Um murro de Santana Castilho na consciência de Passos Coelho e da elite política "laranja" (18-01-2012): As "natas"

Terça-feira, 31 de Maio de 2011

A sondagem de Manuel Maria Carrilho

Ainda que baseada nas suas constatações, impressões e capacidade pessoal de previsão, a antecipação de resultados acabada de avançar por Manuel Maria Carrilho, na TVI24, não deixa dúvidas, quer sobre o vencedor das próximas eleições legislativas, quer sobre a margem em que assentará essa vitória. E vinda de um militante socialista, sempre é uma sondagem pessoal insuspeita e imparcial.
Eis os resultados:
PSD - 40%
PS - 30%

Aguarda-se a reacção de Vieira da Silva, dirigente do PS e ministro da Economia, a mais um vaticínio infausto para o PS e oriundo de um comentador da TVI.

Cobaia para psicólogos

Henrique Raposo, cronista do Expresso, avança aqui com a proposta de a nação poder doar Sócrates às faculdades de psicologia, proporcionando-lhes uma mente susceptível de ser extensamente investigada e, por consequência, uma oportunidade para se vir a escrever um tratado psicológico recheado de processos, efeitos, guiões, scripts, sintomatologias e respectivos enquadramentos conceptuais e teóricos.
Mesmo na ausência da formalização dessa doação, já, por diversas vezes, procedi, neste blogue, a várias análises da mente e da conduta socrática à luz da psicologia social e da psicologia cultural (clínica), de que a propensão para incorrer no erro fundamental de atribuição (auto-atribuição para o sucesso e atribuição externa para o fracasso), para se ajustar a perfis de personalidade autoritária e para ensaiar fugas à realidade constituem as tendências mais marcantes, pelo que a sugestão do cronista é-me simpática e é muito provável que, brevemente, surjam as primeiras psico-histórias de uma mente que personifica paradigmaticamente muito do (dis)funcionamento e das reacções antecipadas por inúmeras das teorias da psicologia.

Tretas, tretas, tretas...

A confluência constringente de compromissos e afazeres de natureza profissional, que nunca subalternizo ou descuro face a outras ocupações, teve a consequência de me colocar uns dias a leste do acompanhamento e do meu próprio envolvimento no desvendar apofântico da blogosfera. Como não acho que a blogosfera padeça da inércia e da trama circular das telenovelas, não me custa reconhecer que devo ter desaproveitado muita informação e que devo ter perdido muita oportunidade de reacção/intervenção. Mas, é a vida!

Já em termos do meu empenhamento pessoal nem contribuir para o afastamento da influência nefasta de Sócrates sobre a política nacional, a campanha eleitoral tem confirmado a absoluta inadequação do socratismo para responder aos problemas do país.
A campanha do PS de Sócrates tem sido confrangedora e encontra-se sequestrada pela genética e pelos traços identitários do pior do socratismo: ausência de propostas para futuro e opção pela sistemática e obsessiva oposição à oposição (os ataques descabelados ao PSD são o pão nosso de cada dia); manipulações e encenações mediáticas (efeitos espelhados, encurtamentos de espaços, câmaras baixas e ângulos fechados, bandeiras e adereços que tapam espaços vazios);  recurso aos figurantes em detrimento da espontaneidade do contacto com as pessoas reais (brutal logística de camionetas de aluguer, recrutamento de gente a soldo de bifanas ou espectáculos, arregimentação de colaboradores e outros dependentes); repetição de chavões destituídos de verdade (os malandros do PSD, movidos pela ganância do poder, precipitaram uma crise política - porque financeira e económica já não se atrevem a dizer; somos os guardiões do estado social, da escola pública e do sistema nacional de saúde que o PSD quer destruir, como se Sócrates os tivesse deixado em excelente estado e não lhes tivesse desferido os piores ataques de que há memória ou, mesmo, não se tivesse comprometido em torná-los exíguos em sede de acordo com a troika); tentação parola dos pequenos almoços com algumas figurinhas do desporto ou da cultura.

É neste contexto, que tenho registado, com alguma decepção, as intervenções de certas personalidades do PS que não resistiram ao impulso partidário e que, se os portugueses lhes dessem ouvidos, estariam a contribuir para mergulhar Portugal, definitiva e irreversivelmente, num pantanal político, de trágicas consequências financeiras, económicas e sociais.
Nesta fase decisiva, não se pode apelar ao interesse nacional e ao compromisso, ao mesmo tempo que se vem a público incitar ao voto neste PS, pois manter Sócrates no poder significaria, tanto encrencar politicamente o país, tornando-o ingovernável, dado ninguém estar disponível para governar com um Sócrates não confiável, como prosseguir com os tiques, as atitudes e a conduta política que nos arrastaram para a crispação generalizada, para a pré-ruptura financeira e para o descrédito internacional.
Sempre que personalidades reputadas, como Mário Soares, António José Seguro ou António Vitorino, apenas para citar alguns, vierem a público defender o interesse nacional, é caso para nos recordarmos dos seus apelos públicos ao voto na fonte dos problemas, colocando os interesses partidários e pessoais acima dos interesses do país, pelo que os seus discursos soarão a qualquer coisa semelhante a isto: tretas, tretas, tretas...

Deste ponto de vista, merecem-me toda a consideração intelectual e todo o respeito as posições públicas, genuinamente independentes e frontais, de Manuel Maria Carrilho (certamente, uma manifestação do seu ressentimento em relação a Sócrates - todavia, quem não o tem, mas sobretudo um sinal da sua inteligência e da sua consistente formação filosófica), mas também de outras personalidades do PS que, com sábia discrição e evitando vir a ser agitados como espantalhos expiatórios da derrota de um líder que nunca assume culpas ou erros próprios, se afastaram da ribalta partidária, inibidos, em consciência, de sancionar a ruinosa governação socrática.

Sexta-feira, 27 de Maio de 2011

Um novo paradigma de governação – parte II

A explicitação do velho paradigma, que formatou a governação socrática, facilita o exercício de explanação dos pilares axiais que permitirão alicerçar um novo paradigma de governação para Portugal, porque, no essencial trata-se de empreender pouco mais do que uma inversão daquilo que foi o estilo e o conteúdo da actuação política de Sócrates.
Para o efeito, basta empreender-se uma espécie de revolução copernicana na política portuguesa, deslocando para a periferia o que tem estado no centro, como é o caso do descomedido e gabarola protagonismo do líder e concomitante decisão/acção política, ao mesmo tempo que se deve trazer para o centro o que tem sido sistematicamente subalternizado e desvalorado, mormente a agência e a iniciativa de cidadãos, profissionais, instituições e empresas, que sejam susceptíveis de mobilizar ideias, vontades e produções/criações.
Além de uma desejável descentração do debate político-social de um ego com tiques de chavismo para a análise séria dos problemas e para a procura de soluções para os mesmos, o que não é possível com Sócrates e respectiva camarilha no activo, torna-se crucial que os governantes adoptem, quer um rigoroso e espartano código de conduta pessoal, quer um conjunto de práticas de actuação política, correspondendo a um reemergir da confiança e da cooperação e sendo passíveis de serem consubstanciados no seguinte:
- compromisso com uma exemplaridade de conduta, nos domínios pessoal e político;
- valorização e envolvimento dos actores no terreno ao nível da definição de políticas, das tomadas de decisão e dos processos de implementação;
- governação esvaziada de qualquer sofreguidão ou obsessão propagandística e dos exageros da exposição mediática;
- actuação transparente do ponto de vista das contas, das contratualizações e dos concursos públicos, garantindo o acompanhamento, a supervisão e a auditoria por entidades independentes;
- criação de rotinas de publicitação pública de decisões e de actos, o que me leva a saudar, desde já, o compromisso de Pedro Passos Coelho em publicar na Internet todas as nomeações.
Sem prejuízo da avaliação de políticas sectoriais e de medidas concretas, este caderno de encargos constituiria, por si só, uma base sólida e confiável para qualquer programa de governo.

(Post escrito e publicado a observar a belíssima capital, a partir da Pousada de Juventude de Almada)

Quinta-feira, 26 de Maio de 2011

Um modelo de avaliação do desempenho à la carte

“Assim, foi recentemente celebrado um acordo colectivo de trabalho com as duas e únicas estruturas sindicais representativas dos trabalhadores integrados na carreira especial médica, o qual, no entanto, não é susceptível de poder aplicar -se à totalidade daqueles trabalhadores, em virtude de alguns deles não se encontrarem filiados em qualquer organização sindical.” (Portaria n.º 209/2011 de 25 de Maio)
Estranho que aos professores não tenha sido aplicado o mesmo princípio de aplicação de modelos de avaliação diferenciados, em função da natureza sindicalizada ou não dos docentes.
Teria sido interessante que os associados da FENPROF e da FNE tivessem o seu modelo made in Maria de Lurdes Rodrigues e os professores identificados com os movimentos e não pertencentes a qualquer estrutura sindical pudessem usufruir de um modelo de avaliação sério, transparente e arredio da palhaçada da avaliação inter-pares.

