Um murro de Santana Castilho na consciência de Passos Coelho e da elite política "laranja" (18-01-2012): As "natas"

Domingo, 28 de Fevereiro de 2010

Não há aqui uma qualquer incompatibilidade política ou de bom senso?

Retirado daqui...
Sobretudo, quando algum do ataque à falta de transparência da Parque Escolar (e muito bem) vem de pessoas próximas a Aguiar-Branco!...

Uma pergunta inocente (vá, duas...)

Perante as gravíssimas acusações (susceptíveis muitas delas de apuramento fáctico) desferidas por inúmeros jornalistas que, por estes dias, se deslocaram ao Parlamento, o silêncio da ERC e do Sindicato dos Jornalistas significa, exactamente, o quê?
(No mínimo, contrasta com a histeria de há cinco anos. Alguma razão que não estejamos a descortinar?)

Um super-ministro

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Em primeiro lugar, uma perplexidade sob a forma de questão de algibeira: ainda existe alguma situação, no sórdido underground político-económico deste país, a que Vara e Sócrates não apareçam associados?
Vara surge como a eminência parda do governo de Sócrates (mas que o povo não elegeu para coisa nenhuma), parecendo funcionar, quer como um braço económico viabilizador/inviabilizador dos negócios que melhor assegurem a tranquilidade de que o socratismo necessita para medrar na sociedade e na política portuguesa, quer como o "lobby" perfeito . Na realidade, uma espécie de super-ministro que assegura no terreno a inactivação da oposição ao socratismo.
E nem vale a pena recordarmos a eficácia da árvore das patacas socialista que proporciona carreiras meteóricas a indivíduos que partem das suas terrinhas e dos seus deprimentes empregos com uma mão à frente e outra atrás, para depois regressarem, poucos anos mais tarde, ungidos de um poder e de uma fortuna incomuns.
O Parlamento deste país (já que relativamente à Presidência da República e ao sistema judicial estamos entendidos) ver-se-á amputado de qualquer autoridade e credibilidade se não levar até ao fim uma investigação rigorosa sobre o papel de Vara e do BCP nos subterrâneos do socratismo.
Isto, claro, descontando os veredictos ilibatórios e por antecipação de Almeida Santos.

Grande apreço por Maria de Lurdes Rodrigues

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Desesperado no meio do naufrágio desencadeado pela sua mediocridade e pela sua impreparação para governante, Sócrates vai, nos próximos tempos, devotar-se, em autêntico transe dionisíaco, a exercícios propagandísticos em catadupa e agarrar-se a tudo o que lhe pareça poder representar pequenas bóias que lhe permitam manter-se à tona até ao fim dos seus dias políticos. Estrebuchar e alardear conquistas e méritos passados (mais que duvidosos) é típico da conduta dos náufragos, sempre na expectativa de poderem mobilizar alguma mão salvífica.
É apenas neste contexto (não se antevê outra razão) que Sócrates arrebanha 700 professores socialistas (nesta fase, não sei se seria possível encontrar, no país, mais algum que estivesse disponível para este tipo de acção de desagravo), e acompanhado por Isabel Alçada, recentemente laureada com o prémio "um acordo por um sorriso", procura associar-se ao efeito auréola de simpatia que a ministra ainda possa irradiar para a opinião pública (Sócrates não deve ignorar que também é reportado, nos manuais da psicologia social, o efeito de contraste).
Porque, para além das aparências (apesar de alguma mudança de postura do ME e da eliminação dos insustentáveis titulares), o circo da avaliação que Sócrates montou nas escolas, por lá continua, independentemente da maior ou menor exuberância públicas dos seus números e dos seus animadores.
Acontece que os professores e os portugueses não esquecem o denodado apreço e os apoios e os elogios e as aparições conjuntas e a recompensa política que Sócrates sempre dispensou a Maria de Lurdes Rodrigues. São as mesmas manobras e os mesmos tiques em acção.
Mas, Sócrates tem a lata suficiente para elogiar o mesmo e a aparência do seu contrário. É esta faceta que, associada ao seu espírito controlador e prepotente, lhe compromete a seriedade política exigível a um governante.

A tua festa acabou

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In Público, 21/02/2010
Obrigado, Zé
Enquanto alguns socialistas se deixam instrumentalizar para participarem em liturgias ridículas de desagravo a Sócrates, outros, como Armando Ramalho, pensam pela sua própria cabeça, com a lucidez requerida pelo momento actual e não se deixam embalar pela retórica mentirosa e alucinada de Sócrates.

Sábado, 27 de Fevereiro de 2010

Depois de um acordo só mesmo uma greve

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(...)
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Se os sindicatos tecem loas à postura do ME (ler aqui...), engoliram o sistema de quotas e aceitaram, quer a farsa do 1º ciclo da avaliação do desempenho, quer a continuidade de um modelo de avaliação incompetente e destabilizador do ambiente das escolas, ninguém percebe, desde os próprios docentes até à opinião pública, que os professores se pudessem vir a mobilizar para a greve.
Depois de aceitarem, sem tugir nem mugir, que se continue a brincar às avaliações dos professores e que se faça dessa brincadeira o centro da vida e das preocupações dos professores e das escolas, os sindicatos decidem, agora, vir brincar também às greves, após revelarem tanta relutância a convocá-las a propósito das reivindicações fundamentais dos professores. Ninguém ainda se esqueceu daquela última e ridícula greve de 90 minutos, em Maio de 2009.
Vir reivindicar o fim do sistema de quotas significa a perda de toda a credibilidade. Os sindicatos foram, porventura, obrigados a assinar aquele acordo e a aceitar as quotas?
Mas, agora, ficou claro para toda a gente que os sindicatos também nada tinham contra o modelo de avaliação do desempenho (pois, a sua substituição não esteve contemplada no acordo, nem aparece agora nas razões da greve - veja-se o argumento cínico do "separar as águas") que apenas entraram nessa luta por arrastamento dos professores, até os poderem trair de vez (a primeira com o memorando de entendimento e a segunda com o acordo de princípios).
Este apelo dos sindicatos apenas traduz a sua apetência pelo melhor de dois mundos: dar a mão ao ME, traindo as expectativas e as reivindicações dos professores; estar na luta, procurando re-mobilizar os professores como se fossem fantoches.
É importante que fique desde já claro que a maioria dos professores não se encontram mobilizados para participar nesta greve, nem vão funcionar como rebanho dos sindicatos, agitados por "outras lutas" que não aquelas que levaram os professores em massa para greves e para as ruas.
E antes que os sindicatos se aprestem a dizer que a baixa adesão dos professores à greve se deve ao facto de estes estarem "confortáveis" com o Acordo de Princípios assinado com o ME, é importante que os professores manifestem o seu repúdio pela instrumentalização que estes sindicatos têm feito das suas reivindicações.
Para esta greve, não contem comigo!

Não há justiças secretas

Uma excelente entrevista de Ricardo Sá Fernandes ao jornal I, onde defende o valor do escrutínio público bem acima do valor do segredo de justiça.
Fica desmontada a mistificação da invectiva socrática da “criminosa violação do segredo de justiça”. Aliás, Sá Fernandes considera que Sócrates optou pelo pior dos esconderijos. Porque será?
Vamos esperar que a Comissão de Inquérito Parlamentar permita aprofundar o trabalho de relevante interesse nacional que o semanário Sol tem vindo a empreender.

A entrevista pode ser lida ou visionada  aqui...

