Um murro de Santana Castilho na consciência de Passos Coelho e da elite política "laranja" (18-01-2012): As "natas"

Segunda-feira, 31 de Outubro de 2011

Crato entrou em “choque com a realidade”. Com qual delas?

Antes de me ocupar com a tarefa árida de ensaiar uma curta dissecação da entrevista de Nuno Crato ao jornal Público, em vésperas de noite de Halloween (a rudeza e a banalidade arrepiantes do seu conteúdo também não predispõem para grandes análises), não dispenso a introdução de um questionamento inicial e quase arqueológico do pressuposto fundante que, no limite, iliba Crato do dever de explicação e de justificação de cortes e putativas reformas, escudando-se numa inevitabilidade ôntica ("a realidade"), justamente concebida para impor o que carecia de prova e de defesa, numa espécie de terrorismo argumentativo.
À semelhança de Passos Coelho, para quem a "realidade" se subsume aos ditames exclusivistas da "troika" (claro, a Banca já tem um estatuto mais etéreo e celestial e aí qualquer renegociação é possível), também Crato procura inativar a contra-argumentação e a consideração de alternativas, com base na apodítica da realidade unidimensional e do caminho único.
Mesmo estranhando a asserção de que se está sob o efeito do "choque com a realidade", vinda de um divulgador da ciência, habituado à multidimensionalidade e à multivocidade do real, apesar de academicamente formatado como estatístico, não posso evitar a pergunta sobre, exatamente, a natureza da "realidade" contra a qual Nuno Crato colidiu.
Entre outras possíveis, o Ministro da Educação refere-se a qual das seguintes realidades?
- aquela que existia aquando da assinatura do memorando com a troika e que levou o PSD a impor a Sócrates a continuidade do par pedagógico de EVT ou que levou o líder do PSD a suspender o modelo de avaliação dos professores e a subscrever o "essencial" das teses de Santana Castilho para a Educação? Ocorreu alguma alteração colossal na "realidade" que tenha escapado às competências perscrutantes de uma troika, um Governo, um Parlamento, um Presidente da República, cinco partidos da oposição e resmas de jornalistas, além das contas que Jardim escondeu?
- a realidade de penúria do Estado para que Crato remete é a que se deve às despesas correntes na Educação ou resulta, antes, dos buracos do BPN, da Madeira, das empresas públicas e das Parcerias Público-Privadas [PPP]? Se o endividamento galopante do Estado não adveio da Educação, por que razão os cortes mais brutais incidem sobre esta e sobre os seus funcionários? Se o Estado cobrasse os impostos que é sua obrigação cobrar, se combatesse a corrupção que é sua obrigação combater, se responsabilizasse os políticos e os gestores irresponsáveis e se renegociasse as PPP, qual seria a "realidade" das contas do Estado?
A "realidade" de que Crato se socorre tem contornos de obscenidade, de irresponsabilidade, de desresponsabilização, de encobrimento e de delapidação do Estado, mas também é esta: quanto mais Crato cortar na Educação, mais sobrará para o Estado continuar a enterrar nos buracos atrás assinalados e para cevar "dinâmicos" gestores e empresários saídos das sedes e das elites partidárias, muitos dos quais sedentos por abrir as contas em paraísos fiscais, construir as habitações de luxo ou adquirir os automóveis de grande cilindrada que, à semelhança do que ocorreu com impulsos e negociatas passadas, continuarão a dinamizar a economia nacional.
No essencial, serão estas as alternativas que os cortes na Educação devem socorrer.

Aviso de última hora a propósito do exercício cratino do dia

Não sei, tou-me mesmo borrifando para quem saiba, se o meu amigo Zé Aníbal instituiu algum prémio monetário para quem acertasse nesta escolha múltipla.
Se instituiu, pois, fiquem a saber que o mesmo está definitivamente suspenso, uma vez que não faria qualquer "sentido retribuir o mérito com dinheiro". Desconfio que esta generosidade mercantilista corresponda a um princípio peregrino de esquerda, pelo que proponho ao Governo que o estenda a toda e qualquer retribuição de mérito, além de que não se devem deixar levar na conversa de quem defendia, no passado, que "se deve estudar para ganhar dinheiro". Esqueçam essas patranhas capitalistas e, por favor, estudem (e, já agora, acertem na escolha múltipla) para que possam "obter diplomas" (depois, sempre podem emigrar) ou para que possam ser solidários e ajudar outros a obterem bolsas.
Depois, não venham alegar que houve uma qualquer "falha de comunicação" (aliás, seria mais uma razão a favor da manutenção das Tecnologias de Informação e Comunicação - TIC para os mais íntimos), porque se o pessoal já não enfiou essa desculpa ministerial, também não ia engolir, agora, mais esta.

Já pouco resta da bazófia inicial

Imagem "gamada" e adaptada desta excelente compilação
Como agora se vai comprovando, havia nas intervenções mediáticas de Nuno Crato aquela tendência lusa para a retórica bazófia e para exagerar a consistência e o tamanho do seu ímpeto reformista, algo que, após a sua ida para um Governo impreparado e sem estratégia, mirrou assustadoramente.

A dúvida do dia

MEC quer dizer:
A.- Ministério da Escrita e do Cálculo. ( ) 
B.- Ministério das Estruturantes e do Contrai. ( ) 
C.- Ministério do Essencial e da Cesura. ( ) 
D.- Ministério do Encolhe e do Corte. ( ) 
E.- Todas as hipóteses estão corretas. ( )

José Aníbal Félix de Carvalho

Das estruturantes às essenciais

Daqui

José Aníbal Félix de Carvalho

Uma saída de Mestre

Quando um membro de um Governo produz, impunemente, estas declarações, incentivando os jovens do seu país a emigrarem (e se o fizerem para S. Caetano à Lapa?!...), então, esses jovens e esse país não são, propriamente, governados por um Governo, mas antes por uma lamentável Comissão Liquidatária.
Apesar de Mestre, este jovem só não se verá constrangido a ter que abandonar Portugal, porque, infelizmente, os partidos ainda são, entre nós, essa obscena "zona de conforto" que garante e potencia empregos e carreiras.
Talvez, a decência lhe devesse proprocionar uma saída de Mestre... à procura de emprego, quiçá além fronteiras.

Bora lá fazer mais esta "ponte"

Acredito que para a dessensibilização, a indiferença, a tolerância a mentiras/contradições e a vassalagem que varre o país, a notícia de uma Câmara Municipal do PSD (e sabe-se lá quantas mais poderão ser, incluindo de outros partidos) que proporciona uma "ponte" à maioria dos seus funcionários não seja suficiente para desassossegar ou incomodar ninguém, sobretudo, num momento em que o Governo do PSD impõe aos trabalhadores mais meia hora de trabalho gratuito diário (a benemérito do patronato) e faz do fim de alguns feriados um dos seus cavalos (mais mulas estropiadas) da produtividade.
Se os jornalistas não se derem ao trabalho de investigar este tipo de incoerências (ainda sou do tempo em que esta era uma das tarefas do jornalismo), ainda por cima tratando-se de uma Câmara Municipal que julgo próxima da atual liderança do PSD, talvez eu me predisponha a fornecer as coordenadas para o Google Maps.
Até para que os dirigentes dos mesmos partidos que governam as Câmaras Municipais deste país se envergonhem das imputações de absentismo e pouco trabalho que, de vez em quando, gostam de agitar acerca dos professores e das escolas, porque é, exatamente, nas escolas, que mais se trabalha, em Portugal.

Os comentários à entrevista a Nuno Crato, talvez comemorativa das vésperas da noite de Halloween, avançarão a seguir.

Domingo, 30 de Outubro de 2011

Demagogia...

Quando tanto se fala de rigor e exigência, seria bom que o senhor ministro fosse um praticante convicto desse mesmo rigor quando, demagogicamente, lança uns bitaites esquecendo-se que os portugueses não são aquilo que os políticos cada vez mais demonstram ser.
Seria bom que o senhor ministro não dissesse apenas aquilo que lhe convém, como o expresso neste excelente post do meu amigo Octávio, mas, em abono do rigor (apenas para os outros) tão apregoado, dissesse também tudo aquilo que a imagem que a seguir se coloca reflete.
Seria uma mera questão de honestidade intelectual, seriedade e rigor. 
 
