Um murro de Santana Castilho na consciência de Passos Coelho e da elite política "laranja" (18-01-2012): As "natas"

Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010

Duas propostas para 2011, em formato vídeo

Os especialistas e os relatórios sérios, no âmbito da educação, são unânimes na valorização da leitura, considerando-a um dos factores decisivos para o desenvolvimento intelectual, para as aprendizagens escolares e para a qualificação da intervenção da cidadania.
É fundamental que pais e professores, em casa e nas escolas, ponham as crianças e os jovens a ler:


Na expectativa de um ano politicamente negro, com um primeiro-ministro e um governo absolutamente medíocres e desacreditados, torna-se fundamental que os cidadãos reajam criticamente às decisões que penalizam os mesmos de sempre, às manobras ilusionistas e às vigarices políticas, adquirindo consciência e intervenção cívica e pública, isto é, superando a condição de analfabetismo político:


BOM ANO NOVO para todos, apesar dos apesares...

Tapar o Sol com uma peneira

Após os resultados do último estudo PISA, em que os alunos portugueses mostraram ao mundo que a (des)Educação da Nação estava, finalmente, a endireitar-se, fruto da “domesticação” e da avaliação docente “made in Chile by Sócrates & Maria de Lurdes Rodrigues”, eis que um relatório de um organismo (?) do Ministério da Educação vem pôr alguma água na fervura, contrariando a tão famigerada evolução, de que, aliás, muito boa gente desconfiava (aqui e aqui).
Pois, menos de um mês após a evolução impressionante dos alunos portugueses que participaram no dito PISA, vem agora um relatório do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE), a partir dos dados de exames em 1700 escolas, concluir, e citando, que os alunos portugueses são “incapazes de estruturar um texto ou de explicar um raciocínio básico”. Mais, o que ajuda a corroborar a ideia cada mais consistente da “marosca” e da manipulação, para não dizer fraude, que houve a propósito do último PISA, o relatório avaliou conhecimentos e competências nas disciplinas de Matemática, Língua Portuguesa, Matemática A, Física, Química A, Biologia e Geologia, domínios curiosamente também avaliados no último PISA. E, com alguma sorte, até os alunos que participaram no dito PISA também entraram nesta amostra de 1700 escolas...
Quem anda no terreno sabe perfeitamente do estado da (des)Educação da Nação, sabe também que em Educação é difícil aprender e é difícil ensinar, que não é possível haver aprendizagens sem um ensino que privilegie as aprendizagens e o conhecimento, algo que não é possível com o estado actual da coisa. Também é mais do que elementar (e aqui o erro de “casting” por parte dos profissionais da (des)Educação da Nação é demasiado básico) que a “coisa” (leia-se, aprendizagens e afins) em Educação demora tempo, geralmente anos quando não décadas, não é de um momento para o outro que a “coisa” ocorre, como alguns parecem crer. Não é bem semear hoje e colher amanhã, sendo amanhã 24 horas mais tarde. Isto é mais do que elementar. Perante tantas e tamanhas aselhices (não confundir com azar), a coisa só podia dar nisto. O pior é que, por muito que alguns queiram branquear a coisa com relatórios a mostrar falso serviço e a reivindicar méritos que não têm, a coisa está mesmo negra e vai demorar muitos anos a ir minimamente ao sítio, com custos para o País bem altos, uma crise bem pior do que a que já temos!!!
Tendo em conta algumas conclusões como, e novamente citando, “Na Matemática do terceiro ciclo resolver problemas é a maior barreira, tal como enfrentar exercícios com mais de duas etapas”, “Construir textos explicativos com frases que tenham lógica e coerência”, “Articular a informação fornecida em suportes e os conhecimentos necessários para elaborar uma resposta”, só conseguir “completar correctamente exercícios quando o desafio passa por resolver cálculos elementares” e, sabendo-se da importância destas competências até para o dia-a-dia, está-se mesmo a ver o futuro brilhante que nos espera!
Ou será que as ditas 1700 escolas também foram escolhidas (aleatoriamente, só pode...), tal como os alunos do PISA,  para o (des)Governo da Nação voltar a "malhar" nos professores?
Manuel Salgueiro

Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

Podíamos viver sem eles? Poder, podíamos! E tinha sido muito melhor!

In Público, 30/12/201 (clicar na imagem para  aumentar)
Uma crónica que, para que a colecção fique completa, apenas peca por ainda faltarem uns “cromos na caderneta”: uns, pelo pacto do silêncio; outros, pela noite dos sorrisos acordados.
José Aníbal Félix de Carvalho

Consequências da perseguição socrática aos professores

A situação noticiada pelo Correio da Manhã (em baixo), a que devem ser acrescentados muitos outros casos a nível nacional, é de tal forma absurda, injusta e desumana, que é tristemente eloquente da natureza persecutória da revisão do ECD, protagonizada por Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues, ao não diferenciar o tipo e o móbil das faltas permitidas aos professores (numa penalização claramente inconstitucional, se, no país, houvesse quem zelasse, efectivamente, pelo cumprimento da Constituição), pelo que apenas a faço acompanhar da mensagem de e-mail (remetida pela Elisabete, a quem agradeço) da colega referenciada na notícia, pois a perversa vitimização de quem já é vítima dramática da doença é por demais evidente.
Já a estratégia de alguém se esconder atrás da inexistência de enquadramento legal é mais cínica e insultuosa do que o assumir da insustentabilidade deste tipo de situações, dado que a denúncia destes casos tem vindo a ser empreendida, nos últimos anos, sem que tenha ocorrido qualquer impulso para a mudança da lei.
Todavia, não deixarei de comentar, mais logo ou amanhã, a pretensa alternativa de seriedade e rigor avaliativo que o socratismo impôs nas escolas e que permitiria, a alguns professores saudáveis, "excelentes" progressões, havendo sempre aqueles mais voluntariosos que, ainda agora e perante o afundanço das progressões, se esgadanham para ocupar um lugar de músicos, na orquestra do "Titanic" da avaliação do desempenho.
Amigos:
Junto envio notícia saída no jornal de hoje "Correio da Manhã" referente à não progressão na Carreira, respectivamente ao meu caso. É necessário estarmos atentos e nunca sermos acríticos. Desejo a todos vós um excelente 2011, apesar do mesmo se vislumbrar um pouco sombrio; É preciso acreditar que somos capazes de o transformar e de o tornar melhor. Bjs amigos da vossa amiga de sempre.
 Anabela Martins
In Correio da Manhã, 29-12-2010 (clicar na imagem para aumentar)

O "cabaz de Natal" dos professores e da escola pública

Os professores e as escolas não podem ficar indiferentes e não deixar de reagir, de forma massiva, impressiva e continuada, àquilo que as medidas, consubstanciadas na Resolução do Conselho de Ministros n.º 101-A/2010, de 27 de Dezembro, representam em termos, quer de ataque ao rendimento e às expectativas de empregabilidade dos professores (mesmo daqueles que integram os quadros de escolas e agrupamentos), quer de desinvestimento nas escolas e na formação dos alunos.
A confluência da eliminação da área de projecto de 12º ano, da área de projecto e do estudo acompanhado no ensino básico, o fim das dispensas da componente lectiva e da redução do crédito de horas para o desempenho de cargos e todas as demais alterações/diminuições em destacamentos, adjuntos, equipas e projectos, traduzir-se-à em largas dezenas de milhares de professores que, no próximo ano lectivo, ficarão sem horário atribuído.
Face a este ataque aos professores e à escola pública, sem paralelo na história da democracia portuguesa, só por masoquismo, vocação para o martírio, insanidade ou absoluta perda da auto-estima, um professor que se preze ousará votar no PS de Sócrates, nas próximas eleições legislativas (espero que, em nome da decência, da transparência e da seriedade políticas, as mesmas possam ocorrer no decurso de 2011).
Fica o "cabaz de Natal" que Sócrates preparou para os professores e para a escola pública, também para que ninguém esqueça a retórica socrática da valorização da escola pública.

