Um murro de Santana Castilho na consciência de Passos Coelho e da elite política "laranja" (18-01-2012): As "natas"

Sábado, 30 de Abril de 2011

Como preparar um casamento para que tudo corra bem

Do ponto de vista da saúde pública, desculpa-se a gaffe!

(Obrigado, Zé!)

Avaliação dos professores: uma vitória que é uma derrota anunciada

Desde o dia de ontem, já muito se disse e escreveu, nas televisões, em jornais e em blogues, sob a forma de reacções, implicações e comentários, acerca do Acórdão do Tribunal Constitucional [TC] que declarou inconstitucionais as normas do Decreto n.º 84/XI, da Assembleia da República, que suspendia o modelo de avaliação do desempenho dos professores.
A partir daqui e em face do que verdadeiramente está em cima da mesa, estruturarei, em quatro eixos, aquilo que para mim é decisivo.
Aqui fica o primeiro dos quatro eixos:

1. Uma vitória que é uma derrota anunciada
Não vou perder muito tempo a comentar as reacções congratulatórias de Isabel Alçada ou de qualquer outro porta-voz do PS de Sócrates a propósito do que, precipitadamente, leram como uma “vitória”, uma vez que esta gente, a dias de ser afastada do poder ou, na hipótese mais escabrosa, de obter uma vitória tangencial minoritária, já não tem força para assegurar a manutenção desta farsa de avaliação, além de 5 de Junho.
Por conseguinte, nem esta vanglória excede a efemeridade de escassos dias, nem a insistência num modelo desacreditado, faz-de-conta e, acima de tudo, enjeitado pela grande maioria dos professores, me parecem suportar-se em qualquer inteligência política (o desgaste da guerra aos professores já custou a Sócrates a renovação da maioria absoluta, em 2009) ou, sequer, numa razoável estratégia de gestão, preocupada com a estabilização, a motivação e a eficiência de uma organização.
Se quisesse ser cínico, até poderia advogar que há neste “chumbo” do TC uma dimensão positiva, que é a de poder ter um efeito de mobilização dos professores e suas famílias, contribuindo decisivamente para derrotar eleitoralmente este PS, sob pena de terem o modelo de avaliação e, quiçá, Maria de Lurdes Rodrigues, de volta, em toda a sua prepotência e despautério.

(Nos próximos posts, seguir-se-ão os outros eixos)

Sexta-feira, 29 de Abril de 2011

Obrigado, TC!

Se dúvidas ainda houvesse, esta decisão do Tribunal Constitucional dissipou-as todas! Com o chumbo da revogação da avaliação de desempenho docente os membros que constituem este órgão prestaram o maior serviço de que há memória à democracia deste País. Na verdade, aqueles que têm sofrido as agruras da incompetência deste (des)governo, agora transfigurado numa sucursal da campanha propagandística eleitoral do PS(ócrates), não se vão esquecer do risco que corre o seu futuro profissional se votarem novamente na continuidade deste trabalho avaliativo que se tem vindo a desenvolver “com toda a normalidade nas escolas” desde que esta farsa, agora mantida, se instalou no seu seio por obra e graça desta trindade: Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues e Isabel Alçada. Ah! E do Senhor Presidente da República que sempre deu cobertura a esta aberração avaliativa.
Da minha parte assumo, desde já, que
José Aníbal Félix de Carvalho

Entre o Rato e o Ratton fica a mentira da separação de poderes

Ainda bem que estive, durante todo o dia, ocupado com as sessões de apresentação de produtos finais dos meus alunos de Área de Projecto, o que me impossibilitou de reagir a quente à decisão/frete (quatro conselheiros votaram contra) do Tribunal Constitucional que considerou inconstitucional a revogação da farsa corporizada no modelo de avaliação dos professores, pois, confesso que me começa a faltar a paciência e a contenção para continuar a suportar invocações de respaldos políticos, presidenciais, constitucionais ou o diabo a sete para se persistir na imposição de um aborto legislativo, quando, na prática, do que se trata é, tão-só, de uma obstinação idiota em manter, nas escolas, um conjunto de processos e de práticas que minam, de forma discricionária, o rigor, a seriedade e a transparência que devem ser apanágio de uma escola, enquanto último reduto da decência e da justiça, mercê da sua vocação formativa.

Dada a divisão que ocorreu na votação, não tenho dúvidas que, mais do que uma questão de constitucionalidade estrita e auto-evidente, prevaleceram hermenêuticas política e partidariamente motivadas, que tão bem funcionam nos circuitos internos da política portuguesa.
E isto é que é verdadeiramente surrealista e paradoxal:
- entre o Rato (espaço onde abunda a maior mediocridade nacional, por metro quadrado), que superintendeu a parição governamental do aberrante decreto-regulamentar que instituiu o modelo de avaliação, e o Ratton (a seu modo e em parte, uma extensão partidária do Rato) fica escancarada a mentira da separação de poderes. Que autoridade tem um Tribunal para invocar a separação de poderes entre dois órgãos (o Parlamento e o Governo que dele emana), como fundamento da sua decisão, quando o próprio Tribunal viola, na sua génese identitária, o princípio da separação de poderes, ao conferir rosto (e cérebro) político-partidário àqueles que julgam da constitucionalidade de leis e regulamentos que são concebidos exactamente por aqueles que os indicam, atando em laços partidários a sua independência?
Bem sei que toda esta arquitectura tem cobertura constitucional e legal, mas, em Portugal, tudo e coisa nenhuma usufruem destes enquadramentos, conforme os interesses e as circunstâncias das maiorias partidárias.

Também uma parte substantiva da miserável classe política que nos desgoverna, na qual não posso deixar de incluir Cavaco Silva, ao mesmo tempo que faz apelos pungentes à unidade, propicia e excita-se na perpetuação da afronta e da guerra aos professores, por sinal a classe profissional mais valorizada pelos portugueses e que menos responsabilidades tem na definição e na concretização dos caminhos que nos trouxeram para a bancarrota (veja-se a forma exemplar como os professores têm sido capazes de gerir as escolas, desde o 25 de Abril - assim o tivesse sido o país).
Todavia, se querem guerra, terão guerra e é já a seguir, na campanha eleitoral. Ou seja, está na mobilização eleitoral e no voto dos professores (e respectivas famílias) a possibilidade de dar um contributo decisivo para varrer do poder toda uma cambada de políticos medíocres e ressabiados que, vá lá saber-se porquê, fizeram dos professores os seus bodes expiatórios.

Especificamente, sobre o que representa esta declaração de inconstitucionalidade e sobre a consequente mobilização política dos professores, em pleno período eleitoral, escreverei mais adiante.

Quinta-feira, 28 de Abril de 2011

Um inimputável pode ser uma autoridade em avaliação?

Para quem, também em desnorte a ter que atacar ficções (por exemplo, a forma como imputa ao PSD a não valorização da escola pública é um redondo equívoco de Sócrates, como se constatará nos primeiros dias de Maio), acusa outros de não terem ou não apresentarem programa eleitoral (o que, em relação ao PCP até é uma descarada mentira), Sócrates protagonizou, ontem, um acto falhado e um logro na sessão de apresentação das linhas programáticas do PS.
Além da ausência de qualquer ideia mobilizadora para o futuro, de qualquer motivo para esperança e de um completo fracasso em termos de marcação da agenda política, a sessão de apresentação e o programa do PS evidenciaram ainda um indisfarçável núcleo de fragilidades e de fiascos, tendo em conta que:
- não é politicamente sério que não haja lugar a nenhuma assunção de erros e a nenhuma prestação de contas, num contexto, quer de incumprimento das anteriores medidas/promessas eleitorais, quer de condutas politicamente criminosas (agravamento irresponsável do endividamento externo, não reconhecimento atempado da crise, ineficácia nas medidas para estancar a especulação - ao contrário da Espanha, protelamento caprichoso e desastroso no pedido de ajuda externa, comprometimento das condições de diálogo e concertação com a oposição e o Presidente da República...)
- para quem se converteu, recentemente, à ideia de governar com o FMI, seria mais prudente, transparente e honesto esperar pelo resultado das negociações com a "troika" e ajustar o programa aos compromissos celebrados;
- continua-se a enveredar pela mistificação à volta do Estado Social, dados os ataques sucessivos que a governação socrática vem infligindo aos alicerces do Estado Social, como ainda hoje lembrou Estela Barbot;
- a fazer fé nas declarações do ministro do TGV, o programa eleitoral do PS tem uma dimensão ocultada, sob a forma de alçapões, que escondem a continuidade das obras megalómanas que têm arruinado o país;
- pela enésima vez, parte-se de pressupostos que iludem os números reais (veja-se, exemplificativamente, a insistência nos 6,8 de défice em 2010) e perpetuam uma estratégia política de inverdade, de dissimulação e de manipulação;
- diz bem da substância de um programa político, a primazia, tendo em conta o tempo consumido, que foi dada aos ataques dirigidos aos partidos da oposição;
- as propostas na área da educação são de uma pobreza franciscana, incorrendo-se no erro e na obsessão doentia em repor no centro do debate político a avaliação dos professores, suportada num modelo absurdo e rejeitado pelos professores e pela totalidade dos partidos da oposição.

