Terça-feira, 31 de Maio de 2011

Tretas, tretas, tretas...

A confluência constringente de compromissos e afazeres de natureza profissional, que nunca subalternizo ou descuro face a outras ocupações, teve a consequência de me colocar uns dias a leste do acompanhamento e do meu próprio envolvimento no desvendar apofântico da blogosfera. Como não acho que a blogosfera padeça da inércia e da trama circular das telenovelas, não me custa reconhecer que devo ter desaproveitado muita informação e que devo ter perdido muita oportunidade de reacção/intervenção. Mas, é a vida!

Já em termos do meu empenhamento pessoal nem contribuir para o afastamento da influência nefasta de Sócrates sobre a política nacional, a campanha eleitoral tem confirmado a absoluta inadequação do socratismo para responder aos problemas do país.
A campanha do PS de Sócrates tem sido confrangedora e encontra-se sequestrada pela genética e pelos traços identitários do pior do socratismo: ausência de propostas para futuro e opção pela sistemática e obsessiva oposição à oposição (os ataques descabelados ao PSD são o pão nosso de cada dia); manipulações e encenações mediáticas (efeitos espelhados, encurtamentos de espaços, câmaras baixas e ângulos fechados, bandeiras e adereços que tapam espaços vazios);  recurso aos figurantes em detrimento da espontaneidade do contacto com as pessoas reais (brutal logística de camionetas de aluguer, recrutamento de gente a soldo de bifanas ou espectáculos, arregimentação de colaboradores e outros dependentes); repetição de chavões destituídos de verdade (os malandros do PSD, movidos pela ganância do poder, precipitaram uma crise política - porque financeira e económica já não se atrevem a dizer; somos os guardiões do estado social, da escola pública e do sistema nacional de saúde que o PSD quer destruir, como se Sócrates os tivesse deixado em excelente estado e não lhes tivesse desferido os piores ataques de que há memória ou, mesmo, não se tivesse comprometido em torná-los exíguos em sede de acordo com a troika); tentação parola dos pequenos almoços com algumas figurinhas do desporto ou da cultura.

É neste contexto, que tenho registado, com alguma decepção, as intervenções de certas personalidades do PS que não resistiram ao impulso partidário e que, se os portugueses lhes dessem ouvidos, estariam a contribuir para mergulhar Portugal, definitiva e irreversivelmente, num pantanal político, de trágicas consequências financeiras, económicas e sociais.
Nesta fase decisiva, não se pode apelar ao interesse nacional e ao compromisso, ao mesmo tempo que se vem a público incitar ao voto neste PS, pois manter Sócrates no poder significaria, tanto encrencar politicamente o país, tornando-o ingovernável, dado ninguém estar disponível para governar com um Sócrates não confiável, como prosseguir com os tiques, as atitudes e a conduta política que nos arrastaram para a crispação generalizada, para a pré-ruptura financeira e para o descrédito internacional.
Sempre que personalidades reputadas, como Mário Soares, António José Seguro ou António Vitorino, apenas para citar alguns, vierem a público defender o interesse nacional, é caso para nos recordarmos dos seus apelos públicos ao voto na fonte dos problemas, colocando os interesses partidários e pessoais acima dos interesses do país, pelo que os seus discursos soarão a qualquer coisa semelhante a isto: tretas, tretas, tretas...

Deste ponto de vista, merecem-me toda a consideração intelectual e todo o respeito as posições públicas, genuinamente independentes e frontais, de Manuel Maria Carrilho (certamente, uma manifestação do seu ressentimento em relação a Sócrates - todavia, quem não o tem, mas sobretudo um sinal da sua inteligência e da sua consistente formação filosófica), mas também de outras personalidades do PS que, com sábia discrição e evitando vir a ser agitados como espantalhos expiatórios da derrota de um líder que nunca assume culpas ou erros próprios, se afastaram da ribalta partidária, inibidos, em consciência, de sancionar a ruinosa governação socrática.

1 comentários:

Anónimo disse...

Professor Octávio,confesso que a ausência de comentários no seu blog me estava a deixar preocupada.
Cheguei a pensar que tal como tinha dito há tempos ,que ponderaria a hipótese de emigrar , caso sócrates vencesse de novo, o facto das sondagens praticamente lhe darem a vitória,tivesse já antecipado a sua partida ... Ainda bem que não foi o caso, porque assim vou mantendo a esperança ( quase perdida) de o sócrates perder as eleições.
É que sempre que ouço indecisos dizerem que vão votar Portas, sinto o caminho mais aberto para a vitória de quem nos pôs no estado em que estamos...