Um murro de Santana Castilho na consciência de Passos Coelho e da elite política "laranja" (18-01-2012): As "natas"

Domingo, 31 de Outubro de 2010

Isto não é uma A.Ventura na escola da treta

O que divulgo em baixo é a entrevista que Fernando Savater, um reputado Professor Catedrático de Ética, numa universidade de Madrid, e que todos os professores e alunos de Filosofia conhecem, deu ao Expresso (revista Atual, deste sábado) e que devia constituir leitura obrigatória, especificamente para o secretário de Estado da Educação, A. Ventura, e para aqueles professores que, nas escolas, se vão excitando com as tralhas pedagógicas do eduquês e com o convencimento de serem grandes actores na farsa da avaliação do desempenho, com claro prejuízo para a preparação exigente dos seus alunos.
Apesar da densidade e da relevância de toda a entrevista, permito-me destacar as ideias base que alguns de nós temos vindo a defender e que se encontram aqui reforçadas por uma voz autorizada:
- a defesa da autoridade do professor dentro da sala de aula, sem as meias tintas das pedagogias igualitaristas;
- a implícita imputação à escola, pela negligenciação na transmissão do conhecimento e no desenvolvimento da cidadania democrática, da responsabilidade pela existência de uma sociedade ignorante que tolera e legitima a mediocridade política (um excelente enquadramento para a compreensão do fenómeno "Sócrates");
- o sublinhado de que a missão fundamental da escola é formar para a cidadania democrática e, acima de tudo, ensinar, uma vez que "[As aulas] São um lugar onde se transmite conhecimento". Aliás, só o conhecimento, não o faz-de-conta, liberta o homem da ignorância e robustece a sua participação democrática.
Nos antípodas da escola da transmissão do conhecimento, que se projecta na entrevista de Savater, está a escola teatral e da treta que pode ser vislumbrada na concepção peregrina (e discriminatória) do secretário de Estado da Educação, A. Ventura, quando separa a componente pedagógica da componente científica, no âmbito da avaliação do desempenho de coordenadores e relatores (marteladas ad hoc para disfarçar o empenado e o disfuncionamento do modelo), valorizando a primeira e tornando irrelevante a segunda. Para a escola de A. Ventura torna-se indiferente o que o professor ensina (a adequação do conhecimento que transmite), desde que o faça com estilo, espalhafato ou teatralidade.
Se o povo não vagueasse ignorante, se a intelectualidade nacional não andasse comatosa e alienada com o endividamento socrático e se os professores, nas escolas, não tivessem aderido ao jogo oportunista e discricionário de ganhar vantagens, há muito que esta escola da treta estaria lacrada em desprezíveis anais da história.

P.S.: conhecedor de blogues de professores e invadido por emails que se vêm dedicando à divulgação da instrumentária burocrática que veste esta absurda avaliação do desempenho, como quem espalha mel sob papel amarelo para atrair moscas sedentas de ultrapassar colegas pela faixa da palhaçada, não posso deixar de lamentar que alguns professores ex-resistentes estejam agora entre os mensageiros da farsa.

In Atual, Expresso (30-10/2010)

E qual é o problema?

Altos quadros acusados mantêm funções

A crer na notícia, três altos quadros da REN (Redes Energéticas Nacionais), envolvidos no processo Face Oculta, na sequência do qual foram “constituídos arguidos e (...) acusados de vários crimes, entre os quais corrupção para acto ilícito, participação económica em negócio e abuso de poder, continuam em funções”. Note-se: acusados de vários crimes, nomeadamente de corrupção, participação económica e abuso de poder e... nada! Continuam em funções! Assim está bem, que a coisa está negra e a crise aperta! Era só  oque faltava, estes cavalheiros irem engrossar (ainda) mais os números do desemprego em Portugal!
E nem sequer se percebe o espanto (?) da notícia. Se pensarmos nalguns episódios como a promessa da criação de 150 000 empregos, algures por 2005 e, em vez disso, o país levar com mais de 600 000 desempregados em 2010 ou no facto de os números das contas públicas dificilmente baterem certo ou, ainda mais grave, que se mente no parlamento e nada acontece, dá vontade de perguntar: Se noutras circunstâncias nada de anormal se passou, por que razão agora teria de acontecer? Afinal, qual é o mal? Já agora!...
Manuel Salgueiro

De mansinho, estão de volta às escolas os acessos de loucura do Lurdismo


Perante mais este acesso de loucura, não consigo pensar em outra solução, no imediato, que não seja, na impossibilidade legal e civilizacional de lhes decretar trabalhos forçados a ler, 12 horas por dia e ao longo de vários anos, actas, fichas, grelhas e demais documentação produzida e relacionada com a avaliação do desempenho, aconselhar algo semelhante a uma espécie de internamento psiquiátrico compulsivo desta gente, até aclararem as ideias e recuperarem o bom senso.
Era também importante que os pais/encarregados de educação e a sociedade em geral tivessem a noção da perturbação que esta gente causa à organização das escolas e, sobretudo, o prejuízo que acarretam para as aprendizagens dos alunos.
Inquieta-me e indigna-me pensar que sindicatos, escolas e professores tolerem e pactuem com este tipo de trabalho demencial que, ainda há dois anos atrás, recusavam a plenos pulmões nas avenidas da Liberdade.
Neste sentido, subscrevo o repto do Ramiro ao PSD: declarar antecipadamente que, com o partido em funções governativas, umas das primeiras medidas a tomar passará por expurgar o ministério da Educação e as escolas desta excrescência que dá pelo nome de CCAP (Conselho Científico para a Avaliação dos Professores).

Declaração pessoal de interesses a pensar nas eleições legislativas de Junho de 2011

Na sequência do post anterior, aqui fica a minha declaração de interesses em termos do partido em que votarei nas próximas eleições, apenas com a ressalva natural de que no PS de Sócrates, nem morto o farei.
Tendo em conta que relativamente ao modelo e às decisões de natureza económica, os partidos comprometeram a soberania do país e deixaram de ter autonomia de actuação, como foi visível na aprovação do Orçamento para 2011 (com Sócrates a colocar-nos à mercê de Bruxelas e dos "cobradores do fraque" europeus), os meus interesses centram-se, fundamentalmente, nas políticas educativas, pelo que o meu voto irá para o partido que antes das próximas eleições legislativas se comprometa publicamente com o seguinte caderno minimalista de encargos:
- pôr fim à farsa inerente ao actual modelo de avaliação do desempenho, substituindo-o por um misto de avaliação externa, provas públicas internas (em um ou dois momentos na carreira) e reflexão e acompanhamento nas escolas dos casos de inadaptação funcional ou de injustificados desvios no insucesso/sucesso, numa perspectiva cooperante e formativa;
- garantir a colocação de professores na base de um concurso nacional transparente e suportado na graduação profissional;
- reforçar os mecanismos de controlo democrático da actuação dos directores, permitindo às escolas que optem pelo melhor modelo de gestão ou, em alternativa, conferindo aos professores representados no Conselho Geral o direito de veto sobre o director nomeado;
- apostar num ensino exigente e de qualidade técnica e científica comprovada, valorizando-se os conhecimentos e um núcleo básico de competências, bem como implementando exames nacionais nos finais de cada ciclo de estudos;
- certificar competências de entrada na carreira docente, à semelhança do que acontece em vários outros grupos profissionais.
Se as agendas dos partidos não coincidirem ou se afastarem, para além do razoável, destas minhas ideias, então, não contarão com o meu voto, por mais insignificante que ele possa ser.

