Um murro de Santana Castilho na consciência de Passos Coelho e da elite política "laranja" (18-01-2012): As "natas"

Sexta-feira, 29 de Julho de 2011

Princípios gerais, questões genéricas...


Aquela que não existia e que impedia a suspensão da que existe, aqui está em todo o seu esplendor.
Como se apresenta formatada em princípios gerais, não virá mal nenhum ao mundo se a esses princípios se colocarem questões formatadas de um modo genérico.
Esta proposta de princípios gerais baseia-se na experiência dos últimos anos de avaliação, procura lançar novas bases num processo de avaliação justo, de forma a ultrapassar os problemas detectados nos últimos anos. Queremos iniciar tranquilamente o novo ano lectivo com um novo modelo de avaliação aprovado em que os professores, directores de escola e Ministério, se revejam.

1.º Princípio. Enquanto não se implementar um novo processo de avaliação, o MEC salienta que NINGUÉM SERÁ PREJUDICADO na fase de transição.
Após o próximo ciclo de avaliação, com o novo modelo, os professores poderão optar pela melhor classificação obtida num dos ciclos já realizados. Deste modo, no futuro e aquando do descongelamento da carreira, nenhum professor avaliado pelo modelo actual será prejudicado.
Será? O processo monstruoso e kafkiano também ia ser suspenso…

2.º Princípio. OS CICLOS DE AVALIAÇÃO SERÃO MAIS LONGOS, de forma a permitir uma maior tranquilidade da vida das escolas e a possibilidade de todos os professores participarem no processo sem atropelos e sem concentração do trabalho avaliativo sobre todos os professores. (Os ciclos coincidirão com a duração dos escalões da carreira docente.
Boa! Agora temos que ir aos escalões da carreira docente e ver as transições…

3.º Princípio. O PROCESSO SERÁ DESBUROCRATIZADO, baseando-se em elementos simples para o avaliado – Programa Educativo do Professor e Relatório de Auto-Avaliação.
Programa Educativo do Professor? E isso é o quê?!..
.
4.º Princípio. HIERARQUIZAÇÃO DA AVALIAÇÃO com REFERÊNCIA EXTERNA, a fim de eliminar conflitos de interesses entre avaliadores e avaliados. Os avaliadores terão de pertencer a um escalão mais avançado que os dos respectivos avaliados. As aulas observadas serão efectuadas por professores do mesmo grupo disciplinar, mas exteriores à escola do professor avaliado.
E os professores do topo da carreira (antigo 10º escalão)? Vão ser avaliados por…

5.º Princípio. VALORIZAÇÃO DAS COMPONENTES CIENTÍFICA E PEDAGÓGICA em sala de aula, tendo em vista a melhoria dos resultados escolares.
Está implícito neste princípio os resultados escolares dos alunos serem tomados em linha de conta para a avaliação do professor? Poupem-nos…

6.º Princípio. O estabelecimento de um QUADRO OBJECTIVO DE ISENÇÕES DE AVALIAÇÃO, para situações concretas.
Estou aí a ver um quadro objectivo (e imenso) de isenções de avaliação… Coordenadores, futuros avaliadores…

7.º Princípio. Um SISTEMA DE ARBITRAGEM expedito para os recursos.
Deste gosto! Desde que não sejam do Apito Dourado…

Princípios Gerais por Definir
E os contratados? E as quotas? As dos Muito Bons e dos “Celentes”? E as das mudanças de escalão? E os concursos enfeitados de asteriscos? Porque gato escaldado de água fria tem medo. Prometeu-se tanto antes de… que, agora, depois de, só me lembro da história do Mentiroso e do Lobo…

Afirmar-se com esta pressa toda, e nesta altura do ano, que se pretende “(…) iniciar o novo ano lectivo com um novo modelo de avaliação aprovado (…)”, é uma afirmação que revela à saciedade o quanto são considerados aqueles que estão no terreno e que, na prática, SÓ podem gozar as suas férias neste mês! Rapidamente se voltou ao tempo dos professorzecos!
Agora é que implodi mesmo!
Vou de férias… de vez! E quem vier atrás que feche a porta…

José Aníbal Félix de Carvalho

Quinta-feira, 28 de Julho de 2011

O grau zero da credibilidade política

Os sinais estavam aí:
- Não haveria aumento de impostos e cumpriu-se: apenas houve um imposto extraordinário.
- Os “jobs for the boys” deram lugar aos” boys for the jobs”.
- A decisão de adiar alguns dos contestados encerramentos para criar megas, apenas tomadas pelo facto dos novos centros ainda não estarem concluídos, a darem lugar a outros encerramentos.
- Os curricula passaram a ser olhados de um modo duplamente estruturante.
- As discussões de assuntos monstruosos e kafkianos são entregues a “especialistas” parlamentares saídos das NO.
- O ME deu lugar ao MEC, Ministério da Escrita e do Cálculo.
Estes são alguns dos novos conceitos de honrar compromissos e de honestidade política.
Não se admirem, pois, que, nas próximas eleições, sejam a abstenção e o branco a ganhar. Um deles, pelo menos, já terá um voto.

José Aníbal Félix de Carvalho

Quarta-feira, 27 de Julho de 2011

Desacreditei. Ponto final.

A impudência do PSD, para dar o dito por não dito e não honrar o seu compromisso público de suspender/revogar o actual modelo de avaliação, acabada de oficializar no Parlamento, constitui o pretexto que faltava para me desinteressar, definitivamente, pela problemática da avaliação dos professores e outras matérias de política educativa. E, no seguimento do texto, perceber-se-á melhor porquê.

De uma vez por todas, desacreditei nos políticos que, desde 2005 até hoje, têm governado a escola estatal (e o País em geral) ou têm corroborado, tolerado ou legitimado essa governação, embora, a perturbação/conflitualidade que desencadearam nas escolas e a situação crítica para que conduziram o País, não deixe dúvidas que quem exagera e está equivocado sou eu.

Podia enveredar aqui por mais um exercício intelectual (e moral), tanto de denúncia da desonestidade política e do eleitoralismo fraudulento do PSD, como de desmantelamento dos argumentos estapafúrdios utilizados no Parlamento por deputados do PSD e do CDS que se prestaram ao frete de intervirem sobre uma problemática que ignoram e sobre um domínio da vida pública onde ninguém os conhece ou reconhece com presença e trabalho feito, mas, diz-me o meu sentido pragmático que é chover no terreno molhado do cretinismo político nacional e uma perda de tempo e de energia, pelo que me limito, muito sucintamente, às quatro seguintes constatações:
- o PSD, além de não ter nenhum porta-voz credível para a área da Educação, não tem nenhuma orientação e estratégia definida, vagueando ao sabor das circunstâncias, dos oportunismos e dos alvitres que personagens ocasionais vão bufando aos ouvidos, sugestionáveis, do seu líder;
- se é insofismável que a substância injusta, arbitrária e perturbadora dos processos de avaliação não muda apenas porque mudou o Governo ou pelo estado mais ou menos adiantado de concretização desses processos, a verdade é que também nada mudou de substancial nas escolas entre esta declaração e o momento actual, excepto o facto de terem sido copiadas e adaptadas, umas das outras, milhares de fichas de auto-avaliação (porque os professores não levam a sério esta palhaçada), e de, em inúmeras escolas, como na minha, o limite para a entrega da auto-avaliação ser o final do mês de Agosto, embora isto seja irrelevante para a substância errada e injusta do modelo;
- o PSD e o CDS fingem não perceber que o essencial da perturbação e da conflitualidade, nas escolas, vem exactamente da antecipação das consequências injustas e arbitrárias que resultarão da consumação/finalização de uma avaliação que os professores foram obrigados a fazer. O mais absurdo é que o deputado Amadeu Albergaria (PSD) admitiu ter a consciência de estarem a legitimar processos injustos e perturbadores, submetendo e inactivando o dolo e o prejuízo dos mesmos à facticidade da sua concretização (o que, no direito, deve ser um princípio recomendavelmente cultivado);
- os deputados Amadeu Albergaria (PSD) e Michael Seufert (CDS) ancoraram-se também nas "expectativas" e no "trabalho produzido" pelos professores, fazendo-se intérpretes/defensores de um auditório imaginário de uma maioria de professores que não deseja ver o seu investimento na FARSA deitado ao lixo. Neste ponto, o desafio é simples: porque não têm a coragem de promover uma auscultação nacional aos professores sobre a sua posição relativamente à revogação desta avaliação? Têm dúvidas sobre o sentido do pronunciamento da esmagadora maioria dos docentes? Ousem, pois, perguntar-lhes!...