Ainda me recordo de, nos bastidores do primeiro programa do Prós e Contras relativo ao modelo de avaliação dos professores, em Fevereiro de 2008, o então secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, me ter dirigido um desafio retórico, com uma mal disfarçada afabilidade arrogante e acossada, a propor uma troca do absurdo modelo de ADD pelo modelo de avaliação dos médicos, do tipo "vejam lá se preferiam, antes, o modelo de avaliação dos médicos".
Fica agora claro que, para além da avaliação meramente administrativista do SIADAP, os governos de Sócrates foram incapazes de conceber e implementar qualquer modelo de avaliação específico dos médicos, no decurso de seis anos de governação.
Apesar de algum crispamento inicial, os governos de Sócrates cedo desistiram da ousadia de afrontarem os médicos com imposições arbitrárias, como o fizeram com os professores.
Não há dúvida que os professores foram o saco de boxe da prepotência e da incompetência socráticas, embora a gratuitidade de tamanho odioso lhe tenha saído politicamente cara.

(Post escrito e publicado a observar a belíssima capital, a partir da Pousada de Juventude de Almada)

Quarta-feira, 25 de Maio de 2011

Da ignorância atrevida de Pacheco Pereira ao logro de Maria de Lurdes Rodrigues

In Público, 25-05-2011 (Obrigado, Zé!)
Sempre que fala de Educação e/ou se refere àqueles que, com coragem, rigor e coerência têm combatido as políticas educativas farsantes do socratismo, Pacheco Pereira revela uma ignorância e uma tendência para o disparate confrangedoras. Já Maria de Lurdes Rodrigues é mesmo um caso perdido de convicção e agência pessoal ao serviço da arbitrariedade, da falta de seriedade e do logro em bastas matérias educativas.
E esta crónica de Santana Castilho é absolutamente lapidar, quer na forma como desmascara a leviandade de Pacheco Pereira, quer na consistência argumentativa com que arrasa a lógica culposamente facilitista que suporta os processos de certificação característicos das Novas Oportunidades, ficando bem patente mais um dos embustes, a acrescentar ao dos titulares, ao do modelo de avaliação dos professores e ao do(s) estatuto(s) do aluno, que Maria de Lurdes Rodrigues ainda se esforça por vender aos incautos e aos que desconhecem a natureza displicente da implementação de um programa que nada de relevante qualifica.
Nas Novas Oportunidades, os mecanismos de pressão sobre os formadores são tais que se torna uma excepcionalidade, quase impossível, não proceder à certificação.
Mais uma vez, Santana Castilho apresenta-se como a pessoa melhor preparada, tanto para enfrentar a opinião estouvada e os tutelares das farsas socráticas, como para implementar uma agenda séria e exigente, no domínio da Educação.

A verdade de hoje é sempre a mentira de amanhã

Gente que eleva a mentira a prática corrente de actuação política e governamental, que tipo de confiança e que género de esperança ainda pode merecer a cerca de vinte e picos por cento de portugueses?
E o que é razoável pensar-se da tolerância à aldrabice evidenciada por comentadores e analistas?

Fonte: Correio da Manhã
Fonte: Jornal de Negócios

Diz que é uma espécie de orgulho

O que alguns jornalistas e comentadores, a soldo, apelidam, referindo-se a Sócrates, de determinação e combatividade é tão-só inconsciência, irresponsabilidade, tentativa desesperada de salvar a sua pele política (própria de quem nunca fez nada de jeito fora da vida partidária) e, sobretudo, falta do sentido da vergonha e da medida da sua incompetência atrevida.
Por muito menos (sem recurso a aldrabices, ocultações e endividamento doidivanas) Zapatero foi-se embora pelo seu próprio pé, sem esperar pela vassourada de um povo espanhol esclarecido, que dispensa bem as Novas Oportunidades.

Recebido por email
Nos últimos dias, a "campanha" eleitoral tem sido constituída por um rol de "factos" que só servem para distrair os(as) portugueses(as) daquilo que realmente é essencial. E o que é essencial são os factos. E os factos são indesmentíveis. Não há argumentos que resistam aos arrasadores factos que este governos nos lega. E para quem não sabe, e como demonstro no meu novo livro, os factos que realmente interessam são os seguintes:
1) Na última década, Portugal teve o pior crescimento económico dos últimos 90 anos;
2) Temos a pior dívida pública (em % do PIB) dos últimos 160 anos. A dívida pública este ano vai rondar os 100% do PIB;
3) Esta dívida pública histórica não inclui as dívidas das empresas públicas (mais 25% do PIB nacional);
4) Esta dívida pública sem precedentes não inclui os 60 mil milhões de euros das PPPs (35% do PIB adicionais), que foram utilizadas pelos nosso governantes para fazer obra (auto-estradas, hospitais, etc.) enquanto se adiava o seu pagamento para os próximos governos e as gerações futuras. As escolas também foram construídas a crédito;
5) Temos a pior taxa de desemprego dos últimos 90 anos (desde que há registos). Em 2005, a taxa de desemprego era de 6,6%. Em 2011, a taxa de desemprego chegou aos 11,1% e continua a aumentar;
6) Temos 620 mil desempregados, dos quais mais de 300 mil estão desempregados há mais de 12 meses;
7) Temos a maior dívida externa dos últimos 120 anos;
8) A nossa dívida externa bruta é quase 8 vezes maior do que as nossas exportações;
9) Estamos no top 10 dos países mais endividados do mundo em praticamente todos os indicadores possíveis;
10) A nossa dívida externa bruta em 1995 era inferior a 40% do PIB. Hoje é de 230% do PIB;
11) A nossa dívida externa líquida em 1995 era de 10% do PIB. Hoje é de quase 110% do PIB;
12) As dívidas das famílias são cerca de 100% do PIB e 135% do rendimento disponível;
13) As dívidas das empresas são equivalente a 150% do PIB;
14) Cerca de 50% de todo endividamento nacional deve-se, directa ou indirectamente, ao nosso Estado;
15) Temos a segunda maior vaga de emigração dos últimos 160 anos;
16) Temos a segunda maior fuga de cérebros de toda a OCDE;
17) Temos a pior taxa de poupança dos últimos 50 anos;
18) Nos últimos 10 anos, tivemos défices da balança corrente que rondaram entre os 8% e os 10% do PIB;
19) Há 1,6 milhões de casos pendentes nos tribunais civis. Em 1995, havia 630 mil. Portugal é ainda um dos países que mais gasta com os tribunais por habitante na Europa;
20) Temos a terceira pior taxa de abandono escolar de toda a OCDE (só melhor do que o México e a Turquia);
21) Temos um Estado desproporcionado para o nosso país, um Estado cujo peso já ultrapassa os 50% do PIB;
22) As entidades e organismos públicos contam-se aos milhares. Há 349 Institutos Públicos, 87 Direcções Regionais, 68 Direcções-Gerais, 25 Estruturas de Missões, 100 Estruturas Atípicas, 10 Entidades Administrativas Independentes, 2 Forças de Segurança, 8 entidades e sub-entidades das Forças Armadas, 3 Entidades Empresariais regionais, 6 Gabinetes, 1 Gabinete do Primeiro Ministro, 16 Gabinetes de Ministros, 38 Gabinetes de Secretários de Estado, 15 Gabinetes dos Secretários Regionais, 2 Gabinetes do Presidente Regional, 2 Gabinetes da Vice-Presidência dos Governos Regionais, 18 Governos Civis, 2 Áreas Metropolitanas, 9 Inspecções Regionais, 16 Inspecções-Gerais, 31 Órgãos Consultivos, 350 Órgãos Independentes (tribunais e afins), 17 Secretarias-Gerais, 17 Serviços de Apoio, 2 Gabinetes dos Representantes da República nas regiões autónomas, e ainda 308 Câmaras Municipais, 4260 Juntas de Freguesias. Há ainda as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, e as Comunidades Inter-Municipais;
23) Nos últimos anos, nada foi feito para cortar neste Estado omnipresente e despesista, embora já se cortaram salários, já se subiram impostos, já se reduziram pensões e já se impuseram vários
pacotes de austeridade aos portugueses. O Estado tem ficado imune à austeridade;
Isto não é política. São factos. Factos que andámos a negar durante anos até chegarmos a esta lamentável situação. Ora, se tomarmos em linha de conta estes factos, interessa perguntar: como é que foi possível chegar a esta situação? O que é que aconteceu entre 1995 e 2011 para termos passado termos de "bom aluno" da UE a um exemplo que toda a gente quer evitar? O que é que ocorreu entre 1995 e 2011 para termos transformado tanto o nosso país? Quem conduziu o país quase à insolvência? Quem nada fez para contrariar o excessivo endividamento do país? Quem contribuiu de sobremaneira para o mesmo endividamento com obras públicas de rentabilidade muito duvidosa? Quem fomentou o endividamento com um despesismo atroz? Quem tentou (e tenta) encobrir a triste realidade económica do país com manobras de propaganda e com manipulações de factos? As respostas a questas questões são fáceis de dar, ou, pelo menos, deviam ser. Só não vê quem não quer mesmo ver.
A verdade é que estes factos são obviamente arrasadores e indesmentíveis. Factos irrefutáveis. Factos que, por isso, deviam ser repetidos até à exaustão até que todos nós nos consciencializássemos da gravidade da situação actual. Estes é que deviam ser os verdadeiros factos da campanha eleitoral. As distracções dos últimos dias só servem para desviar as atenções daquilo que é realmente importante.
Álvaro Santos Pereir
a
(Recebido por email) 

