Um murro de Santana Castilho na consciência de Passos Coelho e da elite política "laranja" (18-01-2012): As "natas"

Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012

Os vícios negociais costumeiros

Recentemente, o MEC reuniu com as organizações sindicais, no âmbito do processo de revisão do modelo de autonomia, administração e gestão das escolas (Decreto-Lei nº 75/2008, de 22 de abril) em vigor, fazendo-o mais por impulso ritualista do que colocando a discussão propostas de alteração e medidas concretas.
No quadro deste tipo de entretenimento negocial e desta vocação nacional para se promoverem reuniões preliminares sem objeto definido e, como tal, infrutíferas, o MEC acabou por disponibilizar este incrível documento, onde enuncia um conjunto de princípios gerais, suscetíveis de poderem acolher uma qualquer mudança e a sua contrária, assumindo o compromisso de, até 10 de fevereiro, disponibilizar propostas concretas, ao mesmo tempo que fixava o limite de 17 de fevereiro para a receção das contrapropostas dos sindicatos.
Do meu ponto de vista, esta metodologia e estes calendários enfermam de três vícios que não há forma de serem abandonados, por quem assume transitória e efemeramente o poder.

O primeiro reporta à natureza do documento genérico, inicialmente divulgado, que, além de carecer de concreção e de balizamentos ou referenciais específicos de operacionalidade, apenas funcionará como um subterfúgio para ganhar tempo, fazendo-me lembrar aquele professor que, não tendo usufruído do tempo e da disposição para preparar a aula, alinha uns tópicos generalistas num PowerPoint e desencadeia um brainstorming acerca do alcance dos mesmos. Isto porque nem sequer quero admitir que estejamos perante uma versão mais orgânica de "O meu movimento", destinada a colherem-se ideias e orientações concretas (o tal concurso de ideias, que não passa de uma simulação de abertura, discutindo uma proposta - vencerão as mais bizarras - e abandonando os restantes contributos, como quem perde uma corrida), que o MEC não teria, procurando disfarçar uma insegurança, uma impreparação ou, mesmo, uma falta de conteúdos/ideias, de base.

Em segundo lugar, o tempo escasso que irá mediar entre a apresentação do documento detalhado e a receção das contrapropostas sindicais, vai, mais uma vez, impossibilitar que os professores e as escolas sejam chamados a refletirem e a pronunciarem-se (a promessa eleitoralista de fazer as reformas com os destinatários das mesmas vai-se esfumando) sobre matérias que vão, inelutavelmente, condicionar as suas práticas e os seus resultados, adivinhando-se, mais uma vez, a repetição do habitual calvário de imposições e de desacertos.

Em terceiro, a necessidade de estabilidade legislativa e organizacional das escolas, assente, entre outras caraterísticas, em bases de bom senso, de transparência, de funcionalidade, de simplicidade, de democraticidade e de uma maior consensualidade ou adesão possíveis, recomendaria a procura de uma ampla convergência nas escolas, nos partidos e na sociedade, de forma a evitar-se a desestabilização inerente às mudanças e aos sobressaltos partidários circunstanciais.

Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012

Não mexas aí

Discordo da atração pelo "eduquês", subjacente às críticas dirigidas à proposta de reforma curricular do MEC (mesmo que avulsa, retocada, como se de um ajuste de merceeiro se tratasse, e, sobretudo, desenquadrada de metas e programas), mas divulgo o e-mail e o documento recebido do MEP (Movimento Escola Pública):
É uma espécie de currículo “NÃO MEXAS AÍ”: reduz a experimentação, elimina as disciplinas de artes e expressões, promove um recuo nas capacidades e competências que a escola oferece aos seus jovens, reduz o saber fazer criativamente, remete a escola para o tempo do livro-manual e do professor transmissor de conhecimentos.
O Movimento Escola Pública divulga a sua reflexão no âmbito da discussão pública da proposta de reforma curricular, que termina esta terça-feira, dia 31 de Janeiro.

Fuga ou regresso?

Resta saber se o IC5, entre o Pópulo e Miranda do Douro, de que apresento aqui a nova ponte sobre o rio Tua, em Brunheda (cujo tabuleiro acabou de ser ligado), contribuirá para quebrar o isolamento dos concelhos do nordeste transmontano, ajudando ao regresso dos litoralizados, ou se, pelo contrário, virá facilitar ainda mais a debandada dos transmontanos, funcionando como fator de desertificação. Veremos!...



