Um murro de Santana Castilho na consciência de Passos Coelho e da elite política "laranja" (18-01-2012): As "natas"

Terça-feira, 30 de Novembro de 2010

Esta nem foi preciso retirá-la do WikiLeaks

Quem disse que a diplomacia portuguesa não dorme em serviço?

Obrigado, Isabel!

Olha a novidade

Nada que muitos de nós não tivéssemos já denunciado, em 2008, a partir das mentiras e das mistificações alimentadas por Sócrates,  no domínio da Educação.
Foi necessário que o alastramento da desonestidade chagasse a área de interesse de economistas e financeiros, para descobrirem o que já estava à vista de tanta gente.
É caso para perguntar: em que buraco de alienação, distracção e/ou interesses estiveram hibernados analistas tão sagazes como Campos e Cunha?
Fonte: Correio da Manhã

Para quando a certificação da incompetência?

Em matéria de certificação de competências, Portugal deve estar certamente no chamado “pelotão da frente”, envergando, muito provavelmente, a camisola amarela do dito. Basta pensar na chamada “qualificação” dos portugueses promovida pela iniciativa “Novas Oportunidades”, essa pérola da Educação do (des)governo da Nação, e no combate sem tréguas ao desemprego por via dos trabalhos que se vendem na Internet (aqui ou aqui, por exemplo) a bom preço certamente. Enfim, coisa séria como recomenda a certificação de competências, qu’isto de certificar não é brincadeira de garotos!
Agora, certificar incompetências ou, caso se prefira, a incompetência é que já não é mesmo para qualquer; nem qualquer governo teria a ousadia de promover esta característica tão genuína perante algumas “evidências” demasiado evidentes. Como quem não quer a coisa, basta lembrar, por exemplo, que “a previsão do Governo português, inscrita no Orçamento de Estado para 2010, aponta para uma taxa média de desemprego de 9,8% ao longo deste ano.” Sabendo-se que nem as previsões mais optimistas se atrevem a colocar a fasquia abaixo de 11% (aqui e aqui), as competências, no que aos números do desemprego dizem respeito, estão mesmo pelas ruas da amargura. Claro que vem sempre ao de cima a lengalenga do costume: ele é o mundo que muda muito depressa, ele é a falta de confiança (pudera!), ele é as agências de “rating”, e afins...  Incompetência? Não, certamente, mas que falta faz a sua certificação, reconhecimento e validação!!! Já ontem era tarde! Haja coragem!
Manuel Salgueiro

Perante este estudo, confesso uma dúvida e afirmo uma quase certeza

Fonte: Diário de Notícias
Não me vou estender muito no comentário aos resultados deste estudo da Escola de Criminologia do Porto, tal como foram destacados na peça jornalística do Diário de Notícias, apesar da aparente gravidade da percentagem destacada em cima, uma vez que desconheço a metodologia e a estatística do estudo, além de que a apresentação avulsa de resultados, na notícia, também não ajuda muito à compreensão, como a referência aos 92% que afirmam esconder dos pais o seu envolvimento no tráfico de droga. Ficamos sem saber se esta última percentagem se reporta à totalidade da amostra (o que seria um resultado absolutamente inverosímil), se aos 17,5% dos alunos que afirmam pertencer a um gangue ou se aos cerca de 14% que admitem consumir drogas.
Limitar-me-ei a duas notas breves, uma de cepticismo e outra de indiscutível realismo:
- refugiado na ignorância, quer da natureza do questionário (desde as condições de aplicação à formulação das questões), quer de outras dimensões da metodologia e da estatística do estudo, limito-me a chamar a atenção para o risco de, em amostras de adolescentes entre os 12 e os 18 anos, poder haver lugar a respostas complacentes com uma percepção pessoal de desejabilidade social, no sentido em que a admissão de consumo de drogas, de pertença a gangues e de envolvimento em comportamentos desviantes, permite ao adolescente projectar de si próprio uma imagem de maior integração grupal, de afirmação de adultez, de poder ou de uma espécie de culto de imagem de "duro". Aliás, a "aparente" inexistência de relação significativa entre o insucesso escolar e os comportamentos desviantes pode, exactamente, ter ficado a dever-se a uma eventual mitificação ou heroicização, mais fantasiada que real, da assunção de comportamentos desviantes;
- a confluência de um crescente individualismo, que tem liquidado o comunitarismo e a sociabilidade típica de clubes, agremiações, associações e grupos artísticos, desportivos ou outros, com uma extensa crise económica, com muita desestruturação familiar e com uma cultura escolar de baixa exigência, tende a propiciar a formação de grupos alternativos e a eventual emergência de condutas desviantes, enquanto âncoras para identidades pessoais e sociais, dotadas de um sentido existencial reconhecido pelos pares, o que pode contribuir para explicar alguns dos resultados evidenciados pelo estudo, em contextos urbanos.

Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010

Está em queda

Não é Sócrates, nem o governo, porque estes já há muito tempo que se estatelaram no chão da incompetência, da irresponsabilidade e do descrédito.
Também não são os juros da dívida, pois, esses atingem um novo (e insustentável) máximo histórico de 7,4%, no dia em que a Comissão Europeia aplicou a extrema unção ao moribundo governo de Sócrates.
É a neve, em Vila Real.
Um espectáculo da Natureza, sempre magnífico, que começou ao final da manhã, na sequência de um casamento de conveniência entre a chuva recém-chegada e o frio de rachar que já por cá morava, desde sexta-feira.
Na cidade, ainda não corresponde ao manto branco de nevões anteriores, embora tenha sido suficiente para levar ao encerramento das escolas, a meio da tarde, de forma a que alunos, professores, funcionários e encarregados de educação pudessem regressar às suas casas em segurança.
Para amanhã, a expectativa é a de um amanhecer gélido e branco, do qual espero dar aqui a devida nota fotográfica.

Domingo, 28 de Novembro de 2010

Mariano Gago na pasta da Educação? Não acredito

A minha posição genérica sobre o tema da remodelação governamental é conhecida: aqui chegados, o elemento mais desacreditado e mais incapaz de gerar mobilização e confiança, dentre todos os que integram o governo, é o primeiro-ministro, pelo que haver ou não haver remodelação em algumas pastas ministeriais é absolutamente indiferente e não inverte a derrocada desta desgovernação. Se os socialistas não percebem esta contingência, então, merecem o fim catastrófico para que Sócrates os está a conduzir.
No entanto, a comunicação social tem avançado com palpites relativamente a ministros remodeláveis, entre os quais constará, de acordo com o Diário Económico, a ministra da Educação, Isabel Alçada, a qual poderá ceder o lugar a Mariano Gago, no quadro de uma fusão entre os ministérios da Educação e da Ciência e Ensino Superior.
Não acredito nesta solução, por quatro razões:
- Mariano Gago tem sido, juntamente com Luís Amado, um oásis de competência e de seriedade política nos governos de Sócrates, pelo que o ministro da Ciência e do Ensino Superior não iria pactuar com a palhaçada da avaliação do desempenho que está montada nas escolas, nem com outros processos e rotinas de faz-de-conta;
- mesmo admitindo o carácter negociador e apaziguador de Mariano Gago, a fusão de dois ministérios que sofreram cortes brutais nos vencimentos dos seus funcionários, poderia acarretar, no contexto de 2011 e das reacções a esses cortes, um risco de maior ingovernabilidade e de contágio e potenciação de conflitos entre sectores do Estado;
- Isabel Alçada e Alexandre Ventura têm uma evidente capacidade de persuasão e de exploração da ingenuidade dos sindicatos, pelo que dificilmente outros elementos conseguiriam o efeito de entorpecimento desta equipa ministerial;
- uma vez que o governo não voltará atrás na quebra dos compromissos com os sindicatos, em matéria de acordo de princípios e, especificamente, de progressões na carreira, não se compreenderia por que razão se iria, ao mudar os protagonistas, remexer num facto já consumado, sobretudo, se atendermos a que os sindicatos permanecem não reactivos e conformados.
Considero, pois, que Isabel Alçada e os seus secretários de Estado se manterão no governo e conservarão os seus registos ataráxicos e falinhas-mansas, procurando empatar o jogo até ao seu final, em 2011.