O que eu queria mesmo, mesmo, era poder contratar

In Público, 29/10/2010 (Clicar na imagem para aumentar. Obrigado, Zé!)
A pretexto de criticar os rankings das escolas (talvez sacudindo a água do capote pela circunstância de a Escola Básica 2,3 Teixeira Lopes, que integra o agrupamento que dirige, ser, no ranking do Público, a 2ª pior escola básica do concelho de Vila Nova de Gaia), este director constrói uma falácia argumentativa de cabo a rabo para fazer depender o sucesso educativo de uma condição fundamental que se confunde com uma ambição privada, ou seja, a possibilidade de poder ser Sua Excelência a contratar os professores.
E a falácia sustenta-se nos seguintes truques, vícios e extrapolações indevidas:
- o autor da crónica não apresenta dados ou estudos (porque não dispõe dos mesmos) que lhe permitam estabelecer qualquer relação de causalidade ou sequer mera associação entre a contratação dos professores pelas escolas e a verificação de maior sucesso educativo por parte dos alunos. Pelo contrário, nas escolas TEIP parece ter ocorrido o efeito inverso. Poder-se-ia invocar o caso dos colégios privados, mas tal também não colhe, porque aí estamos perante uma outra filosofia organizacional e pedagógica, sem um modelo de avaliação contraproducente, tralhas pedagógicas ou secundarizações sistémicas de uma aposta crucial e exigente nas aprendizagens dos alunos;
- esconde-se que o insucesso educativo possa resultar do triunfo do eduquês e da implementação de políticas educativas que negligenciaram o esforço e o empenho dos alunos e impuseram um paradigma de ocupação e de entretenimento facilitista, algo que não se verifica em muitas escolas do ensino privado;
- não se prova que os critérios de contratação de uma escola ou de um director sejam melhores e mais transparentes do que as classificações académicas e a experiência profissional que se encontram reflectidas na graduação profissional dos professores. O que se pode exigir é celeridade nos processos de colocação e de substituição dos professores, assim como maior autonomia da escola para actuar nos (felizmente raros) casos de incumprimento reiterado dos deveres e das exigências pedagógico-científicas a que um professor está vinculado;
- conhecendo-se a falta de escrúpulos e de exemplaridade de muitas pessoas, a tendência para predominarem redes de interesses político-partidários ou de amizades, o caminho que se abria para criar relações de dependências e subserviências pessoais e locais, assim como a exclusão daqueles que não dispusessem dos "conhecimentos" e dos "contactos" certos, era expectável que o ambiente nas escolas viesse a assumir contornos de vassalagem medieval, incompatíveis com a natureza e a missão de uma escola pública que deve garantir a todos os professores e candidatos a professores condições de igualdade de acesso, apenas em função de critérios universais e iguais para todos;
- o que se deveria reclamar era a autonomia pedagógica das escolas para adaptarem determinados currículos, mas, sobretudo, para que se pudessem organizar e mobilizar à volta do investimento nas aprendizagens dos alunos e na resposta organizada e sistemática às suas dificuldades, ao invés de se sobrecarregarem os professores com jogos teatrais de hetero-avaliação, com reuniões e com papeladas que só atrapalham.
Os sindicatos, os movimentos de professores e os professores devem opor-se a esta ambição de alguns directores que, num país refém de cunhas, apadrinhamentos e demais amiguismos, está bom de ver o resultado que daí adviria.
Como exporei, num próximo post, farei depender o meu voto, nas próximas eleições legislativas, também do compromisso público dos partidos em negarem esta pretensão de contratadores a este tipo de caudilhos escolares.

Sábado, 30 de Outubro de 2010

Nenhum sindicalista será deixado para trás! É de homens

A propósito desta notícia, de acordo com a qual os professores que se encontravam em exercício de funções sindicais fora da escola (bem como deputados e outros em exercício de funções públicas), durante o mandato de Maria de Lurdes Rodrigues, podem agora progredir no quadro da avaliação intercalar, admito que estejamos perante uma de duas situações:
- a iniciativa partiu de Isabel Alçada, por generosidade (mesmo que eu defenda que se trata de um direito dos docentes, desde que satisfeitas determinadas condições, para evitar expedientes) ou por razões tácticas destinadas a apaziguar a ira sindical pelo rasganço do acordo de princípios;
- tratou-se de um compromisso estabelecido entre sindicatos e ministério da Educação, naquele dia fatídico de 7 de Janeiro de 2010, mas que não foi inscrito no Acordo, para evitar leituras de que os sindicatos defenderam mais os seus próprios interesses do que as reivindicações dos professores (o que, de qualquer forma, já era verdade).
Eu como não acredito em gestos de bondade do socratismo, inclino-me naturalmente para a segunda hipótese.
Embora reconheça o direito destes professores a progredirem, apenas lamento o seguinte:
- que seja agora ainda mais evidente que estamos perante um acordo de falta de princípios, em que os sindicatos procuraram assegurar a progressão de quem não estava nas escolas, ao mesmo tempo que abandonavam os professores resistentes e acordavam a sua não progressão, apenas porque se recusaram a participar na farsa da avaliação e a entregar um papelucho de caracacá, mesmo tendo sido excelentes profissionais que cumpriram exemplarmente a sua função de ensinar e de participar na vida da escola, ao contrário de quem não esteve na escola e acaba assim a progredir;
- estranhamente, a avaliação dos dirigentes sindicais não inclui a pantomina que os sindicatos aceitaram para a avaliação dos professores nas escolas, a não ser que Alexandre Ventura tenha insistido no zelo estapafúrdio que agora coloca na avaliação dos professores bibliotecários (ao contrário de coordenadores e relatores) e ainda venhamos a assistir a uma espécie de avaliação outonal para dirigentes sindicais, do tipo Avelãs avalia Nogueira.

E o responsável é?

In Público, 29/10/2010 (Clicar na imagem para aumentar. Obrigado, Zé!)  




Uma análise lúcida de José Manuel Fernandes, à semelhança de muitas outras desde que perdeu a virgindade da crença no socratismo e seus ajudantes, sobre as negociações que levaram à viabilização do Orçamento, sobre a actual situação do país e sobre o principal responsável que trouxe o país até esta perda da independência nacional.
Pena que este analista tenha passado por uma fase de completo obscurantismo no período dos ataques mais soezes de Maria de Lurdes Rodrigues aos professores. Mas, a vida também é feita de aprendizagens, conquistas de clarividências, mesmo que tardias, e reconversões.

E isto é uma boa notícia?

Sem dúvida, a notícia do dia, para além das inundações de Costa a Costa (qual é a serventia de um presidente de Câmara que nem um sistema de escoamento de águas pluviais consegue pôr a funcionar?) em Lisboa, é a da viabilização do "mau Orçamento", por parte do partido muleta da manutenção de Sócrates à frente dos destinos do país.
A situação que vamos enfrentar, nos próximos meses, em consequência desta decisão, assemelha-se, salvas as devidas distâncias, àquilo que aconteceria se o sistema de justiça decidisse entregar a um homicida a incumbência das reformas da lei penal.
O país merecia, sem os dramas e os cagaços que muitos quiseram agitar, uma solução de corte definitivo com a irresponsabilidade política daqueles nos trouxeram até aqui, mas também daqueles que foram cúmplices deste nível de endividamento do país e dos esbanjamentos sumptuários do Estado, uns legitimando e outros encobrindo ou empaleando (e são tantos!).

Vão pensando em erigir-lhe uma estátua

Daqui
Sem dúvida, um benemérito, tocado por um sentido profundo de justiça redistributiva.
Lá está, este também é um dos inconvenientes do homem ter mãos largas, o que obriga a despesas acrescidas em "luvas" por encomenda e a preceito.
Era importante que o ministro das Finanças, tão tardiamente acordado, como quem sai de um sonho em tons de rosa, para o destino dos dinheiros do Estado, se esforçasse por atrair este ramo de negócio das "luvas" para o sistema contributivo, negociando, porventura, uma taxa mais atractiva para os "amigos" do PS, nem que, para tal, tivesse que recorrer aos eventuais bons ofícios de Lino e Vara.
Depois, concentro-me neste fetiche de Godinho pelas "luvas" e fico espantado que ainda haja quem tenha o desplante de afirmar que as mulheres gastam fortunas em sapatos!
E porque as histórias de sucateiros não são todas iguais, mesmo que com "escutas" pelo meio, aqui fica também uma homenagem aos "pobres" e ludibriados sucateiros:

Não a amo, mas obedeço-lhe

Os últimos acontecimentos relativos ao folhetim da viabilização do Orçamento, agora concluído com o acordo "nim" do PSD, vieram confirmar aos olhos da opinião publicada (é o caso do editorial do Expresso, de hoje) e da opinião pública (atente-se na descida a pique do PS, nas duas últimas sondagens divulgadas) aquilo que, desde há muito venho escrevendo neste blogue acerca de alguns traços de personalidade e de carácter que ressaltam do que poderia ser apelidado de psicobiografia da arrogância socrática.
Para quem tem umas tintas de psicologia e psiquiatria, é um adquirido que uma exteriorização sistemática de  arrogância há-de ter na sua génese mecanismos de disfarce de debilidades, limitações e inseguranças pessoais. Obviamente que Sócrates não é diferente desta tendência geral e quem estivesse atento à trajectória das suas tomadas de decisão, aparições e intervenções públicas há muito tinha detectado os pés de barro da arrogância socrática (pensem na reacção amansada que se seguiu à luta dos professores e à perda das eleições europeias ou na prontidão com que solucionou as reivindicações dos camionistas e, ainda esta semana, dos árbitros de futebol). Todavia, os recentes episódios dos PECs e do processo de viabilização do Orçamento de Estado para 2011 foram elucidativos, para toda a gente, sobre o amolecimento da sua coragem e resiliência, que o marketing se esforçou por vender anos a fio: Sócrates que parece inflexível, feroz e prepotente na imposição de medidas, sempre que pressente ou diagnostica que não existe possibilidade ou capacidade de reacção, com grande repercussão pública, por parte daqueles a quem as medidas se dirigem (o assim chamado "forte com os fracos"), acaba radicalmente transmutado, na sua postura, expressão facial, tom de voz e figura lânguida, adoptando uma teatralização mediática de humildade e disposição submissa, quando se confronta, quer com manifestações públicas de protesto que podem atingir o seu núcleo de votantes (a rapidez com que se solucionou a ameaça de o povão não ter futebol no próximo fim-de-semana) ou com sondagens que o projectam para o fim trágico de uma desgraçada carreira política, quer, sobretudo, quando, na Europa, se senta à mesa com personagens mais poderosos, do ponto de vista político e financeiro, como é o caso de Angela Dorothea Merkel, a chanceler alemã. O ar de obediência compungida que Sócrates adopta, sempre que vai a Bruxelas, chega a ser deprimente.
O mais irónico, nesta curta psicobiografia, é que Sócrates desfaleceu politicamente às mãos de uma mulher que não ama, nem deseja politicamente, mas a que se sente constrangido a obedecer, por uma questão de poder relativo e de não querer ficar mal na fotografia do grande casamento europeu.
Sócrates não é aquele personagem determinado que o marketing político vendeu e que comia espanhóis ao pequeno almoço, que trinchava professores e demais funcionários públicos à sobremesa ou que engolia adversários políticos, fugindo às questões e resguardando-se em anúncios, mentirolas, opacidades ou truques retóricos de pacotilha.
Socrates é um fraco, com aparência de forte.