Resolução do Conselho de Ministros n.º 101-A/2010:
(Deve acrescentar-se à lista o aumento dos impostos que entrou em vigor a partir de Junho de 2010).
- Redução das remunerações da Administração Pública.
- Congelamento de promoções e progressões na função pública.
- Eliminação da área de projecto no 12.º ano (área não disciplinar correspondente a quatro tempos lectivos), com efeitos a partir do ano lectivo de 2011 -2012.
- Redução de 5000 docentes no ano lectivo de 2010 -2011, decorrente de uma gestão mais eficaz na constituição de turmas e distribuição de horários de docência, nomeadamente através do encerramento de escolas com menos de 20 alunos e da agregação de unidades de gestão.
- Alterações curriculares (eliminação da área de projecto e do estudo acompanhado).
- Obrigatoriedade de os professores bibliotecários leccionarem uma turma.
- Redução do crédito horário das escolas - pacote de horas de redução da componente lectiva de que o director dispõe para o desempenho de cargos, projectos e actividades por docentes.
- Redução do número de horas de assessoria às escolas.
- Alteração das condições para a dispensa da componente lectiva de coordenadores de estabelecimentos de ensino.
- Redução das equipas do Plano Tecnológico da Educação.
- Alteração dos critérios para a fixação do número de adjuntos do director.
-Redução em 70 % do número de docentes de carreira em mobilidade para funções em entidades externas ao ME - não renovação anual dos destacamentos.
- Aplicação às escolas do artigo 84.º do Código do Trabalho - redução da componente lectiva associada ao trabalho nocturno (das actuais 20 horas para as 22 horas).
- Financiamento do funcionamento das escolas dos territórios educativos de intervenção prioritária (TEIP) das regiões de convergência. [reprogramação]
- Pagamento de encargos com cursos de educação e formação (CEF) e cursos profissionais das escolas públicas através de fundos comunitários. [reprogramação]
- Redução dos encargos da ADSE.
- Redução do abono de família face à verba inscrita no orçamento da segurança social em 2010: Aplicação das novas regras da condição de recursos; Não actualização dos valores do abono de família em 2010 e 2011.
- Aumento de um ponto percentual da contribuição dos trabalhadores para a Caixa Geral de Aposentações.

Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010

Nogueira, Sócrates, pizza e beijinhos

Sobre a reacção de Nogueira à instrumentalização demagógica e mentirosa que Sócrates vem fazendo dos resultados do PISA 2009 não me alongarei em comentários, porque, no essencial, Santana Castilho, eu próprio e outros bloggers já aduzimos a argumentação recorrida.
Digamos que apenas estranho o seu carácter tardio, requentado, fulanizado (tinha incomparavelmente mais peso se a desmontagem das mentirolas e a crítica aberta a Sócrates fossem empreendidas publicamente pela Fenprof) e até benigno (omitindo os aspectos problemáticos relacionados com a amostra de conveniência utilizada e com a preparação específica de professores e de alunos para os testes, o que faz toda a diferença).
O que, nesta crónica de Mário Nogueira, considero verdadeiramente extraordinário, é o último parágrafo, que passo a citar:
"É cada vez mais difícil aguentar a conversa fiada e falsa de quem acha que pode continuar a enganar o povo que governa, como também é cada vez mais difícil compreender os que se mantêm daquele lado e, com palavras, actos ou omissões, dão aval a políticas que são enganosas e não são justas nem solidárias."
Na véspera da triste comemoração da passagem de um ano sobre o Acordo de Princípios, não é exactamente a Fenprof que se tem mantido "daquele lado" e que deu o aval a políticas educativas que "são enganosas"?
Sinceramente, não percebo o alcance da mensagem final, também porque deixei de acreditar em oposições consequentes a Sócrates, a este governo e a este PS, vindas da Fenprof e de Mário Nogueira. Pelo menos, até às próximas pizzas e beijinhos.
Antes fossem donuts, pela simbólica do zero!...

In Público, 29/12/2010

Terça-feira, 28 de Dezembro de 2010

Resolução do Conselho de Ministros n.º 101-A/2010: está aqui o verdadeiro discurso de Boas Festas de Sócrates

Esta Resolução começa por reconhecer, na sua introdução, aquilo que Sócrates se tem esforçado por negar publicamente, nomeadamente, o seguinte:
- além da admissão de um problema de défice, o governo valoriza a existência de um grave problema de dívida pública e da consequente vigilância internacional a que a economia portuguesa está sujeita, com risco de perda de credibilidade internacional (só falta mesmo admitir as responsabilidades socráticas nestes descontrolos);
- a admissão implícita da incapacidade governamental para controlar, até ao momento presente, as despesas dos organismos da administração pública, contrariando anúncios e compromissos anteriores (quem garante que agora é que é?).
Mas, o mais grave é que esta Resolução mostra à saciedade que quem paga as favas da incompetência governativa socrática são os funcionários públicos, com especial incidência na diversidade e na severidade dos cortes a que professores, escolas e educação estarão sujeitas.
Entre a redução de 5000 professores, no presente ano lectivo, ou as reduções de vencimentos e congelamentos, está a medida absolutamente irracional e lesiva da formação dos alunos (como demonstrarei num post a publicar brevemente) de eliminar a Área de Projecto de 12º ano, já a partir de Setembro de 2011.
Resolução do Conselho de Ministros n.º 101-A-2010

Ninguém demite este parlapatão?

Obtida no blogue da Anabela
Estas declarações pândegas, vindas de um secretário de Estado, com o peso político de Paulo Campos, além de denotarem notavelmente o nível patego com que este personagem concebe o Estado e as suas funções e responsabilidades empresariais, constituiriam, no contexto de um governo a sério e politicamente sério, fundamento mais do que suficiente para impor a sua demissão.
Só um governo banana, permissivo ao abandalhamento da exigência pessoal requerida ao desempenho de funções governativas, pode permitir a continuidade, no seu seio, de alguém dado a proferir o género de imbecilidades que o levam a desqualificar a gestão de uma empresa, com a relevância dos CTT, remetendo-a para um nível inferior ao da organização de farras e rambóias.
De acordo com a bitola de exigência deste secretário de Estado, não me espantaria se um chocarreiro de uma qualquer comissão de festas estivesse em condições de fazer o seu lugar, no governo.
Pela mão de Sócrates, o Estado e a política vão apodrecendo à vista de toda a gente, à custa de tipos como este Paulo Campos.
Estranho que a Dra. Edite Estrela não venha exigir esclarecimentos cabais sobre as contratações de Paulo Campos ou, a talho de foice, as projecções e enriquecimentos meteóricos da rapaziada do PS, como Vara e R. Soares, para não falar de tanta coisa que foi para o maneta e outra tanta que ficou por explicar, na vida pessoal e profissional de Sócrates.

Domingo, 26 de Dezembro de 2010

Devemos sentir pena destes directores das escolas?

O ano de 2010 acaba mal para os directores das escolas, com alguns a pressentirem a sua extinção (quantos não irão ainda provar o veneno e o excremento da avaliação que aplicaram a outros), por força da política concentracionista dos mega-agrupamentos, com outros apanhados de surpresa face ao depauperamento que advirá dos cortes nos suplementos remuneratórios, e, também, com uns tantos a cometerem a argolada do desconhecimento da lei e dos limites das suas competências, sentindo-se agora autênticos desvalidos que imploram a benevolência dos ministérios da Educação e da Justiça, nem que tenham, para tal, que abdicar das suas reivindicações e contestações, hipotecando, desta forma, a sua autoridade e liberdade de actuação.
Claro, sem esquecer aqueles que andam ansiosos e "em pulgas" para que lhes permitam contratar professores (assim, sempre podiam satisfazer os pedidos da prima, da sobrinha, do compadre, da mulher do correlegionário ou do filho do parceiro da "bisca").
Para ser claro, confesso que não tenho particular apreço pela maioria dos directores das escolas, pois não esqueço que um grande número não emprestou, nem enquanto presidentes dos conselhos executivos, nem enquanto directores, nenhuma solidariedade ou compreensão pela luta dos colegas, na defesa da decência de procedimentos e da dignidade e seriedade de uma profissão, preferindo o colaboracionismo no órgão fantoche criado por Maria de Lurdes Rodrigues.
Contudo, agora que a pimenta da desgovernação socrática lhes chegou ao rabo, preparavam-se para reagir, mas, a crer na notícia do Público, decidiram recuar e enfiar a viola da contestação no saco, a troco de um qualquer perdão por erros próprios. Como directores, estes senhores deixaram de existir, pelo que se alguma dignidade lhes resta, utilizem-na para esse acto nobre e simbólico de uma demissão em massa.
Incomensuravelmente pior do que ficarem mais pobres em 2011, é apresentarem-se de calças na mão, sem margem reivindicativa e negocial.
Do meu ponto de vista,  começa a desenhar-se, a partir daqui, a falência deste modelo de gestão.
Eu próprio bater-me-ei, no quadro de uma alternativa política e no contexto da irrelevância e da insignificância da minha voz, pela introdução de uma alteração, que reputo de decisiva, no processo de escolha dos directores e que é a seguinte: a escolha do director, pelo Conselho Geral, deve ser obrigatoriamente confirmada, ou não, pelo voto expresso da maioria dos professores da escola ou do agrupamento, uma vez que, tendo o grosso das suas competências uma natureza e uma relevância pedagógica, o director deve ser reconhecido pelos seus pares como possuindo essa autoridade e capacidade pedagógica.
A força e a legitimidade dos directores só pode advir-lhes da representatividade dos professores que dirigem.