A propósito da educação, espero que associado à insistência demencial de Sócrates no modelo de avaliação dos professores, se recupere também este esqueleto político que, agora, decidiu saltar do armário (numa entrevista sem qualquer sentido de oportunidade, sem conteúdo e, mesmo, destituída de qualquer mensagem perceptível, não se percebendo inclusive o sentido da valoração ou desvaloração do chumbo do seu modelo de avaliação) para o voltar a impor.
Aliás, esta aparição pública não deixa de constituir uma boa notícia para a oposição, porque uma coisa é certa: a possibilidade, por mínima que seja, de Maria de Lurdes Rodrigues estar de volta, não deixará de mobilizar a maioria dos professores no voto contra este PS de Sócrates.

Face ao exposto e dadas as referenciações incluídas em baixo, o problema de Sócrates em matéria de avaliação é demasiado prosaico e inultrapassável, mesmo descontando a absurdidade do modelo que  procurou impor aos professores.
A questão é muito simples:
- que autoridade tem um actor político para dar lições ou exigir avaliação aos outros, quando ele próprio, quer no seu percurso académico, quer na sua conduta política, se apresenta como inimputável, furtando-se a assumir responsabilidades pelos seus actos, decisões e resultados?
Fonte: Diário de Notícias (parte da crónica de M. M. Carrilho)
Fonte: Público (declarações do Governador do Banco de Portugal)

Já só dá chapa 5

Ninguém segura o meu FCP, carago!
Tudo começou, continuou e acabou com o "fenomenal Falcão":



Aqui fica, para a história do nosso orgulho, mais esta goleada:

Ganda mulher

Charme, classe, serenidade, inteligência, mas, sobretudo, arrojo e verdade na forma como vem enfrentando e desmontando a fraude política consubstanciada no socratismo.
Que excelente cabeça-de-lista se perdeu, nestas eleições!

"Quando me dizem que é com o Fundo Monetário Internacional que o Estado Social vai ser posto em causa - não. Foi agora que o Estado Social foi posto em causa, pelas pessoas que resolveram fazer estádios de futebol - dez quando chegavam oito - e tantas autoestradas", frisou Estela Barbot, durante o debate "Portugal - Que Futuro?", que decorreu no auditório da Renascença.
"Era melhor gastar esse dinheiro a fazer um hospital novo, a dar pensões dignas aos reformados", acrescentou a economista. 
Estela Barbot fez duras críticas aos responsáveis políticos portugueses, sem deixar de apontar que os actuais defensores do Estado Social foram os maiores responsáveis pelos "problemas estruturais" do país.
Fonte: Diário Económico

Não havia necessidade de ofender o Tony Carreira

Fonte: Diário Económico
É pena que o mecanismo de defesa da frustração política de Santana Lopes (deixou de valer a sua lei da rolha, tendo em conta que uma vitória eleitoral de Passos Coelho lhe adensaria a sensação de fracasso pessoal e o condenaria ao deserto e à irrelevância política) e a sua atitude de reverência totó face a Sócrates, o levem a ver genialidade, onde apenas existe mentira, manipulação e falta de vergonha.
Além do mais, desiludem-me e irritam-me aqueles que parecem ter medo de Sócrates, apenas por impreparação pessoal. Coloquem Santana Castilho a discutir frente-a-frente com Sócrates os dossiers da educação ou permitam que Cecília Meireles (para não me restringir à área do PSD) debata com Sócrates a actual situação financeira e económica e verão a retórica manhosa do primeiro-ministro demissionário a desmoronar-se em fanicos, no mesmo instante.
A menos de sessenta dias das eleições, a actividade de um militante do PSD, com as responsabilidades que Santana Lopes já teve no partido, devia estar em convergência com os esforços de denúncia da situação desastrosa que Sócrates nos deixa em herança.
No que dependesse da lucidez política, da combatividade, da preparação, da coerência e do auto-respeito (quantas vezes humilhado, no Parlamento, por Sócrates) de Santana Lopes, este primeiro-ministro continuaria indefinidamente na ribalta política.
Depois, o trabalho sério e o sucesso efectivo de Tony Carreira mereciam maior respeito!

Quarta-feira, 27 de Abril de 2011

Para patego voltar a acreditar

Nem mais

Para aventuras políticas já bastaram os últimos seis anos. Chega de propagandista, de ilusionista, de alienado, de mentiroso, de crispador, de medíocre, de irresponsável!
Fonte: TVI24

Apostar em Sócrates

O grande maestro

In Público, 27-04-2011 (Obrigado, Zé!)
Eis mais uma brilhante crónica de Santana Castilho que devia constituir leitura obrigatória para os estrategas do PSD e que devia ser distribuída porta a porta ou deixada nas caixas de correio de todos os portugueses. Trata-se de um tirocínio certeiro e demolidor que vai ao âmago da miserável herança de Sócrates, confrontando os portugueses com a rejeição liminar de um homem, de um estilo e de uma política ou, por absurdo, com a viabilização suicidária da continuidade de Sócrates.
Mais logo, procurarei reflectir sobre a estratégia (ou a falta dela) do PSD para derrotar Sócrates, num post a que darei o título de "Como derrotar Sócrates em cinco lições", complementando a incisiva e arrasadora crónica de Santana Castilho.

Terça-feira, 26 de Abril de 2011

Um deputado cyborg

O tempo é um bem demasiado precioso para poder ser desbaratado a comentar as graçolas de mau-gosto do deputado Lello (tendem a ser típicas de indivíduos fixados em crises de meia-idade a dar para o mal resolvido).
Mas, se o termo "foleiro", utilizado para qualificar o Presidente da República, diz bem da falta de maneiras (outrora, chamava-se-lhe educação) de um deputado, a justificação avançada para a circunstância da qualidade dos diálogos entre deputados do PS se ter tornado pública roça a parvoeira, a não ser que admitamos a hipótese de o cérebro do cavalheiro ter incorporados chips que, no momento, entraram em arreliador curto-circuito.
Efectivamente, pior que um deputado mal-criado, só mesmo um deputado que à má-criação ainda acrescente parvoíce ou, então, deficiência de fabrico/funcionamento.

