Um murro de Santana Castilho na consciência de Passos Coelho e da elite política "laranja" (18-01-2012): As "natas"

Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011

Cancelado

Acabadinho de sair de uma reunião, tomei conhecimento do cancelamento do debate a que me referi no post anterior e que ocorreria amanhã, na TVI24.
Lamento-o profundamente, porque perde-se mais uma rara oportunidade para os cidadãos serem informados sobre a impreparação e a deceção que são apanágios da equipa que dirige o ministério da Educação.
Para este cancelamento só faltaria, digo eu, alegar-se que deveria estar alguém do ministério da Educação presente e ninguém teria aceite o convite, porque aí a ingenuidade da TVI é total.
Alguém acredita que nesta equipa ministerial exista quem quer que seja que disponha da coragem e da preparação para enfrentar, em debate, o professor Santana Castilho?
Nos últimos dois anos, quantos debates televisivos sobre as opções e as medidas de política educativa contaram com a participação de representantes do ministério da Educação? Que eu me recorde, nenhum.
Talvez seja necessário dispor-se de todo o tempo televisivo para se discutir o enjeitamento da "Vespa" por parte do ministro Pedro "Audi" Soares ("Mota" já era) ou as benesses marroquinas e de última hora ofertadas pelo orçamento de estado.
Discutir a educação deste país há-de ser coisa de somenos, razão pela qual as televisões o fazem apenas quando o rei faz anos, e nem sempre.

Debate televisivo imperdível com a presença de Santana Castilho (TVI24, esta terça feira, às 22 horas)


Esta terça feira, 29 de novembro, Santana Castilho estará no programa "Política Mesmo", da TVI24, às 22.00 horas, para participar num debate sobre educação que contará, igualmente, com as presenças de Couto dos Santos e Mário Nogueira.
Tendo em conta que Santana Castilho é, no país, a pessoa mais bem preparada e mais capacitada para debater as questões educativas e as políticas para a educação, e atendendo aos incumprimentos do PSD e à nulidade evidenciada pela atual equipa do ministério da Educação, então, o programa promete mais um arraso para Passos Coelho e para Nuno Crato.

Uma grande burla legal

Bem sei que as situações dos offshores exigem uma mudança global, pois, caso contrário, assistir-se-ia à transferência de empresas e de capitais das zonas francas que viessem a ser encerradas para aquelas que continuassem a manter a sua atividade.
De qualquer forma, é da maior relevância escutar esta entrevista que João Pedro Martins deu à Antena 1, a propósito do lançamento do seu livro, sobre o offshore da Madeira - Suite 605.
Até para percebermos melhor a dimensão imoral (se não for mesmo criminosa) das lavagens de dinheiro e das fugas ao fisco, permitindo-nos um entendimento mais adequado do discurso neoliberal da "inevitabilidade", quer da austeridade do Estado em matéria de funções básicas, como a educação e a saúde, quer dos cortes nos salários daqueles que servem o Estado e cumprem, escrupulosamente, as suas obrigações fiscais.

(Obrigado, A. J. Ruas!)

Uns pindéricos

Passados escassos cinco meses da tomada de posse deste governo, já poucas ou nenhumas diferenças conseguimos vislumbrar entre a atual e a anterior governação, excluindo, claro está, os dois pormenores seguintes:
- algumas diferenças no feitio pessoal de Sócrates e de Passos Coelho, mais favoráveis a este último (o exercício arrogante, narcísico, propagandista e ilusionista do poder, por parte de Sócrates, tornou-se insuportável);
- enquanto ao governo anterior lhe interessava esconder a realidade das contas públicas portuguesas, dada a intransferível responsabilidade na degradação das mesmas, ao governo em funções interessa-lhe fazer o contraponto com a maior negatividade e irresponsabilidade possíveis, explorando ao máximo a situação crítica do país, no pressuposto de que assim se alivia a pressão da responsabilidade atual e se cria a inevitabilidade das agendas de desmantelamento do Estado e de libertinagem económica e financeira. Todavia, esta diferença é meramente conjuntural, pois quando decorrer o tempo suficiente para se poderem medir os efeitos das decisões e das opções políticas agora tomadas, a tentação para a ocultação e a desresponsabilização estará de regresso à estratégia comunicacional.
Vem esta introdução mais genérica a propósito desta notícia que, hoje, é manchete no Correio da Manhã.
Este acontecimento configura mais um descalabro moral da classe política que nos desgoverna, nem que mais não fosse, pelas seguintes razões:
- porque o ministro em causa permitiu que se passasse a mensagem propagandística da sua opção austera e espartana de se fazer deslocar numa Vespa;
- porque os governantes não impõem a si própios e ao desempenho transitório de sua missão pública a austeridade e o sacrifício que exigem aos seus concidadãos;
- porque um Estado falido, como qualquer família nessa situação, deve ajustar os seus gastos, ainda por cima supérfluos (os parentes dos ministros não caem à lama se estes se deslocarem em automóveis de média cilindrada ou, no limite, nos seus próprios carros - há tantos funcionários públicos a fazê-lo), à sua condição financeira.
Mesmo que a aquisição de mais esta viatura topo de gama seja uma herança do anterior governo, a aceitação da mesma e o que aí ainda virá de aquisições faustosas, nas estruturas de topo do Estado, diz bem da continuidade do estilo pindérico e terceiro mundista de se aparentar o que não se é e de impressionar, não pela valia do caráter e das ideias, mas pela medida da maior ostentação material.
Ponham os olhos nos países "ricos" do norte da Europa!...

Domingo, 27 de Novembro de 2011

Fado Fiscal, esse património incobrável de Portugal

Fonte: Diário de Notícias
O fenómeno tem anos e a notícia já tem uma semana, mas não desencadearam, nem da parte da inteligência mediática nacional, o clamor de indignação que se justificava, nem da parte do governo, qualquer compromisso público de pôr cobro, de uma vez por todas, à indecência e à injustiça do fadário nacional dos gananciosos incumprimentos fiscais, até porque os cidadãos "menos iguais" pagam com língua de palmo e juros as suas divídas ou desleixos perante o fisco (e, já agora, acrescentem ao escândalo os milhares de milhões de euros que também se evaporam, mercê da inexistência de um combate assumido e persistente à corrupção).
Perante estas realidades, e no minímo, a classe política que nos vem desgovernando devia corar de vergonha e, por penitência, esmurrar a testa 10 vezes no muro da sua própria incompetência, sempre que invoca a inevitabilidade dos confiscos salariais, dos aumentos de impostos e dos cortes nas funções essenciais do Estado, sacrificando os mesmos de sempre, isto é, os cumpridores funcionários públicos e demais trabalhadores.
E quando alguns colunistas fazem mira, vesgos e equivocados (como mostrarei mais logo), aos funcionários públicos, deveriam, antes, utilizar a sua coluna mediática para exigirem, sem tréguas, eficácia e decência ao Estado na luta contra os infratores, de forma a que este transferisse a prepotência e "coragem" implacáveis, que costuma utilizar contra os seus servidores e a classe média em geral, para a ação (até aqui mole e impotente, como a de qualquer cobardolas) contra os prevaricadores fiscais.
Neste país, a única realidade que vai emergindo como inevitável é a incompetência, a irresponsabilidade e o dolo causado ao país por esta classe política desgovernante, por sinal quase sobreposta às carreiras pessoais, denodadamente, feitas a trinchas, baldes de cola, cartazes e licenciaturas da meia-idade.
Emigrem, pá!...

