Um murro de Santana Castilho na consciência de Passos Coelho e da elite política "laranja" (18-01-2012): As "natas"

Quinta-feira, 30 de Setembro de 2010

Uma primeira sugestão de reacção dos professores a este novo ataque


Como pontapé de saída para uma reacção firme ao ataque cobarde de Sócrates dirigido aos vencimentos e às progressões dos professores, tal como consubstanciado no miserável PEC3 e na proposta de Orçamento de Estado para 2011, sugiro que os professores de cada escola/agrupamento coloquem uma faixa deste tipo em local bem visível, nas imediações ou à entrada das escolas, solicitando, para o efeito, as devidas autorizações.
Em algumas escolas, pode acontecer que funcionários e pais/encarregados de educação desejem associar-se a esta iniciativa, sendo todos bem-vindos.
Fica a sugestão, que procurarei implementar na minha própria escola de pertença.

Os PEC são como as cerejas

Foi ontem anunciado, qual último gadget do (des)governo da Nação, mais um PEC (plano de emagrecimento colectivo) para o pessoal em geral e para a função pública em particular. Com toda a pompa e circunstância e à hora fatal, Sócrates deu finalmente a boa nova: basicamente mais impostos, que a coisa está (ou já estaria, muito antes?) negra! Novidade, novidade, só para alguns, qu’isto de PEC é como as cerejas: o mal é puxar a primeira. Era bom de ver que o mal era o primeiro PEC; o segundo era já a seguir, o terceiro é já a seguir e (está-se memo a ver) o quarto certamente não tardará muito. Sim que, se não há duas sem três, com este (des)governo está garantido, pelo menos, um quarto PEC. E mesmo este número só dependerá do número de meses que a (des)governação durar!

PS (salvo seja!!!): Tendo em conta a eficácia da recente mensagem de Ano Novo escolar, para a tão aguardada boa nova (o PEC 4), sugere-se Isabel Alçada, qu’isto de falar a sério não é memo para toda a gente.
Manuel Salgueiro

Avaliação dos professores: de farsa a passatempo inútil

Já sabíamos que avaliação do desempenho dos professores imposta pelo génio reformista de Sócrates, mesmo que as suas decisões e práticas de (des)governação não sejam objecto de nenhuma avaliação e de nenhuma consequência, era e é uma farsa de cabo a rabo, com dimensões subjectivas e absurdas, com avaliadores destituídos de formação, competência acrescida e imparcialidade, com uma gestão artificial (quando não amistosa) de classificações e com efeitos contraproducentes no investimento dos professores nas aprendizagens dos alunos.
A partir do PEC3, acresce a tudo isto a dimensão de passatempo inútil, pois, se em termos pedagógicos e científicos a avaliação do desempenho não contribui para a melhoria das práticas lectivas e dos resultados dos alunos (basta analisar as descidas nas médias das classificações obtidas em exames nacionais, por parte dos alunos oriundos de escolas que implementaram o modelo), restava a consequência de diferenciação (arbitrária) dos professores para efeitos de progressão e de concursos.
Na iminência de não haver concursos tão cedo e na certeza de que ninguém vai progredir, a conclusão sobre a relevância da avaliação é óbvia:
- a avaliação do desempenho não serve para nada, excepto para perturbar a vida escolar.

Coitado!

Daqui
Devemos comover-nos com o sofrimento do governo?
Para além da máscara depressiva de Sócrates, convinha que Almeida Santos nos explicasse, como se fossemos muito burros (e efectivamente somos), quais são os sintomas que permitem inferir sofrimento do governo.
Entretanto, os palhaços do costume continuam a fazer os seus números: "Sócrates anunciou com coragem", dizem. Se fossem honestos, deviam ter dito: "Sócrates foi obrigado, por força do descalabro governamental no endividamento do país e no crescimento do défice, a anunciar".
No mínimo, respeitem a inteligência e os sacrifícios dos portugueses, deixem de os tomar como parvos e vão bugiar!...
E, já agora, por uma questão de decência, não estão previstos cortes/suspensões nas comemorações (propagandísticas) do Centenário da República e em outros anúncios e campanhas que se seguirão?

O teu contributo foi inexcedível, pá!

No momento exacto em que o número ilusionista fracassou e a "Força do Progresso" de Sócrates nem com Viagra lá vai, convém recuperar o lapso profético do propagandista e que não foi, à época, suficientemente valorizado.
Evidentemente, quem deu o seu melhor para o empobrecimento do país não foram os portugueses. Nesta tarefa, Sócrates foi inexcedível.
Por que razão os responsáveis, por acção (Sócrates e) e omissão (Cavaco Silva), pela situação crítica que o país atravessa, apareceram, ontem e hoje, nas televisões, tensos e com cara de bacalhau mirrado, mas sem terem a elevação de assumir publicamente os seus erros e fracassos?
Um governo que não apresenta, de forma transparente, onde aplicou o dinheiro que, no quadro dos PEC's, "chulou" aos portugueses, não merece a minha confiança para empreender qualquer consolidação credível.
Não confio na opacidade, na mediocridade e na cobardia (o "corajoso" invocou a pressão dos mercados, mas escondeu a razão: o endividamento galopante do país) destes incompetentes. Ponto final!...

Cair da paciência abaixo

In Público, 29/09/2010
O ambiente político e mediático que se vive no país está a ficar absolutamente irrespirável para aqueles que não abdicam da sua inteligência crítica, da sua independência e das suas análises exigentes e consistentes, como é o caso de Santana Castilho.
É exactamente no quadro desta circunstância que interpreto a perda da paciência de Santana Castilho face à demagogia, à ignorância atrevida, à propaganda, à manipulação e à mentira mais descabelada.
Talvez seja necessário vir a fazer-se mais do que apenas "puxar o autoclismo".

Os palhaços também se abatem

Declaro, desde já, que não me pode ser assacada absolutamente nenhuma responsabilidade, enquanto eleitor, na instalação do circo socrático no país, assim como nunca paguei voluntariamente bilhete para assistir aos números dos palhaços que o integram.
Neste particular, considero que as penalizações devem ser proporcionais às responsabilidades pessoais, pelo que se estes incompetentes vão assaltar o meu salário em 5%, então deveriam reduzir em 30% o vencimento dos funcionários públicos que os colocaram no governo, através do voto, pois esses têm incomparavelmente maiores responsabilidades que eu próprio.
Trabalho diariamente, de forma empenhada e no pleno cumprimento dos meus deveres profissionais, pelo que esta trupe de políticos medíocres, que nos vem desgovernando, nunca teve a coragem e a capacidade para me explicar, olhos nos olhos, as razões pelas quais a minha progressão está congelada e ainda me vejo agora espoliado numa parte significativa do meu salário, ao mesmo tempo que esbanjam os dinheiros do Estado em propaganda, estudos e obras sumptuárias, engordam matilhas de boys e mantêm estruturas inúteis, como governos civis, CAE's ou institutos e fundações aos milhares.
Aqui chegados, é caso para se perguntar o que mudou no último mês para que este farsante tenha pendurado a máscara do "optimista" da "força do progresso"?
Manter uma cara de pau, seráfica e fúnebre não é suficiente, quer para expiar opacidades na execução das medidas anteriormente aprovadas, quer para alijar irresponsabilidades na forma como se deixou deteriorar a situação do país, sempre negada pelo vendedor de mentiras e ilusões.
Perante estas medidas, se os portugueses não se mobilizarem para os protestos, não manifestarem a sua indignação e não correrem com Sócrates, então, têm aquilo que merecem e este pesadelo político não deixará de lhes ser uma benção.
Não me vou pronunciar sobre partidos alternativos ou candidatos à presidência da República, porque uma vez aqui chegados e confrontados com esta trupe de incompetentes, a única postura decente dos portugueses que trabalham e se vêem aqui esbulhados é apenas uma:
- não votar em partidos e em candidatos que apoiem este orçamento e, especificamente, que dêem o seu aval a esta injustificada redução de vencimentos, a qual não deixa de ter o mesmo efeito prático que um brutal aumento de impostos.
Em democracia, esta é a única forma de abater os palhaços políticos.

Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010

Aprendiz de ilusionista

Os governos de Sócrates especializaram-se em iludir, deturpar ou negar as situações concretas, privilegiando um discurso de auto-promoção e de pretensa infalibilidade dirigido a incautos ou, então, à maioria daqueles que ignoram essas realidades específicas e insulares, mesmo arriscando passar por mentirosos ou politicamente pouco sérios ao juízo dos actores que estão no terreno e conhecem por dentro as disfuncionalidades, os problemas e as desvergonhas.
Digamos que Isabel Alçada aprendeu depressa os sortilégios desta repugnante táctica política. Se é verdade que este tipo de estratagema resulta durante muito tempo, também é evidente que o mesmo começa a desmoronar-se à medida que se vão somando os actores minoritários e que as percepções e juízos falsificabilizadores se vão generalizando e confluindo num coro acusador de manipulações e distorções das distintas realidades, como se vai agora constatando, desde a educação à economia e a múltiplas outras áreas de actuação governamental.
Obviamente, estas declarações, que com esta ministra têm sempre uma sustentação meramente opinativa e embrulhada em papel de "tia" simpática que sempre jura/garante a normalidade e a regularidade das situações, não são para levar a sério, pois carecem de suporte nas experiências escolares quotidianas que concretizam as Novas Oportunidades, marcadas pelo facilitismo, sob a forma de baixa exigência e escasso empenho e investimento no trabalho.
Numa organização complexa e moderna, a transparência, o criticismo e a avaliação independente de medidas e programas constituem as chaves do aperfeiçoamento e do progresso, o que nunca acontece com este governo.
Na ausência desta postura, deixo aqui o repto aos jornalistas: solicitem autorização ao ministério da Educação para poderem acompanhar, ao acaso e sem aviso prévio, tanto as práticas e os processos de formação que consubstanciam o ensino ministrado nas Novas Oportunidades, como a natureza das certificações.

Da aldrabice como estratégica política e comunicacional

Para quem ainda tinha dúvidas sobre um estilo de condução da vida política suportado em mentiras descaradas, eis uma crónica que sistematiza e fundamenta a banalização da mentira por parte do PS de Sócrates.
Todavia, o que mais choca é a desfaçatez com que jornalistas, comentadores e analistas políticos persistem em conferir credibilidade e dispensar elogios a Sócrates, contribuindo para uma espécie de legitimação mediática da normalização da mentira.
Já relativamente a estas aldrabices que a falta de rigor informativo da SIC vai permitindo que sejam brandidas pela idiotia convicta de um tal Sousa Tavares, apenas me apetecia fazer o seguinte: esfregar-lhe nas fuças os meus recibos de vencimento, desde 2003, e obrigá-lo a repor do seu bolso, todos os meses, o aumento que ele me imputa e que eu ainda não enxerguei nos meus recibos de vencimento e na minha conta bancária (ainda por cima, eu que não tenho por hábito transferir dinheiro para as Américas do Sul e para os paraísos fiscais).

Ainda se lembram desta conversa (da treta)?

Daqui
Daqui
Agora que andam para aí umas reuniões com IGE’s e não sei bem quem mais, talvez fosse bom alguém lembrar-se do que era dito quando ainda não tinham sido servidos os “donuts” nocturnos e que culminaram naquilo que todos nós sabemos: a mesma fantochada pomposamente denominada de “nova” no que à avaliação diz respeito e mais estrangulamentos no que à carreira se refere. Lá pelo meio andava a carga horária dos privilegiados do costume (não é, senhor sabichão MST?). Foi por  isso que esta preocupação toda com a valorização do tempo para a correcção dos trabalhos dos alunos - sim, que os professores, na sua  privilegiada profissão (não é, senhor MST?) só precisam de tempo para esse tipo de trabalho - foi carinhosamente contemplada na legislação que veio colocar os pontos nos ii na falta de capacidade de organização desses privilegiados (os improdutivos deste País, não é, senhor sabichão MST?) como o comprova este artigo.
Daqui
Mas, decorrido que está mais de um mês de aulas, ainda não consegui notar qualquer diferença entre os meus horários destes dois últimos anos! Mas o dia só tem 24 horas e eu não posso fazer duas coisas bem ao mesmo tempo: corrigir os trabalhos dos alunos e pensar onde estava no ano passado e onde estou este ano.
José Aníbal Félix de Carvalho

Terça-feira, 28 de Setembro de 2010

Manhosos e desavergonhados

In Público, 28/09/2010
Uma crónica de opinião que devia ser de leitura obrigatória por aquela percentagem de portugueses que as sondagens apontam como ainda potenciais votantes nestes (pseudo) políticos. Os culpados somos mesmo nós!
José Aníbal Félix de Carvalho

Jeitosos para a comédia

Excelente adaptação que o blogue 31 da Sarrafada empreendeu da intervenção hilariante do ministro das Finanças Suíço.
Se ainda não somos os alvos preferenciais da chacota europeia, verdadeiramente caminhamos para lá em alta velocidade (com ou sem a palhaçada do TGV).
Ainda, ontem, assistimos a mais um lamentável spin governamental:
Na antecâmara da entrada do FMI no país, que redundaria na passagem de um absoluto atestado de incompetência ao socratismo (só falta mesmo o documento comprovativo), começa por entrar a OCDE (para amenizar a aterragem), dispensando Sócrates, ao país e ao mundo, mais um exercício de cobardia política ao encarregar o presidente da OCDE e o ministro das Finanças de "venderem" a ideia das dificuldades do país e da inevitabilidade (dizem eles) do aumento de impostos, algo que não cola com a sua patética imagem de optimista. Uma triste comédia, com os socratinos habituais.

Depois de semear é só colher…

Em tempos, levantou-se aqui, a propósito de um grupo de questões em Exame Nacional de Matemática do 9.º ano, a hipótese de o povo se ir preparando para encarar o futuro com optimismo, com tranquilidade e com um sorriso rasgado.
Ainda se pensou tratar-se de engano ou de brincadeira, mas era óbvio (dado o profissionalismo colocado na realização de tal façanha) que "jamé", como diria, em tempos Mário Lino! 

Como então se prognosticava (sem bolinha de cristal nem outros truques), a sementeira, vai-se fazendo e, a longo prazo, é só colher. E se bem o pensaram, melhor o fizeram: De acordo com a notícia, o "Ministério da Educação contrata pessoal não docente a 3€/h", 3 euros ilíquidos, que o pessoal não se pode habituar a certos vícios e a certos luxos!!!
Está visto: Primeiro semeia-se e só depois se colhem os tão merecidos frutos!!!

