Um murro de Santana Castilho na consciência de Passos Coelho e da elite política "laranja" (18-01-2012): As "natas"

Terça-feira, 31 de Agosto de 2010

Sempre a subir

Ao contrário do que seria de esperar (ou não?), a taxa de desemprego, em Portugal, voltou a bater todos os recordes, estando agora, e de acordo com o Eurostat (Gabinete de estatística da União Europeia), nos 11 %, ultrapassando-se a marca de 600 000 desempregados!
Pois, e infelizmente, cada vez se torna difícil tapar o Sol (não confundir com um hebdomadário que insiste em atormentar o governo da Nação) com uma peneira, ou seja, esconder a realidade, a que este governo nos conduziu. E alguém ainda acreditará que a culpa será apenas da “crise”, da falta de confiança de investidores (em relação a quem, já agora?), das agências de “rating”, da falta de um número adequado de nomeações políticas e outros quejandos? Começa a ser difícil fazer acreditar que o inferno são mesmo os outros!!!
Não seria, no entanto, de estranhar, mesmo nada mesmo, que viesse algum responsável a terreiro mostrando-se surpreendido por (mais) esta façanha, algo já experimentado no passado, quando a taxa de desemprego se situava nuns modestos 10,8 %...
Manuel Salgueiro

Síndroma da ambivalência

A apreciação que a Fenprof efectua das colocações de professores é paradigmática da forma ambivalente como esta estrutura sindical (a FNE, então, hibernou de vez) tem vindo a lidar com o ministério da Educação, particularmente desde a data da capitulação, ocorrida com a celebração do Acordo de Princípios.
A passagem que destaco a seguir não deixa dúvidas sobre a aproximação e a deferência da Fenprof para com esta nova equipa ministerial.
A referência ao "esforço do ME" é absolutamente ininteligível para os professores nas escolas, que não percebem que empenho foi esse que nem baixou os níveis de contratação, logo não abriu os lugares de quadro, nem permitiu que as contratações disparassem e daí o número avassalador de candidatos não colocados. Quase 40 mil professores, de acordo com os dados publicados, hoje, pelo DN.
Esta passagem, a passar a mão pelo "pêlo" da equipa ministerial, significa exactamente o quê em benefício dos professores e dos candidatos a professores, neste concurso?
Tinha-me convencido, ingenuidade a minha, que a Fenprof considerava inaceitável o concurso dos contratados, pela circunstância de o mesmo se encontrar pervertido pela inclusão de uma avaliação do desempenho que Mário Nogueira qualificou, recorrentemente, como sendo uma "farsa".
Mas, nada de contestação firme ao concurso dos contratados, porque isso ficará para os tribunais decidirem, depois de tudo estar consumado, ou seja, as ultrapassagens terem efectivamente ocorrido e os professores já se encontrarem a leccionar nas escolas.
Ao contrário do que alguns pretendem fazer crer, a Fenprof tudo tem vindo a fazer, desde Maio de 2009, para, na prática, esvaziar a luta dos professores e viabilizar o essencial das políticas educativas socráticas, por mais ameaças, engrossamentos de voz, processos judiciais, amuos ou pequenas aparições folclóricas que emerjam, de vez em quando.

A propósito de uma professora desencantada

In Público, 30/08/2010 (clicar na imagem para aumentar)
Obrigado, Zé!
Descontando a referência à anterior versão do Estatuto do Aluno (alguma desactualização da crónica), a obsessão pela diferenciação dos professores sem precisar ou clarificar as dimensões e os caminhos para essa diferenciação, assim como a ausência de enfoque nos dispositivos concretos de promoção das aprendizagens, no contexto de um ensino exigente, nomeadamente, os exames, no restante subscrevo tudo.

Segunda-feira, 30 de Agosto de 2010

Concursos que já não são o que eram

Encontram-se disponíveis, no sítio da DGRHE, as listas definitivas de colocação de professores, nas modalidades DACL, DCE, Necessidades Transitórias (Contratação) e Renovações.
Não procedi a qualquer análise de pormenor das listas, nem tenho particular motivação para o fazer, pelo que estes concursos me merecem apenas três notas breves:
- confirma-se a existência de dezenas de milhares de licenciados que, nos diversos grupos de docência, não obtiveram colocação e que verão frustradas as suas expectativas legítimas de trabalharem e serem úteis, o que diz bem da situação trágica de um país que, embora pouco qualificado e com cavados défices de desenvolvimento, é incapaz de acomodar profissionalmente recursos com formação superior;
- os concursos perderam as duas características mais distintivas e garantes da transparência e da justiça, ou seja, os princípios da universalidade e do respeito pela graduação profissional. Adulterada a graduação dos candidatos, por força da interferência, quer de uma avaliação de desempenho pouco séria e consistente, quer de  reconduções às pazadas, os concursos tornaram-se opacos e susceptíveis de entorses injustos e de favorecimentos pessoais;
- torna-se imprescindível a realização de um concurso, em 2011, tendente a garantir o ingresso nos quadros, de forma a poderem ser atenuadas ou corrigidas as distorções referenciadas na nota anterior.

Cansaço e desilusão

In Público, 29/08/2010 (clicar na imagem para aumentar)
Obrigado, Zé!

Um retrato fiel do estado de ânimo dos professores e do fracasso das medidas e da política educativa socrática, destacando-se algumas questões pertinentes que esta colega coloca.
Fico apenas um algo intrigado sobre que medidas de Maria de Lurdes Rodrigues compreendeu e relativamente curioso sobre o que deveria ser uma avaliação rigorosa dos professores.
Mais logo, postarei a 2ª parte deste desabafo, tal como saído, hoje, no Público.

E se os idiotas fossem obrigados a apresentar uma declaração de bom senso?

In Público, 28/08/2010
Obrigado, Zé!
Provavelmente, esta gente está convicta que, em cada lar, existe, pelo menos, um "Magalhães" operacional e ligado à Internet. Mas, o objectivo é tornar as pessoas dependentes e agradecidas, deferência que sempre se pode devolver em forma de voto, em relação aos "técnicos habilitados" da Segurança Social Indirecta (Mediada, talvez se adeqúe melhor).
Não fosse o reforço dos vínculos de dependência e a medida seria tão absurda que nem sequer me mereceria qualquer tipo de comentário, porque a estupidez da mesma é demasiado axiomática e ofusca tudo o mais à sua volta!...

A popularidade do encerramento de escolas

Daqui
São mais de 60% aqueles que, neste inquérito de opinião do jornal Público (online), estão contra o encerramento de escolas com menos de 21 alunos.
Talvez esteja aqui um bom indicador para Isabel Alçada dobrar a língua, quando remete a oposição ao fecho de escolas e à criação de Centros Escolares (de concentração) para um grupo radical divergente da maioria.
De igual forma, a instrumentalizada Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República devia repensar a sua decisão promíscua de permitir a captura do 5 de Outubro pela propaganda socratina, a qual vai celebrar, até ao nojo mediático, a construção de Centros Escolares (de concentração) que são um erro pedagógico e que, além de amputarem gravemente a República, decorrem de um encerramento impopular de escolas.
Tudo aponta para que a dita Comissão se tenha reduzido a uma Comissão Nacional para as Comemorações Socratinas do Centenário da República.