Fonte: Diário Económico

O Estado Travesti, em versão Parque Escolar

Fonte: Diário de Notícias
Analisamos a natureza jurídica e política da Parque Escolar, E.P.E., e constatamos, no nosso laicismo jurídico, que a mesma corresponde a uma habilidade ou manigância que consiste em travestir o Estado de qualquer coisa que já não pareça Estado, embora o seja, de forma a dar-se corpo à desorçamentação das despesas do Estado, disfarçando o verdadeiro défice público e endividamento crescente.
Realizar obra megalómana (era possível remodelar, aproveitar património público e reajustar sem o luxo, os desperdícios e os custos de muitas das intervenções da Parque Escolar) à custa da captura da capacidade de decisão e de actuação das gerações futuras, sem esse mandato democrático prospectivo, parece-me constituir uma prerrogativa abusiva de quem tem da sua intervenção política uma visão .
Deve ser por estas e por outras similares, de que os mais leigos na coisa financeira nem sequer nos apercebemos, que os credores e os mercados internacionais já não vão na cantilena socrática do "não precisamos de ninguém", tantas são as parcelas públicas e as travestidas que somam à, já de si, gigantesca dívida do país. Só por conta da Parque Escolar são, neste momento, cerca de 1,15 mil milhões de euros de empréstimos contraídos.
Era higiénico que esta gente percebesse que há mais Portugal e mais obra para além de Sócrates e dos socialistas.
Mas, quem consente e aprova estas engenhocas financeiras também é co-responsável pela situação de endividamento insustentável em que o Estado e o país se encontram.
Quem esbanja por último, não tem outra finalidade para o país que não seja aquela que se esgota na inescapável assunção nacional dos encargos por si contraídos, num espartilho que a seguinte proposição circunscreve: "depois de mim, a DÍVIDA como programa político e o pagamento da DÍVIDA como único modus vivendi permitido".
Quem vier a seguir que se amanhe, porque aí o engenheiro do endividamento já estará politicamente morto e inimputável (obrigado, deputado Candal, pela clareza da mensagem).

Post Scriptum
Será boa ideia? E é possível?
Estou a pensar constituir, cá em casa, uma sociedade jurídica que assuma a forma de Entidade Familiar Empresarial, a que poderei dar o nome de "Frota Automóvel", que me permita trocar os meus automóveis por outros novinhos em folha (sei que podia renová-los com uma boa intervenção mecânica, de bate-chapa e pintura, mas isso colidiria com o novo-riquismo socrático reinante), sem que tal represente um acréscimo aos meus endividamentos e um desequilíbrio do meu orçamento familiar, pondo-me a salvo de chatices com os meus credores, pois os empréstimos far-se-ão em nome da "Frota Automóvel" e, assim, eu limitar-me-ei a por os carros em nome da Entidade e a pagar-lhe uma renda nos próximos anos. Percebi mal ou a Parque Escolar é, sensivelmente, uma manobra deste género?

Um enquadramento psicológico do desemprego

Prosseguir a leitura AQUI
Num momento em que o nosso país se vê confrontado com o flagelo do desemprego, ainda por cima na sequência de mais uma promessa leviana e incumprida, por parte de Sócrates, é importante que se aprofunde o conhecimento sobre formas alternativas de lidar com este fenómeno dramático, que vão muito para além das esperanças ilusórias e pífias das Novas Oportunidades ou do efectivo abandono institucional.
Neste sentido, o artigo aqui divulgado é um bom contributo.
Embora a primeira parte do artigo esteja muito cingida à realidade sócio-económica e laboral do Chile, a autora não deixa de abordar a problemática do desemprego a partir de um enfoque psicológico, tendo em conta a circunstância de o desemprego constituir um factor psicologicamente destrutivo.
Mas, o artigo vale sobretudo pelo enquadramento e pelas estratégias que desenvolve em termos de integração, intervenção e ajuda aos desempregados.
Uma leitura imprescindível para quem, sendo especialista da psicologia ou não, tem que intervir, lidar ou, tão-só, conviver com pessoas desempregadas.

Compreender as incompreensões de Santana

Tive oportunidade de acompanhar o regresso de Santana Lopes ao comentário televisivo semanal, aos sábados e no jornal da noite da TVI, tendo ficado, nas duas vezes em que ocorreu, absolutamente desiludido com a pouca inteligência (algo que tinha em melhor conta) das suas intervenções.

Na semana passada, defendeu a necessidade de um governo de coligação ou de salvação nacional entre Sócrates e Passos Coelho, parecendo nada ter aprendido com a sua própria experiência governativa, ao ignorar que a legitimação de um governo vem do voto popular e não de arranjos de circunstância, por mais imperativa e emergente que pareça a necessidade.
À legitimação democrática exigível à ida de um partido para um governo, acrescem aqui três constrangimentos insuperáveis:
- Sócrates não é um político e um líder confiável, como já deu abundantes provas;
- num momento em que o PSD lidera destacado as sondagens e pode representar uma esperança de mudança, seria um erro político de palmatória entrar num governo em posição menorizada e subserviente ao estilo arrogante, infalível e egocêntrico de Sócrates, que cedo imputaria culpas e responsabilidades ao PSD;
- partilhar a governação com Sócrates significava, nesta fase, defraudar as expectativas daqueles portugueses que vêem o primeiro-ministro como destituído de credibilidade e de capacidade mobilizadora (são inúmeros aqueles que foram vítimas dos seus ataques, das suas mentiras e injustiças, tendo, há muito, deixado de o suportar), mas também constituiria um acto estúpido de legitimação da sua liderança e das suas políticas, servindo apenas para manter o pântano actual.

Na intervenção deste sábado, Santana Lopes defendeu a imprescindibilidade da remodelação do ministro da Finanças, como condição para Sócrates reganhar fôlego e crédito para o resto da governação, acabando a passar uma esponja na constatação que a maioria dos portugueses já intuiu e que só ele, e alguns socialistas e esquerdistas, parecem ou desejam ignorar.
Estou convencido que não interessa a Santana Lopes perceber que o problema deste governo não é de incompetência ou de inacção dos seus ministros (embora, também o seja), mas de descrédito, incapacidade para gerar confiança, incumprimentos vários, mentiras, irresponsabilidades e incurável alienação do primeiro-ministro, pelo que Teixeira dos Santos foi mais uma vítima do que um carrasco da imagem e da orientação política de Sócrates.
Neste governo, a única e definitiva remodelação que faz sentido e se impunha é a de Sócrates.

Com estas posições, das duas, uma:
- Santana está a ceder ao populismo do apelo maioritário da união nacional, que nada resolve e tudo empataria;
- Santana deseja o insucesso de Passos Coelho (que é o sucesso de Sócrates), porque a afirmação eleitoral maioritária do líder do PSD o confronta com o seu próprio fracasso e o inibe do irrefreável protagonismo político que o caracteriza, mas que o decorrer do tempo e os erros passados vão comprometendo.
Em ambos os casos, o móbil de Santana é o facto de não se conformar com a possibilidade de ter passado ingloriamente pela política nacional, particularmente de um modo que ficou muito aquém das suas ambições, o que só se reverterá com uma nova hipótese de liderança do PSD ou com uma candidatura à presidência da República, cavalgando o apelo populista da união e salvação nacional.

Não devia envergonhá-los?

In Expresso, 27-11-2010
Começam a tornar-se dramaticamente evidentes os resultados de uma governação ilusionista e tresloucada, em que muitos portugueses se deixaram embarcar e, alguns, suportaram eleitoralmente.
Trata-se de uma herança que devia encher de vergonha todos aqueles que têm embandeirado em promessas de TGV e outras megalomanias e que, no essencial, podemos resumir ao seguinte:
- endividamento, dependência externa, espoliação fiscal, retrocesso salarial, precariedade, desemprego, empobrecimento, miséria e fome.
Estranhamente, e talvez pelo facto de Sócrates lhes parecer de esquerda, já não se fabricam bandeiras negras  no PCP e não se notam grandes mobilizações à esquerda na denúncia e no combate à realidade que devia constituir a prioridade da agenda política, porque a iminência de existirem milhares de crianças ameaçadas pela fome é a mais terrível das marcas de vergonha para um primeiro-ministro, uma classe política e um país.
E se não fossem as Igrejas e as instituições e organizações solidárias, os mais pobres estariam entregues a si mesmos, cientes de que nem com uma confissão pública de "dor de alma" podiam contar, da parte de quem os desgoverna, com o acordo e a complacência das melhores almas.