Segunda-feira, 25 de Abril de 2011

Uma completa e absoluta mistificação

Em política, não deveria valer tudo!
São afirmações, como as reproduzidas na notícia em baixo e atribuídas a Sócrates (e até ao momento não desmentidas), que comprovam a estultícia e a falta de seriedade com que este primeiro-ministro demissionário aborda os fenómenos e os indicadores relativos à Educação, procurando violentar a realidade de forma a que a mesma tenha enquadramento na sua feira de vaidades, algo que raramente se verifica, tal o nível de destruição da motivação, do clima relacional, da cooperação, da qualidade e da exigência da escola pública.
Porque, de duas, uma: Sócrates não tem noção das relações ou associações que estabelece, exprimindo ignorância; Sócrates tem uma intenção deliberada de enganar aqueles que o escutam.
Obviamente, inclino-me, pela recorrência do próprio, para a hipótese de estarmos perante mais uma mistificação, dirigida a um público-alvo desconhecedor da natureza e da dinâmica relacional das medidas referenciadas e, como tal, habituado a processar, sem exposição a escrutínio e contraditório, meros soundbytes.
É completamente falacioso estabelecer-se qualquer tipo de causalidade ou, sequer, correlação entre diminuição do abandono escolar e aumento de diplomados em ciências, tecnologia e matemática, de um lado, e os computadores Magalhães, a introdução do inglês, a colocação plurianual de professores e o encerramento de escolas, por outro.
Será que as crianças a quem, recentemente, foram distribuídos os Magalhães, foi proporcionado o inglês ou foram desalojadas das suas escolas de proximidade, já se diplomaram? Alguém, no seu perfeito juízo, considera esta associação séria?
E alguém é capaz de enunciar os contributos, as dinâmicas e os efeitos das medidas enunciadas em cima para a diminuição do abandono escolar? Quais são e na base de que duração temporal? Aguardo respostas.
Em qualquer país desenvolvido da Europa, este tipo de afirmações seriam publicamente ridicularizadas ou, no limite, categorizadas no lixo retórico da propaganda com dolo.
«Hoje, o primeiro-ministro, acompanhado da ministra da Educação, Isabel Alçada, inaugurou uma das 370 escolas portuguesas alvo de reformas, das quais 90 estão já concluídas. “O maior investimento público fez-se nas escolas portuguesas".

O país está a investir no futuro e o que temos feito é um grande serviço ao país”, afirmou José Sócrates. Além do Programa de Modernização do parque escolar, o primeiro-ministro salientou “a melhoria dos indicadores” relativos à educação. “O índice de abandono escolar diminuiu de 39 por cento em 2004 para 28,7 por cento em 2010. Portugal foi dos que mais evoluiu em diplomados em ciências, tecnologia e matemática, com 15 em cada 1.000 activos”, disse.

Para “estes indicadores” contribuiu, segundo José Sócrates, o acesso “aos computadores Magalhães, por crianças a aprender inglês, a colocação de professores de quatro em quatro anos e o encerramento de três mil escolas com menos de 20 alunos”.»
Daqui 

Os meus homenageados, neste 25 de Abril

Decorrida mais uma data comemorativa, confesso que, neste dia 25 de Abril de 2011, nem as manifestações requentadas e passadistas, assumam elas a forma de fixações historiográficas e de alma à gesta de 74 ou traduzam-se no folclore equívoco e inconsequente que desce a Avenida da Liberdade (onde enxergo genuínos sonhos de jovens que, ingenuamente, se misturam com rostos e slogans típicos de quem hipotecou o afecto e a inteligência a autoritarismos e a miserabilismos ditos de esquerda), nem a quermesse organizada na tenda de Cavaco Silva a favor de uma vaga e imperfeita união nacional, me tocaram, mobilizaram ou, sequer, esclareceram minimamente.
Desde logo, e focando-me exclusivamente nos discursos do actual e dos anteriores Presidentes da República, não me parece muito convincente que, descontada a retórica e a aparente predisposição bem-intencionada de todos, os mesmos que, estando ou não em funções presidenciais, pactuaram, colaboraram, toleraram, calaram ou hibernaram, enquanto Sócrates afrontava e crispava gratuitamente sectores honrados e empenhados da sociedade, degradava a vida política e consumava o descalabro das contas públicas, tenham, agora, grande autoridade ou manobra para apelos à "unidade em ou com Sócrates" e, sobretudo, para nos voltarem a impingir o socratismo, passando uma esponja desresponsabilizante sobre a sua marca de desgovernação.
Pela minha parte, a constatação é clara: não há nenhum lugar, no projecto de regeneração e de reconstrução do país, para Sócrates. E considero que o CDS-PP e o PSD deviam, sem frouxidão e cálculos políticos, vincar inequivocamente esta disposição.
A este handicap acrescem as seguintes três lacunas que, transversalmente, afectaram os quatros discursos e que não auguram nada de bom:
- a tendência de sempre para se incorrer em generalidades, vacuidades e tiradas grandiloquentes, mas que não incorporam, nem remissões de pecados próprios, nem introduzem programas e compromissos concretos de actuação futura;
- uma tentativa, já ensaiada por Ramalho Eanes na recente entrevista na RTP1, para lavar a imagem de Sócrates (o que lhes facilitaria as soluções de governabilidade, mesmo que apodrecidas) e para varrer o lixo da actuação política socrática para debaixo do tapete, como se o mesmo, nas suas vertentes de crispação, mentira, propaganda, manipulação e truques, não tivesse existido e não continuasse a conspurcar o ambiente político;
- ninguém teve coragem para identificar os políticos que não estiveram e não estão à altura das suas responsabilidades, deixando no ar a suspeita de que este anátema se pode estender a todos e a cada um dos políticos, incluindo os próprios, o que é a forma mais cómoda de nada resolver e, pior, de absolver, sem julgamento, os verdadeiros culpados pela situação que enfrentamos.

Obviamente, não é entre estes protagonistas que escrevinham histórias, desfilam pelas avenidas ou que insistem na retórica das soluções velhas, muitos dos quais nada arriscam do seu comodismo, do seu oportunismo e da sua vidinha, quando se trata de defender, na sua vida política, cívica e/ou profissional, a liberdade, a democracia e a decência, que se situam aqueles que Abril deve homenagear.
Nos dias que correm, a força e a grandeza das palavras LIBERDADE e DEMOCRACIA apenas  as vejo cumpridas nos jovens, e menos jovens, que nas praças da Síria e de outros países árabes, defendem estes valores com o sacrifício das suas próprias vidas.
São estes que, hoje, a minha consciência cívica e moral não pode deixar de homenagear.

Aí está a sondagem que dá uma derrota estrondosa a Sócrates


É habitual ouvirmos dizer que as sondagens valem o que valem.
Esta, a que aqui me refiro, goza de algumas particularidades que bem podem corporizar a ficha técnica da mesma e que reportaria ao seguinte:
- foi realizada a um Domingo, mas tal não a diminui, pois se um diploma de licenciatura pôde ser exarado em período dominical, nada obsta a que uma sondagem também não possa ser efectivada neste dia;
- as respostas foram colhidas à boca do forno, envolvendo uns deliciosos folares caseiros, um tinto de excelência e um vinho generoso (a que o centralismo chama, abusivamente, vinho do Porto) a preceito;
- os respondentes eram familiares e amigos, mas estava assegurada a diversidade partidária e ideológica.
Mas, vamos aos resultados: se, em anos anteriores, havia muitos familiares e amigos a darem o benefício da dúvida ou, mesmo, o apoio explícito a Sócrates, desta vez, nenhum dos presentes manifestou disponibilidade para votar em Sócrates, considerando-o o principal responsável pela situação catastrófica do país e dando por adquirido que, a partir de 5 de Junho, não mais "vai vir".
Mesmo admitindo a falibilidade das sondagens, fica registada esta esperançosa inversão de tendência.
Nenhum indício de qualquer ressuscitação de Sócrates!

Domingo, 24 de Abril de 2011

Não terá havido engano?

De acordo com o Instituto de Emprego e Formação Profissional, a circunstância dramática da triplicação do número de casais desempregados, a acrescentar a outras realidades e indicadores que deviam fazer corar de vergonha os socratinos que ainda se movimentam impunemente por aí, ter-se-à verificado entre Outubro de 2010 e Fevereiro de 2011.
Ora, este balizamento temporal causa-me alguma estranheza, pois, os portugueses mais ingénuos estavam a convencer-se que os resultados catastróficos da desgovernação socrática teriam ocorrido em consequência do chumbo do PEC 4, em Março de 2011. Mais um efeito retroactivo?
Como a avaliação do desempenho é um "desígnio nacional", não se esqueçam, os caros eleitores, de, no próximo dia 5 de Junho, mostrarem que têm da mesma uma concepção séria e levarem em consideração, na avaliação de Sócrates, mais esta desgraçada evidência.
Casais desempregados quase triplicam em cinco meses

Sábado, 23 de Abril de 2011

Não perguntem mais nada, porque é segredo de Estado

Fonte: INE
A degradação sucessiva do défice de 2010 (e é provável que continuem a sair esqueletos do armário), evidenciando a forma irresponsável como a governação socrática desbaratou os sacrifícios pedidos aos portugueses no contexto dos PEC anteriores, constitui, em si mesma, um facto de extraordinária gravidade.
A este resultado acresce a suspeita de o INE poder estar a colaborar com uma estratégia governamental de atenuação de danos políticos, tendo em conta o momento escolhido para a divulgação de mais este agravamento do défice, ou seja, uma tarde de sábado, na véspera do dia de Páscoa, o que não favorece o crédito em que os cidadãos devem ter um organismo como o INE.
Todavia, o mais inquietante ainda é, para mim, a falta de informação completa que caracteriza a notificação do INE, muito em consonância com o desejo manifestado por Vieira da Silva (PS) de não exploração política destas situações vergonhosas (um dia destes apenas serão lícitas discussões políticas da qualidade dos fatos e dos sapatos de Sócrates).
Para um escrutínio transparente e imparcial das contas públicas, não seria normal a identificação das parcerias e dos contratos que estiveram implicados neste agravamento?
Está aqui subjacente algum segredo de Estado?