Sábado, 26 de Novembro de 2011

Os professores ainda aguentam mais uns cortes

Sem lugar a discussão, os professores, como quaisquer outros cidadãos, são incondicionalmente livres de decidirem reagir ao que quiserem, se o desejarem e como entenderem, o que abrange, obviamente, o arbítrio de fazerem ou não fazerem greve.
Como tal, não vou julgar decisões individuais legítimas, restringindo-me a empreender a minha interpretação, quer da transcendência desta greve geral, quer da leitura que o governo não deixará de fazer da, apesar de tudo, dececionante adesão dos professores (mesmo que seja necessário multiplicar por 30 ou 40 a anedótica percentagem de 1,5 avançada pelo governo).
No meu entendimento, esta greve não era redutível a agendas sindicais, nem a motivações partidárias ou ideológicas, no quadro do velho espartilho entre direita e esquerda, uma vez que se tratava da, porventura, única oportunidade de reagir às recorrentes, injustamente distribuidas e inconstitucionais imposições de cortes salariais à função pública, mas também de reagir e condicionar preventivamente o próximo pacote de austeridade, passando uma poderosa mensagem de que foram excedidos os limites do suportável e de consequente resistência a novos sacrifícios que, seletiva e discriminatoriamente, possam vir ser dirigidos à função pública.
Ao não terem querido perceber isto, os professores deram de barato os flancos ao governo para novos ataques, ficando a ideia que, da parte dos professores, ainda existe compreensão e tolerância para mais sacrifícios (para não falar da indiferença dos professores face aos cortes na própria educação, à impreparação confrangedora desta equipa ministerial e à continuidade do pior do socratismo, ao arrepio das promessas eleitorais do PSD).
Por conseguinte, milhares de professores deram, nesta greve geral, uma prova de extraordinária mansidão e abastança, oferecendo-se disponíveis para continuarem a expiar e a pagar pelos erros, asneiras, esbanjamentos, enriquecimentos ilícitos, desvios e irresponsabilidades de outros, muitos dos quais têm o rosto dos mais soezes ataques aos próprios professores.
É uma felicidade o país dispor de professores tão bem intencionados e de tão bons fígados.

Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011

Levaram uma desanda

Numa sessão na universidade de Lisboa e aproveitando a presença do ministro da Educação, Nuno Crato, essa espécie de  ideólogo ingénuo da máxima do "fazer mais com menos" (menos verbas, menos salário, menos motivação e menos tempo livre, em resultado de burocracias inúteis), Durão Barroso qualificou como "não inteligente" a estratégia de desinvestimento colossal na Educação e na Ciência.
Durão Barroso dixit:
"(...) E não é inteligente cortar no saber, cortar na ciência, cortar na cultura. (...) Bruxelas espera aumento de investimento na Educação em vez de cortes."
Também Cavaco Silva aproveitou a sua presença, num evento da COTEC, não apenas para insistir na tese da distribuição equitativa dos sacrifícios, mas, sobretudo, para, confrontado com o facto de Passos Coelho ter afirmado que o banco central não deve imprimir moeda, desancar, mais uma vez, no primeiro-ministro, considerando que:
"Só quem revela algum desconhecimento é que receia que na situação actual possam resultar dessas intervenções perigos de inflação."

Os graxas

Depois de o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, ter passado a mão pelo pêlo dos funcionários públicos, num exercício cínico, dada a opção (sublinho, opção) do governo em discriminar negativamente os servidores do estado para efeitos de confisco salarial, eis que o ministro da Educação, Nuno Crato, alinha pelo mesmo impudor (em baixo) no elogio envenenado aos professores.
Vítimas sistemáticas dos cortes na educação, nas suas expetativas de carreira e nos seus salários, aos professores resta-lhes lamentar, quer a nulidade de ministro que, ao terceiro ou quarto furo, lhes saiu na rifa, quer a flagrante contradição entre este tipo de retórica graxista e os atos da governação.

Pequenos porcos ou grandes bodes?

Uma análise às dívidas dos países da zona euro não pode deixar de nos levar a meditar sobre as motivações e as razões que catapultaram, sobretudo, três pequenos "porcos" (PIIG's - Portugal, Irlanda e Grécia) para o centro do turbilhão da crise financeira. Não estarão a ser assados (o termo mais adequado será mirrados e, ainda por cima, com a colaboração dos próprios), no reluzente espeto dos mercados, como se fossem grandes "bodes" (expiatórios)?
No mínimo, o aplicativo é esclarecedor sobre quem deve o quê e a quem, ainda que dê a sensação de terem escondido as dívidas à China, porque aí é que estamos, verdadeiramente, perante, entre outros, o gigantesco e cevado "porco" americano, mesmo que tratado como pequeno "bode".

Clicar aqui para acionar o aplicativo e constatar quem deve o quê e a quem

Os rostos da oposição que tiram o sono a Passos Coelho (e a Seguro)

Capa do Sol, 25/11/2011
Tanto a oposição protagonizada por Mário Soares, mais dirigida à fraqueza e à desorientação da atual direção do PS, como a própria oposição institucional que o secretário geral do PS vai ensaiando com recurso a "tremoços" avulsos, carregam o anátema do não distanciamento crítico e atempado face à ruinosa desgovernação de Sócrates, pelo que tenderão a não desencadear grande adesão social, enquanto perdurar a memória da tragédia socrática.
Quanto a Cavaco Silva, reconheço-lhe o mérito, apesar de tardio, da oposição ao socratismo, bem como a coerência na denúncia, quer da insensibilidade governamental na imposição de sacrifícios aos mesmos de sempre, quer da falta de equidade em concentrar o odioso do pagamento da crise no funcionalismo público (que apaziguamento e mobilização espera um governo que instiga a divisão da sociedade entre privados e públicos?).
Entre a inevitabilidade do modo de vida albanês que parece ter tomado conta do ideário político de Passos Coelho, de que o modelo pretensamente competitivo dos baixos salários e o desinvestimento na educação constituem as expressões que terão resultados mais dramáticos e duradouros, e a visão de Cavaco Silva, mais apostada numa competividade nacional assente na qualificação e na inovação, a minha opção pela segunda mundividência é óbvia.

Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011

Parvoíces

Fonte: Jornal de Negócios
Os sindicatos e o governo sabem que, face a uma greve geral que abrange uma grande e complexa variedade de empresas e serviços, é absolutamente impossível, no próprio dia, determinar percentagens rigorosas ou mesmo aproximadas de adesão à greve. Nem os sindicatos, nem o governo, dispõem da logística e da capacidade de organização que lhes permita avançar com este tipo de indemonstráveis.
Todavia, pior que estas patéticas guerras de números (mesmo que nunca, nenhum governo, tenha avançado com uma percentagem ridícula de 4%, que colide com a mais imparcial perceção comum, bastando atentar no trânsito caótico, nos transportes praticamente paralisados ou nos múltiplos encerramentos/adiamentos de serviços), são outras manifestações que ocorreram, como:
- a violência física, que condeno;
- o paternalismo abusivo dos piquetes de greve, que não aprecio;
- o clima de medo em alguns locais de trabalho ou as pressões/ameaças explícitas ou veladas das chefias e entidades empregadoras, que abomino.

Hoje, existimos e contamos

Recebido de uma colega e de uma resistente, cuja fibra e clarividência não a deixam quebrar e desistir.
 