Manuel Salgueiro

Domingo, 26 de Setembro de 2010

Ninguém pede desculpa duas vezes

Ao contrário da ideia dominante da inevitabilidade de um entendimento entre o PSD e o PS, com vista à viabilização do Orçamento para 2011, que a omnipresente central de comunicação do socratismo vai alimentando, também com o concurso do presidente da República (por razões de estratégia eleitoral, pois não vejo que interesse nacional justifica a preservação de Sócrates no poder e, sobretudo, o assassinato político de mais uma liderança social-democrata) e de alguns idiotas úteis da área do próprio PSD, considero que, numa perspectiva popular, o chumbo do orçamento por parte do PSD, até porque Sócrates dispõe de outras alternativas de viabilização, constitui uma oportunidade única de Passos Coelho se afirmar como um líder corajoso, insusceptível de se vergar, atemorizar ou menorizar com a chantagem e a bazófia demagógica de Sócrates, mas também coerente e confiável, preservando a sua fidelidade às condições que impôs e aos princípios que defende.
Passos Coelho deve ser capaz de resistir às pressões absolutamente avassaladoras que chegarão de quase todo o lado, atraindo-o para a armadilha colocada à sua retaguarda, uma vez que o mínimo recuo irá enfraquecê-lo e descredibilizá-lo irreversivelmente como líder político, algo que, nesta conjuntura, interessa ao PS de Sócrates e, cinicamente, à estratégia de Cavaco que, recorde-se, já arruinou a liderança de Santana Lopes e prejudicou, faz um ano, a candidatura de Manuela Ferreira Leite, no arranque da campanha eleitoral. Em política, as amnésias retrógradas e anterógradas não me parecem ser boas conselheiras.
Se Passos Coelho der o seu aval a um orçamento que, de forma explícita ou mitigada, represente um aumento de impostos ou uma limitação às deduções fiscais em matéria de saúde e educação, além de afastar definitivamente todos aqueles que já não suportam Sócrates e as suas malfeitorias, cavará a sua própria sepultura como líder político resoluto e alternativo, convertendo os social-democratas numa espécie de filhos de um PSD menor.
Há crises tão estruturantes e irresolúveis (perpetuar Sócrates no poder, em ciclos de esbanjamento e engorda de um Estado "chulo" do trabalho dos portugueses, constitui a fonte de todos os nossos problemas) que se torna preferível uma crise maior, mas que seja verdadeiramente clarificadora e refundacional face à situação apodrecida para que Sócrates conduziu o país, bastando que Passos Coelho tenha a sabedoria e o melhor aconselhamento para propor aos portugueses um contrato de governação claro, afirmativo e transparente.

Sábado, 25 de Setembro de 2010

Uma boa iniciativa do PCP

Fazem bem os deputados do PCP, Miguel Tiago e Rita Rato, em solicitar a presença da ministra da Educação na Comissão de Educação e Ciência para ser confrontada com muitos problemas e inúmeras dúvidas que marcam este início de ano lectivo, até para que não prevaleça a ideia enganadora e ilusória de que as coisas vão bem no sector da educação e de que a propaganda, os sorrisos e a dissimulada ataraxia ministerial são suficientes para esconder os graves problemas que a escola pública experimenta.
Audição com Ministra Educação sobre início ano escolar

Novos desafios

Mais um belíssimo texto do Professor João Ruivo, apontando caminhos de futuro para as universidades, em resposta a novas e diferenciadas procuras de formação.
Artigo Setembro2010

Sócrates, mentiras e vídeo (gravador)

Notícia do Diário Digital (24/09/2010)
A propósito do teor das conversações havidas entre Passos Coelho e Sócrates, no quadro da tentativa de celebração de um pré-acordo de viabilização do Orçamento para 2011.

Notícia do Correio da Manhã (08/08/2009)
A propósito das conversas que Cavaco Silva manteve com Sócrates, no âmbito do Estatuto dos Açores.
Admito como um fenómeno realmente espantoso que, ao fim de mais de cinco anos de governação de Sócrates, reincidente em episódios de mentiras e de negações da realidade, ainda haja jornalistas, comentadores, políticos e proto-senadores ocupados, tanto a discorrer sobre quem mente nesta história da conversa mantida com Passos Coelho, como a desvalorizar ou a fingir ignorância sobre os desvios de carácter deste primeiro-ministro.
Porque, mesmo descontando o nada edificante historial de Sócrates, o seu argumento acerca desta ruptura negocial assemelha-se uma qualquer história da carochinha, mas numa versão simplificada para poder estar ao nível da idiotia daqueles que idolatrando Sócrates e votando nele, este se habituou, com proveito, a seduzir, manipular e iludir, do tipo:
"A carochinha pôs-se à janela e perguntou:
- coelho, vamos negociar o orçamento para 2011?
E o coelho, como se havia saturado da pinta da carochinha, após um Verão tempestuoso, respondeu, sem mais:
- recuso-me a negociar contigo e vou-me embora. 
Contudo, a carochinha, como nunca se aborrece de estar à janela (mediática e do poder) e permanece convicta de que, mais cedo ou mais tarde, o coelho há-de ser empurrado, por força da opinião publicada, de Cavaco Silva, dos velhos obreiros do caos económico e moral em que nos encontramos (Sampaios, Soares e outros que tais) e dos mercados internacionais, para o caldeirão da apodrecida feijoada socialista, cozendo até se desfazer no caldo da incoerência e da falta de coragem política, vai repetindo a sua versão mentirosa e irresponsável da história dos seus desamores com o coelho."
Não é inquietante e suspeito que jornalistas e comentadores políticos se deixem enredar nesta balela argumentativa de Sócrates (é óbvio que a ruptura se deveu à imposição de pré-condições por parte de Sócrates, traduzidas em aumento de impostos e que acarretariam, se fossem aceites, a perda da face e da identidade ideológica do PSD) e, ao mesmo tempo, se esqueçam (que memória tão limitada a desta gente), de trazer à liça o caso das conversas entre Sócrates e Cavaco Silva a propósito do Estatuto dos Açores? Recorde-se que, na sequência dessas conversas, o presidente da República afirmou apenas isto: "Nunca faltei à palavra dada e aos compromissos que assumi... Os cargos públicos são efémeros, mas o carácter dos homens é duradouro. Não são os cargos que definem a nossa personalidade, mas aquilo que somos em tudo aquilo que fazemos."
Pior do que ser-se ingénuo é fingir-se ignorância e ingenuidade. Aliás, como tem vindo a acontecer com o PSD ao dar a mão a Sócrates em momentos cruciais (quem estende a mão a uma cascavel acaba mordido de morte), fingindo tratar-se de um interlocutor sério. Que pensará, hoje, Luís Filipe Menezes das suas palavras néscias de há dois meses atrás, quando afirmou confiar absolutamente na seriedade de Sócrates, na sequela do caso "Freeport"?
Como escreveu, recentemente, um conhecido cronista: "Se José Sócrates fosse o Pinóquio, o seu nariz já teria dado a volta ao Mundo".
Todavia, parece que ainda restam à volta de 35% de tansos que, contra todas as evidências, persistem em confiar na "palavra" deste personagem. Merecem-se!
Pela minha parte, confesso que perdi todo o respeito por aqueles, sejam eles quem forem, que silenciam a crítica, encobrem as vergonhas e apoiam ou colaboram com a ignóbil actuação política de Sócrates, relativamente aos quais apenas me ocorre uma qualificação, mas que, por educação, vou reservando para mim próprio e para o meu círculo particular de amigos.
E também pouco adiantará a Passos Coelho recorrer a testemunhas ou a gravações audio e vídeo das conversações com o primeiro-ministro, porque aí surgirão os arautos dos formalismos jurídicos a não reconhecer e a mandar destruir as provas, protegendo quem não dispõe das qualidades pessoais para gerir uma retrosaria, quanto mais um governo.