Os portugueses começam a abrir os olhos

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Apanhado com as calças na mão no caso das tentativas para obter uma comunicação social que estivesse disposta a silenciar as incidências nada recomendáveis da sua conduta (e este é que é o real problema e não propriamente procurar que a imprensa fosse favorável ao governo ou ao primeiro-ministro, porque no decurso da legislatura anterior a comunicação social seguia o governo para todo o lado e não se coibia de espalhar manteiga atrás de manteiga em cima do pão da propaganda governamental), José Sócrates começa a cair em desgraça junto dos portugueses.
Irascível com aqueles que o criticavam, prepotente na forma como procurava impor políticas erradas e injustas, deslumbrado com o atrevimento da sua mediocridade e pornográfico na forma como se enaltecia nas massivas acções de propaganda - na pior tradição do vendedor de banha-da-cobra que, em vez da banha, procurava obsessivamente vender-se a si próprio, Sócrates aproxima-se do fim merecido.
Sócrates foi o político que, desde o 25 de Abril de 1974, mais crispação gratuita criou na sociedade portuguesa e mais conflitualidade instigou entre os políticos e entre os portugueses.
À maioria dos portugueses não deixará nenhuma saudade e muitos estamos convictamente desejosos de o ver de malas aviadas.
Mas, o mais curioso vai ser a visão da debandada e dos golpes de rins daqueles que se colaram e/ou se aproveitaram de Sócrates e que irão procurar procurar, nos próximos meses, saltar fora desse aluvião de descrédito que dá pelo nome de socratismo, o qual arrastará consigo muito finório e muita instituição, que não tiveram a inteligência ou a decência de se demarcar dele no momento certo.
Acredito que alguns que agora procuram rumar com Sócrates até Moçambique na aventura dos encobrimentos, estejam, muito em breve, a nadar em sentido contrário, esbaforidos e a grandes braçadas, desesperando por outras bóias de salvação.
Só lamento que os sindicatos de professores, como escreverei ainda hoje, se tenham tornado cúmplices mansos do pior do socratismo.

Inigualável

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Está para nascer um primeiro-ministro que tenha estado envolvido em tantos casos e tenha conseguido ir depor a uma Comissão Parlamentar de Inquérito!

A epopeia dos encobrimentos


José António Saraiva, director do semanário Sol, proferiu na Comissão Parlamentar de Ética duas acusações gravíssimas que não passariam incólumes em nenhum país da Europa, sem que desencadeassem investigações imediatas: a utilização do BCP como instrumento de ameaça para comprar favores jornalísticos do Sol, feita por uma pessoa próxima de Sócrates; a acusação de que o poder judicial, ao seu mais alto nível, é conivente com o poder político e, mais grave, o Procurador-Geral da República é Encobridor de Sócrates.
Espanta-me, pois, a forma papagueada como se vai repetindo a ideia de que esta Comissão de Ética não tem evidenciado nada de relevante. Depois dos depoimentos de José Manuel Fernandes, Mário Crespo, Felícia Cabrita, Henrique Monteiro, Armando Vara, Rui Pedro Soares, Paulo Penedos e José António Saraiva, é caso para se afirmar que a pior cegueira é a daqueles que recusam ver o óbvio.
Agora, uma coisa é certa: a gravidade dos factos (facilmente investigáveis) apresentados por José Manuel Fernandes (limitação da publicidade institucional como retaliação) e Henrique Monteiro (limitação no acesso à informação governamental), as incongruências de Armando Vara, as inibições e os silêncios do Rui Pedro Soares ou as acusações demolidoras de José António Saraiva exigem uma rápida Comissão de Inquérito que ponha tudo em pratos limpos.
De todas estas escutas e episódios associados, começa a parecer que um dos ministros (sombra) mais poderosos de Sócrates era Armando Vara.
No quadro da gesta dos grandes Encobridores, que pensarmos também da aventura marítima (talvez seja aérea) de Manuel Alegre que decidiu aceitar o convite de Sócrates para o acompanhar na visita oficial a Moçambique (ler aqui...)? Cioso do apoio do PS, sobretudo agora que se sente nobremente acossado, Alegre hipotecou a frontalidade e a voz grossa com que, habitualmente, confrontava os que, directa ou por interpostas pessoas, atentavam contra a liberdade de imprensa e de expressão ou contra os valores da transparência (imagine-se a indignação de Alegre se o caso Figo tivesse ocorrido com outros protagonistas fora do PS).
Para quê votar em Alegre se o seu paradigma é também o do encobrimento de Sócrates?
Para Encobridores já chegam os que estão no terreno das instituições da República.

Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010

Chamem a Polícia, que eu não pago!


A crer na notícia (aqui...), há milhares de dentistas, sobretudo no Norte e Centro do país, a quem o Estado deve dezenas de milhar de euros, desde o ano passado, por serviços prestados no âmbito do programa de saúde oral do anterior governo (ler aqui...) os chamados "cheques-dentista". Os lesados, indignados, dizem que os cheques do Governo são "carecas". Indignados? Isto só pode ser um exagero...
Pois é, esta “bandeira” a favor da saúde e do bem-estar dos portugueses parece não ter funcionado. Então, não andavam crianças a exibir nas TV os respectivos "rectângulos" em papel? Tão bem feitos que até pareciam mesmo cheques! Bem diz o ditado que as aparências enganam...
Como nada se perde, resta saber quem se terá “abotoado” com a maquia... Nalgum lado há-de estar!
Mais um caso a ser devidamente explicado (e desmentido, porque só pode ser mentira) pelas entidades competentes!
Manuel Salgueiro

Mais uma peça de campanha?

A acreditar na notícia, os únicos primeiros-ministros com lugar assegurado nos livros de História são Mário Soares e Cavaco Silva (ler aqui...).
Pode lá ser verdade?! Isto é lá possível?! Só pode ser infâmia!
Enfim, tudo muito lamentável! O mais provável é ser apenas mais uma peça de uma “campanha” de cor ainda não definida...
Isto não pode ficar assim! E vai ter que mudar, a começar (e por que não desde já?) eventualmente pelos manuais de História, já no próximo ano lectivo. Afinal, não é a Educação o terreno de todas as reformas? A bem da História, da Verdade e, até, da Justiça!
Já agora...
Manuel Salgueiro

À espera que se retractem

Estão os socialistas e Vítor Constâncio disponíveis para se retractarem da afirmação proferida, em 2005, e de acordo com a qual o deficit português era de 6,3%?
Acontece que o deficit só seria de 6,3% se no decurso desse ano não fossem tomadas medidas correctivas, o que, aliás, é válido para qualquer ano. Algo muito parecido ao que afirmou agora Manuela Ferreira Leite, a propósito de podermos estar no caminho da Grécia, claro está, se nada fosse feito para o impedir.
Então, retractam-se?!

Coincidências, mentiras e vídeo

A esta coincidência o PS chamou-lhe mesmo um Figo: "A viagem de Milão até Lisboa, que permitiu que Luís Figo tomasse o pequeno-almoço com José Sócrates a dois dias das eleições legislativas, foi paga pelo Taguspark. O DN confirmou junto de fonte próxima do jogador e de um accionista da empresa que teve acesso ao contrato que todas as despesas feitas pelo ex-futebolista no dia 25 de Setembro foram pagas pelo parque tecnológico. Com uma justificação: Figo esteve a gravar um vídeo promocional no Estádio de Alvalade nesse mesmo dia.
Com a coincidência de datas, quem ganhou foi o PS, que ficou livre das despesas do seu último trunfo da campanha para as eleições legislativas." (ler mais aqui...).

Só pode ter sido uma oportuna coincidência: "Vários visados trocaram de número de telemóvel subitamente, apenas um dia depois de Pinto Monteiro se ter reunido com Procurador de Aveiro e o Procurador Distrital de Coimbra, numa fase em que a investigação ainda era secreta. Foi neste encontro que, pela primeira vez, o PGR foi informado da existência de escutas telefónicas a conversas entre Armando Vara e o primeiro-ministro, José Sócrates. Suspeita-se por isso que os arguidos possam ter sido avisados de que estavam em curso escutas telefónicas." (ler mais aqui...).

Armando Vara mente: "Duas escutas e um SMS contradizem o que Armando Vara disse na Comissão de Ética do Parlamento em relação a um almoço que juntou altos quadros da PT e do Millennium BCP. O ex-administrador garantiu aos deputados que no encontro - onde também estiveram Zeinal Bava, Fernando Soares Carneiro, por parte da PT, e Carlos Santos Ferreira, presidente do banco - só se falou da emissão de obrigações do BCP e de telecomunicações. Mas, segundo as escutas, também terá existido outro tema: a entrada da PT na TVI e a compra da Cofina (dona dos jornais Correio da Manhã e Record) pela Ongoing (proprietária do Diário Económico)." (ler mais aqui...).