De "vitória" em "vitória"

A crer nalgumas notícias, o PS e Sócrates não fazem a coisa por menos, já se faz a festa e já se canta "vitória"!
Embora, como diria um tal de João Pinto, "prognósticos só no fim do jogo", será que os que gritaram "vitória" se estavam a referir à vitória que, no mesmo dia, Rui Pinto e Pedro Camacho, jornalistas da revista Visão, obtiveram em tribunal em acção interposta pelo líder do PS?
Recorde-se que vitórias, em tribunal, de alguém que ouse criticar o Senhor Primeiro-ministro não são propriamente novidade.
Vitória!? Alguma coisa aqui não bate certo...
Manuel Salgueiro

Terça-feira, 24 de Maio de 2011

Eu sou a autoridade suprema

Em tempos, o licenciado domingueiro José Sócrates apoucou o professor catedrático Francisco Louçã  com um  convincente "não tem currículo".
No dia 19 de Maio, José Sócrates reagiu azedo a uma intervenção de um empresário, não lhe reconhecendo "autoridade moral" para o criticar.
Desta vez, José Sócrates sentencia que Pedro Passos Coelho "não tem autoridade" para pedir o voto aos portugueses, postulando, na mais patética das arrogâncias, que os mesmos são propriedade sua.
Esquece, o tiranete Sócrates, que, em democracia, é a autoridade que vem dos votos e não os votos que vêm da autoridade, numa precedência que faz toda a diferença.
Sócrates parece ter-se investido a si próprio de uma autoridade suprema, que lhe virá, certamente, de um qualquer Altíssimo que ninguém enxerga, mas, na base da qual ainda o veremos, em desespero de causa, a reclamar o seu direito divino a perpetuar-se no poder.
Por quem vos achais, Senhor?!
Talvez, uma espécie de "Ai a Tola" (que parece começar a desregular).

A Escola pública e o Estado democrático

Mestres do oculto

Fonte: Jornal I
Fonte: Público
Já aludi, por diversas vezes, a este requentado truque de uma certa esquerda: quando a realidade não se adequa  às nossas teorias, aos nossos interesses, aos nossos caprichos ou aos nossos objectivos, então, ao invés de se reverem ou substituírem estes, esconde-se, oculta-se, mistifica-se ou aldraba-se a realidade.
Seria um sintoma de desmazelo ético-político e de negligenciação absoluta da auto-estima nacional, se os portugueses, no próximo dia 5 de Junho, legitimassem, pelo voto, este tipo de práticas e de protagonistas, para já não falar do resultado final catastrófico a que conduziram o país e que me sai do bolso, mês após mês.
Sobre as práticas de ocultação e os expedientes da desgovernação socrática já havia escrito, em 17 de Março, o que se segue:
"(...) eis que o Governo volta, outra vez, à carga (num jogo de intermitências entre o desespero e o êxtase), com dados de uma execução orçamental excepcional (que esconde, em termos de despesas, retenções artificiais e meramente temporárias de verbas - como o protelamento das substituições nas escolas) (...)."

Para quando o envio por fax, a partir de casa?

Fonte: Diário de Notícias
Se muitos se espantam e se perturbam com o perfil de questões de teste/exame, como o referenciado na notícia, então, experimentem conhecer a natureza do ensino e das provas que consubstanciam, mutatis mutandis, o enquadramento e a orientação que o socratismo imprimiu às Novas Oportunidades, e, decerto, ficarão estarrecidos com o embuste que a certificação aí praticada encerra.
Todavia, manda a boa-fé reconhecer que o relevante para o socratismo é a visão do ensino e da avaliação como uma espécie de terapia psicológica, ao serviço da promoção da felicidade pessoal que é susceptível de ser retirada da anulação do esforço e do sacrifício inerentes ao estudo.
E, neste particular, os efeitos são imediatos e escrutináveis (pela tal "auditoria externa" que já existe): este tipo de questões tem um impacto positivo na auto-estima dos nossos alunos, conferindo-lhes uma ilusão de competências, enquanto não são confrontados (isto já sou eu a alvitrar) com os níveis de exigência de muito ensino secundário regular, de alguns cursos universitários ou de um mercado de trabalho competitivo.

Derrogar a facilitação, enquanto padrão normativo da educação socrática, apenas se concretiza no acolhimento de dois pressupostos de partida, a saber: elevação do nível de exigência do ensino, canalizando os recursos materiais e humanos da escola para o apoio efectivo às aprendizagens e à real qualificação dos alunos (particularmente, dos que evidenciam maiores dificuldades e desmotivação); despolitizar/despartidarizar as entidades responsáveis pela elaboração dos instrumentos de avaliação e pela produção estatística do Ministério da Educação, credibilizando-as pela via da autonomia e da transparência.

São exactamente estas as propostas do PSD, pelo que me permito recordar a adequação e a seriedade das propostas, em matéria de avaliação de aprendizagens, que constam, respectivamente, no mais recente livro de Santana Castilho (2011) e no programa eleitoral do PSD para a Educação:
"Nenhum sistema sério diploma a ignorância como tem sido feito pelos dois últimos governos de Portugal. Esta é a questão e este é o conceito do tradicional chumbo: enquanto um cidadão não sabe o que está estipulado, o Estado sério não diz que ele sabe. As duas medidas propostas darão credibilidade ao sistema." (Castilho, 2011)
"Recuperar os exames nacionais sérios a todas as disciplinas no fim de todos os ciclos de estudos, segundo metodologias que garantam a comparabilidade dos resultados ao longo dos anos." (Castilho, 2011) 
"Criar uma entidade autónoma e independente das estruturas do Ministério da Educação, mas integrando serviços já existentes, exclusivamente dedicada à concepção e aplicação de todas as provas e exames nacionais, permitindo-se conferir estabilidade, autonomia técnica e funcional ao serviço de provas e exames nacionais, credibilizando estes instrumentos de avaliação." (Programa eleitoral do PSD)

Segunda-feira, 23 de Maio de 2011

Coisas de que o artista fala de cátedra

Fonte: Jornal I
Se Pedro Passos Coelho cumprir a promessa de "melhorar" o seu programa eleitoral para a Educação (e mesmo que o não fizesse - algo em que não quero acreditar, ainda assim o PSD ficaria a anos-luz da governação socrática, em matéria de ditadura), há uma constatação indiscutível e que desmente absolutamente Sócrates: nada no programa do PSD se iguala, ou sequer se aproxima, à ditadura protagonizada pela dupla Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues, certamente a mais feroz e a mais incompetente que alguma vez foi exercida sobre a escola pública e sobre os professores, em particular.
Os assessores de Sócrates tinham a obrigação de saber que, numa democracia adulta, o agitar de fantasmas e as técnicas de indução do medo, além de não resultarem eleitoralmente, não passam, isso sim, de sobrevivências da propaganda e das intoxicações ditatoriais, do tipo das que conceptualizavam os comunistas como seres abomináveis que "comiam criancinhas".

Varridos ou varrido?

Fonte: Público
No dia em que a sondagem da Intercampus vem confirmar a descolagem do PSD em relação ao PS, que, inusitadamente para alguns, se iniciou na semana em que Passos Coelho demonstrou humildade democrática (nos antípodas da arrogância medíocre de Sócrates) para "melhorar" o programa do PSD para a Educação e que a forma como o líder do PSD se impôs a Sócrates, no debate televisivo de sexta-feira, veio impulsionar decisivamente, eis que somos confrontados com estas declarações burlescas do Presidente do PS, Almeida Santos.
Se não foi o resultado de um qualquer epifenómeno atribuível ao calor que se fazia sentir na Guarda, o que não creio, então, Almeida Santos não podia ter sido mais premonitório do que espera Sócrates no pós 5 de Junho, ou seja, "varrido".
A não ser que Sócrates aceite fazer parte de um governo liderado por Pedro Passos Coelho!...