Chegou, pois, o momento de dar ouvidos à berraria que a minha vida pessoal e, sobretudo, académica, tem, nos últimos anos, exercido sobre mim próprio, reclamando mais investimento em projectos que foram sendo adiados.
Registo, tão-só e mais uma vez, aquilo que sempre me moveu na assim designada "luta dos professores", formulando-o pela negativa:
- não acredito na seriedade de processos e de resultados de um modelo de avaliação em que os professores (e já nem reporto o pormenor de não disporem de nenhuma formação para o fazer) se avaliam uns aos outros;
- não acredito na eficiência de um modelo de avaliação que não separe avaliação de classificação e que não remeta esta última dimensão para uma classificação de serviço que resulte da média das classificações atribuídas, sem burocracias, sem grelhas e grelhados de fichas, dimensões, evidências e folclores, pelo coordenador, pelo director e pelo inspector da área disciplinar;
- não acredito em nenhuma declaração retórica de valorização da autoridade e do prestígio dos professores , ao mesmo tempo que se lhes esvazia a sua capacidade de decisão nas escolas, mormente em termos da eleição dos directores com base no voto maioritário dos professores;
- não acredito na exigência e na eficácia dos processos de ensino-aprendizagem, quando os professores são subjugados com burocracias, quando não estão exclusivamente focados na missão de ensinar e quando as escolas não dispõem da autonomia para organizarem apoios efectivos às dificuldades evidenciadas pelos alunos, responsabilizando-se pelas aprendizagens e pelos resultados dos mesmos.

Ficam as convicções pessoais que nortearam a minha actuação ao longo destes quatro anos, mas não vale mais a pena insistir com o tipo de gente que nos governa, além de que não tenho vocação para delegado de informação educacional, não me sinto como guardião ou notário dos professores, tendo sido apenas um irrelevante soldado ao serviço das convicções atrás expressas, que, ainda por cima, nem sinto que, além de uma mão cheia de resistentes e alguns anónimos, haja muitos mais soldados disponíveis para acompanharem estes combates, pelo menos não se têm feito notar, nem aparecem, e, como tal, não gostaria de acabar no papel de uma espécie de sniper.
Aproveito, então o momento estival e deito, por agora, a "toalha ao chão", algures por esses areais do País e com maior recorrência, certamente, na "minha" praia de Marbelo, em Espinho.
Aquele abraço e, se for o caso, um excelente gozo de férias!!!

Que espécie de iniciativa "maricas" é esta que, hoje, vai a votação no Parlamento?

Mercê da saturação que este pantanal da avaliação dos professores já me causa, não tenho acompanhado as vicissitudes das iniciativas partidárias e dos jogos de agendamentos parlamentares, pelo que perdi o rasto aos Projectos de lei inicialmente apresentados pelo PCP e pelo BE, orientados para a suspensão efectiva da avaliação do desempenho docente, os quais, como bem chama a atenção o J. Amorim, aparecem agora travestidos de Projectos de Resolução.
Que destino foi dado aos Projectos de lei? Conclui-se que não é, mesmo, possível suspender, de facto, a partir da Assembleia da República, o decreto da avaliação dos professores?
A maioria dos deputados eleitos não tem poder de interferência nos decretos do Governo, quantas vezes, emanados da iniciativa de gente não eleita? Então, por que raio não se elegem directamente os governos?
No mínimo, estas Propostas de Resolução sempre serão um teste à coerência e à convicção dos partidos que suportam o Governo, que rapidamente desbarataram, mas nada mais do que isso.
o argumento invocado pelo deputado do CDS, Michael Seufert, e que é diferente do pé-de-cantiga alegado por Pedro Passos Coelho (convinha alguma concertação no seio da coligação), desmontá-lo-ei mais logo, na desonestidade política e na ancoragem falaciosa que o suporta.

Em dia de votação de projectos para suspensão da avaliação de professores, as coisas não começam bem

Hoje, a palavra e a coerência dos partidos que suportam o Governo serão postas à prova, tirando qualquer dúvida sobre a natureza da iniciativa de suspensão proposta pelo PSD, em Março de 2011: convicção sobre o carácter imprestável do modelo de avaliação ou eleitoralismo demagógico?
Entretanto, a notícia da Lusa sobre estas iniciativas parlamentares foi abortada por razões técnicas. Mau prenúncio?...

Fonte: Jornal I

Terça-feira, 26 de Julho de 2011

Benfica investe em super-autocarro

Ficará, assim, resolvido o problema do transporte da quantidade colossal de jogadores adquiridos.

Eis o bloguista mais bem informado sobre as medidas de política educativa que aí vêm

E eu que me convencera que, face à perda de gás dos carteiros, o porta-voz oficioso de Nuno Crato para a blogosfera era outro. O seu a seu dono, porque as novidades estão todas aqui, tim tim por tim tim!...

Quem tem medo, compra um cão

Fonte: Sol
Fonte: Diário Económico
Sem perder muito mais tempo com gente nada confiável e timorata, sempre direi que estas duas notícias permitem, desde já, apurar duas conclusões, a somar à constatação do falso argumento invocado por Passos Coelho, aquando da apresentação do programa do Governo, de acordo com o qual já não existia tempo útil para proceder à definição de um modelo alternativo, como se a sua ingenuidade lhe permitisse acreditar que, em Maio de 2011, ainda havia tempo útil para criar e implementar um modelo de avaliação para o actual ciclo avaliativo.
A primeira conclusão é a de que o Ministro da Educação e Ciência parece, efectivamente, não reconhecer validade e adequação ao actual modelo de avaliação, sentindo necessidade de dar nota pública da abertura de um processo negocial (ou será, mais uma vez, impositivo, sem procurar conhecer a sensibilidade dos actores no terreno, ao contrário do juramentado no programa eleitoral do PSD?) tendente à sua substituição, mas não avançando, publicamente, um único argumento para a sua não suspensão imediata, procurando ignorar a existência de uma trajectória de actuação política e de um compromisso no sentido da sua suspensão, por parte do principal partido que suporta o Governo.
A segunda conclusão é a de que, a confirmar-se a anulação dos efeitos da avaliação nos contratados (um justo prémio para o grupo de professores que mais se opôs a esta ADD!...), não se compreende que a mesma fundamentação que venha a ser utilizada para ancorar esta decisão não seja válida, quer para anular também as consequências para efeitos de progressão na carreira, ainda por cima quando as progressões se encontram congeladas, quer, por ausência de qualquer tipo de outra implicação susceptível de ser protegida(porque, na melhoria de práticas de professores, nas aprendizagens dos alunos e na qualidade do relacionamento e dos climas de escola os efeitos foram contraproducentes), para suspender, já, a vigência do modelo, não advindo daqui nenhum prejuízo para escolas e professores.
Uma vez que as razões que têm sido conhecidas para a não suspensão imediata são meras desculpas de mau pagador, sem qualquer consistência argumentativa, coerência e adesão à realidade, e dado que nenhumas outras são avançadas, ao mesmo tempo que se pondera anular uns efeitos da avaliação mas não outros, então, vai-se adensando o mistério sobre a motivação que permitirá legitimar os absurdos e as arbitrariedades que ocorreram e continuam a ocorrer nas escolas.
Assim sendo, começo a ter boas razões para admitir que o Primeiro-Ministro e o Ministro da Educação e Ciência não suspendem o actual processo de classificação do desempenho dos docentes, apenas pela circunstância de temerem a reacção mediática de comentaristas e analistas. E, como diz o povo, "quem tem medo, compra um cão".

Segunda-feira, 25 de Julho de 2011

À atenção da agenda do Ministro da Educação e Ciência

Apesar de o domínio científico dos galardoados não ser o da matemática, certamente que o MEC não deixará de se deslocar ao aeroporto, uma vez confirmados o dia e a hora de regresso, após a entrega do galardão, para receber tão distintos investigadores.
Fonte: Público

Vou ali pagar a minha dívida e já volto

Agora que os banqueiros da nossa praça parecem ter encontrado a solução para os seus problemas de liquidez, bastando que o Estado pagasse as suas dívidas (e vai daí o convite, embora, fique sem perceber onde é que um Estado quase falido vai desencantar a massa), começo a desconfiar que, na véspera da conferência a que a notícia reporta, receberam o texto que a seguir divulgo, sob a designação de "Curso rápido de Economia".
Bem sei que, por vezes, a economia parece uma batata, tão óbvios e repetitivos são os erros e as crises, bem como as propostas para os evitar ou solucionar, mas, talvez convenha não exagerarmos na confiança proporcionada pelas soluções de um "curso rápido". De qualquer forma, aqui vai:
Curso rápido de Economia
Um viajante chega a um hotel para dormir, mas pede para ver o quarto. Entretanto, entrega ao recepcionista duas notas de 100 euros. Enquanto o viajante inspecciona os quartos, o gerente do hotel sai a correr com as duas notas de 100€, e vai à mercearia ao lado pagar uma dívida antiga, ... exactamente de 200 euros. Surpreendido pelo pagamento inesperado da dívida, o merceeiro aproveita para pagar a um fornecedor uma dívida que tinha há muito... também de 200 euros. O fornecedor, por sua vez, pega também nas duas notas e corre à farmácia, para liquidar uma dívida que aí tinha de ... 200,00 euros. O farmacêutico, com as duas notas na mão, corre disparado e vai a uma casa de alterne ali ao lado, liquidar uma dívida com uma prostituta. ... coincidentemente, a dívida era de 200 euros. A prostituta agradecida, sai com o dinheiro em direcção ao hotel, lugar onde habitualmente levava os seus clientes e que ultimamente não havia pago pelas acomodações. Valor total da dívida: ... 200 euros. Ela avisa o gerente que está a pagar a conta e coloca as notas em cima do balcão. Nesse preciso momento, o viajante retorna do quarto, diz não ser o que esperava, pega nas duas notas de volta, agradece e sai do hotel. Ninguém ganhou ou gastou um cêntimo, porém agora toda a cidade vive sem dívidas, com o crédito restaurado e começa a ver o futuro com confiança!
MORAL DA HISTÓRIA: NINGUÉM ENTENDE A ECONOMIA!
 (nem o gajo* que escreveu isto!)
* Para que conste, o gajo não fui eu, pois a minha genialidade, em matéria financeira, já só dá para equilibrar o orçamento familiar e é um pau. Digamos que, a este nível de criatividade, a economia é uma cena que a mim não me assiste!... Portanto, o gajo deve ter sido alguém que divulgou isto por email.