In Público, 29/10/2011
José Aníbal Félix de Carvalho

Sábado, 29 de Outubro de 2011

Corta-Relvas


O ministro Miguel Relvas, que mimetiza, no governo de Passos, o estilo e a função de Silva Pereira no governo de Sócrates, foi, anteontem, entrevistado por Judite de Sousa (cada vez mais especializada em manchetes e a passar por uma crise de acutilância), na TVI, onde corporificou o protótipo de político que o país dispensava nesta altura, mercê da crescente erosão de credibilidade que afeta a retórica partidária e governamental.
O momento crítico que o país atravessa requeria a mobilização de todos, mas, tal apenas seria possível se houvesse equidade na distribuição dos sacrifícios (o que  não se verifica) e se os responsáveis pelos múltiplos buracos fossem responsabilizados e penalizados (o que não se vislumbra), além de que se exigia transparência, verdade e fidelidade à palavra dada, da parte dos políiticos, também como forma de não se correr o risco de exasperar, até aos limites do descontrolo, aqueles portugueses que, repetidamente, são chamados a arcar com os custos das patifarias políticas de uns poucos.
Ora, o estilo matraca falante de Relvas (a picareta de Guterres sairia sempre a perder na comparação), que atropelou as questões da jornalista e procurou ludibriar nas respostas, sempre que vinham à liça as incoerências e as mentiras de Passos Coelho, foi insuportável e potenciador de ainda maior indignação.
Miguel Relvas teve, mesmo, o desplante de reiterar, contra a factualidade de declarações e situações, que para este Governo "as palavras valem a sério" ou, num acometimento de oportuna amnésia, de admitir "não se recordar de muitas promessas na campanha, porque o caminho foi sempre muito claro" e porque, de acordo com a sua aparente comoção cerebral, Passos Coelho "tem tido o mesmo comportamento de antes" (a título de exemplo, não se recorda, Relvas, do que Passos Coelho afirmou publicamente e escreveu a propósito do modelo de avaliação e das ideias defendidas por Santana Castilho?...).
Uma parte da função política de Relvas parece estar definida: tudo aponta para que lhe competirá a tarefa retórica de negar, esbater, reparar danos, ilusionar ou, mesmo, torturar a realidade até que a mesma se adeque à sua verdade, como ainda ontem parece ter acontecido a respeito da entrega das Grandes Opções do Plano.
Está garantida a continuidade da "velha política"!...

Destruído o argumento da inevitabilidade dos cortes nos subsídios dos funcionários públicos

O constitucionalista Jorge Bacelar Gouveia teve, nesta participação na noite informativa da SIC Notícias, uma intervenção demolidora do argumento de Passos Coelho relativo à inevitabilidade dos cortes nos subsídios dos funcionários públicos (refugiado que já estava no argumento de autoridade do mando da Troika), além de defender, juntamente com a jurista Isabel Moreira, a inconstitucionalidade da medida.
Por que razão, o falsamente "corajoso" primeiro-ministro, não optou pelo corte nas contrapartidas às empresas das PPP, ao invés de cortar, mais uma vez, no elo mais fraco e menos responsável dos rendimentos do trabalho?
Vale a pena escutar e divulgar o mais amplamente possível.

Sexta-feira, 28 de Outubro de 2011

Uma espécie de terapia de grupo

Manchete do Sol, 28/10/2011
As informações que vão sendo publicitadas da reunião do Conselho de Estado não acrescentam nada de relevante ao que a frivolidade e a vulgaridade deste comunicado já permitia antever.
Confirmada, mais uma vez, a natureza inconsequente das declarações de Cavaco Silva, também não posso deixar de me questionar, quer sobre a utilidade de um órgão consultivo em que, relativamente a algumas temáticas, como é o caso da atual situação do país, as posições dos seus membros são por demais conhecidas, quer sobre a produtividade e a eficiência de um grupo de discussão que, ao fim de seis longas horas, conclui pelos lugares comuns e pelos apelos românticos, desmobilizadores da análise crítica, da exploração de alternativas e da afirmação das diferenças, consubstanciados no comunicado da reunião.
Excluindo o eventual efeito de uma espécie de "terapia de grupo" que a circunstância das intervenções dos membros do Conselho de Estado possa ter induzido, até pela catarse e pelo prazer narcísico de cada um fruir a audição da sua própria voz, não vislumbro nenhuma razão que justifique a existência desta estrutura.
Uma auscultação telefónica ou um parecer solicitado por email parecer-me-iam mais do que suficientes.

O buraco

O "balde europeu" está, mesmo, furado. Vale a pena ler esta excelente análise de Paul Krugman (obrigado, Elisabete!...), nem que mais não seja, para esfriar alguns entusiasmos injustificados.
(...)
It’s a vicious circle, with fears of default threatening to become a self-fulfilling prophecy. To save the euro, this threat must be contained. But how? The answer has to involve creating a fund that can, if necessary, lend Italy (and Spain, which is also under threat) enough money that it doesn’t need to borrow at those high rates. Such a fund probably wouldn’t have to be used, since its mere existence should put an end to the cycle of fear. But the potential for really large-scale lending, certainly more than a trillion euros’ worth, has to be there.
And here’s the problem: All the various proposals for creating such a fund ultimately require backing from major European governments, whose promises to investors must be credible for the plan to work. Yet Italy is one of those major governments; it can’t achieve a rescue by lending money to itself. And France, the euro area’s second-biggest economy, has been looking shaky lately, raising fears that creation of a large rescue fund, by in effect adding to French debt, could simply have the effect of adding France to the list of crisis countries. There’s a hole in the bucket, dear Liza, dear Liza. 
(...) Ler tudo aqui.

Quinta-feira, 27 de Outubro de 2011

Agora sim, a luta é a sério

Até aqui, talvez por uma questão de afinidade ideológica, foi notória a brincadeira, especificamente, na forma como os sindicatos, e em particular a Fenprof, lidaram, tolerantes e coniventes, com a farsa da avaliação do desempenho docente. Agora, parece que a luta é a sério.
Depois de dois ou três anos sem se enxergar um delegado sindical nas escolas, talvez, finalmente, o exército de sindicalistas tenha encontrado as coordenadas do caminho de regresso às escolas... ou, talvez não, como na canção:

E nós, pimba!

Daqui
Exigência? Autoridade? Disciplina? Não são aspetos estruturantes e, como tal, há tempo para tratar disso.
Urgente, urgente, era fazer tábua rasa de promessas eleitorais e acabar com uma farsa da avaliação de desempenho, aprovar uma extraordinária “nova” ADD e esperar pelas bombas para a (antes) tão apregoada implosão.
Muito bem prega Frei Tomás…

José Aníbal Félix de Carvalho

Quarta-feira, 26 de Outubro de 2011

Limpar as mãos à parede


Tratando-se de outro tipo de personalidades, seria uma honra para as gentes do distrito de Vila Real terem dado ao país dois primeiros-ministros transmontanos e ligados à cidade de Vila Real.
Todavia, constatada a forma despudorada e desmazelada como ambos lidaram/lidam com a verdade e com o cumprimento da palavra dada, para não falar na miséria, no empobrecimento, no desemprego e no desespero que as suas políticas já acarretam e acarretarão para as famílias, bem podem os vilarrealenses começar a limpar as mãos à parede.

A oeste nada de novo

Daqui
O que interessa mesmo, e o que era mais importante, é que se conseguiu pacificar as escolas com a conclusão de uma farsa da avaliação de desempenho docente e aprovou-se um extraordinário “novo” modelo de ADD!
E para estes grandes políticos esclarecidos, coerentes, cumpridores da palavra e das promessas eleitorais não vai nada, nada, nada?!...

José Aníbal Félix de Carvalho

Santana Castilho: Quando a mentira oprime a nação

Trata-se, tão-só, da mais genial desmontagem das aldrabices, dos embustes e das mistificações de um Passos com perna curta para a mentira.
Não vou tecer mais comentários ao texto de Santana Castilho, dado que a sua contundência e eloquência impõem-se por si mesmas, apenas sublinhar a urgência de se começar a construir uma reação e uma mobilização que vá além dos habituais marasmos e espartilhos sindicais.
O que deputados, políticos, jornalistas, comentadores e analistas económicos, por não fazerem o trabalho de casa e se limitarem a debitar ideias feitas e lugares-comuns, teriam a aprender com a lucidez, o espírito autónomo e a consistência de Santana Castilho!...