Sábado, 27 de Novembro de 2010

Repensar estratégias de luta?

Exceptuando o facto de os sindicatos de professores terem, em sede negocial, desbaratado o capital de contestação e de força que a estratégia de luta dos professores granjeou, e de que o autor da crónica não se apercebeu por estar fora deste universo e se basear apenas no que a comunicação social difundiu, todas as restantes referências e questões que substantivam o texto são objectivas e merecem ser reflectidas pelos professores.
Apesar de a crónica ter sido escrita na véspera da greve geral, agora que os professores têm uma noção mais clara da inconsequência e do carácter desgarrado desta forma de luta, ainda se torna mais premente analisar o sentido e o valor dos questionamentos e dos pontos de vista aqui apresentados.
Fonte: Visão
Há poucos dias, fiquei a pensar no que me disse um trabalhador da administração pública: "Uma greve de protesto? Para demonstrar descontentamento? Mas que as pessoas estão descontentes já toda a gente sabe! Eu é que não vou dar um dia de salário ao Sócrates!" Outro interrogava-se: "Muito bem, vou para a greve geral. E depois, o que é que eu ganho com isso?" Palavras que confirmam uma teoria do filósofo, ensaísta e colaborador da VISÃO, José Gil: "As pessoas estão a perder o sentido de solidariedade. Perante uma crise extrema, é cada um por si." E palavras a que Torres Couto responde (pág. 52), sobretudo, com o argumento do da necessidade de reforço da legitimidade sindical.
Mas este egoísmo latente não se deve apenas à crise. A pergunta é pertinente: o que é que as pessoas ganharam, nos últimos anos, com greves?

Alguma reivindicação foi satisfeita? Algum despedimento evitado? Algum salário aumentado? Que resultados concretos têm os sindicatos para apresentar? A própria ideia de protesto não se terá banalizado de mais, com a queixa e a reclamação sistemática? Não deixa de ser irónico que a única grande empresa, no setor privado, onde os trabalhadores conseguiram resultados, foi a Autoeuropa, que não conhece greves, mas sim uma negociação contínua, responsável e onde toda a gente veste a camisola. Uma alternativa às formas clássicas de luta sindical, que António Chora, líder da Comissão de Trabalhadores, com a ajuda de patrões ponderados (tão diferentes dos portugueses!...), implantou. Mas ali já se vive em padrões alemães como se depreende do aumento de 3,9% que conseguiram para 2011... 
A última grande luta sindical que produziu resultados foi a contestação dos professores contra o sistema de avaliação imposto pelo primeiro Governo de Sócrates. Curiosamente, o desiderato foi alcançado com poucas ou nenhumas greves. Uma estratégia de desgaste contínuo, com presença maciça nos órgãos de comunicação social e nos blogues, marcação cerrada à então ministra da Educação em todas as suas aparições públicas, chantagem da classe na declaração da intenção de voto (antes, tradicionalmente socialista), "catequização" de alunos e pais contra o Ministério, táticas de guerrilha culminadas com as batalhas em campo aberto, nas grandiosas manifestações em Lisboa eis os ingredientes da luta. Luta que se desenvolveu para lá dos sindicatos, de uma forma frequentemente inorgânica e voluntarista: pode mesmo dizer-se que a própria Fenprof foi a reboque, aflita para apanhar o comboio das iniciativas não enquadradas do movimento de base.

Nestas páginas [edição n.º 925 da VISÃO], tentamos perceber quais as tendências das formas de protesto do futuro: presença nas redes sociais ou resolver tudo à bomba? Ao falar da iminência de uma revolta social, Isabel Jonet, do Banco Alimentar, pode estar a referir-se a formas violentas e paralegais de luta. Formas que escapam ao controlo sindical, este baseado em estruturas antiquadas, formatadas para o século passado e ineficazes, do ponto de vista dos ganhos para os trabalhadores que representam. Greve geral, muito bem. Decerto, terá adesão esmagadora. E o que ganhamos nós com isso? 

Exigimos cortes

Apesar de a atenção estar, neste momento, justamente focada na factura da EDP, é fundamental que a DECO, outras organizações e movimentos de cidadãos estejam atentos e actuem, de igual forma, relativamente à facturação da água, cujas taxas e tarifas constituem uma autêntica roubalheira, sobrecarregando o custo final da factura acima do dobro do consumo efectivo de água.

Adira AQUI à petição promovida pela DECO
A proposta de aumento médio de 3,8% na factura da energia eléctrica, resulta de custos impostos ao sector que ganham uma dimensão insustentável. Exigimos cortes em várias áreas.
Em 2011, o custo da electricidade vai pesar mais no orçamento dos consumidores. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos propôs, em Outubro, uma média de 3,8% de aumento na tarifa da electricidade.
Opções políticas e medidas legislativas condicionam a fixação das tarifas e levam a que a parcela dos "Custos de Interesse Geral" continue com um crescimento imparável. Em 2011, prevê-se um total de 2,5 mil milhões de euros de custos, um aumento superior a 30%, face a 2010. Por exemplo, na factura, por cada € 100 pagos, € 42 referem-se a "Custos de Interesse Geral", que podem e devem ser reduzidos. Alguns não têm relação directa com a produção e distribuição de energia eléctrica.
É indispensável e urgente repensar a política de taxas e sobrecustos que recai nas nossas facturas. Para 2011, a diminuição de 10% nestes custos levaria a uma redução de 5% na factura.
Há muito que a DECO alerta para a situação no sector e exige uma redução dos custos de interesse geral, para que o preço a pagar pelos consumidores seja mais justo.

Sexta-feira, 26 de Novembro de 2010

Uma má e uma boa notícia

Não é uma boa notícia a circunstância de a RTP não ter renovado o contrato com a empresa Mandala que produzia o excelente programa de humor e satírica política "Contra-Informação", silenciando, entre outros bonecos eminentes, o impagável José Trocas-te. Depois da PT ter "comprado" os Gato Fedorento, reduzindo criativos geniais a publicitários quase patéticos, este é mais um passo na destruição do humor inteligente, em Portugal, apenas porque o mesmo tem contribuído decisivamente, e com inegável interesse público, para a erosão da imagem de credibilidade de Sócrates e políticos medíocres afins, ao mesmo tempo que vai proliferando a lixeira televisiva de novelas e programas de buraco de fechadura (que até arruínam, quase em simultâneo, as melhores campanhas de combate à violência doméstica, com modelos legitimadores de condutas agressivas).

A boa notícia prende-se com a possibilidade de regresso de Manuela Moura Guedes à informação televisiva, pela mão da SIC, tendo muitos de nós a expectativa que possa ser reposto um formato que era líder de audiência e que, em cada sexta-feira, dava um ânimo extra a muitas centenas de milhares de portugueses que não suportam Sócrates e tudo o que este político transporta em termos de (des)valores políticos e pessoais.

Não acredito numa Educação sem professores dentro

Fonte: Público
Não duvido que definir a Educação como "paixão", "prioridade" ou "desígnio nacional" constitua uma importante estratégia do marketing político, uma vez estabelecida a convicção de que a valorização de qualquer aspecto ou dimensão que se relacione com a escola e a educabilidade terá um impacto positivo no eleitorado.
Raramente algum político, em campanha eleitoral ou em momentos decisivos da sua afirmação pública, resistiu à tentação das declarações e das juras de preocupação, embevecimento ou comprometimento com a agenda da Educação, desde invocações retóricas e generalistas da centralidade e imprescindibilidade da mesma até recortes cirúrgicos de dimensões ou processos específicos.
Tratando-se de um fenómeno e de uma tentação transversal à generalidade dos políticos, não me surpreende que Cavaco Silva venha, agora, considerar "a Educação como desígnio nacional" (embora me queira parecer que, no cenário político actual, seria mais urgente e impactante definir como desígnio nacional uma saída consistente e duradoura do buraco financeiro e da crise económica para que o ilusionismo socrático nos conduziu), como não foi surpresa assistirmos à propaganda imbecil de Sócrates que o levou a catapultar uma farsa e uma palhaçada a desígnio nacional, ou seja, a actual avaliação dos professores.
Todavia, não me parece, nem legítimo, nem credível, que alguém possa definir "a Educação como desígnio nacional", esquecendo-se que esta tem necessariamente professores dentro. Ora, quem atacou indecentemente a honorabilidade e a profissionalidade dos professores (como o fez Sócrates) ou quem não denunciou e se demarcou  publicamente desse mesmo ataque (como aconteceu com Cavaco Silva), fica diminuído, na sua autoridade moral e na sua credibilidade, para vir enaltecer a Educação.
Se, porventura, Cavaco Silva se estava a referir a "desígnio nacional" como imprescindível mobilização das escolas para atenuarem os impactos da crise sobre as crianças mais pobres e mais desprotegidas, então, estou de acordo que tal deva ser considerado uma prioridade, como já vem acontecendo em concelhos como o Porto, Vila Nova de Gaia e Sintra, entre outros.
Caso contrário, parece-me algo cínica a definição da Educação como "desígnio nacional", ao mesmo tempo que se ignoram os professores e que não há um pedido público de desculpas pelo silêncio com que o presidente da República conviveu com o maior ataque de sempre à dignidade, à autoridade e ao estatuto dos professores portugueses.