Um novo paradigma de governação – parte I

A confluência entre uma dinâmica de vitória saída do triunfo de Passos Coelho sobre Sócrates no debate de sexta-feira, uma tendência de descida do PS nas sondagens, uma expectativa de subida do Bloco de Esquerda e uma rejeição quase generalizada dos indecisos relativamente a uma hipótese de votação em Sócrates, permite-nos antecipar, com relativa segurança, o fim do ciclo político protagonizado por Sócrates e o ocaso de um modelo terceiro-mundista de governação, assente nas seguintes características:

- opção por um padrão de relacionamento com as instituições e os cidadãos, pautado pelo autoritarismo impositivo (mando por decreto) e pelo abandono da persuasão e da cooperação em prol da crispação e da conflitualidade;

- cultivo da opacidade e da sonegação de informação relativamente a concursos, contratualizações, parcerias e contas públicas, como o Tribunal de Contas, as Comissões da Assembleia da República ou outras especificamente constituídas têm denunciado;

- escolha de um modelo de comunicação política auto-referencial (“eu dei o meu melhor” ou “eu lutei sozinho”) e auto-reverencial, suportada no falso protagonismo e na imodéstia de um “one man show”;

- preocupação em preservar uma imagem mediática de infalibilidade em termos de actuação pessoal e de acção governativa, num tique historicamente típico da presunção e do culto da personalidade das elites da esquerda ortodoxa (bem sei que muita gente de esquerda dirá que Sócrates copiou o estilo, mas não o conteúdo das políticas), o que conduziu, inevitavelmente, a expedientes de ocultação, ilusionismo ou, mesmo, mentira acerca da realidade, que minaram qualquer réstia de confiança em Sócrates;

- promoção da arbitrariedade na avaliação e da facilitação na formação, com o facilitismo certificador a traduzir-se no logro dos mais pobres, desfavorecidos ou desqualificados face a qualquer possibilidade efectiva de competirem com os melhor preparados e, consequentemente, de concretizarem a desejável mobilidade social, pelo que a força de atracção faz-se, hoje, de cima para baixo e não de baixo para cima, de que o empobrecimento e as dificuldades crescentes, que a classe média enfrenta, constituem a manifestação mais impressiva;

- sufocação da sociedade e da economia, tornando-as dependentes de uma intervenção excessivamente intendente/discriminatória/chantagista do Estado.
(continua)

Domingo, 22 de Maio de 2011

Vai vir charters de estranjas

In Correio da Manhã (22-05-2011)
Por detrás das bandeiras, dos ângulos de filmagem, do recrutamento profissional e de algum exército de defensores de mordomias e de subsídios, parece que as acções de campanha do PS de Sócrates, no terreno, vão sendo um fiasco.
Progressivamente, os portugueses vão interiorizando que não será um acto muito inteligente apoiar ou aparecer publicamente associado ao político que governou sem ética, sem verdade e sem transparência, que mais atacou o estado social, que deixa o país a braços com um desemprego recorde, que actua num mundo de aparências e fantasias, que hostilizou gratuita e incompetentemente muitos grupos profissionais e, realidade indesmentível, cujas políticas aventureiras de endividamento conduziram o país para a pré-ruptura financeira e para a recessão.
Confrontados com a perda de confiança e com a desmobilização dos cidadãos nacionais, a máquina de campanha de Sócrates não hesita em instrumentalizar formandos das Novas Oportunidades ou, como a notícia em cima reporta, os "estranjas" (foi um deles que, numa reportagem televisiva, se apresentou com esta designação) que, além de nem sequer votarem, estão completamente a leste da fracassada governação de Sócrates e do que está em causa, nestas eleições.
À medida que a desmobilização e o desespero aumentarem, face à iminência da derrota, estou certo que, no decurso da campanha eleitoral, ainda "vai vir", todos os dias, charters de "estranjas", sejam eles indianos, paquistaneses, chineses, malaios, papuas da Nova Guiné ou outros, igualmente oriundos de terras longínquas e de mares distantes.
Pelo menos, façam o favor de serem gratos e à refeição vejam se é possível desenrascar-lhes uma qualquer certificação, no âmbito das Novas Oportunidades, porque experiência de vida não lhes faltará! (e isto digo-o, preservando sempre o respeito pela vida difícil, sofrida e, quantas vezes, explorada, de muitas destas pessoas).

Sábado, 21 de Maio de 2011

Sócrates confiante, tens no JN a tua gente

Notícia de 1ª página do JN (21-05-2011)
Se mesmo no domínio do comentário opinativo, a esmagadora maioria tendeu a sublinhar que Passos Coelho esteve melhor do que Sócrates, ganhando claramente o debate, ninguém compreende que o Jornal de Notícias traga para a sua primeira página, não uma notícia, mas uma safada falsificação da realidade, porque nem Emídio Rangel, na RTPN, se atreveu a tanto.
O desespero não é bom conselheiro e, no jornalismo, é condição para destruir a credibilidade de um órgão de informação, por mais confessional que se queira assumir.
Como noticiará a direcção do Jornal de Notícias a sondagem que deu os resultados a seguir expostos?

Eu às cerejas e Sócrates aos papéis


O título do post condensa a minha leitura idiossincrática do dia de ontem, correspondendo a duas realidades de desejo, mesmo que em planos de natureza, relevância e intensidade diversos, que, casuisticamente, confluíram, a saber: uma espera anual pelo primeiro reencontro com as cerejas, uma das minhas frutas preferidas, desde a meninice; uma espera de seis anos para ver Sócrates derrotado e, definitivamente, afastado da governação do país, considerando que o debate de ontem marcou o princípio do fim político de Sócrates.
Depois de uma manhã de aulas, dediquei o período da tarde à revisitação das minhas raízes campestres e à apanha de cerejas, que as fotos documentam. Lamento que as limitações da tecnologia e os constrangimentos da matéria e da ciência físico-química não permitam a partilha virtual destas delícias naturais e da luxúria dos seus sabores.

Ao início da noite, consumou-se um episódio decisivo para o futuro do país, com Sócrates a ser impiedosamente esmagado por um Pedro Passos Coelho seguro, preparado e incisivo, que apenas surpreendeu quem não conhece o seu perfil de seriedade ou não acompanhou a exigência que colocou na selecção dos melhores para a substantivação dos diagnósticos da situação política actual e do seu programa de governo.
É caso para dizer que se eu passei a tarde a apanhar cerejas, Sócrates passou a noite a "apanhar papéis".
Sem qualquer outro testamento relevante para legar, que não um Estado pré-falido e a única economia europeia em recessão, Sócrates cometeu, no debate de ontem, três erros básicos:

- quiçá, interiormente, desencantado com os resultados da sua própria governação (foram notórias expressões faciais de resignação e de amargura com a sua conduta governativa contra-atitudinal), procurou imprimir uma orientação ao debate que se revelaria fatal, ao incarnar o papel de uma espécie de líder da oposição à oposição, assumindo-se como escarafunchador de declarações ou posições passadas de Passos Coelho, ainda por cima com uma insistência despropositada (como se aquele que mais perde no terreno do escrutínio entre o que se afirmou e o que se veio a fazer ou a defender depois, não fosse o próprio Sócrates), ao mesmo tempo que, assim, impossibilitava a avaliação, quer dos seus erros nucleares de governação, na forma como, por razões eleitoralistas, chegou atrasado ao reconhecimento da crise, se precipitou a sair dela a destempo e foi incapaz de perceber o momento certo para recorrer à ajuda externa, quer das suas (inexistentes) propostas concretas para o futuro. Com esta estratégia, Sócrates contribuiu para a legitimação do protagonismo e da centralidade de Passos Coelho e do seu programa político;

- inusitadamente, Sócrates não ensaiou nenhum balanço, nem real, nem fantasiado, da sua acção governativa. Descrente ou receoso do contra-ataque de Passos Coelho, ninguém ouviu a Sócrates o play da cassete do inglês no 1º ciclo, das Novas Oportunidades, da reabilitação das escolas ou das ventoinhas. Conhecedor da robustez das análises de Santana Castilho e da circunstância de o mesmo ter assessorado Passos Coelho e o PSD em matéria de Educação, Sócrates amedrontou-se com a possibilidade de poder estar a desencadear um confronto com as opacidades, os embustes e as mediocridades que se escondem por detrás das fachadas da propaganda (porque o anúncio comicieiro de realizações, sem contraditório, é outra loiça).  Apesar da bondade de algumas ideias de partida da sua governação, tudo Sócrates desbaratou em obediência a uma lógica de imposição crispada, de imediatismo, de propaganda e, sobretudo, de injustificada vaidade e promoção pessoal;

- se é verdade que Sócrates se furtou à avaliação da sua responsabilidade na governação, também é consensual que não teve a coragem suficiente para, num contexto de extremas dificuldades, avançar com nenhuma medida concreta para futuro, confirmando que não tem estatura de estadista, pois não é da sua natureza apresentar medidas difíceis, preferindo sempre ir a reboque das circunstâncias, como táctica de salvaguarda da sua responsabilidade política.