Heróis da Matemática, Nobre Crato, Governo Valente

Ciente de que este escrito possa estar em contramão com o que deve ter sido o sentimento geral de arrebatamento da populaça, confesso que não apreciei, particularmente, nem a presença, nem as declarações, do Ministro da Educação, Nuno Crato, no aeroporto, aquando da chegada do grupo de alunos que obteve excelentes resultados, incluindo uma medalha de ouro, nas Olimpíadas Internacionais da Matemática.
E não foi  pela ausência de uma expectável multidão de professores de matemática, por não ter enxergado os cachecóis nacionais ou pela falta do ambiente festivo de gaitas e vuvuzelas, mas pelas três razões que a seguir exponho:
- este tipo de iniciativas, por mais bem intencionadas que sejam na mensagem que pretendem transmitir, acabam a recuperar o pior do socratismo e do lurdismo, ou seja, o espírito de emplastro e os apetites da propaganda política;
- uma vez que há mais vida escolar e mais relevância formativa estruturante para além da matemática, era importante que o Ministro da Educação, tendo em conta a sua trajectória de formação pessoal e a sua área de intervenção/divulgação pública, nos últimos anos, sempre muito ligada à matemática, desse sinais claros de que não vai ser o Ministro da Matemática. E, neste particular, o Ministro da Educação tem mostrado alguma dificuldade em descolar deste lastro e em alargar o seu discurso e a sua intervenção para além daquilo que é, apenas, uma disciplina e uma área de formação entre múltiplas outras, porque, desde a máquina de calcular no discurso parlamentar de estreia, à decisão de despejar mais horas lectivas no ensino da matemática, até ao destaque populista que decidiu conferir aos brilhantes resultados obtidos por um grupo de alunos nas Olimpíadas da Matemática, quase tudo vai no mesmo sentido;
- esta presença do Ministro da Educação, no aeroporto, abre um precedente para futuro que vai obrigar, exactamente para sacudir a acusação de hipersensibilidade positivamente discriminatória em relação à matemática, quer a equipa do Ministério da Educação a marcar presença, nos aeroportos, sempre que chegar um aluno, um investigador ou uma delegação que tenha sido distinguida no estrangeiro (já estou a ver o entusiasmo de Nuno Crato na recepção a Sócrates, quando este chegar a Portugal, distintamente pós-graduado em filosofia, até como forma de incentivar os alunos a investirem no estudo desta área tão assaz relevante para a sua formação), quer os membros do Governo, que tutelam outros domínios de heróis nacionais que excedem o futebol, na recepção a todos os que se distinguem nas suas modalidades ou áreas de actuação. A propósito, podem começar, já, pela merecida recepção às nossas judocas e aos canoístas, que brilharam, lá fora, este fim-de-semana.

Admito não ser acompanhado nesta minha reflexão, mas, pela minha parte, prefiro a sobriedade institucional de uma nota à comunicação social ou de uma cerimónia formal, nas escolas dos alunos, que permitisse um enquadramento mais pedagógico do magnífico exemplo daqueles alunos, sem ressonâncias e enquadramentos futeboleiros.
Porque é o mesmo Ministro da Educação que vai ao aeroporto equiparar, no mesmo heroísmo nacional, os alunos que estudam a sério matemática com os futebolistas, aquele que pactua com a decisão do anterior Governo de acabar com a Área de Projecto de 12º ano, que era tão só a área curricular que mais alimentava as mostras e os certames de ciência e de jovens cientistas, em Portugal. Ora, espreitem aqui a qualidade dos projectos desenvolvidos pelos alunos de 12º ano, premiados a nível nacional e internacional. Porque a Área de Projecto de 12º ano (trocada pelas tretas da Formação Cívica) fomentava a curiosidade científica, desenvolvia e consolidava o espírito científico e o treino na implementação de metodologias de investigação e intervenção, contribuía sobremaneira para a clarificação e a orientação das escolhas vocacionais, promovia o contacto com as universidades e com o tecido empresarial, além de que desenvolvia, como nenhuma outra área disciplinar nas escolas, competências de interacção social, de comunicação e de planeamento de projectos. E, no entanto, este Ministro da Educação ignora o seu fim, nem sequer se dando ao incómodo de se despedir da mesma, algures num qualquer "aeroporto" de voos suicidários.

Não sei se o impulso para marcar presença no aeroporto foi, porventura, influenciado pela sua passagem pelo TagusPark, sem o inconveniente de, ao contrário do que aconteceu com  aqueles que por lá o precederam, ter que abrir os cordões à bolsa para um qualquer pequeno-almoço milionário, mas com o mesmo efeito demagógico e populista assegurado.
Espero que este Ministério da Educação e, por arrastamento, este Governo, não se venham a reduzir a uma trilogia do tipo "Pátria, Futebol e Matemática". 

Domingo, 24 de Julho de 2011

Que raio de semana!

Esta semana, que agora termina, ficou marcada por ocorrências que empobreceram, grandemente, a humanidade e que tiveram os seus epicentros em Oslo e em Londres, mesmo não focando neste post, sem os esquecer, outros eventos e acidentes trágicos, além daqueles seres humanos, quantos deles crianças, que tombam, diariamente, no continente africano (e em outras latitudes), às tragédias da fome e/ou da perseguição étnica e política.
Se, em Oslo e na ilha de Utoeya, os noruegueses (e cada um de nós) acordaram para o pesadelo trágico da destruição demente e insensível de vidas inocentes, ao que tudo indica planeada e perpetrada por um único jovem adulto saído do seu próprio ventre, já em Londres, surpreendeu-nos, ou talvez não, o efeito tão rápido e definitivo do processo de auto-destruição, quase artisticamente (quem não recorda que um dos seus maiores sucessos musicais foi "Rehab", ou seja, um "no, no, no..." à desintoxicação), adoptado e prosseguido por Amy Winehouse.

Face a uma tragédia com o nível de gravidade e de sobressalto, como a que ocorreu na Noruega, não posso, no meu íntimo, deixar de me solidarizar com as famílias das vítimas, ao mesmo tempo que desejo uma condenação impiedosa, sem qualquer compreensão e ainda menos sem  lugar a tempos de antena para as suas execráveis justificações, da chacina tresloucada e hedionda praticada pelo norueguês Anders Breivik, que, supostamente, casou uma mente perturbada e desestruturada com ideologias de extrema-direita e com obsessões/fixações islamofóbicas e anti-comunistas, deixando-se controlar por instintos facínoras e desprezíveis que o tornaram insensível à destruição de vidas e sonhos de quase uma centena de jovens.
Pelo menos, que este tipo de actos nos consciencialize para a necessidade crescente de a Humanidade ter o discernimento e a capacidade para ir banindo da educação e da socialização de crianças e jovens estas miseráveis intoxicações ideológicas das raças, das culturas e dos credos puros e intolerantes, sejam eles quais forem.
Mesmo condenando absolutamente qualquer forma de agressão, ainda por cima quando o resultado são mortes ou danos físicos e/ou psicológicos irreversíveis, independentemente de ser praticada por quem quer que seja e contra quem quer que seja, não se pode deixar de registar, quer o facto de este tipo de acções violentas (terroristas ou de criminalidade comum) quase nunca serem protagonizadas pelos injustiçados e pelos sofridos e que sempre podiam alegar razão ou motivação pessoal para tal, quer a circunstância de estes actos, regra geral, terem a marca da cobardia na desproporcionalidade com que poupam líderes e elites, pretensamente autores e/ou executores das ideias ou das situações que servem de justificação a estes criminosos, e com que sacrificam vítimas inocentes.

Relativamente ao desaparecimento da cantora Amy Winehouse, resta-me lamentar a perda de uma voz soberba, que, mesmo reconhecendo a minha incompetência em cultura musical, sempre me habituei a apreciar e sempre me pareceu toda uma orquestra auto-suficiente, tal a imponência multiforme e a musicalidade da sua voz.
Silenciada a voz, que a própria Amy devia ter preservado, como se de um património da humanidade se tratasse (e tratava), pelo menos que fique, para a juventude, o exemplo do resultado fatal a que conduz o desregrado abuso do álcool e das drogas.