A razão funda de Emanuel

Rui Rio "não tem razão", afirma o secretário de Estado do Orçamento, Emanuel dos Santos, a propósito do regime de excepções nos cortes salariais.
Convenhamos que a razão funda de Emanuel não é acessível à lógica dos mortais, porque, no essencial, o regime de excepções foi aprovado, exactamente para que não haja lugar a nenhuma excepção.
Não perceberam?
Os que se seguem também não devem, mesmo, ter entendido nada da justificação:
Fonte: Jornal de Negócios

Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010

A saque

Fonte: Sol
Será que o Estado português atingiu um tal nível de laxismo e de negligência que não dispõe de estruturas e de mecanismos que lhe permitam, quer responsabilizar os autores de gastos injustificados e ser ressarcido de verbas espatifadas, quer, se for caso disso, fazer com que alguns manjericos batam com os costados na cadeia?
Também vamos percebendo o zelo e a baba com que Júdice defendeu o socratismo e a autoridade com que vai debitando "papaias" sobre a crise e o estado do país.

Revoltante e perigoso


Subscrevo, integralmente, as declarações de Rui Rio e congratulo-me com a sua postura política e moral relativamente à condenação desta vigarice.
Mas, ainda vou mais longe: só políticos estúpidos, irresponsáveis (como mostrarei no parágrafo a seguir) e sem ética, teriam o descaramento para, no contexto actual, abrirem esta excepção, ainda por cima sem qualquer justificação que a suporte.
Uma vez aprovada esta vigarice, os governantes, bem como aqueles que lhes dão a mão e lhes alimentam a desfaçatez, perdem toda a autoridade para impor sacrifícios a quem quer que seja, acendendo um justificado e incontrolado rastilho de revolta social.
Doravante, os professores que levam a ripeirada dos cortes e se encontram congelados desde 2005, nas suas expectativas de progressão (como é o meu caso), tendo já financiado em milhares de euros a irresponsabilidade dos portugueses que têm suportado eleitoralmente o desgoverno de Sócrates, também temos o direito e a razão para exigirmos uma regra de excepcionalidade. Aliás, passam a poder e a dever exigi-la todos os funcionários públicos.

Não podiam estar pior entregues

Fonte: LUSA
O país já devia estar vacinado relativamente às iniciativas que tenham a chancela deste personagem, porque as mesmas ou ocupam inutilmente as pessoas, ou empatam sem nada resolver, ou degradam ainda mais as situações, ou.visam esconder ou iludir dados e realidades.
Nada de verdadeiramente qualificador ou transformador se pode esperar da acção deste secretário de Estado.
Lamentavelmente, este governo e, especificamente, Valter Lemos, não conseguem exceder o patamar de medidas e políticas ilusionistas e faz-de-conta, ao invés de apostarem em promover, quer programas de formação exigentes e verdadeiramente profissionalizantes, quer políticas inovadoras, consistentes e personalizadas de apoio à criação de emprego.
Os desempregados careciam de formação escolar e profissional a sério que os qualificasse efectivamente e os preparasse para os desafios do mercado do trabalho, algo que, nem estes governantes, nem a bandalheira em que se transformaram as Novas Oportunidades, estão em condições de assegurar.

Inverter a estratégia caranguejo

Mensagem na concentração de Contratados e Desempregados, ontem, em frente ao ME (ver Relato AQUI)
Agora que 90% dos professores estão, de novo, mobilizados e que está definida uma agenda clara, continuada e dinamizada pelos delegados sindicais, nas escolas, é importante que partam do interior das próprias estruturas sindicais mensagens de denúncia de um certo sindicalismo caranguejo (como ecoam, proféticas, as declarações de António Avelãs, num encontro organizado em Abril de 2009 pelo Passa Palavra, de acordo com as quais a luta dos professores relativa à divisão da carreira e ao modelo de avaliação seria tarefa para longos e arrastados anos) que, a cada contestação e subsequente negociação, se vai traduzindo em alguns retrocessos efectivos.
No mínimo, que se defina, sem ambiguidades, um núcleo de fins da luta, relativamente ao qual possa assumir-se um compromisso de que não se transigirá, pela terceira vez, na defesa do mesmo.
Apenas desejo que os professores não tenham que esperar... sentados!

Muita apreensão relativamente a este Natal

Quando perto de 6 milhões de portugueses tinham a expectativa de que o Calvário para Jesus ocorresse apenas por volta da Páscoa, eis que o mestre da táctica claudicou, as exibições do Benfica empalideceram e os resultados tornaram-se humilhantes.
Assim sendo, muitos temem que, neste Natal, possa já não haver Jesus.

Capa do Record, 25-11-2010
Capa de O Jogo, 25-11-2010
Capa de A Bola, 25-11-2010

Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010

Obviamente, não estavam interessados numa grande manifestação

Uma grande manifestação de professores seria, na perspectiva sindical, para reivindicar especificamente o quê?...
Fonte: Correio da Manhã

Adesão extraordinária

Fonte: Fenprof
Aqui para nós, que quase ninguém nos lê ou vê, talvez fosse importante que alguém, no interior da direcção da Fenprof e já liberto desta obsessão de lançar percentagens impressionistas para a comunicação social, sugerisse aos delegados sindicais, espalhados pelo país, um levantamento recatado e efectivo, nas escolas ou no ministério da Educação, do número de professores que aderiram a esta greve, de forma a poderem desenvolver uma reflexão séria sobre os motivos que estarão na base do afastamento dos professores destas agendas sindicais, sobretudo, quando se poderia ter verificado uma adesão esmagadora dos professores, mas, não se verificou, ao contrário da percentagem aqui atirada para o ar.
Depois de os cerca de 10 mil participantes na manifestação de 6 de Novembro se terem transformado, num passe de mágica, em 100 mil manifestantes, eu ficaria, em privado, realmente preocupado face a este nível de adesão de 75%.
E nem sequer é necessário dar conta pública do número exacto, basta que reflictam seriamente sobre o significado do mesmo.

Esta Greve Geral provou a sua eficácia

Tenho para mim que uma jornada de luta, assuma ela a forma de manifestação, de greve ou de qualquer outra expressão, adquire ganhos de eficácia se a principal mensagem que pretende veicular for clara e se o alvo a que se dirige estiver bem identificado.
No entanto, e como expectável, tanto as declarações que os dirigentes das centrais sindicais têm vindo a proferir, ao longo do dia, como as narrativas que se foram produzindo, na comunicação social e na blogosfera, têm ignorado o principal responsável pelas políticas de endividamento galopante e pelo protelamento irresponsável das respostas à crise que, em convergência, conduziram o país para a "inevitabilidade" destas medidas de brutal austeridade.
E este (ir)responsável tem um rosto e um nome: José Sócrates.
O alvo foi, conscientemente, pulverizado (porque, no limite, Sócrates é para estes sindicalistas uma espécie de mal menor) e a mensagem perpassa, por aí, difusa: luta-se contra "estas políticas", "uma constelação de ideias erradas", as "debilidades institucionais em Bruxelas", os "egoísmos nacionais na Europa", as nossas "boas velhas dificuldades estruturais" (algumas destas citações retirei-as da crónica que Rui Tavares - deputado europeu pelo BE - assinou, hoje, no Público), os mercados internacionais, os credores agiotas ou, mesmo, a senhora Merkel.
Escandalosamente, como antevi, todos silenciam ou atenuam a responsabilidade objectiva e pessoal de um político incompetente, medíocre e aventureiro que dá pelo nome de Sócrates. Aliás, é profundamente lastimável que uma jornada de luta, como a greve geral de hoje, culmine com uma festa de cantorias na Baixa de Lisboa e não no local onde a pressão devia estar a ser exercida e as responsabilidades a serem assacadas, isto é, São Bento, porque se não estivéssemos nas mãos dos credores internacionais (mas, como compatibilizar a diabolização dos credores com a aprovação, no Parlamento, da continuação do endividamento, por força das obras megalómanas viabilizadas pelos mesmos que se aproveitam politicamente desta greve geral?) e se a resposta à crise tivesse sido atempada, sem ilusionismos e propaganda, tinha-se evitado a dureza destas medidas.
Foi, também, por esta manipulação e por estes jogos de espelhos para esconder as responsabilidades pessoais e políticas de Sócrates na situação crítica em que nos encontramos, que, em 23 anos de carreira docente, não aderi pela primeira vez a uma greve.
Deste ponto de vista, a Greve Geral foi extremamente eficaz na mensagem que passou:
Sócrates não é o responsável pela situação em que nos encontramos, não tem a paternidade do ataque aos trabalhadores e aos funcionários públicos (podia lá ser num homem de esquerda), pelo que é irrelevante exigir o que se gritava em outros tempos, ou seja, "XPTO, PRÁ RUA!..."