Ao contrário da motivação que me leva, ano após ano, à apanha das cerejas, Sócrates mostrou-se, ontem, um líder esvaziado e perdido, sem âncoras a sustentá-lo no passado e incapaz de carrear qualquer esperança confiável para o futuro, limitando-se a ver incoerências apenas nos outros e a repetir fantasias contrafactuais a propósito dos fundamentos da actual crise política, já desmentidas pelos membros da Troika, pelo Banco de Portugal, por Mário Soares ou pelos seus ex-ministros de Estado, Freitas do Amaral e Campos e Cunha, entre outros.
Sócrates acaba prisioneiro de uma retórica vazia, gasta, desacreditada e desmobilizadora.

Sexta-feira, 20 de Maio de 2011

Uma Nobre surpresa

Fernando Nobre, que já admirava no domínio da cidadania e do serviço aos mais desvalidos e sofredores em todo o mundo, acaba, na TVI24, de dar uma banhada a Ferro Rodrigues de combatividade política, de preparação, de ideias claras e de uma argumentação robusta.
Ferro Rodrigues limitou-se a repetir um conjunto de medidas avulsas que as assessorias de Sócrates lhe devem ter disponibilizado, mas que ele debitou sem grande convicção e no desconhecimento dos problemas e dos incumprimentos que as mesmas experimentam no terreno.
Sobre as Novas Oportunidades a realidade é absolutamente cristalina: além de se limitarem a certificar as competências que as pessoas já possuem, não acrescentando conhecimentos e competências novas (nada mudando na prática, além de conferirem uma expectativa ilusória de qualificação - e daí uma auto-estima inicial positiva, mas que, à medida que o certificado não gera resultados, regride e pode tornar a pessoa depressiva), as Novas Oportunidades não qualificam, nem formam, com a exigência que os mercados e a prossecução de estudos reclamam, como bem sublinhou Fernando Nobre.

Quinta-feira, 19 de Maio de 2011

Que ninguém se atreva a criticar-me, por favor!


Se ao episódio reportado no vídeo acrescentarmos a inclinação habitual de Sócrates para não reconhecer erros de governação e para não assumir culpas ou responsabilidades pessoais, preferindo sublinhar que "dá sempre o seu melhor" e optando por incorrer em atribuições externas para explicar os fracassos e em atribuições internas de mérito para enquadrar os sucessos (processo que a psicologia social designa por "erro fundamental de atribuição"), formato em que Sócrates é reincidente na generalidade das suas intervenções públicas, ficamos a compreender melhor o fenómeno de inactivação das críticas, no seio do governo, que permitiram a Sócrates tomar decisões desastrosas para o interesse nacional e conduzir o país a uma situação catastrófica, do ponto de vista financeiro, económico e social.

O temperamento, a estrutura de personalidade e o estilo atribucional de Sócrates imprimiram à condução da governação uma imunização à crítica e à manifestação interna de oposições ou divergências, com as asneiras e as consequências negativas que estão à vista de todos, nos diversos domínios da governação.
Este tipo de liderança, desvalorizadora da crítica (desprezando-a, em absoluto) e refém de uma convicção pessoal de infalibilidade, tende a induzir, naqueles que se reúnem com Sócrates, um fenómeno que a psicologia social e a dinâmica de grupos têm explorado, a partir do conceito de "groupthink" proposto por Janis (1972, 1982) e traduzido por "pensamento grupal", como estando na origem de tomadas de posição desastrosas, apesar da inteligência e da experiência dos indivíduos envolvidos nas mesmas.

Sem querer parecer académico, referencio as principais características deste "pensamento grupal" que nos podem ajudar a perceber a natureza da governação socrática, no relativo à inibição dos colaboradores de Sócrates para lhe assinalarem falhas e erros, numa perspectiva crítica e de maior racionalidade.

1. O que é o "pensamento grupal"?
“Modo de pensamento que afecta os indivíduos que se encontram profundamente envolvidos num grupo coeso e, particularmente, quando os membros lutam por obter a unanimidade anulando a sua motivação para procederem a avaliações realistas de outros rumos de acção alternativos.” (Janis, 1982, p. 9).

2. Sintomas de "pensamento grupal"
- Ilusões de invulnerabilidade e de unanimidade aparente entre todos.
- Racionalização colectiva e minimização de avisos e de críticas.
- Crença acrítica na moralidade do grupo e tendência para ignorar as consequências éticas e morais de decisões tomadas.
- Percepção estereotipada do exogrupo (os outros), categorizando os adversários como incompetentes ou pouco exigentes.
- Pressão sobre dissidentes ou membros do grupo que argumentam contra as concepções do líder, promovendo a auto-censura.
- Barreiras mentais (“guardiões da mente”) contra informações ou argumentos adversos.
- Deficientes estratégias de tomada de decisão.

3. Causas do "pensamento grupal"
- Coesão: limitação da dissidência e receio de ostracização.
- Isolamento: fechamento dos membros sobre si próprios.
- Liderança: procedimentos rígidos; controlo sobre os membros.
- Stress da decisão: tácticas pessoais de redução do stress.

4. Prevenção do "pensamento grupal"
- Limitar a busca prematura de consenso: liderança aberta; fazer de “advogado do diabo”; constituir subgrupos de discussão.
- Corrigir erros e falsas percepções: planos de contingência; admitir a inadequação e a ignorância pessoal; verificação independente.
- Recorrer a decisões técnicas eficazes: consideração de todas as alternativas; consulta a especialistas externos; revisão meticulosa de todos os passos.

Depois disto, há alguém, de boa fé, que considere viável e eficiente constituir-se uma qualquer coligação ou entendimento governativo com Sócrates? Não o creio.

Para uma iniciação ao estudo destes processos, nada como começar pelo livro clássico e inaugural de Janis, que pode ser adquirido aqui.

Não é só com as Novas Oportunidades...

A crer na notícia, durante uma conferência o senhor Primeiro-ministro ter-se-á irritado com um empresário. Tudo porque o referido empresário, e citando, terá dito a Sócrates algo como "os seus actos não reflectem as suas palavras" e "nos últimos seis anos o país perdeu sistematicamente competitividade", o que levou à reacção (compreensível, afinal quem não se sentiria, no mínimo, ofendido?) já referida. E com toda a razão! Isso lá são afirmações que se façam a quem, e novamente citando, faz o seu "melhor" para que "as palavras correspondam aos actos". Nem mais! Só não se entende e até se lamenta a falta de exemplos (resultados brilhantes) de quem dá o seu melhor: números do desemprego e a dívida pública, para não se ir mais longe, que exemplos é coisa que não falta!
E o senhor empresário que se dê por feliz atendendo ao que já se viu; que o digam, por exemplo, Louçã ou quem quer que seja que ouse desafiar o PS. Não há mesmo nada que enganar: Quem se meter com o PS, leva!
Manuel Salgueiro

Ainda é necessário fazer o desenho?

Banco de Portugal: Ajuda externa era inevitável

Depois dos elementos da troika terem sido taxativos relativamente à insuficiência do PEC4 para responder às necessidades do país e à denúncia do erro estratégico que constituiu o protelamento do pedido de ajuda externa.
Depois da realidade ter mostrado, tanto uma execução orçamental incompetente ao longo de 2010, como uma recessão económica anterior e independente do pretenso milagre salvífico que seria o PEC4, para não referenciar o irresponsável esvaziamento dos cofres do Estado ou o quase comprometimento da solvabilidade dos Bancos, no esforço aventureiro de acudirem à dívida pública.
Depois de vários economistas terem empreendido a arqueologia dos problemas e das decisões que nos trouxeram à pré-ruptura financeira e à imposição de sacrifícios brutais aos portugueses, mostrando a intransferível responsabilidade de Sócrates neste desastre.
Eis que o Banco de Portugal vem dar a estocada fatal na argumentação desresponsabilizante de Sócrates, anulando de vez o chumbo do PEC4 e a postura dos partidos da oposição como factores responsáveis pela humilhação do pedido de ajuda externa, claramente uma façanha imputável à governação socrática.
Não querer ver o óbvio já não é cegueira, é estupidez!

Quem se mete com o programão das Novas Oportunidades, leva!