Para os anais dos reveses socratinos

Decorridos cinco anos lectivos submetidos a uma governação socrática, com tanto de arrogante, como de equívoca e mal sucedida, não restam dúvidas, para quem está no terreno, que a escola pública está, hoje, em muito pior estado de funcionamento e de ânimo do que estava em 2005.
Temos, na actualidade, uma escola pública:
- mais facilitista e com os alunos da escolaridade obrigatória pior preparados;
- mais crispada, conflitual e cobiçosa do ponto de vista das relações interpessoais, tendo-se institucionalizado um clima de competitividade mal-sã que tem vindo a arruinar o espírito cooperativo e colaborante entre professores;
- com professores mais frustrados, desalentados e expectantes no fim do socratismo, de forma a retomarem o caminho do entusiasmo na escola e de um ensino exigente;
- onde o folclore e a burocracia inútil e contraproducente tomaram o lugar da focagem na formação e preparação exigentes dos alunos;
- menos democrática, permitindo que vão medrando alguns pequenos ditadores disfarçados de directores;
- orientada, por opções economicistas, para concentrações impessoais e desumanizadas de alunos;
- com limitadas e condicionadas possibilidades de formação contínua;
- onde faz de conta que os professores se avaliam rigorosa e seriamente uns aos outros.
Claro, há edifícios recuperados, um Plano Tecnológico que está muito aquém das metas iniciais e computadores e quadros interactivos pedagógica e didacticamente subaproveitados.
Além desta herança global, já é possível apontar alguns reveses concretos de posturas e medidas apresentadas como emblemáticas, mas que a luta dos professores e o quotidiano escolar constrangeram o ministério da Educação e Sócrates a enfiarem-nas no saco largo da mediocridade e da incompetência.
Há, no entanto, outras medidas que são absolutos fiascos, mas que ainda não são reveses, pelo facto de ainda continuarem a vegetar, nas escolas, no limbo do faz de conta, como são as aulas de substituição, a avaliação do desempenho, as aulas assistidas, a certificação de incompetências no âmbito das "Novas Oportunidades", a planificação socialista da formação contínua dos professores, o desajustamento curricular e pedagógico das AEC's ou a prepotência de alguns directores.
Em termos de reveses consumados, a lista, apenas reportada ao domínio da educação, vai longa e com tendência para esticar:
- a figura do professor titular e os concursos para titulares;
- as grelhas, evidências e portefólios de uma avaliação do desempenho absurda;
- a real indiferenciação entre faltas justificadas e injustificadas, no contexto da versão de Maria de Lurdes Rodrigues do Estatuto do Aluno;
- as provas de recuperação,  no contexto da versão de Maria de Lurdes Rodrigues do Estatuto do Aluno;
- o discurso de confrontação e de hostilização pública dos professores;
- a ausência de concurso público para o "Magalhães".
Ainda a propósito de reveses, aguardo pelo momento em que um jornalista mais ousado questione Sócrates pela razão ou razões que o levaram a ter deixado cair do seu discurso a avaliação de professores como desígnio da sua governação?

Domingo, 29 de Agosto de 2010

Procuram-se professores-cobaias

Daqui
O modelo de avaliação é errado, já foi experimentado durante dois anos, com os processos, as dinâmicas e os resultados farsantes que se puderam constatar, mas, vá lá pessoal, mais um ano de experimentação não tem qualquer problema, para além de uns efeitos irrisórios, como:
- "entravar a vida normal das escolas";
- "interferir negativamente na qualidade de desempenho dos docentes";
- "criar novos focos de conflito entre os professores".
Pergunto-me: a Fenprof, conhecendo as consequências negativas da implementação do modelo de avaliação para a escola, para os professores e para os alunos, aceita e conforma-se, irresponsavelmente, que isto aconteça durante mais um ano lectivo?
A única atitude responsável perante um modelo errado não é acompanhar a sua implementação, mas antes rejeitá-lo e contestá-lo, nas escolas e, se for necessário, novamente nas ruas.

No próximo dia 5 de Outubro, suspenderei, por 24 horas, a minha condição de republicano

Daqui
Considero uma indecência e uma promiscuidade obscena que a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República se tenha deixado capturar pela máquina de propaganda de Sócrates, no sentido de permitir a instrumentalização político-partidária, porque Sócrates já anda em campanha eleitoral, de um dia e de uma comemoração que deviam ser de todos os portugueses, mesmo daqueles que discordam das opções políticas de Sócrates e que, particularmente no domínio da educação, se opõem frontalmente à criação de Centros Escolares que aí concentram e confinam crianças afastadas dos seus ambientes e contextos rurais, numa medida que é, do ponto de vista pedagógico, desenvolvimental, comportamental e organizacional (tanto em termos de sistema escolar, como de ordenamento e equilíbrio territorial), profundamente errada.
Aliás, as experiências internacionais melhor sucedidas, neste domínio, acontecem ao arrepio desta orientação socrato-socialista, com investimentos em escolas de pequena e média dimensão, mais humanizadas e mais próximas das populações.
Em muitos concelhos do país, os Centros Escolares são, tão-só, o símbolo de uma política que atenta contra os valores da República, tornando-a a ela própria e ao Estado mais exíguos e mais afastados dos contextos de vida  das pessoas, contribuindo, quer para a desertificação do território e para o fim da ruralidade e da interioridade, quer para a formação de uma geração de crianças e jovens a caminho do insucesso escolar e desacompanhada em contextos de relações impessoais (o que, na infância, é traumático do ponto de vista psico-afectivo). 
O que se vai comemorar, no dia 5 de Outubro, é uma República tendencialmente Litoralizada, o que me merece uma absoluta reprovação.
Mas, a maior vergonha advém do facto de a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República se permitir, com esta decisão de inaugurar Centros Escolares, partilhar com Sócrates a "cama" das suas políticas, predispondo-se a deixar que a propaganda governamental se aproprie do dia 5 de Outubro.
Como eu não me reverei nunca numa República instrumentalizada, adulterada, desqualificada e desacreditada por Sócrates, não me resta outra alternativa que não seja suspender, nesse dia, a minha condição de republicano.