O problema já não é resolúvel pela oftalmologia

Fonte: Público
Confrontados com alguém que, Natal após Natal, afirma ver o que mais ninguém é capaz de enxergar, certamente que não podemos, além da formulação de um juízo óbvio de falta de credibilidade, imputar as suas projecções perceptivas a um qualquer problema de visão, mas, antes, a uma forma de alienação e de alucinação que lhe faz perder o contacto com o país e a realidade concreta em que os portugueses (sobre)vivem.
E porque a alucinação cai fora da fronteira disciplinar (teórica e clínica) da oftalmologia, esta não é seguramente a valência aconselhável à terapêutica deste personagem.
Ao invés de Sócrates, as pessoas vêem e sentem níveis de desemprego ímpares, ataques a direitos e salários, perdas sucessivas de poder de compra, dificuldades cada vez mais sufocantes, pobreza e miserabilização em crescendo e, sobretudo uma austeridade sem justificação e desígnio, cuja severidade podia e devia ter sido evitada.
Mas, para ver e assumir estes problemas, Sócrates necessitava ter uma dimensão de estadista, ter autenticidade política, falar verdade aos portugueses e assumir os erros, aprendendo a tirar lições dos mesmos.
Contudo, estas são capacidades e virtudes em relação às quais Sócrates é absolutamente incompetente.
Sócrates trava uma luta desesperada contra o seu próprio naufrágio político. Luta apenas pela sua imagem e pela sua carreira política, fingindo ignorar que existe um país, com pessoas dentro e mergulhadas em situações e problemas dramáticos, que se afunda na justa proporção do seu irrealismo e da sua retórica ocultacionista, quando não, mesmo, mentirosa.
Ninguém consegue vencer obstáculos que não reconhece e Sócrates não é excepção.
Aliás, Sócrates faz parte dos obstáculos.

Quem assim fala...

A crer na notícia, o Primeiro-ministro refere, na sua mensagem de Natal, ver “animadores sinais de recuperação”. Na mesma mensagem, e ainda de acordo com a notícia, não se coíbe de tecer uma série de (auto)elogios nos vários domínios em que o (des)governo da Nação tem trabalhado com afinco, nomeadamente nos resultados da Educação da Nação, nunca vistos e obtidos em tempo recorde, fruto da “domesticação” docente e plasmados no último estudo PISA. Após mais alguns elogios, o discurso termina com a defesa de “uma agenda de crescimento da economia e do emprego”.
De facto, os aspectos anteriores são reveladores do trabalho do (des)governo da Nação. Quem anda no terreno sabe muito bem o que se passa nas Escolas, da motivação e do estado de espírito dos professores, do faz de conta e do clima geral que se instalou nas escolas com a chamada “avaliação” docente para as evidências, avaliação “copy-paste” chilena, fruto de muito trabalho sério deste e do anterior (des)governo. Os resultados da política global de Educação pensada por estes senhores só daqui a alguns anos serão visíveis e queira Deus que não seja como a dívida da Nação: pagar, não bufar e com juros bem altos... De preferência pelo povo, não podem ser só os (des)governos a sofrer, como diria sabiamente Almeida Santos.
Quanto ao desemprego, os resultados das políticas e do trabalho árduo do (des)governo da Nação são por demais evidentes... Nem os mais optimistas se atrevem a desmentir o rumo certo dos mesmas, apesar de alguns fazedores de campanhas negras continuarem a apontar para o crescimentos do número de desempregados, algo com mais de 600 000 (seiscentos mil) para o próximo ano, o nível mais alto em cerca de 30 anos!!!
Perante evidências tão evidentes e animadoras, razões de sobra não faltam para optimismo e elogios!!!
Manuel Salgueiro

Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010

Tréguas de Natal

Bem sei que a realidade vai continuar a surpreender-nos e a reclamar um comentário ou uma análise, como o acto desesperado de protesto de um funcionário romeno que se precipitou, de uma altura de sete metros, sobre as bancadas parlamentares, chocando-me, até mais do que o acto, a indiferença canalha com que muitos deputados viraram costas àquela tragédia pessoal.
Bem sei que o ministério da Educação prossegue a sua senda de degradação do ensino, de imposição de medidas erradas, de apadrinhamento de farsas e, nesta fase, também, de desorientação nas suas propostas de reorganização curricular do ensino secundário (a ideia de eliminar a Área de Projecto de 12º ano não passa de um impulso desvairado e estúpido, sem qualquer fundamentação), sobretudo, num momento em que a certeza de representatividade cada vez mais minoritária deste governo e as expectativas de mudança política iminente, aconselhavam a não imposição de alterações sem fundamentação ou sem o suporte de um amplo consenso.
Bem sei que o governo continua a actuar desnorteado, sem estratégia, sem seriedade política, sem transparência (as contas do Estado de 2009, o derreter de milhares de milhões de euros no BPN ou a negociação do fundo da PT), num processo imparável de apodrecimento político e moral.
Bem sei que Sócrates não desistirá de aparições mediáticas ridículas a tentar agarrar-se a qualquer bóia salvífica, ao mesmo tempo que a crise se agrava, os portugueses empobrecem e já quase ninguém, dentro e fora do país, confia na sua palavra ou, sequer, acredita nas suas capacidades de governação.
Todavia, por mais que me apeteça escrever, farei uma pausa e uma trégua de Natal no meu comentário, análise e crítica.
Regressarei, no dia 26 de Dezembro, fundamentalmente porque não vou deixar passar em claro a proposta de acabarem com a Área de Projecto de 12º ano ou a idiotice da CONFAP em menorizar a Educação Física, no contexto do ensino secundário.
Até lá, fica o espírito natalício, na forma da genialidade musical, em dose dupla, de Pavarotti, Carreras e Domingo.
Desejo a todos aqueles que concordam com as minhas ideias, a todos aqueles a quem o que escrevo é indiferente, a todos aqueles que discordam das minhas análises e a todos aqueles que nem sequer suportam os meus pontos de vista, um FELIZ NATAL, junto dos que mais amam.
Aquele abraço.


Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2010

À atenção do Wikileaks?

Parte da capa do Sol, 23-12-2010

Avaliação objectiva, dispensando grelhas, relatores e burocracias

Só a confiança em Sócrates consegue superar a excelência do governo.

Caiu a "torre" de PISA

No seu habitual estilo informado, fundamentado e contundente, Santana Castilho, em consonância com argumentos também aludidos por mim próprio e por outros bloggers,  faz desmoronar, em definitivo, as leituras demagógicas, distorcionárias e propagandísticas que Sócrates  (já nada mais se pode esperar de um viciado em ilusionismo político) empreendeu a propósito dos resultados do estudo do PISA 2009.
Esta crónica de Santana Castilho deve constituir leitura obrigatória para todos aqueles que, por reflexo condicionado, fizeram coro com a exacerbação e as conclusões precipitadas de Sócrates, como foi o caso da maioria dos especialistas em generalidades que povoam o comentário mediático e, mesmo, o caso de alguns políticos da espuma noticiosa. Mas, também deve ser lida pelos saudosistas da ressuscitação desse desgraçado zombie político que dá pelo nome de Maria de Lurdes Rodrigues.
Que ganho de eficácia política, que qualidade de oposição e, sobretudo, que rigor e que adequação não teria a reacção do PSD, a mais esta patranha do socratismo, se tivesse sido escorada na argumentação e na intervenção de Santana Castilho?
Ao invés, verificaram-se, tanto os silêncios comprometidos dos habituais porta-vozes para a educação, como as infelizes e equivocadas concordâncias reverenciais de Miguel Macedo ou de Paulo Rangel.
Todavia, há quem permaneça vigilante e não se deixe enredar nos truques habilidosos do socratismo, pelo que é caso para reconhecermos: "Pisados, mas não estúpidos".