Bom dia de GREVE para todos!
Aproveitem-no bem e vão pensando na escolha:
- Qual é o mês em que vão trabalhar gratuitamente em 2012?
Eu escolhi o mês de Março. 
É a primavera... 
Depois deste inverno do nosso descontentamento, dias de sol virão. Espero.
Um abraço.
EC

Sumário para as minhas aulas de hoje

Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011

Graves problemas de segurança: voltei a ser assaltado

Mesmo dando de barato o congelamento da minha progressão, que deveria ter ocorrido em 2009, só este ano já fui assaltado por treze vezes, durante onze meses consecutivos.
Eis, em baixo, o comprovativo do assalto mais recente e mais substantivo, mesmo que, em 2012 e em 2013, prossiga o esbulho e com expressões ainda mais lesivas.
De acordo com as notícias, os mandantes destes assaltos continuam a passear-se, indiferentes e até apelidados de corajosos (como são requeridas uma valentia e uma inteligência excecionais para governar com o dinheiro daqueles que trabalham e não têm condições para se defenderem e retaliarem, como têm os banqueiros, os acionistas, os ricaços e afins), pelas ruas de Paris e de Lisboa.
No mínimo, teria algum interesse pessoal em conhecer o destino que vai sendo dado aos milhares de euros que já me surripiaram.
Espoliado, como o recibo de vencimento documenta, amanhã não me resta outra alternativa que não seja FAZER GREVE.

Uma governação "bunga-bunga" e mais um trio de múmias (des)governantes

Absolutamente lapidar, meu caro amigo, Santana Castilho!...

In Público, 23/11/2011 (clicar na imagem para aumentar)

Os ganhos da rendição dos professores

"(...) Afinal, o que é que os professores já ganharam desde que decidiram baixar a cabeça, os braços e as calças? Não precisam de se incomodar, pois eu respondo: ganharam o estatuto de otários do regime, aqueles a quem se pode fazer tudo, tudo e tudo. Afinal, o que é que a rendição já rendeu? Sim, aqueles que se calam e encolhem diariamente, aqueles que levam diariamente para casa mais uma abada de enxovalhamentos e de frustrações o que é que já lucraram com isso?(...)"
O excerto que aqui divulgo é uma parte de mais um excelente texto do Luís Costa, que merece ser lido na sua totalidade, especificamente pelas vítimas colaborantes e condescendentes da violência financeira e psicológica a que a parasitária que governa o Estado (e a partir dele se engorda) os vem sujeitando, em nome de acudimentos a esbanjamentos e a crimes sem castigo.
Se é verdade que Portugal sempre foi, como Antero de Quental bem intuiu no século XIX, a "terra mais anti-filosófica do planeta", não deixa, porém, de me causar perplexidade e profunda deceção o modo fácil e vergado como os professores abdicam do espírito crítico, da autonomia e da exigência na defesa de valores fundamentais, como o respeito pelo empenho da palavra, pelos rendimentos do trabalho, pela justiça (o justo paga e o pecador continua reinadio) e pela preservação da equidade.
Quando um grupo profissional, com as qualificações e o esclarecimento dos professores, se prostra perante as mentiras, os ataques e as iniquidades de uma classe política desavergonhada, então, está tudo dito sobre o abismo intelectual e moral do nosso futuro coletivo.

Terça-feira, 22 de Novembro de 2011

Recomendado aos mitómanos da educação

Mitos dos Custos da Educação em Portugal é um excelente post de Nelson Zagalo, no seu blogue Virtual Illusion, cuja leitura recomendo a todos aqueles, e são tantos no espaço mediático e de proveniências ideológicas tão diversas, que falam de cor e mentem com atrevimento, sempre que discorrem ou replicam bitates sobre os custos, pretensamente excessivos, da educação, em Portugal.

Lembram-se de cada uma

In Diário de Notícias, 22/11/2011
É pródigo o arrojo, mas também a criatividade, dos partidos para proporem medidas que afetam os interesses daqueles que se encontram no centro ou a menor distância do poder económico e político, sempre que ocupam o espaço político da "oposição", se contraposto com a inibição medrosa e com os recuos e a inação atávica na concretização das mesmas, quando assumem as responsabilidades da governação.
Foi, verdadeiramente, uma lástima que o Partido Socialista, ao longo de seis anos de governação, tenha ido buscar proventos (que acabaria por espatifar) ao congelamento de carreiras, à degradação de salários e ao confisco unilateral de uma parte dos vencimentos mensais dos funcionários públicos, sem que nunca lhe tenha ocorrido a alternativa, mais socialmente justa e equitativa, de implementar impostos para ricos, empresas e capital.
O dualismo político, quase ontológica e eticamente antitético, entre a "oposição" e o "governo" parece guardar uma correspondência simbólica com a divisão secular entre o espaço profano e o espaço sacralizado, cujas concetualizações, valorações e manifestações desencontradas iam desde, respetivamente, as consagrações do permitido e do interdito, do arbítrio e da responsabilidade ou da contraposição entre o contigencial e fortuito em relação ao necessário e inevitável, até à ausência de reconhecimento de carisma no espaço profano quando comparado com a infundida auréola de carisma e de autoridade no espaço sagrado.
É, exatamente, esta dualidade e esta distância entre o que se diz, defende e promete na oposição face ao que se cala, rejeita, incumpre e não se faz, quando se está no governo, que descredibiliza a atividade política e afasta muitos cidadãos da participação democrática.

Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011

O que se ganha com a Cratuística da infantilização das TIC?

A pretensa opção de reorganização da oferta educativa tendente a deslocar a disciplina de TIC do atual 9º ano de escolaridade para o 6º ano, tal como desocultada por fontes do conselho de escolas, e não desmentida oficialmente, é, além de uma inútil perturbação organizacional, um erro pedagógico da maior gravidade, por força de um inevitável aligeiramento e desvirtuação curricular, tendo em conta os constrangimentos etários e desenvolvimentais dos alunos de 6º ano, absolutamente ao arrepio das lacunas de formação detetadas nos alunos, quando chegam ao ensino secundário, num domínio de competências assaz estruturante, como o são as tecnologias da informação e comunicação.
Mas, se a admissão desta possibilidade partiu do próprio ministro da Educação e Ciência, então não estamos apenas perante mais uma hipótese avulsa, fortuita e impreparada, antes estamos confrontados, quer com um desconhecimento da natureza, das potencialidades tecnopegagógicas e do alcance formativo geral inerentes aos conhecimentos e às competências TIC, quer com o facto de Nuno Crato estar a incorrer numa contradição e numa inconsequência insupríveis.
Recordo que Nuno Crato começou por afirmar publicamente que os alunos já chegavam ao 9º ano com as competências e os conhecimentos suficientes em informática, o que torna, verdadeiramente, um contrasenso e uma completa inutilidade que se proporcione aos alunos de idades mais precoces uma disciplina, cujos conteúdos virão a adquirir espontaneamente ao longo da sua escolaridade, sem que tenham sido sujeitos à lecionação da mesma.
Se Nuno Crato tiver, efetivamente, uma conceção das TIC na ótica do usuário de jogos, de frequência de redes sociais ou de utilização banal do editor de texto, de imagens/fotos e do PowerPoint, então não faz nenhum sentido a lecionação da disciplina de TIC no 6º ano, sob pena da infantilização dos seus conteúdos programáticos e pela razão de que os alunos dominarão, naturalmente, estas dimensões. Não sendo assim, também não faz sentido a antecipação da disciplina, pela circunstância de os alunos não terem as condições cognitivas e motivacionais para a consumação das aprendizagens mais exigentes e desenvolvidas, pelo que seria mais adequado que as TIC pudessem, por exemplo, ser lecionadas em articulação com as necessidades e exigências das disciplinas do ensino secundário, por exemplo, no lugar de mais essa excrescência do eduquês que dá pelo nome de educação cívica.
Todavia, o absurdo da hipótese de deslocação da disciplina de TIC para o 2º ciclo também é visível no seguinte, a acrescer à inconsistência atrás referenciada:
- introduz perturbação na gestão dos recursos humanos, obrigando os professores, alguns dos quais pertencentes a quadros de escolas secundárias com 3º ciclo, a terem que submeter-se a concurso para mudança de estabelecimento de ensino;
- implica reajustamentos disciplinares no 6º ano, mas, sobretudo, alocação de salas e recursos informáticos específicos, enquanto os investimentos nas salas TIC das escolas secundárias com 3º ciclo serão desperdiçados;
- não permite nenhuma poupança adicional, uma vez que o universo de alunos e turmas no 6º ano não é inferior ao do 9º ano;
- acima de tudo, infantiliza os conhecimentos e as competências TIC, como forma de os adaptar à faixa etária dos 11/12 anos de idade, além de os desligar, tanto das experiências escolares de pesquisa, organização e gestão de informação e dados, como das imprescindíveis capacitações escolares e profissionais de exploração de ferramentas informáticas, comunicacionais e de software mais complexas, quando era exatamente a estas experiências e necessidades que as TIC deveriam ajustar-se e responder.
Assim sendo, as escolas e os alunos não ganham absolutamente nada, bem pelo contrário, com a opção que o ministério se preparará para implementar.
Lamento, porém, que, num período de experimentalismos avulsos e descontextualizados, de base achista e sem estudos e reflexões partilhadas que os suportem, se assista a uma demissão quase generalizada da reflexão crítica por parte daqueles que tinham a obrigação de se pronunciar, como os docentes das áreas afetadas pelas reformas, os pedagogos e os cientistas da educação.