In Correio da Manhã, 19-05-2011
De acordo com a notícia do CM, o "leva" parece adquirir, aqui, um conteúdo realmente literal.
E, nesta peça, existem quatro dimensões profundamente lamentáveis, mesmo sem considerar a possibilidade de ter ocorrido a violação da lei a que a notícia faz menção.
Refiro-me ao seguinte:
- a triste confirmação do impulso para confinar a mero comissariado partidário o desempenho de cargos de estruturas do Estado, como é o caso da Agência Nacional de Qualificação, quando a natureza desta agência e a preservação da sua reputação pública recomendavam a opção por pessoas reconhecidamente independentes e isentas;
- a promiscuidade entre um programa governamental e as encenações partidárias que, em desespero, procuram credibilizar uma realidade que se tornou, por força da baixa exigência e do instinto propagandístico que conforma as políticas socráticas, mais uma palhaçada, à semelhança do que ocorreu com a avaliação dos professores. Os alunos e os formandos, sejam eles quem forem, não devem prestar-se a este tipo de instrumentalização, expondo-se como uma espécie de exército partidário ao serviço de um eleitoralismo oportunista;
- o recurso, por parte de Sócrates, a esta descarada promiscuidade e instrumentalização acaba a hipotecar e a desacreditar, ainda mais, a reputação de instituições e de projectos que se deviam limitar a prosseguir fins de real qualificação das pessoas, sem quaisquer outras motivações ou finalidades;
- já não é a primeira vez que apoiantes socialistas procuram abafar protestos e hostilizar fisicamente os autores do mesmo, o que devia merecer uma condenação pública, imediata e sem reservas, da parte dos dirigentes socialistas relativamente a este tipo de boçalidade e de expedientes anti-democráticos. Quando alguns socialistas vêm pregar a outros a contenção verbal, que eles próprios não praticam, talvez fosse de bom senso começarem por exigir, intramuros, a prática da contenção física, ainda antes da contenção verbal.

Foi exactamente a apropriação das Novas Oportunidades pela propaganda socrática que desvirtuou a concretização deste programa e lhe arruinou, ab initio, qualquer possibilidade de lhe ser imprimida uma orientação séria e qualificante, que, definitivamente, o programa não tem.

Meter água por todos os lados

Como se já não bastassem a irresponsabilidade da pré-ruptura financeira a que Sócrates deixou chegar as contas do país, a humilhação consubstanciada no pedido de ajuda externa e as inépcias várias que os portugueses mais atentos foram constatando e denunciando no decurso da governação, eis que as últimas notícias prefiguram autênticos rombos na credibilidade e na, já de si, escassa competência governativa de Sócrates.
Limito-me a destacar as três seguintes:

Desemprego: pouco mais de metade da taxa de desemprego agora atingida constituiu motivo para a algazarra retórica de Sócrates, quando era oposição, vociferando do cimo da sua arrogância que a mesma era a prova insofismável da “marca de uma governação falhada” (reportando-se a uma governação de escassos meses de Santana Lopes). Qualquer político sério e consciente, uma vez confrontado com uma taxa de desemprego jovem de 28% ao fim de seis anos de governação, pediria desculpas públicas ao país pelo seu fracasso e ia para casa, rendido à lucidez da percepção da sua incompetência política.

Novas Oportunidades: obviamente, nunca ocorreu nenhuma avaliação (Sócrates tem horror à avaliação independente, informada e extensiva das suas políticas) da qualidade da formação ministrada e da gestão política e financeira empreendida no programa das Novas Oportunidades, não restando dúvidas que, por razões propagandísticas e de convicção socrática, se desbaratou uma oportunidade histórica para acrescentar efectiva qualificação a um contingente significativo de portugueses.

Demagogia das privatizações: a revelação da predisposição de Sócrates para privatizar as Águas de Portugal, aquando da sua passagem, no ano de 2000, pelo ministério do Ambiente, em flagrante contradição com a reacção (fingidamente) escandalizada a essa mesma intencionalidade agora manifestada pelo PSD, é apenas mais um exemplo da sofística socrática e da desfaçatez com que se é capaz de defender e/ou atacar o mesmo e o seu contrário, com igual convencimento e em função das circunstâncias e dos actores. Prova-se, mais uma vez, que a credibilidade e a coerência de Sócrates metem água por todos os lados, confirmando-se que este primeiro-ministro demissionário é a personificação da desconfiança e da compulsão para dizer e desdizer quase tudo.

Preferência por comida instantânea e rasca


Manuel Maria Carrilho coloca a problemática das Novas Oportunidades no plano de análise adequado, ao estabelecer a distinção entre certificação quase instantânea e facilitista de competências (que, em muitas situações em que ocorreram encomendas do PowerPoint, se limitou, de facto, a certificar (in)competências e ignorância), algo em que Sócrates é uma autoridade pessoal e fala de cátedra, e qualificação efectiva, o que pressupõe incorporação de conhecimento e aquisição/desenvolvimento de novas competências, ou seja, tudo o que não se verifica no programa Novas Oportunidades.
Mas, Carrilho não se limita a afirmar que as Novas Oportunidades constituem o triunfo do facilitismo, em toda a linha, como sublinha aquilo que muitos de nós denunciámos há muito: a forma, quase corsária, como o "Magalhães" foi introduzido no sistema escolar tornou-o um bloqueador de aprendizagens.
Se a isto acrescentarmos o subdesenvolvimento do Plano Tecnológico e, sobretudo, os actos falhados da divisão da carreira dos professores, do estatuto do aluno e da mesma ausência de seriedade, de rigor e de transparência que enforma a farsa da avaliação dos professores, não restam dúvidas do absoluto e dramático falhanço de Sócrates, em matéria de Educação.
Ora, isto não são, propriamente, boas notícias para os "Canavarros" do PSD.
Para aproveitar a metáfora de Carrilho, direi que, além de muitos ingredientes de fraca qualidade, a cozinha socrática, no âmbito da Educação, teve tanto de arrogante, como de incompetente, originando uma carta de alimentos realmente empestáveis.
E vamos aguardar se as auditorias às Novas Oportunidades e à Parque Escolar não serão susceptíveis de poder vir a revelar surpreendentes microorganismos (quiçá, fecais).

Quarta-feira, 18 de Maio de 2011

O caneco é nosso

O SC Braga foi uma grande equipa, mas o FC Porto é imbatível e a Liga Europa já cá mora!
Parabéns ao FC Porto e venha o Barcelona, em Setembro!

Podia ser pior

A crer na notícia, e citando, "a taxa de desemprego em Portugal atingiu um novo máximo histórico de 12,4 por cento da população activa no primeiro trimestre do ano"! De facto, os números do desemprego da Nação assemelham-se, mais coisa menos coisa, às contas do défice: sempre a subir. E até na justificação de números tão honrosos pelo (des)governo a coisa se repete: alteração da metodologia. De facto, um mal nunca vem só: já não basta o mundo que muda demasiado depressa, há também as metodologias que também sofrem do mesmo mal! Não fosse a metodologia e ainda se arranjava uma taxa de desemprego abaixo de zero!
Não há, no entanto, motivos para alarme, até porque os mais avisados já haviam previsto a novidade: tudo dentro das "expectativas" e, em tempos não muito longínquos, os números até derrotavam as previsões dos mais "pessimistas". Afinal de contas, basta esperar um pouco mais para que a recuperação económica tenha "efeitos no emprego". E há ainda exemplos de sucesso, dignos de "case studies" e que contrariam este mal tão genuíno de dizer mal de tudo e de todos!!!
Resumido e parafraseando alguém, está visto que os números vão piorar. E um dia certamente hão-de melhorar!
Manuel Salgueiro

Uma reacção absolutamente demolidora


Reagindo desta forma, o PSD mostra trabalho, rigor e consistência num domínio em que, tradicionalmente, evidenciava impreparação, dubiedade e hesitação.
Se Pedro Duarte já havia estado muito bem na fundamentação da posição do PSD a propósito da revogação do modelo de avaliação, nesta intervenção foi arrasador e destroçou a argumentação falaciosa utilizada por Vieira da Silva.
Mais logo, deixarei algumas dicas para a subsidiação de um ataque fundamentado a Sócrates, no debate de sexta-feira, em matéria de Novas Oportunidades.

Que o PSD nos livre disto

A circunstância de Pedro Passos Coelho ter lançado na pré-campanha eleitoral a fraude educacional (nas suas vertentes pedagógica, didáctica e científica) e a instrumentalização propagandística a que uma parte substantiva das Novas Oportunidades foi reduzida, fazendo-o com um acerto e com uma consistência inabitual no PSD (a que Pedro Duarte emprestou uma argumentação demolidora, como mostrarei em próximo post ), constitui, do meu ponto de vista, um excelente indício de um afastamento do Presidente do PSD relativamente à tendência corporizada em José Manuel Canavarro e no que ele representa de linha de continuidade com as desastradas políticas de Sócrates e, especificamente, de Maria de Lurdes Rodrigues.

A forma como José Manuel Canavarro elogiou a liberalidade da distribuição, sem qualquer enquadramento e aproveitamento pedagógico baseado nas escolas, dos "Magalhães" (que uso é feito, em contexto escolar, destes computadores e quantos estão operacionais? - pois, ninguém sabe) e como, no vídeo em baixo, se refere à avaliação das Novas Oportunidades, distribuindo classificações de "A" sem preocupações de rigor de análise ou invocando teorias da psicologia a despropósito, não deixam dúvidas sobre o seu alinhamento político, em matéria de Educação, com o qual o PSD deve cortar em absoluto.