Sem gravata e sem ar condicionado

Ontem, foi dia de fuga a tudo o que conservasse alguma relação com as rotinas escolares, académicas e blogosféricas, visitando a minha aldeia natal e metendo os pés nas terras (no nordeste transmontano, também designadas como "prédios") e na natureza campestre mais natural.
Sob um Sol intenso e com uma temperatura acima dos 33 graus, t-shirt suada, ténis e calças empoeiradas, não pude deixar de reviver as minhas raízes na agricultura e de pressentir o extraordinário e mobilizador impacto que há-de ter tido, junto dos agricultores portugueses, a primeira medida da nova (em toda a polissemia) Ministra da Agricultura, procurando poupar energia, mediante um apelo ao trabalho sem gravatas (não daria mais resultado propor que se despissem os casacos?) e à concomitante redução da temperatura, assegurada pelo ar condicionado, para um ambiente de "25 graus de conforto".
Apesar do limite dos 25 graus, ainda não perdi a esperança de ver na agricultura, aos fins-de-semana, por força da crise, dos incentivos de Cavaco Silva, do impulso do Farmville e do charme de Assunção Cristas, os queques, os chiques e os betinhos que trabalham, árdua e exsudadamente, nos gabinetes ministeriais.

Sábado, 23 de Julho de 2011

Santana Castilho dá uma "sova" de rigor, preparação e coerência

Até dói!...
Mas, a tendência camaleão e a ligeireza analíticas que Ramiro Marques vinha imprimindo a muitos dos seus posts e posições andavam a pedi-las. E mais não digo, para não ser muito cruel.
A resposta de Santana Castilho ao post "Santana Exagera nas críticas a Crato"

É um colosso, (parece que) está tudo grosso!

In Povo Livre (13-07-2011, p. 9)
Quando muitos já afiançavam que, como o algodão, os parêntesis não enganam, eis que a hermenêutica oracular do Ministro das Finanças se vê confirmada, volvidos 10 dias, numa oportuna comprovação videográfica, mesmo que reportada a uma breve passagem de um discurso mais longo.
Todavia, a questão decisiva que o vídeo não evita é a seguinte: a não ser que se tratasse de amadorismo ou incerteza sobre o que foi efectivamente afirmado, que intencionalidade esteve por detrás do arrastamento desta controvérsia durante dez dias, alimentando a ideia de buraco nas contas públicas e desencadeando omissões/reticências/ambiguidades do próprio Passos Coelho, interpretações desencontradas de sociais-democratas, Ministro das Finanças e Presidente da República, reacções do PS, perplexidades da troika ou possíveis impactos negativos nos mercados?
De qualquer forma, regista-se a reprimenda pública que o Primeiro-Ministro dirigiu ao deputado Miguel Frasquilho e ao funcionário/repórter do jornal oficial do PSD, Povo Livre, e que parafraseio livremente: não se envergonham de fazerem utilizações/interpretações abusivas das minhas afirmações?
Neste momento, os professores, mesmo não desvalorizando o debate entre colossais desvios ou esforços, sentem-se mais indignados com os desvios nas colunas vertebrais de PSD e CDS, em matéria de avaliação do desempenho docente.

Sexta-feira, 22 de Julho de 2011

31 dias depois... A implosão da treta


Repugnância face ao oportunismo!
Vómito face à desonestidade!
Náusea face ao mais do mesmo!
Nojo face à ignorância!
Asco face ao que isto representa!

José Aníbal Félix de Carvalho

PSD e CDS vão deixar-se emporcalhar pela FARSA desta avaliação do desempenho?

Este ainda não é o meu último post sobre o modelo de avaliação em vigor, mas apenas um comentário preventivo, face à possibilidade de esta notícia poder vir a confirmar-se, ainda por cima apresentando-se argumentos para uma vergonhosa pirueta política, que no dia da votação aproveitarei para desmontar, mas que não passam, digo-o já, de desculpas irrelevantes e falaciosas.
Se estes políticos do PSD e do CDS colocarem a sua assinatura de legitimação por baixo da mais que demonstrada FARSA que é este ciclo de avaliação do desempenho dos professores, na sua filosofia e nos seus processos, resultados e consequências, saibam que podem contar com o meu combate permanente e persistente (por mais que me apetecesse "bater com o blogue" e desistir), porque terei sempre boas razões para manter vigilante um princípio de desconfiança básica face a gente que dá o dito por não dito, invoca subterfúgios sem verdade e sem nexo para esconder o seu "vira-casaquismo" oportunista e, mais grave, subscreve palhaçadas e injustiças.
Definitivamente, já não é suportável tanta aldrabice política e tanto pantomina.
Além do mais, para quem tinha de Passos Coelho uma outra imagem e até lhe dispensou, no período eleitoral, uma manifestação pública de confiança, é-me penoso constatar que, em matéria de avaliação dos professores, ele próprio e alguns dos seus correlegionários apenas declarem o que, em cada momento, lhe sopram ao ouvido para ser dito, sem qualquer domínio, consistência ou coerência sobre o tema.
Faço minhas as palavras do meu amigo Mário Carneiro e, se o PSD e o CDS não suspenderem a palhaçada que se instalou nas escolas, também eu declararei ter perdido qualquer réstia de respeito por mais este lote de políticos sem palavra e sem carácter.
E, nas próximas eleições, os professores cá estarão para os acertos de contas.

O dia da morte de Lucian Freud

Lucian Freud, Reflection (1985)
""I paint what I see, not what you want me to see" (Lucian Freud) 

Foi anunciada, no dia 21 de Julho de 2011, a morte de Lucian Freud, aos 88 anos de idade. Neto de Sigmund Freud, o fundador da psicanálise, Lucian Freud tornou-se um dos artistas britânicos mais reputados e é, na actualidade, justamente considerado um dos maiores representantes contemporâneos da arte figurativa.
As dimensões mais relevantes da sua biografia podem ser consultadas aqui. Entre 2000 e 2001 pintou o retrato da Rainha Isabel II, a que deu o nome de "Retrato de Sua Majestade a Rainha" e que gerou acesa polémica, em Inglaterra, mercê dos aparentes traços masculinizados com que figurou a Rainha (o jornal The Sun considerou-a "travestida").
Do meu pequeno, mas precioso, baú de orgulhos, recordo a gratificante experiência humana e profissional de ter partilhado um semestre de leccionação, no curso de Trabalho Social Clínico, com a sua prima, Sophie Freud, igualmente neta de Sigmund Freud.

Quinta-feira, 21 de Julho de 2011

Esqueceram-se da questão sacramental: Quem paga?

Depois de uma primeira tentativa datada de há cinco anos atrás, a Lusoponte não podia ter escolhido momento mais adequado para propor mais esta obra pública.
De facto, nem a grave crise que Portugal atravessa é suficiente para acomodar o pato-bravismo nacional. Independentemente de o País estar nas lonas, a notícia desperta-me duas questões e uma perplexidade.
A primeira questão é a mais óbvia, embora a peça jornalística a omita: Quem paga e com que verbas? Prepara-se mais uma PPP?
A segunda questão até pode traduzir alguma ignorância da minha parte, mas não abdico de a colocar: Uma vez que a notícia não faz nenhuma referência ao Governo, tal significa que uma obra desta envergadura é decidida entre a Lusoponte e as Câmaras Municipais, à revelia do Governo?
Finalmente, a perplexidade: quando, por graves constrangimentos financeiros, se continua a ir ao bolso de milhões de portugueses e quando se fecham escolas e serviços públicos no interior do País, obrigando crianças e idosos a deslocarem-se dezenas de quilómetros, não me parece razoável que se gastem milhões para encurtar 10 quilómetros entre o Barreiro e o Montijo.

Mais evidências

Para se compreender a centralidade da Educação Física (em cujo grupo de docência nem sequer tenho interesse pessoal), aí estão novos estudos a evidenciarem a importância da prática regular de exercício físico para a prevenção da demência e de problemas cognitivos.
Se acrescentarmos aos documentados efeitos benéficos do exercício a circunstância de os hábitos de actividade física se estabelecerem a partir das experiências da infância e da adolescência, então, as conclusões sobre a relevância da Educação Física (para muitos jovens, a única oportunidade de realização de exercício físico) são óbvias.
Fonte: Jornal de Notícias