Sábado, 28 de Agosto de 2010

Agora sim, o país começa a sair da crise

Hoje, conheceram-se três importantes indicadores que Sócrates não deixará de explorar, na cruzada desesperada e alucinatória que a sua máquina de propaganda (com a colaboração de uma comunicação social genericamente domesticada) vem organizando para lhe salvar a carreira política, absolutamente descredibilizada por estes dias. Refiro-me, concretamente ao seguinte:
- Roberto não sofreu golos;
- O Benfica venceu um Setúbal quase tão facilitista como as "Novas Oportunidades";
- Cavaco Silva regressou de férias e a "situação insustentável" está boa e recomenda-se, pelo que nada de "dramatismos", nem de "instabilidade política", pois a desgovernação de um Sócrates, em que a esmagadora maioria dos portugueses não confia (durante o ano de 2009, pensei que Cavaco Silva também não confiaria, mas devo ter-me equivocado), é para manter e preservar.
Na sequência do entulho e da retórica patética com que Sócrates vem enchendo, diariamente, as televisões, para aborrecimento de 73% dos portugueses que não confiam nele e para nojo de muitos milhares, senão milhões, entre os quais me incluo, que já nem o podem ver, quanto mais escutar, não espantará que este "raro" primeiro-ministro surpreenda, um dia destes, com a eventual inauguração, algures no estádio da Luz, de uma placa comemorativa da primeira grande defesa de Roberto, de forma a poder discorrer sobre a CONFIANÇA e a poder apresentar Roberto como o exemplo de que vale a pena confiar e continuar a gostar daqueles que erram e falham.

Se isto não é brincar com os professores

Daqui
Não vou perder muito mais tempo a desancar na incompetência e na irresponsabilidade dos representantes da FENPROF e da FNE que traíram as expectativas dos professores e assinaram aquela vergonha de "Acordo de Princípios", na sequência do que já havia acontecido com o "Memorando de Entendimento".
A demonstração cabal desse erro estratégico, e das suas consequências para os professores e para a escola pública, já a fiz por diversas vezes, neste blogue e no do PROmova, bastando consultar os posts publicados no decurso do mês de Janeiro de 2010.
Todavia, tendo tido um papel interventivo na denúncia da forma incompreensível e inaceitável como se deixou intocado o modelo de avaliação do desempenho herdado de Maria de Lurdes Rodrigues e como os sindicatos legitimaram a farsa da avaliação do 1º ciclo avaliativo, não posso abster-me de exprimir a minha indignação com o facto de a FENPROF repescar agora uma parte substantiva dos fundamentos com que, eu próprio e outros que se opuseram à celebração do Acordo, escoramos a nossa argumentação para atacar o negócio ruinoso da troca da aceitação do modelo de avaliação pelo esbatimento das quotas, no que fomos acusados do pior.
Tendo em conta que o principal móbil da luta dos professores era a não aceitação do modelo de avaliação do desempenho e, posteriormente, a rejeição da farsa em que se transformou o 1º ciclo avaliativo, ninguém percebe que os sindicatos tenham negligenciado e desrespeitado, leviana e irresponsavelmente, estas reivindicações, defraudando a confiança dos professores e espatifando o capital de luta de professores não sindicalizados, de professores sindicalizados e de movimentos de professores. Sobretudo, quando o que está em causa é de tal forma grave para professores e escolas, como o reconhece agora a FENPROF e passo a citar:
- "(...) o desenvolvimento do processo de avaliação constituirá um sério e preocupante entrave à vida normal das escolas, interferindo directa e negativamente na qualidade do desempenho dos docentes e criando novos focos de conflito entre os professores.";
- "Para a FENPROF, o modelo de avaliação que vigorará no próximo ano não se afasta, como deveria, do anterior e será um grave factor de perturbação com que as escolas se confrontarão já a partir do dia 1 de Setembro.";
- "(...) haja condições para alterar profundamente este errado modelo." 
As negociações, ocorridas em Dezembro de 2009 e Janeiro de 2010, com um ministério da Educação politicamente fragilizado, é que constituíram o momento único para alterar profundamente o modelo errado.
Desculpem-me, mas estas afirmações da FENPROF, porque são verdadeiras agora como o eram em Dezembro de 2009 e em Janeiro de 2010, não traduzem uma postura séria de representatividade dos professores.
E mais não afirmo, pois os professores são pessoas cultas e inteligentes, pelo que podem e devem tirar as suas próprias ilações.

Sexta-feira, 27 de Agosto de 2010

Arrancamos com Sócrates

Desta vez, são mesmo reflexões de Pablo Romero acerca de Sócrates, o filósofo grego. Podem ser escutadas no gadget aqui disponibilizado ou neste sítio, sucedendo-se mais reflexões sobre outros filósofos.

Responsabilidade do CDS-PP em mais um rombo na (in)competência do socratismo

Embora fique aquém do desejável, quer em termos do restabelecimento da autoridade e respeitabilidade dos professores, quer no plano da defesa de uma escola pública pautada pela disciplina e pela exigência, é verdade que as alterações ao Estatuto do Aluno introduzidas pelo CDS-PP melhoraram o documento, mas também permitiram pôr a nu a arrogância com que Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues e Valter Lemos andaram a propagandear as virtualidades de um Estatuto do Aluno que toda a gente compreendeu à época, excepto este trio de políticos "raros", que era errado e incompetente.