In Público, 26/10/2011
(Clicar na imagem para aumentar)

Terça-feira, 25 de Outubro de 2011

O meu direito adquirido é mais intocável do que o teu

Mesmo não querendo parecer moralista, tenho por adquirido que a vida política, em Portugal, anda pelas ruas da amargura, no relativo à perda de referenciais éticos, à escassa vinculação a uma exemplaridade da conduta, mas também na facilidade com que se vêm banalizando e normalizando os logros eleitorais e as intervenções autocontraditórias, já descontando as incompetências e as irresponsabilidades de tanto fura-bolos que viu nos partidos o seu desenrascanço profissional e existencial.
A falta de ética na política, para que contribuiu a confluência da subversão do valor pelo preço e do individualismo exacerbado do "salve-se/encha-se quem puder", tem, hoje, uma expressão grosseira e cinicamente cultivada na forma reiterada como se viola a regra de ouro da ética, tal como expressa nesta formulação adaptada: "Não faças ou não inspires e defendas que façam aos outros o que não admites que seja feito em relação a ti próprio".
Vem esta reflexão de pendor mais filosófico, ético e sociológico a propósito das declarações de Ângelo Correia (uma espécie de zelador da empregabilidade e de mentor ideológico de Passos Coelho), reproduzidas em baixo, as quais me deixaram perplexo e a pensar como é concebível que um defensor de cortes na função pública, que representam a extorsão de direitos e o incumprimento de contratos, pode vir agora, uma vez chegado o fogo ao seu quintal, invocar o princípio do "direito adquirido" para manter uma subvenção (na maioria das situações conhecidas, absolutamente desajustada do seu espírito compensador e reintegrador), tendo em conta que nunca lhe escutei um decibel a condenar os ataques sucessivos aos direitos dos funcionários públicos protagonizados pelo anterior governo e pelo atual.
Dever-se-iam extrair todas as conclusões autorizadas pela argumentação a que Ângelo Correia recorre para fundamentar a "dádiva" do Estado aos ex-titulares de cargos políticos, nomeadamente, derrogá-la sempre que o desempenho do cargo político não só não acarretou perda de proventos e de estatuto socioprofissional, como até foi gerador de aumento de rendimentos, de oportunidades de carreira(s) e de enriquecimento. Aqui, a subvenção deveria ir do beneficiado para o Estado.
E o "horário de trabalho" não foi um "direito adquirido" à custa da luta histórica dos trabalhadores (que não, propriamente, oferecido de bandeja pelos políticos a si próprios)?
E os subsídios de férias e de Natal não são "direitos adquiridos"?
É preciso ter muita lata!...

Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011

No básico e no secundário, reina a paz dos anestesiados

Parece que os professores do Ensino Superior se começam a movimentar para reagirem contra os cortes orçamentais.
Já no Ensino Básico e Secundário, os sindicatos, há séculos desaparecidos das escolas, tornaram-se, no exato momento em que se anunciam os maiores ataques à escola pública, uma espécie de aves hibernantes ocupadas a negociar tretas, enquanto os professores dão a sensação de estarem anestesiados, terem ficado sem pilhas ou terem ficado abananados e incrédulos com as endrominadas e os ataques à falsa fé do PSD e do CDS-PP (apesar de os centristas andarem escondidos, talvez mais envergonhados com as promessas incumpridas).
Uns desiludidos, outros amedrontados, muitos resignados, mais alguns acomodados e um ou outro emigrado em Marte, os professores sempre vão resmungando e protestando, mais ou menos silenciosamente, entre paredes.

E assim qualquer coisa como AGIR?

 (...)
Fonte: Rádio Renascença
Confesso alguma saturação e muito ceticismo relativamente a estas notícias requentadas de denúncias de ilegalidades e inconstitucionalidades, mas que, regra geral, não são consequentes no sentido de serem desencadeados os procedimentos judiciais ou de recurso tendentes a acusar de ilegalidade e de inconstitucionalidade (entre nós é mais grave e penalizável violar a lei ordinária do que atentar contra a lei fundamental) as decisões e os atos governativos.
Além do mais, quando estas imputações procedem de juízes torna-se caricatural dizer-se que se vai "zelar" e "alertar". Não será preferível agir judicialmente, em força e em todas as frentes e possibilidades?
Como se já não bastasse a constatação recorrente de, nestas coisas de apuramento da inconstitucionalidade, quando as medidas são provenientes de Governos contarem, regra geral, com hermenêuticas elásticas, latas ou generosas do Tribunal Constitucional, ao passo que quando as mesmas emanam de oposicionistas aos Governos, então, chumbo nelas.
Seja como for, com retórica mole isto já não vai ao sítio (constitucionalmente, falando)!...

O Tó-Zé está Seguro desta escolha?

Que credibilidade pode merecer a nova direção do PS e a Assembleia da República com esta escolha?
Seguramente, nenhuma!...

Falha de comunicação ou deixa lá ver se passa?

Pela data de aprovação do anafado Orçamento da Assembleia da República (30 de setembro de 2011), acredito que a inscrição da verba relativa aos subsídios de Natal e de férias dos senhores deputados e funcionários da AR tenha resultado de uma falha de comunicação entre órgãos de soberania ou, como me parece mais provável, de um desconhecimento face a um corte governamental forçado, injustificado e imprevisto, também porque injusto.
Mas, num Governo impotente para travar as escandalosas "gorduras" do Estado (Parcerias, Institutos, Fundações, Administrações de Empresas Públicas, BPN, pareceres, alcavalas...) e distraído face às mordomias obscenas de políticos, sendo mais reativo a indignações que preventivo e afirmativo, também não se pode descurar a hipótese de "atirar o barro à parede para ver se pega".
De qualquer forma, vamos estar atentos a tentações e eventuais truques de excecionalidade, pois, já basta haver muitos portugueses dispensados dos sacrifícios.

Domingo, 23 de Outubro de 2011

Lançamento nacional do iPobre

Ainda que importado de uma das economias emergentes (a nossa tenderá a ficar cada vez mais "submergente"), como é o Brasil, prevê-se que o pico de vendas, entre nós, ocorra em 2012, 2013 e anos seguintes.

Adeus ao Facebook

Problemas de segurança levaram-me, hoje, a tomar a decisão de desativar a minha conta no Facebook (vide texto em baixo).
Confrontado com publicações nada recomendáveis que aparecem aqui, no meu Mural, em meu nome, mas que não são da minha autoria e responsabilidade, antes procedem de uma usurpação criminosa de identidade que, infelizmente, grassa impune na Internet, não me resta outra alternativa que não seja encerrar esta página no Facebook.
Agradeço a todos os "5000 amigos" a paciência que tiveram para aturar os meus textos (esses sim, da minha autoria) e desejo a todos as maiores felicidades pessoais. Abraço e até sempre! 
P.S.: quem manifestar interesse em seguir as minhas reflexões pode sempre fazê-lo, visitando o meu blogue (http://octaviovgoncalves.blogspot.com/), mau grado também este andar a ser bombardeado por falso tráfego (spam).

Sugestão do dia: Sandes de banha e couratos

As listas e as referências, como as postadas em baixo, saem sempre incompletas, pelo que convém referenciar a identidade de todos os que, não tendo feita carreira ou não trabalhando para o Estado, na base de longas carreiras contributivas, vivem a expensas do erário público, não só para se ter a perceção da extensão da mamadeira, mas, sobretudo, para se perceberem os enquadramentos e as motivações das narrativas de ataque aos funcionários públicos com que, por estes dias, nos vão martelando nas televisões.
Os jornalistas deveriam começar por confrontar estes personagens com as seguintes três questões cruciais:
- a que concursos públicos se submeteram ao longo da vida?
- que procuras encetaram e que dificuldades de emprego enfrentaram no decurso das suas vidas profissionais?
- que rendimentos, diretos ou indiretos, lhes vêm do Estado?
Porque, se os professores, os médicos, os juízes, os enfermeiros e as forças de segurança são a "gordura" do Estado, na famigerada versão deste PSD e deste CDS-PP (em bom rigor, começo a ter algumas dúvidas se, à exceção de algumas bases, haverá outros), então, vós "sandes" (de) banha e couratos.