História de um incrível plenário sindical

Se os plenários sindicais que a Fenprof anda a promover nas escolas, no contexto da sua digressão nacional, têm o nível disparatado e surreal do que aparece relatado na minuta divulgada em baixo, então a luta dos professores está bem entregue, não haja dúvidas.
O que se anda a vender nas escolas é basicamente isto:
- o Acordo de Princípios era bom, mas os malandros do governo não o cumpriram, pá;
- a Fenprof fez bem em legitimar a farsa da avaliação do desempenho e em viabilizar, pela segunda vez, o modelo de Maria de Lurdes Rodrigues, porque as suas perversidades são tantas que o mesmo vai implodir nas escolas;
- bora lá todos à manifestação e à greve geral, conviver com aqueles socialistas da UGT que, nos órgãos internos do partido, apoiam Sócrates e as suas políticas, ou com aqueles valorosos homens de esquerda que cozinharam, a partir do ISCTE, o memorando de entendimento e que decidiram poupar o bom Sócrates de uma emblemática derrota política, em sede do acordo de princípios, além de todos apoiarem o mesmo Alegre que se tornou o candidato e apoiante do mesmo Sócrates que lançou o ataque mais brutal, de que há memória, aos professores.
- a crise não foi provocada pela irresponsabilidade de Sócrates e pelo endividamento externo gigantesco que fez disparar para níveis incomportáveis, colocando o país à mercê dos credores externos. Sócrates, coitado, é uma vítima inocente da ganância dos mercados.
À mensagem sindical acrescem intervenções absolutamente equívocas dos professores crentes que ainda tiveram disposição para marcarem presença no plenário, os quais basicamente defenderam, impotentes e desalentados, a guerra dos tribunais (os resultados têm sido excelentes) e uma guerra paulatina de trincheiras (tão arrastada que se aconselha que os soldadinhos usem pilhas duracell para durarem até ao momento em que o inimigo implodirá por si próprio).
Depois de três grandiosas manifestações de professores e de greves acima dos 90% que encurralaram Sócrates e o governo, mas que, por duas vezes, os sindicatos desbarataram em memorandos e acordos com o ministério da Educação, traindo a vontade genuína dos professores, considero que é preciso estar-se seriamente perturbado na capacidade de processamento básico da informação para se afirmar o seguinte dislate, ainda por cima desresponsabilizante da estrumeira que os sindicatos produziram: "o poder reivindicativo dos professores foi anulado quando foram propostas formas mais duras de luta como a greve aos exames ou à avaliação dos alunos".
Confesso que também ainda não percebi como é que os apelos à participação massiva na manifestação e na greve geral se compaginam com as declarações de Carvalho de Silva e de João Proença relativas à inevitabilidade da aprovação deste Orçamento para 2011.
Eis a minuta:
traçado um cenário macroeconómico apocalíptico, conhecido da maioria
relembrado que a crise foi provocada pela ganância do sistema financeiro e bancário
reveladas duas novidades(?!) resultantes do PEC: a redução remuneratória é definitiva e o orçamento sendo publicado este ano, fará com que muitos trabalhadores da administração pública 'morram na praia'. O governo apresentou uma nova tabela remuneratória, em que é reestruturada a carreira remuneratória alterando os índices. Deste modo, esta alteração é definitiva e permanecerá para o futuro, o que significa que, quando hipoteticamente o pais recuperar da austeridade, se manterão esses índices. Exemplificando, o actual índice 205 passa para o índice 198 ou o índice 370 passa para o índice 338.
Se o orçamento for publicado em Novembro, todas as progressões a partir da data de publicação ficam congeladas (apreciação intercalar, inclusivé).
esclarecidas a várias vertentes da redução remuneratória liquida:
- redução no salário bruto
- aumento do IRS em 1,5% e actualização dos escalões
- aumento da comparticipação em 1% para a CGA
- diminuição das comparticipações da ADSE
- diminuição dos valores máximos das deduções à colecta
- aumento do IVA
- outros aumentos de taxas administrativas
esclarecer que vão surgir novos ataques:
- diminuição do nº de docentes através da eliminação da AP e EA, alteração da redução da componente lectiva para exercício de cargos, constituição dos mega-agrupamentos que resulta na diminuição do crédito horário (também sugeri o ataque a outra vaca sagrada: o despedimento directo ou a imposição dos mapas de pessoal nas escolas com o mesmo efeito).
denunciaram que o bom(?!) acordo firmado no inicio do ano não foi cumprido.
denunciaram que a ADD vai implodir nas escolas, devido à múltiplas perversidades que a mesma contém.
após a exposição dos factos, apelo à adesão maciça às formas de luta programadas: manif em Lisboa e greve geral.
dada a palavra á audiência, as várias intervenções revelaram que:
- existe uma enorme discrepância na aplicação das normas do ECD e ADD nas escolas, dependendo da arbitrariedade das direcções.
- só o recurso aos tribunais consegue repor as injustiças porque os recursos hierárquicos são inócuos.
- constatação que o poder reivindicativo dos professores foi anulado quando foram propostas formas mais duras de luta como a greve aos exames ou à avaliação dos alunos. Foi esclarecido que o governo contornaria essas formas de luta com o recurso aos serviços mínimos ou requisição civil.
- a estratégia actual envereda por uma guerra de trincheiras: a conquista de um metro de terreno, mesmo com pesadas baixas, é considerado positivo. Lutar, a longo prazo, para ir conquistando, paulatinamente, os direitos fundamentais.
No final, ficou a sensação na audiência de derrota total e impotência de luta contra o poder, ficando na mente de cada um sérias dúvidas de que haveria uma adesão forte às formas de luta calendarizadas. Contudo, também fervilha uma raiva e revolta dominantes que levam a considerar dormir com o parceiro com que estamos zangados para moer o verdadeiro inimigo…
(Mário Silva, recebido por e-mail)

Estado bem Go(r)dinho

Daqui
Além do ranking dos países mais corruptos, onde Portugal ocupa uma posição vergonhosa no contexto dos países europeus, era fundamental que existisse também um ranking sobre as condenações efectivas por corrupção.
Pode ser miopia minha, mas parece-me que, entre nós, ocorre este fenómeno invulgar de existirem inúmeras suspeitas e imensos casos de corrupção, mas rarearem os corruptores e os corrompidos que são levados à justiça ou, ainda de forma menos expressiva, que são objecto de condenações judiciais, especificamente se os suspeitos ou os arguidos pertencerem a elites políticas ou económicas.
E esta disparidade não deve, na minha opinião, ser imputada ao mau funcionamento da justiça, mas, antes, a uma cultura de indulgência e de protecção activa dos mais poderosos que se traduz numa espécie de "corrupção" legal e institucionalizada, de tal forma que quem dispuser de muito dinheiro para pagar a bons advogados, dificilmente acabará condenado ou preso, pois, as garantias e os alçapões da lei permitem intermináveis recursos e dilações judiciais, o que apenas está ao alcance de quem pode pagar.
Como tal, vamos esperar, porventura debalde, pelo desenrolar do caso Face Oculta e pelo destino da poderosa "xuxalite" que aí aparece envolvida, para quem um Estado excessivamente gordo em recursos e interesses económicos, administrados ao deus dará e em benefício próprio, parece ter-se tornado presa fácil dos aparentemente nada escrupulosos Go(r)dinhos e Varas deste país.
A questão imediata que se coloca, num momento de aperto financeiro para muitos portugueses que não nasceram com o rabo voltado para a lua socialista, devia ser esta: quem paga os prejuízos causados ao Estado pelos esquemas desta gente e como pode esse dinheiro ser rapidamente recuperado, indo ao bolso, aos bens ou aos vencimentos dos culpados, como acontece com qualquer português que incumpre no pagamento das suas dívidas?
Estes julgamentos deviam incluir, à cabeça e face à existência de provas materiais ou testemunhais robustas do prejuízo, a obrigação de devolução, sem possibilidade de recurso e com juros, do montante global em que o Estado foi vampirizado.
Mas, neste caso concreto, talvez se lamente também que outras faces fiquem definitivamente ocultadas.

Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

Os dias do fim do modelo de avaliação do desempenho?

In Diário Económico, 28/10/2010
Acredito, e respeito, que para alguns professores a queda em desgraça de Sócrates, que tenderá a acentuar-se com o agravamento da crise, não seja uma notícia bem recebida, particularmente para aqueles que, de algum modo, beneficiaram de poderes, favorecimentos, injustiças ou mordomias (há casos de coordenadores do pré-escolar e do 1º ciclo que, de há dois anos a esta parte, não fazem peva nas escolas, pois, nem tiveram ano/turma atribuído, nem avaliaram ninguém), mas, também, para o grupo daqueles que se sentem confortavelmente abrigados sob o tecto de uma escola pública faz-de-conta e entretida, quer com planos, reuniões e outros rituais burocráticos inúteis que roubam tempo e disposição para o investimento nas aprendizagens dos alunos, quer com jogos de pequenas disputas e conflitualidades, enquanto a escola folclórica, entulhada em projectos, ocupacional e de entretenimento vai destruindo toda uma cultura de transmissão de saberes e de exigência, em clara perda para as escolas privadas.
Todavia, a consolidação de uma alternativa política a Sócrates e a tudo o que ele representa é certamente uma boa notícia, tanto para aqueles professores que não esquecem a hostilização sistemática e o ataque insano a que foram sujeitos no decurso da governação socrática (estes professores não abdicam da sua coluna vertebral e do seu sentido de dignidade), como para aqueles (no essencial, os mesmos) que pautam a sua actuação pela ética do trabalho e pelo sentido de exigência, não pactuando, nem com a degradação do clima e dos resultados da escola pública, nem com farsas, faltas de seriedade, favorecimentos e opacidades nas escolas (veja-se o zelo que os "amigos" colocam na preservação do secretismo das suas classificações de desempenho).
Incluindo-me no grupo destes últimos, não desistirei de lutar para que a farsa da avaliação do desempenho, produto da desresponsabilização, da incompetência e da leviandade do ministério da Educação, tenha o mesmo destino da criação arbitrária do professor titular, ou seja, o caixote do lixo.
Um instrumento concebido num contexto de mediocridade política, de arrogância persecutória e de propaganda, não serve a novas lideranças políticas marcadas pela sobriedade e pela seriedade.
Tenho a firme convicção, até pelos sinais que vão sendo dados, que a chegada do PSD ao poder traduzir-se-á, para os professores, em quatro ganhos cruciais, a saber:
- o fim imediato desta palhaçada de avaliação e a consequente criação de uma Agência Nacional de Avaliação, independente do governo, que assegurará, além da certificação de competências básicas para a docência, a avaliação das escolas;
- a libertação dos professores de tarefas burocráticas contraproducentes e a sua dedicação à função essencial que é ensinar;
- uma valorização da autoridade e da respeitabilidade dos professores, como agentes qualificados de ensino que são e não como os entertainers e os funcionários domesticados do socratismo;
- uma orientação política promotora de uma cultura de disciplina e de exigência, para a qual a introdução de exames nacionais em disciplinas nucleares, no final de cada ciclo de estudos, dará um contributo decisivo.
Pode parecer pouco, mas só a circunstância de o país e a escola pública se verem livres de Sócrates, já constitui uma mudança de paradigma e um ganho democrático e ético significativo.

O Papa Bento XVI mostra-se preocupado com o ministro das Finanças de Portugal

Deixa-lhe um conselho, a dar mais para uma advertência de dimensão escatológica:
"Meu Filho, não PECs mais!"

Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010

É isto uma avaliação séria? Pois, façam bom proveito

Aqui está o documento a que me referi neste post de ontem.
Confirma-se, pois, a total bandalheira na avaliação do desempenho dos professores, com directores a observarem aulas de coordenadores e estes a observarem aulas de relatores.
Dos coordenadores poliglotas e sabichões até aos directores omniscientes, vale tudo numa concepção de escola, de ensino e de avaliação em que qualquer um é um efectivo engenheiro, linguista, matemático, filósofo, biólogo, físico, historiador e, sobretudo, um avaliador inato, dispensando-se, inclusive, qualquer necessidade de certificação.
Se ainda houvesse alguém com dúvidas sobre a farsa que é o modelo de avaliação socratino, elas ficam aqui absolutamente dissipadas.
Mas, vou mais longe:
- não tenho grande expectativa que a comunicação social pegue neste escândalo, mas uma vergonha ainda maior do que este documento, este modelo de avaliação do desempenho e estes protagonistas pêésses, será assistir à ausência de reacção indignada por parte de sindicatos, blogosfera docente e professores deste país face a esta palhaçada de avaliação, dando uma decepcionante e triste imagem de si próprios, como quem alinha em jogos de faz-de-conta, mimetiza Sócrates e se abriga em farsas que os põem à margem da seriedade e da exigência. Aí de nada adiantarão lutas e grandes manifestações reivindicativas, porque a sociedade compreenderá ao que andam os professores da escola pública. Se for o caso, façam bom proveito!...

Você compraria o que quer que fosse a este homem?

In Público, 27/10/2010



Não apenas não compraria nada a Sócrates e aos demais socratinos, como a circunstância de alguém se dispor a negociar ou a sentar-se à mesa com os mesmos redunda em sério risco de serem enganados, desmentidos ou publicamente achincalhados. Vejam-se os casos mais recentes dos sindicatos de professores, de Cavaco Silva, de Passos Coelho ou, ainda, hoje, de Eduardo Catroga, acusado de "mentiroso" por parte de Teixeira dos Santos, mais um a sucumbir aos jogos de espelhos de Sócrates.
Como já escrevi inúmeras vezes, o país e as suas instituições (judiciais, educativas e outras) têm vindo a pagar um preço gigantesco em termos de depauperamento e de instabilidade à custa da mediocridade e da obsessão politiqueira de Sócrates, além de que este primeiro-ministro já não dispõe da credibilidade mínima que lhe permita mobilizar um calhau que seja, exceptuando os Xuxas marajás que engordam ou têm a expectativa de vir a engordar à custa dos proveitos resultantes dos sucessivos assaltos de Estado aos rendimentos daqueles que trabalham.
Mas, o fundamental na crónica de Santana Castilho é a mestria com que desmonta a inevitabilidade das urgências que protegem "vampiros, marajás e ganância", bem como a visão que remete para apostas e mobilizações para o futuro, não fosse a existência de um empecilho chamado Sócrates e satélites.
Admito como incompreensível que o PSD continue a desbaratar a oportunidade de criar gabinetes sectoriais alternativos por cada ministério governamental, desperdiçando recursos humanos da competência e da capacidade argumentativa e de intervenção pública de Santana Castilho.
Um abraço, Santana Castilho!

Terça-feira, 26 de Outubro de 2010

Chegou às escolas a nova bomba da avaliação do desempenho

Não vale a pena perder mais tempo a demonstrar as inconsistências, as fraquezas e os alçapões de discricionaridade que caracterizam o modelo de avaliação do desempenho, uma vez que eu próprio e outros bloggers já o fizemos abundantemente.
As próprias etapas da sua trajectória de degradação, iniciada com uma imposição intempestiva de processos absurdos e burocracias demenciais, prosseguindo com a farsa traiçoeira da versão simplex e parecendo culminar com a recauchutagem cosmética do "novo" modelo negociado em sede de Acordo de Princípios, que pouco mais alterou que uma mudança de nomes, são esclarecedoras da instabilidade e dos efeitos perniciosos que o modelo de avaliação trouxe à escola pública.
Todavia, por mais depurações, enxertos, simplificações ou retoques que tenham sido efectuados, conservaram-se os pressupostos, a filosofia de base e as falhas estruturais de rigor e seriedade do modelo inicial de Maria de Lurdes Rodrigues, evidenciando que, neste caso específico, o que nasceu torto e insensato, nunca mais se endireita.
Como se não bastasse o que já estava no terreno, eis que é enviada para as escolas uma nova "bomba" que representa um retrocesso, vindo recuperar uma vertente absurda do modelo que já havia sido extirpada.
Refiro-me ao facto de a DREN ter remetido às escolas, em resposta a questões e dúvidas colocadas por alguns directores, um conjunto de instruções, de que destaco as duas seguintes, que mais adensam a falta de seriedade e a farsa que o modelo de avaliação carrega:
- se os relatores requererem aulas assistidas (acesso aos 3º e 5º escalões), as mesmas serão observadas pelos coordenadores de departamento, ou seja, por exemplo, um coordenador do grupo disciplinar de Matemática a avaliar um relator do grupo disciplinar de Física ou Biologia e vice-versa;
- se os coordenadores requererem aulas assistidas (acesso aos 3º e 5º escalões), as mesmas serão observadas pelo director, ou seja, por exemplo, um director do grupo disciplinar de Educação Visual a avaliar coordenadores oriundos de grupos disciplinares, como Filosofia, Matemática, Línguas ou outros.
Espero amanhã poder postar o documento que foi enviado às escolas, onde constam estes inacreditáveis desenvolvimentos.
Contando com o colaboracionismo de sindicatos incompetentes e irresponsáveis, o ministério da Educação vai, paulatinamente, restaurando o modelo de Maria de Lurdes Rodrigues em todo o seu esplendor arbitrário, nos seus processos, e persecutório, porque assente numa cadeia dependente e refém dos directores das escolas/agrupamentos e dos directores regionais.