Exmo(a). Senhor(a),
Foi ontem, 25 de Agosto de 2010, promulgado, pelo Sr. Presidente da República, o diploma relativo ao Estatuto do Aluno, aprovado na Assembleia da República a 22 de Julho p.p., e que teve como base a proposta apresentada pelo CDS.
O CDS entende que este é um diploma fundamental para recentrar a vida da escola no que é essencial, a aprendizagem sustentada dos alunos, assentes no reconhecimento do trabalho, do empenhamento, do rigor e da responsabilidade.
O diploma, agora promulgado, se por um lado reconhece no seu texto, pela primeira vez, o mérito dos alunos, quer nos desempenhos escolares, quer nas atitudes demonstradas em defesa de valores socialmente relevantes, por outro constitui-se como uma ferramenta de trabalho que permite uma actuação rigorosa e célere, face aos actos de indisciplina e/ou violência, assente no princípio da responsabilidade, para que a Escola cumpra o seu objectivo no seio do Sistema Educativo.
Assim neste diploma, entre outras alterações, o CDS entendeu que deveria fazer aprovar matérias sobre as quais era urgente intervir, nomeadamente:
A afirmação da autoridade dos Professores:
       O Estatuto do aluno passa a ter um artigo específico sobre a autoridade do professor que abrange os domínios pedagógicos, científico, organizacional disciplinar e de formação cívica;
       A lei consagra que a autoridade do professor se exerce dentro e fora da sala de aula, nas suas instalações ou fora delas, no exercício das suas funções;
       Passa a ser obrigatória a comunicação pelo director da escola ao Ministério Público e à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, dos factos especialmente graves que possam constituir crime, quer sejam as agressões praticadas contra docentes, não docentes ou alunos;
       Em consequência da ordem de saída da sala de aula fica prevista a possibilidade do professor marcar uma falta injustificada, que penaliza efectivamente o aluno pelo seu comportamento;
       Nos termos da lei as agressões praticadas sobre os professores, no exercício das suas funções ou por causa delas, determinarão o agravamento das penas aplicadas.
A valorização da assiduidade, e novo regime de faltas:
       Retoma-se a distinção entre faltas justificadas e faltas injustificadas, e seus efeitos, com limites precisos na lei;
       Quando o aluno atinge metade das faltas injustificadas os pais e/ou encarregados de educação são chamados às escolas;
        O aluno que ultrapassa o limite de faltas injustificadas tem de cumprir um Plano Individual de Trabalho (PIT), fora do horário escolar;
       O Plano Individual de Trabalho só ocorre uma vez por ano lectivo, com avaliação feita pelo Conselho de Turma;
       Se o aluno incumprir o PIT, continuando a faltar injustificadamente, passa a prever-se no novo estatuto a sua retenção, no ano de escolaridade em que se encontra;
       No ensino básico, dentro da escolaridade obrigatória, perante a iminência de abandono escolar o director tem a possibilidade de propor um currículo que o direcciona para uma via mais profissionalizante;
       Terminam as provas de recuperação.
Um processo disciplinar mais rápido e mais eficaz:
       De acordo com o actual estatuto o processo disciplinar demora no mínimo três semanas, no novo estatuto o processo disciplinar tem que estar decidido ao fim de 6 dias;
       Todos os procedimentos foram simplificados;
       As notificações passam a ser feitas por e-mail, telefone ou via postal simples, evitando que a “fuga” à notificação permita o arrastamento do processo, ou a sua anulação;
       É acrescentada uma nova medida disciplinar correctiva: a Advertência que visa ter um efeito dissuasor dos comportamentos desajustados;
       Nova medida disciplinar sancionatória: suspensão do aluno por um dia, a aplicar pelo director, sem processo disciplinar e com marcação de falta que visa agir imediata e efectivamente sobre situações mais graves.
Uma cultura de responsabilidade na escola:
       Clarifica-se no novo estatuto que a responsabilidade dos alunos implica direitos e deveres;
       Acrescenta-se o dever de pontualidade do aluno, na sala de aula e nas actividades escolares de frequência obrigatória;
       Consagra-se a responsabilização dos pais pelo cumprimento dos deveres de assiduidade e disciplina dos seus filhos e/ou educandos;
       Consagra-se que o aluno não pode prejudicar os outros alunos no seu direito a aprender;
       Prevê-se expressamente a reparação dos danos provocados ao património da escola e dos membros da comunidade educativa, como medida a aplicar pelo director;
       Fica prevista a constituição de equipas multidisciplinares que visam especificamente identificar e prevenir situações problemáticas de alunos e fenómenos de violência;
       Institucionaliza-se o relacionamento entre o Director e a Associação de Estudantes.
Face ao novo Estatuto do Aluno e no âmbito da sua autonomia, os agrupamentos de escolas e as escolas não agrupadas, irão aprovar em sede de Conselho Geral, as alterações elaboradas pelo seu Director, tendo em conta as propostas apresentadas pelo Conselho Pedagógico, ao seu Regulamento Interno, de forma a compatibilizar os dois documentos.
No respeito pela elaboração de um instrumento de autonomia, como é o Regulamento Interno, mas na óptica de um contributo, para a agilização do trabalho a desenvolver pelas escolas, tendo em conta que se trata de um documento fundamental de regulação da sua actividade, o CDS disponibiliza em formato digital, o texto do Estatuto do Aluno, como contributo para a celeridade da adequação pretendida, em cada escola, em função da diversidade dos modelos apresentados por cada uma.
Apresento os meus melhores cumprimentos.
Chefe de Gabinete do Grupo Parlamentar
João Casanova de Almeida

DECRETO N.º 47-XI

Trabalho a tempo inteiro?

Fixando-nos apenas no ano de 2010 e depois do caso das escutas, colateral à investigação sobre o processo Face Oculta, do caso Freeport e da acção interposta por Manuela Moura Guedes, os jornais deram hoje conta da existência de mais casos que, directa ou indirectamente, com razão de ser ou sem ela, envolvem Sócrates, pelo que dá a sensação que a Procuradoria-Geral da República quase se ocupa, em full-time, dos inúmeros casos em que o nome de Sócrates acaba por aparecer e parecer atingido (facto inédito a qualquer primeiro-ministro anterior a Sócrates, tornando-o também neste particular um "político raro").
Era bom que as diligências referenciadas, na notícia em baixo, pudessem, ao contrário de outras, ter resultados públicos, ficando-se a conhecer, tanto as motivações para proteger e para acusar Sócrates, como o apuramento completo, sem margens para dúvidas, sombras ou ocultações, das situações em que possam surgir suspeitas, sejam elas quais forem e doa a quem doer a investigação cabal e concludente das mesmas.
Esperemos que não venham aí mais despachos secretos de arquivamento ou destruição.
In Correio da Manhã, 27/08/2010

Daqui

Para uma melhor compreensão da opereta socrática do Estado Social

Daqui
A este proteccionismo à Banca, eventual moeda de troca pelo financiamento, quer das obras megalómanas do regime socratino, quer das parcerias estabelecidas entre as empresas amigas e acríticas, que aparecem nas fotos das sessões de propaganda, e o governo de Sócrates (não confundir com Estado, pois este devia ter regras claras e transparentes que fossem aplicáveis também àqueles que tivessem a coragem para criticar e não gostar de Sócrates) convém acrescentar os subsídios à EDP, Endesa e Galp para a produção de electricidade que implicarão um aumento de 1% no preço da mesma e que, mais uma vez, sairão do bolso dos contribuintes, os quais não foram ouvidos, nem achados, nesta decisão/opção de Sócrates.
É fácil subsidiar com o dinheiro dos outros, sobretudo, quando estão em causa empresas que obtêm milhões de euros de lucros anuais e que pagam vencimentos e prémios obscenamente milionários aos seus gestores.
A construção da imagem do paladino do Estado Social não passa de uma opereta bufa que tem em Sócrates o principal protagonista das pantominas (políticas) aí representadas.

A difícil arte de ensinar Filosofia

Parte da capa do Sol (27-08-2010)
É uma dramática ironia histórica que o nosso país, por inalienável responsabilidade do socratismo, se esteja a ver grego com as dificuldades económicas e financeiras, ao mesmo tempo que continua a ser governado por um Sócrates que não apenas está nas antípodas do Sócrates grego, como goza do jeito para defender ideias e assumir posições diametralmente opostas às defendidas por ele próprio.
É expectável que a arte de ensinar Filosofia, entre nós, se venha a tornar mais difícil e paradoxal, dada a eventualidade de alguns alunos, nas suas reflexões caseiras, se poderem vir a sentir absolutamente confundidos com a factualidade de algum Sócrates, alguma vez, poder associar-se com a estratégia e a postura "dicrânica" que aprenderam como sendo típicas dos sofistas.
Tempo perdido o do Sócrates filósofo.