In Público, 22-12-2010 (clicar na imagem para aumentar)

No melhor pano cai a nódoa

A circunstância de, por estes dias, confluir o final de um semestre, na universidade, com o fim do primeiro período, na escola secundária, tem acarretado um assoberbamento de trabalho que me deixa pouco tempo disponível para tomar posição relativamente a algumas intervenções ou situações incompreensíveis que têm ocorrido, como foi o caso, quer do último episódio da conivência, na sequência de memorandos e acordos, entre a Fenprof e o ministério da Educação [ME], sob a forma de uma transferência videirista de um recurso humano (um tal de J. P. Videira), quer da forma precipitada e equivocada como um político que admiro comentou os resultados do PISA 2009.
O primeiro caso é tão óbvio da cumplicidade entre a Fenprof e o ME, talvez estabelecida naquele célebre encontro iscteano, ocorrido em Março de 2008, entre o Silva governamental e o Silva sindical, que nem vou perder tempo a sublinhar a evidência do logro e da instrumentalização a que as reivindicações dos professores foram sujeitas.
O segundo caso reporta ao modo como Paulo Rangel, no programa "Contra Análise" da RTPN que foi emitido no dia 11 de Dezembro, terá concordado com o seu interlocutor Correia de Campos, na atribuição da melhoria dos resultados, no PISA 2009, à implementação do novo modelo de gestão, que Rangel terá considerado uma medida plasmada do ideário educativo do PSD.
Confesso que não segui o programa em directo, nem tive oportunidade de obter uma gravação do mesmo, tendo sido o Paulo Prudêncio a advertir-me, por email, para esta intervenção, à qual até já dedicou um post, com o qual estou de acordo.
Alguém que atacou sempre, de forma consistente e sistemática, as políticas educativas de Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues, considerando, inclusivamente, esta última como "a pior coisa que nos aconteceu", não pode, perante um indício pretensamente positivo (que nem sequer resulta das reformas de Sócrates), ir atrás do coro geral, contraditar o que afirmou no passado e, sobretudo, pôr em causa a sua imagem de político preparado em matérias educativas, ao desconhecer uma evidência básica que tinha a obrigação de conhecer e que é a seguinte:
- os testes PISA 2009 foram realizados em Abril e Maio de 2009, enquanto os processos de escolha dos directores ocorreram, esmagadoramente, nos meses de Junho e Julho de 2009, pelo que, entre 2006 e 2009,  vigorou nas escolas o modelo de gestão democrático, suportado nos Conselhos Executivos (que nenhum relatório da IGE considerou disfuncional, bem pelo contrário). Logo, Paulo Rangel espalhou-se ao comprido, na sua argumentação.
A preparação de um político deve ser dinâmica e acompanhar os processos e os fenómenos que, além do mais, lhe valeram, muito provavelmente, o excelente resultado obtido nas eleições Europeias, em 2009.
Se tivesse o sortilégio de administrar penitências, que não tenho, nem almejo, não deixaria de sugerir a Paulo Rangel que ouvisse, várias vezes, o discurso que disponibilizo a seguir e que passou dele próprio uma imagem de alguém que dominava as questões da Educação e as reivindicações dos professores.
A autoridade e a coerência políticas dão trabalho, mas talvez valha a pena serem preservadas para futuro.

Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010

Salários dos professores, relativos ao mês de Dezembro, em risco?

Mesmo na iminência de uma pré-ruptura orçamental, não se prefigura como possível o não pagamento dos salários do mês de Dezembro a professores, magistrados e forças de segurança.
Se tal viesse a ocorrer seria o descalabro absoluto deste governo e o fim, quase instantâneo, do desditoso e manhoso reinado socrático.
Mas, só o simples aventar de uma notícia desta gravidade, com os grupos profissionais, que constituíram os inimigos de estimação de Sócrates, como alvo, já denota bem o estado a que chegamos.
Que a coisa deve estar "preta", não parecem restar grandes dúvidas.



Economia

Salários de funcionários públicos podem estar em risco

Os funcionários públicos estão a poucos dias de receber o ordenado, mas alguns podem estar parcialmente comprometidos. Como são os casos dos professores, magistrados e das forças de segurança.

Fonte: RTP

Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010

O elogio das Novas Opurtonidades

Revista Única (Expresso), 18-12-2010
Para os mais cépticos, descrentes e “velhos do Restelo” e, ainda para os que ainda duvidam da seriedade e do potencial das “Novas Oportunidades” eis um testemunho, e citando de “um leitore indenteficado”.
Um relato pungente de alguém que sentiu uma espécie de chamamento, e novamente citando, “purque as Novas Opurtonidades que os Guverno deu aos pobres deicharam que os pobres e os sucialistas e os preguissoços e os incomptentes, além dos calaceiros podessem ter uma inducação igual há de muintos doutores que andam poraí sem saberem nada de nada”. Alguém que “à três anos atraz (...) não sabia escrever pae nem mãi” e que não tem vergonha de afirmar: “Agora, não só sei iscrever o sufissiente (..) com percebu com clareza quem foi o meu salvadore e quem cria materme no obscurantismo- (...) a palavra mais cara caprendi”. Alguém que ainda aprendeu que “daqui à Lua é tão longe com da Lua aqui, porque aprendi as inquivalências nas Novas Opurtonidades” e que não deixa de agradecer devidamente ao “inginheiro Sócratz, um purtento de política (..) que não meresse ser crtiticado”.
É impossível negar o que é evidente e contra factos não há nada a fazer: Aprender (nas “Novas Opurtonidades”) compensa!
Manuel Salgueiro

O professor que alinhar nisto está a prestar um péssimo serviço à profissionalidade docente

Embora, a um observador distante e ingénuo a criação do regime de voluntariado dos professores possa parecer uma medida positiva e beneficente, convém ter presente que esta excrescência socrática (a juntar a outras) carrega uma intencionalidade cínica e insere-se na mesma frente de ataque às expectativas de emprego, aos direitos e ao estatuto dos professores.
Por um lado, a institucionalização deste regime visou contrariar, politicamente, o impacto negativo para a imagem do governo decorrente da debandada de milhares de professores que anteciparam os seus pedidos de reforma, no quadro de uma reacção indignada, quer às miseráveis medidas impostas pelos governos de Sócrates, quer ao achincalhamento público a que uma ministra, dois secretários de Estado e um primeiro-ministro politicamente demenciais os sujeitaram.
Por outro lado, trata-se de uma contribuição para desvalorar ainda mais a profissão docente, promovendo o trabalho gratuito e a consequente diminuição da oferta de emprego de acordo com as necessidades reais das escolas, ao mesmo tempo que milhares de professores não obtêm colocação e se vêem privados de uma parte substantiva da sua realização pessoal e profissional.
Por que não implementam um regime deste tipo dirigido ao voluntariado médico, no âmbito da prestação de cuidados de saúde, de que a população portuguesa está tão carecida, ao invés de pagarem autênticas fortunas pelos serviços prestados por médicos aposentados e que acrescem ao montante das suas reformas?
laro, o valor de mercado dos médicos é muito superior ao dos professores, em razão da escassez dos mesmos. Contudo, este tipo de voluntariado, por parte dos professores, é um factor que agrava, ainda mais, o já baixo valor de mercado da profissão docente. Como tal, aderir a este regime de voluntariado é prestar um mau serviço a todos os professores.

Aviso n.º 23496/2010

Concurso de Professores em Regime de Voluntariado
Em cumprimento do disposto no Decreto -Lei n.º 124/2009, de 21 de Maio, torna -se público que se encontra aberto concurso para recrutamento de docentes, por um período de 10 (dez) dias úteis a contar da data de publicação deste aviso, em Regime de Voluntariado, para qualquer grupo de recrutamento, com o objectivo de acompanhar os percursos escolares dos alunos (Projecto Cidadania), na Escola Secundária de Arouca.
9 de Novembro de 2010. —
A Directora,
Adília Maria Rosa Fonseca Ferreira da Cruz.
Diário da República, 2.ª série — Nº. 222 — 16 de Novembro de 2010

Domingo, 19 de Dezembro de 2010

Behaviorismo quanto baste

Só provocado ou desafiado é que voltarei a escrever sobre os resultados do PISA 2009, tendo em conta que estou absolutamente convicto da ocorrência de três factores que retiram representatividade à amostra e, como tal, desautorizam a generalização dos resultados e fragilizam a validade externa do estudo, em contexto nacional.
Estes factores são: o empenhamento institucional que o GAVE colocou neste projecto, participando na selecção amostral e disponibilizando formação específica aos docentes; a preparação prévia de professores e de alunos para estes testes (o que faz toda a diferença, apesar de ainda nos situarmos abaixo da média dos países da OCDE); a interferência das escolas e, eventualmente, do GAVE, na selecção e propositura de redefinições nas unidades amostrais, o que a torna, independentemente da amplitude das recomposições, uma amostra de conveniência.
Assim, remato com uma espécie de enquadramento do estudo PISA 2009, nas suas incidências e contingências de aplicação em contexto nacional, desde um ponto de vista behaviorista.
Parafraseando Watson (1913), o iniciador e primeiro sistematizador do behaviorismo, direi: "dêem-me uns escassos milhares de jovens e, podendo, antecipadamente, treiná-los em testes PISA, farei deles alunos com melhores respostas aos mesmos, comparativamente àqueles que os antecederam e não tiveram direito a este "esforço" específico, ainda que, apesar de tudo, abaixo da média da OCDE".
Obviamente, mérito para a capacidade de aprendizagem dos próprios alunos e para a capacidade de treino dos professores que os prepararam.
Se insistem em atribuir méritos às reformas de Sócrates, então, manda a honestidade intelectual concluir também o seguinte:
- os resultados do PISA 2009 são a prova, tanto da eficácia do modelo de gestão consubstanciado nos Conselhos Executivos eleitos pelos professores, como da importância de os professores não estarem ocupados em processos burocráticos, inconsistentes e obscuros de avaliação do desempenho, pois, nem o novo modelo de gestão, nem a avaliação de Maria de Lurdes Rodrigues, estavam implementados nas escolas, no triénio 2006-2009.
E por aqui me fico.

