Um murro de Santana Castilho na consciência de Passos Coelho e da elite política "laranja" (18-01-2012): As "natas"

Segunda-feira, 31 de Maio de 2010

Apertar o cordel por falta de guita



Agora sem nada nos bolsos!
Com o PEC, foi preciso apertar o cinto. Neste momento, com os novos aumentos de impostos, parece ser tempo de Portugal apertar o cordel.

Ser português não é bem uma condição, é uma habilidade circense. E das difíceis. O trapezista, no circo, balouça-se de cabeça para baixo e grita "Agora sem mãos!", o que não deixa de ser admirável, mas ser português também é um número arriscado: "Agora sem emprego!", gritam uns. "Agora sem saúde!", gritam outros, depois do fecho das urgências. "Agora sem dinheiro!", gritam quase todos desde que o Governo começou a tomar as chamadas medidas de austeridade. Primeiro, com o PEC, foi preciso apertar o cinto. Neste momento, com os novos aumentos de impostos, parece ser tempo de Portugal apertar o cordel. Os mendigos não usam cinto. Passam uma guita pelas presilhas e dão um nó à frente. Creio que o que estamos a apertar agora é essa guita - ironicamente, por falta de guita.
Apesar de tudo, a notícia de que o Governo iria aumentar os impostos sobre o rendimento deveria ter agradado aos portugueses: muitos deles não sabiam que ainda tinham rendimentos para taxar. Poderia ter sido uma agradável surpresa. Infelizmente, o povo português é difícil de contentar. Há uns anos, a palavra de ordem era "Basta de salários de miséria!" Agora é "Deixem os nossos salários de miséria como estão!" Ora não querem salários de miséria, ora recusam que se lhes mexa neles. Vá lá uma pessoa compreender este povo.
Que fazer, amigo leitor? De que modo podemos salvar o País da falência? Sobre isso, tenho a mesma opinião que o ministro das Finanças: não faço a mínima ideia. Mas tenho uma sugestão que gostaria de apresentar. O País não está bem, isso é certo. Com mais de 800 anos, também já não vai para novo. E há mais de 500 que não consegue fazer nada especialmente digno de nota. Enquanto país uno e indivisível, não parece ter grande futuro. Mas, que diabo, não haverá ninguém que queira isto para peças? Como se faz com a sucata: a unidade funciona mal, mas há duas ou três fracções que ainda podem ter serventia - e valer dinheiro. Tendo em conta o papel proeminente que alguns sucateiros têm na nossa sociedade, não poderíamos aproveitar a sua sabedoria no que toca a desmembrar coisas para as rentabilizar? Os espanhóis hão-de estar interessados no Minho e em Trás-os-Montes. Os holandeses, ao que parece, gostam muito do Alentejo. No fundo, não seria muito diferente do que fizemos com o Algarve e os ingleses. É só uma ideia. E talvez seja absurda, admito. Pelo menos, não tem aquela qualidade que costuma caracterizar as medidas que realmente salvaguardam o interesse e o futuro do País: não vai ao bolso dos contribuintes.
In Visão, 27/05/2010

Uma reforma necessária, mas uma proposta fora do tempo e do modo - Parte I

A recente proposta do Conselho de Escolas relativa à reorganização dos ciclos de estudos da escolaridade obrigatória, merece-me, desde já, alguns comentários breves que exporei de seguida.
Em primeiro lugar, uma reforma com o impacto organizacional e desenvolvimental desta, deve ser estudada e decidida sem precipitações, com tempo e, sobretudo, adoptando-se uma mentalidade e uma estratégia de definição de políticas educativas que rareia entre nós. Refiro-me à necessidade de envolver o maior número de contributos de distintos actores educativos, porque, hoje, as realidades são assumidamente complexas e remetem para uma matriz pluridisciplinar dos saberes e das experiências. Colocar um núcleo restrito de pretensos sábios a conceber estas reformas é desastre pela certa, à semelhança do que aconteceu com o modelo de avaliação.
Em segundo lugar, as reformas do ensino devem procurar obter, além do maior consenso possível nas escolas, a convergência dos partidos do arco do poder, de forma a evitarem-se as permanentes contra-reformas, depurações ou acrescentos, que desestabilizam o sistema e fragilizam a consolidação de práticas e rotinas.

Por conseguinte, considero que, tendo em conta a estratégia adoptada e o momento político actual, a proposta está fora do tempo e do modo, como explicitarei num próximo post.
Todavia, não posso deixar de referir que me parecem extraordinariamente infelizes as designações "secundário inferior" e "secundário superior", pois além de faltar o primário e o médio, ninguém, nem alunos, nem professores ou funcionários, se sentirão muito motivados para frequentarem ou trabalharem numa escola "inferior", a qual carrega uma semântica de estigma e anátema, o que é automaticamente transponível para apreciações de natureza estatutária, quando o que está em causa são apenas níveis ou estudos mais ou menos avançados/aprofundados.
(Continua)

Na Manifestação do dia 29 de Maio, aconteceu o epílogo da "luta dos professores"

Por entre a mobilização de crentes e conformados com as estratégias e os resultados da luta sindical docente, sublinho as expressões de júbilo de escassos milhares de professores (é interessante que em nenhum local se avança com um número aproximado, mesmo no site da Fenprof - embora, para a minha argumentação tal seja absolutamente irrelevante), enquanto participavam numa iniciativa que dissolveu a especificidade e a transversalidade da luta dos professores numa agenda político-partidária, mais interessada, nos próximos tempos, em potenciar o descontentamento dos trabalhadores face às medidas de austeridade impostas pelo directório europeu.
E a consumação desta dissolução ficou a dever-se a dois detalhes cruciais: à circunstância de os professores terem aparecido como um grupo autonomizado que confinou a sua concentração a um local inicial exclusivo, mas sem uma concomitante mensagem mediática que particularizasse e fizesse sobressair as suas reivindicações; ao facto de a capitulação sindical, no pós Acordo de Princípios, ter passado para a opinião pública a ideia errónea de que os professores viram satisfeitas as suas reivindicações (nenhuma verdadeira mobilização de professores ocorreu a partir daí), pelo que a participação nesta manifestação da CGTP foi apenas consequência de o mundo ter mudado (e de que forma, para citar a perplexidade socrática) no último mês.
O caminho para o Marquês consubstanciou o abandono de uma agenda que havia potenciado a força dos professores e os havia unificado, sendo substituída por uma outra, coincidente ou sobreposta com ideologias de esquerda que dividem os professores, a qual tenderá a ocupar a motivação sindical nos próximos anos, escondendo ou secundarizando as questões nucleares, para os professores, do modelo de avaliação, dos climas conflituais de escola, da arbitrariedade das quotas, da gestão não democrática, da indisciplina ou da aposta num ensino exigente.
Aliás, a minha percepção é a de que os sindicatos e, especificamente a Fenprof e a Fne, nunca estiveram convictamente e em plenitude com a luta dos professores, como a seguinte cronologia e/ou referências evidenciam:
- a assinatura do memorando de entendimento, instrumentalizando a vontade geral dos professores, como os acontecimentos posteriores demonstraram;
- o boicote permamente das estruturas sindicais às iniciativas dos movimentos de professores, assim como o abandono daqueles que resistiram nas escolas;
- o fim da plataforma sindical, sem que os problemas que estiveram na base da sua constituição estivessem resolvidos;
- o Acordo de Princípios e a capitulação que o mesmo representou face àquilo que os sindicatos exigiram durante os dois anos de luta e consideravam ser inegociável (já nem vale a pena estar, novamente, a particularizar);
- a Manifestação de 29 de Maio, já fora da lógica específica da contestação dos professores e que, doravante, retirará força e visibilidade pública às reivindicações que corporizaram a luta dos professores.
Apenas lamento que os professores tenham ido tocar "corneta" ("vuvuzela") ao funeral que enterrou definitivamente, do lado da Fenprof, as dinâmicas de luta, nas escolas e nas ruas, relativas às reivindicações identitárias do que ficará para a história como o levantamento dos professores que levaram a reboque os seus sindicatos. A mim, consola-me o alívio de não constar na fotografia deste velório.
Não tenho dúvidas que os professores acabaram a ser capturados por uma estratégia que lhes arruinou a luta, a qual nunca mais voltará a ser aquilo que foi, sem que se tenham garantido ganhos significativos na sequência da mesma, como podia e deveria ter acontecido!
Sobre a reorientação da agulha sindical para a luta política, de cariz mais ideológico e de facção, não discorrerei para já, pelo que apenas me limito a deixar o link abaixo, que remete para um texto susceptível de desencadear alguma reflexão e debate nas hostes sindicais de esquerda.