Uma lição de coerência em matéria de avaliação do desempenho

Nenhum primeiro-ministro anterior superou ou, sequer, ombreou com Sócrates em termos de uma governação tão desastrada e tão ruinosa do país.
Os dois indicadores referenciados em baixo constituem, apenas, mais duas expressões, dentre uma multiplicidade de outras, de um desempenho político absolutamente sofrível.
No dia 5 de Junho, ainda haverá portugueses, muitos dos quais cronistas e tudólogos, que, paradoxalmente, reclamaram avaliação para outros e se escandalizaram com a suspensão da avaliação de desempenho dos professores (apesar, de a mesma ser inequivocamente mais uma das farsas socráticas), para agora, num golpe de pantomina, postergarem as suas exigências avaliativas e premiarem a incompetência e a mediocridade mais extremas.
Se assim for, restar-lhes-à meter as suas retóricas e os seus princípios de avaliação do desempenho, no saquinho da viola... baixo.
"Agora, o défice de 2010, que já fora revisto em alta para 8,6 por cento do PIB, passa a ser de 9,1 por cento, por causa de três contratos de Parcerias Público Privadas (PPP)."
"A segunda legislatura do Governo socialista ficou marcada por recordes atrás de recordes ao nível das taxas do desemprego."

Mudar

Subscrevo tudo, de alto a baixo!
In Expresso, 22-04-2011 (Obrigado, Salgueiro!)

Para bom entendedor, a palavra de Soares basta

Capa do I
É a segunda vez, no período de uma semana, que Mário Soares retira o tapete a Sócrates, o que é bem elucidativo do entendimento que Mário Soares tem do esgotamento político de Sócrates e não pode deixar de constituir um alerta aos verdadeiros socialistas.
A primeira aconteceu a propósito do erro crasso que foi a estratégia de diabolização do FMI, por parte de Sócrates, que, além de o ter levado a engolir, com desonra, a afirmação peremptória de que não governaria com o FMI, também mostra até que ponto Sócrates estava equivocado na sua esperança de salvação europeia, pois, basta atentar à maior exigência dos negociadores europeus, em comparação com os representantes do FMI.
A segunda está consubstanciada na afirmação de Soares que o jornal "I" destacou para a sua capa de hoje, a qual tira todas as dúvidas sobre de que lado, nas múltiplas disputas de Sócrates com os seus interlocutores (Cavaco Silva, Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix e Passos Coelho, entre outros) sobre quem fala verdade, está a confiabilidade e a lealdade, enquanto valores estruturantes do relacionamento político.

Sexta-feira, 22 de Abril de 2011

Começar por calcular o IME (Índice de Mama Estatal)

A propósito do estado de prontidão com que alguns cavalheiros da área não socialista vêm a terreiro defender Sócrates, sempre que este está em dificuldades ou em situações em que se torna necessário justificar coisas absurdas, considero que a vida política se tornava mais higiénica, transparente e autêntica se cada um empreendesse e declarasse o seu registo de interesses, nas suas relações com o Governo e com o Estado.
Ao contrário de muita opinião comum, não é entre os funcionários públicos que está, quer o exército que defende e mantém Sócrates no poder (bem ao contrário, foram os governos de Sócrates aqueles que mais atacaram a dignidade, os direitos e os rendimentos do funcionalismo público), quer o corpo que consome injustificada e principescamente os recursos do Estado, tendo em conta a consideração das horas de trabalho despendidas. Além do que é sorvido por institutos e fundações inúteis, é, fundamentalmente, nos subsídios, alcavalas ou contratualizações de serviços que se criam as dependências e se desperdiçam partes significativas das verbas do Estado.
Por conseguinte, parecer-me-ia particularmente relevante que se procedesse ao cálculo do IME (Índice de Mama Estatal), o qual resultaria da divisão dos montantes recebidos do Estado, em subsídios, apoios ou contratualizações, pelo total de horas de trabalho (ou ganhos para o Estado) de cada entidade ou indivíduo em consequência ou correspondente a cada uma dessas relações com o Estado.
Provavelmente, ficar-se-iam a perceber muitas solidariedades, muitos elogios e, também, muitos dos votos em Sócrates.

Quem é que quer votar nesta lista de deputados mais eu?

Obcecada com a intromissão, quase insurreccional, de um independente na política e na ocupação de um cargo político (parece mais fácil pilotar uma nave espacial ou governar a América que presidir à Assembleia da República - o argumento da centralidade/relevância da segunda figura do Estado é uma falácia, porque o povo até pode decidir que a primeira figura do Estado possa ser um cidadão sem qualquer percurso político - ou não pode?...), a comunicação social, que, valha a verdade, tem sido acicatada, nesta cruzada, pelos egos sociais-democratas alimentados a ração mediática, tem silenciado a exploração das incidências das listas de candidatos a deputados do PS, tanto nos inqualificáveis ajustes de contas ocorridos, como, sobretudo, na exemplaridade de alguns dos elementos que as integram.
Já me havia pronunciado sobre a decisão ofensiva de colocar Ricardo Rodrigues como cabeça-de-lista pelos Açores, mas, não há dúvida, que, ainda mais que os açorianos, os leirienses foram tidos em grande conta pelo PS, desde o cabeça-de-lista Basílio Horta até à inclusão de um personagem, de quem me abstenho de reproduzir aqui as calinadas, também para que Margarida Moreira e Renato Sampaio não se sintam ameaçados na sua arte de bem escrever.
A lista de candidatos por Leiria, nos dois exemplares referenciados, é bem representativa da força de atracção que o PS de Sócrates exerce sobre os oportunistas e os medíocres.
Contudo, as listas de candidatos a deputados não são casos únicos, pois, nas escolas públicas e no quadro da farsa da avaliação do desempenho que nelas está montada, como tendas de circo, assiste-se a um fenómeno muito mimético: o realce nada escrupuloso de oportunistas e medíocres.

Uma idiota inútil

Fonte: Correio da Manhã
Atendendo à forma, ao conteúdo e ao resultado político, moral, financeiro e económico da governação de Sócrates, quem, por acção ou omissão, branquear, proteger ou favorecer este personagem, não tem autoridade para se reclamar de sentido crítico, utilidade (para o país?...) ou, sequer, de bom senso.
Como já escrevi em outras ocasiões, façam o obséquio de se enroscarem e se lambuzarem naquilo que Sócrates representa, mas poupem-nos a exercícios cínicos auto-justificativos ou auto-complacentes, porque, além de não nos arrancarem nenhuma indulgência, apenas reforçam os nós que amarram a cumplicidade deste tipo de "jornalite" na ruína nacional que Sócrates personifica.
Desta gente, distância, pois, só o cheiro a chafurda socrática já tresanda o suficiente!...

Como foi possível fazer isto à escola pública?