PISA 2009: o jornalismo suave ou como se existisse um auditório de atrasados mentais

Fonte: Público
Não vou dirimir mais argumentos para desmontar aquilo que para mim se tornou óbvio: houve uma preocupação e um interesse indiscutíveis do GAVE em garantir que os alunos que viessem a realizar os testes PISA 2009 fizessem boa figura, o que se traduziu numa preparação especializada de professores e alunos para esse fim, não sendo os alunos seleccionados (a que acrescem testemunhos de depurações na constituição da amostra), por conseguinte, representativos do universo escolar dos alunos portugueses de 15 anos de idade.
Todavia, não posso deixar de lamentar o facto de o jornalismo que temos, como ilustrado na peça aqui referenciada, tratar os temas e as questões a partir de abordagens que privilegiam, tanto a divulgação acrítica de notas e informações governamentais, como o resvalar para dimensões laterais ou pitorescas que distraem da substância do problema, sem que haja lugar a qualquer atitude de questionamento, de escrutínio exigente e de investigação densa.
Assim sendo, apenas me apetece levantar uma perplexidade e sugerir quatro linhas de investigação jornalística, de modo a não me sentir tratado como uma espécie de tolo que tudo aceita:
- será normal que a maioria dos alunos da amostra manifeste intenção de concluir mestrados e doutoramentos, quando um número significativo de alunos que encontramos no ensino secundário ainda evidenciam muitas dúvidas sobre orientações vocacionais e percursos académicos (muitos nem sequer dominam essa sequência ou diferenciação universitária entre licenciatura, mestrado e doutoramento)? A não ser que tenha havido uma motivação induzida a montante ou se trate dos melhores alunos que estudam com uma motivação claramente dirigida;
- apurar toda a extensão do papel e do "esforço" do GAVE no "projecto" dos testes PISA 2009, fazendo o levantamento de todas as actividades implementadas, neste âmbito;
- procurar compreender, quer a natureza e a finalidade da formação disponibilizada pelo GAVE aos professores, quer o que fizeram esses professores, nas escolas, com a formação recebida;
- inventariar os processos e as decisões de natureza metodológica, pedagógica e política relacionadas com o PISA 2009, tanto a nível do ministério da Educação, como das escolas envolvidas;
- procurar testemunhos espontâneos e não filtrados ou vigiados de professores e de alunos envolvidos nos testes (garantindo o anonimato aos professores inquiridos).

Prá rua

Daqui
Qualquer que seja a alternativa de governação, o país ganha muito mais se, ao invés de desistirmos e baixarmos os braços, tudo fizermos para que os paspalhos deste governo, com Sócrates à cabeça, vão para a rua. Já não se trata de opções políticas, mas de uma mera questão de reconduzir a governação do país à decência de atitudes e de procedimentos.
Além desta mudança de paradigma de actuação política, também é evidente que apreciaria mais ver Portugal ultrapassar a sua situação crítica, com base em soluções europeias, do que sentir-me financeiramente dependente da China, Líbia, Venezuela e afins, porque a seguir virão as facturas económicas e políticas.
Agora, o que é mesmo bizarro é o facto de vermos sindicalistas a entrarem para o governo que mais atacou os direitos e os rendimentos daqueles que trabalham e, especificamente, dos professores, metendo no saco da viola também a coreografia e a iconografia do "governo prá rua" ou do "Sócrates prá rua".

Sábado, 18 de Dezembro de 2010

Uma autoridade em discrição

Um personagem que tira aproveitamento, com uma obsessão quase pornográfica, de qualquer realidade, situação, acontecimento ou indício que lhe pareça poder ser-lhe politicamente beneficente ou favorável, nem que seja abusando da correlação ilusória, do efeito emplastro ou da manipulação, vem exigir uma "atitude discreta" na forma de se lidar e combater a pobreza, condenando a exploração política do fenómeno.
A comoção e a preocupação de Sócrates com a pobreza é muito simples: esta e todos os róis negativos são realidades que, desgraçadamente, borram a pintura de uma governação falhada e abjecta, estragando, a Sócrates, os seus habituais números de exibicionismo político.
Obviamente, a pobreza é uma condição que decorre de opções políticas, pelo que deve constituir um tema por excelência do debate político.
O problema é que, no país encantado de Sócrates, que estranhamente termina de mão estendida por esse mundo fora, não há lugar para pobres, desempregados, jovens sem perspectivas de futuro, pessoas em crescentes dificuldades, empresas a falirem e demais resultados de uma governação medíocre. Escondam-se, pois, estas realidades.
Tudo o que não seja susceptível de ser manipulado, iludido ou falseado pela propaganda socrática, deve ser silenciado, convertendo-se numa espécie de interdito que deve varrer-se para o domínio do indizível.

O governo já não lhes passa cartão

Parte da capa do jornal I, 18-12-2010. Ler AQUI
Normalmente, quaisquer que sejam as razões ou as circunstâncias invocadas, é este o destino final dos grandes projectos socráticos, numa sequência que serve motivações de propaganda política e estratégias de adulteração do jogo democrático e eleitoral (ganha quem mais anuncia ou promete): anúncios pomposos > parangonas impressionistas e sua exploração demagógica (se possível em momentos eleitorais, porque o Zé Povo não é esquisito e come tudo, ainda por cima quando não tem razões para duvidar da palavra de Sócrates, que continua em alta no mercado da credibilidade) > constrangimentos financeiros, técnicos, legais, políticos ou outros que impedem a concretização da coisa > despesas inconsequentes do Estado, restando a compensação de se pensar que, se os projectos fossem concretizados, o Estado ainda derreteria, incomparavelmente, mais dinheiro.
E se Sócrates fosse responsabilizado por cada promessa que não cumpre e tivesse que indemnizar as expectativas ingénuas  daqueles portugueses que, contra todas as evidências, persistem em acreditar nos seus anúncios?

Sexta-feira, 17 de Dezembro de 2010

Nas presidenciais, votar em quem?

O que tenho presenciado dos debates entre os candidatos presidenciais e a análise que tenho empreendido das suas intervenções públicas, levam-me a concluir que, desta vez, apenas me restará uma forma de expressar o meu anti-socratismo: votar em branco, evitando dar cor a candidatos entravados ou reféns da continuação de Sócrates no poder.
Para mim, não é de somenos importância, para o futuro do país e para a imprescindível mobilização dos portugueses em termos de trabalho e de maior exigência, permitir que o país continue a ser desgovernado por um personagem pífio e absolutamente desacreditado que voga ao sabor das circunstâncias e a reboque de pressões externas, sem qualquer visão estratégica que não seja o pavonear propagandístico.
Votarei apenas no candidato presidencial que assuma publicamente o compromisso de, uma vez eleito, correr com Sócrates e demitir esta trampa de governo, o que, por si só, constituiria um arrojado programa político.

Coimbra ainda é uma lição


Com tantos políticos da oposição coniventes, tolerantes, suportivos ou, mesmo, amochados relativamente a Sócrates e ao seu desgoverno, não posso deixar de saudar a decisão de Carlos Encarnação em renunciar ao seu mandato de presidente da Câmara Municipal de Coimbra, dada a circunstância de "estar farto de aturar o Governo".
Independentemente das suas ideias e da sua intervenção política concreta, Carlos Encarnação foi sempre uma referência e uma lição em termos de seriedade, de sentido de coerência e de dimensão ética, a que esta decisão vem emprestar uma reforçada autoridade..
É uma pena que muitos outros presidentes de Câmara e demais detentores de cargos políticos não lhe sigam o exemplo e não decidam, também, saltar fora do pantanal de presunção, de mediocridade atrevida e de desatino ético e político, em que Sócrates transformou a governação do país.