Não existe Educação Física nas escolas portuguesas

Na sequência deste meu post, o Rui Ferreira produziu um comentário relevantíssimo que traduz uma  abordagem avalizada sobre a natureza/organização da Educação Física que se (não) oferece nas escolas, tendo em conta que o Rui dispõe da autoridade de quem não se limita a opinar sobre estas matérias, mas estuda-as, superiormente. Assim sendo, tomo a liberdade de conferir destaque de post ao seu comentário.
Rui Ferreira deixou um novo comentário na sua mensagem "Contra uma concepção exígua e basista do currículo...":
Mesmo correndo o risco de ser interpretado como um "puxa a brasa à tua sardinha", lá vai:
NÃO EXISTE EDUCAÇÃO FÍSICA NAS ESCOLAS PORTUGUESAS.
Existe outra coisa parecida. Eu explico:
1. O objectivo da disciplina passa pelo desenvolvimento do carácter e da promoção da saúde (finalidades);
2. As modalidades desportivas são abordadas como um meio para os alcançar e não um fim em si mesmo;
3. A promoção da saúde passa, fundamentalmente, pelo desenvolvimento das capacidades motoras condicionais e coordenativas;
4. A literatura científica sugere que o desenvolvimento significativo destas capacidades apenas pode ser perspectivado se existirem, pelo menos, 3 estímulos semanais (pode ler-se, inclusivamente, nas orientações da Organização Mundial para a Saúde);
5. Por este facto é que os programas de EF referem a bold (imagine-se porquê) que a garantia do sucesso na implementação desses programas passam pela existência de 3 estímulos semanais (quem redigiu os programas sabem dessa premissa, não é leigo);
6. Não existe escola portuguesa alguma que os tenha, com a agravante de existir já uma carga horária capaz de preencher esta lacuna (por exemplo, no secundário, antes de haver 90'+90', deveria haver 90'+45'+45' de tempo útil de aula, conforme o 6/2001 refere);
7. Mas porque existem ignorantes (tolera-se) que dizem "mas os tempos estão lá", a salientar que a dinâmica da componente da carga é determinada pelos fenómenos de supercompensação que, por sua vez, têm que ver com o ciclo de regeneração da célula viva (o mesmo que dizer ao meu atleta o seguinte: ai não podes treinar amanhã? então hoje vais fazer a sessão marcada para hoje e a de amanhã - IMPOSSÍVEL).
IRRACIONALIDADE é o que é.
ENTRETENIMENTO é o que é.
EDUCAÇÃO FÍSICA não o é.
Rui Ferreira

Gostei de ler

(A excelência da escrita e da análise do meu amigo Mário Carneiro ao serviço da denúncia da desonestidade politica e da desmontagem de contradições e inconsistências).

(Num exercício excepcionalmente bem fundamentado, o meu amigo Ricardo Silva evidencia algumas das fragilidades e limitações da precipitada revisão curricular do ensino básico, colocando ao Ministro da Educação questões de grande pertinência).

Quarta-feira, 20 de Julho de 2011

Contra uma concepção exígua e basista do currículo

Surripiado ao J. Amorim (EDUPROFS)
A posição do Professor Leandro Almeida reporta apenas a uma limitação específica de uma reorganização curricular que enferma de outros erros e lacunas, porque feita a reboque da pressão mediática, da divulgação dos decepcionantes resultados dos exames e, também, precipitada pela desorientação que começava a emergir nas escolas, quase se limitando à solução proposta por Maria de Lurdes Rodrigues e circunscrita a um mero despejar de mais horas sobre a leccionação do Português e da Matemática, mais uma vez sem conhecimento e avaliação do que estava no terreno.
Relativamente à questão da Educação Física, é pena que os decisores políticos ainda estejam formatados pelos espartilhos do dualismo platónico e judaico-cristão, desvalorizando a actividade corporal, não apenas na sua dimensão salutogénica, mas, sobretudo, nas implicações positivas da actividade física na estimulação intelectual e na concentração dos alunos. 

Santana Castilho demole a incoerência política e a educação cratina de Passos Coelho

In Público, 20/07/2011
Mais uma vez manifesto a minha concordância absoluta com as análises e as ideias do Professor Santana Castilho, as quais são suficientemente certeiras, eloquentes e robustas para não carecerem de nenhum outro acrescento, impondo-se à nossa reflexão por si mesmas.
Não me espanta, porém, que, dada a forma fulanizada, mesquinha, preconceituada, ciumenta e acefalina como se lida com as ideias e a crítica inteligente (não por acaso, Antero de Quental considerou este rectângulo a "terra mais anti-filosófica do planeta"), as crónicas do Professor Santana Castilho não desencadeiem os debates e os contraditórios que se impunham, obtendo, do lado dos políticos, uma espécie de silêncio dos impotentes e, do lado de alguns pavões, uma focagem em fait-divers ou, então, desencadeando adjectivadas indisposições ad hominem.
Lastimo, até, para não dizer que já me enoja, a circunstância de uma parte do terreno da política, da comunicação social, dos professores e da vox populi, seja árida em termos da honestidade intelectual requerida ao processamento e debate de ideias, sem as reduzir à estreiteza das palas impostas pelas motivações primárias e pelos quistos conativos de cada um, porque, nas manhãs de cada quinze dias, o Professor Santana Castilho tem a honestidade, a coragem, a coerência e o saber para apresentar análises e concepções mais consistentes e valiosas do que toda a tarouquice diária que se escreve na produção disentérica de muitos blogues.
Fica aqui o desafio às televisões deste país, tão costumeiras a dar protagonismo a tanta banalidade e vulgaridade, para que organizem um debate de fundo sobre os caminhos da Educação, em Portugal, entre o Professor Santana Castilho, os representantes sindicais, os "priores do Crato" ou os testamentários do socratismo.
A escola pública está farta de entusiasmos sindicais e mediáticos com foguetórios de pólvora seca, mas também se vai frustrando e desmobilizando, cada vez que a gente medíocre e arrogante se sucede mais gente impreparada e a quem falta a lucidez e, sobretudo, a coragem para revogar o que a decência impunha que se revogasse e para implementar as reformas certas, acobardando-se nos momentos cruciais às tomadas de decisão.

Uma "revolução silenciosa" em risco?

Mais uma excelente reflexão do Professor João Ruivo, desta vez sobre a relevância que as tecnologias da informação e comunicação podem e devem ter na escola.
É pena que até aqui tenha prevalecido a propaganda inconsequente e aquilo que o Professor João Ruivo designa como a falta de um "um paradigma para a utilização pedagógica destas novas ferramentas do saber", além de que é expectável que nenhuma revalorização das TIC venha a ocorrer, nem na formação de professores, nem na formação de alunos, no quadro de uma espécie de mentalidade "talibã" que tudo reduzirá e submeterá à reverência, quase sacerdotal, das sacrossantas disciplinas estruturantes Português e Matemática.
Se não estivermos vigilantes e actuantes a "revolução silenciosa" corre o risco de, permanecendo silenciosa, deixar de ser revolução ou, sequer, acção escolar enquadrada em formação de competências e em pedagogia.
Julho 2011

Terça-feira, 19 de Julho de 2011

Há razões para ficarmos SISmados?

O Ramiro tramou-se?

Mesmo que a história venha descrita, num registo literário algo embrulhado, a situação não deixa de nos inquirir: quem age movido pelo desejo de trabalhar, para ajudar a mãe, é réu, vítima ou exemplo?
Um excelente caso para se discutir a problemática dos fins e dos meios, especificamente a questão dos graus de gravidade das consequências destes últimos, convocando para o confronto as imperativas éticas do dever (δέοντος) face a visões mais consequencialistas, utilitaristas e pragmáticas.

Segunda-feira, 18 de Julho de 2011

Que parvo que eu sou

Depois de uma reflexão, com particular incidência retrospectiva, de forma a perceber como foi possível esta longevidade de uma avaliação do desempenho dos professores assaz aberrante e disruptiva da vida escolar, este é o penúltimo post que escrevo sobre o actual modelo de avaliação dos professores (reservo um derradeiro post para apreciar o resultado da votação parlamentar dos projectos de lei do PCP e do BE conducentes à suspensão do modelo, no dia 27 de Julho).
Além de uma mescla de cansaço e de frustração em consequência do desgaste provocado por três anos e seis meses de combate infrutífero contra esta imposição absurda (digamos que, a par com o fim da divisão na carreira e com a pugna pela eleição democrática dos directores - ninguém duvide que, não só a legitimidade do poder, nas suas vertentes pedagógica e escolar geral, mas também a adequação e o bom senso da actuação dirigente são outorgados pelo voto qualificado da maioria dos professores), estou, muito sinceramente, saturado de observar tanta dissimulação, tanta incoerência, tanto desprezo pela palavra dada, tanta hipocrisia, tanta ignorância atrevida, mas também tanto oportunismo, num palco de um teatro de sombras e de máscaras, em que se exibiu a pior faceta de alguns políticos, demasiados comentaristas, mas, também, por mais que doa admiti-lo, alguns professores.
Mesmo convicto que este tipo de avaliação do desempenho cairá no final do 2º ciclo, não sou capaz de acomodar a insanidade de se terem permitido quatro anos de perturbação e de conflitualidade, em nome de algo que não trouxe um chavo de acréscimo à qualificação das aprendizagens dos alunos, pelo que ficará sempre inexplicado, ao meu entendimento, o nebuloso comprometimento dos principais sindicatos e do PSD com uma autêntica FARSA, à custa da fragilização das suas próprias credibilidades.
De tudo, perturbam-me, ainda, neste momento, as estratégias fingidas de Mário Nogueira (presumo que a Fenprof o acompanha) e do PSD.
Em relação à primeira, fui consolidando a certeza de uma vontade dos sindicatos em manterem este modelo de avaliação, ainda que aqui e além disfarçada com fogaréus de declarações e de contestações inconsequentes. O historial dos posicionamentos da Fenprof e da Fne, desde Janeiro de 2008, não deixa lugar a outra conclusão. Aliás, as mais recentes declarações de Mário Nogueira, apontando a substituição do modelo para Setembro e parecendo ignorar a iniciativa parlamentar do próprio partido a que pertence, são a prova que, apesar de algumas declarações de circunstância (a que não corresponde nenhuma dinamização da contestação no terreno), o objectivo é permitir a finalização do ciclo avaliativo e, com excepção do pedido de anulação de efeitos nos concursos, ficar associado à ignomínia de uma FARSA poder ter implicações na distribuição de serviço e, posteriormente (se alguma vez isso voltar a acontecer), na progressão na carreira.
Relativamente à estratégia do PSD, além de os professores merecerem um pedido público de desculpas e uma explicação adulta para a mudança de postura de Pedro Passos Coelho, a partir do momento que o fizeram Primeiro-Ministro, mantenho a curiosidade sobre a fundamentação que, no dia 27 de Julho, será trazida a terreiro para paliar tão desavergonhada cambalhota política, porque:
- o argumento do tempo necessário para a apresentação de um modelo alternativo não colhe, como Santana Castilho e eu próprio já demonstrámos;
- o argumento de haver já muito trabalho feito, nas escolas, não colhe, dado que, no final de Março de 2011, já tinham sido feitas avaliações até Dezembro de 2010, já tinham sido adaptados e produzidos instrumentos e grelhas, já se tinham queimado milhares de horas de reuniões e já tinham ocorrido a maioria das aulas observadas;
- não é possível explicar como se legitimam resultados e consequências de processos "monstruosos e kafkianos" (Passos Coelho) que põem em causa o "regular funcionamento das escolas" (Nuno Crato);
- o PSD afirmou, explicitamente, que a suspensão se consumaria se o partido ganhasse as eleições.
Pelo menos, resta-me a convicção de ter contribuído, juntamente com outros colegas, para que ninguém bem-intencionado e bem informado possa defender, seriamente, esta avaliação, os seus processos e as suas consequências.
Todavia, já basta de ver tanta palhaçada política, mediática e escolar acrescentada à própria palhaçada do modelo.

