Estou, hoje, ciente de que a escolha de Nuno Crato para Ministro da Educação correspondeu, na linha de sequências na cabeça de Passos Coelho e em face de três impossibilidades e indisponibilidades manifestadas (Santana Castilho – Paulo Rangel – António Rendas), a uma quarta opção e a uma solução de recurso, o que não significa que o escolhido não case magnificamente com a parte mais odiosa do programa eleitoral do PSD para a Educação, a tal que Passos Coelho se comprometeu a “melhorar”, mas que, tendo em conta a escapatória ministerial encontrada, estou certo que irá piorar (como demonstrarei em próximo post).
Desde o rebentar da contestação à divisão na carreira e ao modelo socialista de avaliação do desempenho dos professores, que me habituei à contingência de ter razão por antecipação, o que, normalmente, redundou em críticas, remoques, ataques e imputações de diversa índole, desde o lirismo quixotesco condenado ao fracasso na reivindicação do fim da lotaria dos titulares (divisão considerada irreversível pelas complexas disrupções que a sua eliminação traria ao sistema – viu-se!), até ao radicalismo, terrorismo, divisionismo e défice de compreensão nas denúncias imediatas dirigidas às estratégias congeminadas para preservar o núcleo essencial de aberrações do modelo de avaliação, como o foram o “memorando de entendimento” e o “acordo de princípios”, enquanto outros, sempre tão avisados e prescientes, se entretinham a mastigar, com inchaço e “dores de incómodo”, pastilhas à base de "nim".
Todavia, o mais extraordinário é que há quem continue a discorrer de cátedra sobre processos e actuações que desconhece em absoluto, dando, inelutavelmente, prova de ignorância. Mas, quem opina, julga e qualifica outros a propósito de factos e circunstâncias que sabe que ignora, dando-se ares de uma presciência que não possui, agravada por um doentio proselitismo que policia e anatematiza discordantes, dá prova de estupidez e vê-se embarcado em excitantes juízos de intenção que apenas projectam obsessões, traumas e idiotices próprias.
Para aqueles, alguns assumindo-se como tipos particulares de Priores do Crato, que fingem não perceber a natureza da minha “fixação” em Santana Castilho, então, vou explicar pela derradeira vez, antes de me ver constrangido a ter que fazer um desenho. E as razões são as duas seguintes:
- existe uma convergência absoluta de posições sobre a Educação e uma coincidência total entre as ideias programáticas que Santana Castilho defende (não esgotadas em tiradas mediáticas inconsequentes, mas, ao invés, assumindo a forma de concepções desenvolvidas, consistentes e públicas) e aquelas que eu gostaria de ver implementadas pelo Ministério da Educação;
- é minha convicção pessoal, por mais urticária que cause em protogenerais de exércitos de nicknames, que o Homem mais bem preparado para assumir os destinos da Educação, em Portugal, é, a grande distância de outros quadros e de um ou outro pavão, o Professor Santana Castilho.
Mas, não quero deixar de sublinhar a reacção do Mário Machaqueiro, que obviamente não está na mira dos parágrafos anteriores, tendo em conta que é alguém por quem tenho muita estima e admiração e com quem me orgulho de ter planeado muita da resistência dos professores ao socratismo, e em relação à qual me apraz responder em dois planos:
- de um ponto de vista emocional e moral, talvez tenha o defeito de confiar na boa-fé das pessoas, chame-se-lhe ingenuidade ou lirismo, mas nunca me sinto de consciência pesada no final das minhas estratégias de actuação, por mais mal sucedidas que possam ser, pois, não me parece que seja eu, aparte a menor fotogenia, a ficar mal nas fotografias;
- já por várias vezes explicitei a natureza do meu pragmatismo político, que admito não seja coincidente com a visão do Mário, bem como já deixei claras algumas estratégias, sem pretensões de representar ninguém a não ser a minha exigência intelectual, a que recorro no âmbito de uma procura da vinculação das pessoas a pequenos compromissos para chegar a outros de maior dimensão (e esta técnica de “pé na porta” até foi dando resultados na luta contra a divisão na carreira e o modelo de avaliação), mas não tenho dúvidas que os professores nunca estiveram tão perto, como desta vez, de verem satisfeitas uma parte substantiva das suas reivindicações, pela via da possibilidade, que não foi uma miragem, de Santana Castilho chegar, como devia, a Ministro da Educação. Talvez, se muitos não se tivessem demitido ou tergiversado tão prematuramente no apoio a esta solução, tivesse sido possível influenciar/pressionar outra orientação para o programa do partido que, pragmaticamente, estava em condições de poder chefiar a governação do País.
E para rematar, também confesso que, uma vez aqui chegados, talvez tenha perdido as certezas sobre se é o meu pragmatismo e as minhas técnicas de “pé na porta” que são líricos ou se é mesmo o PSD que parece não estar à altura das expectativas que, a dado momento, cria e dos Passos que dá (ninguém acha estranho que se convide alguém para fazer um programa e, à última hora e à socapa, se introduzam medidas no programa que afrontam princípios da pessoa que, não inconscientemente, assim o quero crer, foi convidada?), revelando-se oportunista e pouco confiável.