Tudo normal

De acordo com a notícia, o Ministério da Educação disponibilizou, no seu site, vários elementos sobre os alunos que participaram no estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o chamado PISA, no qual os alunos portugueses registaram, relativamente a anteriores participações, uma subida meteórica. Ainda de acordo com a notícia, a necessidade de disponibilizar os ditos elementos surge como resposta a alguns mal intencionados do “contra” (aqui e aqui) que alegam, basicamente, e como diz o povo, que aqui houve “marosca”, qu’isto de milagres em Educação não é coisa que lembre sequer ao Demo!
Esquecem-se é que estamos em Portugal, governado por gente séria e muito profissional, onde nem sequer a coisa é novidade. Dir-se-ia mesmo que isto são uns trocos quando comparado com o sucedido em 2008, no exame nacional de Matemática A, 1.ª fase: Subida de 10,6 valores para 14 valores! Tudo de um ano para o outro, de uma só vez, de cortar a respiração, diriam os mais incrédulos! Explicação, by MLR, na RTP: Efeito do PAM (Plano de Acção para a Matemática), acabadinho de chegar ao 8.º ano mas com efeito de contágio no 12.º ano. É óbvio: para grandes males, grandes remédios, isto apesar de algumas vozes da omnipresente campanha negra. É por estas e por outras que se estranham as referidas referências a “manipulação” de amostras, de “marosca” e outros quejandos.
É também de estranhar notícias em que se refere que a Ministra da Educação não sabe as escolas que participaram no estudo da OCDE já referido. E daí? Mesmo com a listagem actual, será que sabe? Certamente que há coisas bem mais importantes com que se preocupar!
Isabel Alçada não mente, nem mesmo na manhã da do dia da tomada de posse no (des)governo da Nação, ao ter negado qualquer tipo de convite para o integrar. Isso já todos entenderam!
Manuel Salgueiro

Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010

A propósito da condenação de um Professor de Educação Física

O Supremo Tribunal de Justiça errou

Sou Professor há 36 anos. Sou Professor daquela coisa que alguns consideram mesquinha, vil, pecaminosa, secundária, subalterna, que se denomina CORPO. Seja pela via do Desporto de baixa, média e alta competição seja por via da Educação Física escolar tenho dedicado a minha vida a ajudar as crianças e os jovens do meu país a crescerem, a se tornarem homens e mulheres plenamente desenvolvidos, com carácter, com força (física e mental), com coragem, com valores que os ajudem a enfrentar as vicissitudes da vida de cabeça levantada e olhos límpidos.
Viver é um risco e as aulas de Educação Física e Desportiva são meios fundamentais para desenvolver nos jovens o gosto do risco, o prazer da aventura, a adesão a novos desafios. Não está aqui em causa somente a realização do corpo na sua dimensão física mas também, com carácter indissociável, a realização do corpo como entidade ética, estética, e axiológica.
Por isso, não aceito que os juízes do Supremo Tribunal de Justiça tenham condenado um colega a pagar mais de 75.000 euros de indemnização a uma aluna que se magoou no decurso de uma aula de Educação Física.
Com esta atitude, os juízes deram uma machadada fortíssima no prestígio, eficiência e valorização social do Desporto e Educação Física (DEF) como fautores de Educação.
Com todos os cuidados necessários que é necessário ter, a aula de Desporto e Educação Física comporta um risco, risco esse que é a natural consequência de procurar "rendimento" formativo, educativo, pela via do corpo em movimento para lá dos limites do habitual. Numa época marcada pela hipocinésia como maleita civilizacional, a deliberação dos juízes do Supremo Tribunal de Justiça não condenou um acto falhado de um Professor (todos os tivemos, temos e teremos), mas sim constituiu-se como um libelo contra os Professores de Educação Física e Desportiva que, com o humano receio de falhar, vão reduzir a dimensão formativa plural e assim contribuir para a expansão da hipocinésia, da morbilidade e da redução da qualidade de vida de todos.
Só espero que todos os meus colegas assumam, com coragem, que o risco fez e continuará a fazer parte da nossa maravilhosa profissão.

José Augusto Rodrigues dos Santos
Professor Associado com Agregação
Faculdade de Desporto
Universidade do Porto

Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010

Perguntem à ministra da Educação se sabe o que é o GAVE

É que, admitindo que Isabel Alçada conhece esta estrutura do seu ministério, torna-se-lhe fácil obter a lista das escolas seleccionadas para os testes do estudo PISA 2009, correspondendo, assim, à solicitação de divulgação dessa informação.
Como comprovei aqui, o GAVE disponibilizou formação a "professores de Língua Portuguesa e/ou Português pertencentes, na maioria, a escolas seleccionadas para a aplicação deste projecto [leia-se, PISA 2009]".
Logo, o GAVE tinha conhecimento dessas escolas, pelo que para se obter a listagem das mesmas, talvez nem seja necessário sair do mesmo edifício ou, eventualmente, do mesmo piso da 5 de Outubro ou da 24 de Julho.

Um plano para a educação em que os professores são vistos como o recurso mais valioso

Ler o documento AQUI
O governo britânico acaba de apresentar uma espécie de Livro Branco das Escolas 2010, o qual consubstancia um plano de reforma da educação que vá no sentido da valorização da profissão docente (afirmando a relevância social do professor e a sua autoridade pedagógica científica e disciplinar), da focagem das escolas (e da inspecção) no ensino e nas aprendizagens, da autonomia das escolas, da flexibilização curricular, bem como da libertação da escola de burocracias, processos e tralhas inúteis.

Sem prejuízo de uma análise mais detalhada do documento, a sua introdução, dedicada à afirmação política dos princípios que o suportam, parece-me prometedora e, sobretudo, mostra como é possível desenhar um plano de reforma da educação, valorizando os professores e colocando-os no centro da mudança. Tudo ao contrário da reforma inconsistente e pouco séria de Sócrates, que além de ir no sentido errado, foi imposta na base da hostilização e da menorização dos professores, porque mais dada à prossecução da aparência, da demagogia e da procura doentia de louros e saliência pessoal.

Só pela valorização e centralidade que é conferida aos professores, este documento era merecedor de ser enviado massivamente, via e-mail, a Sócrates e ao ministério da Educação, a modos de prenda de Natal protestatória.

Deixo aqui algumas citações impressivas retiradas da parte introdutória:
"At the heart of our plan is a vision of the teacher as our society’s most valuable asset. We know that nothing matters more in improving education than giving every child access to the best possible teaching. There is no calling more noble, no profession more vital and no service more important than teaching. It is because we believe in the importance of teaching – as the means by which we liberate every child to become the adult they aspire to be – that this White Paper has been written. The importance of teaching cannot be over-stated. And that is why there is a fierce urgency to our plans for reform." Michael Gove (ministro da Educação).
"The first, and most important, lesson is that no education system can be better than the quality of its teachers. The most successful countries, from the Far East to Scandinavia, are those where teaching has the highest status as a profession."
"Raising the status of teaching also requires a significant strengthening of teachers’ authority in the classroom."
"So we propose to re-focus Ofsted inspections on their original purpose – teaching and learning – and strengthen the performance measures we use to hold schools accountable."
"Our schools should be engines of social mobility, helping children to overcome the accidents of birth and background to achieve much more than they may ever have imagined. But, at the moment, our schools system does not close gaps, it widens them." David Cameron e de Nick Clegg (respectivamente, primeiro-ministro e vice-primeiro-ministro britânicos).

O princípio da certeza

O princípio da desconfiança já está ultrapassado.

In Público, 14-12-2010 (Obrigado, Zé)

Terça-feira, 14 de Dezembro de 2010

Ignorância Vital

Embora se esteja a tornar habitual em Vital Moreira, não deixa de ser algo absolutamente confrangedor observar um académico reputado a fazer exercício de ignorância chã e de desonestidade intelectual.
Vital Moreira vem imputar os resultados do PISA 2009 a reformas que nem sequer tinham, ainda, sido objecto de qualquer concretização no terreno, como é o caso, quer daquilo que designa por "descorporativização da gestão", quando os concursos para directores foram posteriores à realização dos testes, quer do sistema de avaliação dos professores que, na esmagadora maioria das escolas, não estava simplesmente implementado.
Se os resultados não tivessem sido manipulados e cirurgicamente preparados, até era caso para concluir que a corporativização da gestão e a ausência de sistema de avaliação dos professores haviam produzido bons resultados.
O problema é que a selecção de escolas e de alunos foi de conveniência, além de que o GAVE deu formação a professores das escolas seleccionadas, com vista a prepararem e treinarem os alunos para a realização dos testes do estudo PISA 2009.
Tendo em conta esta preparação específica, os resultados até foram decepcionantes, pois, malgré tout, ficaram abaixo da média dos países envolvidos no estudo.
Infelizmente, não há grandes motivos para foguetórios.