Revolução, revolução, era uma "licenciatura zero"

Sócrates anunciou, ontem, com a pose e o tom de delegado de propaganda governativa, uma medida prevista no Simplex e designada por "licenciamento zero".
Não me espanta a reacção entusiasta das organizações empresariais, mas compreendo mal a receptividade positiva de alguns representantes de Câmaras Municipais. Já, em relação a Sócrates, esta medida apenas vem confirmar, quer a sua grave alienação da realidade nacional, quer a orientação das suas políticas no sentido da desgovernação, de bandalheira e da anarquia.
Estamos a falar de estabelecimentos comerciais que vão poder abrir portas ao público, podendo alguns colocar gravíssimos problemas de saúde pública e/ou de segurança, sem qualquer fiscalização prévia.
Quem assegura a existência de condições higiénico-sanitárias (espera-se pela ocorrência de algum problema), o cumprimento de normas de segurança para clientes, a segurança contra incêndios (se deflagrar algum, depois actua-se), a realização e testes de ruído (alguém se há-de queixar) ou a correcta exaustão de fumos e controlo de cheiros (eu próprio e demais condóminos já passamos por um calvário judicial contra uma tentativa de instalar uma padaria, no rés-do-chão do prédio onde morava, a qual exalava fumo e cheiros por vários apartamentos)?
Depois da desgovernação/bandalheira nas escolas, pressionando para o facilitismo e colocando os professores a desenrascarem-se na avaliação de uns pelos outros, sem quaisquer garantias de competência para tal e de imparcialidade...
Depois da desgovernação/bandalheira nas estradas, como já referenciei aqui, onde os condutores fazem o que lhes dá na gana, desde a velocidade excessiva à manutenção de conversações ao telemóvel, sem que se vislumbrem patrulhamentos e controlos fixos ou móveis, numa espécie de "vigilância quase zero"....
Sobre a justiça, recomenda o bom senso nem sequer se escrever nada...
Eis que se institucionaliza agora a desgovernação/bandalheira na constituição e funcionamento de pequenas empresas comerciais, permitindo a alguns empresários (felizmente, não todos) chico-espertos e destituídos de escrúpulos explorarem livre e irresponsavelmente a inexistência/mitigação da fiscalização, apenas para que Sócrates possa contrariar as estatísticas incómodas do encerramento de empresas.
Agora, uma medida fantástica e, ansiosamente aguardada por muitos milhares de recém certificados em banalidades e incompetências múltiplas, era a "licenciatura zero": os candidatos a licenciados requeriam o diploma de licenciatura, podendo ser por fax, para no dia seguinte estarem habilitados a exercer qualquer profissão com base nessa certificação rápida e de confiança, mesmo que não tivessem posto os pés nas universidades ou institutos. Até porque, no país, a justiça é, por norma, célere e eficaz na resolução de falsas declarações, incumprimentos, danos e outros problemas.
Face a estas desgovernações, bandalheiras e anarquias, a oposição e, especificamente o PSD, será que perderam a capacidade de reacção, parecendo terem desaparecido, em férias?

Nota de rodapé: nem de propósito, a manchete do Público de hoje, a ler mais logo, informa sobre a possibilidade de estar aberto o caminho para mais uma bandalheira, ou seja, o dirigente máximo do serviço poder passar a ter carta branca para, sem concurso, contratar os "boys" partidários, os enteados, as/os amantes, os bajuladores/presenteadores ou outros do estilo.

Porreiro uma ova, pá!

Daqui
Com que então 76% dos portugueses não confiam no Governo de José Sócrates?
Este é um resultado que, certamente, não vai ser comentado por Sócrates, no contexto da estrumeira retórica com que, doravante, vai entulhar as suas sessões de propaganda, de ilusionismo e de anúncios diários.
Aliás, como não vão aí ser referidos temas lixados como o inigualável desemprego, as dificuldades das famílias, o desaparecimento de empresas, a dívida externa, o aumento da despesa do Estado, o abandono do interior pela versão socrática do Estado, a paralisia do governo e muitas outras realidades e problemas menores e insignificantes.
Mas, o que é gerador de perplexidade é o carácter absolutamente desconcertante deste resultado: como é possível que a esmagadora maioria dos portugueses não confiem no Sr. CONFIANÇA?
Parece que Sousa Tavares é aqui uma excepção, mas este até confiava na determinação de qualquer jumento que todos os dias aparecesse a zurrar nas televisões.

Quinta-feira, 26 de Agosto de 2010

O "Little Brother" ou "olha o passarinho!"?...


A mania de colocar a tecnologia ao serviço de tudo o que é problema para o resolver começa mais a parecer-se com um trauma que nem Freud conseguiria explicar. Não é preciso, no entanto, ser-se grande especialista para se duvidar da utilidade de tão grande investimento, ainda para mais em tempo de crise, quando o reforço da segurança dentro do espaço escolar está dependente de umas câmaras de vigilância que vão filmar situações que não podem ser utilizadas nos processos que venham a ocorrer e que, sinceramente, também não sei como tal seria possível já que tais câmaras não podem estar direccionadas para o interior das escolas. Alguém consegue explicar?
José Aníbal Félix de Carvalho                                                                                         

Grandes expectativas

Como já foi aqui divulgado, o sítio do Ministério da Educação  na internet tem estado um tanto ou quanto a não funcionar, algo que não se compreende muito bem tendo em conta o investimento sério do governo nas TIC e afins.
Instada a comentar as razões desta baixa, o gabinete da Ministra da Educação escusou-se a fazê-lo. E fez muito bem, que a coisa não deve ser nada fácil de explicar. Já lá vão alguns dias e a coisa parece que não se soluciona...
É, pois, com grande expectativa que se aguarda a explicação de tão inexplicável fenómeno, impensável, impossível de ocorrer e inaceitável neste Ministério da Educação!!! Com um jeitinho a culpa ainda é de algum professorzeco “hacker” que não gosta do sorriso genuíno de Isabel Alçada...
Manuel Salgueiro

Nova "cualendarização" do pagamento dos coisos

Como se já não bastassem as limitações de construção sintáctica nos seus discursos e a banalidade pedagógica do conteúdo dos mesmos, agora foi a articulação da palavra "calendarização" que falhou.
É caso para parafrasear Camões e dizer que "Isabel, pela verdura (demasiado verde para ministra), vai charmosa e insegura".
E depois, se já existe um movimento para incluir "mudasti" no dicionário, por que razão o termo "cualendarização" não pode também vir a ser proposto?
Sugiro até um significado para o termo: "redefinição dos anúncios dos governos de Sócrates, de forma a ser prorrogada a sua concretização ou o seu pagamento".

A isto chama-se CONFIANÇA

Talvez a estratégia do marketing político para tapar, com a palavra CONFIANÇA, os ziguezagues, as desorientações, as mentirolas e as ocultações de Sócrates e dos seus governos, acabe por fracassar, tal os sucessivos casos geradores de uma inapagável nódoa chamada DESCONFIANÇA.
Aqui ficam mais alguns:
Daqui
Daqui

Político pimba

Daqui
Um político pimba, desesperadamente à procura de resgatar a sua imagem e o seu futuro político de um destino certo: o afastamento do poder, decidido pela maioria dos portugueses, para quem ficará na história como o primeiro-ministro mais prepotente, mais incompetente, mais propagandista e mais mentiroso, desde o 25 de Abril.
Estas logísticas e estes afectos de encomenda são mais uma manifestação do ilusionismo socrático que apenas visa ocultar, tanto a situação crítica para que conduziu o país, como a falta de credibilidade, de apreço e de respeito em que os portugueses têm Sócrates.
Só uma curiosidade: Narciso Miranda e os demais militantes de Matosinhos em risco de expulsão do PS também foram convocados? E vão?