É por demais evidente que os eixos fundamentais do programa Novas Oportunidades nunca foram objecto de qualquer avaliação ou auditoria séria, nomeadamente, no que reporta à qualidade do ensino ministrado e ao rigor da avaliação/certificação implementada, à relação entre custos/investimentos e benefícios/resultados, bem como ao reconhecimento de competências pelo mercado e à consequente empregabilidade gerada.

Terça-feira, 17 de Maio de 2011

Só 500 000?

A propósito dessa pérola da (des)Educação da Nação que dá pelo nome de "Novas Oportunidades" (NO), verdadeira revolução educacional e provavelmente o grande trunfo que nos vai tirar da crise, do desemprego e fazer com que o mundo comece a andar / mudar mais lentamente, insurgiu-se o Senhor Primeiro-ministro pelo facto de alguém ter afirmado a dita pérola ter servido para distribuir diplomas "a granel" a troco de votos!
Acusa Sócrates, e com toda a razão, de alguém ter insultado algo como 500 000 (quinhentos mil) frequentadores das ditas NO! E provavelmente de uma só vez, o que não deixa de ser obra! Como toda a gente sabe (basta ver, por exemplo, aqui ou aqui), seriedade é coisa que não falta nas NO. Só porque, por exemplo, os trabalhos são "com qualidade e a baixo preço" e às claras (contactos e localizações bem indicados), sem trafulhices nem truques, a coisa já não presta? Afinal, anda o povo sempre a queixar-se contra a falta de qualidade, da exorbitância dos preços ou da falta de transparência com que as coisas são feitas e, quando alguém mostra ao mundo como se faz, é o costume: Basicamente inveja e dor de alguma articulação do antebraço com o braço!
Como a coisa deve ser feita com seriedade e os pontos colocados nos devidos lugares (por exemplo, nos "j") e, ainda, a bem da verdade, quem falou em 500 000 deveria também pensar nalguns certificados estranhos passados em dias também estranhos a muito boa gente que percebe verdadeiramente de Educação! Então sim, Sócrates teria toda a razão: não devem ser mesmo 500 000!!!
Manuel Salgueiro

Porque também é isto que vai estar em causa nas eleições de 5 de Junho

Fonte: Jornal I
Já o escrevi inúmeras vezes: este modelo de avaliação dos professores nasceu monstruosamente torto, contou com uma rejeição sistemática e duradoura (já lá vão 4 anos de resistência) da parte dos professores, nunca se credibilizou, mau grado sucessivos enxertos decorrentes da pressão exercida pelos professores, tendo, hoje, uma intransponível má reputação, na forma de farsa, falta de seriedade, arbitrariedade, parcialidade, opacidade, injustiça, suspeição e degradação grave dos climas relacionais e da cooperação.
Para os professores, trata-se de banirem, definitivamente, das escolas um modelo de avaliação disfuncional e conflitual, que é tão sério e rigoroso ao ponto de qualquer um ver reconhecido o seu dom natural para avaliar qualquer outro, sem se cuidar, nem da formação, nem do reconhecimento da autoridade, nem do controlo do favorecimento ou hetero-favorecimento entre colegas ou amigos, nem, sequer, dos conflitos de interesses.
Por conseguinte, torna-se imperativo que os professores e as suas famílias dêem um contributo decisivo para derrotar Sócrates, nas eleições legislativas do dia 5 de Junho.

Jumentice que (também) faz escola

Lendo-se posts como este e respectivos comentários que o acolitam, parecem restar poucas dúvidas que estamos perante um alfobre de socretinos, a que não falta o jumento, o palheiro, a manjedoura, os fardos e tudo o mais que sirva para "zurrar" hossanas ao primeiro-ministro e aos governos mais incompetentes e irresponsáveis da história da democracia portuguesa.
Nunca um espaço blogosférico parece ter feito tanta justiça ao nome, às palas, às rédeas e restantes arreios que o encabeçam.

Obviamente que não vale a pena perder tempo a querer-se demonstrar a impreparação, o amadorismo e as trapalhadas dos governos de Sócrates (porque de facadas sucessivas nos seus programas eleitorais, é melhor nem falarmos), uma vez conhecida a teimosia "asinina" para ser contrariada, mas, até o menos certificado dos jumentos reconhecerá que relativamente à Educação prevaleceu a afronta gratuita, a crispação permanente, a farsa, a manipulação estatística, a fachada, a falta de transparência (veja-se a Parque Escolar), a propaganda, as visitas furtivas às escolas (de preferência aos fins-de-semana, sem alunos e professores por perto), os tiques controleiros pela via de uma disenteria legislativa e os sucessivos actos falhados e forçados a correcção (desde os titulares, o modelo demencialmente complex da avaliação dos professores, o estatuto do aluno, etc. - para me restringir apenas à educação e não ter que me aventurar pela OTA e outros dossiers igualmente bem preparados).

E não acham estranho que Sócrates tenha vindo a silenciar, no seu manhoso (porque esconde mais do que mostra) balanço governativo, o “desígnio nacional” que era a avaliação dos professores ou a revolucionária ferramenta “Magalhães” que era o prenúncio de um admirável mundo novo nas escolas (mas que ninguém sabe ou param e que uso actual (não) têm) ou as academias TIC ou os Planos Tecnológicos incumpridos ou as Novas Oportunidades escandalosamente certificadoras da ignorância, apenas para referenciar algumas das bandeiras mais emblemáticas e que acabaram irremediavelmente mais esfarrapadas e em descrédito?

Sobre a totalidade da herança governativa socrática, bem pode o auditório "asinino" limpar as mãos à parede da loja!...

Estás gorda, despesista e saloia

A propósito do vídeo em baixo, e tendo em conta que Sócrates tem referenciado, na pré-campanha, a requalificação das escolas, é conveniente que se discuta a opção errada e opaca pelo instrumento para a concretização dessa requalificação, ou seja, a entidade pública empresarial, “Parque Escolar, EPE”, criada pelo Decreto-Lei n.o 41/2007, de 21 de Fevereiro.
Tenho a expectativa que, no debate com Sócrates, Pedro Passos Coelho disponha da oportunidade e da informação que lhe permita desmistificar o argumentário socrático de reduzir as críticas mais do que legítimas à solução encontrada para a reabilitação das escolas à fantasia de um credo ou profissão de "desinvestimento na educação e, consequentemente, a uma opção pela ignorância".

Mesmo confiando que Pedro Passos Coelho não descurará a sua preparação, também neste âmbito, não me inibo de deixar aqui alguns flancos para contra-ataque àquilo que a Parque Escolar representa:

- um estatuto habilidoso e híbrido de "entidade pública empresarial", simultaneamente dependendo da almofada do Estado, mas não se sujeitando às regras do escrutínio do mesmo e beneficiando de uma panóplia de facilidades e de privilégios mais ou menos discricionários, além de corresponder a uma estratégia de desorçamentação de milhares de milhões de euros (5ª empresa pública mais endividada);

- a ausência de concursos públicos, em clara violação da lei, numa opção por ajustes directos de milhões, geradores de falta de transparência e de suspeitas de promiscuidades entre o Estado e as empresas privadas;

- a existência de intervenções injustificadas em escolas que haviam sido objecto de requalificações recentes ou que se encontravam em boas condições;

- uma mescla de recurso a materiais faustosos com aplicações apressadas e desleixadas, conforme a imprensa tem relatado;

- um duro golpe na autonomia das escolas, na sua dupla vertente financeira, impondo rendas incomportáveis às escolas, e de gestão, privando as direcções das escolas, admito que numa colaboração de proximidade com as autarquias, de gerirem os espaços físicos;

- as opções energéticas, em termos de ar condicionado e de ventilação mecânica, não são as mais eficientes e modernas, acarretando uma triplicação dos consumos, como se comprova no vídeo (uma factura que as escolas não conseguirão suportar);

- tendo em conta que existe a possibilidade de privatização futura, como forma de ter que se fazer face a encargos de milhares de milhões de euros, está aberta a alienação de relevante e identitário património do Estado a privados.

Se, entre nós, houvesse jornalismo de investigação a sério que procurasse escrutinar a aplicação dos dinheiros do Estado, examinando decisões, projectos e suas concretizações, talvez se estivesse, agora, no terreno, a procurar investigar se existem impactos, tanto em termos de eventuais pedidos de indemnização como de implicações na qualidade dos materiais a aplicar, mercê de uma pretensa decisão de cortar 10% nas obras já em construção.

Por tudo isto, considero da maior relevância, a proposta de Santana Castilho (2011, p. 70) de se "Auditar a actividade da “Parque Escolar, Empresa Pública”, reavaliar o programa de requalificação das escolas em curso e reformar o quadro de operação e gestão da empresa.".


Castilho, S. (2011). O ensino passado a limpo - um sistema de ensino para Portugal e para os portugueses. Porto Editora.

