Terça-feira, 30 de Novembro de 2010

Para quando a certificação da incompetência?

Em matéria de certificação de competências, Portugal deve estar certamente no chamado “pelotão da frente”, envergando, muito provavelmente, a camisola amarela do dito. Basta pensar na chamada “qualificação” dos portugueses promovida pela iniciativa “Novas Oportunidades”, essa pérola da Educação do (des)governo da Nação, e no combate sem tréguas ao desemprego por via dos trabalhos que se vendem na Internet (aqui ou aqui, por exemplo) a bom preço certamente. Enfim, coisa séria como recomenda a certificação de competências, qu’isto de certificar não é brincadeira de garotos!
Agora, certificar incompetências ou, caso se prefira, a incompetência é que já não é mesmo para qualquer; nem qualquer governo teria a ousadia de promover esta característica tão genuína perante algumas “evidências” demasiado evidentes. Como quem não quer a coisa, basta lembrar, por exemplo, que “a previsão do Governo português, inscrita no Orçamento de Estado para 2010, aponta para uma taxa média de desemprego de 9,8% ao longo deste ano.” Sabendo-se que nem as previsões mais optimistas se atrevem a colocar a fasquia abaixo de 11% (aqui e aqui), as competências, no que aos números do desemprego dizem respeito, estão mesmo pelas ruas da amargura. Claro que vem sempre ao de cima a lengalenga do costume: ele é o mundo que muda muito depressa, ele é a falta de confiança (pudera!), ele é as agências de “rating”, e afins...  Incompetência? Não, certamente, mas que falta faz a sua certificação, reconhecimento e validação!!! Já ontem era tarde! Haja coragem!
Manuel Salgueiro

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