Quarta-feira, 25 de Agosto de 2010

Sem Norte

A circunstância de a maioria das escolas encerradas pelo ministério da Educação se situar a Norte apenas vem confirmar uma tendência de desinvestimento nesta região do país, por parte dos governos de Sócrates, quais obreiros de um Estado sem Norte.
A lista de medidas que fundamenta esta constatação de abandono e de estrangulamento é praticamente interminável, permitindo-me referenciar os seguintes ataques ao Norte (ainda que alguns sejam extensivos a outras regiões do interior país):
- encerramento de milhares de escolas, desde 2005, com impactos na galopante desertificação humana e na  destruição das ligações das gerações mais jovens ao mundo rural;
- desmantelamento de outros serviços básicos prestados pelo Estado, nos domínios da saúde, da justiça, da agricultura e outros;
- aplicação ao Norte do princípio "últimos a beneficiar, mas primeiros a penalizar". Vejam-se os casos ilustrativos, quer da suspensão do TGV para o Porto e para a Galiza, quer da implementação das portagens nas SCUT;
- alterações legislativas que suportem a possibilidade de desvio de verbas para a região de Lisboa e Vale do Tejo;
- populações mais afectadas pelo flagelo dos incêndios, também como consequência do abandono a que a agricultura e a silvicultura têm estado votadas;
- inexistência de planos de reestruturação e reactivação industrial, bem como ausência de políticas coerentes e sistemáticas de desenvolvimento do interior norte;
- irónica e desgraçadamente, o investimento em vias rodoviárias tem servido, sobretudo, para facilitar e precipitar a sangria demográfica do interior para o litoral.
Todavia, o novo e decepcionante neste ataque reside na ausência de reactividade, de assertividade e de resistência, por parte dos cidadãos do Norte.
Este povo do Norte, outrora interventivo e reivindicativo, manifesta, agora, os sintomas da mesma anestesia e abulia nacionais, mostrando-se indiferente e apático, sem líderes ou estruturas políticas que o representem, acicatem/dinamizem e enquadrem, neste tempo em que os antigos líderes já se refugiaram, há muito, numa espécie de clausura gerôntica.
Urge pensar-se, seriamente, num movimento, com expressão política, que possa reactivar o espírito do Norte, estimulando o poder reivindicativo e a capacidade de afirmação a nível nacional, assim como reabilitando cultural e economicamente, num quadro de modernidade, a interioridade e a ruralidade como espaços, estilos de vida e valores identitários nacionais.
Que futuro para um governo e para um país sem Norte?

Lá se foi mais uma das "pérolas" da competência anterior


Merecendo-me reservas alguns dos aspectos que são conhecidos do documento, não posso deixar passar em claro que com a promulgação deste diploma desaparece mais um “estatuto” onde estava bem patente que a ex-ministra da Educação (não) tinha a noção exacta do que andava a fazer.
José Aníbal Félix de Carvalho

O verdadeiro choque tecnológico?

 Aparentemente, pelo menos desde o dia 23 de Agosto que o sítio do Ministério da Educação na internet está, e de acordo com o próprio, “Temporarily Unavailable”.
Tendo a sorte de ter apanhado a coisa a funcionar, e tendo a curiosidade de consultar o “Relatório de Segurança Escolar” relativo a 2008 / 2009, onde, como seria de prever e como está em destaque, “se mantém a tendência para a redução do número global de ocorrências”, clicando na ligação aparece algo como


Página não encontrada
Tente pesquisar a informação que procura na caixa de pesquisa.

A dita pesquisa na dita caixa conduz igualmente a nada...
Pelos vistos, anda o ME a pregar e a impingir as TIC e respectiva certificação, os quadros interactivos, os “Magalhães”, computadores portáteis e internet ao preço da chuva, o famigerado PTE (Plano Tecnológico da Educação) e afins como a panaceia que resolverá esse grande problema que dá pelo nome de “insucesso” dos alunos e depois... é este o exemplo.
Pelos vistos, a coisa, no que se refere ao domínio das TIC, anda um tanto ou quanto a falhar para os lados do ME. Esperemos que a coisa se resolva e que não sejam estas as evidências do, em tempos designado como toda a pompa e circunstância, “choque tecnológico”...
Manuel Salgueiro

A desgovernação chegou às estradas?

Da mesma forma que não aprecio ver ministros em situações de catástrofes e de acidentes, tanto a discorrerem auto-justificações e a exercitarem resguardos desresponsabilizantes (o típico nas situações de incêndios, quando as críticas começam a surgir), como a aparecerem perante as câmaras de televisão sem outra relevância que não seja mostrarem-se presentes, também não gosto que me tomem por demagogo e inoportuno na sequência dessas mesmas situações limite, fazendo extrapolações ou agitando diatribes acusatórias que possam ser deslocadas/inadequadas.
Vem esta ressalva a propósito do elevado número de acidentes, com mortos e feridos graves, que têm vindo a ocorrer nas estradas portuguesas, desde o início do ano e que teve, nesta segunda-feira, uma dimensão verdadeiramente trágica.
Estou plenamente convicto que os acidentes da A25 se prenderam com as condições climatéricas adversas e, sobretudo, com a não adequação da condução, por parte de alguns condutores, a essa circunstância, embora, nesse mesmo dia, eu  próprio pude testemunhar um acidente gravíssimo no IP4, com uma vítima mortal, mau-grado as excelentes condições meteorológicas.
Todavia, já havia comentado com familiares e amigos, por diversas vezes, a existência de três fenómenos que, nos últimos meses, vinha detectando nas estradas portuguesas, sendo que dois traduzem condutas de transgressão, enquanto o terceiro talvez contribua para explicar o agravamento dos dois anteriores e o sentimento de impunidade que lhes parece estar associado. São os seguintes:
- o aumento exponencial (de acordo com a minha percepção nas estradas) de constatações de condutores que falam ao telemóvel enquanto conduzem, apesar das elevadas coimas a que esta transgressão está sujeita;
- o desrespeito quase generalizado e sistemático pelos limites máximos de velocidade, com imensos automobilistas a incorrerem numa condução agressiva, dificultando a condução alheia, realizando manobras potencialmente perigosas e, acima de tudo, conduzindo as suas viaturas a velocidades desvairadas, tanto em estradas, como em auto-estradas;
- a percepção, agravada no último ano, de uma quase ausência de patrulhamento, nas estradas, por parte dos agentes de autoridade, tanto de natureza dissuasora, como de âmbito repressivo, com recurso a dispositivos estáticos ou móveis (em carros descaracterizados) de detecção de velocidade.  
Tendo em conta que os acidentes graves se ficam a dever, maioritariamente, a velocidade excessiva, face às condições da e na via, e uma vez constatado que muitos condutores portugueses não são sensíveis a campanhas de sensibilização e de prevenção, reajustando o seu comportamento apenas em função do receio de penalização, não é despiciendo valorizar-se a centralidade do terceiro fenómeno referenciado e avaliar-se a sua eventual implicação no aumento dos dois anteriores e na possível ocorrência da sinistralidade rodoviária.
É exactamente neste sentido que o desmantelamento da Brigada de Trânsito me parece uma medida errada e com possíveis resultados catastróficos, dado que parece ter ocorrido uma atenuação do patrulhamento a todos os níveis, porventura, substituída pela espectacularidade das mega-operações periódicas, mas que não têm a eficácia da presença permanente e imprevista da autoridade policial nas estradas.
Aliás, a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados já alertou para a ausência de "patrulhamento em circulação nas auto estradas" e as declarações disponibilizadas a seguir vão, igualmente, no mesmo sentido: 
Daqui
Deste modo, penso ser da maioria relevância que o ministério da Administração Interna pudesse, de uma forma transparente e com dados fiáveis, responder às seguintes questões:
- qual a evolução, desde 2008 até hoje, do número de operações realizadas, de viaturas descaracterizadas (que tipo de utilização diária), de dispositivos fixos e móveis que estejam operacionais e a ser utilizados, bem como de viaturas controladas e de multas aplicadas?
- qual a evolução,desde 2008 até hoje, do número de multas aplicadas e de coimas efectivamente pagas por condução com utilização simultânea do telemóvel?