Fenprof em digressão nacional

Daqui
A Fenprof iniciou, hoje, uma digressão nacional, destinada a promover o seu novo (requentado) álbum "Todos à Manifestação e Greve Geral" que incluirá muitas faixas de intervenção do tipo "os bandidos que nos roubam" (alguns dos quais, ainda há menos de um ano, lhes terão pago a despesa do "chá e bolinhos") e "agora é que é", mas, certamente, nenhum tema alusivo a "traições", "acordo rasgado", "promessas incumpridas" e "encornanços".
Parece que a ausência de democraticidade nas escolas, as dependências, os medos e as relações conflituais que se instalam, a falta de seriedade e de consistência da avaliação, as ultrapassagens farsantes nos concursos de professores, os encerramentos e as concentrações escolas e de crianças, a saturação dos professores com o faz-de-conta, entre outros problemas e preocupações, constituem os parentes pobres das reivindicações dos professores e não justificavam uma digressão nacional.
Agora, sim!...

Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010

Raquítico

Daqui
 Mais uma nódoa no currículo político de Sócrates que ficará sem comentário do próprio, até porque nenhum jornalista da capital ousará incomodar o optimismo delirante do primeiro-ministro com um indicador tão irrelevante.
Atendendo a que, nestes 10 anos, 8 foram da responsabilidade do PS e 5 são imputáveis a Sócrates, não há dúvida que necessitamos de mudar de paradigma político e o melhor suplemento para estimular a hormona do nosso crescimento económico é o afastamento urgente do socratismo de quaisquer funções governativas.

Quem diria

Que duas décadas após a queda do muro de Berlim, haveria de ser "o fruto da União Soviética" (o elogio de Chávez ao comunismo soviético está, hoje, apagado dos takes noticiosos) a lançar a Sócrates pretensas e desesperadas bóias de salvação.
Além de tudo o resto que diz respeito a Sócrates não ser recomendável para nenhum político e governante, também começa a parecer que o seu círculo de amigos partidários e políticos não é, propriamente, um lugar muito bem frequentado.
Só fica a faltar o gesto de consolo de Kadafi ou, quem sabe, do presidente do Irão, Ahmadinejad, putativo cliente dessa glória da tecnociência lusa, os "magalhães", embora com aplicação exclusiva à física nuclear, porque as restantes ciências, com especial incidência para as sociais e humanas, desaparecerão das pátrias dos ditadores, pelo obscurantismo secular que encerram.
Já não é necessário Sócrates dizer-nos com quem anda, até porque estamos carecas (depenados, talvez seja mais apropriado) de saber quem ele é.

Pactuar com uma vigarice educacional

Daqui
Retardei intencionalmente a escrita deste post, na expectativa da ocorrência de reacções públicas à inacreditável entrevista de Luís Capucha ao jornal Público, a propósito dessa vigarice educacional que dá pelo nome de Novas Oportunidades [NO].
Esperei debalde, porque, excluindo alguma blogosfera docente e outra (último reduto do espírito crítico, da exigência reflexiva, do escrutínio público e da intervenção de cidadania) quase ninguém, dentre partidos, responsáveis políticos, personalidades destacadas na área da educação ou comunicação social, sequer tugiu ou mugiu.
Recordo que, entre outros dislates de não menor gravidade (que analisarei em próximo post), Luís Capucha confirmou as NO como uma gigantesca operação de institucionalização do faz-de-conta e da fraude educacional, na melhor tradição socratina (como professor de filosofia, teria que corar de vergonha se a designasse como socrática), ao defender:
- o confinar da qualificação à certificação daquilo que a pessoa “já sabe”, significando que nenhuma competência ou mais valia é acrescentada ao mercado, a não ser um papelucho, por mais auto-satisfação ou auto-estima que a obtenção de um diploma promova (engana-se o recurso humano e não se beneficia o país);
- o corte com a lógica da aprendizagem, que exige, tanto disciplinas/áreas do saber diversas e específicas, como metodologias de ensino/aprendizagem, tudo realidades e procedimentos estranhos às NO;
- uma educação de fachada, onde a imagem e a aparência se sobrepõem às qualificações efectivas, trabalhando apenas para as estatísticas europeias e para a propaganda caseira;
- um ataque ao ensino regular, considerando que os alunos do ensino formal sabem menos que os formandos das NO, o que, além de ser ofensivo para quem, nas escolas, aprende em inúmeras disciplinas e ao longo de vários anos, submetendo-se a testes e exames a sério, é uma mentira descarada, tendo em conta, as realidades que concretizam as NO;
- formações rapidinhas (“em educação é preciso agir com rapidez” – quereria dizer à velocidade de transmissão de um fax?), ao ritmo de fornadas sucessivas e quase instantâneas, como se a educação fosse uma linha de produção de parafusos e porcas.
Todavia, tão grave como a impunidade destas afirmações é, tanto a desorganização que vai nos partidos, onde não existem gabinetes sectoriais que acompanhem, analisem e reajam, prontamente, às intervenções públicas que exprimam ou defendam os desmandos e a mediocridade das políticas e das medidas governamentais, como a inexistência de debates sérios sobre temas e questões fundamentais, numa comunicação social reduzida a instrumentalizações políticas, a opinadas de comentadores generalistas e a informação fabricada para ser difundida, sem o devido e especializado contraditório.
A falta de reacção generalizada traduz bem a extensão e a severidade da nossa batida no fundo, como país alienado, negligente, pouco exigente e desértico de pessoas que não estão predispostas a pactuar com farsas e vigarices.
Num país que não tolerasse logros educacionais e impreparações técnicas e científicas, o senhor Luís Capucha estaria, hoje, demitido e as NO suspensas para reavaliação independente do que aí se ensina, como se ensina e para que finalidades se ensina.

Domingo, 24 de Outubro de 2010

A inadmissível escola do medo

Na sequência de algum jornalismo ter "farejado" cheiro a rastilho de levantamento dos professores, a que não terá sido estranho o bater de asas da Fenprof a desencadear ameaças públicas de revolta (estimulando ânimos para outras pelejas sindicais), surgiram referências, comentários, denúncias e feedbacks a remeter a falta de reacção dos professores para o clima de medo que se sente ou pressente em muitas escolas públicas.
Mesmo defendendo que parte significativa do desalento e da apatia que os professores vêm experimentando advém, tanto da falta de confiança nos sindicatos (o abandono dos professores resistentes e o reiterado desrespeito pela vontade da maioria dos professores em acabarem com esta farsa de avaliação, ainda pesam nas (in)disposições dos professores), como da concomitante percepção que apenas os sindicatos dispõem de poder negocial, circunstância que frustra as expectativas de obtenção de ganhos significativos com as lutas, no entanto, também reconheço a existência de uma paralisia que decorre de medos e receios de alguns professores.
Eu próprio reportei, na conferência organizada pela JSD de Vila Real, a existência deste clima nas escolas, por força de dependências de directores mal formados e de processos persecutórios, opacos ou de favorecimento pessoal, os quais se furtam, respectivamente, à eleição e ao escrutínio pelos professores, podendo, inclusivamente, ser comandados por impulsos políticos externos à própria escola (como esta cadeia de comando deixa antever).
Estranhamente, ou não, é pelas terras de partidos e gentes de esquerda (Centro, região de Lisboa e Sul), mais tonitruantes na agitação e nos discursos em favor das liberdades, que parece estar a verificar-se maior tolerância e consentimento à mimetização, nas escolas, de práticas de autoritarismo exercidas sobre os professores, que mais parecem de tipo venezuelano, cubano ou norte-coreano.
A Nordeste não se sente tanto esse clima de medo nas escolas, talvez, quem sabe, porque somos gente de uma terra que nunca houve necessidade de reconquistar a ninguém. Nas escolas para cá do Marão, com ou sem túnel, parecem mandar, no que à sua dignidade e defesa de direitos diz respeito, os que cá estão. Não espanta que tenha sido, por aqui, que o movimento de resistência ao modelo de avaliação foi mais impressivo.
Aparentemente, também causa alguma perplexidade que o medo se instale exactamente agora, num contexto de governação de minoria, ainda por cima em processo de desacreditação e de decadência, mas é verdade que os déspotas sempre que vislumbram o seu fim próximo e sempre que está iminente o seu estertor, tendem a tornar-se mais autoritários e javardos.
Depois de traídos e desmoralizados, a pior imagem que os professores podem passar de si próprios, para as comunidades escolares e a sociedade em geral, será a de uma classe que acaba em postura galinácea, ou seja, de cócoras e engalfinhados entre si a disputarem o milho que os directores administram, consentindo na sua subserviência e domesticação.
Um professor acorrentado e uma escola que não é livre não podem ensinar e modelar, nos seus alunos, a liberdade como pilar estruturante da construção da cidadania.
Os professores têm o dever de cidadania de denunciarem e rejeitarem o medo e a subserviência.
Aliás, a simples suspeita de que possa haver medo nas escolas, por parte dos professores, devia fazer soar campainhas de alarme na sociedade e levar a que os deputados e os líderes dos partidos da oposição se tornassem, de imediato, procuradores da preservação da liberdade dos professores.