¿Estamos incubando ya la próxima crisis?

Respondam devagarinho, se fazem favor, para ver se percebo

No decurso da passada semana, fui assaltado por um conjunto de questões, relativas à política nacional e áreas contíguas, para as quais me tem sido difícil encontrar respostas claras e concludentes, no que deve ser uma séria limitação minha.
Ei-las:
- se Cavaco e Sócrates admitem que esta é uma das crises mais graves que o país alguma vez enfrentou, por que razão nenhum deles se dirigiu formal e institucionalmente ao país a explicar verdadeiramente a situação e a enquadrar a imprescindibilidade dos sacrifícios pedidos, quando o fazem, por vezes, a propósito de lana caprina?
- o que leva o Cardeal Patriarca a não reagir, de forma pública e contundente, aos anúncios de políticas fracturantes defendidas por Sócrates e se decidiu, agora, a intervir politicamente para recriminar Cavaco pela promulgação de uma lei de aprovação inevitável?
- em concreto, o que faz da PT uma empresa estratégica para o Estado?
- por que razão o boneco de Ricardo Salgado (BES) integra o cartaz do Bloco de Esquerda [BE], a propósito de uma exigência de aperto de cinto, se o BES lidera o sindicato bancário que financiará as obras públicas megalómanas que o BE apoia, particularmente a construção do TGV? Por que razão o cartaz inclui Paulo Azevedo, de uma empresa completamente privada (a SONAE), e deixa de fora Jorge Coelho e o engenheiro Mota (MOTA-ENGIL), cujo enriquecimento à custa de uma relação preferencial com o Estado tem sido evidente para as pessoas menos distraídas?
- tendo os sindicatos deixado cair a plataforma sindical e as grandes reivindicações dos professores, no pós Acordo de Princípios, a tão efusivamente sublinhada participação dos professores na manifestação da CGTP que vantagem retirou e que mensagem passou para a opinião pública sobre o que é, hoje, a luta dos professores?
Quem souber, puder ou quiser responder-lhes, agradeço, desde já, a disponibilidade, assim como solicito que o façam devagarinho, com uma linguagem clara e argumentos engomados, para ter oportunidade de ficar esclarecido.

Algo intrigante

De uma forma geral, as posturas do Ministério Público e, especificamente, do Procurador-Geral da República [PGR], tendem a revestir-se de um carácter algo intrigante sempre que aparece envolvido o nome de Sócrates.
Atente-se em três exemplos elucidativos:
- a preocupação da Procuradora-Geral Adjunta, Cândida Almeida, em vir a público, de forma recorrente e em momentos críticos, acomodar o não envolvimento de Sócrates e anunciar "iminentes" conclusões do "caso Freeport", apesar de, até hoje, nada se conhecer de concreto;
- o nervosismo e as evasivas com que o PGR vem inviabilizando os requerimentos do PSD para lhe serem facultados os Despachos relativos às escutas que envolvem Sócrates;

- a circunstância estranha de a Procuradoria não revelar o destino que deu à participação criminal apresentada por Manuela Moura Guedes, fazendo depender a abertura da investigação de uma diligência absolutamente bizarra, traduzida numa espécie de "Do It Yourself": apresentou queixa, então, diga-nos como deseja que seja feita a investigação.
Este conjunto de hesitações, de desorientações e de uma pretensa opacidade na condução de tudo o que envolva Sócrates, vem precipitar as três constatações seguintes:
- vai-se cimentando a convicção, entre os portugueses, que as leis e as diligências do Ministério Público são iguais para todos, excepto para alguns;
- é percepção comum que o mandato do PGR não tem primado pela transparência e pela informação clara;
- de forma a afastarem-se quaisquer suspeições, a nomeação do PGR não deve partir do Governo e do primeiro-ministro, mas deve emanar de uma proposta da Presidência da República que possa ser escrutinada e validada pela Assembleia da República.

Domingo, 30 de Maio de 2010

Quem te avisa, teu inimigo é

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In Público, 30/05/2010
Obrigado, Zé!

Traídos pela confusão de emoções?

Os socialistas socráticos e soaristas deviam saber que entusiasmado não é coincidente, do ponto de vista da intensidade, com Alegre.

Expliquem-lhe o risco de um efeito de contraste

O recente episódio do encontro entre o Zé, português de Vilar de Maçada, e o Chico, uma espécie de malandro do Rio, não é caso único no modus operandi da propaganda socrática, tão convicta dos mecanismos de auto-promoção que podem decorrer dos efeitos do contexto.
Todos nos recordamos daquele pequeno-almoço de Sócrates com Figo ou daquela imagem, algures numa piscina algarvia, de notável familiaridade entre Manuel Pinho e Michael Phelps (e que falta faz ao Governo, Manuel Pinho, num momento de anedótico desnorte).
Alguns enquadram este comportamento numa espécie de provincianismo foleiro, do tipo do gabarolas que se dá ares de conhecer meio mundo e que, querendo impressionar a namorada ou ultrapassar limitações próprias, se vangloria de conhecer a estrela X ou de privar com o astro Y. Mas, este juízo é demasiado primário, e até injusto, para assessores que conhecem razoavelmente a psicologia social e o marketing político.
Obviamente, os assessores de imagem de Sócrates procuram tirar partido, tanto dos efeitos do contexto por assimilação, como do efeito de radiação de beleza/competência (aparecer junto de alguém com boa imagem ou competente faz-nos parecer ter melhor imagem ou mais competência do que aquelas que possamos ter). Pois, não é típico os políticos quererem aparecer associados a vagabundos ou fracassados.
Todavia, a assessoria de imagem pode estar a menosprezar (para além do erro fatal de deixar transparecer publicamente a sua intencionalidade, por inabilidade na gestão da informação, como foi o caso do encontro Sócrates - Chico Buarque) o efeito de contraste, o qual pode prejudicar alguém que estando em fase de decadência e de avaliação negativa por parte das pessoas, pode levar a que estas ainda acentuem mais as diferenças e o negativismo face à positividade daqueles com quem se aparece publicamente.
Para a eventualidade (pouco crível) de não se confirmar a exploração dos assim arriscados efeitos de assimilação e de radiação de beleza/competência, então, talvez seja caso para nos perguntarmos: que raio de privações/provações de infância, de sentimentos de inferioridade ou de percepção de menoridade afectam esta gente, que os leva a desejarem aparecer ao lado de figuras mediáticas que conquistaram a fama e a glória pelo seu próprio mérito, o qual já não é transferível, por mera associação, para alguém, cujo mérito começa a ser contestado pela maioria dos portugueses?

Troco (quase) tudo por um Porsche

Depois de ter afirmado, ainda a tempo de os portugueses o terem escutado, que a governação de Sócrates era "tecnicamente errada e arrogante" e, mais recentemente, ter acusado Sócrates de "grande desonestidade política", Luís Campos e Cunha, ex-ministro das Finanças de Sócrates, afirmou que "não sei para que é que querem gastar dinheiro no TGV se podem perfeitamente oferecer um Porsche a cada português gastando menos".
Assim sendo, declaro publicamente que prefiro o "meu" Porsche ao TGV, sem qualquer hesitação.
E pode ser este, pois, em matéria de Porsches não sou nada esquisito:

Trapalhadas "até o fim"

Da própria letra da canção "Até o fim" e com dedicatória para um Sócrates a quem já tudo desmente, incluindo o próprio Chico Buarque:
"(...)
Eu já nem lembro "pronde" mesmo que eu vou
(...)
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim."