Uma pergunta muito inocente

Capa da edição de 25/08/2010
Tendo em conta as últimas manchetes deste jornal, é impressão minha ou o "Primeiro de Janeiro" está para Sócrates como "A Bola" está para o Benfica?

Cada vez há mais ignorantes com ar de "doutores"


Não sei, sincera e humildemente, se o Ministério da Educação está a fazer bem no processo de reorganização do parque escolar (…)”.
Então, se não sabe, quem foi que lhe encomendou o sermão?  A vergonha de que se fala aqui  é coisa que não existe mesmo em muitos  “opinadores” de serviço. Mas valerá mesmo a pena perder-se tempo com quem se assume ignorante sobre a matéria e acaba por lançar uns palpites? Para estes “bitaites” apenas uma adaptação livre: porque não se cala?
José Aníbal Félix de Carvalho

Domingos de trabalho


Perante a qualificação do SC Braga para a fase de grupos da Liga dos Campeões, proporcionando, àqueles que, como eu, gostam de ver bons jogos de futebol, duas entusiásticas vitórias sobre o Sevilha, não podia deixar de prestar aqui a minha homenagem a este GRANDE treinador do futebol português que espero ver, um dia, no FC Porto, depois de finda a fase de glória de Villas-Boas. Para além do treinador e da equipa técnica, estão de parabéns todos os jogadores e toda a estrutura dirigente do SC Braga.
Domingos Paciência é um homem de trabalho e de notável profissionalismo, que não tem por hábito perder-se em feiras de vaidades.
Na noite da sua consagração europeia, com uma equipa moldada por ele próprio e com uma identidade que tem a sua marca, deve-se relembrar a forma pouco elegante, e até sobranceira e arrogante, como Jorge Jesus procurou, durante muito tempo, desqualificar e menorizar o trabalho de Domingos no SC Braga, dando a entender que o mesmo apenas aproveitara a equipa e a organização que lhe deixara em herança.
Até neste particular, Domingos Paciência tem vindo a dar uma lição de humildade, de mérito próprio e de classe ao extemporaneamente deificado Jesus.

Terça-feira, 24 de Agosto de 2010

Como escapar às aulas observadas

No dia em que se ficou a conhecer, quer mais uma mentirola da governação Sócrates, publicada nesta Síntese de Execução Orçamental e atribuindo uma parte do aumento da despesa do Estado às "alterações de posições remuneratórias de docentes do ensino não superior associadas ao processo de avaliação" (p. 9), quando toda a gente sabe que esses aumentos se ficaram a dever às despesas em suplementos remuneratórios ligados à gestão escolar, em cursos CEF e EFA (como bem referiu o Ramiro aqui) e ao justo desbloqueamento da progressão na carreira (para quem diabolizou a anterior avaliação, falar aqui de processo de avaliação é, seguramente, uma piada), quer a disponibilidade da FNE para negociar a organização e calendarização da actual farsa da avaliação de docentes, eis que surge mais um pretexto, mesmo que deslocado, extremo e pouco ortodoxo, para recuperar a ideia da fragilidade do actual modelo de avaliação.
Relativamente ao modelo de avaliação do desempenho é óbvio que as "aulas observadas" constituem um dos mecanismos que mais contribuem para a inconsistência e a falta de seriedade do modelo de avaliação, tanto por via da impreparação, falta de formação e eventual falta de imparcialidade do relator, como pelo carácter excepcional e artificial das aulas observadas no contexto da leccionação de um docente.
Se algum professor quiser evitar as aulas observadas, sempre posso disponibilizar, numa nota de humor, a estratégia utilizada por uma docente de Brooklyn.
A estratégia foi filmada e está no vídeo a seguir disponibilizado, assim como a notícia se encontra desenvolvida aqui (obrigado, Mário).

O que se deveria investigar

Daqui
Palpita-me que se esteja a preparar o terreno para mais um despacho que, à semelhança do ocorrido no processo das escutas do caso Face Oculta, bloqueie ou obstaculize definitivamente qualquer possibilidade de investigação mais profunda e concludente no âmbito do caso Freeport.
Presumo que, mais uma vez, o esclarecimento cabal soçobrará às águas turvas das investigações incompletas, atamancadas e medrosas.
Ainda há portugueses que desejavam acreditar que os cidadãos são todos iguais perante a lei (e a justiça) e que não se deixam impressionar com pressões sobre justiça, com respostas furtivas às questões essenciais, com reacções indignadas  face à comunicação social e às "campanhas negras" (que deviam antes ser canalizadas para os acusadores no processo e dirimidas em tribunal) e muito menos saem convencidos quando alguém não manifesta total disponibilidade para colaborar, de forma aberta e transparente, com a justiça.
Estes portugueses consideram, certamente, que as preocupações do PGR deviam estar dirigidas para o esclarecimento das seguintes inquietações e constrangimentos:
- por que razão/motivação nunca se investigaram a fundo as acusações de envolvimento de Sócrates, no caso, feitas por elementos ligados ao processo, como os actuais arguidos, pessoas da família de Sócrates e outros?
- que dificuldades explicam o facto de não terem sido investigadas todas as contas bancárias, particularmente as sediadas em paraísos fiscais, dos indivíduos que poderiam estar ligados ao caso, procurando seguir a trajectória dos dinheiros envolvidos?
- que tipo de motivação levou Cândida Almeida a manifestar publicamente, por várias vezes, uma preocupação em afastar Sócrates do processo e em anunciar repetidamente o fim precipitado da investigação?
- que fins visava Lopes da Mota com as suas pressões e a recomendação, solicitação ou mando de quem?
Era isto que os portugueses gostariam de ver cabalmente esclarecido.