Cadeia centralizada de comando

Aí está a Portaria que vem adaptar o sistema integrado de gestão e avaliação do desempenho na Administração Pública, regulamentando a avaliação dos directores, subdirectores, adjuntos e coordenadores.
Trata-se da peça legislativa que faltava para consumar o exercício de um poder centralizado, a subordinação das escolas e a domesticação dos professores, ao arrepio da autonomia de gestão e pedagógica que os países mais desenvolvidos da Europa, e com melhores indicadores e resultados em Educação, vêm implementando.
Está montada a cadeia centralizada do comando político da escola pública, ao serviço de políticas educativas socialistas erradas, mas que se confundem com o Estado (anti)democrático. Obedeçam e tenham medo!...

Avaliação de Directores

Sábado, 23 de Outubro de 2010

Passos perdido(s) e sem vista para Portas

Mais uma vez, Paulo Portas demonstrou, no anúncio do voto contra o orçamento, o profissionalismo e a inteligência de quem faz o trabalho de casa e de quem suporta a sua actuação política em diagnósticos clarividentes, em princípios claros (concorde-se ou não com os mesmos) e em decisões/actuações conformes aos mesmos.
Ao votar, em coerência, contra o orçamento para 2011, Portas capitalizará à direita, tanto a vontade daqueles que rejeitam este orçamento e as políticas de espoliação dos rendimentos de quem trabalha, que o mesmo consubstancia, como o desejo daqueles que esgotaram o crédito e a paciência para continuarem a ser afrontados e enganados vezes sem conta por um personagem como Sócrates, que transferiu a soberania portuguesa para a vontade dos credores internacionais e que não merece a mínima confiança da parte de nenhuma pessoa de bem.
Por seu lado, Passos Coelho tinha três possibilidades de posicionamento face ao orçamento de Sócrates que, a partir de hoje, será também, para o mal, o seu próprio orçamento, numa atracção, difícil de explicar, para se associar às desgraças, mentiras e inépcias do socratismo.
Vou enunciar essas possibilidades de acordo com uma hierarquia de racionalidade e de decência política que a sustenta:
- demarcar-se absolutamente das políticas e do estilo de actuação de Sócrates, manifestando, desde os primeiros indícios de incumprimento do PEC2, indisponibilidade para se deixar enganar uma segunda vez e para viabilizar a aprovação deste orçamento, ao mesmo tempo que devia ter investido na constituição de um governo sombra apostado numa política de transparência e de mobilização dos portugueses, ao invés da parvoíce das propostas de revisão constitucional. Não fez uma coisa, nem outra, com uma consequência ainda mais desastrosa do que aquela que adviria do facto de o país não ter este orçamento socratino (algo que se resolveria com a demissão de Sócrates e a criação de um governo de unidade nacional, sem Sócrates e incomparavelmente mais mobilizador do que este), ou seja, não ter sabido preservar uma alternativa e uma esperança de mudança para Portugal a partir de Junho de 2011, pois, o pior que pode acontecer a Portugal não é a entrada do FMI ou o nervosismo (passageiro até surgir uma alternativa de governo mais fiável) dos credores internacionais, mas a negociação artificial e contranatura que vincula o PSD à tragédia socrática e o destrói como alternativa política. Passos perdeu a oportunidade de se afirmar como líder verdadeiramente alternativo, além de que perdeu de vista, à direita, a aproximação a Portas - que não está disponível para a viabilização de Sócrates;
- recusar qualquer negociação com Sócrates, pelo que este e o seu orçamento representam de descrédito, mas viabilizar o orçamento pela via da abstenção, como foi postulado por muita gente de relevo no interior do PSD. Trata-se de uma posição de irracionalidade política, mas que, por razões de interesse nacional imediato, seria um mal menor, embora seja difícil compreender como o interesse nacional se adequa à continuidade da desgovernação de Sócrates;
- negociar com o governo alterações ao orçamento, prevalecendo a tentação, quer para voltar a dar a mão a Sócrates (parece o fado de um PSD menorizado e reduzido a uma função bengala, sem capacidade afirmativa e alternativa), quer para se tornar cúmplice e se irmanar ao destino de Sócrates, mesmo que se venham a abster na votação do orçamento. Trata-se de uma solução que a breve prazo facilita a vida a Cavaco Silva, apazigua temporariamente o frenesim dos mercados e até pode ser recompensada por aqueles eleitores saudosistas de uma qualquer união nacional. Todavia, trata-se de uma opção que, além de legitimar Sócrates, não interromperá as políticas de endividamento, arrastará Passos Coelho e o PSD para o pântano e comprometerá soluções de governabilidade e de alternância democrática para o futuro. Um desastre político a somar ao desastre económico.

O Dia da Saia

Filme francês que está a ser exibido, neste momento, na RTP2, onde Isabelle Adjani representa o papel de uma professora que se descontrola numa aula, em consequência da incapacidade para continuar a gerir o acumular de problemas pessoais e de uma reiterada falta de respeito por parte dos alunos.
Uma excelente oportunidade, descontando algum sensacionalismo em determinadas cenas, para se reflectir sobre a disruptividade emocional e comportamental gerada pela indisciplina e a violência exercida sobre professores, no contexto da escola pública.

Do desânimo à revolta: contextualização de uma (não) notícia

Sem ter consciência da natureza do peditório para que estava a contribuir e certo de que dei mais e diferente esmola da que aparece publicada, considero que esta peça jornalística do Público deu um péssimo contributo à causa dos professores, qualquer que ela seja neste momento, pelas razões seguintes:
- tratou-se de uma não notícia sobre um fenómeno ou acontecimento (a re-mobilização dos professores) que poderá vir a dar uma excelente notícia quando ocorrer, mas que, por factores vários e complexos, ainda não ocorreu;
- passou a ideia errada que o factor mobilizador do levantamento dos professores coincide com a perda da ingenuidade/ilusão da Fenprof e com a sua ameaça de regresso à luta, na sequência do não cumprimento, por parte do ministério da Educação, de um Acordo de Princípios que, ironicamente, traiu a mobilização dos professores e desencadeou um desânimo generalizado, nas escolas;
- reduziu a contestação dos professores àquilo que ela nunca foi, nos últimos anos, para a maioria dos actores referenciados na notícia (incluindo eu próprio), ou seja, reivindicações de natureza salarial ou de progressão. Recordo que aquilo que levou os professores a irem para a rua em massa foi a confluência de três factores, a saber, a invenção arbitrária dos titulares, a imposição de um modelo de avaliação absurdo e um ataque ignóbil à reputação pública dos professores;
- deu a aparência de o essencial da notícia ser o desejo, a perplexidade ou a desilusão da jornalista pelo facto de os professores não reagirem aos cortes orçamentais e não responderem, automaticamente e por simpatia, às ameaças da Fenprof, parecendo que é o jornalismo a puxar pela mobilização dos professores (basta ler os comentários online que o artigo despoletou), alterando a ordem natural das ocorrências, o que não se verificou no passado, ou seja, os professores levantaram-se nas escolas e a comunicação social demorou a detectar e a divulgar o fenómeno.
Assim sendo, e como as declarações que produzi (nem sequer me pronunciei como representante do PROmova) foram ignoradas e reduzidas, pela jornalista, a uma mera ideia "romântica" (que, por acaso, evitava os remoques dos comentários), aqui reponho, muito sucintamente, o sentido das minhas declarações:
- o factor que ainda não permitiu (e tenho dúvidas que o venha a permitir proximamente) aos professores passar do desânimo à revolta prende-se com a frustração pela forma como os sindicatos desbarataram a luta dos professores, em sede de Acordo de Princípios, associada à falta de confiança nos sindicatos para cumprirem com a exigência dos professores de se pôr fim a este modelo de avaliação, para o que contribuiu a traição cínica dos sindicatos no modo como abandonaram os resistentes ao modelo de avaliação, que não voltarão a ser os cordeiros do sacrifício;
- este modelo de avaliação constitui o principal factor de perturbação das escolas, quer pela conflitualidade que instalou e pela inutilidade e falta de seriedade de que se reveste, quer pelo prejuízo que acarreta para o investimento nas aprendizagens dos alunos. Todavia, os professores alimentam a expectativa de que o seu fim esteja próximo, por força das mudanças políticas que, mais cedo ou mais tarde, ocorrerão, no país;
- se a mobilização não vier do lado da saturação com a implementação do modelo de avaliação, dificilmente virá de mais reacções simbólicas de natureza sindical (manifestação e greve geral), porque neste momento de dificuldades e em que se criou a ideia da inevitabilidade do aperto orçamental, a mobilização dos professores por razões salariais não seria bem recebida (atente-se nos comentários), além de que os professores são os primeiros a dar-se conta das dificuldades de alunos e famílias, revelando muitos algum pudor em reclamarem publicamente  o que lhes é devido, quando a muitos outros lhes falta o básico. Tal não significa que os professores não sintam o ataque orçamental como um roubo, que uma política de verdade e de rigor podia ter evitado, e não devam, em articulação com outros grupos profissionais, exigir que os sacrifícios toquem equitativamente a todos, do público ao privado e, sobretudo, que se ponha fim a mordomias e a marajás injustificados. Esta luta é que me parece que vale a pena ser travada, pois é minha percepção pessoal que os professores não se vão revoltar por questões de natureza salarial, embora admita que possa estar enganado.
Pelo menos, fica reposto o essencial das minhas declarações e que corresponde às ideias que não me tenho coibido de manifestar publicamente.