E também não adiantará à estratégia "emplastro" do Gabinete de Sócrates (devem ser tantos assessores e motoristas e coisos que até se atrapalham no que informam ou desinformam) passar a ideia que a professora Bruna Real deseja conhecer Sócrates, pois a moçoila já tem a agenda repleta.


Sábado, 29 de Maio de 2010

Grandes expectativas

É com grande expectativa que decorre a visita do Primeiro-ministro à Venezuela, onde Sócrates irá encontrar-se com Hugo Chávez. A crer na notícia, a visita tem, entre outros objectivos, “fortalecer os vínculos de integração cultural entre os povos irmãos de Portugal e da Venezuela” e “o reforço da cooperação económica com o país, a criação de mais oportunidades de exportação para as empresas nacionais e ainda a assinatura de acordos comerciais em novas áreas.” Recorde-se que a Venezuela foi um dos primeiros países a receber esse portento de tecnologia infantil que dá pelo nome de “Magalhães”.
Por tudo isto é com grande ansiedade que se espera o discurso e respectivas expressões do líder da Nação, certamente a acrescentar a umas quantas já com direitos de autor.
Manuel Salgueiro

Próximo ministro da Educação

Adere a este Grupo AQUI

Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

Quatro razões que suportam a minha decisão de não participar na Manifestação Nacional da CGTP

Mesmo estando identificado e reconhecendo justeza a algumas das reivindicações que constam na agenda da manifestação, que me parecem transversais às preocupações e às exigências de todos os trabalhadores, decidi não participar, com base em duas razões que entroncam nas vicissitudes das reivindicações dos professores e outras duas que são de natureza mais política e ideológica.
Razões ligadas à contestação dos professores:
- não aceito que as reivindicações do fim do actual modelo de avaliação de professores e da anulação das vantagens e penalizações do 1º ciclo de avaliação tenham sido varridas da agenda sindical, pois estas realidades constituem elementos de perturbação nas escolas e de coacção, prepotências ou favorecimentos injustificados/incontrolados entre professores, a que acresce a minha convicção pessoal de que as reivindicações dos professores perdem visibilidade e força se transferidas, diluídas e confundidas na agenda da CGTP;
- não participo mais em lutas com a Fenprof, sem que os compromissos de não se abdicar das reivindicações centrais estejam notarialmente firmados. Duas vezes enganado, já chega.
Razões de natureza política e ideológica:
- compreendi desde muito cedo que as políticas educativas de Sócrates eram injustas, destituídas de seriedade e ofensivas da dignidade dos professores, pelo que deixei de me sentir confortável ao lado daqueles que, no limite, preferem a continuidade ou perpetuação de Sócrates a outras alternativas políticas, funcionando numa lógica de esquerdas-direitas, que desculpam ou toleram o tratamento de enxovalho aos professores protagonizado pelo socratismo;
- embora discorde da equidade das soluções encontradas para responder à crise em que nos encontramos, compreendo a necessidade de o país não viver acima das suas possibilidades (sobretudo em gastos supérfluos e incontrolados do Estado ou em vencimentos/prémios excessivos dos seus gestores e recrutas partidários) e, como tal, de reduzir o seu endividamento externo, pelo que não comungo da visão daqueles que defendem aumentos de impostos para sustentar um Estado esbanjador ou que, como hoje se viu no Parlamento, estão do lado de investimentos públicos megalómanos que apenas servem para endividar ainda mais o país e para alimentar o ego de Sócrates, não tendo nenhuma repercussão na dinamização económica e na valorização do emprego e da qualidade de vida das classes baixa, média e até média alta do país.
Podia aprofundar os fundamentos de cada uma das razões aventadas, mas tal parece-me desnecessário pela circunstância de não perseguir nenhuma intenção exegética que procure influenciar/converter quem quer que seja, compreendendo e respeitando opções e razões diferentes das minhas.
Todavia, não deixa de ser sintomático que a minha escola (Secundária de S. Pedro - Vila Real), que esteve na primeira linha da contestação dos professores, quer em termos de posições colectivas, quer em mobilizações esmagadoras nas idas às manifestações, apenas tenha dois inscritos para a participação na manifestação de amanhã.

Derrota, disse ela!

Os fundamentos da decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja, reafirmando a suspensão da avaliação de desempenho para efeitos de concursos de professores, constituem uma derrota substantiva para esta ministra da Educação e para a sua antecessora, pela confirmação das desigualdades e injustiças que decorrem da implementação de um modelo de avaliação, já de si absolutamente desacreditado nas escolas.
Por um lado, esta derrota vem juntar-se àquelas que o Ministério da Educação já havia encaixado, vindas da Assembleia da República, da Provedoria da Justiça e, obviamente, do entendimento e da apreciação que os professores, nas escolas, fazem do modelo de avaliação de desempenho em vigor.
Por outro lado, não podemos iludir que os fundamentos da decisão do Tribunal também não deixam ficar nada bem na fotografia os sindicatos que, em sede do vergonhoso Acordo de Princípios, sancionaram e validaram uma avaliação e um modelo de avaliação que não garante, nem justiça, nem igualdade. Como tal, os sindicatos deveriam abster-se de cantar vitória em cima de um condenado que os abraça.
E o Tribunal apenas conhece e levou em consideração uma ou outra "conta" do "rosário" da aplicação deste modelo de avaliação, porque se conhecesse os processos aleatórios, faz-de-conta e inconsistentes em que se traduziu a implementação do modelo de avaliação, então, estou certo que baniria definitivamente esta avaliação e os seus efeitos, dada, quer a fantochada que foi a versão simplificada, quer a balcanização, a subjectivação e a fulanização incontroladas de critérios e procedimentos de avaliação, no quadro da versão integral.

Esta nem chega a ter perna

Já toda a gente percebeu que houve operações e diligências de underground, por parte de um núcleo de indivíduos próximos de Sócrates e com o conhecimento deste, para silenciar vozes, programas ou órgãos de comunicação social incómodos para o primeiro-ministro (e nem sequer eram as políticas do governo que estavam em causa, mas tão-só as condutas de Sócrates), pelo que desmentir factos é, de todo, contraproducente e apenas traduz a falta de estatura moral e política daqueles que não têm a coragem e a transparência para assumirem publicamente as suas condutas e os acontecimentos das suas vidas.
Porque, parafraseando um recente anúncio de TV a um qualquer produto de limpeza, "as escutas não enganam", independentemente da forma mais ou menos discutível como possam ter sido obtidas ou divulgadas.
Já não há pachorra para tanta negação e desmentidos contra as evidências dos conteúdos das escutas, pois, por mais álibis de última hora que se arrolem, há mentiras tão óbvias que não só não têm perna curta, como, a rigor, nem sequer têm perna que as conduza a lugar algum, a não ser o descrédito público dos seus mentores.
Mas, à Comissão Parlamentar de Inquérito é muito fácil apurar a verdade dos factos em confronto na notícia acima: peçam à operadora de telemóveis o registo das mensagens entregues e verifiquem a hora e a efectividade da recepção da mensagem em causa.

Depois da corrida, Sócrates experimenta um novo desporto radical: A QUEDA LIVRE

Felizmente, vai aumentando o número dos portugueses que já não suportam Sócrates.
A arrogância, a prepotência, a crispação, o enxovalho, as ameaças, as injustiças, a falta de seriedade, a mentira, o ilusionismo e o controlo da comunicação social tinham que culminar numa saída de sendeiro!
Está quase!...