A isto acresce mais um pormenor que não é de somenos importância: enquanto os enfermeiros registaram uma adesão massiva (80%), porque os sindicatos têm sido credíveis na defesa das reivindicações da classe e passaram, na comunicação social, a sua agenda reivindicativa própria, os representantes dos professores perderam a credibilidade para transmitirem uma leitura da força das reivindicações específicas dos professores a partir desta Greve Geral, porque eles próprios não as assumem de forma consequente.
Não deixa de ser irónico que a escola que tomou a primeira posição colectiva e pública contra o modelo de avaliação do desempenho e a divisão da carreira (Escola Secundária de S. Pedro - Vila Real, em 25 de Janeiro de 2008) esteja, hoje, a funcionar quase em pleno (com a esmagadora maioria dos professores a leccionarem, muitos dos quais não relevam a Sócrates o maior e mais ultrajante ataque alguma vez dirigido a um grupo profissional - desde a imagem negativa que passou para a opinião pública, até aos congelamentos sucessivos e à imposição de uma FARSA que degrada as relações entre professores e a própria escola pública), enquanto escolas que se colaram às medidas impostas por Sócrates tenham, hoje, registado adesões significativas à greve.
Amanhã, a FARSA seguirá, nas escolas, posta, convictamente, em cena por muitos dos indignados de hoje.

O que queremos do sistema educativo?

In Público, 24-11-2010 (Obrigado, Zé)
Excelentes ideias para encetar uma viragem no sistema educativo e que, no essencial, subscrevo.
Candidato a ministro competente, que tenha "ideias fortes e formadas", também está à frente dos nossos olhos.
Vamos, pois, trabalhar para a consumação desta viragem na educação, em Portugal, o que, certamente, não passa pela intencionalidade e pela agenda daqueles que organizaram (sublinho, organizaram) a Greve Geral de hoje.

Não se arranja, por aí, um motim?


Caso contrário, não vai ser fácil ao governo encontrar uma justificação plausível para a encomenda destas "bestas".

Terapias do riso

Daqui
Excluindo o hiato do dia 24 de Novembro, nada que uma "boa negociação" (sic, Mário Nogueira, 8-01-2010), e uma conversa sorridente e em registo ataráxico, não permita ultrapassar, tem existido um clima distendido, de boa disposição e de confiança entre os protagonistas da notícia.
Pelos vistos, o relacionamento evoluiu, agora, do sorriso para a gargalhada.
É pena que os professores tenham desistido tão facilmente de manifestar o mesmo desprezo e desdém pela FARSA que os vai ocupando na escola. Mas, os que mantêm a cabeça bem fora da areia serão recompensados, mais cedo ou mais tarde, pelos sindicatos. Também, raramente os havíamos enxergado nas iniciativas, no terreno, dos movimentos de professores.

Terça-feira, 23 de Novembro de 2010

A carteira ou a dívida?

Num país, cujas finanças públicas se encontram depauperadas, em que os juros da dívida atingem níveis incomportáveis, em que o Estado tem que assaltar os rendimentos dos contribuintes e os vencimentos dos funcionários públicos para se financiar, onde a economia não tem a dinâmica que lhe permita gerar receitas e criar riqueza sustentável e onde um número significativo de portugueses (e potenciais eleitores dos partidos de esquerda) não dispõe do mínimo para garantir o seu sustento, torna-se absolutamente equívoca e irresponsável a união da esquerda a favor das obras megalómanas de Sócrates, nomeadamente, o TGV, o novo aeroporto e a 3ª travessia sobre o Tejo.
Esta equivocidade vê-se ainda agravada, como no caso específico do TGV, pela circunstância de este investimento ter um impacto nulo na reabilitação da economia nacional, tanto em termos de aquisição de matérias-primas, de diminuta empregabilidade entre os trabalhadores nacionais, de desvio de financiamentos que poderiam ser alocados às pequenas e médias empresas, mas, sobretudo, tendo em conta o bem de luxo que o TGV representa, ou seja, a esquerda é favorável ao esbanjamento de dinheiros do Estado num meio de transporte que será inacessível à esmagadora maioria dos portugueses e que dará prejuízo, aos invés de apostar, prioritariamente, numa excelente rede de transporte de mercadorias.
Atendendo a que o PCP e o BE também são contra as parcerias público-privadas, estes mega investimentos traduzir-se-iam num endividamento galopante do Estado e num criminoso sequestro das opções de investimento das gerações futuras.
Assim sendo, convinha perguntar aos partidos de esquerda quem paga estas megalomanias. Porque, das duas uma: ou prosseguirá o assalto do Estado à carteira dos portugueses ou aumentará a dívida pública.
E quase tudo apenas para gáudio do ego de Sócrates e dos seus mordomos da esquerda.
Depois da viabilização da palhaçada da avaliação do desempenho dos professores, o despesismo incontrolado do Estado também parece estar no bom caminho e bem assessorado.

Medíocre

Daqui
Iniciativa do ISEG, de que resultou a avaliação do Orçamento de Estado para 2011 e que, hoje, foi apresentada: numa escala de 0 a 100, obteve a classificação de 38.
Excluindo o marketing e a organização de eventos (apesar da trapalhada dos blindados e da eventual quebra na segurança que o serviço de prostitutas podia ter representado), a mediocridade constitui o registo habitual da governação socrática, que nem um sindicalismo de lutas simbólicas e de estratégias de resistência do tipo "coitus interruptus" ajudará a salvar.

Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010

Quem está (com) Alegre?

Quem tenha estado minimamente atento ao que vai acontecendo no terreno, não lhe terá sido difícil antecipar os resultados da última sondagem sobre a eleição presidencial e, especificamente, o resvalo do candidato Manuel Alegre, que terá tendência a agravar-se à medida que as pessoas forem interiorizando que estão confrontadas, inevitavelmente, com uma candidatura afectada por uma doença bipolar, insusceptível de corresponder à vontade e às expectativas de todos e cada um dos seus apoiantes.
Esforçando-se por não hostilizar Sócrates e os dirigentes que controlam o PS, Alegre tenderá a reprimir discordâncias ideológicas e manifestações públicas da sua proverbial indignação, deixando insatisfeitos ou desiludidos os apoiantes identificados com o Bloco de Esquerda.
Procurando atrair o eleitorado do Bloco de Esquerda (onde a concorrência de Fernando Nobre é efectiva), Alegre terá a tentação de atacar os desvios pretensamente direitistas de Sócrates, arrefecendo ainda mais a indiferença com que a oficialidade socialista simula apoiá-lo. A este propósito, alguém me segredou que, na recente passagem de Manuel Alegre por Vila Real, alguns dirigentes locais do PS não esconderam o seu enfado e, mesmo, alguma expressão de contrariedade pela presença no evento, além de que o ambiente na mesa "oficial" do partido mais se assemelhava ao de um velório.
Todavia, esta bipolaridade que fragiliza de morte a candidatura de Alegre foi uma opção e uma responsabilidade sua, contrariando a genética da sua força na anterior eleição presidencial, ou seja, a crítica e a regeneração moral e política do PS de Sócrates.
Da parte daqueles que não suportamos Sócrates, nem os que o apoiam ou toleram, a aproximação de Alegre a Sócrates, dando cobertura à sua desgovernação (chegando ao cúmulo de procurar identificar responsáveis imprevistos pela actual situação de endividamento e de descontrolo das contas públicas, resguardando de crítica o verdadeiro responsável), afastou-nos irremediavelmente da opção de votarmos em Manuel Alegre.
Não tenho dúvidas que a contaminação socrática da candidatura de Alegre, mesmo que a contragosto, lhe será fatalmente trágica.