In Público, 14-12-2010 (Obrigado, Zé)

Uma fantochada de cabo a rabo

Por inúmeras vezes, empreendi, neste blogue e no blogue do PROmova, a demonstração, quer das graves inconsistências técnicas, pedagógicas e científicas que fragilizam irremediavelmente o modelo de avaliação do desempenho docente em vigor, quer da falta de transparência, de imparcialidade e de seriedade que configura a sua implementação no terreno e o descredibiliza em absoluto.
Não vou insistir na desmontagem de um processo que a baixa exigência de alguns sindicatos legitimou, apesar de o qualificarem como uma farsa (que, indiscutivelmente, foi e continua a ser), da mesma forma que ainda estou à espera que alguém aceite o repto, aqui há muito lançado, de contraditar a minha argumentação, frente-a-frente comigo e em público.
E não vou repetir as críticas, porque os exemplos da concretização do modelo são absolutamente eloquentes da sua natureza absurda.
Digam-me se a situação que ocorreu, ontem, num agrupamento de escolas, não é uma fantochada de cabo a rabo que mina a fiabilidade do modelo e a seriedade dos processos que desencadeia:
- um adjunto de uma direcção executiva teve a sua aula de educação de infância observada pelo seu colega de direcção e docente de electrotecnia*, por delegação do director do agrupamento.

* informação acabada de corrigir do grupo de docência, mas que vai dar ao mesmo, até porque os casos multiplicam-se pelo país.

Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

Alguém acredita em facilitismo?

De acordo com a notícia, a propósito dessa iniciativa que dá pelo nome de “Novas Oportunidades” (vulgo, NO), o senhor primeiro-ministro disse sentir-se “chocado” quando ouve críticas sobre o facilitismo nas ditas “oportunidades”. Chocado, e com toda a razão!!!
É lá possível haver facilitismo? Uma iniciativa que até o desemprego consegue combater, via quantidade e certamente qualidade dos trabalhos que se vendem pela net (basta ver, por exemplo, aqui  ou aqui). É que não deve ser nada fácil (daí não se poder falar, modo algum em facilitismo...) arranjar os ditos, já que é suposto serem pagos, não? É só somar 2 mais 2, que mesmo nas NO, devem ser 4, não? E em tempos de austeridade, ainda mais difícil a coisa se torna. Esperem por 2011 e verão a diferença...
Está bom de ver que tamanho dislate só pode ser (mais) uma peça de campanha negra para escurecer esta pérola da Educação da Nação, panaceia para todo e qualquer mal, incluindo a crise! O povo, que é quem verdadeiramente entende do ofício, resumiria tudo a uma simples palavra: Inveja! Pelo que se vê, ficou bem claro que nas NO não há qualquer facilitismo nem “abébias” e que tudo não passa, basicamente, de inveja e maldizer. Um dia, não muito longínquo, esperemos, ainda se há-de fazer justiça e dar razão a tantos incompreendidos e a quem teve esta visão para a Educação da Nação!
Manuel Salgueiro

Domingo, 12 de Dezembro de 2010

Aí estão os factores que explicam os resultados do PISA 2009

É escusado procurar, nas reformas de Sócrates, que só começaram a ser (mal) concretizadas depois da realização dos testes do PISA 2009, os factores que influenciaram os resultados dos alunos portugueses.
Embora mais verosímeis, também não vale a pena ir buscar a melhoria dos apoios sociais, a ocupação plena dos tempos lectivos, as permutas, a escola a tempo inteiro, a introdução de provas de aferição, o profissionalismo dos professores (que é óbvio e constitui, apesar de Sócrates e da anterior equipa ministerial de má memória, o esteio da qualidade das aprendizagens e, até, do funcionamento do país, porque os professores são incomparavelmente melhores que os políticos que os desgovernam), o empenhamento quotidiano de alguns alunos ou uma maior consciencialização do valor da escola, por parte de alguns encarregados de educação, que progressivamente vão sendo mais qualificados e com mais expectativas.
De igual modo, não adianta procurar distorções de natureza metodológica na selecção de escolas e na aplicação dos testes.
As razões que explicam os resultados de Portugal são simples e indiscutíveis, podendo inferir-se da parte do documento do Gabinete de Avaliação Educacional [GAVE] que apresento, em baixo.
E essas razões são as seguintes:
- o conhecimento prévio, por parte do GAVE e dos professores implicados, das escolas que foram seleccionadas para participar no estudo (como já ressaltava, por exemplo, do anúncio desta escola profissional de Murça);
- a formação e o treino específico que os professores das escolas seleccionadas receberam;
- de certeza quase absoluta, a insistência que foi dada nas aulas à realização de actividades e exercícios idênticos aos dos testes PISA (isto treinou-se nas escolas) preparou os alunos focada e especificamente para a realização do PISA 2009, de forma a não deixarem ficar mal o governo e o país.
Assim sendo, a leitura dos resultados do PISA 2009 é muito clara: a circunstância de ter ocorrido um conhecimento prévio das escolas seleccionadas, de o GAVE se ter envolvido na preparação do projecto, de ter havido formação específica de professores e de se terem treinado os alunos das escolas envolvidas, constitui o factor decisivo para explicar as melhorias ocorridas, não podendo a sua generalização ser feita a todos os alunos de 15 anos de idade e a todo o universo de escolas do nosso sistema de ensino, o que também explica a discrepância destes resultados com aqueles que se verificaram nos exames de Matemática e de Português, em 2009.
A conclusão torna-se evidente: quando se trata de trabalhar para as aparências e as estatísticas, o socratinismo não brinca em serviço.


Excerto do Relatório de Actividades e Auto-Avaliação do GAVE, relativo a 2009

Sábado, 11 de Dezembro de 2010

Os vilões devem pedir desculpa?

Estou convencido que muitos professores acomodados e muitos sindicalistas cândidos ainda vão emoldurar e pendurar o "boneco" e as afirmações que se seguem.
Com um jeitinho ainda regressam os professores titulares e teremos de volta a dita cuja, Valter Lemos, Jorge Pedreira e Margarida Moreira. Todos de cara lavada. 
Parte da capa do DN, 11-12-2010
"Maria de Lurdes Rodrigues foi uma grande ministra"
"Não mudámos de política, mudámos apenas de ministra

Burrice a nossa

In Expresso, 11-12-2010
Excluindo os socratinos, a ingenuidade de alguns sociais-democratas e, quiçá, de um ou outro especialista de amostragens de conveniência e de atoardas (dentre as condições que o representante da OCDE avançou à imprensa, como estando na base dos bons resultados de Portugal, parece que nenhuma era aplicável aos alunos da amostra) do comando remoto da OCDE (a acrescer ao da UE), a maioria das pessoas que conhece o terreno e reflecte sobre a matéria de educação "que vai na direcção certa" há muito que compreendeu o que são, do ponto de vista das aprendizagens e das qualificações, as Novas Oportunidades [NO].
Pelos vistos, o ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior só acordou agora para o problema da esperteza de alguns e do facilitismo de todos, nas NO, poder gerar injustiças no acesso ao ensino superior, porque a mensagem de revolta e de desmotivação que daí decorre para os alunos que estudam a sério, essa, convenhamos, não encontra qualquer eco na mentalidade socrática.
Todavia, o mais espantoso não é a dimensão do problema, mas a solução "à socialista" (aparência de mudança para que o essencial permaneça igual ou pior) que é proposta para se poder contornar a chatice de alguns denunciarem a existência de ultrapassagens injustas no acesso aos cursos superiores.
E das duas, uma: os proponentes (e a jornalista) destas aparentes correcções ad hoc são gente sobredotada e capaz de vislumbrar a justeza e a adequação que muitos de nós somos incompetentes para enxergar; mesmo admitindo que os burros somos nós, as medidas são mera cosmética destinada a apaziguar ânimos e percepções de injustiça, mas que deixam intacta a raiz do problema.
Senão, vejamos:
- como estamos perante práticas facilitadoras de certificação de aprendizagens, a circunstância das certificações levarem um número, vulgo classificação, apenso, não muda nada em termos de mais e melhores conhecimentos e competências;
- em muitos cursos, em que a capacidade das universidades está no limite, reservar vagas específicas para os candidatos das NO significa apenas subtraí-las, antes do seu anúncio, ao contingente geral, o que, na prática, vai dar quase à mesma situação que agora se verifica, pois, os que ficarem de fora terão sempre a percepção de que acederam ao curso candidatos menos qualificados que eles próprios, apenas porque tiraram proveito de um expediente do sistema;
- como tal, não percebi em que é que estas duas alterações propostas na peça alteram a verificação da adequação das aprendizagens dos candidatos e a procura de uma mais justa e imparcial correcção das classificações e da consequente ordenação dos candidatos, de acordo com os conhecimentos e as competências adquiridos, porque também é isto que devia estar em causa (pelo menos, é assim para os alunos do ensino regular).
Não querem experimentar submeter os candidatos das NO a exames nacionais que permitam avaliar a existência dos requisitos exigíveis à frequência dos cursos universitários a que se candidatam, em termos dos conhecimentos e competências que são exigidos aos outros alunos que com eles concorrem?
Sei que a sugestão é parva, mas, sei lá, talvez, pois...