Poupem-nos a essa praga intelectual a que chamam economistas

Fonte: Público
A crença e a probabilidade, expandidas em cima, sobre o aumento das poupanças dos portugueses (nem todos são professores universitários), são tão sólidas e têm tal força indutiva como goza de consistência lógica a consideração de que o rendimento cai (para níveis de sobrevivência, muito abaixo da média europeia), a poupança cai, mas a taxa de poupança aumenta.
E a consideração da probabilidade das hipóteses rivais?
Num momento em que milhares e milhares de famílias sofrem cortes que se traduzem em privações e em situações de sobrevivência desesperadas, as impressões expressas por este economista não podiam vir mais a propósito. Poupem-nos!...

P.S.: Por que motivo os defensores de cortes não se voluntariam para reduzirem substancialmente os seus próprios salários e subsídios, ancorando-se na força moral do exemplo?

Empobrecimento

In Jornal de Notícias, 20/11/2011
Como se não bastassem os ataques sistemáticos, desde 2005, à autoridade, ao prestígio e ao estatuto profissional e remuneratório dos professores, as mais recentes estatísticas sobre o desemprego docente, como divulgadas pelo JN na sua edição de ontem, vêm confirmar os professores como o grupo profissional  que mais tem pago "as favas" pelos desmandos da parasitária partidária que se tem alimentado do Estado (à tripa forra) e que mais tem estado na mira de um tirocínio político ao serviço de uma opção estratégica para o futuro do país, que tem tanto de miserabilista como de obscurantista.
E não venham com a tese da reorganização, da racionalização ou da rentabilização de recursos, porque nada de intencional, estratégico e estrutural aconteceu no sector da educação que justifique este cataclismo na empregabilidade docente, a qual ainda terá, no próximo ano letivo, um agravamento mais dramático.
Se há marca que permite antever um empobrecimento duradouro do país é a do desinvestimento na escola e na mobilização dos recursos que garantam uma formação ampla e de qualidade às gerações mais jovens, porque a escola é o instrumento por excelência da mobilidade social e da vantagem competitiva, que só poderá advir das mais elevadas e sólidas qualificações.

Domingo, 20 de Novembro de 2011

Todas as razões para fazer greve

Para um Servidor do Estado, com 25 anos de dedicação à escola, sem faltas, cioso de uma austera ética do trabalho e sempre exigente consigo e com os outros (apesar de, hoje em dia, a exigência não ser, propriamente, uma virtude muito adequada), existem todas as razões para, na próxima quinta-feira (24 de novembro), aderir à greve geral.
Não vou, aqui, elencar os desrespeitos e os sucessivos prejuízos a que um Estado, negligente com os poderosos que dele se têm servido à fartazana, mas licencioso e incumpridor dos seus compromissos relativamente àqueles que o servem, me vem sujeitando, desde 2005.
Restrinjo-me, no essencial, às seguintes três razões para fazer greve:
- porque me sinto enganado e traído por um primeiro-ministro catavento em matéria educativa, que teve o descaramento suficiente para legitimar uma farsa avaliativa kafkiana e para lhe enxertar, em cima, uma comédia de avaliação;
- porque me aborrece, visceralmente, que políticos medíocres optem sempre pelas soluções mais fáceis e mais óbvias de me extorquirem à socapa (sem pré-aviso eleitoral e sem respeito pela palavra dada e pelos contratos estabelecidos) o rendimento do meu trabalho, sobretudo, quando tenho cumprido, escrupulosamente, o pagamento de todas as minhas dívidas e não tenho nenhuma responsabilidade pessoal nas decisões que conduziram ao descalabro das contas do Estado;
- porque, se não começarmos a reagir em massa e de forma sistemática, tenderão a prosseguir, cada vez mais ferozes, os ataques àqueles que vivem do rendimento do seu trabalho, como a já propalada revisão dos salários da função pública parece confirmar, além do mais pela contingência dos políticos que nos governam serem demasiado cagarolas para importunarem, com a correspondente afoiteza e equidade, as grandes fortunas, a especulação financeira, as mais-valias e rendimentos do capital, tantos obscenos e inexplicados aforramentos de (ex-)políticos, as fugas manhosas aos impostos ou a corrupção.
É o momento certo para nos fazermos ouvir com um retumbante JÁ BASTA!...
Imagem "fanada" ao meu amigo Luís Costa

Isto não ajuda nada à mobilização para a greve geral

Na minha modesta opinião, estas declarações disparatadas (não encontro qualificativo mais simpático) de Francisco Louçã, emplastrando ideais revolucionários descabidos, como o revivalismo boreal de um "novo 25 de Abril", às motivações e à mobilização de milhares de funcionários públicos e outros trabalhadores, não emprestam grande contributo à mobilização para a greve geral, pelo seu caráter reducionista e oportunista.
Desde que o Bloco de Esquerda se aliou ao socialismo alegrista, ao mesmo tempo que mostrou a sua debilidade partidária na politicamente abortada moção de censura (ameaçar um derrube sem o desejar consumar), que procura desesperadamente apanhar o comboio da recuperação eleitoral, colando às suas próprias agendas as iniciativas da sociedade, dos grupos profissionais ou dos sindicatos, num esforço para mostrar o músculo e o peito que não tem.
Francisco Louçã deve esforçar-se por convencer, com ideias, propostas e alternativas consistentes, os seus próprios militantes e procurar recuperar a parte arredia do seu eleitorado, evitando apropriações partidárias cubiculares da ampla adesão à greve geral, cujas motivações da maioria das pessoas em greve não são arrebanháveis, enquadráveis ou acomodáveis nas agendas e nas intenções do Bloco de Esquerda. Aliás, os últimos resultados eleitorais e as mais recentes sondagens não devem permitir grandes ilusões a Francisco Louçã, na qualidade de intérprete e condutor da mobilização para a greve.
Na próxima quinta-feira, estarei em greve, mesmo continuando a trabalhar em casa (só quem já se esqueceu do que é lecionar numa escola básica ou secundária e trabalha em contextos universitários de quase ausência de controlo e responsabilização pessoal - sei o que isso é - pode acusar os professores de ficarem no conforto do lar), divulgando, brevemente, as razões pelas quais adiro a esta contestação, entre as quais não estão, de todo, o desejo do "princípio de um novo 25 de Abril", porque as minhas liberdades não estão ameaçadas e é, apesar de tudo, na democracia representativa que me revejo, não pugnando por qualquer regresso àquilo que, em Abril de 1974, veio (abusivamente) acoplado ao pacote da essência da democracia, como foi o caso das nacionalizações, da reforma agrária, das tentativas ditatoriais de (extrema) esquerda ou do Louçã do PSR ou, ainda, do Fazenda da UDP.
Estes "bónus" de Abril rejeito-os, em absoluto, pelo que me incomoda ver a minha adesão poder vir a ser objeto de qualquer instrumentalização partidária ou assistir, incluso, à reorientação da minha motivação para fins que não reconheço a nenhum evangélico ou guia supremo de extrema esquerda (ou do que quer que seja).
Aderirei à greve apenas pelas minhas razões, as quais exporei num próximo post.