Domingo, 29 de Janeiro de 2012

Queriam ganso, mas saiu-lhes galo

É bem provável que, mesmo sendo um ferrenho simpatizante do FC Porto, pertença ao grupo daqueles que Pinto da Costa considera nada perceberem de futebol.
Todavia, essa condição não me impede de sublinhar o que venho constatando desde há uns meses: além de uma deficiente planificação da época, em termos de vendas, dispensas e aquisições, a promoção de Vítor Pereira a treinador principal tem-se vindo a revelar uma má opção, pelo que a mesma está a representar em termos de desestruturação do plantel, de inabilidade para formatar uma equipa base assente nos melhores jogadores (de muitos experientes nem sequer há notícia, enquanto outros que chegam e de créditos firmados, como Danilo, ficam no banco), de perda de qualidade de jogo e de eficácia atacante, assim como de incapacidade pessoal para assumir erros e analisar objetivamente os jogos, escudando-se nas arbitragens ou em análises algo inventivas.
Só a classe individual de muitos dos jogadores do plantel tem permitido esbater ou disfarçar as limitações de Vítor Pereira, o que que irá contribuir para o arrastar desta equipa técnica até ao momento, desgostosamente irreversível, da verificação que se perdeu incomparavelmente mais, em termos de títulos e de valorização do plantel, do que aquilo que se ganhou.

O problema da (não) atribuição de bolsas pode estar a ser outro

Fonte: Diário de Notícias
aqui fiz a demonstração dos expedientes, aparentemente legais, mas imorais (obtendo vantagens indevidas à custa de cada um dos contribuintes, mas, mais grave, impossibilitando muitos alunos realmente carenciados de prosseguirem os seus estudos), que, apesar do aperto das regras, persistem em introduzir distorções e injustiças no sistema de atribuição de bolsas, podendo estar a originar algumas das recusas a que reporta a notícia, com efeitos dramáticos para os projetos e os sonhos de alguns jovens.
A este propósito, seria esclarecedor que pudesse ser divulgado o número total dos alunos que obtiveram bolsas, alguns nos escalões máximos, com base em "comprovativos" que os dão como vivendo fora da residência dos pais, fazendo vida independente, providenciando ao seu sustento e estando registados como trabalhadores a recibos verdes, mas sem rendimentos de monta.
As regras são tão apertadas que, em alguns casos, ou levam a que muitas famílias, menos perspicazes ou incapazes de contornarem o aparente aperto da lei, percam os apoios e passem por enormes privações para manterem os filhos a estudar, ou, então, estrangulam os mesmos de sempre, isto é, aqueles que declaram os seus rendimentos.
É pena que, entre nós, ainda continue a vigorar a máxima de que "aqueles que não estão obrigados à declaração obrigatória de rendimentos, ou aqueles que gozam da esperteza e da falta de escrupúlo para fintarem as regras, são os que realmente se safam".

Chumba, mas a vida continua

Num país como Portugal, uma entidade pública empresarial, que gere investimentos superiores a dois mil milhões de euros, adquire poder, mobiliza influências e fomenta uma teia de interesses e apetites clientelares, além de que comporta em si mesma um potencial de agravamento do défice do estado, que não podem ser subestimados por nenhuma autoridade ou nenhum governo.

Podem estas condicionantes não guardar qualquer relação com a atual situação, aparentemente intocável, da Parque Escolar, EPE, mas não parece concebível que uma empresa pública criada em 2007, por Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues, para gerir a modernização das escolas secundárias, funcionando como expediente de suborçamentação, entre outros efeitos, incorra em ilegalidades na adoção do procedimento de ajuste direto, acumule dívidas astronómicas, desrespeite os limites impostos à despesa e agrave a fatura energética das escolas, sem que a direção seja despedida e, no limite, a própria empresa seja extinta.

De igual forma, também não se percebe que ainda não se conheçam as conclusões (e as consequências, digo eu, na minha ingenuidade), quer da auditoria que o Tribunal Constitucional vem fazendo à Parque Escolar, EPE, desde abril de 2010, visando apurar o (in)cumprimento das regras da contratação pública, quer da investigação que a Inspeção-Geral de Finanças está a levar a cabo, desde há vários meses, a pedido do atual Governo.