PS quase à frente nas sondagens

Fonte: Correio da Manhã
Fonte: SIC Notícias
Se há domínio da vida democrática nacional que, salvo raras excepções, se encontra à mercê da esquerda socialista e capturado pela propaganda e mistificações socráticas é, obviamente, a comunicação social, quer na cobertura generosa que dá à retórica e às iniciativas governamentais ou na forma como muitos dos seus profissionais se encolhem perante Sócrates, quer, sobretudo, nos truques utilizados para fazerem processamento esquemático da informação, sem qualquer escrutínio ou criticismo, e na consequente complacência e desvalorização de erros, mentiras, contradições, incumprimentos (por exemplo, não devia ser um escândalo nacional o incumprimento nas ajudas governamentais prometidas às pessoas que foram vítimas do temporal, em 2008, no Oeste?) e desorientações.
Não admira, pois, que perante as diferenças consistentes que se têm vindo a verificar nos resultados de PSD e PS nas sondagens, desde a conservadora Eurosondagem, até à mais realista Aximage, se verifiquem duas grandes tendências em termos da divulgação destes resultados e que são as seguintes:
- fazer uma projecção inibida (caixas laterais nos jornais que são ignoradas nas revistas de imprensa, nas televisões) ou, mesmo, esconder, o mais rapidamente possível os resultados (já não têm destaque visível nas páginas online dos meios de comunicação social que os encomendaram, como a SIC e o Expresso);
- seleccionar comentadores que desvalorizam as diferenças e que conduzem as suas análises, de tal forma enviesadas, que acabam quase sempre por chegar à brilhante conclusão que o PS e Sócrates é como se estivessem à frente nas sondagens.
Recordo aos comentadores e analistas políticos mais distraídos que, após a implementação, por parte do guterrismo, de um verdadeiro exército de subsídiodependentes, transversais a todas as classes sociais, a verificação de diferenças pontuais do PSD para o PS que excedam 6% constituem um resultado extraordinário e uma verdadeira derrocada do socratismo.
Têm presente a diferença entre o PS de Ferro Rodrigues, mergulhado no "pântano" de Guterres, e o PSD de Durão Barroso? Pouco mais de 2%.
Mesmo que o PSD estivesse à frente, com 10 ou 15% pontos de diferença, ainda assim estaria iminente uma vitória eleitoral do PS.

O estado actual do PSD em matéria de educação: impreparação, ingenuidade e desorientação

Fonte: Público
Se muitos professores tinham dúvidas sobre o pensamento e as linhas programáticas do PSD para a educação, hoje, no contexto do debate quinzenal, na Assembleia da República, sobraram razões para adensar a apreensão e para legitimar um crescente desapontamento.
A circunstância de o líder da bancada do PSD ter confundido os resultados circunstanciais do PISA 2009 (nada garante que estejamos perante uma melhoria progressiva e consistente, pois vemos ocorrerem oscilações em muitos outros países da OCDE) com a existência de uma orientação correcta, no país, em matéria de educação, precipitando-se a sancionar as políticas educativas de Sócrates, tem subjacente um nível de impreparação, de ingenuidade e de desorientação absolutamente decepcionantes.

Impreparação porque seria expectável que o PSD, enquanto principal partido da oposição e putativa alternativa de governo, dispusesse de um gabinete especializado de acompanhamento das questões educativas, tanto no plano do conhecimento da natureza e implicações das medidas implementadas, como no domínio dos problemas, constrangimentos, arbitrariedades, inconsistências e climas que têm emergido nas escolas.
Por exemplo, ter uma personalidade como Santana Castilho a coordenar este gabinete, proporcionaria ao PSD ideias consistentes e uma capacidade argumentativa imbatíveis em matéria de educação, funcionando, simultaneamente, como uma âncora para as expectativas de mudança que muitos professores alimentam, com a relevância de influência política que caracteriza este grupo profissional.

Ingenuidade porque a afirmação do líder da bancada do PSD, assim divulgada pela comunicação social, dá a Sócrates o trunfo mais desejado, se tivermos em conta que foi o dossier educação, e muito justamente, que mais contribuiu para arruinar a credibilidade política de Sócrates e lhe retirar a maioria absoluta.
Ainda por cima, quando o PSD tinha a obrigação de diferenciar, como o fez em parte o PCP, os resultados do estudo PISA 2009 das reformas educativas de Sócrates, como já demonstrei aqui e aqui, por impossibilidade temporal e fáctica de se poderem estabelecer relações de causalidade ou correlação entre estas duas realidades, o que, no essencial, até pode ser pouco abonatório e, inclusive, legitimar desconfianças relativamente a essas mesmas reformas.
O elogio foi injustificado e extemporâneo.

Desorientação porque reina, no PSD, uma inacreditável indefinição sobre o pensamento oficial do partido em matéria de avaliação dos professores, autoridade dos professores e disciplina nas escolas, organização curricular, autonomia pedagógica, colocação de professores, exigência nas aprendizagens, modelo de gestão, reorganização do parque escolar, etc.
As intervenções e as mensagens têm sido desconcertantes e geradoras de perplexidade, porque absolutamente desencontradas e incapazes de se articularem num discurso coerente, alinhado e promotor de confiança. Quem ouve Miguel Macedo, Pedro Duarte, Paulo Rangel, Aguiar Branco e outros (fora aqueles que simplesmente não se ouvem, como Passos Coelho), não pode deixar de ficar perplexo com a falta de sintonia entre eles.

Se o PSD quiser, efectivamente, ser alternativa ao PS, necessita, entre outras orientações claras, de se definir em relação à educação e, sobretudo, evitar dar tiros tresloucados nos pés, como aconteceu com o líder parlamentar.

Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010

A arte cabotina de se aldrabar a realidade

Sem prejuízo da minha paciência infinita para com incompreensões, erros e disparates bem-intencionados, até pelo treino e rotina professoral, é bem verdade que não suporto a intrujice intelectual daqueles que têm a obrigação de saber sobre o que falam ou escrevem, sobretudo quando esse charlatanismo está ao serviço de políticas que considero erradas e pouco sérias.
Vem esta declaração inicial a propósito de um tal Miguel Freitas, seja ele quem for, que revela, nesta sua crónica, tanto uma ignorância absoluta da realidade das escolas e dos tempos e mecanismos necessários à produção de efeitos (que não a instantaneidade ou a retrocausalidade), como uma total equivocidade nas inferências correlacionais e causais que estabelece e dá por adquiridas, muito à custa de uma opção cabotina pela mistificação da realidade.
Sem perder muito tempo com outras considerações, limito-me a retirar da crónica o elenco das reformas que, avant la lettre e na imaginação do cronista, se viram legitimadas pelo PISA 2009. Atentemos, então, nas mesmas:
- aposta no inglês desde o 1º ciclo. Os alunos que se sujeitaram aos testes da OCDE não tiveram inglês no 1º ciclo;
- a aposta no plano tecnológico nas escolas. Ainda  não concretizado no período com impacto nas aprendizagens avaliadas pelo estudo;
- a aposta no novo modelo de gestão. Durante os anos de 2006 a 2009, as escolas foram geridas pelo anterior modelo de gestão, ou seja, Conselhos Executivos eleitos pelos professores;
- a aposta na avaliação dos professores. O modelo de avaliação não estava a ser aplicado nas escolas, verificando-se, nesse período, uma quase total ausência de procedimentos de avaliação do desempenho;
- a aposta num novo mapa escolar. O maior impulso à concentração de escolas e à política dos mega-agrupamentos foi dado durante este ano de 2010, além de que os alunos submetidos aos questionários parecem não ter beneficiado de qualquer tipo de reorganizar escolar;
- a aposta na escola a tempo inteiro. Mesmo admitindo que uma maior permanência na escola pudesse ter um efeito, ainda que marginal, nas aprendizagens dos alunos, convinha, em nome do rigor, precisar que práticas de ocupação estão a ser implementadas nas escolas e que tipo de influência pode daí advir para as aprendizagens dos alunos.
À semelhança do que já ocorrera com Sócrates, também este Miguel Freitas acaba, assim, tramado pelos resultados do PISA 2009, pois o que aí se comprova é uma melhoria das qualificações dos alunos de 15 anos em dimensões básicas da leitura, matemática e ciências, no período temporal que antecedeu a concretização das reformas de Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues, ou seja, nos anos em que não houve avaliação dos professores, não foi disponibilização formação contínua, as escolas eram geridas por Conselhos Executivos eleitos pelos professores e estes andavam a ser achincalhados pelos vilões atrás referenciados.
Sei que é irónico, mas é uma verdade indesmentível que talvez prove a importância de os professores se dedicarem às aprendizagens dos seus alunos e não serem ocupados com as parvoíces inerentes a processos e papéis inúteis.
E, já agora, um desafio final: como se compatibilizam os resultados do PISA 2009 com as fracas classificações obtidas pelos alunos, nesse período, nas provas de aferição e nos exames?