Domingo, 21 de Novembro de 2010

Três razões para não aderir a esta Greve Geral

Tenho o maior respeito pelos professores que decidam aderir à Greve Geral do dia 24 de Novembro, ainda por cima se forem aqueles colegas com os quais partilhei muitas das lutas travadas contra os governos de Sócrates.
No entanto, não encontro razões, nem disposições, para alinhar em jornadas de luta simbólicas e confinadas a uma manifestação (que foi um fiasco) e a um dia de Greve Geral, como quem cumpre, esvaziado de convicção e indignação, um ritual obrigatório, ao mesmo tempo que nos locais de trabalho não se passa nada em termos de presença e de dinâmica sindical. É assim nas escolas e, ao que parece, também nas universidades e sabe-se lá em que outras instituições e serviços.
Ao contrário, sempre que ponderei a minha participação nestas contestações, esbarrei nas três seguintes razões insuperáveis, sem que me mova alguma motivação apologética ou sequer me incomode alguma coisa que as mesmas possam ser mais ou menos acompanhadas:
1.- não alinho na mistificação daqueles que pretenderam mobilizar os professores para esta Greve Geral, recorrendo à instrumentalização das reivindicações dos professores, mormente o modelo de avaliação, que eles próprios aceitaram e legitimaram sempre que tiveram oportunidade para o substituir. Num momento em que os sindicatos  não encontram razões ou motivações suficientes para dinamizarem quaisquer acções ou reacções nas escolas que lhes permitam reganhar a confiança dos professores e  impulsioná-los novamente  para a contestação ao ministério da Educação e ao governo (exceptuando episódicos e cirúrgicos arrufos e ameaças na comunicação social), não posso deixar de considerar um disparate e um embuste a tese, de acordo com a qual o governo e a opinião pública empreenderão uma leitura dos níveis de adesão à greve em termos de concordância ou rejeição face às actuais políticas educativas e, especificamente, de sancionamento de um modelo de avaliação que degrada a relação entre os professores e prejudica as aprendizagens escolares, pois, são exactamente os sindicatos que, pela sua inércia e saída de cena (nas escolas, nas ruas e no palco mediático), veiculam uma mensagem pública de normalidade nas escolas; 
2.- esta Greve Geral, isolada e desprovida de uma agenda de resistência continuada e persistente, adquire uma dimensão meramente folclórica, sem que ninguém ainda tenha percebido que expectativas de resultados decorrerão desta jornada de luta e que outras formas de contestação se seguirão até se obterem esses resultados, uma vez que nas escolas e em outras instituições públicas não se sente ou vislumbra, como já referi, nenhuma presença ou vontade sindical;
3.- depois de os dirigentes das centrais sindicais terem admitido, publicamente, a inevitabilidade do Orçamento de Estado para 2011 e virem manifestando uma complacência e uma mansidão para com o governo de Sócrates (apesar da crise, da miséria e do desemprego, nada se mexe e as pessoas contam apenas consigo próprias), não tenho dúvidas de como tudo isto não passa de encenações, por parte de quem, nos momentos decisivos, está feito com este governo. Imagine-se a agitação que, neste momento, estaria a acontecer nos locais de trabalho, nas ruas e na comunicação social se as medidas orçamentais fossem da responsabilidade de um governo do PSD e do CDS-PP.
Estarei na primeira linha de uma luta que seja convicta, dinamizada, visível e persistente até se atingirem resultados efectivos com as mesmas, cujos epicentros sejam as escolas e as reivindicações dos professores (da avaliação aos horários e à gestão democrática), incluindo os recorrentes e injustificados congelamentos de progressões, mas, por favor, não me peçam para ser peão ingénuo e manipulável de uma estratégia sindical de apaziguamento catártico da revolta, de forma a garantir-se a suficiente domesticação das reacções, prevenindo-se os riscos de instabilização das  instituições e da sociedade que pusessem em causa  a perpetuação de Sócrates e da esquerda no poder (sempre protegidos e desejados, nos momentos chave).
E sobre estas lutas de faz-de-conta não escreverei mais uma linha!

Sábado, 20 de Novembro de 2010

Uma dúvida, uma curiosidade e uma frustração

Dúvida: diz-se cimeira da NATO ou cimeira da NATA?
Esmagado por uma cobertura televisiva da cimeira da NATO, transmitindo à exaustão desfiles de gente tão importante a nível mundial (mesmo assim, o meu voyeurismo inclina-se mais para desfiles de modelos da estilista Fátima Lopes, vá lá saber-se porquê), entre presidentes e chefes de governos, chego a ficar na dúvida se não estamos, antes, perante uma cimeira da NATA (da política mundial).

Curiosidade: onde param (ou circulam) os blindados da PSP?
Num momento de aperto financeiro, em que muitas esquadras da polícia têm as viaturas de serviço num estado miserável e sem verbas para arranjos, o Estado e a PSP passam uma imagem de riquismo e vai de encomendarem uma catrefada de veículos blindados para a cimeira da NATO, de forma a impressionarem as comitivas estrangeiras e o mundo com um poderio ilusório.
A questão é que dos ditos blindados ninguém enxergou sequer a sombra, ainda que o decorrer da cimeira tenha demonstrado o absurdo da sua aquisição, ou seja, não fariam qualquer diferença.

Frustração: não era suposto a cimeira da NATO ter decidido uma intervenção nos bairros 6 de Maio e Alto da Cova da Moura?
Pressentindo a argolada em termos de aquisição injustificada, gestão precipitada e em cima do joelho ou atraso na entrega das viaturas blindadas, o ministro da Administração Interna encontrou uma serventia de circunstância para este investimento milionário: controlar os bairros problemáticos da região de Lisboa (presumo que a região do Porto não esteja contemplada).
Foi, pois, com alguma decepção que constatei o facto de a NATO ter negligenciado uma forte ameaça a um dos seus membros, abandonando Portugal na "guerra" contra os seus bairros.

Decomposição

Fonte: Expresso (20-11-2010)
Já não há PREC (Processo de Remodelação Em Curso) que lhes valha.
A acrescentar às dissonâncias e aos tiros nos pés, só mesmo a paródia de se ouvir, no mesmo Congresso, um secretário de Estado e um ministro a debitarem o mesmo discurso.
No entanto, convém não descurar a captura mental de certos jornalistas que, onde outrora viam trapalhadas, tendem a ver, agora, percalços a ignorar, de forma a poderem continuar a projectar pseudo-fôlegos.