Agradeço ao José António o envio do email e do testemunho de um professor, militante socialista, empurrado para a reforma antecipada, com uma penalização de 30%, mercê do esgotamento da disposição para continuar a leccionar, num quadro de políticas educativas "absolutamente insuportáveis".
A sangria de saber, e de experiência pedagógica acumulada, a que as escolas públicas foram sujeitas, em consequência da partida forçada e prematura de cerca de 18 mil professores, constitui mais uma expressão das condutas políticas desvairadas, para não lhe chamar criminosas, que enformaram a governação socrática.
Na entrevista, além do testemunho da oposição, política e ideologicamente imparcial, às medidas educativas do socratismo, é muito interessante escutar a descrição de uma viagem de 30 dias pela China. 
Caro Octávio! Deixo à sua consideração o extracto da entrevista que estive a coligir, onde o Professor Josias Gil, explica o motivo do seu pedido de reforma antecipada, que a TSF passou no dia 13 de Abril de 2011, no programa "Mais cedo ou mais tarde", sob a direcção do jornalista João Paulo Meneses. Esta entrevista, foi concedida no âmbito mais lato de uma viagem que Josias, a sua mulher e um neto realizaram à China em Agosto passado, e pode ser ouvida na íntegra aquiSão 5 minutos e 48 segundos imprescindíveis para se perceber os efeitos negativos que as políticas educativas socratinas geraram entre os professores e o clima que se instalou nas escolas. Josias Gil, destacado militante do Partido Socialista, deixa um testemunho que não pode passar em claro.Se não quiser ouvir, pode ler a transcrição do extracto dessa entrevista, já a seguir:
(…) minuto 3:58
Jornalista (João Paulo Meneses) – Eu disse no início que o Josias, e também já falamos disso, foi Professor de Filosofia, Filosofia e ?
Josias – Filosofia.
Jornalista – Filosofia no ensino secundário, é isso?
Josias – Sim, sim, no ensino secundário.
Jornalista – Durante quantos anos?
Josias – Trinta e três.
Jornalista – Aposentou-se, reformou-se porque tinha chegado o seu tempo, porque pensou …
Josias – Não, reformei-me porque a política educativa produziu algumas transformações nas escolas que se tornaram absolutamente insuportáveis.
Jornalista – Está a falar da avaliação?
Josias – Não, não, não estou a falar da avaliação, nem, nem … a avaliação é a ponta do iceberg. Não, estou a falar fundamentalmente em toda a – eu gostava de utilizar palavras suaves – em toda a burocracia e em todos os procedimentos absolutamente improdutivos, e com efeitos muito perversos em termos do objectivo central da acção educativa, que tem crescido em flecha nos últimos anos, e portanto chegou a um ponto em que eu ao fim de trinta e três de carreira pensei que estava a desperdiçar a minha vida … e como nós não vivemos para ganhar dinheiro nem para trabalhar, mas pelo contrário trabalhamos e ganhamos dinheiro para viver, eu achei que o deve e o haver era muito desequilibrado e abdiquei de 30% do meu vencimento bruto até ao fim da minha vida e vim-me embora.
Jornalista – É uma decisão que hoje …
Josias – Voltei à ponta … à casa de partida da minha vida. Estou a fazer uma vida diferente.
Jornalista – Já agora, quase um ano depois de se ter reformado, mais ou menos um ano depois, que balanço é que faz? Foi uma boa decisão?
Josias – Foi muito boa, muito boa, muito boa. Tenho uma qualidade de vida muito superior vivendo com menos. Isto até é bom para enfrentar a crise.
Jornalista – Sim
Josias - … porque às vezes para termos uma qualidade de vida superior é preciso aprender a viver com menos. Também aprendi isso na China.
Jornalista – Sim, eles são mestres a gerir essa questão.
Josias – Exactamente.
Jornalista – Porventura os nossos ouvintes, alguns dos nossos ouvintes, estariam a ouvir agora esta resposta do Josias Gil a dizer, relativamente ao sistema de ensino, e podiam estar a pensar: Está aqui um perigoso agitador da oposição, de um dos partidos da oposição, a verdade é que o Josias Gil, não sei se ainda se mantém, mas sempre esteve ligado ao Partido Socialista, foi inclusivamente candidato do Partido Socialista à câmara de S. João da Madeira, certo?
Josias – Duas vezes seguidas …
Jornalista – … o que significa …
Josias – … a Presidente da Câmara …
Jornalista – Sempre esteve ligado ao partido … ?
Josias – … e sou militante do Partido Socialista desde 1980.
Jornalista – O que significa que esta, esta … este descontentamento relativamente às políticas da educação não é tanto uma questão ideológica no sentido político, não é …
Josias – Não, não, não!
Jornalista - … de ser do Bloco de Esquerda, ou do PSD, ou ser do CDS ou do PSD, é mesmo uma questão de conceito em relação aquilo que foi proposto (palavra imperceptível).
Josias – É uma questão de substancialidade da própria experiência e da própria realidade digamos, porque nós só nos deixamos iludir pelos slogans e pela superficialidade das coisas quando desconhecemos a substância e eu como vivi trinta e três anos a trabalhar dentro das escolas, e corri o país todo, literalmente do Minho ao Algarve.
Jornalista – foi professor em vários pontos do país, é isso?
Josias – Do Minho ao Algarve, literalmente. Eu pude sentir na minha pele e ir apreciando e partilhando as transformações que o nosso ensino teve ao longo desses trinta e três anos e portanto cheguei à conclusão, tristemente, que os seis anos que me faltavam para completar a reforma não …
Jornalista – Não compensavam …
Josias – … não mereciam ser, não me mereciam a minha dedicação e retirei-me.
(…) minuto 8:06

Nota: sublinhados a cor da minha autoria. 
Abraço,
J.A.R.

Quinta-feira, 21 de Abril de 2011

Que asno que eu sou

Porque a minha escassa inteligência não atinge a motivação, exceptuando ressentimento pelos seus próprios fracassos, de muitos barões e quejandos do PSD que se desdobram em apelos a uma espécie de "união nacional", ao mesmo tempo que nem a união dentro do seu próprio partido estão em condições de assegurar, além de que, a mando de interesses mesquinhos, procuram fazer tábua rasa do papel que Sócrates poderá desempenhar nesse compromisso de unidade, tendo em conta a forma como este, sistematicamente, tem destruído qualquer confiança básica na relação que tem mantido com interlocutores institucionais (Cavaco Silva, Manuela Ferreira Leite e Passos Coelho), independentes (Freitas do Amaral ou Campos e Cunha, seus ex-ministros) ou correlegionários sérios (Teixeira dos Santos e Luís Amado) que com ele se cruzam.
Porque a minha escassa inteligência, embora perceba a manipulação que vai pela RTP (estarão a fazer pela vida, coitados!), não atinge o alcance das declarações de Ramalho Eanes, um homem que tinha por sério, mas que agora aparece, enigmaticamente, a procurar revender aos portugueses um autêntico burlão político, como se de um produto de qualidade se tratasse.
Para a hipótese de Sócrates vencer as próximas eleições, sugiro que a equipa do ministério da Educação possa voltar a contar com Maria de Lurdes Rodrigues como ministra e com Margarida Moreira e Valter Lemos como secretários de Estado. As escolas e os professores rejubilariam.
Como nenhum general, nenhum senador, nenhum social-democrata despeitado ou nenhuma brigada do reumático será capaz de impingir Sócrates à minha escassa inteligência, resta-me invocar, para mim próprio, o estatuto de exilado nos intramuros do meu país.
Para já, fui-me!...

Um povo inteligente ou como premiar o culpado pela crise

Fonte: Diário Económico
Mentiras, farsas, conduta política criminosa, colapso financeiro? Qual quê? O povo aprecia, pá!...
Obrigados, Pacheco Pereira, Santana Lopes, Marques Mendes, Marcelo Rebelo de Sousa, Morais Sarmento e comunicação social, em geral, pelos inestimáveis contributos para este tipo de resultado. Estão quase a conseguir!...
Sem esquecer, claro está, os muitos milhares de portugueses (e de professores) que vão manifestando publicamente, nos jogos do FarmVille e do CityVille, a sua saturação em relação a Sócrates e a sua indignação perante a desgovernação que nos conduziu a esta situação miserável.

É para acreditarmos em quem?

Fonte: Público (declarações de Renato Sampaio)
Fonte: Público (declarações de Vieira da Silva)
Escassos dias após sermos confrontados com estas declarações contraditórias destes dois dirigentes do PS, a propósito da existência de tentativas de arregimentar Fernando Nobre para as fileiras do PS, eis que, de novo, Renato Sampaio e Vieira da Silva metem os pés pelas mãos sobre o afastamento de Teixeira dos Santos das listas de candidatos a deputados do PS.
Estes são apenas mais dois episódios a acrescentar a seis anos de manipulações, de truques, de mentiras, de jogos de sombras, de encobrimentos, de degradação da fidedignidade da palavra, de erosão da confiança e de desacreditação da actuação política emanada de Sócrates ou a ele subserviente.
Foi por Sócrates e por esta gente que Teixeira dos Santos arruinou a sua reputação política? Aí está a gratidão!...