Lavoisier e as SCUT (vulgo “Novas Oportunidades”)

De acordo com o jornal Expresso de hoje, foram mais de cinco centenas os alunos que ingressaram no Ensino Superior sem terem concluído devidamente o ensino secundário. Pérola da Educação de Sócrates para a Nação, esta brilhante iniciativa é, injustamente, classificada pelo mesmo jornal como uma “auto-estrada de acesso à universidade” e que os ditos mais de 500 formandos “beneficiaram de regras mais fáceis para entrar no Ensino Superior”, tendo ainda o número de utilizadores desta modalidade de ingresso na faculdade aumentado qualquer coisa como 50 (cinquenta!!!) vezes em 2 (dois) anos!!! O jornal levanta ainda a possibilidade de se estarem a criar situações de injustiça, nomeadamente pelo facto de os “outros” alunos “serem obrigados a fazer todas as disciplinas do secundário e a prestar provas em cada uma delas”.
A bem da verdade e da justiça, nomeadamente ao inegável mérito das “Novas Oportunidades”, apenas uma breve sugestão de correcção às jornalistas que escreveram o texto: a haver alguém com culpas nesta situação, Lavoisier é o verdadeiro culpado. De facto, as “Novas Oportunidades” não são uma auto-estrada para entrada no Ensino Superior, elas são as verdadeiras SCUT, isto é, auto-estradas sem custos para o utilizador, que não só chega (muuito) mais depressa que os outros, como ainda sai (muuuito) mais barato (é só fazer as contas, como diria em tempos Guterres)! Como as SCUT nas auto-estradas estão para acabar (fala-se a partir de 15 de Outubro...), o problema é que, de acordo a lei de Lavoisier, nada se perde (nem as SCUT), tudo se transforma, e assim, como quem não quer a coisa, surgem as SCUT para o Ensino Superior... Mais depressa e mais barato, que mais se pode pedir? Como em tempo ficou claramente demonstrado, é nas “Novas Oportunidades” que está a panaceia para todos os males da Educação da Nação!!!
Manuel Salgueiro

E alguém se incomoda com a bandalheira?

In Expresso, 25/09/2010
Depois de os portugueses terem desvalorizado e banalizado as circunstâncias em que Sócrates obteve uma espécie de licenciatura "a martelo", desisti de alimentar grandes expectativas que muita gente se venha a indignar com o facilitismo e a bandalheira que as políticas socráticas vêm imprimindo na educação, sobretudo, quando a destruição da exigência e da credibilização do sistema de ensino parece casar notavelmente, quer com uma parte substantiva da mentalidade nacional, quer com interesses e oportunismos de pessoas e instituições, desde aqueles que beneficiam destes esquemas até às universidades.
Nem me parece que valha a pena perder tempo a especificar a natureza dos adesismos que convergem para tolerar, suportar ou aproveitar estes expedientes, pois as motivações e os ganhos são demasiado óbvios.
Estas Novas Oportunidades são o "orgulho" de Sócrates (sempre se sentirá melhor acompanhado), exprimem a concepção patética que o socratismo tem da qualificação dos portugueses e, quem sabe, ainda são um componente estruturante de um qualquer "desígnio nacional".
Tudo isto seria uma vergonha se, por cá, ainda a houvesse.

Sexta-feira, 24 de Setembro de 2010

Recolocar as reivindicações dos professores na agenda política

Participarei, nesta Conferência, organizada pela JSD de Vila Real, em representação do PROmova (PROFESSORES - Movimento de Valorização), procurando trazer novamente as questões educativas para o centro do debate político e, acima de tudo, visando defender uma educação que (entre outras dimensões que o PROmova considere pertinentes):
- promova, em todos os agentes educativos, uma cultura de trabalho, exigência e rigor;
- se focalize na qualificação efectiva das aprendizagens dos alunos, esvaziada de burocracias contraproducentes e assumindo a escola a organização eficaz dos recursos que permitam assegurar, tanto uma sólida preparação técnica e científica dos alunos, validada em exames nacionais, como uma detecção atempada das dificuldades dos alunos e uma mobilização de respostas sistemáticas e efectivas às mesmas;
- valorize a autoridade disciplinar e pedagógica dos professores;
- implemente uma avaliação séria e justa, mas parcimoniosa, do desempenho dos professores;
- assegure uma real autonomia da escola em termos de modelo de gestão e de maior flexibilidade nas opções curriculares e pedagógicas;
- liberte os professores da planificação socialista da formação contínua, incentivando e reconhecendo uma diversificação dos planos de formação e, mesmo, a auto-formação;
- se realize em escolas humanizadas de pequena e média dimensão, como factores de sucesso educativo, mas também de desenvolvimento salutogénico e psicossocialmente ajustado de crianças e jovens;
- garanta a estabilidade do corpo docente, sem sacrificar a mobilidade suportada em critérios de graduação profissional.

Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010

O chantagista de que o país não precisa

"Vemos isso como uma decisão preocupante e muito lamentável. Tudo aquilo que o país não precisa é de uma linguagem de ameaça, de chantagem ou de ultimatos ou que se fomente a ideia que podemos nem sequer ter o Orçamento do Estado para 2011 que é o primeiro orçamento de execução do PEC com que estamos comprometidos até 2013"  Pedro Silva Pereira, 23/09/2010 (à tarde).

Pedro Silva Pereira, 23/09/2010 (à noite).

Sem mais comentários, tratando-se do clone político do maior demagogo da democracia portuguesa. A retórica destes personagens não resiste a padrões mínimos de racionalidade, verdade e coerência.
Mas, o mais perturbador é o facto de muitos portugueses e de alguns políticos tacticistas demorarem tanto tempo a perceber que a incompetência, a irresponsabilidade, a desonestidade política, a megalomania e o estilo de atribuição auto-glorificadora de Sócrates e de alguns destes compinchas de governo e de partido constituem os principais obstáculos à criação de condições de seriedade e de transparência para o diálogo e a resolução dos problemas do país.

Principais problemas que afectam o ensino secundário

Na expectativa de que seja possível influenciar políticas alternativas que permitam uma reconfiguração da escola pública suportada em políticas e em processos sérios, transparentes, participados e técnica e pedagogicamente consistentes,  visando direccionar enfoques e investimentos pessoais para uma cultura de exigência susceptível de robustecer e de credibilizar as aprendizagens dos alunos, de forma a poder consumar-se uma inversão de rumo nas orientações facilitistas, farsantes (um generalizado triunfo do faz de conta) e centralistas que informam e enformam as actuais políticas educativas, lanço a iniciativa PENSAR E MUDAR O ENSINO SECUNDÁRIO que a seguir explicito e que, só um pouco mais à frente, poderei contextualizar e justificar melhor.
Trata-se de solicitar aos colegas, que leccionam habitualmente os anos de escolaridade do ensino secundário, mas sem excluir qualquer outro participante, o favor de me fazerem chegar, quer pela via do e-mail (octaviog@sapo.pt, com menção expressa de autorização de publicação aqui no blogue), quer através da caixa de comentários deste post, análises, diagnósticos, sugestões ou propostas focadas na situação do ensino secundário e, especificamente, numa ou em várias das seguintes vertentes:
- inquietações, insatisfações, dificuldades e/ou problemas com que os professores do ensino secundário se confrontam no quotidiano escolar e no desempenho das suas funções, sugerindo saídas e alternativas;
- dificuldades e condicionalismos experimentados pelos alunos do ensino secundário, propondo soluções;
- principais constrangimentos e problemas que afectam a organização e o funcionamento da escola pública, com incidências várias no ensino secundário, assim como alternativas de remediação, superação ou solução para os mesmos.
Fico a aguardar os contributos de todos, esperando que possam estimular a participação de outros colegas nesta iniciativa e agradecendo antecipadamente a disponibilidade e o interesse.

Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010

É porreiro que tenhamos um desígnio nacional

(...)

Já o escrevi incontáveis vezes, mas não desistirei de o repetir sempre que seja oportuno ou necessário: o enquadramento facilitista que foi dado às Novas Oportunidades e aos CEF constitui uma das maiores fraudes políticas que alguma vez ocorreu no sector da Educação, em Portugal, excluindo alguns episódios que, na Universidade Independente, alguém se encarregou de mandar para o "maneta", pela circunstância de legitimar injustiças, de veicular mensagens corrosivas para o esforço, o empenho e a exigência - anunciando o triunfo, chancelado pelo Estado, do chico-espertismo, mas também pelo dramatismo de o país estar a ser enganado e as expectativas de muitos jovens e adultos estarem a ser iludidas.
Com Sócrates, as facturas da irresponsabilidade política pagam-se sempre a prazo, quando a destruição de uma escola pública exigente e verdadeiramente qualificante já for irreversível ou quando o país, debilitado nas competências tecnocientíficas e na competitividade dos seus recursos humanos, se confrontar com a mediocridade generalizada. Aí já será tarde e Sócrates fruirá imperturbável as suas reformas douradas.
No mínimo, o país que se envergonha com estes expedientes tinha o direito de poder contar com a coragem e a persistência de alguns dos nossos jornalistas que estivessem dispostos a assumir a confrontação de Sócrates (por acção) e de Cavaco Silva (por omissão), a partir de dois inícios de entrevista muito simples:
- Não se sente o responsável pela farsa que tudo isto encerra e não considera que estas medidas facilitistas arruínam a ética do trabalho e o desenvolvimento do país? (para Sócrates);
- É esta a Educação que agora recuperou para o seu "desígnio nacional"? (para Cavaco Silva).
Para princípio de conversa, não estaria nada mal.
Por último, discordo da afirmação das jornalistas do Expresso que classificam as Novas Oportunidades de "via verde", pois, a rigor, do que se trata é de autênticos "chips de matrícula" no ensino superior, sem paragem e sem controlo.

Vade metro, Socranás

O episódio que relato de seguida não tem qualquer relevância, como tudo o que o primeiro-ministro diz, mas é ilustrativo de como o seu truque retórico, procurando exacerbar o valor e a importância de tudo aquilo que propõe, inaugura ou utiliza (do "absolutamente essencial" ao "mais moderno"), nem sempre ou quase nunca adere escorreitamente à realidade real.
Hoje, no decurso de uma das suas aparições propagandísticas diárias, Sócrates deu-se ares de ecologista, ao contrário dos membros do governo que o acompanharam e que não abdicaram das suas poluentes altas cilindradas, tendo-se dirigido de metro a uma feira de tecnologias, a decorrer na FIL, como forma de também celebrar o Dia Europeu sem Carros. Alardeando, com o excesso que o caracteriza, os pratos da sua "balança tecnológica", Sócrates evitou falar dos problemas do endividamento do país (pormenor de somenos e desenquadrado da futilidade retórica), mas ainda teve oportunidade para enaltecer o metro como uma excelente alternativa de transporte para a plebe (para os membros do governo seria pouco edificante e não resolveria o problema do défice), saindo-se com esta pérola, em conformidade com o seu credo retórico:
[É bom viajar de metro, até porque] "O metro de Lisboa é um dos metros mais modernos do país".
Pois, pudera! Os outros metros do país, excluindo aquele eléctrico do Porto que, de vez em quando, atravessa um ou outro túnel, quais são?...
Apenas um exemplo de como o discurso político de Sócrates se encontra reduzido a uma espécie de "tretalidade", isto é, pura, ainda que por vezes traiçoeira, encenação de tretas.

Inspiração ministerial

Quando as pessoas se deixam contaminar pelo "vírus" da desacreditada  propaganda socrática, perdem a sua autoridade e esvaziam uma parte substantiva da sua respeitabilidade, expondo-se, irremediavelmente, à ridicularização pública.
E já nem falo da versão "ministra da Educação Sexual" que circula em e-mails e está disponível na Internet, presumo que da autoria de Rui Unas, a qual, por uma questão de pudor e de réstia de respeitabilidade à pessoa Isabel Alçada e à figura institucional da ministra da Educação, me abstenho de postar.

Terça-feira, 21 de Setembro de 2010

É uma acusação grave, mas aquela gentinha de má memória não merecia outra coisa

Daqui
Margarida Moreira e a equipa ministerial da Educação da fase da arrogância socratina, além de verem a maioria das suas decisões de política educativa caírem como baralho de cartas, desde os titulares ao estatuto do aluno, acabam de ser acusados, pelo Observatório dos Direitos Humanos, de terem sancionado uma prática discriminatória, no caso da constituição de uma turma de crianças e jovens de etnia cigana, na escola de Barqueiros. Merecem isto e muito mais, pois, se em Portugal houvesse lugar à assunção da responsabilidade política pela generalidade dos desmandos e dos ataques à escola pública, esta gente teria muito por onde responder.
No mínimo, fico a aguardar uma condenação desta prática discriminatória, por parte da bancada do PS, no Parlamento, à semelhança do que a maioria dos deputados socialistas fez, há escassos dias, relativamente à expulsão de cidadãos romenos, em França.
Relativamente à situação, nada mais tenho a acrescentar àquilo que escrevi, em 22 de Março de 2009, e que agora republico:
"O caso dos alunos de etnia cigana de Barqueiros e da sua confinação a um único espaço (independentemente de não se tratar do espaço simbolicamente mais nobre da escola, o que também contribui para esvaziar o argumento da discriminação positiva) constitui um péssimo exemplo de convivência e integração intercultural, pelas razões a seguir aduzidas:

Quando toca a recordes, ninguém o bate

Daqui
Para quem apareceu com tanta fanfarronice política, Sócrates não só desiludiu muitos daqueles que inicialmente acreditaram nele (na parte que me toca, tirei-o logo pela pinta e, nem sob coacção, votaria alguma vez em tal propagandista), como caminha para uma saída de sendeiro da vida política, uma vez somados os erros políticos cometidos, a prepotência medíocre, a crispação gratuita gerada na sociedade e nas instituições,a obsessão propagandística, as mentirolas e a falta de seriedade política, a que acresce, nesta ponta final, o escangalho da situação económica, de que o malparado no crédito é apenas uma expressão, na linha do insustentável défice do Estado.
Do desemprego aos principais indicadores económicos, Sócrates vem coleccionando recordes vergonhosos e extraordinariamente difíceis de igualar, de tal forma que ainda não deve ter nascido o primeiro-ministro que venha a fazer pior.
Resta a alguns a inconsciente consolação de acompanharem a marcha determinada, alucinada e triunfante de Sócrates a caminho do abismo.