Uma "rolha" absurdamente inflacionada

Capa do DN, 27/05/2010
De facto, tanta preocupação, tanta decisão, tanta destruição e tanta pressão para impossibilitar o acesso dos cidadãos a escutas de pessoas que estavam, nas suas costas, a condicionar-lhes a vida social e política, apenas devem querer significar que os conteúdos das mesmas são demasiado graves.
Uma democracia e um sistema judicial que não protegem e valorizam o direito à informação, particularmente quando está em causa o interesse público, serão percepcionados como corpos amputados do mecanismo que lhes pode proporcionar autoridade e credibilidade aos olhos dos cidadãos.
Talvez o Tribunal tenha esquecido que os jornalistas do Sol não beneficiam de vencimentos, prémios e alcavalas comparáveis aos de Rui Soares, para quem esta multa seria uma ninharia.
A mais triste e revoltante das ironias poderia residir no facto de ser uma decisão judicial a consumar o aperto do garrote financeiro a um jornal que alguns, atentando contra a liberdade de imprensa e o direito à informação plural, tentaram, mas não conseguiram.

Quinta-feira, 27 de Maio de 2010

Com Sol os mentirosos vêm à tona

Parte da capa do Sol (28-05-2010)
Mais uma notícia que, certamente, não deixará de fazer as delícias do deputado Mota Amaral. Não há nada mais credível e mobilizador que ter um primeiro-ministro mentiroso.

Não tem problema Carla. Há por aí muito político a fazer da má e nem sequer o admite

Mais despesa para o Estado?

O PSD pergunta ao Ministério da Educação, e muito bem, que figura é essa dos "gestores de edifício" e para que servem.

PSD requer informações sobre os “gestores de edifício” das escolas da Parque Escolar, EPE
Os deputados referem que “o modelo de gestão, a existência deste 'gestor de edifício', têm levantado as mais diversas dúvidas, quer por parte das comunidades educativas, quer por parte dos sindicatos e dos diferentes partidos políticos”.
Através das perguntas entregues, quinta-feira, na Assembleia da República, os deputados do PSD questionam o Ministério da Educação sobre o processo de escolha e nomeação dos “gestores de edifícios” nas escolas requalificadas pela empresa Parque Escolar, EPE.
No texto das perguntas, os deputados referem que “o Ministério da Educação atribuiu à Parque Escolar, EPE, a responsabilidade pela concretização do Programa de Modernização da Rede Pública de Escolas Secundárias”, apresentando este programa “três objectivos principais: recuperar e modernizar os edifícios, abrir a escola à comunidade e criar um sistema eficiente e eficaz de gestão dos edifícios”. Os deputados informam que o PSD já por diversas vezes questionou a Ministra da Educação sobre a forma "como seria cumprido o objectivo de criação de um novo modelo de gestão das instalações sem que, até ao momento, lhe tenha sido dada uma resposta satisfatória e conclusiva".
A este respeito, os deputados salientam que “tem sido anunciado na comunicação social que as escolas secundárias abrangidas pelo programa de modernização vão ter um gestor de edifício” e que de acordo com Sintra Nunes, presidente da Parque Escolar, “a complexidade das infra-estruturas obriga a uma adaptação dos modelos de gestão escolar ao do edifício”.
No texto entregue ao Presidente da Assembleia da República, os sociais-democratas afirmam que “o modelo de gestão, a existência deste ‘gestor de edifício’, têm levantado as mais diversas dúvidas, quer por parte das comunidades educativas, quer por parte dos sindicatos e dos diferentes partidos políticos” e que “o Grupo Parlamentar do PSD recebeu um conjunto de informações preocupantes sobre a adopção de critérios partidários na designação destes ‘gestores de edifícios’ nas escolas que já foram requalificadas”.
Os deputados do PSD querem que a Ministra da Educação informe sobre que escolas secundárias têm já designado um “gestor de edifício”, sobre os critérios que presidiram à escolha destes “gestores de edifício” e querem saber que competências lhes estão acometidas e onde estão as mesmas definidas. Os parlamentares perguntam ainda se o Ministério da Educação, para além da figura do “gestor de edifício” o Ministério já tem definido o modelo global de gestão e requerem informações sobre as personalidades ou entidades que participaram ou foram ouvidas na definição do modelo.

O banquete é nosso

É exactamente por aqui que as ratazanas entram e uma parte substantiva do queijo se vai.
A tragédia de o país ter que levar em cima com uma geração de políticos medíocres, sem ética e sem vergonha na cara, que não revelam qualquer escrúpulo em estoirar "à grande e à francesa" o dinheiro que é de todos.

Toda uma tropa fandanga

Contra-mão 
SÓCRATES PARECE aqueles velhinhos que se metem pelas auto estradas em contra-mão, com o Teixeira dos Santos no lugar do morto, a gritarem que os outros é que vêm ao contrário. De rabo entre as pernas, fartinhos de saberem que estavam errados, não conseguem agora disfarçar o mal que nos fizeram. Ainda estão a despedirem-se, agradecidos, do Constâncio, e já deram a mão a Passos Coelho, que lhes jura que conhece uma saída perto e sem portagem. Estamos bem entregues!
Vão-nos servindo a sopa do Sidónio, à custa dos milhões que ainda recebem da Europa, andam pelo mundo fora sem vergonha, de mão estendida, a mendigar e a rapar tachos, tratados pelos credores como caloteiros perigosos e mentirosos de má-fé. Quando Guterres chegou ao Governo, a dívida pouco passava dos 10% do PIB. 15 anos de Guterres, Barroso,Santana, Sócrates e de muitos negócios duvidosos puseram-nos a dever 120% do PIB.
Esta tropa fandanga deu com os burrinhos na água, não serve para nada e o estado do próprio regime se encarrega de o demonstrar. Falharam todas as apostas essenciais. Todos os dias se mostram incapazes.
Mas com o Guterres nos refugiados, o Sampaio nos tuberculosos e na Fundação Figo, o Constâncio no Banco Central e o Barroso em Bruxelas, a gente foge para onde?!
Joaquim Letria

In 24Horas, 04/05/2010

Depois do sumiço das Actas, só mesmo o eclipse das Moções

Neste artigo que recebi do Paulo Ambrósio e que aqui divulgo, são bem visíveis os velhos métodos de depuração auto-interessada da verdade e da realidade.
Para mim, está fora de questão envolver-me com esta gente em mais folclore de luta ou contestação, seja ele qual for, pois não passo mais "cheques" em branco a quem depois os preenche ou os esconde a contento e contra o juramentado
.


O triângulo das Bermudas
Paulo Ambrósio - artigo de opinião
Ontem (dia 26) à tarde, esta informação chegou a estar, por breves momentos, online no site do SPGL:
Moções Aprovadas
Frentes Trabalho » Contratados e Desempregados » Moções Aprovadas
Plenário de Professores e Educadores Contratados e Desempregados - dia 22 de Maio de 2010
Sábado, dia 22 de Maio, decorreu mais um plenário de Professores e Educadores Contratados e Desempregados, no SPGL, que teve como principal eixo de discussão a vinculação destes professores e a exigência de Concurso em 2011, tal como ficou acordado a 7 de Janeiro entre o ME e as organizações sindicais. O PEC e suas consequências, gravosas para a generalidade dos trabalhadores do país, mas muito mais para quem está a contrato ou a recibo verde, também foi um dos pontos que ocupou grande parte das intervenções. As decisões tomadas e respectiva acção reivindicativa, constam nas várias moções aprovadas, prova irrefutável da participação interessada destes professores  e educadores.
Mas ao fim do dia, esta informação já se tinha eclipsado, caído num buraco negro, ou entrado no "triângulo das Bermudas", como podem constatar aqui.