Quarta-feira, 20 de Abril de 2011

Esta avaliação do desempenho não está a correr nada bem

Fonte: Diário Económico
Afinal, a maioria dos portugueses não é parva e despacha com uma avaliação sofrível o desempenho político de Sócrates, considerando-o o principal culpado pela gravíssima crise que o país atravessa, pese embora aquilo que foi a mensagem de lança-culpas com que os socialistas têm bombardeado o país, bem acolitada por uma trupe de jornalistas e de comentaristas a fazerem eco e coro com a derradeira fraude do socratismo, traduzida em imputações a terceiros, próprias de quem aliena e foge, cobardemente, às suas responsabilidades.
Todavia, convém ter presente que a conduta política de Sócrates (já qualificada, por muitos, de criminosa) não se limitou a arruinar financeiramente o país, como o fez também, no plano moral e das relações pessoais e institucionais.
Embora a lista pudesse ser interminável, parecem-me ser estes os quatro descritores principais que tramaram a avaliação de Sócrates:
- o endividamento doidivanas do país;
- o atraso no reconhecimento da chegada da crise, em nome de um protagonismo insane e de uma infalibilidade pessoal pacóvia;
- o protelamento fatal (financeira e economicamente criminoso) do pedido de ajuda externa, numa tentativa desesperada para salvar uma carreira política;
- a vocação doentia para ficcionar a realidade, escondendo-a por detrás de espumas mediáticas propagandísticas, de farsas e de processos faz-de-conta (de que a gestão e as estatísticas criativas, a avaliação dos professores, as novas oportunidades, os cursos profissionais e as formações, usadas para esconder a real dimensão do desemprego, são alguns dos casos mais paradigmáticos).

Por este andar, e na sequência, quer desta sondagem, quer das declarações de Freitas do Amaral e de Mário Soares a responsabilizarem Sócrates pela crise, apenas Basílio Horta e os socialistas presentes no recente comício de Matosinhos é que continuarão a acreditar na peta de Sócrates.
Uma vez arruinada a estratégia da vitimização e da desresponsabilização, é altura de os crânios que escrevem os discursos e ditam as deixas socráticas ensaiarem uma nova táctica mais aderente à realidade: por que não começarem por um exercício de humildade democrática e de autenticidade pessoal, pedindo desculpa aos portugueses pela forma criminosa como lhes arrasaram a esperança e os sonhos?

Parece que Cavaco Silva também não fica nada bem nesta avaliação do desempenho, o que, convenhamos, não deixa de ser merecido, tendo em conta a forma tíbia e equívoca como consentiu a Sócrates, tanto o uso mistificador das contas públicas e a utilização fraudulenta de promessas eleitorais, que sabia serem irrealizáveis, nas legislativas de 2009 (onde, com a sua teoria infantil das escutas, prejudicou objectivamente o PSD), como o arrastar de uma estratégia ruinosa de protelamento do pedido de ajuda externa.

Terça-feira, 19 de Abril de 2011

É uma revelação extraordinária

Daqui
Nem quero imaginar o pagode em que, por estes dias, devem estar transformados os conselhos de ministros da governação Sócrates: com ministros corridos das listas a deputados; com um ministro das Finanças "sequestrado", no sentido de obrigado a ficar, por Sócrates (fonte: Freitas do Amaral) e afastado da coordenação das negociações com a troika; com ministros que desconheciam a congeminação do PEC4.
Todavia, o mais extraordinário deve ter sido o ponto da agenda do conselho de ministros, na semana seguinte à eleição para a presidência da República, e que deve ter tido, aproximadamente, esta redacção:
- Ponto catorze da ordem de trabalhos: partilha e discussão do sentido de voto dos senhores ministros, na recente eleição presidencial.
Aposto em como aqueles que votaram em Fernando Nobre foram, precipitadamente, contemplados com a promoção a cabeças-de-lista!

Desenvolvimento inesperado e de última hora: Sócrates estará prestes a ser internado

Segundo fonte fantasmática, que não é passível de poder ser identificada sem que se recorra ao "travalho" do mestre Alves, as últimas noites em casa de Sócrates estarão a ser de uma agitação infernal, de tal modo que o primeiro-ministro já não pregará olho há vários dias, o que ajudará a explicar a propensão que tem vindo a revelar para ficcionar a realidade e para se considerar permanentemente perseguido pelos partidos da oposição, vivendo verdadeiramente atormentado com alucinações, em que escuta Passos (algumas testemunhas afirmam que serão de Coelho), ouve Portas a bater e é sobressaltado com Louça a cair-lhe dos armários.
Dificilmente aguentará, durante muito mais tempo, a exposição a estes stressores.

Que diferença abissal entre estes dois

Ainda que oriundos da mesma área política e seguindo trajectórias de aproximação partidária idênticas, a verdade é que entre Freitas do Amaral e Basílio Horta existe uma diferença descomunal em termos de dimensão política, de densidade ética, de independência e, sobretudo, de capacidade de leitura crítica e autónoma da realidade.
Não são passíveis de nenhuma comparação a fidelidade acéfala a Sócrates e a subserviência a uma estratégia mentirosa deste PS, tal como transparecem nestas declarações de Basílio Horta, com a inteligência, a sagacidade e a crítica emancipada com que Freitas do Amaral contraria a forma politicamente cobarde, porque desavergonhadamente desresponsabilizante, como Sócrates e este PS não assumem a paternidade do gravíssimo atoleiro político, financeiro e moral, para que a imprudência e o aventureirismo de Sócrates nos precipitou.
Se, enquanto membro do CDS, Basílio Horta teve sempre uma dimensão política medíocre (ainda recordo a campanha presidencial crispada e trauliteira contra Mário Soares), agora, permitiu que o pior do socratismo se lhe colasse à pele, sem coragem para ensaiar qualquer tipo de distanciamento crítico face às mentiras, às ilusões e às manipulações/aproveitamentos demagógicos de agendas e iniciativas (da própria Agência que dirigiu), que foram a pedra de toque da governação de Sócrates.
É a diferença entre um senhor (Freitas do Amaral) e um serviçal (Basílio Horta).

Segunda-feira, 18 de Abril de 2011

Trabalho dos professores com os alunos? Esqueçam essa irrelevância

Vem este post a propósito de mais uma crónica que tem como pano de fundo a problemática da avaliação dos professores e, em particular, a denúncia, quer da decisão absurda de restringir o apoio governamental (bolsas) apenas aos projectos de investigação que tenham a avaliação do desempenho como objecto, quer da instrumentalização da avaliação dos professores, subordinando-a a uma estratégia de mero marketing político.
Além de nenhum professor, especialista ou investigador ser capaz de encontrar uma justificação racional, ou sequer pragmática, para a obsessão de Sócrates com a avaliação dos professores (chegou ao disparate de a considerar um "desígnio nacional") e para a insistência obstinada num modelo inconsistente, disfuncional e sujeito a uma contestação sem paralelo na história da educação, em Portugal, acontece que o carácter absurdo da aposta exclusiva na formação em avaliação do desempenho sai, ainda, mais arruinada pela circunstância de o Ministério da Educação não ter dado, nos anos do socratismo, nenhum sinal robustecido e sistemático de aposta na promoção, na valorização ou no reconhecimento da missão fundamental de um professor: ensinar em condições de adequação e eficácia pedagógicas.
Em vésperas do despedimento de Sócrates e da sua concepção enviesada, ilusionista, afunilada e conflitual da educação, resta-me lamentar que o secretário de Estado da Educação, Alexandre Ventura, que enquanto presidente do Conselho Científico para a Avaliação de Professores (CCAP) reconheceu as fragilidades dos processos de avaliação, venha hipotecando a sua credibilidade e enverede pela desonestidade intelectual de empolar a centralidade deste modelo de avaliação do desempenho, que o próprio sabe tratar-se de uma farsa que nada de relevante e decisivo avalia, além de em nada contribuir para a qualificação das aprendizagens dos alunos, antes pelo contrário. Se quiser a demonstração detalhada do que aqui acabo de afirmar, disponha.
Não é concebível que se restrinja, em condições de seriedade e de rigor, o apoio ministerial à investigação pós-graduada de professores a uma área que apenas visa munir de artilharia burocrática essa espécie de "guerra civil" nas escolas, que são os processos decorrentes deste modelo de avaliação, onde cada um é arbitrariamente reconhecido como capacitado para pegar em "armas" para decidir a vida profissional de colegas, sem garantias de formação, de idoneidade técnica e pedagógica, de operacionalidade e de imparcialidade.
Se a avaliação se faz depender das interpretações, das rotinas, das experiências e das concepções privadas de cada avaliador, que pode ser qualquer um, então, para que serve esta avaliação?
Onde reside e o que sustenta a proficiência e a preformatividade que deveria resultar de um processo de avaliação?
Ao defender a farsa desta avaliação até ao absurdo, este Governo trivializa e prejudica a função de ensinar, desinvestindo, lamentavelmente, na qualificação dos professores (veja-se a paralisia e o sub-financiamento dos Centros de Formação) e no trabalho destes com os alunos.
A avaliação docente - o alfa e o ómega (do Ministério) da Educação