Manchete do Diário de Notícias, 23-10-2011
In Correio da Manhã, 23-10-2011

Uma terapia de Mota (até) Soares

Os meus amigos da APEDE já denunciaram o carácter inacreditavelmente pândego desta proposta do Ministro da Solidariedade e Segurança Social, a qual visa "contagiar" a Administração Pública com o bichinho  do voluntariado, no exato momento em que o Governo decide piratear uma fatia substancial dos rendimentos dos funcionários públicos (esta gente tem um notável sentido do ridículo, do gozo e da inoportunidade), assim desviados para o Estado poder continuar a assegurar projetos "solidários" de manutenção de gorduras e indignidades, como, por exemplo, estas (basta atentar na retórica mediática de muitos destes personagens a exigir, como inevitável, o sacrifício dos outros), estas (para socorrer uma certa "boyada" que detesta funcionários públicos que fariam, com menos custos, exatamente o que eles são chamados a fazer) e estas (no aproveitar é que está o ganho).
Protestos, manifestações, greves, indignações, desmotivação? Qual quê? Façam o favor de sublimar a revolta e passem a canalizar a energética da indignação para o trabalho voluntário. Pelo caminho, Mota Soares, em articulação com o Ministro da Saúde, ainda organiza umas missas de Acção de Graças e umas novenas, de forma a que os funcionários públicos possam manifestar o seu reconhecimento pela sorte em poderem contar com um Governo tão justo e magnânimo.
Tudo isto é ingenuidade, provocação ou apenas mais um sinal do projeto de conversão dos funcionários públicos nos trouxas desta governação?
Por que cargas de água estes governantes bem-intencionados não exigem aos seus correlegionários da política, a quem esta propiciou carreiras e condições de vida tão bem sucedidas que há muito recomendariam os seus desmames do Estado, que abdiquem das suas reformas e subvenções de sobrevivência em favor dos mais desfavorecidos ou em auxílio do equilíbrio das contas públicas?
Isto sim, seria um extraordinário serviço prestado aos cidadãos deste país que passam por dificuldades, às finanças do Estado, à equidade e à decência!

A miopia de betos, filhos do papá e subvencionados do Estado

Continuo divertido com o nervosismo e a chinfrineira que as críticas de Cavaco Silva à opção divisionista de Passos Coelho em castigar brutalmente os funcionários públicos (ao arrepio da sua dissimulada retórica eleitoral) têm desencadeado nos detratores de médicos, professores, enfermeiros, juízes ou agentes de segurança que servem o Estado.
Um número significativo destes insofridos são oriundos do CDS-PP e do PSD e alguns são enquadráveis numa das três categorias de bafejados profissionais e políticos: os "betos", os "filhos do papá" e os que, não sendo, propriamente, funcionários do Estado, vivem, direta ou indiretamente à custa deste, como os catapultados pelos partidos ou pelo desempenho, algures no passado, de funções governativas, os subvencionados e os reformados (obviamente, do Estado, pasme-se!...).
Além destes personagens terem facilitada a via de acesso à comunicação social para debitarem as suas baboseiras, usufruem de condições de vida altamente favorecidas e, regra geral, obscenamente abonados a anos luz dos funcionários públicos, por força do apelido e/ou do cartão partidário (que não apenas por habilitações académicas, inteligência ou igualdade de oportunidades), o que os torna prepotentes e insensíveis às condições de vida e às dificuldades daqueles que vivem, abnegadamente, do seu trabalho ao serviço do Estado, que não servindo-se do Estado.

Neste particular, a capacidade de visão à distância de Cavaco Silva contrasta com a miopia destes gestores e políticos, que pouco mais enxergam que a biqueira dos seus sapatos, tal a desfocagem que os priva de verem o desastre recessivo e a miserabilidade que aí vem, aliás, a mesma cegueira que os levou a defenderem Sócrates nos seus desprezíveis ataques contra a respeitabilidade e os "privilégios" dos professores (a minha memória registou como alguns se colocaram do lado da imposição do modelo absurdo e farsante de avaliação dos professores).
Cavaco Silva, além da liberdade que lhe assiste para sublinhar publicamente as suas convicções de sempre, também não pode pactuar com um caminho com o qual não se identifica (e não venham com essa treta da inevitabilidade, porque, ainda, em Maio, as soluções de muitos destes personagens eram bem diferentes  - e nem vale a pena recordar-lhes a imbecilidade da descida da TSU), pelo que está na liberdade e na visão do Presidente da República preservar o exercício da sua autoridade, da sua autonomia e da sua intervenção no pós desastre deste Passismo.

Sendo os funcionários públicos uma parte substantiva da classe média e da força dinamizadora do mercado interno de produtos e serviços, sugiro que possamos estar atentos às empresas, às marcas e aos produtos/serviços a que muitos destes "betos" e "filhos do papá" estão ligados, de forma a que possamos boicotar as suas empresas e, deste modo, retribuir-lhes os cortes que defendem para os funcionários públicos.

Sábado, 22 de Outubro de 2011

A fábula do Coelho e do Monstro

A rigor, não é de uma fábula que, telegraficamente, vos quero falar, mas, ao invés, de uma história real, sórdida, engrampada e mal contada que o "Coelho" se predispôs a narrar acerca de um "Monstro".
Da oposição para o Governo, o "Coelho" escondeu a verdadeira identidade do "Monstro" e vem-no confundindo, agora e de forma intencional, com as mais nobres e imprescindíveis funções do Estado, como a Educação, a Saúde, a Justiça ou a Segurança, preparando-se, com a ajuda e a mobilização de "boys" e "penduras" do PSD e do CDS-PP, para atacar os rendimentos do trabalho daqueles que asseguram a disponibilização destas funções nucleares.
A narrativa governamental do "Coelho" (situada nos antípodas da narrativa oposicionista do "Coelho") visa poupar despesa nos serviços que são a razão de ser do Estado, para garantir a folga necessária à manutenção do verdadeiro "Monstro" que parasita o Estado e os cidadãos, para excitação daqueles que, aparentando estar fora do Estado (embora alguns estejam bem nas suas vísceras a sugar reformas ou subvenções) fazem ou têm a expetativa de fazer negócios à sombra e à custa do verdadeiro "Monstro" ou espreitam forma de se manterem avençados ou pendurados no verdadeiro "Monstro".
Eis, em baixo, o verdadeiro "Monstro", em algumas das suas múltiplas e mais vorazes faces, muitas das quais nem sequer a lipoaspiração serão submetidas, como parece ser o caso das Parcerias Público-Privadas (cujo rombo já vai em 15 mil milhões de euros e cuja fatura será enviada, mais uma vez, aos funcionários públicos), da Parque Escolar ou das Novas Oportunidades.
No mínimo, a fábula do "Coelho" é uma mistificação grosseira.

E o estupefacto sou eu?!

Manchete do Expresso, 22-10-2011
Este tipo de manchetes, para a eventualidade de a adjetivação "estupefacto" traduzir com exatidão o estado mental de Passos Coelho, é bem a expressão da obscuridade e da decadência moral que atravessa a política, o comentário e o jornalismo portugueses.
Num momento em que um político português, concorde-se ou não com ele (e eu, neste particular, concordo inteiramente com Cavaco Silva, como mostrarei em próximo post), vem tomar uma posição pública em absoluta linha de continuidade e de coerência com o que sempre defendeu (muitos tratantes da política atual, agora tão escandalizados, elogiaram essa mesma crítica quando foi direcionada à decisão de Sócrates de cortar no vencimento dos funcionários públicos, o que evidencia a máxima pela qual se rege esta gente: a da atuação de favor e de conluio, em função da cor dos olhos do primeiro-ministro), como é concebível que alguém possa alegar surpresa ou estupefação?
Perplexidade e julgamento impiedoso deveria merecer, da parte de políticos, comentadores e jornalistas, a quebra injustificada da coerência, para o caso de não estarem, como estão, contaminados pela doença moral da habituação e da tolerância face às mentiras, às promessas incumpridas e à desonra da palavra dada.
Se Cavaco Silva não se revê nas opções do Orçamento, então, não tem apenas o direito, como tem a obrigação moral e política de manifestar publicamente essa discordância, aliás, como muitos tratantes da política atual sempre defenderam e lhe exigiram no passado recente.
Talvez, nem todos os políticos portugueses sejam tão troca-tintas como Passos Coelho se vem revelando (não se esqueçam também de acrescentar a primeira das intrujices - a que reportou à suspensão do modelo de avaliação dos professores).
E esta é que deveria constituir, exatamente, a estupefação de todos, Passos Coelho incluído!...