Sábado, 19 de Novembro de 2011

Obviamente, demitam-no

É bem possível que uma das últimas "lições" de Vítor Pereira tenha ocorrido, hoje, em Coimbra: uma "aula" desastrada que mostrou uma equipa sem "ponta por onde se lhe pegue" (Vítor Pereira dixit).
Já o escrevi mais do que uma vez, mas repito-o novamente: o FC Porto é areia e camioneta de mais para a condução azelha de Vítor Pereira. Como é possível, em escassos meses, esfrangalhar-se uma equipa, destruirem-se rotinas e mecanismos e perder-se o poderio técnico e tático, a agressividade, o controlo de bola ou a criação de oportunidades de golo?
Uma vergonha!...

Façam greve no dia 24, mas não se manifestem. A polícia prepara-se para atacar

O cartoon a seguir divulgado (obrigado, Zé!) é uma pérola de 1908, inserto no Almanaque da Bertrand, mas que ilustra, magistralmente, quer uma parte substantiva das motivações que enquadram as decisões e as atuações de protesto dos Servidores do Estado (é isso mesmo, Luís), onde se incluem os polícias, quer a própria situação da polícia (estatuto salarial atacado e degradado, bem como situação de quase penúria da corporação).
Uma greve no dia imediatamente a seguir ao da constatação, na conta bancária, de mais um roubo para prover aos desmandos de Sócrates, BPN, gestões fartazanas de empresas públicas e afins (algo de que os Servidores do Estado não são responsáveis), ainda por cima com a aproximação do Natal mais miserável das últimas décadas, é, já de si, mais um momento de manifestação cívica de um derradeiro e transcendente sacrifício (o salário de um dia pesará muito, desta vez), pelo que uma carga policial, em forma de "peditório", afugentaria todos, de certeza.

Figo em lata

Face a estas declarações de Figo, não sei se me deva indignar com a sua falta de memória e/ou cinismo, se me deva espantar com a distração e com a falta de acutilância de quem o entrevistou, ou se, simultaneamente, me indigne e me espante com todos.
De qualquer modo, é preciso dispor-se de uma incomensurável lata para se fazerem aquelas declarações.
Porque, é absolutamente óbvio que ficaram três questões sacramentais por colocar a Figo e que são as seguintes:
- a "má gestão que existiu" é imputável a quem, em concreto?
- em setembro de 2009, não tinha a perceção dessa má gestão e dos seus protagonistas?
- não se sente coresponsabilizado no prolongamento dessa má gestão por mais dois anos, em consequência da sua participação naquele suposto pequeno-almoço das arábias (presumivelmente, muito, muito oneroso para o erário público), encenado, em plena campanha eleitoral, entre o próprio e Sócrates, passando a mensagem de apoio explícito a este último?
Mesmo que o ex-jogador não tivesse respondido ou tivesse tergiversado na resposta, ficava registada a referenciação da quota parte da responsabilidade de Figo no segundo mandato do mau gestor que,  como primeiro-ministro, precipitou o país para a atual situação crítica.

Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011

O deserto de Crato

Como se tornou expectável, por força, tanto da inércia e do protelamento caraterísticos de uma equipa basicamente impreparada, como de um acanhado conservadorismo, fruto da insegurança e do receio de asneirar, cada intervenção pública de Nuno Crato apenas vem acrescentar deceção ao desapontamento geral acumulado.
A apresentação, que ontem empreendeu do orçamento do ministério da Educação para 2012, não constituiu exceção a esta tendência, confirmando-lhe o epíteto de ministro "Cortes" e revelando um deserto programático e um vazio de medidas e projetos já delineados ao fim de cinco meses de governação, excluindo os chavões da exigência e da autonomia ou a retórica de anúncios de medidas que não exigem trabalho feito, como é o caso das salas do pré-escolar que se irão criar ou da prova de ingresso na carreira que se virá a realizar.
Mercê de uma indisfarçável impreparação, as opções têm recaído na manutenção ou nos retoques cosméticos das heranças socráticas (desde a avaliação dos professores à burocracia que sufoca as escolas), porque, relativamente às reformas anunciadas, o que se continua a exibir são referências e compromissos vagos, indefinições, "cuidados" que se arrastam, indecisões, hesitações, recuos e, mesmo, sinais contraditórios.
O caso mais prototípico é o que reporta à revisão curricular, onde o ministro vai deixando cair pontas que não se laçam umas com as outras, parecendo prevalecer a Cratuística e a tentativa de ajuste avulso e pouco convicto.
Dizia o filósofo alemão Heidegger que "o ser quando nasce já é velho para morrer". Todavia, com esta reforma curricular está a ocorrer o fenómeno invulgar de, apesar de ainda não ter nascido (mau grado as vacilações e irresoluções que as imagens ecográficas vão revelando), já apresentar um desgaste moribundo na sua consistência e credibilidade.
Já sobre o mais que provável projeto de infantilização da disciplina de TIC escreverei em próximo post.

Na taberna do Duque, vende-se vinho a martelo

Independentemente do apreço que a trupe de ditadores, por esse mundo fora, possa vir a manifestar pelo princípio da legitimidade da falsificação da informação, como defendido por João Duque, não tenho dúvidas em comparar quem profere estas imbecilidades, na forma de uma descarada e grosseira apologia da manipulação da informação, com aquele taberneiro que, tanto na ausência de colheita de uvas, como na presença de vinagre, acaba sempre a vender "bom vinho", tal o refinamento das técnicas a martelo.
Sempre que algum governo tenha a ambição de controlar impudentemente uma televisão, tem em João Duque o suporte epistémico para trapaças e falsificações, a bem da nação.
Que pena o nome de Duque não ter constado nas agendas telefónicas de Vara e Sócrates, pois teria casado, por medida, no pretenso projeto destes para a TVI.

Quinta-feira, 17 de Novembro de 2011

Professores motivados e empenhados

Ouvir o deputado do PSD, Amadeu Albergaria, exprimir a convicção de que o PSD conta com a motivação e o empenho dos professores, provoca-me os dois comentários seguintes:
- só um desconhecimento das salas de professores e uma cegueira política podem levar um deputado a ignorar ou a negligenciar o impacto, na motivação dos professores, dos sucessivos ataques (à carteira e à autoridade/prestígio) a que têm estado sujeitos, desde 2005, mesmo que continuem, como sempre e mercê do elevado profissionalismo e sentido ético que os carateriza, empenhados no cumprimento das suas funções, apesar do PSD e indiferentes aos seus incumprimentos eleitorais e à opção do governo (a troika, ainda ontem, o deixou bem claro) em prosseguir na seleção dos professores como um dos principais alvos dos cortes;
- ter a expetativa de contar com professores motivados, ao mesmo tempo que se envereda pela opção de os sujeitar a um corte brutal nos rendimentos do seu trabalho, só pode ser uma ironia cínica.
Estou convencido que uma resposta dos professores, quer aos cortes do governo na Educação e à prossecução dos ataques colossais aos rendimentos do seu trabalho, quer à prossecução, contra compromissos eleitorais, de medidas farsantes herdadas de Sócrates e legitimadas e continuadas por este governo, ocorrerá no próximo dia 24 de Novembro, no âmbito da greve geral.

Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011

E se cada escola pudesse contratar os seus professores?

Como a Provedoria de Justiça constatou e alerta, as contratações de escola, apenas possíveis para professores contratados (excluindo a discricionariedade já instalada nas escolas TEIP), nem sempre respeitam a legalidade e a racionalidade (nenhum critério dá mais garantias que a classificação académica e a graduação profissional), sendo geradoras de "práticas ilegais" que violam princípios administrativos e ofendem "direitos fundamentais".
Agora, imaginem o descalabro e a proliferação de critérios manhosos ao serviço de favorecimentos pessoais se cada escola pudesse contratar os seus próprios professores.
A nossa cultura de "conhecimentos", "compadres" e "correligionários" exige que a progressiva autonomia das escolas não inclua a contratação de professores, sendo da mais elementar seriedade a manutenção do concurso nacional, suportado na graduação profissional, porque, caso contrário, estaria em causa:
- a preservação da igualdade de oportunidades;
- a proteção e a valorização do mérito;
- a inibição de tendências nepotistas e caciquistas;
- a garantia de critérios universais e do escrutínio público na contratação dos mais habilitados e graduados para as escolas públicas, que não para "quintas" privadas;
- acautelar a qualidade do ensino.
E não me venham com a treta das escolas privadas, porque a vantagem de algumas destas não está no recrutamento e na qualidade dos professores, mas, fundamentalmente, na convergência de uma disposição de alguns dos alunos que as frequentam (motivação, empenho e capacitações) com a flexibilidade de organização interna de muitos colégios e, sobretudo, com as opções e metodologias seguidas em algumas destas escolas que tendem a privilegiar investimentos extra nas disciplinas sujeitas a exames nacionais em detrimento de outras disciplinas mais negligenciadas no estudo que não, necessariamente, nas cassificações internas.
Se cada escola pudesse contratar os seus professores, estaria garantido o forrobodó!...

Direções Regionais de Educação: esvaziar para voltar a encher?

Aos poucos vai-se percebendo que as reformas a introduzir pela equipa ministerial que chefia a educação básica e secundária podem vir a redundar em pouco mais que a confirmação e a legitimação do essencial da desgovernação socrática, pois, já descontando o facto de Nuno Crato ter metido no saco a "dinamite" da sua implosão do ministério, o consevadorismo vai-se sobrepondo, até pelas hesitações e desconhecimentos, a qualquer ímpeto reformista, como os seguintes exemplos básicos confirmam:
- o modelo de ADD socrático era para revogar e substituir, mas foi mais cómodo legitimá-lo e conservar-lhe a filosofia e os processos essenciais;
- o trabalho burocrático dos professores nas escolas continua atuante e recomenda-se;
- Passos Coelho disse "cobras e lagartos" das Novas Oportunidades e da Parque Escolar, mas está tudo acomodado e pronto a prosseguir;
- as direções regionais de Educação eram para extinguir e reduzir a "estruturas simplificadas", mas aí está uma barbaridade de subdelegações de competências para os diretores regionais.
Bem podemos estar confrontados com a velha estratégia de agitar intenções e programas de grandes mudanças para que tudo fique (quase) na mesma.
Alguém acredita que uma "estrutura simplificada" seja capaz de dar conta do recado relativamente ao vasto e complexo conjunto das competências que o Despacho n.º 15548/2011 subdelega nos diretores regionais de educação?

Terça-feira, 15 de Novembro de 2011

Pornobook

Fonte: Público
Foi, exatamente, esta falha de segurança que me levou a abandonar o Facebook, como aqui relatei, apesar dos 5000 "amigos" e dos 908 seguidores da NetworkedBlogs que ficaram para trás.
A rede, como o mundo, está impregnada de anormais e de bestas que não olham a meios para promoverem os seus negócios sujos, as suas taras, as suas impotências ou as suas imbecilidades.
E que dizer do artolas que se apropriou do endereço que pertenceu ao PROmova (cujo link me inibo de promover)?

A sorte de ter surgido Paulo Campos

Desde o anúncio do atual elenco governativo, Álvaro Santos Pereira foi o ministro que concitou as maiores expetativas, tanto pela nuclearidade estratégica das pastas que ficaram sob a sua responsabilidade, como pela independência e pelo fulgor de inteligência que a sua carreira no Canadá e as suas análises no blogue pessoal, Desmitos, ancoravam.
Todavia, uma retórica televisiva pouco fluente e escassamente convincente (a que uma rigidez facial e uma postura de homem acossado emprestam ainda mais insegurança), a forma repetitiva como anuncia e manifesta pouco mais que intenções, o protelar de medidas efetivas de relançamento da economia, a dificuldade em libertar-se do crítico do socratismo, a menorização a que Vítor Gaspar o sujeitou num dos últimos Conselhos de Ministros, bem como o recente e picaresco decretar do fim da crise, têm contribuído para a formatação de um retrato mediático de Álvaro Santos Pereira muito próximo de uma imagem de inadaptação, impotência e disfuncionalidade política no desempenho do cargo. Mesmo que esta etiquetagem possa não fazer justiça ao trabalho real do ministro, não podemos ignorar que, no contexto da mediatização da política, o que parece, independentemente dos seus referentes reais, é.
Ora, num momento em que tudo vinha correndo tremendamente mal ao ministro da Economia, eis que se lhe atravessa no caminho o deputado do PS, Paulo Campos, num número politiqueiro forçado, amalucado e até verbalmente desajeitado, em que exige a sua demissão pelo insuportável ato de lesa-pátria inerente à vacilação do ministro perante a asneira de ter vaticinado o fim da crise já em 2012.
A forma como Paulo Campos atuou no governo de Sócrates, o voluntarismo com que alimentou e coadjuvou a propaganda socrática, assim como a (ir)responsabilidade que possa ter tido no não acautelamento dos interesses do Estado e no desbragado despesismo do Estado, conferem a este deputado um descrédito político generalizado, pelo que o caricato do anúncio do ministro da Economia acabou, assim, esbatido e disfarçado pela disparatada exigência da sua demissão.
Aposto que, excluindo a família de Paulo Campos, os compinchas que meteu em empresas públicas, aqueles com quem negociou contrapartidas do Estado, um ou outro socratino e uma ou outra loira destituída do caráter e da assertividade da Joana Amaral Dias, mais ninguém elegeria Paulo Campos para o Parlamento.
Mesmo assim, não peço a sua demissão!...

Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011

Lançamento do jogo de estratégia "Distribuição de Sacrifícios"

É, cada vez mais, um jogo de "tira" aos mesmos de sempre para "dar", entre outros, também aos tradicionais "nomeados", como se os serviços do Estado não dispusessem dos funcionários e dos técnicos de carreira capazes de assessorarem ministros e secretários de Estado.
No minímo, será um ato da mais elementar transparência que o Governo divulgue o vencimento de origem auferido pelo feliz contemplado.

Bullying no Conselho de Ministros?