Como mentir solene, categórica e definitivamente

A mentira como prática política institucionalizada. Estão lá todos nas listas do PS. Não se esqueçam de os eleger para o Parlamento, porque isto, sim, prestigiará a Assembleia da República.

Declaração não solene de Renato Sampaio (PS Porto)
Declaração solene de Vieira da Silva (PS Setúbal)

Chuva torrencial até ao início de Junho

Desde uma execução orçamental imaculada (que envolve em misterioso nevoeiro a, assim, injustificada argumentação socrática, quer da necessidade das medidas adicionais insertas no PEC4, quer da urgência da antecipação temporal deste plano), até recuperações miraculosas na economia, no desemprego e em outros domínios sectoriais, o país vai ser fustigado, ao longo das próximas semanas, com uma chuva torrencial de inaugurações, mais ou menos ridículas, mas, sobretudo, de dados, indicadores e estatísticas que desencadearão uma espécie de efeito arco-íris por cima do abismo para que estes cavalheiros nos conduziram, ou não fossem os governos de Sócrates mestres na arte de martelar dados e de torturar estatísticas, de molde a gerarem percepções e efeitos impressionistas, destinados a mascarar e a esconder a vergonhosa realidade de um país ligado à máquina da assistência externa.
É neste entorno de borrasca política que deve enquadrar-se a divulgação da aparente notícia "positiva" da diminuição do número de desempregados inscritos nos Centros de Emprego, mas que, tendo em conta a nossa anemia económica e o tempo decorrido desde os primeiros despedimentos em massa, apenas traduzirá a notícia do caducar das inscrições e da concomitante perda do direito ao subsídio, por parte de quem continuará desempregado e, agora, dramaticamente desamparado.
É fundamental que os partidos da oposição, as organizações de trabalhadores e a sociedade civil estejam alerta e mobilizados para desmascarar a artificialidade da chuva de "boas notícias" que aí vem.

Está nas nossas mãos evitar uma humilhação ainda maior

Como se não bastasse a humilhação decorrente da nossa perda de soberania financeira e da situação crítica em que o país se encontra, o pior que nos poderia acontecer, como povo, seria ignorarmos os resultados catastróficos (ou o irresponsável agravamento dos mesmos) imputáveis à governação socrática e premiarmos eleitoralmente aqueles que falharam rotundamente, tanto no cenário de uma maioria parlamentar (marcado por uma insuportável prepotência), como no quadro de um governo minoritário (por incapacidade para criar pontes de diálogo e gerar consensos, quer à esquerda, quer à direita).
Se, em 2009, muitos portugueses ainda podiam alegar o fascínio pelas promessas eleitorais fraudulentas de Sócrates, acontece que, desta vez, ninguém pode invocar o desconhecimento do abismo que o socratismo nos lega em herança, da mesma forma que não há escapatórias possíveis para justificar uma qualquer crença ingénua em novas promessas ou em outros resultados da governação socrática, tendo em conta os próprios condicionalismos externos criados pelo não reconhecimento atempado da nossa crise e pelo protelamento irresponsável do pedido de ajuda externa.
Por mais retórica, política espectáculo, manipulações ou guerrilhas incidentais em que o socratismo, com a complacência e a submissão reprodutora da nossa comunicação social (ainda ontem todos os meios de comunicação reproduziam a mesmíssima notícia, porventura assim ventilada à Lusa para difusão, de "dez novos cabeças de lista" do PS, de forma a passar uma mensagem de renovação, a qual é absolutamente falsa), se especializou, os factos são os factos (Álvaro Santos Pereira apresenta-nos em baixo os desenhos dos mesmos) e é com base na mediocridade e gravidade dos mesmos que a herança Sócrates deve ser liminarmente rejeitada pelos portugueses, nas eleições de 5 de Junho.
Como tal, a indiferença, o silêncio, o desaparecimento, o medo, a tolerância, a forma acrítica como se deixam manipular pelo controlo da informação televisiva, que alguns vêm ensaiando, serão, desta vez, opções premeditadas, quer de consentimento na humilhação, quer de colaboracionismo na ruína do país e na degradação da imagem e reputação externas dos portugueses.
Se Sócrates tiver um resultado eleitoral acima de 30%, além de afundarmos politicamente o país num beco sem saída (Sócrates é um empecilho a qualquer solução), os Europeus já não se limitarão a duvidar das nossas capacidades para nos governarmos com rigor e responsabilidade, como passarão a troçar da nossa própria estupidez.
Definitivamente, sacrificaremos o respeito por nós próprios e hipotecaremos o futuro, por longos anos.
Mas, para o caso caricatural de esta situação poder vir a ocorrer, então torna-se imprescindível pensar-se num aperfeiçoamento dos mecanismos da democracia, no sentido de fazer reflectir os custos das políticas naqueles que as sancionam eleitoralmente (muitos dos quais se vêem eximidos de participar nos sacrifícios), caso contrário, parece-me uma perversão excessiva que sejam aqueles que rejeitam eleitoralmente as políticas de Sócrates os que acabam a pagá-las do seu próprio bolso.
Eis, pois, os factos da nossa vergonha nacional, para que ninguém possa alegar ignorância ou ingenuidade:

Daqui, mas também é obrigatório ler "Os verdadeiros factos da campanha"

Domingo, 17 de Abril de 2011

É o mínimo que posso fazer por vós

Se alguém ainda alimentava ilusões sobre a regeneração do Partido de Sócrates [PS], as listas de candidatos a deputados e, especificamente, os cabeças-de-lista, vêm desfazê-las absolutamente, confirmando o fechamento do socratismo sobre si próprio e o seu completo esgotamento político.
Da mensagem política deste PS, corporizada nos cabeças-de-lista apresentados, maioritariamente oriundos do Governo em funções (o mais totó, ineficaz e inoperacional da história da democracia portuguesa), já nada mais é expectável, além do que foi proporcionado por este Governo, com os vergonhosos resultados que aí estão à vista de todos.
Trata-se de meras listas de purga dos críticos e dos bodes expiatórios (Victor Baptista, Teixeira dos Santos, Luís Amado, entre outros), traduzindo uma espécie de prémio de recompensa aos membros do Governo pela forma leal e acrítica como colaboraram na desgovernação e na humilhação do país (e isto inclui o tachista Basílio Horta, um dos mais ufanos trogloditas do socratismo).
Espanta-me, apenas, que, perante a qualidade (desde Paulo Campos a Ricardo Rodrigues), a renovação e a abertura consubstanciadas nos cabeças-de-lista a deputados deste PS, a bovinidade socretina que domina muitas das redacções de jornais e televisões, ainda não nos tenha proporcionado um espectáculo de excitada e espumada  indignação.
Aguardam-se reacções!...