Sexta-feira, 21 de Outubro de 2011

Esqueçam os cortes nos subsídios

Para 2012 e 2013, o BCE já está a precaver a situação portuguesa, injetando o dinheiro compatível com o estado do país, com a saúde da economia e com a bolsa da maioria dos portugueses.
Aí está a nota que mais circulará:

Areia do mesmo saco

Quinta-feira, 20 de Outubro de 2011

A inevitabilidade de um novo governo

Bem sei que pode parecer disparatado que, quatro meses após o último ato eleitoral, ainda por cima propiciador de um suporte parlamentar maioritário, se venha defender a inevitabilidade da formação de um novo governo que seja suscetível, quer de responder adequadamente aos desafios dramáticos que o país enfrenta, quer de unificar e mobilizar a maioria dos portugueses num esforço comum e repartido de investimento suplementar (disponibilidade, trabalho, produtividade...) e de adesão a sacrifícios razoáveis, se orientados para fins decentes (que não voragens do tipo BPN, que devia e deve deixar-se falir) e com expetativas de que estes sacrifícios não caiam em saco roto.
Do meu ponto de vista, passou a ser absolutamente urgente e imperativo que se reponha a confiança entre os portugueses e os seus governantes (irremediavelmente arrasada pela compulsão mentirosa e ilusionista de Sócrates, mas também pela impreparação e despersonalização de Passos Coelho), o que pressupõe cortar radicalmente com a fatalidade de termos primeiros-ministros que mentem descaradamente e que executam políticas e decisões que não submeteram a veredito popular, minando, dessa forma, o âmago da representatividade democrática.

No caso presente de Passos Coelho e deste governo, são irretorquíveis as  razões e as evidências factuais que sustentam a perda irreversível de credibilidade, tal o atrevimento e o desatino com que desbarataram, em tão curto período de tempo, todo o capital de confiança e de esperança que uma parte significativa dos portugueses, apesar de Relvas e de experimentalismos neoliberais, lhes confiou.
Eis algumas dessas evidências:
- numa situação crítica, Passos Coelho não teve a inteligência e a humildade para distribuir os sacrifícios por todos e para envolver, na elaboração do Orçamento, a maior plataforma política e social possível, enveredando pela fórmula socrática e perigosa de dividir e espartilhar a sociedade portuguesa;
- Passos Coelho vem-se revelando um político sem palavra e, como ele próprio sublinha aqui, essa debilidade do caráter destrói a confiança nos políticos e na política, enquanto fator decisivo da mobilização do país;
- Passos Coelho já carrega a imagem, por responsabilidade própria, de ser um catavento político, mostrando-se uma personalidade demasiado influenciável, sem ideias e convicções próprias, desde a Educação, onde já papagueou as conceções acertadas de Santana Castilho e, agora, comunga com Crato no seu contrário (a pirueta na avaliação dos professores foi apenas mais uma faceta da falta de vergonha), até à Economia e às Finanças, com a brincadeira da TSU, os Eurobonds, as tão estudadas "gorduras" do Estado, a via do não agravamento de impostos ou a preservação da classe média e do funcionalismo público face à rapinagem do Estado;
- quase tudo o que Passos Coelho defendeu na oposição, foi por água abaixo, o que além de ser revelador de uma arrepiante impreparação, não deixa de constituir uma inegável fraude política;
- Passos Coelho equivocou-se, certamente, na leitura dos resultados eleitorais, negligenciando que uma parte da votação visou afastar Sócrates e outra parte significativa acreditou nas suas promessas e convicções pré-eleitorais e eleitorais, cedo desonradas.

Como se este quadro não fosse, de si, suficientemente frustrante e grave, acresce a tudo isto a circunstância de, com Passos Coelho e com esta maioria PSD/CDS-PP, se terem esgotado as alternativas de governabilidade do país suportadas em soluções partidárias e se ter consumido a última chama de esperança e ilusão dos portugueses numa saída para a crise que atravessamos.
Assim sendo, não tenho dúvidas que a extrema gravidade da nossa situação aconselha, a breve prazo, a constituição de um governo de convergência nacional, de iniciativa presidencial, que reúna as personalidades mais bem preparadas e mais reputadas em cada área de atuação governativa, na expetativa de que possam unir os portugueses (que este Orçamento de Estado está a tornar mais desavindas) e possam repor a decência, apaziguar e mobilizar todos para o esforço de reconstrução nacional.

Permito-me, a este respeito sugerir algumas personalidades: Bagão Félix (Finanças- rigor, seriedade e sensibilidade social), Santana Castilho (Educação - decência e exigência nas escolas), Luís Amado (Administração Interna - apaziguador num momento de conflitualidade latente), Manuel Antunes (Saúde - pelo saber e pelo exemplo de organização, produtividade e eficácia), Vera Jardim (Justiça - respeitabilidade),  Maria Belém Roseira (Assuntos Sociais - sensibilidade e conhecimento do terreno)... apenas para dar alguns exemplos.

Em termos de medidas emblemáticas e motivadoras, a criatividade permitiria resolver muitos problemas e criar outro clima a nível nacional, tanto nos domínios da equidade, como nos planos da motivação para participar nos sacrifícios, como, por exemplo:
- taxar e penalizar, em primeiro lugar e fortemente, o que é dispensável, o acessório, o luxo e o patogénico (como têm sugerido individualidades e estruturas na área da saúde);
- chamar todos a contribuir para o esforço nacional, a começar pelas grandes empresas e grandes grupos económicos que drenam os lucros para o estrangeiro;
- limitar os vencimentos e regalias dos empregos políticos e afins (em estruturas do Estado), de forma a que ninguém pudesse auferir vencimento global superior ao do Presidente da República;
- ao invés de tirar dinheiro às pessoas, converter os sacrifícios em investimentos temporários no país, a título de empréstimos ao Estado, repostos no futuro, quando o país saísse da crise e crescesse economicamente (o que seria, nessa ocasião, um fator de dinamização do mercado), tanto sob a forma de devolução, como sob a forma de abatimentos face aos pagamentos ao Estado.

A dor de perder um amigo

 

Precisamos de um governo não socialista, em Portugal

"Precisamos de valorizar cada vez mais a palavra." (Redobrada lata de Passos Coelho).
Este também já era!...

Pressente-se o caos...

...Político, financeiro, económico, moral e intelectual.


Quarta-feira, 19 de Outubro de 2011

Uma acertada, mas inútil, Cavaqueira?

Do ponto de vista da narrativa política, Cavaco Silva parece ter reemergido da irrelevância e da trivialidade retórica em que vinha vegetando, tornando-se certeiro e audível nas suas últimas intervenções públicas, desde o discurso de Florença, no Instituto Universitário Europeu, onde arrasou a dupla meia-leca que controla e paralisa a Europa, até às declarações de hoje, em que arruína a estratégia (melhor, a ausência dela) de Passos Coelho e do Governo ao defender que o corte nos subsídios é uma "violação à equidade fiscal" e que esta "austeridade orçamental não garante crescimento no futuro".
Parecendo contrariar a orientação governativa de penalizar os mesmos de sempre com mais aumentos encapotados de impostos, que não, propriamente, redução estrutural de despesas, a posição coerente de Cavaco Silva tem três méritos fundamentais:
- deita por terra o argumento da inevitabilidade destas medidas, sugerindo a existência de caminhos alternativos;
- revela uma consciência aguda da equidade e da força moral que advém da distribuição dos sacrifícios por todos (cabendo menos a cada um se todos contribuírem), uma vez que a responsabilidade dos funcionários públicos no desvario da governação do Estado é, exatamente, a mesma dos restantes cidadãos. Neste particular, as reações de Jerónimo de Sousa e de Francisco Louçã às declarações de Cavaco Silva são de uma infelicidade total, de onde  se infere que preferem, no limite, o esmagamento dos funcionários públicos a generalizarem-se os sacrifícios a todos;
- preserva uma margem de atuação futura que, do meu ponto de vista, deve passar, como defenderei em próximo post, pelo patrocínio de um novo governo de convergência nacional que reúna gente, reconhecidamente, competente e credível.
Todavia, o posicionamento de Cavaco Silva também pode vir a traduzir-se numa verdade (que é indiscutível), mas sem consequência, restringindo-se a pouco mais que mera cavaqueira, funcionando apenas como almofada psicológica para acomodar descontentamentos e indignações.
Seria uma lástima, mas é bem capaz de ser este o destino mais provável.