"O Triângulo das Bermudas (também conhecido como Triângulo do Diabo) é uma área de aproximadamente 1,1 milhão de km², situada no Oceano Atlântico entre as ilhas Bermudas, Porto Rico e Fort Lauderdale (Flórida). A região notabilizou-se como palco de diversos desaparecimentos de aviões, barcos de passeio e navios, para os quais popularizaram-se explicações extrafísicas e/ou sobrenaturais.
Uma das possíveis explicações para estes fenômenos são os distúrbios que esta região passa, no campo magnético da Terra. Um dos casos mais famosos é o chamado voo 19. Muito embora existam diversos eventos anteriores, os primeiros relatos mais sistemáticos começam a ocorrer entre 1945 e 1950. Alguns traçam o mistério até Colombo. Mesmo assim, os incidentes vão de 200 a não mais de 1000 nos últimos 500 anos. Howard Rosenberg afirma que em 1973 a Guarda Costeira dos EUA respondeu a mais de 8.000 pedidos de ajuda na área e que mais de 50 navios e 20 aviões se perderam na zona, durante o último século.Muitas teorias foram dadas para explicar o extraordinário mistério dos aviões e navios desaparecidos. Extraterrestres, resíduos de cristais da Atlântida, humanos com armas antigravidade ou outras tecnologias esquisitas, vórtices da quarta dimensão, estão entre os favoritos dos escritores de fantasias. Campos magnéticos estranhos, flatulências oceânicas (gás metano do fundo do oceano) são os favoritos dos mais técnicos. O tempo (tempestades, furacões, tsunamis, terremotos, ondas, correntes), e outras causas naturais e humanas são as favoritas entre os investigadores céticos."
in Wikipédia
Depois das Actas, onde páram as Moções?
As Actas Negociais andam há meio ano desaparecidas e a sua demanda está tão infrutífera como as que foram feitas aos aviões e navios desaparecidos no Triãngulo das Bermudas. Imaginamos porquê...
Mas nem só as Actas levaram sumiço, igualmente tudo o que a elas aluda, pelos menos em certos meios e sites sindicais, como a Moção D aprovada por unanimidade no Plenário de Contratados e Desempregados do SPGL no passado Sábado - Duvidam? Ora leiam aqui.
Onde páram as Moções? Quem e nos livra desta aflição e nos ajuda a resolver o mistério do Triângulo das Bermudas?
Se as querem mesmo ler, esqueçam o sítio ali de cima e procurem antes nestes:
http://educar.wordpress.com/2010/05/26/divulgacao-33/
http://apede08.wordpress.com/2010/05/26/a-pedir-reflexao-urgente-mocoes-aprovadas-no-plenario-de-contratados-do-spgl-22-de-maio/
http://oestadodaeducacao.blogspot.com/2010/05/professores-do-spgl-censuram-assinatura.html
http://movimentopromova.blogspot.com/2010/05/mocoes-aprovadas-no-plenario-de.html
http://octaviovgoncalves.blogspot.com/2010/05/mocao-de-uma-estrutura-do-spgl-fenprof.html
http://www.saladosprofessores.com/index.php?option=com_smf&Itemid=62&topic=18645.msg157241#msg157241

E amanhã, talvez noutros, ainda com maior "tiragem e audiências"...

A verdade não veio de Mota

Definitivamente, Mota Amaral fez tudo o que estava ao seu alcance para obstruir o acesso à verdade por parte da Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso PT/TVI. Não foi, pois, por Mota Amaral que os portugueses puderam ficar a conhecer a verdade nua e crua relativa ao (mau) carácter do primeiro-ministro que lhes saiu na rifa. Com a sua decisão de proibir a utilização do material contido nas escutas, Mota Amaral desprestigiou e esvaziou a eficácia das Comissões de Inquérito, assim reduzidas a meros rituais retóricos, além de que prestou um péssimo serviço à transparência, à verdade e à dignidade que deve presidir ao desempenho de funções políticas.
Mota Amaral deve uma explicação cabal ao país e bem pode começar por responder às questões que Santana Castilho colocou na sua crónica do jornal Público:
- o que levou Mota Amaral a pedir as escutas, sabendo que não podiam ser utilizadas?
- o que mudou entre o momento do pedido e o momento da proibição das mesmas?
- a proibição deveu-se ao facto de as escutas conterem informações "avassaladoras" para quadros do PS e que desacreditariam o depoimento escrito de Sócrates?
Vale a pena ler o texto (em baixo) de um reputado académico para se constatar o carácter incompreensível da decisão de Mota Amaral.
Tendo em conta o nervosismo evidenciado por Mota Amaral na forma como conduziu a Comissão de Inquérito e decidiu a proibição da utilização das escutas, é caso para perguntarmos: o que tanto inquieta ou inquietou Mota Amaral?
E não lhe adianta vir, agora, com manobras de diversão, alimentando o debate demagógico à volta da redução do número de deputados, algo que fere a maior representatividade e prejudica os pequenos partidos.

O Inquérito Parlamentar ao caso PT-TVI

Dinamizar uma cultura de revolta

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In Público, 26/05/2010
Obrigado, Zé!
Santana Castilho procede, nesta crónica, a uma denúncia magistral do estado da choldra em que um conjunto de políticos desacreditados transformaram o país e onde construíram um edifício legislativo e (i)moral rançoso, com o qual afundam o país e vão protegendo larápios, mentirosos ou chico-espertos de circunstância.
Particularmente escandalosas e absurdas são, tanto a cobertura que o PS e o Parlamento dão a um deputado que furta gravadores, como a proibição (suspeita) da utilização das escutas no caso da óbvia tentativa de controlar e silenciar a informação incómoda da TVI. Era importante que Mota Amaral respondesse publicamente às questões levantadas por Santana Castilho.
Talvez seja chegado o momento de superarmos a fase de denúncia e de contestação na comunicação e nos blogues, dinamizando-se socialmente uma verdadeira cultura de revolta. Para este movimento de cidadania contamos com a inteligência, a lucidez e a liderança de Santana Castilho.
Vamos a isso, contra o marasmo nacional?!...

Agarra que é ladrão!

É o que apetece gritar depois da leitura da crónica de Miguel Esteves Cardoso, no jornal Público, que pode ser acedida AQUI...

Acabar com o refugo e com as injustiças na política portuguesa

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In Público, 26/05/2010
Obrigado, Zé!
Há, entre os políticos portugueses, um refugo de gente que rouba, mente ou conspira e se furta, escandalosamente, à sanção judicial, ética ou política, escondendo-se atrás de subterfúgios legais (que eles próprios instituíram para se protegerem) e de justificações cobardes para não assumirem as responsabilidades pelas suas condutas ou decisões.
Desta forma, contribuem para agravar a percepção de que existem cidadãos de primeira e cidadãos de segunda, como este artigo notavelmente denuncia.
É imperativo e urgente que se estabeleça um rigoroso código de conduta para políticos, de forma a impedirem-se actos, decisões e justificações a que vamos assistindo atónitos e escandalizados, as quais degradam a vida social, aprofundam as desigualdades e enlameiam a nobreza da política.
Em relação à ausência de equidade e à exploração dos pobres, torna-se necessário investir numa verdadeira mudança social que só a formação escolar pode propiciar, alterando mentalidades e tornando as pessoas mais críticas, mais exigentes e mais assertivas na defesa dos seus direitos e na exigência de um tratamento equitativo.

Quarta-feira, 26 de Maio de 2010

Moção de uma estrutura do SPGL (Fenprof) contesta Acordo de Princípios e estranha a não divulgação das Actas

Recebida do Paulo Ambrósio
É este o texto da Moção aprovada, por unanimidade, no Plenário de Professores e Educadores Contratados e Desempregados do SPGL, onde se expressa, quer a insatisfação face ao Acordo de Princípios e à não auscultação dos professores relativamente à aceitação do mesmo, quer a estranheza face à não divulgação das Actas da reunião que congeminou o vergonhoso Acordo.
As restantes Moções aprovadas podem ser consultadas AQUI...