Marinho e Tinto

Um bastonário colado ao pior do socratismo, que não resistiu a vir a terreiro defender Sócrates sempre que este era encostado às cordas em situações política e pessoalmente penosas, vir, no momento do descrédito e do esgotamento do PS de Sócrates, sugerir uma espécie de "greve à democracia", apenas traduz uma estratégia finória de dupla legitimação de Sócrates:
- falhou Sócrates, logo falha a democracia, destruindo-se, assim, qualquer possibilidade de alternativa política, o que confronta as pessoas com o temor e o desespero do caos político que decorreria de um boicote à democracia, levando-as, subliminarmente, a desejar a regeneração ou a reabilitação, a qualquer preço, do crédito de Sócrates;
- como, por norma, apenas se abstêm os desiludidos e os menos politicamente convictos, tal significaria abrir caminho a que a minoria de fiéis votantes em Sócrates se convertesse mais facilmente em maioria, como tem sucedido nas eleições internas do PS.
Incapaz de chamar os "bois pelos nomes" e de direccionar o julgamento e a responsabilização pelo estado a que chegamos para a desgovernação de Sócrates, a mensagem de Marinho e Pinto é clara: no dia 5 de Junho encharquem-se em Tinto, bebam para esquecer as desilusões e os erros de Sócrates, abstenham-se de julgar o coitado nas urnas, porque os amedrontados com o fim da democracia somarão aos mobilizados pela máquina socialista para decidir a continuidade de Sócrates, em nome dos tansos que, no dia 5 de Junho, venham a "suspender a democracia" e fiquem em casa.
Fino!...

Sábado, 16 de Abril de 2011

Casado com a propaganda

In Público, 15-04-2011 (Obrigado, Zé!)

Os parolos até detestam perguntas

In Público, 15-04-2011 (Obrigado, Zé!)

Mudar de paradigma

O que, necessariamente, pressupõe mudar os protagonistas que nos desgovernaram, nos últimos seis anos.

In Público, 15-04-2011 (Obrigado, Zé!)

A herança

Muitos vultos da humanidade ficaram na História pelo que fizeram em prol da mesma, deixando legados que ficaram para a eternidade. Sócrates, no entanto, deixa-nos a herança das heranças: De acordo com a notícia, o (des)governo da Nação deixou uma boa herança a quem vier: qualquer coisa como 9,5 mil milhões de euros, a pagar entre 2011 e 2015! Isto para não se falar dos números do desemprego, das recessões na Economia, na diminuição do poder de compra da grande maioria dos portugueses, dos planos de extermínio colectivo (vulgo PEC) ou do futuro hipotecado a milhares de jovens!
No mínimo, porreiro, pá!
Quem vier que feche a porta, não?

Manuel Salgueiro

Isto fará toda a diferença na hora de votar

Confrontados com uma lastimável perda de soberania política, no essencial imputável ao galopante endividamento a que conduziu a governação megalómana e laxista de Sócrates, traduzida, agora, na imposição de uma inescapável orientação financeira e económica externa, de que dependerá o essencial da governação pós eleições, torna-se inevitável que, mais do que programas políticos, tudo será decidido na comparação entre Sócrates e Passos Coelho, de acordo com os pressupostos da teoria da melhor alternativa.
Especificamente no caso dos professores, a escolha da melhor alternativa tenderá a fazer-se nos planos do estilo de actuação política, do compromisso com a verdade e a transparência de procedimentos, da moralização do Estado, mas, também, na forma de relacionamento com os professores (estes foram o grupo profissional escolhido para os ataques expiatórios de Sócrates e sujeito a maior desgaste emocional e social no confronto com a prepotência e a genética propagandística do socratismo) e nas propostas de reorganização das escolas e do Ministério da Educação.
Deixo aqui um subsídio idiossincrático que talvez possa ajudar ao escrutínio das diferenças entre Sócrates e Passos Coelho.

Sócrates:
- governou em maioria, em minoria, em condições favoráveis e em situação deprimida, não deixando nenhuma herança positivamente consistente e atirando-nos para a ruína, sendo incapaz de gerar diálogo e consensos, em condições de confiança;
- tem uma imagem, colada à pele e com proveito nos últimos seis anos de governação, de mentiroso, ilusionista, manipulador, prepotente, crispado, incompetente e incapaz de reconhecer erros e responsabilidades próprias;
- usurpou o Estado, tornando-o opaco e asfixiante, ao mesmo tempo que o encheu de rapaziada, de estruturas, de contratos ruinosos e, em conformidade, lhe hipotecou a liberdade de actuação;
- por mais truques de auto-vitimização, carrega o fardo de uma governação falhada e esgotada, cujas linhas e convicções programáticas não aderem à real situação do país e colidem com os inevitáveis constrangimentos financeiros a que Sócrates, aventureiramente, expôs o país;
- restringiu a participação política a um núcleo duro de socratinos, sem nenhuma expectativa de abertura e de renovação;
- a Educação constituiu o domínio de maior fracasso e de irreversível degradação da comunicação, com a institucionalização do ódio aos professores, da prepotência, da burocracia inútil, da propaganda (o não enquadramento pedagógico dos programas e-escolas e e-escolinhas), da desconfiança em relação aos professores e da asfixia persecutória, do faz-de-conta (as novas oportunidades e os cursos profissionais), da farsa (a avaliação dos professores) e da arbitrariedade (de que a invenção dos titulares foi o caso mais paradigmático, que só a nossa resistência conseguiu travar).

Passos Coelho:
- nunca governou e, como tal, usufrui do benefício da dúvida;
- tem uma imagem de seriedade, de ponderação, de serenidade e de recato no marketing e na propaganda, imprescindível a uma actuação mais transparente e dialogante;
- tem do Estado uma concepção mais exígua (restringido ao essencial, como educação, saúde, justiça, apoio social e regulação), mais transparente e mais espartana (desde a composição do governo à reivindicação do fim de institutos e fundações, passando pela redução de custos de funcionamento);
- não tem nenhuma responsabilidade na governação dos últimos anos e na actual situação crítica do país, nem sequer podendo ser identificado com a fuga barrosista ou com a impreparação santanista;
- acaba de abrir o partido à participação de independentes nas listas para deputados e, estou certo, fá-lo-á também ao nível do elenco governativo;
- surpreenderá na Educação, com a valorização da autoridade e da autonomia dos professores, bem como com um conjunto de compromissos em termos da vida das escolas, como simplificação, democraticidade, ensino exigente, autenticidade e seriedade de procedimentos, apostando na real qualificação dos alunos.
Pela minha parte, não me restam dúvidas sobre a melhor alternativa.

Sexta-feira, 15 de Abril de 2011

Estão encontrados os meus motes para a campanha eleitoral

"Os professores merecem um Governo que os respeite e valorize"
"Os portugueses merecem um Governo que não os engane, não os iluda e não os desgrace mais"
Assim sendo, dispenso discursos, tempos de antena, manipulações, propagandas, vitimizações, mentiras, baboseiras, apertos de mão, cartazes e outros sortilégios do marketing.

Quinta-feira, 14 de Abril de 2011

Falta de respeito

Escolher este personagem para cabeça-de-lista do PS pelos Açores, diz bem da degradação moral e política a que chegou o socratismo.
Os açorianos eram merecedores de outro respeito!...

Não fosse Sócrates e esta bem podia ser uma noite de festa rija

Não fosse a ruinosa governação socrática e, a esta hora, a Europa estaria boquiaberta com o brilhantismo do desempenho dos clubes portugueses que, pela primeira vez, garantiu a presença, numa mesma meia-final, das três equipas que, em Portugal, jogam melhor futebol, ainda por cima com três treinadores portugueses.
Garantida que está a presença de uma equipa portuguesa na final da Liga Europa, desejo, pela minha parte, que esta possa ser disputada entre o Futebol Clube do Porto e o Sporting de Braga.
Apesar de Sócrates e da crise, festejemos este feito extraordinário!...

Estes senhores deviam pedir desculpa

Mas, para tal, era necessário que tivessem a percepção da sua própria mediocridade e o imprescindível sentido e escrúpulo de vergonha, dimensões de que sempre estiveram destituídos.
Esta gentalha socretina nem carácter tem para assumir a responsabilidade pelas consequências da mais insciente e estouvada governação da história da democracia portuguesa.

Mais nada a acrescentar

Uma declaração de fim de festa, redigida por um socialista inteligente e lúcido, tem um impacto, incomparavelmente, mais impressivo:
Fonte: Diário de Notícias