Este tipo não percebe nada da poda

E vou resistir à tentação de me pôr a discorrer sobre um sistema de jogo destruído e acerca de opções falhadas (Guarín, se comparado com Defour ou com Belluschi, não tem lugar inicial na equipa do Porto).

Eterna saudade

Absolutamente lapidar, Zé!...

Terça-feira, 18 de Outubro de 2011

Quem puder ajudar, agradece-se

A galeria está, obviamente, muito incompleta, mas este grupo de pretensos desvalidos da política não escapará ao arraso dos cortes e dos sacrifícios que aí vêm, o que não deixará de ser lido como uma magna injustiça, tal a incomensurabilidade dos contributos que este camarim de génios prestou/presta ao país.
Seria um gesto de grande humanidade se o Expresso pudesse providenciar uma espécie de "caixa de esmolas" para que os funcionários públicos e a classe média em geral venham em socorro destas vítimas, apanhadas em cheio na voragem da crise!...

Fonte: Expresso

Depois da amnésia, a independência

A indecência, a que o meu amigo Manuel Salgueiro se refere aqui, acaba de ser reconhecida pelo ministro das Finanças, o qual admitiu, uma vez superada a amnésia/distração de partida, que esta excecionalidade aos sacrifícios será corrigida.
Todavia, como o Estado está absolutamente minado por estatutos de exceção, ilhas, escapatórias e alçapões, tudo indica que, agora, são estes "independentes" que se furtarão aos cortes e à concomitante imolação.

Haja decência...

A crer na notícia, isto da austeridade (e da crise), como está bom de ver, é como o Sol: quando nasce não é bem para todos!
Assim, novamente de acordo com a fonte anterior e citando, "Os antigos titulares de cargos políticos vão escapar ao esforço adicional de austeridade que será exigido aos funcionários públicos e pensionistas que ganhem mais de mil euros", tal como prevê o chamado OE (Orçamento de Estado) para 2012! O "assalto" ao bolso destes cavalheiros (e provavelmente de algumas donzelas) limita-se a tributar a coisa em sede de IRS!
Já se está a imaginar o alarido e a conversa do costume por tamanha bênção, tudo uma questão de inveja tipicamente tuga. No fundo, no fundo, outra coisa não seria de esperar. Para quem muito provavelmente deu tudo o que tinha e o que não tinha a bem da Nação, nomeadamente conduzindo-a ao estado de miséria e de ruína em que se encontra, perdoar-lhes qualquer rombo no delicado orçamento era da mais elementar justiça e da mais elementar decência! Era só o que faltava!
Haja decência!!!

Manuel Salgueiro

Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011

A educação no OE 2012: continuidades e generalidades

Espremendo a retórica, no concreto resulta quase coisa nenhuma, excetuando as más notícias da aposta na mobilidade e na oferta privada.
Em termos de reorganização e racionalização curricular, não é expetável nada de verdadeiramente prometedor, tendo em conta as convicções pessoais de Nuno Crato (porque, em termos educacionais, o PSD não existe).


Daqui (pp. 197-198)

Não brinquem com a dignidade e com a vida das pessoas

Daqui
(Obrigado, Elisabete!)
Aqui fica o alerta!
Acresce que a Grécia era um dos países da Europa com uma das mais baixas taxas de suicídio, antes de se ter instalado a patologia social desencadeada pela irresponsabilidade e incompetência de políticos e gestores.
Se tivermos presente que seguimos, inexoravelmente, a mesma trajetória trágica da Grécia, o que aí vem, do ponto de vista da saúde mental, pode ser verdadeiramente preocupante.
E, como já se percebeu, tanto aos que tomam decisões de ânimo leve e impreparadas e em desonra da sua palavra, como aos cavadores de buracos, desde o BPN ao Estado, nada acontece, nem os afeta nenhuma doença psiquiátrica.

Nem coragem, nem verdade


Um político corajoso não é aquele que anuncia as medidas mais básicas e de resultados a curto prazo (que não estruturalmente) mais óbvios e facilmente previsíveis (e que coragem há na inevitabilidade?...), à custa do ataque aos rendimentos dos funcionários públicos, nem aquele que é incapaz de falar verdade a uma jovem, num assomo de anti-pedagogia.
No mínimo, valorizo o contributo de Passos Coelho para reforçar os vínculos de credibilidade entre pais e filhos, mesmo que a expensas do seu próprio descrédito pessoal, pois a adolescente do vídeo acaba de ter a prova definitiva para continuar a confiar na mãe e para desconfiar da palavra dos nossos políticos de aviário.
Esta gente, Paulo Portas incluído, não tem vergonha na cara quando sai à rua e tem que enfrentar as pessoas a quem mentiram, olhos nos olhos?

E, por falar em verdade, aqui fica uma listagem de mentiras na crónica de Manuel António Pina, a que se deve acrescentar o primeiro dos incumprimentos descarados: aquele que reportou à suspensão não consumada, com base em evasivas esfarrapadas, do modelo e do processo de avaliação dos professores.

Daqui

A bem da Filosofia

Manchete do Correio da Manhã (17-10-2011)
Com mais, menos ou nenhum proveito, de uma coisa Sócrates não se livra: por onde passou a sua atuação governativa ficou um lastro negro de suspeitas, opacidades, ocultações, arrogâncias, propaganda, ilusões, mentiras, políticas desastrosas e ruinosas megalomanias.
No caso vertente, talvez este Vara, mesmo afastado dos centros da decisão política e financeira, ainda mexa as suas influências e safe Sócrates de, eventualmente, ter de vir a enfrentar outras varas (as dos tribunais).
Não deixaria de ser tristemente irónico que, depois de deixar os seus concidadãos à beira da cova, Sócrates viesse, ele próprio, a ver afundada a sua honorabilidade pessoal e a sua já ínfima credibilidade política, na Cova da Beira, algo que, honestamente e como colega das lides filosóficas, nem sequer espero ou lhe desejo.

Domingo, 16 de Outubro de 2011

Defender os meus investimentos forçados no Estado

Esgotei a paciência para financiar, quer desmandos do Estado e dos irresponsáveis que nos têm governado, quer despesas injustificadas e imorais de estruturas, dirigentes e agentes do Estado, ainda por cima quando um primeiro-ministro, rapidamente convertido em clone de Sócrates, direciona para muitos de nós (profissionais com formação superior - se calhar até à dele próprio - que somos remunerados apenas pelas nossas horas de trabalho, sem motoristas, carros, cartões de crédito, subsídios e outras voracidades) um discurso de culpabilização e de responsabilização pela vergonha a que o Estado chegou, indo à desfaçatez de se apoiar em dados desatualizados e falaciosos.
Como, desde 2009, altura em que o Estado se tinha comprometido comigo a mudar-me de escalão, ando a financiar irresponsabilidades e (dis)funcionamentos para que não contribuí, então, tal significa que me tornei, na prática, coproprietário do próprio Estado.
Como tal, vou estar, doravante, atento ao despesismo e às mordomias injustificadas dos setores da administração pública que vivem à grande e à francesa, chamando à atenção sempre que as situações ocorram à frente do meu nariz, denunciando e, se nada se inverter, exigir, junto de quem de direito, a responsabilização pessoal, financeira e criminal dos prevaricadores da decência e da equidade.
Procurarei atuar sempre que (e vou dar apenas os exemplos mais comuns, entre uma miríade de outros até mais graves e de maiores proporções financeiras):
- os cartões de crédito sustentem a luxúria dos seus detentores;
- se façam investimentos desnecessários em frotas de automóveis topo de gama (como na notícia em baixo) e com consumos de combustível acima da média;
- um motorista esteja longos minutos (chega-se a exceder 1 hora) com a viatura a trabalhar e o ar condicionado ligado, enquanto espera por um administrador ou um detentor de cargo público;
- as viaturas do Estado sejam utilizadas para levar os filhos à escola, para passeios ao fim de semana ou para transportar as mulheres ao cabeleireiro (ou afins);
- se atribuam subsídios, alcavalas ou privilégios injustificados;
- saiam do Estado pagamentos obscenos de prémios ou remunerações;
- se organizem eventos destituídos de qualquer utilidade pública ou serviço à comunidade.
Se for o caso, não me inibirei de ponderar a apresentação de queixas-crime, pois não tenho mais orçamento disponível para continuar a financiar os "mamões" do Estado, sejam eles quem forem.
Não é por nada, trata-se apenas da circunstância trivial de a conta para pagar, mais cedo ou mais tarde e sem o meu consentimento ou contributo, me aparecer em casa.