Mistificação e más contas


A recuperação desta notícia de Maio de 2005 (obrigado, Zé) merece-me uma nota e duas interpelações muito simples que apresento de seguida, sem necessidade de grandes comentários ou enquadramentos:
- a afirmação de que é o Estado que tem suportado os custos das Scut é mentira. Como a notícia comprova, são os automobilistas que têm vindo a suportar essa despesa;
- a introdução do pagamento nas Scut pelo utilizador e a manutenção deste acréscimo de imposto nos combustíveis não configura dupla tributação?
- em 5 anos, quanto rendeu ao Estado este acréscimo de 2,5 cêntimos por litro de combustível, que parcela ou montante dos custos com as Scut pagou e quanto falta liquidar?
A explicitação destas contas e a fixação do horizonte temporal em que as Scut fiquem pagas parecem-me da máxima relevância, de forma a evitar-se um pagamento eternizado das Scut.

Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010

Expliquem-me devagarinho para ver se entendo

Este Orçamento é uma vigarice? É.
Este Orçamento deve ser viabilizado? Deve.
É do interesse nacional que o Estado e o país sejam governados com base numa vigarice? É.
Os autores do Orçamento deviam ser presos? Deviam.
Os autores do Orçamento devem geri-lo e continuar a governar o Estado e o país? Devem.
Ok, acho que entendi!...

Anatomia de uma vaia

Sócrates escolheu para marca identitária da sua actuação governativa um odioso estilo de arrogância e prepotência.
Obviamente, uma opção desta natureza pressupõe a existência de âncoras de exemplaridade em termos de conduta pessoal (nomeadamente, académica e profissional) e política. Caso contrário, o boneco ganha pés de barro e vê-se desinvestido da sua imprescindível autoridade, expondo-se a remoques, desconfianças, rejeições ou desmobilizações que minam, tanto a credibilidade do actor político, como a força moral, as justificações fundantes e a eficácia de quaisquer intervenções e medidas que sugiram ou imponham o contrário dos percursos e das vicissitudes que vestiram a vida pública e política do próprio.
Ora, é exactamente esta a contingência pessoal e política que mais fragilizou Sócrates, excluindo o descalabro actual, e que o devia tornar nada recomendável, aos olhos da maioria dos portugueses, para desempenhar funções políticas do maior relevo. Claro está que estes "rabos de palha" saíram ainda mais reavivados e reforçados, mercê do seu estilo confrontacional, pedante, narcísico, mentiroso, propagandista e incompetente.
Vem este intróito em abono da recepção que os alunos do Instituto Superior Técnico dispensaram, ontem, a Sócrates, no contexto de mais uma das sessões propagandísticas que subsumem a actividade governativa do primeiro-ministro e que consubstanciam a sua melhor escapatória para se alhear e fugir da situação crítica que o país atravessa, em resultado da sua desgovernação.
Não espanta, pois, que a mensagem mais impressiva, que perpassou do protesto dos alunos, relembrasse a forma nada edificante como Sócrates obteve a sua licenciatura: "Engenheiros a sério é aqui".
Por mais retórica que o próprio explore, por mais subserviência despudorada que alguma comunicação social e algumas instituições lhe devotem e por mais abaixamento do nível de exigência que devia ser requerido para o desempenho de altos cargos públicos, Sócrates nunca dispôs, nem disporá, das condições pessoais e políticas para mobilizar a sociedade portuguesa para o que quer que seja, nem para as ventoinhas ou os magalhães.
É caso para se reconhecer que as vaias vão bem com o estilo e a actuação dele.

Quanto vale a palavra de Isabel Alçada?

"Absolutamente, nada!..."
Vale sempre a pena ouvir - e ver ;) - a deputada Ana Drago, pelo conhecimento, clareza e contundência que manifesta na forma como defende a escola pública. Nesta intervenção parlamentar, de ontem, Ana Drago arrasa a leviandade com que Isabel Alçada e o governo desonram compromissos e precarizam a vida daqueles que servem a escola pública.

Violência na escola: conta-me como foi…

Excelente enquadramento do fenómeno do bullying, na linha da qualidade de análise que sempre caracteriza os artigos mensais do Professor João Ruivo.
Artigo Outubro 2010

Escola dos Projectos

Depois de analisar o suplemento do Jornal Público sobre o Ranking do Ensino Básico e Secundário, editado no dia 15 de Outubro passado, cheguei à seguinte conclusão (sem surpresa para quem vive a escola):
Mesmo sem a inferência dos ausentes (e necessários) indicadores compósitos, as caras da avaliação interna e externa dizem tudo, o facilitismo que reina na escola pública e a segurança que a escola privada tem na preparação dos seus alunos.
Muitos são os factores que contribuem para todo este fracasso da escola pública. Hoje decidi falar da “Escola dos Projectos”. Se tivesse optado por “Escola dos Relatórios”, “Escola dos Papeis”, Escola da Burocracia”, “Escola do Acessório” ou “Escola da Treta” estaria, igualmente, em consonância com a realidade.
Relativamente aos projectos dinamizados directa ou indirectamente pela tutela, a procura realizada na página Web do próprio Ministério da Educação veio a revelar-se extremamente fértil. Em minha opinião, a quantidade de projectos que surgem associados à Educação é directamente proporcional ao desnorte (ignorância) dos seus protagonistas. Não sabendo como resolver os problemas estruturais (incompetência), os arautos que actualmente gravitam em torno da educação encontram nos projectos a fórmula mágica para a resolução de todos os problemas. “Dinamiza esse projecto que é giro”, dizia na semana passada um desses sujeitos. E assim se avança, porque “é giro”. Pouco, ou mesmo nada, importa se aquilo contribui para uma melhor preparação dos alunos.