Projectos de Metas de Aprendizagem

Embora este blogue não tenha por vocação a divulgação de materiais e documentos do ministério da Educação, não faltando para este domínio específico excelentes alternativas na blogosfera docente, abro aqui mais uma excepção e disponibilizo vários documentos que me chegaram via e-mail e que supostamente incorporam os Projectos de Metas de Aprendizagem para o ensino básico e as disciplinas de Matemática, Língua Portuguesa, Ciências Naturais, Geografia e História.
Divulgo-as tal como as recebi por e-mail sem garantia que venham a corresponder à versão oficial e final do ministério da Educação. De qualquer forma parecem-me documentos elucidativos que parecem antecipar mais uma área de centralismo pedagógico, de sobreposição, diferenciação ou incompatibilização com manuais e planificações elaboradas/aprovadas, podendo vir a lançar mais um domínio de confusão nas escolas.
Melhor seria uma definição incomparavelmente mais frugal e básica, deixando espaço para a autonomia pedagógica das escolas.
No entanto, tudo isto é contingencial à redefinição que o ministério da Educação empreendeu a partir destas propostas.
Metas de Aprend MATEMÁTICA

Metas de Aprend HISTÓRIA

Metas de Aprend CIÊNCIAS NAT

Metas de Aprend (GEOGRAFIA)[1]

Metas Aprend LÍNGUA PORTUGUESA

Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010

Sócrates, numa insólita versão realista

Consta que depois de mais uma reunião da UE, a chanceler alemã, o presidente francês e os primeiros-ministros de Inglaterra e de Portugal, para "aliviar" a pressão, resolvem passear pelo Louvre e param meditativos perante uma sublime pintura de Adão e Eva no Paraíso.
Desabafa Angela Merkel: 
- Olhem, que perfeição de corpos: ela esbelta e esguia, ele com este corpo atlético, os músculos perfilados... São necessariamente estereótipos alemães.
Imediatamente, Sarkozy reagiu: 
- Não acredito. É evidente o erotismo que se desprende de ambas as figuras... ela tão feminina... ele tão masculino... Sabem que em breve chegará a tentação... Só poderiam ser franceses.
Movendo negativamente a cabeça, David Cameron arrisca:
- Of course not! Notem... a serenidade dos seus rostos, a delicadeza da pose, a sobriedade do gesto. Só podem ser ingleses.
Depois de alguns segundos mais de contemplação, Sócrates exclama: 
- Não concordo. Reparem bem: não têm roupa, não têm sapatos, não têm casa, só têm uma simples maçã para comer... não protestam e ainda pensam que estão no Paraíso. Não tenham a menor dúvida, são portugueses!
(Obviamente, adaptação pessoal de uma anedota recebida por e-mail)

Mas, que Educação?

Daqui
Concordo que a Educação deva assumir a centralidade das preocupações e dos investimentos públicos, uma vez que o capital humano é o factor decisivo para um desenvolvimento sustentado e duradouro.
Todavia, tendo a desconfiar do conceito de "desígnio nacional", depois de ter constatado o faz de conta e a arbitrariedade da avaliação de desempenho dos professores que Sócrates projectou, no seu desvario propagandístico, em "desígnio da governação".
Só acredito neste requentado "desígnio nacional", que também já foi "paixão" de outros, no dia em Cavaco Silva ganhe a coragem suficiente para se demarcar publicamente da palhaçada facilitista, demagógica e estatística em que se converteu a Educação socrática, desde o ataque à respeitabilidade e à autoridade dos professores até ao sacrifício da aprendizagem à banalização das certificações.
Se Cavaco não der sinais claros de afastamento em relação às miseráveis políticas educativas de Sócrates (já que Alegre se "vendeu" ao socratismo), a afirmação de valorização da Educação é mera retórica de pré-candidato, talvez na tentativa de recuperar a confiança que os professores perderam no desempenho do seu mandato, aparentemente conivente com o socratismo.
Para já, não é suficiente, pois esta Educação actual não é desígnio de coisa nenhuma.

Sábado, 18 de Setembro de 2010

O Benfica e a Joaninha


Qual é a diferença entre o Benfica e uma Joaninha?
Ambos são vermelhos, mas a Joaninha tem mais pontos do que o Benfica...


Há comparações que podem tornar-se ameaçadoras, ainda por cima quando envolvem seres para cujo pathos as emoções futebolísticas são absolutamente indiferentes.
Tendo em conta a existência de muitos milhões de benfiquistas, porventura nem todos dotados de consciência ecológica, podemos ser levados a temer pela extinção desta simpática espécie se alguns virarem a sua frustração e ira para estes inofensivos seres.
De forma a abordarem isto pela positiva, os benfiquistas sempre podem substituir a cantilena que repetíamos na nossa infância, adaptando-a ao momento e à circunstância actual:
"Joaninha voa, voa, leva os pontos a Lisboa!..."

Isabel Alçada não merece esta campanha

In Expresso, 18/09/2010
Já muita tinta correu e se gastou a propósito da mensagem de ano novo (escolar, entenda-se) da Senhora Ministra da Educação, Isabel Alçada. E, disso não há qualquer dúvida, muita tinta e papel se hão-de gastar para classificar cada palavra, cada gesto e cada esgar de um discurso que ficará, certamente para a história da Educação da Nação. Já para não referir dissertações de mestrado, teses de doutoramento, estudos de pós-doutoramento e outros quejandos.
Por isso mesmo, só se poderão repudiar alguns comentários menos abonatórios, como os do jornal Expresso deste fim-de-semana, classificando tal discurso “como se falasse para crianças de cinco anos” ou, referindo-se ao conteúdo do "mêmo", como “algures entre o nada e coisa nenhuma”, ou ainda algo “a não repetir”. Tudo isto só pode fazer parte de alguma campanha, de cor ainda não identificada, para denegrir a reentré de Isabel Alçada! Enfim, uma situação perfeitamente normal!
Como diz a dado passo do discurso, e com razão, convém “não esquecer que há tempo para tudo” e o tempo mostrará certamente o alcance profético da mensagem da Senhora Ministra. Isabel Alçada não merece isto! Não merece "mêmo"!!!
Venha a próxima reentré!!!
Manuel Salgueiro

Recepção entusiástica à mensagem de Isabel Alçada

Sob a forma de ginástica precoce do corpo e da mente.
Algures numa qualquer creche inaugurada, ou a inaugurar, por Sua Excelência o Sr. Primeiro-Ministro.

Exposta ao ridículo

Se a anterior ministra da Educação me desencadeou revolta, indignação e nojo, em doses e intensidades inusitadas, a actual pouco mais me desperta que comiseração e vergonha.
Nunca um ministro da Educação se havia exposto a tamanho confrangimento intelectual, teatralismo e ridículo, como o tem vindo a fazer Isabel Alçada, de tal forma que só aqueles que se sentem confortáveis com o nível intelectual exigível e pressuposto na sua rábula de início de ano lectivo são capazes de o compreender ou aplaudir, como é o caso de Albino, o habilidosamente convertido numa espécie de Pai Eterno.
Digamos que o espírito de cada momento político acaba sempre a projectar aqueles que o igualam ou mimetizam: políticas educativas medíocres e destituídas de exigência e seriedade encontram os seus rostos em personagens como Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues, Valter Lemos, Jorge Pedreira, Isabel Alçada, Trocado da Mata, Alexandre Ventura, mas também Albino Almeida e Almeida dos Santos, para não me alongar para áreas que nos são mais próximas.
A forma como a comunicação social, a blogosfera, os agentes educativos e a opinião pública em geral têm apoucado e anedotizado as intervenções públicas de Isabel Alçada, não pode deixar de envergonhar os professores, de tão sofrivelmente governados e representados.
Isabel Alçada vem protagonizando, nas suas aparições e intervenções, uma fragilização e degradação públicas da imagem institucional reservada a uma figura do Estado como o ministro da Educação, mercê de uma óbvia falta de densidade cultural, técnica e política.
Digamos que estamos perante uma versão ministerial ao nível do pior das Novas Oportunidades e dos CEF.