Fonte: Correio da Manhã

A palhaçada continua

Fonte: Correio da Manhã
Mesmo não discutindo variáveis como a distribuição de turmas (em muitas escolas, lecionar às turmas A, B e C de 12º ano não é, exatamente, o mesmo que lecionar às turmas D, E e F - e os professores percebem o que está aqui subjacente em termos de capacitações, empenho, estudo, explicações...) e desconhecendo, quer o trabalho da professora, que acredito seja muito bom, quer a operacionalização que a escola empreendeu da FARSA, a questão decisiva é esta: o que é que um modelo destituído de seriedade, arbitrário e opaco de avaliação tem a ver com a qualidade do desempenho docente dos professores? Pois, rigorosamente nada!
E se alguém estiver interessado em que lhe demonstre, tim-tim por tim-tim, por que razões não tem, disponha.
O mais vergonhoso é esta palhaçada contar com o beneplácito e a legitimação do PSD, de Passos Coelho e de Nuno Crato!

Sábado, 15 de Outubro de 2011

E para Sócrates, não vai nada, nada, nada?!

Até posso estar de acordo com a indignação manifestada, no vídeo em baixo, por D. Januário Torgal Ferreira, tal os ataques brutais que, desde Sócrates, vêm sendo dirigidos contra a classe média em geral, os funcionários públicos e, especificamente, os professores (recorde-se que as carreiras docentes se encontram congeladas desde 2005).
Não me recordo, porém, de ter ouvido o Senhor Bispo insurgir-se, com este registo de indignação, contra a forma como os governos de Sócrates achincalharam os professores, geraram desemprego, endividaram e arruinaram o país, mentiram e criaram ilusões ou desencadearam o processo de miserabilização da classe média e do funcionalismo público.
Não é por nada, mas a coerência e a lucidez aconselhavam que se começasse por Sócrates.

Estou mesmo, mesmo, indignado

Ao contrário do movimento Occupy Wall Street, que me parece dispor da organização e da dinâmica para vir a causar mossa, as manifestações nacionais de indignação não excedem uma improfícua convergência de catarse e folclore.
Não creio que este tipo de manifestações possa ir muito longe se os organizadores não se derem ao trabalho de, por um lado, identificarem claramente os responsáveis pela situação atual do país, exigindo a sua responsabilização, e, por outro, produzirem um documento credível de governabilidade e sociedade alternativas.
Até lá, o que sobrevive é a ideia de estarmos perante manifestações folclóricas, mais ou menos catárticas, que se vão ritualizando a cada seis meses e que terminam inconsequentes e difusas, sem nenhuma mensagem eficaz e sem nenhum caderno reivindicativo concreto e calendarizado.

Carnificina? Estavam à espera de quê?

Está escarrapachado em praticamente toda a imprensa do dia: No Básico e no Secundário o afundamento das escolas públicas nos rankings é mais do que evidente, só não vê quem não quer (mesmo) ver! Já se sabe que rankings são rankings e que não é possível comparar o incomparável, nomeadamente uma escola pública e uma escola privada, mas parece mesmo que alguma coisa anda a correr mal na (des)Educação da Nação!
E há ainda quem se espante, se indigne, faça parangonas, insinue a existência de “mistérios” na atribuição das notas internas e até explique tamanha carnificina, dando mesmo vontade de perguntar: Estavam à espera de quê? Milagres, não?
Como em tempos aqui se alvitrou, ensinar e aprender, ao contrário do que muitos visionários (nomeadamente “cientistas” da Educação) pregam, dá mesmo trabalho, exigem esforço e transpiração, muita persistência para continuar e também algum tempo e disponibilidade mental para o que, de facto, é essencial: ensinar. Já agora, exige ainda um “rumo” bem definido, alguma disciplina e alguma ordem.
Quando o mais importante numa escola é o folclore e o trabalho para as “evidências” e para a fotografia, quando o aluno sabe que, trabalhando ou não, no fim do ano até passa, quando a indisciplina e a falta de assiduidade dos alunos chegam a ter o estatuto de vacas sagradas, não se compreende as razões para tanto alarido! Chegada a hora de ir a jogo, não há nada a fazer: as evidências de tanto trabalhinho são demasiado evidentes!!! Dá mesmo vontade de perguntar: De que é que estavam à espera?

Manuel Salgueiro

Estou aqui, estou na Grécia

De pouco adianta a Passos Coelho e a outros políticos portugueses insistirem numa retórica de distanciamento face à situação grega (que sempre achei uma cínica quebra de solidariedade, no seio da União Europeia, ademais vinda de um companheiro de desgraça), porque as decisões e os atos ocorridos internamente, a partir do momento em que são escorados numa inescapável "situação de emergência" do país, acabam a contraditar, na prática, essa estratégia de demarcação e passam aos mercados e à comunidade internacional a mensagem de um país de cangalhas e absolutamente desesperado, ainda por cima sem produtividade, sem produção agrícola e industrial de monta e sem estratégia económica que garantam uma viragem estruturante a seguir à quase morte recessiva que aí vem.
Como já aqui escrevi em tempos, Portugal palmilha, inexoravelmente, a mesma trajetória grega, pelo que, entre outros cortes que o oráculo grego ainda virá a anunciar, ficam a faltar, para os próximos anúncios e orçamentos, pelo menos cerca de 10% de cortes diretos nos salários dos funcionários públicos (o saco de porrada de economistas sem outra criatividade e arrojo).
Se mais não fosse, porque os nossos brilhantes políticos e economistas parecem querer esquecer-se de duas realidades que, de tão óbvias, até me envergonho de ter que as repetir:
- é a classe média que anima a economia nacional, pelo que se lhe é retirado o poder de compra, então, os setores empresariais e comerciais voltados para o consumo interno acabam, irremediavelmente, por estoirar;
- é da psicologia mais básica que não se motiva ninguém para produzir, retirando-lhe direitos, roubando-o e indignando-o.
Se o ministro da Economia (para o caso de sobreviver politicamente ao estrangulamento e à irrelevância prática a que, anteontem, o Primeiro-ministro o condenou) quiser dinamizar a economia portuguesa vai ter que começar pela contratação de Futre para assessor político,de forma a que este lhe possa revelar os seus planos de fazer vir charters de chineses e brasileiros para dinamizarem, aos fins de semana, a nossa economia, consumindo não se sabe bem o quê que Portugal ainda produza ou utilizar não se sabe bem que serviços que possam ter escapado à recessão.

De Passos pra cova

Anedota caída na caixa de correio (obrigado, Zé!):
"Passos Coelho está a fazer um dos seus famosos discursos:
- E a partir de agora temos de fazer mais sacrifícios!
Ouve-se uma voz na multidão:
- Trabalharemos o dobro!
Passos continua:
- E temos de entender que haverá menos alimentos!
A mesma voz:
- Trabalharemos o triplo!
Passos prossegue:
- E as dificuldades vão aumentar!
- Trabalharemos o quádruplo!
Passos vira-se para o chefe da segurança e pergunta:
- Quem é esse idiota que vai trabalhar tanto?
- O coveiro! - respondeu."

Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011

Já agora, metam o modelo de avaliação naquele sítio...

Pertenceu à miserável e criminosa governação de Sócrates e de Maria de Lurdes Rodrigues (que estarão, por estes dias e, respetivamente, em Paris e na Fundação Luso-Americana, a sofrer - tadinhos - com os efeitos da crise e dos cortes para que o desvario das suas políticas nos precipitou) o lançamento do jogo ilusório e enganador de fazer depender as progressões dos professores da roleta arbitrária e viciosa (nos planos do rigor e da seriedade), a que chamaram modelo de avaliação do desempenho docente, vulgo ADD.
Estando mais do que demonstrada a aberração pedagógica e formativa desta ADD, seja nas versões rosadas ou na recente e oportunista versão alaranjada, e uma vez confirmado, aí para a próxima década, o congelamento das progressões, a inutilidade das quotas e a regressão dos salários, a pergunta que não pode deixar de se fazer é a seguinte: para que serve o atual modelo de avaliação do desempenho?
E a resposta é taxativa e incontestada: absolutamente, para nada que exceda a autossatisfação própria da coceira dos egos de alguns predestinados.
Àqueles que lutámos contra mais esta palhaçada, congeminada e viabilizada por uma estirpe de políticos mentirosos, resta-nos o gozo supremo de assistirmos, de cátedra, ainda que de bolsos cada vez mais vazios, à absoluta inutilidade em que se tornou a farsa da avaliação do desempenho dos professores.
Metam-na, pois, naquele sítio... que há muito tempo devia ser o seu lugar natural, ou seja, no caixote do lixo. No mínimo!...