Projecto Municipal de Educação
Projecto Educativo de Escola
Projecto Curricular de Escola
Plano Anual de Actividades
Planos Curriculares de Turma
Projecto do Desporto Escolar (Andebol de Praia, Comité Olímpico de Portugal, Compal Air 3x3; Corta-Mato, FitnessGram, Gira Volei, IndoorKayak, Jogos da Lusofonia, MegaSprinter, Nestum Rugby, O Bicas na Escola, Programa Pessoa, Taça Luís Figo, Tri-Escola)
Projecto da Mediação de Conflitos
Projecto da Educação para a Saúde
Projecto da Protecção Civil
Plano Nacional de Leitura
Plano de Acção para a Matemática
Plano Tecnológico de Educação
Projecto TurmaVirtual
Programa Criativos
Concurso Viagem ao Futuro com as Células Estaminais
Passatempo Desafio Verde nas Escolas
Programa Mundial das Escolas Inovadoras
Concurso a Europa Sou Eu
Iniciativa 1001 Músicos
Projecto Juventude Saber com Normas
Programa Green Cork na Escola
Projecto TurmaMais
Projecto Fénix
Programa Espaço NOESIS
Projecto Ciência na Escola (Fundação Ilídio Pinho)
Projecto Saber com Normas
Projecto DECOJovem
Concurso Escolar Europa no Mundo
Concurso Ciência Hoje/Ciência Viva
Programa Educativo do Museu Nacional de Arqueologia
Projecto eTwinning
Projecto MUS-E
Concurso Limpar Portugal
Iniciativa e.Skills Portugal
Concurso Jovens Cientistas e Investigadores
Concurso o Meu Mapa
Projecto Sons da Escola
Concurso Grande Será o Nosso Futuro
Projecto Europeu da Internet Segura
Os Neurocientistas Vão à Escola
Projecto a Europa dos Resultados
Projecto Educação para a Cidadania Democrática e para os Direitos Humanos
Concurso Criatividade Grande C
Programa Mais Sucesso Escolar
Projecto Atua Por Uma Cidadania Global
Projecto Europa das Descobertas e das Inovações Científicas
Projecto SEF vai à Escola
Concurso Rali Escolar
Projecto Laboratório Oceano – A Escola e a Ciência dos Oceanos
Concurso a Europa Mora Aqui
Olimpíadas da Energia e das Alterações Climáticas
Projecto e-learning
Projecto n&n’s (nanociências e nanotecnologias)
Projecto Já Sei Ler
Concurso Faz Portugal Melhor
Programa Descobrir
Concurso Twist – a tua energia faz a diferença
Projecto Ciências na Escola 2Cn=e (FCT da UNL)
Programa República nas Escolas
Projecto SeguraNet
Projecto Escola-Electrão
Projecto Portugal Tecnológico
Iniciativa Inside – Arte e Ciência
Concurso Rock in Rio Escola Solar
Concurso As Línguas Abrem Caminhos
Projecto Novas Oportunidades a Ler +
Concurso eLearning Awards
Projecto Portal Planeta Vida
Projecto e-Bug em Portugal
Projecto Ler+, Agir contra a Gripe
Concurso Innovating Minds
Projecto Escola Móvel
Projecto Passaporte Cultural
Projecto ComCiência na Escola – Encontros e Desafios
Projecto Pedagógico recorrendo ao portátil Magalhães
Concurso Região com Futuro
Projecto Juventude (IPQ)
Projecto Escola. Futebol. Cidadania.
Projecto Mundo das Profissões
Concurso Nacional para Jovens Cientistas e Investigadores
Projecto Casa das Ciências (Gulbenkian)
Concurso Escolar A Minha Escola Adopta: um museu, um palácio…
Projecto Cinemateca Júnior
Projecto Ser um dia para um dia ser
Projecto Investigação sobre Factores de Sucesso Escolar
Projecto As Lições de Bach
Programa Aprendizagem ao Longo da Vida
Projecto The Pizza Business Across Europe
Projecto Biblioteca de Livros Digitais
Concurso A minha escola e a prevenção da infecção VIH/sida
Projecto Comunicação e Sensibilização para o Mar
Projecto Científico MHADIE
Projecto Incentivo à Leitura
Concurso de superTmatik Cálculo Mental
Projecto Eleonore Digital – Software Livre
Projecto Prosepe – Clube da Floresta
Projecto Escolas–Piloto de Alemão
Projecto Ler+ dá Saúde
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Projecto Linha Alerta
Projecto Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Droga
Projecto Comenius Educação Inclusiva
Projecto Onde Te Leva a Imaginação

Onde fica o espaço para o desenvolvimento dos saberes relativos às áreas curriculares disciplinares?
Acreditamos, ou não, no ensino por disciplina?
Quanto mais transdisciplinar é uma formação, mais vaga e fluida se torna a sua aplicação (D, p3, Parecer n.º 2/2009 do CNE)
Eu acredito.
Rui Ferreira

Quinta-feira, 21 de Outubro de 2010

Sugiro à Fenprof a formalização de uma queixa à ASAE

A negociata correu mal e lá se foi o cenário propício ao consumo de bolo podre, nas escolas.
Pelo menos, fica a receita sobre como sindicatos e ministério da Educação cozinharam o bolo podre.
Parece que a Fenprof se vai mobilizar para que o bolo podre deixe de ser servido nas escolas. Não será mais fácil formalizar uma queixa à ASAE?!...
É absolutamente decepcionante para os professores e as escolas que um tão sério e promissor Acordo de Princípios acabe em declarações de rascas e pouco higiénicos mestres da culinária.

Daqui

Dedicado aos Bin Laden's do futebol português, sejam eles quem forem

Há uma fatia do bolo que tresanda a nojeira

O secretário-geral da Fenprof reage, considerando não ter assinado "um acordo às fatias" e que, se assim tivesse sido, não teria "assinado a fatia do novo modelo de avaliação dos professores". Comparando o acordo a um bolo, Mário Nogueira defende que "o Governo não pode dizer que as fatias que são boas são para deitar fora e que as que têm bolor se mantêm na mesa"

Se dúvidas ainda persistissem, esta reacção de Mário Nogueira é absolutamente esclarecedora: os sindicatos instrumentalizaram a luta dos professores em favor das suas próprias agendas e, para tal, usaram a cedência no modelo de avaliação dos professores como moeda de troca negocial, fazendo tábua rasa da motivação que havia despoletado a mobilização de toda a classe e trapaceando a própria natureza da delegação (encontrar um novo modelo de avaliação) que os deputados e, especificamente, o PSD, haviam transferido para os sindicatos, por pressão destes.
Mais preocupados com estruturas de carreira e aspectos salariais, agora absolutamente esfumados, do que com a seriedade e a consistência dos procedimentos nas escolas, os sindicatos goraram as expectativas dos professores e mostraram a sua enorme tolerância ao bolor, à farsa, ao faz-de-conta e à falta de seriedade que é geradora de conflitualidade entre docentes e de desmandos e tiranias relacionais absurdas, redundando tais perturbações, associadas à parafernália de reuniões, processos e dimensões sob avaliação, em prejuízo para os investimentos nas  aprendizagens dos alunos.
A minha posição é pública e muito clara: quem traiu a vontade dos professores no “Memorando de Entendimento” (já nesse momento aceitaram deixar em cima da mesa a fatia bolorenta) e no “Acordo de Princípios” (onde a fatia do bolo relativa à avaliação do desempenho já tinha desestabilizado e degradado a vida das escolas, tresandando a nojeira), não me verá em nenhuma das suas manifestações ou greves. Não terão uma terceira oportunidade para instrumentalizarem a minha vontade e as minhas expectativas em negociatas de fatias de bolos com que se enganam os tolos.
Esta gente que se eterniza nas direcções sindicais, fazendo dessa circunstância o seu modo de vida, só pode, pelas reacções amedrontadas que evidenciam (talvez ameacem "rasgar" o que já não existe ou talvez esperem pelas falinhas mansas de Isabel ou Alexandre) estar feita com os governos de Sócrates. Como já escrevi em outras ocasiões (e a degradação da imagem e do prestígio de Sócrates vai-me dando razão), aqueles que decidiram entrar no barco socrático da incompetência e da instabilização gratuita das instituições, acompanhá-lo-ão no seu naufrágio.
Quando mais rápido se afundarem, melhor para a escola pública e os professores.

Acordo de Princípios para Totós

Daqui
Ocorreu, como era expectável, o enterro definitivo do Acordo de Princípios celebrado entre o ministério da Educação [ME] e os principais sindicatos de professores, nomeadamente,  a Fne e a Fenprof.
Depois do congelamento das progressões e de já ter sido manifestada a indisponibilidade do ME para anular os efeitos da avaliação fantoche na graduação profissional (cuja oposição da Fenprof terminou em águas de bacalhau), eis que agora é cancelado o concurso extraordinário de professores, em 2011, outrora apresentado como uma notável conquista da firmeza sindical.
O Acordo de Princípios poderia ter ficado nos anais da história sindical como o culminar de uma mobilização massiva dos professores contra o modelo de avaliação imposto por Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues, o qual podia e devia ter sido rejeitado (bem como a farsa das avaliações obtidas), reconduzindo as escolas à decência e os professores ao trabalho sério com os alunos? Podia, mas desgraçadamente não ficou.
O que aconteceu foi a troca abusiva do modelo de avaliação pelas progressões na carreira (à revelia dos professores), acabando os sindicatos a legitimar o que apelidaram de "farsa" da avaliação (que coerência, senhores!), mas, pior do que isso, abandonando os colegas que antes haviam incentivado a lutar contra o modelo de avaliação. E traíram os professores a troco de lentilhas que Sócrates e Teixeira dos Santos estavam carecas de saber que não iriam proporcionar durante muito tempo e que, agora, foram retiradas uma a uma.
O mais absurdo de perceber é o facto dos dirigentes sindicais que negociaram o Acordo terem sido sistematicamente  vilipendiados, a mando de Sócrates e ao longo de quatro anos consecutivos, chegando às negociações com a ingenuidade e a caridade cristã de quem não desejava "pôr a bota em cima do pescoço" do governo, para, agora, serem literalmente esmagados, sem a mesma piedade, pela bota desgovernada do socratismo.
Pelo menos que lhes sirva de lição e que nunca se esqueçam do ideário de Sócrates (se puderem gravem-no, para memória futura, nos "tomates"): "a chave para a construção do futuro é a credibilidade e a confiança".
Totós!...