O "chefe" nunca mente, apenas falta à verdade: "Numa escuta inserida no processo Face Oculta, Rui Pedro Soares, ex-administrador da PT, garante que falou com José Sócrates sobre o negócio da aquisição da estação de televisão TVI pela maior operadora portuguesa de comunicações. A revelação é feita no produto nº 5292, uma escuta dirigida ao advogado Paulo Penedos, identificado como o alvo 39263M da investigação." (ler mais aqui...).



Manuela Ferreira Leite certeira: "se os responsáveis que mentem não se retractam..."

Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010

Hilariante

Revelando uma incomodidade indisfarçada e procurando, em desespero, impor um ponto de viragem que permitisse silenciar os escândalos de Sócrates, António Costa ensaiou, no programa "Quadratura do Círculo" de hoje, sacudir a lama que respinga dos casos de Sócrates para cima do PSD, com uma tirada delirante: é necessário pôr fim a todos estes casos à volta de Sócrates pelo facto de os mesmos
 "não dignificarem em nada o PSD"

Sócrates dirá: "criminosa violação do segredo de justiça"

As pessoas começam a ficar com a sensação de que PGR possa significar outra coisa:
Protecção dos Grandes da República

E tudo para corresponder ao lema de Sócrates: "para que nada se saiba"

Para Winston Churchill a então União Soviética era uma charada, envolta num mistério dentro de um enigma. A justiça portuguesa começa também a parecer-se uma Matrioska da loja dos 300. E já não se sabe o que é verdade e o que é ficção. Sobretudo já se deixou de acreditar que a um crime corresponde o melhor castigo. Agora que o crime da violação de justiça se tornou o Darth Vader da sociedade portuguesa, a acreditar em José Sócrates ou em Cândida Almeida, não é de espantar que esteja aberta oficialmente a caça à liberdade.
O crime que origina esta tentação para saber o que é ocultado deixou de ser o inimigo público da sociedade portuguesa. O crime não é a corrupção: é a divulgação de que existe. A bomba de fumo atirada para o ar (para ver se pega) de que os magistrados também devem poder ser escutados para saber se é deles que partem as violações ao segredo de justiça, ameaça inaugurar um nome Estado policial. Em nome da democracia. O que é fantástico nesta tese é que ao referir-se a possibilidade dos magistrados poderem ser escutados, não se está a abrir um precedente. Sabe-se que qualquer português pode ser escutado, dentro de um quadro legal. Mas ao referir-se os magistrados (e quem sabe, os investigadores da PJ) está a pressionar-se quem investiga em Portugal. O alvo é claro. O crime é a sociedade saber o que não deve. O que é silenciado não existe. É essa a nova tese hegemónica na elite política e judicial portuguesa. Kim Jong Il e Ahmedinejad não poderiam estar mais de acordo. Neste novo sistema os castigados são os que buscam justiça.
(Retirado daqui...)

Leona Lewis nua...

...numa praia portuguesa (ler - não é ver - aqui...). Como foi possível perdermos "A Moment Like This"?

Extinga-se antes que se cevem mais umas famílias socialistas

Agradeço ao deputado Manuel Tiago, do PCP, o envio da cópia de Projecto de Resolução, entregue na Mesa da Assembleia da República, que extingue a “Empresa Parque Escolar, EPE” e cria uma estrutura orgânica pública, sob tutela do Ministério da Educação.
Subscrevo totalmente a iniciativa.
Basta de falta de transparência nos gastos públicos, de desorçamentações a martelo e, sobretudo, de alienações dos bens do Estado feitas à socapa.
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Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

Ignomínia - cenas de antigos capítulos

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Na audição de Henrique Monteiro, director do Expresso, há dois registos de gravidade reportados à existência de uma pressão e à ocorrência de uma retaliação.
Mas, o aspecto de maior gravidade, que só em Portugal não desencadeia ondas de indignação e decisões em conformidade (contingência de termos um PR enfraquecido e já míope na detecção da qualidade das moedas), decorre do nexo de causalidade entre a publicação da notícia sobre as incidências da licenciatura de Sócrates e a retaliação do governo sobre o Expresso, na forma da dificultação no acesso à informação governamental. Trata-se de mais um dado relevante a acrescentar a outras denúncias de retaliação, sob a forma de diminuição acentuada na oferta de publicidade institucional.
Estas retaliações são absolutamente inaceitáveis, porque confundem o Estado com Sócrates.
Já o escrevi, mas é sempre útil sublinhar uma evidência que parece estar a passar ao lado de muita gente e, sobretudo, do PS: a raíz de todos os problemas não reside em qualquer campanha e muito menos em qualquer afronta ao governo ou ao PS, mas nas tentativas de Sócrates para limitar ou impedir notícias sobre condutas pessoais pouco transparentes, sendo lamentável que pessoas e instituições respeitáveis arruínem a sua autoridade e se deixem arrastar para o pântano do descrédito, apenas para protegerem o passado e as tentações/obsessões de uma só pessoa.  O PS e o país não deviam ter que pagar os custos de incidências da vida pessoal de um personagem como Sócrates.
Os passados não se apagam, assumem-se, justificam-se ou desculpam-se.
Entretanto, os socialistas lapados a Sócrates vão desesperando à espera que aconteça um golpe de asa que propicie ao primeiro-ministro o ponto de viragem que lhe permita sobreviver politicamente e continuar a hipotecar o futuro do país. Deste ponto de vista, a recente entrevista dada à SIC foi mais uma tentativa completamente frustrada de precipitar essa viragem. Se, na 1ª parte, Sócrates foi evasivo, na 2ª, mostrou o quanto vive alienado dos problemas e da situação do país.

A "festa" da avaliação dos alunos. Estão (quase) todos convidados!

O Despacho normativo nº 6/2010, que vem regulamentar os processos de avaliação dos alunos à luz do novo quadro da escolaridade obrigatória até aos 18 anos, pretendendo adequar disposições normativas (substituir o Despacho 1/2005 e alterar os Despachos 18/2006 e 5/2007), constitui uma pérola do eduquês, prosseguindo a boa tradição socrática.
Trata-se da afirmação de uma avaliação colectivista dos alunos e de uma burocratização tal (regulamentos, planos dos processos avaliativos, pareceres, fichas...) que, no limite, se torne inviável a retenção dos alunos.
Está tudo previsto e acautelado, menos os recursos e os tempos para, de forma selectiva e sistemática, se proporcionarem aos alunos as condições e as obrigações que os levem a estudar seriamente, a realizar trabalhos e a adquirir saberes e desenvolver competências.
Fica aqui um excerto paradigmático da "peça":

7 — Intervêm no processo de avaliação:
a) O professor;
b) O aluno;
c) O conselho de docentes, no 1.º ciclo, ou o conselho de turma, nos 2.º e 3.º ciclos;
d) Os órgãos de gestão da escola ou do agrupamento de escolas;
e) O encarregado de educação;
f) O docente de educação especial e outros profissionais que acompanham o desenvolvimento do processo educativo do aluno;
g) A administração educativa.
(...) 10 — O percurso escolar do aluno deve ser documentado de forma sistemática no processo individual a que se refere o artigo 16.º da Lei n.º 30/2002, de 20 de Dezembro, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 3/2008, de 18 de Janeiro, que o acompanha ao longo de todo o ensino básico, proporcionando uma visão global do percurso do aluno, de modo a facilitar o seu acompanhamento e intervenção adequados.
(...)
13 — No processo individual do aluno devem constar:
a) Os elementos fundamentais de identificação do aluno;
b) Os registos de avaliação;
c) Relatórios médicos e ou de avaliação psicológica, quando existam;
d) Planos e relatórios de apoio pedagógico, quando existam;
e) Os programas educativos individuais e os relatórios circunstanciados, no caso de o aluno ser abrangido pelo Decreto -Lei n.º 3/2008, de 7 de Janeiro;
f) Uma auto-avaliação do aluno, no final de cada ano, com excepção dos 1.º e 2.º anos, de acordo com critérios definidos pelo estabelecimento de ensino;
g) Outros elementos considerados relevantes para a evolução e formação do aluno.

O que é "bom" é para continuar!