Colocar a tropa, nas escolas, "para arriar nos professores"

A página, que o actual Ministro da Defesa, José Pedro Aguiar Branco, tem no Facebook, exibe, publicamente, um comentário (ver em baixo) que, além de asinino, é absolutamente ofensivo para a dignidade e o respeito que é devido aos professores portugueses, enquanto qualidades que não estão à mercê de nenhuma tropa, nem de nenhum rasgo de imbecilidade.
Não me vou alargar em apreciações relativamente ao conteúdo do comentário deste sujeito, que dá pelo nome de Pedro Dias, tal a ignorância, a estupidez, a infâmia e o espírito troglodita que o mesmo encerra e reflecte.
Não duvido, até pelos esclarecimentos que recebeu de Santana Castilho e dos qualificativos de "monstruoso e kafkiano" que ouviu da boca de Passos Coelho, que José Pedro Aguiar Branco esteja bem ciente da natureza absurda do modelo de avaliação dos professores (que ele próprio desejou suspender) e não corrobore o comentário que, desrespeitosamente, lhe chaparam na sua página, mas, tal circunstância ainda torna mais imperativo que Aguiar Branco se demarque, publicamente, deste comentário idiota e o remova de imediato.

Daqui
Adenda:
Acrescento, apenas, parte de um comentário que produzi no Facebook: "(...) Não consigo ver no texto nenhuma ironia, mas apenas ignorância e ofensa gratuita. Mandar "arriar" pode ser método em casa do sujeito, mas não é admissível para professores, nem para democratas. Depois, o comentário assume que o modelo é simples, o que releva desconhecimento do mesmo. Por último, imputa aos professores o gozo das reuniões, como se a convocação das mesmas dependesse dos professores e não fossem obrigados a estarem presentes por prazer demente de, porventura, outros idiotas que o autor do comentário não teve a coragem e o discernimento para nomear."

Sábado, 16 de Julho de 2011

Desculpas esfarrapadas

Lamento poder vir a frustrar ou incomodar muita gente com mais este post, mas, num tempo de indiferença, tolerância ou aproveitamento oportunista relativamente à arbitrariedade, à falta de seriedade e ao incumprimento descarado da palavra, também já me estou nas tintas para sensibilidades e reacções, além de que a desgraçada da minha formação pessoal e filosófica não me permite deixar de dizer o que as minhas percepções e avaliações das situações e das condutas impõem, obviamente sujeitas ao contraditório e falíveis, mas, por favor, de forma argumentada e não por silêncios, atitudes, (in)disposições conativas ou tentativas de desmoralização, sugerindo ou forçando o desmantelamento do cepticismo e da crítica.

Sem corporativismos (até porque a principal responsabilidade deve ser imputada a seis miseráveis anos de socratismo) ou paninhos quentes, devo admitir que, a propósito da não ocasional descida acentuada das classificações obtidas pelos alunos nos exames de 9º e 12º anos das disciplinas de Matemática e de Português, as inúmeras intervenções públicas que foram produzidas para explicar a hecatombe soam-me a desculpas esfarrapadas e não assumem, no meu entendimento, o núcleo decisivo de razões.

No essencial, foram avançadas as seguintes explicações:
- a tese do aumento do grau de dificuldade dos exames. Não se percebe que coincidência ou que razões insondáveis levaram o GAVE a aumentar o grau de dificuldade (naturalmente, sujeita a alguma variabilidade) de tantos exames, sobretudo existindo testes intermédios para afinações, além de que os testemunhos dos alunos e as reacções de professores e organizações, aquando da realização destes exames, não apontavam para dificuldades incomuns;
- a tese da alteração dos critérios de correcção. É estranho que, exactamente, no ano em que ocorreu formação específica de classificadores, estes tenham aceite, e não o tenham denunciado em tempo oportuno, qualquer eventual existência de desvios, desconformidades, desajustes ou incongruências dos critérios de correcção adoptados nos exames face àqueles que são utilizados ao longo do ano e, sobretudo, trivializando ou desprezando o núcleo essencial de conteúdos, competências e objectivos programáticos estabelecidos;
- a tese da exiguidade de tempos lectivos exigíveis a um adequado cumprimento dos programas. Esta explicação colide com os planos desenvolvidos nas escolas e que, no ensino básico, implicaram reforço de horas (têm sido registados, em actas, os incumprimentos dos programas ou a sua leccionação apressada?), além de que não serve para explicar a descida das classificações, dado não ter sido objecto de qualquer variação relativamente a anos anteriores;
- a tese daquela espécie de representante vitalício das associações de pais, que incorpora uma acusação grave aos professores e/ou ao GAVE (imaginem o que seria se os exames fossem da responsabilidade de uma empresa privada, tipo a Compta, recordam-se?!), de acordo com a qual os conteúdos questionados nos exames não  foram leccionados nas aulas ou não correspondem àqueles que foram leccionados nas aulas. Esta pretensa atoarda nem sequer a comento, pois a acusação deve ser objecto de um cabal apuramento, por parte da IGE.

As razões parecem-me estar mais relacionadas com o seguinte:
- crescente e progressivamente mais generalizada ausência de uma cultura de exigência, trabalho, estudo e empenho na escola e na sociedade (compare-se com a atitude, a disponibilidade para o trabalho e o desempenho dos jovens do leste europeu);
- programas e recursos infantilizados, que não proporcionam tempo e oportunidades recorrentes para a reflexão, o questionamento, o desenvolvimento do raciocínio, a compreensão e a redacção;
- encarregados de educação avessos e intolerantes face aos professores exigentes, mais obcecados com as aprovações e as classificações finais dos seus educandos do que, propriamente, com a solidez da sua formação e dos seus conhecimentos;
- políticas de desautorização dos professores e de desinvestimento e negligenciação da formação científica dos docentes;
- pressão sistémica para o facilitismo e o empolamento das classificações, tolerância face à indisciplina, mas também com adesão da parte de alguns professores ao faz-de-conta impressionista das evidências, formalidades, folclores e projectos ocupacionais;
- a manutenção criminosa de um modelo de avaliação que ocupa e desgasta inutilmente (e mesmo contraproducentemente) os professores e prejudica as aprendizagens dos alunos (fica o desafio para que alguém empreenda uma investigação académica que procure relacionar as variáveis resultados nos exames e escolas/agrupamentos que implementaram diferentemente os processos demenciais da avaliação do desempenho);
- ausência de um plano nacional de formação contínua de professores, que vá além dos gadgets tecnológicos característicos do deslumbramento inconsequente do socratismo.

E, já agora, não existe avaliação independente e pública das implementações, no terreno, das quinquilharias pedagógicas consubstanciadas nos Planos da Matemática e do Português?

Não necessariamente!...

In Público, 16-07-2011
Mais tempos lectivos atribuídos às disciplinas de Português e de Matemática podem não significar, necessariamente, mais trabalho para os alunos e, sobretudo, mais e melhores aprendizagens realizadas pelos alunos. É preciso explicar porquê?...

O amigo americano

In jornal I, 16-07-2011
Lá se vai a estratégia, admita-se que pouco solidária no contexto europeu, de descolagem de Portugal relativamente à Grécia.