Se não dás boas notas, estás tramado

Informação editorial e sinopse AQUI
Confesso que ainda não li o livro, pelo que a minha apreciação é genérica e susceptível de colidir ou poder ser contraditada por ideias específicas presentes no livro, pois a mesma suporta-se naquilo que conheço do pensamento do Professor Marçal Grilo e, em particular, nos princípios que, ontem, o próprio defendeu na SIC Notícias.
A minha curiosidade em relação à leitura do livro e o destaque que aqui lhe confiro, advêm de uma pré-avaliação de concordância com aquilo que me parecem ser as duas ideias-força que estruturam o livro e que aprecio sobremaneira:
- a convicção do autor que a escola deve ser reconduzida à sua função de ensinar conhecimentos e valores, recuperando-se a centralidade e a exigência dos processos de ensino-aprendizagem, assim como apostando-se numa sólida formação científica dos professores, com o concomitante desprezo pelos investimentos em burocracias e registos inúteis, em pedagogias de folclore e em evidências de faz-de-conta;
- a valorização do trabalho, da dedicação e do esforço.
A enfatização da importância do estudo é uma mensagem que vai no sentido certo, mas que peca por tardia em termos da sua oportunidade política, pois a mesma deveria ter sido publicamente afirmada quando as políticas educativas socráticas atacaram a motivação e a disponibilidade (uma idiota sobreocupação de tempo e competitividade de fachada) dos professores para investirem no processo de ensino-aprendizagem e pressionaram para o sucesso fácil e artificioso dos alunos.
Embora respeite a opção de Marçal Grilo em recusar o envolvimento político e a abordagem das questões que alimentam o conflito entre professores (que o próprio, de forma redutora e deslocada em relação ao que foi esta luta, confina aos sindicatos) e ministério da Educação, considero de uma grande ingenuidade admitir-se que é possível passar para os alunos, de forma convincente, a mensagem que dá título ao seu livro, no contexto desta educação socrática.
Só com muita tenacidade, segurança e confiança no seu trabalho docente é que alguns professores vão conseguindo resistir ao rolo compressor da pressão para a facilitação e para a trivialização das aprendizagens de um número crescente de alunos, que têm conduzido a um empolamento excessivo das classificações, sem os conhecimentos adquiridos e as competências desenvolvidas que correspondam a tais níveis classificativos, chegando-se ao desplante de muitos alunos com médias de 16 e 17 valores se auto-avaliarem com 19 e 20.
Esta pressão que advém de exames facilitados, de um ambiente geral de falta de exigência, de um modelo de avaliação absurdo que induz à confusão entre docência de qualidade e atribuição de classificações elevadas ou da fragilização pública da autoridade dos professores, acaba por conduzir a injustiças relativas para aqueles que mais estudam, que não vêem o seu empenho devidamente recompensado na diferença de notas face aos que não estudam, mostrando que, em termos de sucesso escolar (não digo de aprendizagem efectiva), nem todos os que não estudam se tramam.
A grande questão é esta: como articular a mensagem "se não estudas, estás tramado" com aquela que vai fazendo o seu caminho nas escolas e que exprimi na forma "se não dás boas notas, estás tramado" ou, ainda, com a consequente constatação de que "alguns não estudam e nem por isso se tramam"?

Terça-feira, 25 de Maio de 2010

Vêm aí mais Magalhães a pataco para os "meninos"

Desbaratinados e sem capacidade de reacção consistente e coordenada (as trapalhadas nos ministérios das Finanças e das Obras Públicas e Transportes assemelham-se cada vez mais a um teatro do absurdo, cujos actores perderam o senso e o sentido da realidade) face à situação crítica que o país atravessa, os governantes terão orientações superiores para irem para o terreno dinamizar a propaganda e a máquina de oferendas à custa do erário público. É nisto que o socratismo se especializou e é nesta dimensão que a governação se esgota.
O anúncio antecipado, e exactamente neste momento de desnorte governativo, de que vem aí uma segunda grande leva de computadores "Magalhães" a pataco insere-se nesta tendência.
Como já o escrevi recorrentemente, é uma lástima que, num país de escassos recursos financeiros, estes computadores não tenham sido alocados às escolas, permitindo uma utilização extensiva desta ferramenta que fosse susceptível de um uso proficiente e de uma adequada preservação. A própria alusão da ministra da Educação a "meninos" e não a "alunos" é bem elucidativa da perspectivação do computador "Magalhães" como um brinquedo e não, propriamente, como uma ferramenta pedagógico-didáctica.
Um governo sério e exigente, antes de proceder a uma nova distribuição, que também mobilizará o dinheiro dos contribuintes (a propósito, em que pé está o inquérito parlamentar à Fundação das Comunicações?), procederia a uma inquirição nacional que suportasse uma avaliação rigorosa do estado de funcionamento dos computadores, da natureza da utilização que tem sido feita, das dificuldades experimentadas ou do destino que foi dado a muitos desses computadores, de forma a corrigirem-se ou melhorarem-se erros e constrangimentos na definição e implementação do projecto.
Mas, ao contrário do que se pretendeu impor irracionalmente a outros, os governos de Sócrates fogem da sua própria avaliação como "o diabo da cruz".
Até porque a percepção geral é a de desperdício e esbanjamento.

Um miúdo mau que quer sobreviver, mas que cairá sem estilo

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In Público, 25/05/2010
Obrigado, Zé!

Assim vai o estado de ânimo do PSD

Na expectativa, a bater belas "sonecas", lânguido, colaboracionista e displicente.
Mais logo, e mais a sério, fundamentarei o decepcionante estado actual do PSD.

Prepara-se o regresso do PSD ao Governo

A Portugal Telecom, preocupada em virar a página relativamente à influência Sócrates-Lino-Rui Soares não deixará de apresentar uma versão "laranja(s)" do Sapo.
Fica, aqui, um exemplar inspirador.

O Plano Tecnológico ao serviço da natalidade

Governo já tem alternativa ao TGV

Segunda-feira, 24 de Maio de 2010

Nem Actas, nem desatas

O que esteve em causa por omissão e abdicação da defesa das principais reivindicações dos professores, na assinatura do Acordo de Princípios, foi demasiado grave para que possamos deixar cair a exigência da publicitação das actas das respectivas reuniões que ocorreram no fatídico dia 7 de Janeiro de 2010.
Seremos pacientes, mas confesso que começa a raiar o absurdo e a legitimar todas as suspeições esta demora na divulgação pública das actas.
Todavia, compreendo que, eventualmente, não esteja a ser fácil adequar o texto de forma a que o mesmo possa acolher o sortilégio da superação do princípio de não contradição, pois, quando duas partes afirmam o contrário uma da outra a propósito do mesmo assunto e em relação ao mesmo momento, dificilmente haverá lugar a uma síntese ou a duas verdades em simultâneo. Até por curiosidade face à forma como se poderia vencer uma impossibilidade lógica.
Aguardaremos expectantes, pois é demasiado relevante os professores ficarem a conhecer quem vem mentindo em todo o processo rocambolesco da vergonhosa validação das classificações resultantes de um processo de avaliação que foi uma FARSA.

Revelação inesperada...

...e até algo sacrílega, no que representa de usurpação nada canónica de poderes por parte do Filho relativamente ao Pai.

O importante é que não se saiba

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In Público, 24/05/2010
Obrigado, Zé!
Excelente artigo!
Como já tinha defendido, tratou-se de uma decisão incompreensível, insensata e desprestigiante do Sr. Prudência, a qual amputa gravemente a democracia nos seus pilares fundamentais do direito à informação, à transparência e à verdade. Uma nódoa!