Continuar a ler aqui...
Daqui (clicar na imagem para aumentar)

Um glorioso afundanço

In Público, 17/09/2010 (clicar na imagem para aumentar)
Uma desmontagem sublime da retórica, das tretas, das mentiras e da completa ausência de seriedade política que o circo socrático põe, diariamente, em cena, aproveitando a indiferença, o oportunismo, o sectarismo, a subserviência ou a bovinidade de uns quantos.

Vamos lá brincar às avaliações de desempenho

Está de regresso às escolas a farsa da avaliação do desempenho, gizada por Maria de Lurdes Rodrigues e acolhida, em Janeiro de 2010, pela Fne e pela Fenprof, no contexto de um Acordo acoitado com uma espécie de "haja alegria e Casal Garcia".
Escusemos quaisquer rodeios: uma avaliação que não controla e é incapaz de garantir a imparcialidade, a sensatez e a maior autoridade científica e pedagógica do avaliador, que no essencial desempenha funções idênticas às do avaliado (sem curar de saber quem as desempenha melhor), colocando professores, sem qualquer formação ou treino, a avaliar colegas, só pode redundar em arbitrariedade, instabilidade, conflitualidade e falta de seriedade.
A alegoria, a seguir disponibilizada e recebida por e-mail, traduz magistralmente a principal fraqueza que afecta esta palhaçada de avaliação que as escolas e os professores se preparam para implementar.


«O dono de um talho foi surpreendido pela entrada de um cão dentro da loja.
Enxota-o, mas o cão volta a entrar. Volta a enxotá-lo e repara que o cão traz um bilhete na boca. Apanha o bilhete e lê: 'Manda-me 12 salsichas e uma perna de carneiro, por favor? ' Também repara que o cão tem na boca uma nota de 50 euros. Avia o cão e põe-lhe o saco de compras na boca.
Impressionado e, como estava para fechar, resolve seguir o cão. O cão desce a rua, chega aos semáforos e, com um salto, carrega no botão para ligar o sinal verde. Aguarda a mudança de cor do sinal, atravessa a rua e dirige-se à paragem dos autocarros. O talhante estava perplexo! Na paragem, o cão observa o painel dos horários e senta-se no banco, aguardando o autocarro.
Chega um autocarro, o cão vai à sua frente verificar o número e volta a sentar-se no banco.
Chega outro autocarro e, verificando que era aquele o número certo, entra.
E o talhante, de boca aberta, também entra para seguir o cão.
Algumas paragens depois, o cão fica em pé das patas traseiras e carrega no botão de stop, para mandar parar o autocarro e sempre com as compras na boca. O talhante e o cão caminham pela rua, quando o cão parou à porta de uma casa e pôs as compras no passeio.. Vira-se um pouco, correu e atirou-se contra a porta. Repetiu o acto, mas ninguém lhe abre a porta. Contorna a casa, salta um muro e, numa janela, começa a bater com a cabeça no vidro várias vezes, retornando para a porta. De repente, aparece um tipo enorme a abrir a porta e começa a bater no cão. O talhante corre até ao homem, tenta-o impedir de bater mais no cão e diz-lhe bastante indignado:
'Ó homem, o que é que está a fazer? O seu cão é um génio!'
O homem responde: 'Um génio? Já é a segunda vez esta semana que este estúpido cão, se esquece da chave!'
Moral da história:
Podes continuar a exceder as expectativas, mas... a tua avaliação depende sempre da competência de quem te avalia

Sexta-feira, 17 de Setembro de 2010

Não é só nas “Novas Oportunidades” que compensa

Em tempos, notícias vindas a lume mostravam que a PT não parecia um local muito recomendado para trabalhar. Henrique Granadeiro queixou-se de ter sido “encornado”, Zeinal Bava queixou-se de “traição” e   Rui Pedro Soares queixou-se como estando “nos cornos do touro”. Basicamente, e a priori, a PT não parece ser mesmo um local nada recomendável para se trabalhar, atendendo a estes desabafos. E isto deveria ser apenas a ponta do iceberg...
No entanto, e como seria de suspeitar, só poderia haver aqui gato escondido com rabo de fora; alguém que preze alguns valores se sujeita a trabalhar perante tais afrontas?! Há que reconhecer que não deve ser nada fácil suportar algumas situações de violência insuportável e indescritível!
Mesmo que inexplicável, tudo tem explicação. A crer na notícia, esta mesma PT pagou a modesta quantia de 1.797.544 euros, isto é, uns trocos, a dois, ex-administradores (Rui Pedro Soares e Fernando Soares Carneiro) que se demitiram na sequência do seu envolvimento no processo "Face Oculta", o  famigerado negócio / não negócio de compra / não compra da TVI pela PT. Atente-se (a ser verdade a notícia) é na delícia do pormenor: Estes senhores demitem-se e ainda são indemnizados!? O negócio abortou e são recompensados com estes valores!? Assim está bem!!! Só se deseja que estes trocos contribuam para os respectivos senhores viverem com dignidade, enquanto procuram (novo) emprego, que a coisa não deve ser (mesmo) nada fácil...
Afinal, as aparências enganam mesmo, nem tudo parece o que é... Adaptando esse grande slogan da revolução silenciosa que se vai fazendo na Educação da Nação (o Aprende compensa nas “Novas Oportunidades”), trabalhar para a PT, pelo menos para alguns, também compensa! E muito!!!
Manuel Salgueiro

O que eles gostavam, memo, memo, era de contratar, pá!

Daqui
É absolutamente deplorável, mas também indicativa daquilo que muita desta gente persegue, a concepção dsitorcida, e até equivocada, que os directores têm, nos planos organizacional e pedagógico, da autonomia das escolas e do sucesso educativo.
Submeter o essencial da autonomia das escolas à contratação de professores e considerar que a obtenção de resultados, na prossecução do sucesso educativo, sairia facilitada se os directores dispusessem do arbítrio para proceder à contratação de professores, constitui uma visão empobrecedora da autonomia das escolas e uma deriva perigosa que viria adensar, ainda mais, as suspeitas de favorecimento pessoal, corrupção, nepotismo e injustiça social.
O essencial da autonomia passa, quer pela possibilidade de adaptação e flexibilização na definição, organização e gestão dos currículos, em função das especificidades dos alunos e das identidades e dinâmicas ou constrangimentos locais, quer por capacitações de gestão e margens de intervenção para potenciar os recursos humanos à disposição da própria escola (flexibilização das respostas às dificuldades dos alunos, agilização de procedimentos, motivação de equipas, negociação de contrapartidas, etc.).
Centrar o problema na contratação de professores, quando o grosso dos corpos docentes das escolas são estáveis e respeitam critérios de graduação profissional, com prevalência de habilitações académicas e experiência profissional, só pode querer significar uma de duas coisas: um juízo ou intenção depreciativa sobre a competência (falta fazer prova da incompetência - que a existir será de uma minoria marginal) dos professores colocados nas escolas pelo ministério da Educação; a intenção de o director poder despedir e/ou sobrepor os seus critérios fulanizados de contratação à objectividade e à equidade da graduação profissional.
Além do mais, num país como Portugal, habituado à cunha, ao compadrio e ao nepotismo, a contratação de docentes pelos directores redundaria num desastre do ponto de vista pedagógico (o que melhorou nas escolas TEIP com essa possibilidade? Nada) e num aumento da opacidade da vida escolar, social e política, conduzindo à marginalização daqueles candidatos a professores que, mau grado as suas capacitações, não pertencessem à rede de contactos e amizades dos directores.
Se muitos dos regedores da sua "farmville", esvaziam o essencial da autonomia das escolas na contratação de professores, então estamos conversados sobre o rumo desgraçado que a escola pública tomará, em Portugal, anunciando-se tempos dourados para familiares, amigos, compadres, correlegionários políticos, amantes e afins.
Estes personagens ainda não perceberam que não se constrói nenhuma verdadeira educação e formação de cidadãos se os professores não gozarem de autonomia funcional e pedagógica relativamente aos humores do reinado efémero de um qualquer director. Nenhuma autonomia é construída na base de professores subjugados e vassalos da vontade de directores.
A dependência, domesticação e subjugação do professor aumentará na exacta proporção em que se aprofunde a autonomia e o arbítrio do director para contratar.

Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010

A luta continua

A Associação de Pais e Encarregados de Educação do (prepotentemente extinto) Agrupamento de Escolas do Baixo Barroso não desarma e prossegue a sua luta contra os mega-agrupamentos e, especificamente, contra a fusão dos agrupamentos do concelho de Montalegre.
O presidente da Associação, senhor Manuel Veras, dirigiu, hoje, uma carta aos pais a reafirmar as razões que lhes assistem e a apelar à participação dos mesmos na reunião com uma delegação da DREN que terá lugar no dia 20 de Setembro, na sede do extinto Agrupamento de Escolas do Baixo Barroso.

É possível um outro olhar sobre a educação

In Público, 15/09/2010 (clicar na imagem para aumentar)
Santana Castilho, com a excelência e o rigor de análise a que habituou professores e leitores do jornal Público, prossegue a desmontagem da filosofia estritamente economicista da OCDE e dos indicadores estatísticos que esta organização disponibiliza no documento Education at a Glance 2010, assim como destroça as leituras políticas trapaceiras típicas da propaganda socrática.
Como Santana Castilho tem vindo a demonstrar, é possível elevar e qualificar o debate sobre a natureza e os resultados das políticas e das medidas educativas, incomparavelmente acima da propaganda e da infantilidade, através de um olhar crítico, fundamentado e sério sobre a educação, nas suas diferentes dimensões e expressões.
Por conseguinte, não posso deixar de continuar a lamentar que a oposição política se mostre incapaz de rebater, taco a taco, a propaganda e o ilusionismo socráticos na área da educação, quando era tão fácil constituir governos-sombra que integrassem especialistas com o conhecimento, a capacidade e a seriedade de Santana Castilho.

Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010

É pró menino e prá menina

Mesmo descontando os problemas de dicção e as já referenciadas dificuldades de construção sintáctica e de estruturação frásica, que nem seriam graves se não estivéssemos perante uma escritora, uma professora e uma ministra da Educação, esta declaração de Isabel Alçada é bem provável que venha a constituir-se como um exemplo paradigmático do que não deve ser uma comunicação eficaz e bem estruturada, pelo menos na base das seguintes razões:
- mistura caoticamente os públicos-alvo a que se dirige, entre "meninos" e "professores", sem que ocorra alteração do registo infantilizado da postura e da mensagem;
- secundarizou, absolutamente, a função e a relevância dos professores, para já não falar de um certo desprezo pelas famílias ("e até") e pela responsabilização dos encarregados de educação;
- Isabel Alçada não é apenas ministra dos jardins-de-infância e das escolas do 1º ciclo, sendo o tom e o conteúdo da mensagem recebido e interpretado pelos alunos do ensino secundário, por exemplo, como absolutamente pueril e ridículo;
- mesmo que sem intencionalidade subjacente, menorizou o estatuto intelectual e o nível de desenvolvimento cognitivo e emocional de uma parte significativa dos alunos portugueses que já não respondem àquele tipo de denotação, de argumentação e de afectividade maternal;
- a ministra levou longe de mais a tentativa de dessacralização do poder e da responsabilidade da figura institucional que representa, incorrendo numa desnecessária infantilização e banalização do discurso e veiculando uma imagem de negligenciação pedagógica e motivacional, tendo em conta tratar-se de um discurso de uma ministra da Educação que se dirigia aos agentes educativos, no início de um novo ano lectivo;
- do ponto de vista estrito do conteúdo do discurso, as analogias e os argumentos utilizados para suportar a importância do estudo são de uma indigência confrangedora, confundindo meios e fins (o desenvolvimento cerebral não é um fim em si mesmo), e de muito limitada dinâmica motivacional (ninguém estuda com a finalidade de realizar uma espécie de fitness cerebral);
- em consequência de tudo isto, a comunicação social e a blogosfera sacrificaram o conteúdo da mensagem à forma e, sobretudo, à sua redutora exposição picaresca, o que o esvazia de qualquer eficácia pedagógica, uma vez reduzida a mensagem às incidências caricatas da peça que a suporta.

Prestes a colapsar

Gabriela Canavilhas, ministra da Cultura, surpreendeu ao confessar-se preocupada, pelas implicações e desafios para o financiamento da cultura que daí advirão, com o "colapso iminente do Estado social".
Esta afirmação reveste-se de uma dupla incomodidade para Sócrates:
- contraria-lhe o discurso optimista e confiante;
- compromete a mensagem de eficácia da sua bravata em defesa do Estado social.
Nem a circunstância de estarmos perante uma virtuosa pianista, parece evitar as óbvias desafinações no (des)governo de Sócrates.

Terça-feira, 14 de Setembro de 2010

Questão para Sócrates responder no próximo comício, se faz favor

Uma vez que Sócrates se tem apresentado como o paladino e o guardião do estado social, enfatizando a sua oposição à progressividade no pagamento dos custos da saúde e da educação (presumo que não devam existir diferenças, tratando-de de dois direitos fundamentais dos cidadãos), por que razão foi solicitado à minha filha, aquando da inscrição no ensino superior público, que indicasse o rendimento mensal do agregado familiar para, a partir daí, me vir a ser exigido o pagamento integral da propina máxima?
Como se escoram, no caso da educação, o argumento da gratuitidade e o contra-argumento do assistencialismo?

Estragaram-lhes a festarola

Daqui
Não foi nada porreiro o que alguns estudantes universitários fizeram a Sócrates e Mariano Gago, no contexto de mais uma acção vomitória de propaganda e de auto-elogio que a subserviência e a rédea curta das televisões insiste em nos impingir todos os dias.
Acontece que, num país anestesiado e sujeito a uma espécie de castração da vontade, enfrentar a fera (mesmo que mediaticamente amansada) de frente e com intrepidez, não é desassombro que esteja ao alcance de muitos.
Proponho ao próximo presidente da República que, nas comemorações do dia 10 de Junho, não esqueça o dever de condecoração destes estudantes, pela coragem, assertividade e serviço público evidenciados.
Talvez, Mariano Gago até fosse o membro do governo (juntamente com o ministro Luís Amado) que menos merecesse este tipo de boicote ao ilusionismo governamental, embora deva evitar ser arrastado, por Sócrates, para este tipo de manifestações de propaganda doentia.
Mas, que Sócrates se andava a pôr a jeito, lá isso andava!...