O ciclo de avaliação de desempenho ainda não acabou
Pois é, meus caros, para milhares de professores, ainda não acabou a avaliação de desempenho: estão a ser avisados para entregar requerimento ao abrigo da alinea b) do artº 7º do DL 270, a solicitar sujeição a uma avaliação intercalar. As orientações das DRE (e particularmente de uma malfadada da qual não se pode dizer o nome) foram no sentido das direcções escolares calendarizarem um processo de avaliação idêntico ao ciclo que acabou em 2009: objectivos individuais, aulas observadas, grelhas de avaliação; e tudo calendarizado até Maio...
Ou seja, poucas semanas após o término de uma putativa avaliação, existe uma casta de professores sujeita a um maior grau de exigência, pois é necessário mais uma avaliação extra. E tudo porque têm o azar de progredir na carreira em 2010 em vez de 2009...
Portanto, esta casta de professores, neste ciclo que começou, será sujeita a 3 momentos de avaliação, em que um deles não tem efeitos para as famigeradas quotas de transição de escalão. E a longo prazo, se nada mudar, como progride um ano depois da conclusão dos ciclos de avaliação, será sempre sujeita a 3 momentos de avaliação...!
Eis um exemplo paradigmático da doutrina chinesa: um sistema educativo, várias castas docentes...
Mas a palavra 'acordo' é um sedativo poderoso...
Mário Silva (recebido por e-mail)

Uma resposta que se impõe

A minha resposta perante este comentário: "Porque é do PSD????.... Mas a verdadeira pergunta que se impõe ao Octávio Gonçalves é a seguinte: Porque é que se empenha tão fortemente em promover o PSD? Defender os professores ou, sob essa capa, defender simplesmente o seu partido? Já chega de mistificação!" (M. G.)

Olá M. ("amigo" no Facebook, devidamente identificado)

Esse comentário nem parece vindo de um homem das liberdades. Era só o que faltava que não tivesse a liberdade de defender as ideias em que acredito, que por acaso coincidem com muito daquilo que defende Paulo Rangel (não necessariamente o PSD ou todo o PSD). Faço-o em meu nome pessoal, não confundo planos. O PROmova é uma coisa e eu sou outra.
Mas até lhe digo mais e vou surpreendê-lo: desde há muito (está escrito algures num post do meu blogue) que os dois políticos portugueses que mais admiro (embora não defenda exactamente tudo o que ambos defendem) são o Paulo Rangel e a Ana Drago. Está a ver até onde chega a minha heterodoxia! E tenho posts no meu blogue de elogio aberto (porque não tenho nada a esconder - é a vantagem de não estar amarrado a nenhum partido ou a nenhum compromisso) a posições e ideias da Ana Drago. E continuarei a fazê-lo sempre que ela manifeste ideias em que que me reveja. E em matéria de Educação também tem muitas.
Já como dirigente do PROmova, tanto apoiei o PSD, como o PCP, o PP ou o BE. Aliás, fui a mais eventos com o BE do que com o PSD.
Foi um prazer. Abraço!

Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010

Porque é que as ideias de Paulo Rangel traduzem uma ruptura, de facto, com o estado actual da educação? - Parte II

(continuação daqui)

1. Uma escola pública pautada pela exigência, pelo rigor, pela autoridade e pela disciplina.
Ninguém questiona que a política educativa de Sócrates se tem orientado para a exploração propagandística do sucesso estatístico, na sequência de medidas que favoreceram ou pressionaram no sentido, quer do aumento dos níveis de progressão e de aprovação dos alunos, quer de algum empolamento dos níveis classificativos. Entre essas medidas, conta-se a redução do número de disciplinas sujeitas a exame nacional, os baixos níveis de exigência dos exames do 3º ciclo do ensino básico, a natureza meramente indicativa dos resultados obtidos nos exames de Português e de Matemática pelos alunos dos 4º e 6º anos de escolaridade, a existência de burocracias pedagógico-administrativas requeridas pelas situações de retenção (criando-se dificuldades para se incentivarem facilidades) e a prática de os conselhos de turma ponderarem inúmeros factores e atenuantes que, regra geral, têm permitido que alunos progridam até ao 9º ano com mais que três níveis negativos.
Desta forma, foi-se institucionalizando uma cultura escolar de facilitismo e foram-se sedimentando práticas e dispositivos (de que o modelo de avaliação dos professores foi uma tentativa fracassada) indutores de um sucesso escolar que não traduz adequadamente as reais competências e saberes adquiridos pelos alunos.
Do ponto de vista da autoridade, a escola pública actual é o protótipo da erosão do poder dos professores, mercê dos ataques da tutela, no palco mediático e em sede legislativa, à sua dignidade e prestígio, de tentativas de domesticação (oriundas do ME, mas também de actos persecutórios de determinados directores), de cerceamentos da autonomia pedagógica e científica, até à perda de poder decisório na escolha das soluções de gestão de cada escola.
Relativamente à disciplina nas escolas, que a perda de autoridade atrás referenciada também ajudou a degradar, constata-se um aumento dos episódios de indisciplina e uma maior tolerância na reacção aos mesmos, que vai muito além do mimetismo da negligenciação da autoridade, dos deveres e das responsabilidades que vem afectando as interacções em contexto familiar e social.
À crescente indisciplina na escola pública não será estranha, tanto a diminuição na exigência colocada no ensino e na avaliação dos alunos, como a pressão do sucesso a qualquer preço e em quaisquer condições ou a atenuação progressiva das responsabilidades dos alunos, cuja expressão última foi o Estatuto do Aluno (Lei nº 3/2009), enquanto instrumento de desvaloração da assiduidade e de diluição na diferenciação qualitativa da natureza das faltas.
Por conseguinte, a defesa da exigência e do rigor no ensino acarreta um outro paradigma de funcionamento da escola pública, o que implica, quer investir as escolas e os professores de uma autoridade disciplinar, pedagógica e científica mais claramente definida e actuante, quer simplificar os processos de avaliação (ao invés da inoperacional avaliação colectivista acabada de consignar no 6/2010), canalizando o tempo e os recursos das escolas, não para o preenchimento de papeladas inúteis que apenas visam facilitar a progressão universal dos alunos sem que se verifiquem as competências e os conhecimentos requeridos para tal, mas para a detecção concreta de dificuldades de aprendizagem ao longo do ano lectivo e para a consequente mobilização dos recursos que respondam localizada e eficazmente a essas necessidades, impossibilitando o acumular de dificuldades de ano para ano, que progressivamente se tornam irrecuperáveis.
Trata-se de canalizar e mobilizar agentes e recursos, desde o 1º ciclo, para um ensino exigente e rigoroso, para a promoção do trabalho e do esforço, ao mesmo tempo que se investe na detecção de dificuldades de aprendizagem e na sua superação, vocacionando a escola para práticas efectivamente promotoras de aprendizagens reais e consolidadas.