Segunda-feira, 16 de Maio de 2011

Uma resposta e um desafio de Santana Castilho à altura da sua coragem, seriedade e competência


Reacções do Professor Santana Castilho, na sequência de "postas" precipitadas, levianas e injustificadas do Professor Matias Alves: esta e esta.
É chegado o tempo de aqueles que verbalizam papaias de circunstância, que se escudam em ameaças/proscrições, que vociferam mentirolas ou que aparentam falar de cátedra sobre textos ou realidades que ignoram, ganharem frontalidade e convicção para se predisporem a debater publicamente, com aqueles que criticam ou de que divergem, as suas ideias e pontos de vista, porque a essência de uma democracia madura deve sustentar-se na disponibilização total para defender as suas concepções e opiniões em espaços de exercitação do contraditório.
Mais uma vez se confirma o quanto o país necessita, na pasta governativa da Educação, de um homem que não se acobarda, que não leva desaforos ou insídias para casa e que não se furta ao debate e à defesa pública das suas ideias.
Os membros das comunidades educativas, mas também as bases do PSD, estão fartos de intelectualóides com carreiras e presunções ensimesmadas ao ensino universitário, mas que desconhecem os problemas, os constrangimentos, as dinâmicas e as necessidades dos ensinos básico e secundário, estruturando as suas concepções, que no terreno vão falindo umas atrás de outras, no pressuposto de uma desconfiança básica relativamente aos professores destes níveis de ensino, por sinal, muitos tão habilitados como eles.
Espero que aceitem o repto do Professor Santana Castilho, oriundo de alguém que nunca se deixou confinar ao pavoneamento das auréolas e baluartes universitários e que sempre procurou manter o contacto com o terreno e conhecer, como ninguém, as realidades, os problemas e as melhores soluções para a Educação, em Portugal.

Tomo a liberdade de me tornar subscritor desta carta do Luís Costa

Daqui
Subscrevo, palavra por palavra, esta carta saída da magnífica arte epistolar do nosso poeta e escritor (e colega e amigo) Luís Costa.

Mais um episódio da série "os preparados nunca recuam"

Entre o reconhecimento de falhas e a predisposição bem-intencionada para as corrigir ou a persistência na cegueira e na obstinação crispada, ainda parece haver masoquistas a preferir a segunda.
Neste vídeo, fica bem patente esse maniqueísmo, que vem fazendo escola, entre a infalibilidade dos "preparados" e os professores, esses ignorantes que falavam do que não sabiam.

Domingo, 15 de Maio de 2011

Gente muitíssimo bem preparada

Agora, imaginem onde estaria o défice externo do país e quem repararia esse erro colossal que era ter construído um aeroporto internacional na OTA!
Da mesma forma que os estádios megalómanos de Aveiro, de Leiria e do Algarve estão sempre a abarrotar de gente e despoletaram o desenvolvimento urbano que Sócrates, em tempos, vaticinou, também o aeroporto da Portela já há muito esgotou a sua capacidade de responder às necessidades da aviação, vivendo-se, ali, um caos diário.
Sócrates está sempre preparado e bem documentado para justificar o aventureirismo e a asneira!


O impreparado sou eu


E não estamos a falar de propostas eleitorais, susceptíveis de deverem ser melhoradas e corrigidas a partir do reconhecimento de erros ou de falhas (isto é que é grandeza de carácter e gera confiança, ao invés da persistência autista nos erros), mas, antes, de medidas governamentais com incidências dramáticas na vida das pessoas, confirmando-se a propensão de Sócrates para, perante medidas difíceis, lhe faltar a postura e a coragem para as assumir.
Ou será que Sócrates desconhecia a medida reportada no vídeo, como parece não ter lido o documento que assinou com a Troika, nos pontos, entre muitos outros, que respeitam à "grande redução" da taxa social única ou à privatização de partes da CGD?

Não há remédio para as dores de incómodo?

Eleição após eleição, já se percebeu que o maior adversário do PSD, por motivações individuais ou de facção, é o próprio PSD.
Uns porque alimentam protagonismos e vaidades pessoais, mesmo que a diferentes escalas, outros por impulso revanchista, outros por estratégias sucessórias, outros a despeito de terem sido postergados ou secundarizados e, alguns, ainda, incomodados com o facto de ninguém, dentro do partido, ter notado a sua existência e a dos seus currículos, por mais que tivessem "trabalhado" para tal desiderato.
Esta espécie de zombies partidários vive e anda por aí, seja sob a forma de "abutres" que apenas emergem (eles ou os seus discursos mutantes) em períodos eleitorais, mal pressentem o cheiro a problemas, seja sob a forma de "doentes" de incómodos, sempre que intuem a ameaça de que determinadas escolhas pessoais ou programáticas lhes possam retirar oportunidades de serem lembrados e recrutados.
Mesmo confrontado com a abundância diversificada destes espécimes, permito-me destacar os dois seguintes, a título de exemplares figurativos, ainda que em planos de impacto, peso político e relevância mediática absolutamente distanciados: o omnipresente Santana Lopes e este putativo candidato a ser um dia lembrado para qualquer função política na área da educação.

Relativamente ao primeiro, formulo apenas três questões:
- depois de um período breve de algum retiro ou nojo político, na sequência de derrotas sucessivas no país e no partido, a que se deve este reaparecimento na cena mediática, cujas intervenções mais sublinhadas são de crítica e dissonância face ao PSD?
- pergunte-se a Santana Lopes que imagem deu de si próprio (a começar por aquele inenarrável discurso de tomada de posse do seu Governo) e do seu governo, para além da trágica impreparação e amadorismo que catapultou Sócrates para a desgovernação do país?
- que pensarmos da coerência de alguém que se identificava com uma "lei da rolha" que limitava/proibia as discordâncias públicas com a estratégia do partido, nos 60 dias anteriores a eleições, defendendo que as mesmas prejudicavam objectivamente o partido, para, na primeira oportunidade, ser ele próprio a disparar todas as semanas, e a escassos dias de um acto eleitoral, contra o seu partido?

Em relação ao segundo, não vou perder muito tempo com as suas impressões subjectivas, pelo que, nesta primeira resposta, apenas avanço duas notas:
- para quem acusa alguém de falta de fundamentação para as ideias que defende, que por acaso os professores, esse grupo profissional que se orienta por "sentimentos primários", subscreve maioritariamente, retorquir com colagem de rótulos e tiradas sem nenhuma fundamentação da sua oposição a diagnósticos e a medidas robustas que Santana Castilho propõe (aguardarei pela argumentação concreta deste senhor professor gondomarense), diz bem da dimensão afectiva do incómodo deste sujeito;
- de facto, a mancha do colaboracionismo, com o pior das políticas de Maria de Lurdes Rodrigues, como o acompanhamento da implementação de um modelo de avaliação aberrante, não sai com a limpeza OMO.

Onde estão agora, no PSD, aqueles que passaram anos a afirmar, com grande ênfase e dramatismo (e com inteira razão), que Sócrates representava a maior ameaça ao funcionamento das instituições e à governabilidade do país?
Será que, no momento decisivo, os ajustes pessoais e mesquinhos de contas e de incómodos, se sobrepõem ao interesse do país?
Voltarei a este tema, também para mostrar como as desafinações e a impreparação de Sócrates foi recorrente e trágica para o Portugal, bem como para relembrar como Durão Barroso foi vergastado, durante toda a campanha eleitoral de 2002, sendo acusado exactamente de impreparação, indecisões e trapalhadas, ninguém lhe augurando capacidade ou futuro de monta (hoje, é apenas presidente da Comissão Europeia), quando comparado com o daqueles que o acusavam (onde estão?...).

À primeira qualquer um cai, à segunda só cai quem quer e à terceira só cai…

Daqui
Caixa Geral de Depósitos (CGD)
2.5. O Grupo estatal CGD será optimizado por forma a aumentar o seu capital de base do seu núcleo duro bancário como for necessário. Espera-se que o Grupo CGD aumente o seu capital para o novo nível exigido recorrendo a fontes internas e a melhorar a sua própria governação. Isto incluirá um plano temporal mais ambicioso para a já anunciada venda do sector de seguros do grupo, seguir um programa para se desembaraçar das subsidiárias que não façam parte do seu núcleo e, se necessário, a redução das actividades no estrangeiro. (excerto da tradução livre do Memorando da Troika, acordado com o (des)Governo do Primeiro-ministro demissionário José Sócrates).

Se fosse o líder de um determinado partido da oposição a dizer isto era o quê? Incompetente? Mentiroso? Radical? Ultraliberal? Não está preparado?
Como se trata do Líder… continuem, então, os 36,8% a apostar na competência e na verdade de quem esteve no poder nestes últimos seis anos a “dar o seu melhor” que nos conduziu ao estado de bancarrota de todos sobejamente conhecido.
José Aníbal Félix de Carvalho