Sexta-feira, 19 de Novembro de 2010

A desacreditação da escola pública e dos professores, empreendida pelos próprios

Chegados a este momento temporal, qualquer abordagem do modelo de avaliação do desempenho deveria restringir-se ao peremptório do seguinte postulado:
“Os processos e os resultados desta avaliação do desempenho são uma FARSA”. Assim, sem mais!
Todavia, o Mário Carneiro, com o inigualável rigor, clareza e argúcia intelectual que é seu timbre, ainda se deu ao trabalho (no post referenciado em baixo) de, uma vez mais, fundamentar a inexequibilidade, a teatralidade e a falta de seriedade do modelo.
Trata-se de uma demonstração categórica de três disfuncionalidades ou constrangimentos insuperáveis:
- a inoperacional complexidade do modelo, dada a extensão e a diversidade de dimensões, domínios, níveis, indicadores, descritores e relatórios, acarretando uma mobilização de dados e de investimentos pessoais que, além de dificilmente avaliáveis, geram efeitos contraproducentes no tempo, na preparação e na disposição requeridos pela função de ensinar;
- a irrelevância das aulas assistidas (já aqui demonstrada), uma vez reduzidas à sua dimensão coreográfica, teatralizada e artificiosa (há professores que já garantiram junto de colegas os materiais pedagógicos – PowerPoint e outros – com que encenarão o show-off das duas aulas assistidas);
- a falta de seriedade e de credibilidade da avaliação que resulta de todo o processo, mercê também da contingência de os avaliadores (coordenadores e relatores) serem atirados para o circo desta avaliação, sem qualquer formação ou treino específico e testado, o que significa a inexistência de garantias que salvaguardem o rigor, a adequação e a transparência exigíveis na avaliação de professores, deixando espaço para espontaneidades, experimentalismos e amadorismos que podem não ir além de convicções privadas ou, mesmo, da impreparação típica da pantomina.
Se me envergonha, como professor, ter que admitir que tenha havido sindicatos, escolas e professores que sancionaram esta FARSA, já me arrepia pensar que exista, nas escolas, quem hipoteque a sua seriedade e exigência intelectual, colocando-se ao serviço da implementação comprometida e entusiasta desta aberração.
Por outro lado, também me causa uma enorme perplexidade a conduta contra-atitudinal da Fenprof, pois, ao mesmo tempo que ameaça com os tribunais e que acena, para efeito de mobilização para a greve geral, com a rejeição do exacto modelo que legitimou há menos de um ano, não se vislumbra nenhuma movimentação dos delegados sindicais, nas escolas, com vista à mobilização dos professores para a luta contra o modelo de avaliação.
Neste momento, são os próprios professores a protagonizarem, vergados ou deslumbrados, o descrédito da escola pública ao se envolverem activamente num passatempo inútil de que não decorre nenhum benefício para as aprendizagens dos alunos, bem pelo contrário.
Acontece que, enquanto os professores da escola pública se envolvem em jogos cénicos e teatralidades fúteis, a maioria das escolas privadas prossegue o seu trabalho de preparação dos alunos, sem se enredarem em burocracias e em processos de faz-de-conta.
Aliás, constituiria um relevante serviço público informarem-se e alertarem-se os encarregados de educação e os políticos deste país para os efeitos perniciosos que a ocupação dos professores, requerida pelos processos e pelas dimensões absurdas desta avaliação do desempenho, terá sobre a qualificação dos alunos.
Faz-me profunda pena ver os professores reduzidos a uma espécie de actores canastrões de uma FARSA socratina.
Fonte: O estado da educação e do resto
Nota 1: entretanto, o Mário Carneiro prossegue aqui a desmontagem magistral do modelo de avaliação.
Nota 2: amanhã procurarei fazer prova de quão falacioso é o argumento daqueles que procuram ligar a não adesão à Greve Geral com qualquer baixar dos braços ou inactivação da luta contra as medidas educativas deste governo. E nesta minha reacção nem sequer há nada de pessoal, pois, desafio, humildemente, qualquer um a demonstrar que se opõe ou tem resistido mais do que eu próprio a esta FARSA da avaliação do desempenho.

Que avance, pois, a remodelação governamental

Se me é permitida uma proposta idiossincrática de remodelação governamental, que presumo ser acompanhada por muitos portugueses, não duvido que a hierarquia de afastamentos do governo devia assumir a seguinte ordenação, de acordo com critérios combinados de maior saturação junto da opinião pública, de maior descrédito, de maior inoperacionalidade e de maior incompetência:
1º - José Sócrates (primeiro-ministro), por todos os critérios anteriores;
2º - Isabel Alçada (ministra da Educação), pelos dois últimos critérios, mais o descrédito advindo da manutenção da farsa da avaliação, do incumprimento de compromissos e de um certo estilo a dar para o infantilizado;
3º - Pedro Silva Pereira e Augusto Santos Silva (respectivamente, ministros da Presidência e da Defesa), por junto e pelas mesmas razões, óbvias;
4º - Teixeira dos Santos (ministro das Finanças), caído na esparrela da propaganda e do descrédito socrático, deixou-se arrastar na enxurrada do desnorte;
5º - Vieira da Silva (ministro da Economia), por inadaptação ao novo posto de trabalho;
6º - os restantes ministros bem podia acompanhar estes seis, porque, de qualquer forma, também ninguém daria pela sua falta.
Exceptuaria os ministros Mariano Gago (ministro da Ciência e Ensino Superior) e Luís Amado (ministro dos Negócios Estrangeiros), cuja competência e decência os aconselharia para integrarem qualquer bom governo.
Que expectativa pode existir relativamente a uma remodelação governamental em que aquele que decide a remodelação deveria ser o primeiro a ser remodelado?
Obviamente, nenhuma.
Conclusão: não remodelem, removam!...

O homem errado

Fonte: Público (18-11-2010)
Uma boa análise de Helena Matos que ilustra bem até que ponto o estilo, a conduta, as opções e a incompetência política de Sócrates o converteram no principal problema do país e no empecilho à mobilização dos portugueses e à  congregação de vontades com vista à ultrapassagem da crise actual.
Olhamos para o percurso político e para as habilidades retóricas de Sócrates e compreendemos como se perdeu uma inigualável vocação nas vendas, num qualquer departamento comercial de uma qualquer JP Sá Couto (por exemplo). Quem vende mentiras como se fossem verdades (avaliação dos professores, PT/TVI...), estádios que estão às moscas como sendo pólos dinamizadores de desenvolvimento urbano (Aveiro) ou aeroportos "absolutamente essenciais", em relação aos quais não se vislumbra qualquer utilização (Beja), certamente, possui competências de marketing não despiciendas.
Assim sendo, não se percebe muito bem a agitação mediática que começa a emergir à volta de uma eventual remodelação governamental, quando o epicentro dos problemas e das inércias governativas é o próprio Sócrates, sendo visto pela maioria dos portugueses como o primeiro remodelável.
A não ser que a estratégia vise desviar a atenção e tentar iludir a pressão sobre quem é, de facto, a fonte dos problemas.

O regresso da Filosofia

Fonte: Público
No contexto de um governo e de um ministério da Educação, cujas orientações identitárias têm assumido a forma, tanto de decisões erráticas, inconsistentes e conflituantes, como de um desmantelamento da exigência e de uma propensão para a exploração propagandística de medidas e processos faz-de-conta, a notícia da reposição do exame de Filosofia, no 11º ano de escolaridade, constitui uma decisão surpreendente, que saúdo, apesar do seu carácter excepcional relativamente às tendências atrás referenciadas.
Mesmo não discutindo aqui a natureza dos programas de Filosofia de 10º e 11º anos, é uma evidência o deficit da maioria dos alunos em termos de competências de compreensão e interpretação, de problematização e questionamento, de desenvolvimento do espírito crítico e de produção de ideias, que a exercitação mental e o conhecimento propiciados pela Filosofia podem contribuir para corrigir. Ora, o regresso do exame de Filosofia vem reforçar a relevância desta disciplina, tornando o seu ensino e a sua aprendizagem mais exigentes, ao mesmo tempo que robustece a formação dos alunos e, numa palavra, qualifica mais um pouco a escola.
No entanto, a enfatização do carácter positivo desta decisão não me inibe de deixar aqui duas notas:
- a reposição da obrigatoriedade do exame de Filosofia devia vir acompanhada da apresentação dos fundamentos que levaram à sua eliminação, em 2007, bem como das razões que conduziram, agora, à rejeição ou reinterpretação daqueles fundamentos, de forma a não ficar a ideia do carácter fortuito e imponderado deste tipo de decisões;
- um lamento pela circunstância de este governo ainda não ter percebido que a generalização de exames nacionais em cada fim de ciclo constituiria o factor mais poderoso para induzir exigência e qualificação do ensino, ao arrepio do que ocorre com a farsa da avaliação do desempenho e o seu efeito contraproducente nas aprendizagens dos alunos.

Quinta-feira, 18 de Novembro de 2010

Uma excelente proposta

Fonte: Público
Apenas manifesto a minha estranheza pela circunstância de esta proposta não ser originária das posições e dos discursos moralizadores da esquerda.
É que não basta denunciar, se, na prática, não se tomarem iniciativas concretas que limitem o descalabro na generosidade com que o Estado espatifa o dinheiro dos contribuintes em alcavalas e vencimentos absolutamente injustificados, particularmente no âmbito das empresas públicas, empresas municipais, assessorias e afins.
Será de todo incompreensível se o PCP e o BE, bem como o PSD, não viabilizarem esta proposta do CDS-PP.