2. Deslocação do centro da educação dos alunos para um ensino rigoroso e verdadeiramente qualificante e inclusivo, com a consequente focagem da escola e do trabalho dos professores na transmissão dos saberes e na avaliação dos alunos.
A principal missão da escola pública é dotar os alunos de um núcleo de saberes e de competências fundamentais que lhes garanta, pelo menos, um de dois resultados: o prosseguimento de estudos escorado em conhecimentos sólidos e em hábitos de trabalho aceites ou auto-impostos; a inserção tecnicamente qualificada e socialmente reconhecida no mercado de trabalho (porque os arautos do igualitarismo universal não podem ignorar que nem todos os alunos desejam prosseguir os seus estudos).
O drama da escola pública actual reside no facto de, para milhares e milhares de alunos que a frequentam, a mesma se mostrar incompetente para lhes assegurar as condições que lhes permitam alcançar um único dos resultados atrás aludidos, quer nos reportemos a alunos dos cursos orientados para o prosseguimento de estudos, quer, por maior ordem de razão, se trate de alunos que frequentam a maioria dos actuais cursos profissionais.
E o espantoso é a passividade com que os críticos das concepções de Paulo Rangel se conformam com os resultados medíocres da escola pública (e nem é necessário compará-la com as escolas privadas para termos essa percepção) em termos da capacitação real dos seus alunos e das garantias de empregabilidade proficiente dos mesmos num mercado de trabalho progressivamente mais competitivo.
Ao contrário daquilo que é afirmado pelos prosélitos do “eduquês”, da suposta “escola inclusiva” e da “escola a tempo inteiro”, o que a realidade actual evidencia é uma escola pública que contribui mais para a exclusão do que propriamente para a inclusão, certificando sem qualificar e preparar adequadamente a maioria dos alunos, insuflando artificialmente a auto-estima, gerando expectativas irrealizáveis e, como tal, vendendo ilusões, mais se assemelhando a uma operação com contornos perversos, uma vez que acaba a realizar os objectivos contrários à sua natureza, contribuindo para marginalizar de facto muitos jovens, sobretudo aqueles cujos suportes familiares e sociais são mais débeis ou se encontram mais distanciados das esferas de poder.
Não é defensável durante muito mais tempo deixarmo-nos embalar por uma política educativa de faz de conta e continuarmos a pactuar com a situação actual da escola pública que, suportada em sucessos artificiais ou empolados, tendo professores ocupados a preencherem papelada inútil, a folclorizarem o ensino ou a avaliarem-se uns aos outros, acaba por ter efeitos perniciosos, que não podem ser iludidos, na organização pessoal e psicológica dos jovens (e para os quais os críticos das ideias de Paulo Rangel, oriundos da velha teoria do handicap social e do credo igualitarista, não apresentam solução ou alternativa credível).
Se outras consequências não tivessem (mas, também têm), o facilitismo e a consequente impreparação científica, técnica e cultural de uma parte significativa dos alunos que frequentam a escola pública têm efeitos psicológicos devastadores na capacidade de organização das respostas que estes serão chamados a dar face às dificuldades/impossibilidades de inserção num mercado de trabalho compatível com o profetizado pelas certificações escolares, nomeadamente ao nível de sentimentos de inadequação, da diminuição da capacidade de resiliência, da inabilidade para lidar com a frustração e, sobretudo, ao nível da implosão de uma auto-estima desajustada.
Só um ensino rigoroso e uma avaliação criteriosa garantem aos alunos as condições estruturais de que necessitam para responderem aos desafios de uma sociedade e de um mercado de trabalho exigentes.

3. Secundarização da avaliação dos professores e sua recondução a uma avaliação externa do estabelecimento de ensino, tendo em conta uma análise aferida e cuidadosa dos resultados dos alunos, uma vez ponderados os contextos de cada escola.
Obviamente que a avaliação dos professores não pode constituir a dimensão central da vida das escolas e, muito menos, ser projectada, de forma demagógica e equívoca, como “desígnio” nacional. Os professores não podem canalizar o seu tempo, energia e recursos para prover à tralha requerida pela obsessão da avaliação interpares, em que cada um procurar ganhar vantagem sobre os colegas, recheando portefólios ou propondo actividades e dinamizando projectos de impacto duvidoso nas aprendizagens dos alunos.
Torna-se imperativo libertar os professores de tarefas que não constituem a essência da sua função e que apenas são geradoras de perturbação nas escolas, porque inevitavelmente potenciam a ocorrência de conflitos de interesses e desencadeiam uma concorrência doentia entre colegas que deviam fazer da articulação e da cooperação as bases da sua actuação pedagógica e didáctica.
Secundarizar a avaliação dos professores significará devolver às escolas a tranquilidade e o ambiente propícios a um investimento devotado à preparação das aulas e à disponibilidade para trabalhar com os alunos que evidenciem mais e maiores dificuldades de aprendizagem.
O nível de adequação do trabalho dos professores deve ser reajustado em função da reflexão e avaliação críticas dos feedbacks que as aprendizagens e o desenvolvimento de competências dos alunos venham a propiciar, constituindo, neste particular, os resultados obtidos ao longo do ano lectivo e em exames de final de ciclo importantes indicadores, sempre no quadro de um ensino exigente e de uma avaliação rigorosa.

4. Existência de exames nacionais de final de ciclo.
Do meu ponto de vista, a existência de exames nacionais no final de ciclo acarreta mais vantagens para professores e alunos do que propriamente desvantagens, desde que a organização do ensino nas escolas não obedeça aos procedimentos, às práticas, às rotinas, aos regulamentos e até a muitos dos currículos actualmente existentes. Dou de barato que submeter os alunos da escola pública actual (sobretudo, os do básico) a exames nacionais a sério constituiria um desastre e uma penalização injusta para os mesmos, pois seriam supliciados por um quadro de ausência de competências e de conhecimentos que não advém exactamente da sua responsabilidade.
Num contexto escolar orientado por padrões exigentes de transmissão de conhecimentos, de desenvolvimento de competências e de apoios efectivos às dificuldades de aprendizagem (não a brincadeira dos apoios educativos e dos planos de recuperação actuais), as vantagens dos exames serão as seguintes:
- criam nos professores um maior nível de exigência na preparação das aulas e na sua leccionação;
- estimulam, nos alunos, hábitos de estudo e de trabalho mais aturados e sistemáticos;
- tornam os alunos mais resilientes e mais robustecidos na sua capacidade para lidarem com situações que exigem esforço, desgaste e sacrifício;
- fornecem aos alunos, aos pais e à sociedade em geral, indicadores confirmatórios da efectividade das aprendizagens;
- limitam a construção artificial do sucesso escolar;
- contribuem para o reforço da autoridade pedagógica e científica dos professores;
- fornecem às escolas indicadores relevantes sobre a eventual existência de dificuldades, pressionando-as no sentido da mudança qualitativa.
Os exames nacionais só vitimizam e prejudicam os alunos num sistema de ensino que obedeça a uma ideologia (falsamente) igualitarista e que seja facilitista para professores (e não me venham dizer que 2 ou 3 aulas assistidas por ano são garantia de investimento regular na qualidade das aulas dadas) e para alunos.
É caso para se perguntar: quem, no âmbito de um sistema de ensino pautado pela exigência e pelo rigor, tem receio dos exames nacionais?

5. Acompanhamento mais eficaz das dificuldades dos alunos.
Vou deixar este ponto para aquilo que considero dever ser um complemento absolutamente fundamental às propostas de Paulo Rangel, mas que ainda não se encontra muito explícito nas mesmas, pelo que farei a sua explanação no âmbito da parte III deste texto.

6. Inevitabilidade da introdução de alguma selectividade nas escolas.
As ideologias (falsamente) igualitaristas, porque descuram a exigência e o rigor, tendem a nivelar os sistemas de ensino por baixo, prejudicando, desta forma, todos os alunos:
- os que usufruem de melhores condições sociais de partida e são mais aplicados no trabalho, porque confrontam-se com aulas perturbadas por alunos indisciplinados, desmotivados ou constrangidos a fazerem o que não querem, além de que a tendência para o facilitismo tende a aproximar as classificações dos que se esforçam menos daqueles que mais investem no seu percurso escolar, o que é injusto e transmite um péssimo sinal;
- os alunos com mais dificuldades e os alunos mais problemáticos, porque as respostas às suas necessidades são negligenciadas pelas escolas e todos os agentes educativos embarcam na valorização de aprendizagens simbólicas ou frívolas e na facilitação de progressões forçadas e sem as qualificações básicas, o que traduz um logro que a escola “vende” a estes alunos e à sociedade, marginalizando-os ainda mais e condenando-os a um mercado precário e de baixos salários.
Por norma, são estas ideologias (falsamente) igualitárias que, por reacção, alimentam o ensino privado e mais contribuem para a perpetuação das desigualdades.
A existência de diferenças de rendimento entre os alunos é absolutamente natural e à escola pública deve-se exigir, tanto que esgote todas as possibilidades para tirar de cada aluno todo o seu potencial de rendimento, como que proporcione, desde que esgotadas outras vias e com base em diagnósticos e em decisões criteriosas, os percursos alternativos de aprendizagem e de desenvolvimento de competências.

7. Implementação de percursos profissionais no âmbito do 3º ciclo.
A necessidade de implementação de percursos profissionais, ainda no 3º ciclo, decorre do exposto anteriormente e traduz a assunção de realidades que não podemos fingir que não existem: há alunos que no decurso do 3º ciclo não manifestam a vontade e/ou o empenho requeridos à aprendizagem das matérias escolares tradicionais, mas em relação aos quais a escola deve ter a obrigação de os preparar, de facto, para a inserção no mercado de trabalho, proporcionando-lhes um conjunto de ferramentas conceptuais mínimas, mas, sobretudo, capacitando-os com conhecimentos e competências técnicas específicas.
Parece-me relevantíssimo que se possa recuperar o espírito das escolas industriais e comerciais, de forma a garantir-se aos alunos uma sólida e certificada formação de nível secundário ou intermédio que lhes proporcione empregabilidade em áreas profissionais e técnicas de que o país carece.