Há emprego e ganha-se bem na "quinta" do Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais

Em plena época de aperto financeiro e de imposição de sacrifícios a milhões de portugueses que vivem do (parco) rendimento do seu trabalho, o regabofe destas nomeações políticas incorpora duas dimensões de indiscutível défice de formação democrática e de ausência de decoro:
- num contexto de dificuldades na obtenção de emprego, por parte de milhares de licenciados, mestres e doutores, estes governantes agem como se o Estado fosse uma sua "quinta" e furtam-se à justiça e à transparência do concurso público que garantiria condições de igualdade e de oportunidade de acesso ao trabalho a todos os cidadãos licenciados em Direito, ao invés destas vergonhosas contratações de padrinho. Aliás, a existência de uma grande procura de emprego, na área do Direito, constituiria para o Estado uma garantia de poder contratar efectivamente os melhores, de acordo com os critérios de selecção estabelecidos. E não me venham com a questão da confiança política, pois trata-se, aqui, tão-só de trabalho técnico-jurídico;
- tendo em conta, quer o vencimento médio dos licenciados na função pública, quer a possibilidade de existirem recursos humanos no Estado, excedentários ou não, capazes de desempenhar este serviço, o vencimento aqui proposto é um autêntico escândalo e ilustra bem como a política de contenção salarial na função pública está ao serviço do financiamento da contratação política à tripa forra.
Desculpem-me, mas eu, que trabalho há 22 anos e que possuo qualificações académicas acima de licenciado, não tenho que me privar de mais 1,5% do rendimento do meu trabalho para suportar o vencimento da licenciada em Direito, Mafalda Moreira, obscenamente acima daquilo que eu e milhares de outros funcionários públicos qualificados ganhamos.
Que sorte teriam os milhares de licenciados, mestres e doutores que se encontram em situação de desemprego ou de trabalho mal remunerado se pertencessem ao círculo das relações políticas ou íntimas deste (ou de outro) governante.
Depois das nomeações de filhas de ministros, de enteados do PS e de filhos do PS, como Rui Soares, Ascenso Simões e centenas ou milhares de outros, que sugam vampirescamente os nossos impostos, talvez seja chegado o tempo de se acabar com a sem vergonha do assalto partidário (seja de que partido for) ao Estado, antes que o povo perca a sua natural bonomia e comece a exigir justiça e decência.

Domingo, 23 de Maio de 2010

Chá de Marcelo

Confesso que, apesar do tradicional carácter flutuante e retentivo dos comentários de Marcelo Rebelo de Sousa, tinha alguma expectativa relativamente ao seu regresso ao ecrã da TVI, por duas razões fundamentais: a sua recente afirmação de que Sócrates mente sistematicamente e a ideia, que o próprio passou, de que as suas intervenções televisivas causariam azia a alguns políticos ou uma espécie de angústia ao jantar.
Digamos que esperava uma bebida abrasiva para acompanhar o jantar, mas o que Marcelo nos ofereceu, relativamente à situação política actual e, especificamente, ao papel de Sócrates na mesma, foi o seu habitual e inofensivo chá de Marcelo.
Falta a Marcelo a força das convicções e a coerência das ideias que contrariem a sensaboria comum da resignação à mentira e à mediocridade de Sócrates, não se conformando com a fatalidade de termos um primeiro-ministro que “mente sistematicamente”.
Por vezes, fico com a ideia que a preocupação de Marcelo não é tanto influenciar a opinião pública, mas, antes, reflectir a vox populi, procurando agradar à maioria, quem sabe, a caminho de uma qualquer trajectória de candidatura presidencial futura.
A análise de Marcelo Rebelo de Sousa começa a ser tal, que dá a entender que com a qual ou sem a qual a política portuguesa continuará exactamente igual.
Não tenho dúvidas que com Marcelo ao leme, certamente não nos ficaríamos pelo Restelo, mas nunca chegaríamos à Índia, permanecendo a meio caminho e mudando de rumo ao sabor dos ventos circunstantes.
Há uma variável que, tanto Marcelo, como Cavaco Silva, ainda não integraram nos seus sistemas de avaliação do momento político actual e que é a seguinte: com Sócrates à frente do Governo, a maioria dos portugueses não se mobilizará para mexer uma palha que seja, pois não está disponível para continuar a alimentar a propaganda e a “cagança” de Sócrates.

Não há circo e jardim zoológico na Covilhã?

Não há, mas devia haver, de forma a que o povo pudesse ter ocupação nos dias de lazer.
Embora a Federação não esteja isenta de culpas, nas cenas lamentáveis de apupos à selecção de futebol que hoje ocorreram na Covilhã, pois não me parece razoável, nem criarem-se expectativas às pessoas que não são cumpridas, nem, muito menos, fazer negócio com os treinos da selecção (era preferível terem criado um programa nacional que premiasse os melhores alunos, por escola, em comportamento e em rendimento escolar, permitindo-lhes assistências pouco numerosas e controladas nos treinos), penso que o povo se deve consciencializar que os jogadores estão ali para trabalhar e não para lhes oferecer qualquer tipo de espectáculo.
Sejam profissionais e trabalhem no duro e à porta fechada, apenas enfocados na aquisição da forma física e da disciplina táctica requeridas pela exigente competitividade de um mundial de futebol.
Os jogadores estão assim tão emocionalmente carentes que necessitem de massagens permanentes ao ego e de cócegas à auto-estima?
É óbvio que o povo português está com a selecção e a apoia incondicionalmente, sem que sejam necessárias manifestações diárias disto mesmo, que apenas perturbam e distraem os treinos.
Deixem-se de espectáculos circenses e de folclore. Concentrem-se exclusivamente no trabalho. Ponham os olhos no profissionalismo de Mourinho.

Quis enfrentar o eduquês? Só pode ser piada!

Clicar na imagem para aumentarIn Público, 23/05/2010
Obrigado, Zé!
Embora partilhe a postura anti-eduquês, parece-me uma crónica muito generalista, sem concretizar as alternativas ao eduquês, que existem e se situam nos antípodas da educação socrática, a qual não vi aqui devidamente zurzida.
Como tal, estranho que o autor da crónica admita que Sócrates teve a intenção de enfrentar o eduquês, porque ou se trata de desconhecimento do que foi e é a essência das políticas educativas de Sócrates, baseadas em processos e práticas inconsistentes e destituídos de seriedade, além de uma atitude hostil relativamente aos professores, ou, então, é um equívoco completo na sua reflexão sobre o que deve ser uma escola pública exigente e dignificada.

É a dívida, estúpido!

Capa do Expresso, 22/05/2010
Foram necessários cinco anos, com custos incomensuráveis em termos de crispação social e política, de ruína financeira do país, de ataques gratuitos à dignidade de inúmeros profissionais ou, para citar apenas uma área da governação absolutamente falhada, de degradação da escola pública (com atitudes e políticas destituídas de senso), para que a erudição política e jornalística nacional despertasse do seu estado letárgico e começasse a interiorizar que Sócrates não dispõe de condições pessoais para governar o país.
Pois, bem-vindos ao clube daqueles que sempre defendemos que este primeiro-ministro não passa de um incompetente atrevido.
A relação doentia que este personagem tem com a verdade e com a humildade democrática advém-lhe, fundamentalmente, de um funcionamento pessoal que se enquadra no assim designado erro fundamental de atribuição:
- sempre que está perante situações ou indícios de sucesso, incorre em atribuições internas, hiperbolizando o seu mérito e intervenção, nem que para tal tenha que lançar mão de falácias de causalidade e de correlações ilusórias;
- quando se confronta com situações ou indícios de fracasso, envereda pelo estilo de atribuição externa, procurando as razões e as causas em situações ou constrangimentos que lhe são exteriores e que não o responsabilizam ou comprometem.
É isto que, de forma ostensiva e obsessiva, o leva a desejar aparecer associado a resultados positivos, sejam eles quais forem, assim como a evitar a assunção de responsabilidades pessoais sempre que os resultados são negativos ou decepcionantes.
É, precisamente, este espartilho mental que enquadra as explicações de Sócrates para a crise que o país experiencia.
Nenhuma responsabilidade pessoal e busca de razões na crise internacional, nos ataques especulativos ao euro e no aumento do défice, imputado a uma estratégia europeia comum de combate à crise. Daí que as medidas de austeridade não sejam consequência da sua governação e das suas inércias e irresponsabilidade política.
Neste particular, é estranho que o Presidente da República, emérito economista, ainda não tenha feito uma comunicação formal ao país, mostrando à evidência a parte do défice que resultou do investimento no combate à crise e a que resultou do descontrolo governamental, bem como provando que a nossa situação não é confundível com a da esmagadora maioria dos países da Europa, não por razões de défice, mas de dívida externa, ou seja, falar verdade aos portugueses.
Parafraseando, de forma mais circunscrita, a tirada de Bill Clinton numa pretérita campanha eleitoral americana, diria: "é a dívida, estúpido!", pois é o endividamento externo do país e a debilidade estrutural da nossa economia, para gerar a riqueza susceptível de honrar os compromissos de pagamento da dívida galopante, bem como a resposta tardia de Sócrates (compare-se com a prontidão da resposta irlandesa), que nos colocaram, destacadamente, na mira especulativa das agências de rating, precipitando o dramatismo nacional desta crise.
Ora, é exactamente nos domínios, quer do crescimento exponencial do défice (a que acresce a soma astronómica que já está hipotecada para futuro e o que viria a estar se os investimentos megalómanos "made in Sócrates" se concretizassem), quer da incapacidade para dinamizar uma economia competitiva e sustentada, que as responsabilidades do PS e, especificamente, de Sócrates são evidentes e insusceptíveis de serem cobardemente transferidas para bodes expiatórios, sejam eles as crises internacionais, os ataques especulativos ou qualquer outra escapatória de circunstância.