Sexta-feira, 15 de Julho de 2011

DREN condenada por acto ilícito

O Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto condenou o Estado a pagar 12 mil euros ao Professor Fernando Charrua, afastado ilicitamente da DREN, no reinado da arrogância de Margarida Moreira, Maria de Lurdes Rodrigues e José Sócrates, por motivo de um comentário jocoso acerca de Sócrates (quem nunca proferiu um "mimo" jocoso em relação a Sócrates que levante o braço!), partilhado com um colega, qual "galinha choca", na privacidade de um gabinete.
O que se estranha nestas sentenças é, além da falta de celeridade e de oportunidade temporal das mesmas, a circunstância de serem os contribuintes a pagar as indemnizações.
Justiça não seria imputar à, então, responsável pela DREN e ao colega delator de Fernando Charrua o pagamento da indemnização de 12 mil euros?

Onde é que já se viu este filme?

Diz o povo, e com razão, "quando a esmola é grande, o santo desconfia".
Ainda ontem aqui se mandaram uns "bitaites" sobre os então futuros resultados dos exames nacionais de 11.º e 12.º ano, tendo em conta o então chamado "aperitivo" que foi a catástrofe dos resultados dos exames em Matemática e Língua Portuguesa no 9.º ano. Aparentemente, ou não, prognóstico acertado, qu'isto de milagres no Ensino é chão que já deu uvas…
E, novamente, porque o que tem que ser tem mesmo muita força, tragédia a Matemática e tragédia a Português nos exames de 12.º ano, havendo, nesta última, e citando, os piores resultados "em 14 anos de exames nacionais no ensino secundário"! De facto, e chovendo no molhado, está visto que a coisa não vai lá com PAM que dão o estouro, nem com outros planos afins! Aprender e ensinar, está visto, não se compadece com folclore, com trabalho para "evidências" e para a fotografia!
Claro que os mais optimistas dizem logo que nem tudo foi mau. E podem logo ripostar que, por exemplo, Física e Química A teve, pela primeira vez desde que há exames nacionais no 11.º ano, finalmente (!) média positiva e logo com uma subida de 2 (dois) valores de uma assentada, isto é de um ano para o outro: de 8,5 valores em 2010 para 10,5 valores em 2011, para alunos internos, o que não é brincadeira! Tamanho salto só pode ser motivo de (muita) preocupação. Alguém acredita que estes saltos traduzem mesmo a realidade? Quem se desse ao trabalho de resolver o dito exame (1.ª fase, 2011), facilmente conseguiria explicar o milagre. O pior, no entanto, é que a coisa nem sequer é inédita: o record da coisa ocorreu (até prova em contrário) em 2008, no auge do início da "domesticação" docente empreendida pela então ministra MLR na disciplina de Matemática A, 12.º ano: De 10,6 valores para 14 valores, na primeira fase, de 2007 para 2008, de um ano para o outro!!! A saudosa senhora explicaria então, na RTP, que a dita subida se tinha devido ao efeito (contagiante?) do PAM, (plano de acção para a Matemática) que entretanto (pasme-se!) se desenrolava e seguia o seu curso pelos alunos de 8.º e 9.º ano. Claro que, já nessa época, havia quem desconfiasse de milagres… Como, e infelizmente, há coisas que se repetem com demasiada frequência, está-se mesmo a ver o filme… É só aguardar…

Manuel Salgueiro

Agradeço muito o interesse em me ouvirem, mas o que querem que lhes diga?

Fonte: I online
Avaliação de professores: em coerência com aquilo que o PSD e Pedro Passos Coelho sempre defenderam, os processos "monstruosos e kafkianos" não devem ser suspensos e o ciclo de avaliação deve ser finalizado. Como tal, ocupar-nos-emos mais tarde desta minudência.
Concursos de professores: em Setembro, logo se verá, face às necessidades de horários que venham a ser reportadas pelas escolas. E não nos venham acusar de não adiantarmos mais nada ou de incumprimento programático neste domínio, porque nada temos previsto em termos de programa de Governo.

Mais um destaque "Público"

In Público, 15-07-2011
Um justo reconhecimento à colaboração do Salgueiro!

Os mega-agrupamentos e a potenciação de conflitos político-sociais futuros

Excluindo motivações de natureza financeira a curto prazo, não é perceptível qualquer outra racionalidade que sustente o projecto, herdado do socratismo, mas que este Governo se propõem prosseguir, de constituição de mega-agrupamentos.
Por diversas vezes, expus, neste blogue, um núcleo de argumentos que justificam, quer a irracionalidade pedagógica desta opção, com implicações negativas nas aprendizagens dos alunos e no trabalho dos professores, quer os riscos desenvolvimentais, a nível psicossocial e comportamental, que podem advir das relações interpessoais potenciadas por grandes concentrações de jovens com idades, experiências e mundividências muito diferenciadas.
A esses argumentos junta-se, por força da conjuntura económico-financeira actual e das ameaças de conflitualidade social que a mesma encerra, um outro bem mais severo e ameaçador para o equilíbrio social e a segurança: os mega-agrupamentos terão um impacto não negligenciável na distribuição populacional e numa inegável maior concentração de pessoas, além de favorecerem o desenvolvimento, nos jovens, de processos e mecanismos atitudinais e comportamentais próprios de grandes aglomerados, os quais não deixarão de formatar a reactividade característica dos grandes grupos, pautada por um menor controlo da agressividade, decorrente de processos de contágio, desindividuação e difusão de responsabilidade, sobretudo em situações de dificuldades e de frustração generalizadas.
Juntando a concentração de pessoas, a miserabilidade social que se anuncia, o desemprego e a falta de perspectivas de futuro à aprendizagem dos processos reactivos descritos e que os mega-agrupamentos começarão a propiciar, teremos o caldo para favorecer a emergência e a escalada da conflitualidade político-social.
O que se poupa agora, desbaratar-se-á no futuro.
Apostar em escolas de pequena e média dimensão tornar-se-á, brevemente e à semelhança da consciência e das práticas que vão emergindo em países mais desenvolvidos, uma questão de segurança nacional.
Pensem nisto!...

A Organização Curricular do Ensino Básico em Fevereiro de 2011 e em Julho de 2011

Na sequência da pressão dos meios de comunicação social, das escolas e dos directores, o Ministério da Educação não tinha outra alternativa que não fosse apressar-se a disponibilizar informação relativa a uma nova versão da Organização Curricular do Ensino Básico.
No essencial, a equipa ministerial agarrou nesta Organização de Fevereiro de 2011 e redistribuiu horas retiradas da eliminação de algumas áreas não disciplinares, como a Área de Projecto e o Estudo Acompanhado, reforçando, fundamentalmente, as cargas horárias semanais do Português e da Matemática, de que resultou, com outros acertos de pormenor, esta nova Organização Curricular do Ensino Básico.
Apesar de se manter a filosofia de base (a que voltarei em próximo post), e sem prejuízo de diferenciações de maior pormenor que podem ser estabelecidas, avançaria com os quatro seguintes comentários gerais:
- é positiva a eliminação das áreas não disciplinares, podendo o Ministério ter ido ainda mais longe nesta orientação, sem que tal significasse despedimento massivo de professores, como referenciarei no terceiro comentário;
- tenho sérias dúvidas que a solução para o reforço das aprendizagens dos alunos a Português e a Matemática passe, necessariamente, pelo aumento da carga de aulas semanais;
- no seguimento dos comentários anteriores, não me parece que as aprendizagens melhorem e que o aumento da exigência resulte, sem que tal desencadeie discriminações e aumento insustentável de reprovações, se não ocorrer uma reorganização do trabalho dos professores que contemple uma articulação efectiva com bolsas de outros docentes (muitos dos excedentários da reorganização) treinados e especializados no apoio a espaços de estudo e na monitorização do estudo e do trabalho dos alunos que evidenciem dificuldades de aprendizagem nas disciplinas nucleares;
- discordo da relativa desvalorização (também na sequência do que já se verificava anteriormente, mas que agora é agravada) de disciplinas como a História e a Educação Física.

Quinta-feira, 14 de Julho de 2011

Então, esta cambada de hipócritas não gosta do modelo de avaliação e classificação?

Em vésperas de mais uma tentativa parlamentar para suspender o imprestável modelo de avaliação dos professores, obviamente orientada para ter uma leitura e um impacto mais político que efectivo, pois seria surreal que o PSD e o CDS a viabilizassem (já aqui escrevi o que o PSD deveria fazer para o caso de ainda manter algum interesse em recuperar o respeito e a confiança dos professores), apeteceu-me escrever este exercício de cinismo intelectual e moral, procurando antecipar-me à cambada de ignorantes que deviam estudar melhor o assunto [com as devidas adaptações e aplicação ao modelo de avaliação dos professores e aos processos e condições da sua implementação nas escolas].