8. Definição de áreas de autonomia atribuídas às escolas.
Sem prejuízo de múltiplos aportes que podem ser trazidos para a discussão da autonomia das escolas, espero que as propostas de autonomização cortem com a tendência que vem sendo seguida de, por um lado, se pôr em causa o concurso nacional de professores (vejam-se as colocações nas escolas TEIP) e, por outro, se reforçar o poder discricionário dos directores nas escolas.
Penso que deve ser aprofundada a autonomia da escola, enquanto instituição, devendo-se garantir, desde logo, a liberdade de actuação da escola em termos de decisões próprias e mais céleres na mobilização de recursos, formas de organização e definição de estratégias direccionadas para apoiar os alunos com dificuldades mais acentuadas.
Uma vez que se pretende reabilitar a autoridade e o prestígio dos professores, não faz sentido afastá-los da decisão última sobre a eleição do director da escola. Mesmo que se queira manter a orgânica actual, seria importante que a Assembleia Geral dos Professores de cada escola pudesse ter a possibilidade de vetar o director eleito pelo Conselho de Escola, na eventualidade de o mesmo não corresponder à vontade maioritária dos professores.

9. Reabilitação da imagem social dos professores, como figuras autorizadas e prestigiadas.
Esta ideia de Paulo Rangel, já afirmada aquando das eleições europeias, constitui uma ruptura absoluta com a estratégia socrática de afrontamento sistemático dos professores, pelo que, só por si, traduz o restaurar da relação de confiança com os professores, como condição para que os mesmos retomem a alegria e a melhor disposição e mobilização para o trabalho nas escolas.

10. Obrigatoriedade do ensino pré-escolar.
A literatura científica e as experiências dos docentes demonstram que a frequência de ensino pré-escolar estimulante tem um impacto positivo nas aprendizagens escolares. Como tal, trata-se de uma medida bem mais estruturante e séria do que uma obrigatoriedade de 12 anos de escolaridade a qualquer preço, sem cuidar previamente das condições que garantam uma real, exigente e muito diversificada qualificação de todos os alunos.

PS: A defesa da centralidade da transmissão do saber nas escolas, não invalida o reconhecimento de outras dimensões do desenvolvimento das crianças e dos jovens, mas para responder a essas necessidades o país dispõe de muitos profissionais qualificados (muitos no desemprego) que podem, em instituições do Estado ou em contratos de agência com o Estado, assegurar a satisfação das mesmas. A escola não deve ter essa vocação.
(continua)

Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010

Mais um desempregado

A crer na notícia, um dos supostos envolvidos no negócio de compra da TVI e referido na divulgação das escutas pelo Sol, “renunciou à administração executiva da Portugal Telecom (PT), mas vai receber uma compensação por deixar o cargo antes do fim do mandato.” (ler aqui...).
Renuncia e ainda é indemnizado?! "Abandona" o barco no meio da tempestade e ainda lhe pagam?!
Receber uma compensação por deixar o cargo antes do mandato? Assim qualquer um fazia! Assim vale a pena! Assim está bem! Só se espera é que a “mesada” não seja uma pelintrice e que dê para viver com dignidade enquanto o senhor não arranja um (novo) emprego, que a coisa não deve ser (mesmo) nada fácil!
Manuel Salgueiro

Domingo, 21 de Fevereiro de 2010

A mentira tem perna curta

Ler mais aqui...
Quem, confrontado com factos indesmentíveis, reduz os assuntos de Estado a "conversas de amigos", deixa de ter moral e argumentário para negar que o conteúdo das escutas não tenha relevância e interesse público. Quem confunde, mistura e sobrepõe os planos entre vida pública e o que depois alegam ser vida privada, são os próprios elementos do governo envolvidos.

Pinógal

retirado daqui...

A continuarmos por este caminho, não demorará muito tempo que a mentira se torne normal e rotineira no país, sobretudo quando o exemplo vem de cima. Aí Portugal passará a ser melhor designado como Pinógal.

Do incómodo

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Mais uma crónica de baixo nível de Moita Flores, que, à falta de ideias e de argumentos, vem lançar ataques pessoais ao candidato à liderança do PSD, Paulo Rangel.
Pelos vistos, para Moita Flores falar bem e ter um discurso claro e vigoroso é defeito. Talvez, o autor da crónica prefira a retórica vazia, o líder contido que trata Sócrates com pezinhos lã e com punhos de renda, ou, mesmo, aqueles que tartamudeiam pela frente e apenas são claros e explícitos nas costas, vulgo “vida privada”.
Além do mais, a crónica parte de um pressuposto falso e de uma ingenuidade política:
- é falso que Paulo Rangel tenha traído Aguiar-Branco. Este último vinha preparando a sua candidatura desde há meses, sem que o tivesse assumido e comunicado abertamente a Rangel e outros, ao contrário do que fez Rangel, quando decidiu candidatar-se. E também era só o que faltava que os candidatos tivessem que andar ao beija-mão e a pedir licença uns aos outros para se candidatarem e apresentarem os seus projectos de liderança. Depois, quem, em vésperas de eleições, dá a mão a Sócrates e se derrete em elogios ao personagem não tem credibilidade para vir falar de traição e de decência;
- Rangel fez muito bem em denunciar, no Parlamento Europeu, a tentativa de se limitar a liberdade de imprensa e de expressão, em Portugal. Só por ingenuidade, se pode admitir que os planos de controlo da TVI, do Público e de outros órgãos de comunicação social, a terem ido avante, não iriam colocar um sério problema de liberdades. Se todos, em Portugal, mantivessem o mesmo nível de vigilância e de denúncia de Moita Flores às manobras que iam ocorrendo nos bastidores do socratismo, não restam dúvidas que, a dado momento, a comunicação social estaria totalmente controlada, e não para a tornar favorável ao governo ou ao PS (como o primeiro-ministro gosta de fazer crer, quando fala de ataques ao governo), mas apenas para estancar as notícias incómodas sobre a conduta de Sócrates (isto faz toda a diferença e é algo que muitos socialistas ainda não perceberam). E Moita Flores ficaria a assistir, impávido e embevecido com a gesta socrática.
É provável que ao longo da sua vida, alguns dos truques aqui utilizados lhe possam ter dado bons resultados, mas aproveitar-se do caso “Face Oculta” (que nunca o vi denunciar com veemência) e recorrer aos termos “faces ocultas” para explorar sugestões e lançar suspeições sobre os apoios de Paulo Rangel, é jogo demasiado baixo.
Todavia, estou convencido que Paulo Rangel é superior a estas dores de incómodo e nem sequer responderá a este tipo de ataques rasteiros.
Uma coisa é certa: a candidatura de Paulo Rangel desencadeou, dentro e fora do PSD, muito nervosismo e muita urticária, sobretudo entre aqueles que sempre conviveram bem e gostariam de continuar a conviver com essa vergonha nacional que se chama socratismo, o que não deixa de constituir, por si só, um excelente sinal.
Depois, alguém de bom senso acredita que é com este tipo de cronistas e de crónicas que se faz a ruptura geracional e a regeneração do PSD?
Com simpatizantes desta envergadura, o PSD não necessita de adversários.