Uma sugestão secreta ao cuidado de Santos Silva

Depois de o ministro da Defesa ter divulgado publicamente, quer os locais para onde serão deslocados espiões portugueses, quer os momentos temporais a partir dos quais essas colocações deverão ocorrer, sugiro que Santos Silva providencie a disponibilização de uma última informação relevante: incorporar, no sítio da Internet do ministério da Justiça, um sistema de localização específica e em tempo real dos nossos espiões nos teatros de operações.
Assim, estaria garantida a segurança dos operacionais, permanentemente acompanhados pelo governo português. Claro, vamos acreditar que não passaria pela cabeça de nenhum alvo inimigo visitar o sítio do ministério da Defesa ou estar atento às declarações do ministro, pois a inteligência desaconselhá-los-ia a tal.

Olha a novidade

Daqui

O inusitado é que as faltas à verdade de Sócrates ainda sejam destaque na comunicação social.
Difícil é encontrar intervenções e análises de Sócrates que correspondam à realidade e à verdade.

Antecipando a época que aí vem


Comi, esta segunda-feira, as primeiras uvas de produção própria e, mesmo não sendo enólogo, antecipo e garanto, desde já, dois resultados: uma doçura invulgar, mercê de uma prolongada e intensa exposição solar, e, consequentemente, um vinho de 2010 de excelente qualidade, encorpado e com sabor intensamente frutado.
Aceitam-se voluntários para ajudar na vindima!

Vaca escondida com cabeça de fora

Mesmo visitando, regularmente, a minha aldeia natal, onde vive a minha mãe e mais alguns familiares, apenas hoje reparei nesta preciosidade, a modos de apanhado "nós por cá".
Neste caso específico, esta quase justaposição, entre a sinalética de perigo e a placa de identificação da aldeia, reveste-se apenas de caricatura e de chamada de atenção para o insólito, uma vez que a eventual dificuldade em visualizar o sinal de perigo de poderem ser encontrados animais sem condutor não representa nenhuma perigosidade, tendo em conta que na aldeia já não existe qualquer bovino e, salvo uma ou outra excepção, os cavalos e os burros foram desaparecendo, tendo sido substituídos pelos tractores agrícolas.
Infelizmente, vai até começando a ser diminuta a probabilidade de encontrar pessoas pelas terras transmontanas, afugentadas pela desvalorização económica e cultural da agricultura e da ruralidade, a que o encerramento de escolas e de demais serviços do Estado também não é alheio ou, pelo menos, deixou de funcionar como desejável factor de atracção. Talvez a inversão venha a ser protagonizada pelos "boys" socialistas, quando decidirem apossar-se dos montes e das florestas que o governo socratino venha a expropriar, por falta de limpeza (a propósito, estranho que os ecologistas do país - normalmente conotados com posições de esquerda, tenham ficado em silêncio perante o disparate da proposta do ministro da Agricultura que, além de confundir limpeza com destruição da vegetação e dos ecossistemas, estava a abrir o caminho para a expropriação dos parques naturais, como exemplos da incúria e do dever de vigilância que devia ser assegurado, mas não o é, pelo Estado).

Segunda-feira, 23 de Agosto de 2010

Licenciados, Mestres e Outros

Já tinha tomado conhecimento, por e-mail e na blogosfera, da petição que reivindica a equivalência de Mestre aos detentores de Licenciaturas de 5/6 anos anteriores à reforma de Bolonha.
Trata-se de uma controvérsia em relação à qual não tenho uma posição definida, simplesmente porque nunca me dei ao trabalho de analisar esta situação.
Todavia, pela minha própria experiência académica - embora admita a existência de experiências muito desencontradas e todas elas legítimas, colocam-se-me duas reservas sobre o pedido de equivalência a mestrado para os licenciados anteriores à reforma de Bolonha e que são as seguintes:
- aqueles que obtiveram a licenciatura no período anterior à reforma de Bolonha, e, posteriormente, concluíram os seus cursos de mestrado, devem exigir, de acordo com a lógica da petição, a equiparação a doutoramento? Se assim não for, também saem prejudicados na eventualidade da petição ser atendida;
- a minha experiência mostrou-me que as competências aprendidas e desenvolvidas, particularmente ao nível de metodologias de investigação, no curso de mestrado, conferiram-lhe uma natureza muito diversa da licenciatura.
Como não tenho uma posição definitiva, ficam aqui duas posições contraditórias, surgidas na imprensa, sobre esta problemática.
No entanto, não gostaria de assistir ao triunfo das certificações sobre as qualificações, porque para essa pouca vergonha já bastam as Novas Oportunidades e os diplomas dominicais.

In Público, 23/08/2010
Obrigado, Zé!

Já nem as abelhas querem nada com este país

Daqui
Misteriosamente, as abelhas estão a morrer e a abandonar o país.
Curiosa e triste metáfora que a natureza nos proporciona para ilustrar como, de facto, o país de Sócrates não é um adequado ecossistema para quem trabalha.
Esbulhados por uma carga fiscal asfixiante, confrontados com dificuldades para arranjar trabalho ou sujeitos a empregos desqualificados e mal remunerados, muitos de nós vilipendiados na praça pública pela arrogância incompetente de Sócrates e acólitos, quantos portugueses não sentiram já o impulso para abandonar a obscenidade ética e política em que o socratismo transformou o país.

Domingo, 22 de Agosto de 2010

Obrigado pelo combustível

Em trânsito entre Espinho e Vila Real, fui agora surpreendido com mais esta distinção inserta num post do Ramiro Marques:
Agradeço, mais uma vez, as palavras elogiosas do Ramiro e tomo-as como um importante combustível para a auto-estima e a motivação de quem tem não tem no seu dicionário nenhuma entrada para o termo "desistir", e que, ao invés de me envaidecer - sentimento estranho a um humilde transmontano bem consciente do inescapável "gloria mundi sic transit", ainda me responsabiliza mais (juntamente com o Zé Aníbal e o Salgueiro) nesta exigente e desacomodada/incomodada aprendizagem de ser capaz de resistir à indignidade, à estupidificação da vida escolar, social e política, à prepotência, à incompetência e à falta de ética e de exemplaridade na conduta política.
Se uma pessoa, com as qualidades pessoais e com a reputação académica do Ramiro Marques, afirma estar quase sempre de acordo comigo, então não tenho dúvidas que disponho de um excelente referencial para admitir que defendo ideias, princípios e valores adequados.
Da minha parte, fica o compromisso que, na medida das minhas limitações pessoais e dos meus constrangimentos profissionais, não desarmarei neste combate, porque tenho a consciência e a determinação suficientes para não ser cúmplice silencioso da destruição da escola pública e da erosão da transparência e da decência da vida democrática, por parte de um refugo de políticos, com Sócrates à cabeça.
Obrigado Ramiro e um sentido abraço.

O ano lectivo vai ser uma alegria


Mesmo sabendo “que o Ministério da Educação tomou todas as medidas para que o início do ano lectivo se faça com a alegria que é própria de uma actividade desta natureza” (Isabel Alçada), o calendário decisório de quem cada vez mais dá mostras de que depressa e bem há pouco quem, mostra à saciedade que o respeito que devia merecer o trabalho que é desenvolvido nas escolas é algo arredio da mentalidade de quem se compraz com uns discursos amorfos e vazios.
José Aníbal Félix de Carvalho