Combater a acédia

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In Público, 22/05/2010
Obrigado, Zé!
Um texto de José Pacheco Pereira que é de leitura obrigatória, tanto pelo diagnóstico certeiro que o deputado faz do estado de espírito actual (o qual também afecta a classe docente), como pela luz que lança sobre os meandros do caso PT/TVI e de como se estão a minar os fundamentos da própria democracia.
Nem sempre estive de acordo com Pacheco Pereira, particularmente quando o mesmo embarcou, de forma reflexa e superficial, na ilusão reformista de Maria de Lurdes Rodrigues, que fracassou por inconsistência e falta de seriedade, mas reconheço-lhe a inteligência, a argúcia analítica, a cultura, a coerência e a assertividade políticas que escasseiam à maioria dos políticos portugueses.
Particularmente, no que a Sócrates e à Comissão de Inquérito diz respeito, Pacheco Pereira tem a razão e os factos do seu lado.
Escutá-lo e exigir o apuramento de toda a verdade é um dever de cidadania e um acto de preservação da democracia.

Tratem-no, pá!

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In Expresso, 22/05/2010
Subscrevo tudo.
Apenas fico perplexo como foi preciso bater no fundo para que jornalistas, articulistas, comentadores e até alguns conhecidos "papagaios" do socratismo tenham acordado do seu longo e confrangedor estado hipnótico.
Mas, é sempre melhor tarde do que nunca.

Que diferença faz?

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In Expresso, 22/05/2010
A sua retórica está tão alienada da realidade que é, absolutamente, indiferente qual seja a língua a que recorra, porque estou convencido que já nem ele próprio consegue encontrar referenciais, fora da sua imagética fantasiada, para o seu discurso.
A linguagem deste homem não é, definitivamente, nem a casa do ser, nem o lugar do desvelamento da verdade.
Eu, pela minha parte, confesso que já nem suporto ouvi-lo!...

Sábado, 22 de Maio de 2010

Parabéns, Mourinho!

Devo a este homem alguns dos momentos de grande alegria e exaltação na minha vida. Desde a sua entrada no FC Porto que o considero o melhor treinador do mundo e os resultados falam por ele.
Hoje, voltei a sentir-me ganhador, porque Mourinho representa-me como amante do futebol e como português. Apenas lamento a sua ida para o Real Madrid, pois isso quebra uma trajectória de vitórias fantásticas sempre ligadas às tonalidades de AZUL, pelo que não tenho dúvidas que o seu lugar natural, agora, seria o clube "blaugrana", ou seja, o azul do Barcelona. Mas, mesmo não apreciando muito o elitismo madrilista, desejo-lhe a continuação do mesmo sucesso.
Parabéns a um vencedor que trabalha com afinco e competência para o poder ser.

Ao cuidado das autoridades fiscalizadoras da nudez

Ler mais AQUI

A quem interessa o jogo do esconde, esconde?

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In Público, 22/05/2010
Este artigo de Francisco Teixeira da Mota desmonta, em absoluto, a urdidura jurídica que suporta a decisão da proibição de utilização das escutas no caso PT/TVI, tornando incompreensível e despropositada a decisão de Mota Amaral.
É inadmissível que o direito à imagem e à privacidade (no caso PT/TVI nem sequer se trata da vida pessoal e íntima dos indivíduos) se sobreponha à necessidade de transparência da vida pública, ao direito à informação e à liberdade de imprensa, enquanto fundamentos basilares de um Estado de Direito, como é o caso da preservação de uma comunicação social livre e independente.
Os políticos e aqueles que desempenham funções de gestão, em consequência de nomeações políticas, têm a obrigação de adoptar um código de conduta escrupuloso, pelo que nenhuma norma legal ou constitucional pode proteger ou deixar impunes, quer derivas atentatórias das liberdades que escoram uma democracia livre e plural, quer actores mentirosos, falsários, protoditadores, corruptos ou pedófilos. Se assim não for, o Estado vê-se transformado num lodaçal e corre o risco de poder vir a acolher no seu seio práticas ou estruturas verdadeiramente mafiosas.
É importante que possamos vir a saber, agora ou no futuro, quem tem andado a proteger quem e, se for caso disso, por que motivos inconfessados.

O "tamanho" não conta

Publico com muito gosto mais uma importante reflexão do Professor João Ruivo, desta vez sobre a relevância de uma abordagem autónoma e pluridimensional do currículo.
Conhecedor, como poucos, da realidade escolar e da centralidade dos professores na mesma, não posso deixar de sublinhar a confiança nos professores e a valorização dos mesmos que transparece na seguinte passagem: "(...) sempre e quando cederem aos educadores a responsabilidade do exercício da sua profissionalidade na gestão autónoma dos currículos, o ensino revela-se mais eficaz, a aprendizagem melhora e a escola avança."
Deixo-lhe aqui um abraço de agradecimento pela forma como sempre compreendeu e defendeu as justas reivindicações dos professores, mas também uma nota de reconhecimento para o inestimável contributo que os seus textos emprestam ao aprofundamento das temáticas educativas e pedagógicas.

Se ainda houver alguém disponível para contribuir

Pela minha parte, perdi a motivação para colaborar com qualquer iniciativa legislativa ou outra que, directa ou indirectamente, tenha a ver com os (des)governos de Sócrates, pois considero que, a bem do bom senso, da seriedade e da transparência da escola pública, quase tudo o que foi produzido é para ir parar ao caixote do lixo.
Todavia, divulgo esta iniciativa, que é meritória e que deveria ter constituído a estratégia de actuação da Assembleia da República e do ministério da Educação, desde o início da governação socrática, mas, desgraçadamente, não constituiu.
Aliás, ressalvo a boa impressão que, apesar de tudo, o deputado Luís Fagundes Duarte me causou, aquando da minha ida a esta Comissão Parlamentar, em 2009, ao admitir que nem tudo ia bem na área da educação, contra a cega ortodoxia governamental e parlamentar nas hostes do PS, à época, pelo que é alguém que tem o meu respeito.


COMISSÃO PARLAMENTAR DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIA

Exmo. (a) Senhor (a)
Of. nº  212/8ª-CEC/2010
20.Maio.2010
Após aprovação na generalidade, encontram-se em apreciação na Comissão Parlamentar de Educação e Ciência, em sede de especialidade, uma proposta de lei apresentada pelo Governo e vários projectos de lei dos Grupos Parlamentares, de alteração do Estatuto do Aluno, a saber:
No âmbito desta apreciação e tendo em vista a recolha de contributos de todos os intervenientes na matéria, venho solicitar a V. Exa. o envio de parecer sobre as iniciativas legislativas referidas (remetendo quadro com o texto em vigor e com os de todas as iniciativas), com concretização das propostas alternativas de redacção que apresentem, se for o caso, até ao próximo dia 31 de Maio, por correio electrónico, para o endereço Comissao.8A-CECXI@ar.parlamento.pt
Aproveito para informar que no site oficial da Assembleia da República foi aberto um fórum de debate sobre o diploma em apreço.
Em caso de dúvidas ou necessidade de informação complementar, agradeço que contacte os serviços de apoio à Comissão.
Com a expressão dos meus melhores cumprimentos,
Luiz Fagundes Duarte
Presidente
Estatuto Do Aluno - Quadro Comparativo