Quinta-feira, 13 de Outubro de 2011

Comunicação de Passos Coelho ao país

Não me apraz, por agora, dizer mais nada que não seja:
- constatar a aldrabice e a mistificação em que se tornou a política portuguesa e os seus protagonistas;
- por que razão estes políticos não têm coragem para anunciar as medidas violentas e o "furto" dos salários da classe média, em plena campanha eleitoral?
- onde está o corte radical nas empresas municipais, institutos e fundações que empregam a rapaziada partidária?
- o que acontece, criminalmente, aos irresponsáveis que cavaram os buracos, como Sócrates, Alberto João Jardim e outros, para além de gozarem as suas chorudas reformas políticas?
- o que pensa Cavaco Silva dos limites dos sacrifícios impostos aos portugueses?

Longa vida à anarquia

Bem sei que o tema do modelo de avaliação dos professores perdeu atualidade e, salvo dois ou três moicanos (não por acaso, termo importado da designação de uma tribo, hoje, extinta) mais duros de roer, todos desistiram de lhe denunciar as arbitrariedades e de o banir das escolas, desde os sindicatos que, com mais ou menos salamaleques e empurrões da classe, sempre o apadrinharam, até ao atual Governo que, ao arrepio da então bazófia oposicionista e eleitoralista, lhe veio a legitimar e a adotar os processos e os resultados farsantes, passando pelos professores que desistem, resignam, calam, consentem, embucham, transigem ou aproveitam.
Mas, em consciência, não posso deixar de fazer eco de um derradeiro testemunho, para que conste nos anais desta vergonha, da anarquia (também ética e moral) que a ADD e sucedâneos simplificacionistas instalaram nas escolas, sob a forma de desregulamentações, incumprimentos, facilitações, opacidades, conluios, faz de contas, arbitrariedades e sei lá mais que outras manifestações inqualificáveis.
O cardápio seria extenso e demasiado sórdido, pelo que me vou restringir apenas a algumas das vergonhas que se constatam, conhecem ou de que se ouve falar:
- professores relatores que, sem qualquer formação, experiência de supervisão/avaliação ou historial de docência em conformidade, enveredaram pela atribuição facilitista ou defensiva de Muito Bons Excelentes, sem o entendimento dos critérios, sem a compreensão dos itens avaliativos e sem o domínio das experiências que suportem a referenciação objetiva de uma docência de nível excecional;
- atribuição de Bons numas escolas que seriam Excelentes em outras e vice-versa, tal a aleatoriedade e a discricionariedade dos processos avaliativos;
- relatores de grupos disciplinares de ciências que observaram aulas de educadoras de infância ou de docentes do 1º ciclo;
- observação de aulas em áreas não disciplinares e em últimas aulas dos períodos letivos;
- aulas observadas que era obrigatório que o fossem, mas não o foram, atribuindo-se menções qualificativas elevadas, como se o tivessem sido.
- interpretações criativas de procedimentos e de prazos, variáveis entre escolas;
- variações entre escolas nas decisões de atribuir ou não a menção classificativa de Excelente ou calculismos e "cozinhados" na redistribuição das menções classificativas mais elevadas, tendo em conta as quotas.
Além de outras situações que vão sendo denunciadas na blogosfera docente.

Que, para se contrariar este estado de coisas, não se possa esperar nada, nem de um Ministro da Educação que desbaratou, tão vertiginosamente, o seu capital de crédito, nem do PSD e do CDS-PP que, num golpe de teatro, se associaram e subscreveram a anarquia que Maria de Lurdes Rodrigues e Sócrates semearam nas escolas, é por demais evidente.
Que a IGE disponha de meios, disposição e capacidade para investigar (até porque muita da arbitrariedade é constitutiva da essência do modelo) e moralizar, também não me parece possível.
Todavia, o mais extraordinário é que os próprios professores consintam, calem, comunguem, debandem, silenciem e prossigam acomodados.
Infelizmente, já nem jornalismo de investigação temos para escarafunchar e denunciar estas situações.

O pior que pode acontecer a uma sociedade não são as crises económicas e financeiras, mas, antes, um tipo particular de crises da ética, que tendem a gerar dessensibilização e desvinculação moral, tolerando e banalizando a perda dos referenciais de exigência, de seriedade, de coerência e de imparcialidade. No pântano, normativa-se e acomoda-se tudo, prevalecendo a indiferença ou o borrifador desenrasca.

Quarta-feira, 12 de Outubro de 2011

O grau zero da decência e a excelência do cinismo

Não tenho outra forma de sintetizar mais esta brilhante crónica: Santana Castilho desfaz, com uma sagacidade, clareza e consistência ímpares, e sem apelo nem agravo, a já escassa credibilidade e autoridade do atual (e acidental) ministro da Educação.
Certamente, o mais impreparado, incoerente e dececionante ministro da Educação de sempre.

In Público, 12-10-2011

Terça-feira, 11 de Outubro de 2011

Nós, os ricos

Uma crónica genial e, volvido um mês após a sua publicação na revista Visão, o "ponto da situação" ainda goza de uma heurística notável.

A justiça em versão banda desenhada?

Poderei estar enganado, mas palpita-me que este é mais um episódio caricato e inconsequente da justiça portuguesa, que apenas contribuirá para adensar a perceção de descrédito e inoperância que as pessoas têm do sistema judiciário.
De qualquer forma, acredito que, nas imediações da 2ª circular, a edição do Correio da Manhã tenha esgotado e alimentado sonhos.
Falo em devaneios diurnos, porque a realidade é bem diferente, pois seriam necessários muitos mais pedidos de prisão, Pinto da Costa incluído, para que se entregasse, de mão beijada, a possibilidade de conquista de um tricampeonato a qualquer um dos rivais de Lisboa, algo que já não acontece há incontáveis luas.

Manchete do CM, 11-10-2011

Palestras

Para curiosos ou interessados em odonatas, anfíbios e répteis...

Segunda-feira, 10 de Outubro de 2011

Campanha de troca de "baterias viciadas"

Este estudo confirma a contingência de os professores serem um dos grupos profissionais que apresenta maior risco de stress.
Entre nós, o acosso socrático dos últimos anos, o acumular de indignações e frustrações, assim como o ambiente conflitual, envenenado, opaco e doentiamente competitivo introduzido pela farsa da ADD, deram, certamente, um impulso decisivo para a criação de um clima desencantado, depressivo e ainda mais viciador, na forma de stressores profissionais, das já de si mal geridas baterias dos professores portugueses.
Desbaratando uma oportunidade única para e motivar os professores e tornar as escolas um local de cooperação e de gosto em dar aulas, o PSD e este Governo não deixarão de contribuir para o agravamento da viciação das baterias docentes.
Por outro lado, não deixa de ser quase patética a avareza, a ambição, o oportunismo, a competição doentia e a corrida folclórica às quotas que vai pelas escolas (e isto mói e mata), assemelhando-se ao delírio nonsense da família "Meo" que, sem eletricidade, investe na "box" e imagina-se a ver o filme futurista da sua progressão.
Precisa-se, urgentemente, de um programa de tempos livres para professores que lhes permita afastarem-se, psicologicamente, do trabalho, nem que o mesmo possa ser creditado para efeitos destas progressões imaginárias que nos esperam. As adesões estariam garantidas, aos magotes!...

Mais um erro Crato, a somar a outros

Depois de os professores terem constatado o ofuscamento da auréola de paladino da exigência, da coerência e da seriedade política, na forma como Nuno Crato resgatou a palhaçada avaliativa herdada de Sócrates, eis que também a marca do discurso da valorização do mérito cai redonda, nesta inacreditável decisão de não atribuição dos prémios aos melhores alunos.
Por acaso, este já é, no mínimo e apenas num período de três meses, o terceiro erro Crato, depois da legitimação/viabilização de um modelo de avaliação farsante e da trapalhada dos concursos.
Absolutamente dececionante!...

In Público, 09-10-2011