Apesar de este relatado ato intencional de agressão psicológica ainda não configurar um padrão recorrente, embora tenda a repetir-se sempre que o ministro da Economia tiver a ousadia de apresentar projetos que impliquem mobilização avultada de verbas, e mesmo não tendo sido praticado pelo exemplar mais clássico de um "bully" (valentão não, mas talvez aprendiz de tiranete), não tenho dúvidas que a desigualdade de poder, no Conselho de Ministros, entre Vítor Gaspar (o agressor) e Álvaro Santos Pereira (a vítima desprotegida, ainda que simbólica e ironicamente apelidada de "super-ministro"), bem pode vir a consubstanciar, para o futuro, um caso atípico de "bullying", dado o precedente agora aberto pelo mimo prepotente do ministro das Finanças, o qual tem subjacente, como é óbvio, uma desanda de "burro" ou "estúpido".
E desenganem-se, pois, aqueles que pensam que este tipo de coação psicológica, que fragiliza a autoridade e a atuação futura do agredido, é exercido pelos grandalhões sobre aqueles que apresentam um aspeto mais fisicamente franzino e débil. Este episódio, a ser verídico nos exatos termos em que aparece relatado, representa o esvaziamento do poder do ministro da Economia, pela via do golpe da decapitação da inteligência, enquanto episódio a que nem o Primeiro-Ministro soube ou quis pôr termo ou atenuar (o que, para mim, ainda é a dimensão mais grave e que não augura nada de bom para o futuro do funcionamento do Governo).
Como é típico nestas situações, aquele que fraqueja e se torna impotente intramuros tende a compensar com assomos de valentia para consumo externo (veja-se a ferocidade quase "socratina" como se atirou aos deputados socratinos do PS) e com o agitar de um poder que não se tem, como o decretar o "fim da crise" (sempre podia efabular que era o super-homem ou o capitão-Canadá, ao invés da opção por decretar algo que, nem o seu poder/controlo, nem a volatilidade/incerteza da situação internacional e nem os dados e as projeções nacionais lhe autorizam, minimamente).
Por este andar, 2012 corresponderá certamente ao ano do fim da crise... mas, da crise volitiva e de identidade do ministro Álvaro Santos Pereira, uma vez liberto da fonte do constrangimento governamental.

Domingo, 13 de Novembro de 2011

Quo vadis, PSD/Crato? (Nogueira e diretores incluídos)

In Expresso, 12/11/2011
Apesar da publicidade e do destaque que foram dados à peça jornalística do Expresso sobre as medidas do Governo para a Educação, a sua leitura leva-nos a concluir que se trata daquela notícia com a qual e sem a qual se fica exatamente igual, exceto no que ela tem de confirmatório relativamente às seguintes evidências:
- a existência de um PSD sem pensamento e sem programa político coerente e consistente para a Educação (teve-o entre março e abril de 2011, mas enjeitou-o), reduzindo-se a refém colaborante de Sócrates (a legitimação do modelo de avaliação dos professores, a continuação da burocracia e o mesmo tique impositivo estão aí para o provar), dos voos de pássaro estatísticos da troika, de interesses privados, da Cratuística (uma fusão de Crato e casuística) e da direita radical americana (cuja idiotice da obsessão pelos cortes nas funções essenciais do Estado ficou, ainda esta semana, bem patente na gaffe/amnésia do candidato à investidura republicana, Rick Perry);
- a impreparação confrangedora desta equipa ministerial, desconhecendo realidades e enquadramentos e apresentando-se sem estratégia, sem rumo, sem convicção, apenas suportada numa retórica de intenções de cortes vaga e indefinida, porque, no fundamental eles não sabem onde cortar, o que cortar e para que cortar, mais parecendo que os cortes ocorrerão nas disciplinas e nas áreas que suscitarem menos e mais débeis reações públicas, independentemente da relevância intrínseca do que vier a ser cortado;
- a irrelevância funcional e política da secretária de Estado, Isabel Leite, mau grado estas quase furtivas aparições nos jornais a fazer prova de que se está a estudar e que se fará qualquer coisa;
- o colaboracionismo dos diretores que, salvo um ou outro reparo, sempre deram, aos anteriores governos de Sócrates e ao Governo atual, o benefício da dúvida, o benefício da farsa, o benefício do paternalismo centralista ou o benefício da arrogância, pelo que não podemos ter a expetativa de esperar grande coisa das intervenções oriundas deste flanco;
- a perpetuação, sem qualquer intenção de corte, do inútil Conselho de Escolas, essa criatura parida do ventre manipulador e controleiro de Maria de Lurdes Rodrigues;
- o mais inquietante, e inesperado (ou talvez não), é que, aqui chegados, Mário Nogueira (Fenprof) intervém como se de um mero comentador e analista se tratasse, quase reduzido à função de simples constatador de ataques aos docentes e à escola, mas a que não se segue qualquer dinâmica sindical nas escolas que discuta e prepare reações.
Em Educação, como no corpo humano, cortar até restar o essencial, seja qual for a idealização de homem unidimensional que lhe subjaza, tem como resultado final um organismo aberrante. Além de que, para determinadas vocações, o essencial é a música ou são as artes ou é a performance atlética e desportiva. Há mais vida essencial para além da matemática.
Claro, o post ficaria incompleto se não desse expressão a mais anúncios de medidas que a peça incorpora, como, a título de exemplo, a prova de ingresso na docência (ou me engano muito, ou ainda me vou rir com o seu conteúdo) e a liberdade de os pais escolherem a escola dos filhos (não é por nada, mas gostaria de ter liberdade efetiva de escolha de um serviço tão básico, como o fornecimento de energia elétrica, da mesma forma que os pais também gostariam de escolher uma escola pública em lugares onde apenas existe oferta privada), a implementar lá para as calendas e para o caso de não ocorrerem reações, do tipo das protagonizadas pelos autarcas, pelos reitores das universidades, por Marcelo Rebelo de Sousa, por Cavaco Silva e outras forças temporais de bloqueio.

Sábado, 12 de Novembro de 2011

A ser verdade, isto é muito grave

Tratando-se da denúncia de uma situação que, a ser verdadeira, reputo como sendo muito grave, não poderia deixar o "comentário" (introduzido na caixa de comentário a este meu post - mesmo provindo de um "anónimo" é possível identificar a sua origem), a seguir transcrito, sem a divulgação que a pretensa irregularidade aí relatada exige.
Quem de direito que investigue a situação e aja em conformidade.
"Caso INSÓLITO
Diretor e Presidente de Conselho Executivo/ Diretivo há mais de 20 anos com progressão na carreira como se fosse licenciado sem o ser.
O atual Diretor do Agrupamento de Escolas Dr. João de Araújo Correia, recentemente eleito -16 de julho de 2011- apresentou-se a concurso, como sendo licenciado em Produção Animal na IUTAD quando, afinal, se verificou que nunca completou a licenciatura que diz ter.
De acordo com o Regulamento eleitoral para o cargo de Diretor, aprovado, por unanimidade, pelo Conselho Geral Transitório, os candidatos que prestassem declarações falsas seriam excluídos automaticamente do concurso. A Comissão que acompanhou e verificou todo o processo eleitoral, na sua boa fé, não verificou se o candidato tinha ou não feito declarações falsas; aceitou-as como verdadeiras e, por isso, considerou que o ex Presidente da Comissão Administrativa Provisória, ex Diretor do Agrupamento vertical de Peso da Régua, ex Presidente do Conselho Diretivo/Executivo, reunia as condições para ser candidato a diretor do Agrupamento, vindo a ganhar a eleição com 12 votos contra os 9 que o seu opositor teve, no órgão que o elegeu - o CGT.
Faça-se JUSTIÇA!!!!!"

Se me permitem duas perguntas ingénuas

Face a esta notícia do DN e a fazer fé na afirmação de que "há maçons por todo o lado", tipo aquelas fitas cinematográficas em que dormimos com alienígenas sem os reconhecermos, não pude evitar o impulso quase infantil para formular estas duas questões:
- Dentre o vastíssimo número de maçons, algum esteve/está no desemprego ou algum foi efetivamente preso em consequência de processos judiciais conformes a essa condenação, para o caso de algum ter estado ou estar a contas com a justiça?
- Se Isaltino Morais não fosse maçon já teria sido preso ou a influência e o poder maçónicos não dão para tanto?