Gera-me sempre alguma perturbação e não menor desconfiança constatar a existência de pessoas/instituições que contratam, aceitam, toleram ou defendem as agências de rating (e o mercado livre), mas predispõem-se a esbordoar publicamente a reputação das mesmas, a partir do momento em que as avaliações e as classificações que lhes dizem respeito são negativas ou prejudicam os seus interesses próprios, seja por razões de sentido de oportunidade, de ausência de objectividade, de sacrifício da isenção e independência ou, mesmo, de prossecução de conveniências obscuras.
Aqui chegados, parece que se confirma o princípio genérico, de acordo com o qual qualquer sistema de avaliação e classificação é defensável e meritório apenas e só até ao exacto momento em que não arruína os nossos objectivos, interesses ou expectativas, porque a partir deste ponto descortinar-se-ão sempre mecanismos, falhas e intencionalidades que fragilizam ou retiram credibilidade ao modelo avaliativo e à entidade que avalia.

Perante isto, penso gozar, comparativamente a muitos dos que agora se levantam contra as agências de rating, da autoridade e da legitimidade de quem contesta e combate um modelo de avaliação e classificação do desempenho dos professores a partir da sua filosofia e dos seus dispositivos e processos de implementação, a montante da produção de classificações ou resultados que, de algum modo, me pudessem ser desfavoráveis (algo que, até, nunca chegou a acontecer). Como tal, sinto-me confortável a provocar a cambada de hipócritas que por aí vai, desde políticos a comentaristas e público anónimo, e faço-o com base em três questões singelas:
- mesmo admitindo que as agências não são fiáveis, não é preferível ter este modelo de avaliação e classificação do rating da República do que não ter nenhum?
- pode-se falar de avaliação se forem os próprios países ou as suas instituições a fazerem relatórios de auto-avaliação e auto-classificação dos seus próprios ratings?
- confessem que o que vocês desejavam, mesmo, era não serem avaliados, verdade?

Admito que possam ripostar que estou a pronunciar-me sobre uma estrutura de funcionamento e jogos de interesses das agências de rating que desconheço. Mas, não é, exactamente, essa a situação que ocorre com aqueles comentaristas, políticos e cidadãos anónimos que se têm pronunciado sobre o modelo de avaliação e classificação dos professores, cuja natureza e condições de implementação desconhecem absolutamente? 
Agora imaginem se à arbitrariedade e à falta de imparcialidade que imputam às agências de rating, lhe acrescentassem também a circunstância de o rating que viesse a ser atribuído ao País fosse sigiloso, ou seja, apenas conhecido pelos interessados, e, no limite, pudesse ser atribuído por Sócrates, Passos Coelho, Cavaco, Louçã ou quaisquer outros pares do País?
Querem trocar o modelo de avaliação e classificação dos professores pelos processos seguidos pelas agências de rating?

Estavam à espera de quê?

A crer na notícia, e citando, os "resultados dos exames no 9.º ano são os piores dos últimos anos". Assim, na disciplina de Matemática, e novamente de acordo com a fonte, a média do exame de Matemática da 1.ª chamada ficou-se pelos 43 (em 100), enquanto a Língua Portuguesa se ficou pelos 51. Ainda de acordo com a fonte, parece que os resultados terão causado "surpresa" a algumas associações de professores…
Surpresa? Espanto? Já agora, estavam à espera de quê? É por demais evidente que alguma (muita) coisa anda mal no Ensino e na Educação da Nação. E quem anda no terreno sabe que não há milagres. Ensinar e aprender exige trabalho, esforço, muita persistência, muito tempo e disponibilidade mental para o que é, de facto, essencial. É também, cada vez mais, evidente que não é com folclore e trabalho para a fotografia e para as "evidências", tão em voga e potenciado pela actual avaliação de desempenho docente (ADD), nem com muitos e variados "planos de acção" e afins que vamos lá!

PS: Depois deste "aperitivo", aguardam-se com expectativas os resultados dos exames nacionais de 11.º e 12.º anos, a serem publicados amanhã… A coisa promete…

Manuel Salgueiro

Não se esqueçam de mencionar este tipo de evidências

In Público, 14-07-2011
No primeiro ano lectivo em que alguns professores se converteram aos encantos das iniciativas folclóricas, se deixaram obcecar pela colecção de evidências e se entusiasmaram com investimentos de tempo, energia e recursos no jogo do faz-de-conta das hetero-avaliações dos desempenhos docentes, os resultados em termos de aprendizagens efectivas dos alunos estão à vista.
Quem não reorienta, imediatamente, o ensino para o investimento e o apoio efectivo às aprendizagens dos alunos e não acaba já com as palhaçadas da hetero-avaliação docente, também se torna cúmplice da degradação das aprendizagens e deste tipo de resultados.

Desvio colossal? Façam o favor de não descontextualizarem

Vai por aí um forrobodó mediático a propósito da ocorrência, do contexto, do alcance e da fundamentação da expressão "desvio colossal" que Pedro Passos Coelho terá proferido nos intramuros da reunião do Conselho Nacional do PSD, prevalecendo o diz que diz e o diz que não diz.
De acordo com as "minhas" orelhas na reunião em causa, parece confirmar-se que o Primeiro-Ministro terá recorrido a essa expressão, embora o contexto e a denotação da mesma tenha sido objecto de uma grosseira deturpação.
Supostamente, Pedro Passos Coelho desabafou aos presentes que alguns membros do Governo, quando confrontados com a decisão de não revogar os processos e as consequências da avaliação do desempenho docente terão tido a mesma reacção dos professores e, por conseguinte, terão ficado surpreendidos com o "desvio colossal em relação aos compromissos eleitorais estabelecidos".

Quarta-feira, 13 de Julho de 2011

No que toca a (não) fazer os "trabalhos de casa", Mário Nogueira "Roto" acusa Nuno Crato "Remendado"

Não ponho em causa, pois eu próprio o tenho sublinhado, que o novo Ministro da Educação não fez os trabalhos de casa e que se encontra capturado e à mercê da máquina socialista que controla o Ministério.
Mas, em termos de exigência de suspensão imediata da avaliação dos professores (reivindicação que, naturalmente, subscrevo e pela qual me tenho batido, desde Janeiro de 2008), Mário Nogueira e a Fenprof também não me parece que tenham vindo a fazer os trabalhos de casa. A este propósito, formulo quatro questões:
- com base em que razões, o modelo de avaliação foi deixado quase intacto, pela Fenprof e pela Fne, aquando das negociações que deram origem ao inútil "acordo de princípios"?
- nos últimos meses e, em particular, no período eleitoral e no decurso do mês de Junho, que iniciativas tem tomado a Fenprof, nas escolas e junto dos professores, para que estes pressionem e exijam ao Governo o fim desta palhaçada de avaliação?
- que démarches está a desenvolver a Fenprof, no sentido de pressionar os partidos com assento parlamentar a chumbarem, de vez, esta putrefacta avaliação do desempenho?
- por que motivo os experientes juristas ligados à Fenprof não disponibilizam assessoria técnica aos partidos, com vista à apresentação de Projectos de lei de suspensão da avaliação do desempenho que sejam juridicamente robustos?

(Ainda não) está na hora de Mudar


Como aqui recordo, a palavra chave do programa eleitoral do PSD foi "MUDAR", conferindo-se a esta mudança, nas mais diversificadas áreas da governação e com especial incidência no domínio da Educação, um sentido reformador marcado pela urgência.
Todavia, se tivermos em conta o  recuo, politicamente desonesto, na mudança que se impunha já, em matéria de avaliação de professores, assim como se fizermos fé nesta notícia, porque qualquer estratégia que combine silêncio com indecisão presta-se ao avolumar de especulações e ao surgimento de gente que se guinda a porta-voz a soldo das suas próprias profecias, tudo aponta para a decepcionante conclusão que, no âmbito da Educação, ainda não está na hora de mudar.
E tudo, até que alguém me convença do contrário, por força de um casamento fortuito entre o ziguezaguear do PSD e a impreparação da equipa do Ministério da Educação.
Acontece que, em Abril de 2011, o PSD tinha o trabalho de casa feito, com medidas programáticas definidas e com os impactos financeiros das mesmas devidamente estudados, o que suportaria chegar ao Ministério da Educação em posição de tomar as medidas consonantes com o imperativo de MUDAR. No entanto, tudo foi desbaratado e não resta ao novo Ministro da Educação outra alternativa que não seja, nos próximos meses, a submissão à envenenada segurança e estabilidade proporcionada pela máquina socialista que controla o Ministério.
Tudo seria normal se a manutenção da situação actual não colidisse, flagrantemente, com os compromissos e as propostas programáticas do PSD, o que tornará penoso assistir-se ao desperdício de mais um ano lectivo e à observação da prática em contradição com o breviário de exigência e rigor do Ministro, o que tem um custo desgraçado em termos do protelar do investimento docente focado nas aprendizagens dos alunos.
Deste modo, onde se lê "Mudar", é favor passar a ler-se "Adiar" e, posteriormente, em algumas áreas, como a gestão escolar, os mega-agrupamentos ou os concursos, "Piorar".
Definitivamente, não é com silêncios e com adiamentos, que na prática significam a manutenção ou o agravamento da miséria legislativa, curricular, organizacional e avaliativa actual, que se "recupera a credibilidade e se desenvolve Portugal".