Quase um programa de governo

Tenho escrito amiúde, neste blogue, sobre a necessidade das novas alternativas políticas, em Portugal, mudarem de paradigma de actuação quando conduzem os assuntos do Estado, em três eixos fundamentais:
- opção por trabalhar com as pessoas (e não hostilizando-as e crispando as relações), na base de métodos participativos que permitam valorizar e envolver os actores no terreno, de forma a implicá-los nas decisões e a motivá-los para a concretização das mesmas;
- diferenciação clara, no quadro da administração pública e das empresas públicas, dos (poucos) lugares de confiança e nomeação política relativamente àqueles, cujas funções devem ser exercidas com independência face à transitoriedade do poder e do governo dos partidos, pressupondo a abertura de concursos públicos para o seu provimento, de forma a que os mesmos sejam ocupados na base de critérios de maior currículo e  profissionalidade;
- absoluta transparência nas contas do Estado, publicitando-se obrigatoriamente todos os montantes envolvidos em contratos, parcerias, compromissos, endividamentos e despesas em geral.
Como tal, congratulo-me com esta crónica de José Vítor Malheiros, que coincide com uma destas minhas preocupações, ficando na expectativa de que este tipo de exigências, absolutamente normativas nos países do norte da Europa, possa fazer o seu caminho, entre nós, sob a forma de compromissos eleitorais, já nas próximas eleições legislativas.

Uma oportunidade de transparência
José Vítor Malheiros, in Público, 17-11-2010

Nós, o povo, temos o direito de saber onde se gasta TODO o nosso dinheiro.
No início dos anos 80, quando todas as palavras de ordem eram a respeito de outra crise, da qual quase todos os arautos - à direita e à esquerda - acreditavam que o capitalismo social, o neoliberalismo, o fim do Estado-Providência e a iniciativa individual à la Reagan nos iriam salvar, era comum ouvirmos dizer, como argumento demolidor, que "crise" em chinês se escrevia com dois caracteres: o de "perigo" e o de "oportunidade".
Se até os chineses (povo sábio, como todos os orientais) diziam isso há milénios, tinha de ser verdade. Por isso, quando se ficava desempregado e a fome ameaçava roer-nos a barriga, bastava pegar na crise com as duas mãos, dobrar-lhe o pescoço, agarrar na oportunidade que iria sair-lhe pela boca, criar a nossa própria empresa, lançá-la na bolsa, enriquecer e escarnecer dos pobres de espírito que continuavam de mão estendida a mendigar salários aos patrões e subsídios aos Estados.
A história dos caracteres chineses é tão falsa como as promessas do capitalismo popular, mas antes da WWW era mais difícil do que hoje encontrar um sinólogo ao virar da esquina. De facto, um dos símbolos mandarins significa "perigo" e o outro significa "momento crucial", mas não há nada de intrinsecamente positivo na ideia de crise na China ou em Portugal. Mesmo lida em mandarim, "crise" significa "momento de perigo".
A equação "crise=perigo+oportunidade" mostrava a crise como algo neutro do ponto de vista das consequências, com resultados bons e maus, ou até como um processo altamente positivo, selectivo e purificador, que permitia melhorar a sociedade, seleccionando os vencedores e deitando os vencidos para o caixote de lixo da história.
Reagan adorava, Thatcher também e a esquerda entaramelou a língua durante os trinta anos seguintes sem saber o que havia de dizer. Ainda entaramela.
Pelo meu lado, porém, sempre acreditei que crise representava de facto perigo+oportunidade. Há perigos vários para quase todos e oportunidades para uns quantos. Não há perigo para os banqueiros. E não há oportunidades para um operário de cinquenta anos despedido.
Posto isto, é evidente que as crises são momentos de consciência aguda de um problema.
Esta consciência deveria, no mínimo, fazer-nos a todos exigir algumas coisas concretas, muito simples, que não vão evitar a próxima crise, nem tornar os políticos mais honestos nem os empresários mais dinâmicos, mas que podem melhorar algumas práticas e evitar-nos algumas surpresas desagradáveis no futuro.
Uma das coisas que penso que se tornou dramaticamente evidente e que penso que todos - da esquerda, da direita e do meio - estaremos de acordo em exigir é uma maior transparência no gasto dos dinheiros públicos. O que é hoje fácil de conseguir com o uso da Internet. Só que não estou a falar apenas dos orçamentos da Administração Pública mas de todos os dinheiros públicos. A regra devia ser simples: TODO o dinheiro que saiu do bolso dos contribuintes deve ver o seu gasto divulgado e justificado. TODO.
Incluindo o dinheiro das empresas públicas e municipais, o das instituições privadas financiadas por dinheiros públicos, o das Parcerias Público-Privadas. TODO. Tal como está, o Orçamento do Estado representa uma ficção mais do que mostra. Ninguém conhece a verdadeira dimensão do défice ou da dívida porque a maior parte deles está escondida em instituições que não aparecem no OE. Entidades "privadas", mas que usam o nosso dinheiro. Nós, o povo, temos o direito de saber onde se gasta TODO o nosso dinheiro. Como temos o direito de conhecer TODOS os contratos que se assinam (com empresas privadas ou outras entidades) para gerir o nosso dinheiro, o nosso património e os nossos serviços. Há segredos comerciais ou outros envolvidos? Que se instaure um embargo de dois anos, então. Alguém, no sistema político, contesta isto? E, se não contestam, porque não o põem em prática? (jvmalheiros@gmail.com)

Outras lutas

Recebido do Paulo Ambrósio, para divulgação e, da minha parte, apoio à iniciativa e solidariedade com os colegas contratados e desempregados.

CAROS COLEGAS:
SOLICITO-VOS AMPLA DIVULGAÇÃO DO COMUNICADO ANEXO A ESTE MAIL
Nota explicativa: após o veto político da Comissão Executiva do SPGL à decisão unânime da Comissão de Contratados e da Frente de Desempregados do SPGL de realizar uma concentração de docentes precários frente ao ME no dia da Greve Geral, os colegas precários que integram estes dois orgãos sindicais, decidiram (também por unanimidade) levar por diante a dita concentração, mesmo sem o apoio do sindicato, e de forma independente e auto-organizada.
Esta decisão corporizou-se a partir da divulgação interna desta tomada de posição.

Professor/a e Educador/a Contratado/a e Desempregado/a! 
4ªF, dia 24/11, às 14h30, concentramo-nos frente ao ME!

Professor/a e Educador/a Contratado/a!

Porque não nos conformamos com:
- a não existência de qualquer mecanismo de vinculação dinâmica dos contratados e o incumprimento das recomendações/resoluções da AR
- a não existência de qualquer concurso com vagas reais para quadros em 2011 e provavelmente nos anos seguintes
- o despedimento definitivo de cerca de 10 mil contratados anunciado para 2011/12
- a manutenção da espúria prova de ingresso
- a manutenção da ADD do ME e a sua inclusão no cálculo da nossa graduação profissional
- a exploração desenfreada e lei da selva que vigoram nas AEC’s
- o roubo aos nossos já baixos salários por via do aumento das contribuições do IRS, IVA, CGA e SS
- a resistência ao pagamento da caducidade dos contratos
- a sabotagem ao nosso subsistema público da ADSE

rejeitamos e combatemos as políticas anti-educativas, agravadas com os PEC’s e o OE, que degradam a nossa condição socioprofissional, traduzidas:
- no abate cego de escolas e imposição dos mega-agrupamentos
- no crescimento das já sobrelotadas turmas
- na inclusão de alunos com NEE’s nessas mesmas turmas sobrelotadas
- na extinção do estudo acompanhado e área de projecto
- na redução de horas no plano tecnológico
- na obrigatoriedade dos docente bibliotecários leccionarem
- no corte das assessorias

Professor/a e Educador/a Desempregado/a!
Porque não nos conformamos com:
- as degradantes apresentações quinzenais impostas aos desempregados
- a impraticabilidade da prova de procura activa de emprego para docentes
- a abusiva prova de condição de recursos imposta aos desempregados

Dia 24 aderimos à Greve Geral da CGTP e UGT…
e às 14h30 concentramo-nos frente ao ME!

JUNTA-TE A NÓS POIS A UNIÃO FAZ A FORÇA E ESTA LUTA É DE TODOS!
Façamos de Dia 24/11 o primeiro passo de uma luta que não pode nem deve parar!

P’la Comissão Promotora da Concentração:
Délio Figueiredo, Paulo Ambrósio e Sofia Barcelos (professores contratados e desempregados)