Ecce Imperator, para azar de todos nós

A falta de uma universidade independente

O caos, como já se viu nesta história dos ataques ao governo, está instalado e, pelo que dizem os astros, promete agudizar-se. São umas atrás das outras e em catadupa.
Tocaram-se os sinos a rebate e eis que surgem (isto não é só no futebol que há treinadores de bancada) as mais variadas "teses" explicando este resultado da acção maquiavélica de forças sobrenaturais: A crer na notícia (ler aqui...), já há, pelo menos, “três versões para a mesma tese dos ataques contra o líder socialista e primeiro-ministro”, vindas de destacados dirigentes do partido do governo: Uma “estratégia”, uma “operação” ou uma “campanha” contra José Sócrates. Repare-se, porque são coisas muito distintas: Estratégia, operação e campanha... Ainda de acordo com a notícia (parece que alguém anda a brincar com isto), não foi referida "qual é a cor” da campanha, o que faz toda a diferença...
Está visto: Explicações não faltam e, tendo em conta o panorama que se avizinha, não tardarão (ainda) mais teses... Perante tantas e tão boas teses, ainda se hão-de fazer alguns doutoramentos (e respectivas teses) com base nestes assuntos e afins. Então, sim, a verdade virá à tona e terá valido a pena! Até as qualificações em Portugal terão aumentado... Matéria parece não faltar; falta apenas uma universidade independente!
Manuel Salgueiro

Sábado, 20 de Fevereiro de 2010

As propostas de Paulo Rangel em matéria de Educação: uma matriz de exigência e de rigor para a escola pública. PARTE I

De modo a evitar a demasiada extensão do post, esta PARTE I restringe-se à apresentação das propostas de Paulo Rangel para a Educação e à novidade da sua postura.
Acometido de uma síndroma gripal repentina, espero ainda hoje ter condições para postar a PARTE II, relativa a três pontos: o significado destas rupturas por contraposição com a escola actual; a análide das reacções críticas ou do cepticismo desencadeado pelas mesmas; o que, do meu ponto de vista, pode vir a robustecer as propostas de Paulo Rangel.

Os analistas e os actores na área da Educação já compreenderam que as propostas de Paulo Rangel introduzem mudanças decisivas no conceito, nas formas de organização e nas rotinas da escola pública. Daqui que muitas das reacções negativas ou mais cépticas sejam expectáveis, e obviamente respeitáveis, porque emergem de uma outra concepção de escola pública que, com mais ou menos matizes, traduz a realidade actual.
Deste ponto de vista, considero a proposta de Rangel um contributo relevantíssimo para a clarificação e a separação das posições, querendo-me parecer que o debate, em última instância, remete para uma questão crucial: tendo em conta a situação social e económica do país e as suas perspectivas de desenvolvimento futuro, qual é o modelo de escola pública que poderá ser mais útil ao país? O actual ou o que é proposto por Rangel?
Procurarei, no decurso deste e de um próximo post, fundamentar a minha escolha pessoal pela matriz de escola pública inerente à proposta de Paulo Rangel.
Os eixos da ruptura na Educação proposta por Paulo Rangel.

Vou focar-me exclusivamente nas ideias nucleares que suportam as linhas programáticas de ruptura prudente na Educação, tal como avançadas por Rangel em entrevista ao Jornal I (ler aqui a parte relativa à Educação) e complementadas, ontem, no Jornal das 9 da SIC Notícias, e que são as seguintes:
- uma escola pública pautada pela exigência, pelo rigor, pela autoridade e pela disciplina;
- deslocação do centro da educação dos alunos para um ensino rigoroso e verdadeiramente qualificante e inclusivo, com a consequente focagem da escola e do trabalho dos professores na transmissão dos saberes e na avaliação dos alunos;
- secundarização da avaliação dos professores e sua recondução a uma avaliação externa do estabelecimento de ensino, tendo em conta uma análise aferida e cuidadosa dos resultados dos alunos, uma vez ponderados os contextos de cada escola;
- existência de exames nacionais de final de ciclo;
- acompanhamento mais eficaz das dificuldades dos alunos;
- inevitável emergência de alguma selectividade nas escolas;
- implementação de percursos profissionais no âmbito do 3º ciclo;
- definição de áreas de autonomia atribuídas às escolas;
- reabilitação da imagem social dos professores, como figuras autorizadas e prestigiadas;
- obrigatoriedade do ensino pré-escolar.
Paulo Rangel personifica, também, uma modificação na atitude e no comportamento da tutela relativamente à escola e aos professores, de acordo com os seguintes eixos:

- mudanças prudentes;
- diálogo com os actores no terreno;
- quadro de uma relativa autonomia dos estabelecimentos de ensino;
- pressuposto de valorização da autoridade e do prestígio dos professores.
(continua)

Solidariedade para com o povo da Madeira

Presto a minha solidariedade a todas as pessoas afectadas e a todos os madeirenses, nesta hora de profundo sofrimento e de chocante destruição.
Infelizmente para as pessoas e as regiões envolvidas, a Natureza encarrega-se, de vez em quando, de relativizar e tornar mesquinhas as lutas políticas, as embirrações e os braços-de-ferro.

Não esperava outra postura de Paulo Rangel

Na sua entrevista de ontem, ao Jornal das 9 da SIC Notícias, Paulo Rangel demarcou-se da estratégia da bancada parlamentar do PSD que, rompendo os seus compromissos eleitorais com os movimentos de professores, deu a mão a Sócrates e inviabilizou a suspensão do modelo de avaliação em sede parlamentar, sem qualquer contrapartida substantiva, o que viria a redundar na manutenção quase intacta do modelo de avaliação de Maria de Lurdes Rodrigues.
Fica-lhe bem a denúncia do erro estratégico cometido por Aguiar-Branco e Pedro Duarte, além de que esta postura credibiliza-o junto de muitos professores.
Relativamente ao conteúdo da entrevista, centrada nas ideias mobilizadoras LIBERTAR O FUTURO e Partido da Sociedade, assim como na imprescindível ruptura na Educação (enfatizando o rigor, a exigência e a avaliação externa) e na Justiça, o mesmo confirmou a minha convicção pessoal: Paulo Rangel é o político melhor preparado (basta ver a incomodidade que vai causando nas hostes socialistas e não só) para derrotar eleitoralmente o PS de Sócrates, dada a sua assertividade pessoal e a clareza e acutilância do seu discurso.

Um Figo indigesto

In Expresso, 20/02/2010
Já nem vale a pena enfatizar-se a anormalidade e a irregularidade destas situações. Começa a ser um clássico a existência de presidentes encornados.
O dinheiro ao dispor destas organizações e destes rapazes é de tal ordem que não existe qualquer precaução e escrúpulo para esbanjar, em tempos de crise e dificuldades, uma pipa de massa com um tipo que dava uns pontapés na bola e se presta a debitar umas baboseiras, num filmezinho ridículo que, espante-se, só agora é publicitado. A não ser que... tenha ocorrido o que os bons entendedores já perceberam que aconteceu.
Mas, não se alimentem muitas expectativas sobre o esclarecimento e o julgamento destas situações, porque o paradigma da justiça portuguesa, nestes casos, é o do arquivamento.

Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010

Uma provocaçãozinha

Porque o meu colega e amigo Manuel Salgueiro trouxe à liça, no post anterior, esse espécime de abrenúncio genético chamado de “frango tipo leitão”, não resisti a recuperar o crédito do genuíno leitão tipo leitão, e ele aí está na foto, embora já não faça o mesmo exercício relativamente ao “polvo”, porque este ainda se encontra, por estes dias, em boa fritura nas páginas do Sol.
Resta apenas acrescentar, em jeito de provocaçãozinha, que o leitão exposto foi consumido esta semana no coração da Bairrada, mais especificamente no “Virgílio”, e estava soberbo.
Zé e Pedro, a economia da região tem-se ressentido da nossa ausência, pelo que um dia destes teremos que cumprir a espinhosa missão de contribuirmos para o alavancamento da economia local. Claro, o Salgueiro está convidado.

O polvo da discórdia

Perante a catadupa de notícias vindas a lume nos últimos tempos, envolvendo negócios e contra-negócios, informação e contra-informação, diz que diz e diz que não diz, “encornados” e “falta saber quem”, a cousa afigura-se cada vez mais intrincada e difícil de entender. Como diz o povo, está aqui um caldinho jeitoso! Nem um Poirot brilhante e com todas as suas células cinzentas em forma seria capaz de desvendar e chegar a descobrir o que há de verdade em toda a campanha negra aqui montada, envolvendo escutas, negócios, espionagem de buraco de fechadura, linguagem de bar de alterne, calúnias, “pressão”, tentativas de controlo da comunicação social, conferências dramáticas, inquirições e outros quejandos.
O que verdadeiramente aqui está em causa é uma série de fenómenos que está por aí a ser apelidada de “polvo”. É aqui que reside o polvo da discórdia. Dizem os entendidos (por exemplo, o Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora, 7.ª edição) que o animal em causa é um molusco cefalópode, octópode, com tentáculos munidos de ventosas. Sendo octópode, terá oito “pés” / “braços” e, também, oito tentáculos. Quem se der ao trabalho (porque a coisa dá mesmo trabalho...) de ver, ouvir e ler toda a série de notícias diárias de há algum tempo relacionadas com a temática em questão, depressa dará consigo mesmo a pensar: Alguma coisa aqui não bate certo! Afinal, quantos braços tem um polvo? Será que o dito octópode (já) sofreu alguma (trans)mutação?
Pelo jeito que a cousa leva e depois do “frango tipo leitão” (ver
aqui...), isto ainda vai acabar nalgum “polvo tipo centopeia”. Mais uma vez (estaremos) na vanguarda!
Manuel Salgueiro

Isto é o fim...