Resposta de um funcionário público grego a um alemão ofendido

Mesmo não tendo conseguido verificar a veracidade da publicação, na revista alemã Stern (por ausência de qualquer referenciação na página online da revista), das duas "cartas abertas" trocadas entre um alemão e um grego, que me chegaram por email (obrigado, João!) e que aqui reproduzo, parece-me pedagógico, inteligente e saudável atentarmos nas verdades demolidoras e na solidez da contra-argumentação do cidadão grego, num momento em que, entre nós, se governa de cócoras e em obediência vassala às "proibições" da troika.
“Carta aberta” de um cidadão alemão, Walter Wuelleenweber, dirigida aos gregos:

Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011

A espingardaria Sócrates

Foi com alguma mescla de comiseração e de curiosidade abelhuda que assisti, na sequência do voto de abstenção do PS em relação ao Orçamento para 2012, ao levantamento, que é sempre uma forma de autolimitação para o futuro, das indefetíveis "espingardas de carregar pela boca" (neste momento e por longos anos, com o cano atacado por uma cagarola e inofensiva pólvora seca) do socratismo que ainda perduram na bancada parlamentar socialista.
Tendo em conta a contabilidade que consegui empreender, foram 13 os "canhangulos" que se declararam sobreviventes do socratismo, mesmo que só a máquina parlamentar os mantenha, quase vegetativamente, ligados à vida política nacional.

À atenção do MEC: pagar e não bufar (mais)

Pela segunda vez, no período de dois meses, o Provedor de Justiça vem recomendar ao Ministério da Educação e Ciência que cumpra a legislação e proceda, universalmente (sem dependência de processo judicial), ao pagamento das compensações por caducidade de contrato a termo certo.
É inadmissível que o Estado, além de se vir a colocar, ultimamente, nos antípodas da "pessoa de bem", atentando contra contratos, progressões e rendimentos do trabalho, nem sequer acate a legalidade. E que dizer da invocação oportunista da realidade do sector privado para justificar ataques aos funcionários públicos, para, em outras situações, como esta, se refugiar numa fantasiada excecionalidade dos trabalhadores do Estado?
Se o MEC persistir em interpretações dilatórias que protelem o pagamento, sempre se pode contratar (à atenção dos sindicatos) o "Cobrador do Fraque" e plantá-lo, em permanência, na sombra do Ministro da Educação.
Ler a Recomendação AQUI

Corrupção

Se esta é a "face oculta" da nossa (deles) corrupção, então, imagine-se o que não poderá ser a sua "face visível", tendo em conta os sinais exteriores de riqueza e o enriquecimento efetivo e meteórico de muitos personagens, a partir do momento em que deixaram as suas "terrinhas" para irem desempenhar as tão sacrificadas e onerosas funções políticas.

Finalmente, a explicação para os incumprimentos eleitorais de Passos Coelho

A sessão parlamentar de ontem, dedicada ao debate sobre o Orçamento do Estado para 2012, forneceu a chave explicativa para a diferença colossal entre a retórica eleitoralista, nas suas promessas e compromissos, do candidato Passos Coelho, e os discursos, decisões e práticas antagónicos do primeiro-ministro Passos Coelho.
Face às perturbações mnésicas que, entre nós, vêm afetando os candidatos a primeiro-ministro, o aparente rigor do ministro das Finanças tê-lo-á levado a registar, por escrito, as promessas e os compromissos feitos por Passos Coelho. Ora, como Vítor Gaspar confessou, em pleno Parlamento, a sua caligrafia é tão horrível que até ele próprio sente imensas dificuldades na sua decifração.
Conclusão: andará a fazer leituras e interpretações colossalmente equivocadas e incompatíveis face àquilo que escreveu.

Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011

A folga

É a "pornochanchada" política do momento, em Portugal:




De qualquer modo, para PSD e PS, enterrados até às orelhas na responsabilidade pela devastação obscena dos dinheiros e demais recursos do Estado (ainda que Sócrates e os salafrários do BPN tenham batido qualquer outra concorrência), "folga" é uma propriedade exclusiva dos orçamentos pessoais dos funcionários públicos.

Nem o cão de água português se dignou aparecer

Mesmo desconhecendo se é prática diplomática habitual Barack Obama proferir declarações públicas conjuntas ou aparecer ao lado, nos briefings ocorridos nos jardins da Casa Branca, daqueles Chefes de Estado que o visitam, e não beliscando o mérito das intenções e dos objetivos que enformaram a visita de Cavaco Silva, não escondo o ceticismo relativamente à eficácia internacional deste ato diplomático.
As imagens e as declarações que foram difundidas a partir dos jardins da Casa Branca, além de não produzirem qualquer impacto nos media internacionais e nos mercados, por força da mensagem que decorre do facto de Obama não se ter predisposto a associar a marca de confiança da sua imagem e, sobretudo, da sua própria palavra ao processo de resgate nacional, poderão ter deixado transparecer uma impressão, explícita ou subliminar, de solidão e desemparo da parte americana (até para proteger Obama de se desdizer publicamente). Aliás, a incomodidade lia-se na inabitual agitação postural de Paulo Portas e no rosto carregado, pouco convicto e, mesmo, algo desiludido (que lhe confere uma aridez inexpressiva ao rosto e o torna pouco convincente) de Cavaco Silva.
Como se não bastasse a ausência física de Obama, sublinhando o não comprometimento público do Presidente americano com a situação portuguesa e com a tese da diferenciação face à Grécia (que eu sempre considerei um erro estratégico que se pagará mais adiante), nem sequer o cão de água português da Casa Branca apareceu para introduzir uma dimensão apelativa de positividade, que permitisse quebrar o aparente clima de quase requiem ou quase velório que perpassou nas imagens do evento.
Talvez não tenham obtido qualquer rentabilização os custos implicados nesta deslocação, bem pelo contrário.

Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011

Esta desgraça de ministro

Na crónica de hoje, Santana Castilho desmonta, com o rigor e a mestria habituais, a nulidade a que o ministro Nuno Crato está reduzido, fundamentando a impreparação, a ignorância e a faceta manipuladora que o mesmo vem, penosamente, evidenciando.

In Público, 09/11/2011 (Clicar na imagem para aumentar)
Já agora, e a talho de foice, agradece-se que alguém possa fazer prova de vida da secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário!...

Terça-feira, 8 de Novembro de 2011

Uma governação séria faria isto

Fonte: Expresso
Não fosse este Governo seguir a velha e velhaca cartilha socrática do "dividir para reinar", procurando suporte eleitoral numa parte do eleitorado e fazendo dos funcionários públicos e dos pensionistas os bodes expiatórios de uma crise, em relação à qual nenhuma paternidade lhes pode ser assacada, sendo a mesma mais adequadamente imputável à irresponsabilidade governativa de políticos e ao despesismo de todos, e a proposta de uma distribuição equitativa dos sacrifícios pela generalidade dos trabalhadores portugueses, como defendida por Rui Rio, teria constituído a opção mais justa, suportável e apaziguadora que um governo sério e transparente poderia tomar.
Todavia, este PSD (o CDS parece não contar para nada nesta coligação) optou pela divisão do país e pelo acicatar de rivalidades entre grupos profissionais e portugueses, o que, a prazo, é uma atitude política devastadora para a desejável coesão nacional e cujo preço se vem a pagar mais adiante, consubstanciando, como tal, uma conduta intelectual e moralmente indigente.
Mesmo discordando de uma ou outra ideia e decisão de pormenor, nunca duvidei da seriedade política de Rui Rio. Para ele, fica o meu aplauso!