.º ciclo), privando-os de diferentes experiências pedagógicas e didácticas que, muitas vezes, os favoreceriam relativamente ao professor do ano anterior;
4) uma coisa é anunciar o alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12.º ano (mero anúncio em final de legislatura, após várias hesitações), outra coisa muito diferente é garantir as condições para a sua adequada concretização (peditório para o qual este governo não deu nada);
5) a configuração que foi dada às novas oportunidades converteu-as numa autêntica fraude, sobrepondo-se a certificação destituída de qualquer exigência à qualificação, o que tem conduzido a que muitas empresas defraudem as expectativas dos formandos, ao não os contratarem por descrerem nas suas reais capacitações;
6) na maioria das escolas, os objectivos do plano tecnológico apontados a 2008 não foram atingidos, limitando-se, em muitos casos, a despejar equipamentos sem qualquer formação de retaguarda, tendo agora as obras de requalificação das escolas servido para encobrir muitos incumprimentos (porque se os objectivos também tivessem sido cumpridos, os investimentos iam agora para o maneta, mas isto foi salvaguardado por acaso e não por obra de nenhum planeamento, convém dizê-lo). A propósito, convinha perguntar a Sócrates pelas academias TIC.
Finalmente, era importante confrontar Sócrates com as seguintes três referências muito concretas:
1) recordar a Sócrates o erro político de ter feito da avaliação dos professores o “desígnio da sua governação”, arrastando o pouco crédito pessoal e governativo para o lodaçal da incompetência e da falta de seriedade em que o ME transformou o dossier da avaliação do desempenho dos professores;
2) o que pensa Sócrates, em concreto, dos critérios que foram utilizados na divisão da carreira e se ele está em condições de assegurar que esse concurso permitiu seleccionar um corpo de professores “altamente qualificado”?
3) como é capaz de defender a seriedade e a competência de uma avaliação que desvia os professores da sua função essencial que é ensinar, sobrecarregando-os inutilmente, e se confia o rigor de algo tão sério como é avaliar (com efeitos na carreira e na vida das pessoas) a professores que não reconhecem ter as competências para o fazer e que, em muitos casos, não são reconhecidos pelos colegas, que não tiveram formação consistente e sistemática para avaliarem e, acima de tudo, que não foram avaliados nas suas competências e nos seus desempenhos quando se tratou de os seleccionar para avaliadores (a avaliação automática e casuística do concurso para professores titulares)?