...dos inconvenientes do despe e veste, nos vestiários!
Obrigado, Isabel

Não são encornados a mais?

A Câmara Municipal de Oeiras, pela voz do seu presidente, Isaltino Morais, declara, enquanto maior accionista do TargusPark, desconhecer a existência de qualquer contrato promocional com Luís Figo (ler aqui...).
Estranhos negócios estes que são mais prontamente dados a conhecer à "rapaziada" socialista do que a presidentes de empresas e a accionistas maioritários.
O espantoso, no meio do lodaçal em que alguns estão a transformar o país e outros estão a permiti-lo (incluindo aqueles que se calam, que encobrem, que assobiam para o lado ou que hibernam), é a existência de três realidades que convergem para o mesmo efeito: a falta de vergonha dos protagonistas envolvidos nestas "jogadas" (que irão, como em outros processos, sobreviver na base da sua capacidade económica e à pala da ineficiência da Justiça); a apatia dos portugueses; a impotência do poder judicial e do poder político para restaurar a decência no país.
Nada disto é crime, nada disto é ética e politicamente insustentável, apenas porque há meia dúzia de desavergonhados que, dispondo de poder político e económico, necessitam de ser protegidos.
Crime é divulgar conversas de inegável interesse público (ainda não ouvi nenhum dos fariseus da criminalização do serviço público que os jornalistas estão a prestar ao divulgar conteúdos de escutas - que a Justiça não tem peito para investigar - exigir o apuramento da violação que permitiu avisar esta gente que estaria a ser escutada ou indicar, preto no branco, que conteúdos, do que tem vindo a público, pertencem à reserva da vida privada dos escutados), é pilhar galinhas e roubar sacos de amêndoas em supermercados.

Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010

Até quando é que o país vai continuar hipotecado e refém de Sócrates, boys e peseteros?

Capa do Sol, 19/02/2010
Se os envolvidos nestas escutas esbracejam, negam e atacam os "criminosos" jornalistas, mas não questionam a veracidade dos conteúdos das conversas que se vão conhecendo, Sócrates quer que os portugueses acreditem que não sabia de nada e que esta rapaziada é tão porreira que andava entretida a ser-lhe agradável: calar-lhe os jornalistas críticos e proprocionar-lhe apoios de peso em vésperas de eleições?
Não estará a subestimar em demasia a inteligência dos portugueses?

Voltamos às fotocópias

A última crónica de Mário Crespo entregue, ontem, aos deputados da Comissão de Ética, sob a forma de fotocópia.


'Não te posso publicar esta crónica'. 'Tu és Director, saberás o que fazer'. 'Eu sei que sou director. Não preciso que digas que sou Director. Eu sei que sou Director!'. 'Posso dizer-te que se fosse eu Director, publicava'. 'Eu tenho que confirmar isto e a esta hora não consigo ligar ao Primeiro-ministro'. 'Tu és Director saberás o que fazer, não publicas e eu nunca mais escrevo para ti'. 'Eu tenho que investigar isto'. 'Faz o que quiseres, investiga o que quiseres. Não publicas e eu nunca mais escrevo para ti'. 'Sobre isso falamos depois'. 'Não, Zé Leite Pereira, nós não falamos mais'.
Há qualquer coisa fisicamente dolorosa quando se recebe a notícia de que o nosso trabalho foi censurado. O estômago aperta-se. Sentimos que estamos com os olhos demasiado esbugalhados e não conseguimos fixar a vista em nada. Durante muito tempo. O olhar vagueia por tudo, evitando tudo. Tenta-se respirar fundo, mas a respiração sai curta e durante uns minutos é insuficiente. E ficamos ainda mais inquietos. Depois hiperventila-se e fica-se agitado. Um corpo estranho começa a apertar-nos uma zona indefinida do tórax logo abaixo do pescoço. E fica aí a lembrar-nos que há solidões novas que ainda não tínhamos experimentado. Depois cai uma imensa melancolia. Terá sido provavelmente isto que Luís de Sttau Monteiro sentiu em 1960 quando o SNI mandou a sua editora retirar 30 páginas do seu Um Homem Não Chora. As trinta páginas em que ele articula raivas surdas contra o sufoco do Estado Novo, enquanto a sua personagem desce a Avenida da Liberdade mastigando obsessivamente grãos de café.
Terá sido isso que, também, António de Almeida Santos sentiu a 30 de Maio de 1959 quando o Secretariado Nacional de Informação decretou que o seu livro de contos A Rã no Pântano era matéria proibida. Nos poucos dias que esteve nas livrarias o autor deu uma cópia ao meu pai, que é hoje parte do nosso património familiar, com a dedicatória onde se lê numa magnífica caligrafia inclinada de uma caneta de tinta permanente (as Futura de feltro ainda não tinham sido inventadas) 'Ao Eduardo Crespo, com as homenagens e a estima do Almeida Santos'. Mais de meio século depois A Rã no Pântano foi reeditada com um registo na capa onde se lê 'A primeira edição deste livro foi apreendida pela PIDE'. Lá dentro está uma dedicatória na mesma bela escrita inclinada (já com uma Futura de feltro preta) onde se lê: 'Ao Mário Crespo, com admiração e amizade, esta segunda edição de um livro que ofereci a seu pai antes da PIDE o ter apreendido. Almeida Santos'. Quando recebi a reedição da Rã no Pântano lembro-me de ter comentado com o Dr. Almeida Santos que hoje parece impossível o que aconteceu, e o imenso trabalho que tinha sido rectificar todo um sistema orientado para o controlo do pensamento, fosse através de um livro de contos, fosse espartilhando noticiário banal em modelos oficialmente tolerados.
Na parte de trás desta crónica, que vou distribuir de mão em mão em fotocópias, porque em Janeiro de 2010, por razões de conteúdo politicamente incorrecto, censuraram a minha coluna de opinião no Jornal de Notícias, está o que se chamava nas redacções um 'linguado' de prova. Era de A Capital, um diário de que fui o primeiro Director depois do 25 de Abril quando, com a privatização, A Capital se libertou de tutelas estatais e políticas. Trouxe de lá este texto dos anos 70 com o corte da censura. Fascina-me ver o género de notícias que a Censura não tolerava. Interpretações da realidade, perguntas e sobretudo factos insofismáveis. Havia só uma verdade consentida. A oficial. Tudo o mais era desviante, e o desvio tinha que ser rectificado.
Já depois da minha crónica O Fim da Linha ter sido censurada por José Leite Pereira, o sociólogo Paquete de Oliveira, provedor do telespectador na estação de televisão do Estado, sentiu-se no dever de escrever uma crónica no espaço de opinião que eu ocupei durante mais de dois anos, onde, para substanciar a imensa liberdade de expressão que ele diz sentir no Jornal de Notícias, afirma que: 'Nunca me mudaram uma vírgula que fosse sem me consultarem'. É essa a diferença entre mim e Paquete de Oliveira a quem, em consulta, podem mudar as vírgulas. Eu, quando escrevo opinião, faço-o de forma definitiva. Tenho imenso cuidado com as vírgulas. Se calhar a conversa com José Leite Pereira que reproduzi no início teria tido outro desfecho se eu, tal como Paquete de Oliveira faz, tivesse autorizado que me alterassem ocasionalmente umas vírgulas. Mas, por outro lado, isso nem sequer foi contemplado. À meia-noite, quando Leite Pereira me contactou, já o Jornal de Notícias estava a ser impresso. A minha crónica já tinha chegado ao fim.
Mário Crespo