Cuidado com os tiros nos pés

Para quem (como professores e demais funcionários públicos que continuam a disparar contra os próprios pés, empolando uma formulação menos feliz de uma mensagem que era correta e bem dirigida, por parte do Presidente da República) ainda não tenha percebido a importância estratégica, mesmo que se possa discordar do estilo e de alguns aspetos da sua atuação, de não fragilizar a autoridade política de Cavaco Silva, como o único poder, em Portugal, que pode fazer frente à fúria neoliberal, instalada no Governo, contra a função pública e contra o essencial das funções do estado (porque, as "banhas" que lhes alimentam as clientelas partidárias, essas mantêm-se):
Fonte: Expresso
Fonte: Público

O verbo avaliar, em socratês

A sua conjugação encontrava-se (ainda que o MEC atual tenha reclamado a herança) restringida ao "imperativo afirmativo", apenas invadido pelo "imperativo negativo" na formulação relativa a "nós", mau grado o foguetório impressionista da constituição de equipas de trabalho e da produção de relatórios, mantidos em secretismo.

avalia tu (primeiro como titular, depois como relator)
avalie ele (o diretor também assina a tua avaliação)
não avaliemos nós (basta-nos impor que os professores se avaliem uns aos outros)
avaliai vós (nós, na prática, não avaliaremos nem medidas, nem programas, nem coisa nenhuma)
avaliem eles (de preferência uns aos outros e sem autoridade e competências reconhecidas)

A propósito desta constatação, mais que óbvia e generalizável:
"Não há nenhum país que coloque um programa em funcionamento e esteja 10 anos sem fazer avaliação"

Sábado, 28 de Janeiro de 2012

Reabilitar a autoridade dos professores

Desde que Maria de Lurdes Rodrigues fez da hostilização aos professores a pedra de toque do seu miserável mandato à frente do Ministério da Educação, quer fragilizando gratuitamente a autoridade e o poder dos professores nas escolas, quer implementando mecanismos e instrumentos de pressão que passaram a facilitar as aprovações dos alunos, que a disciplina nas escolas e nas salas de aula se degradou visivelmente, até níveis de tolerância e de permissividade insuportáveis.
Ainda bem que pediatras e psiquiatras vêm, agora (mesmo assim, estranho os seus silêncios no periodo da governação socrática), valorizar a imposição de mais disciplina nas escolas e no seio familiar.
Todavia, e como tenho vindo a defender neste blogue, desde há muito tempo, tal imposição da disciplina, por parte dos professores, requer tanto um reconhecimento efetivo da autoridade pedagógica, científica e disciplinar destes, como a reposição do poder dos professores para elegerem, diretamente, a direção da escola e os coordenadores de departamento e grupo disciplinar, pondo termo à sua condição atual de subserviência e de medo, incompatível com o exercício efetivo da disciplina.
Fonte: Expresso

"v" de Carvalho

O texto de rodapé que acompanha esta notícia da SIC não lembraria ao Carvalho... o pivô!

Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012

Um doloroso desmame

Enquanto os portugueses tiverem memória, estes suspiros não originarão nada que exceda uma seita filosófica.

Fonte: Sol

Umas tacadas na crise

Mesmo a esta distância e à medida que se vão conhecendo mordomias e gastos, permanece aviltante a mentira criada, alimentada e tolerada, no decurso dos seis desgraçados anos da governação socrática, acerca dos professores como um grupo profissional "privilegiado".
A não ser que o investimento em golfe fizesse parte do treino dos quadros do Banco de Portugal, tendente a capacitá-los na difícil arte da deteção de buracos... orçamentais!

Fonte: jornal I

Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

Aprendizes de déspotas

Numa democracia adulta, os governantes não deveriam exceder os limites do mandato popular que os elegeu, restringindo-se ao cumprimento dos programas e dos compromissos que submeteram ao eleitorado.
Todavia, para a eventualidade de as circunstâncias forçarem a tomada de medidas não sufragadas eleitoralmente, o exercício do poder decorrente desta contingência deve estar enquadrado pela legalidade e pela justificação racional (explicação clara e convincente dos fundamentos e das razões) das decisões políticas, particularmente, quando as mesmas assumem uma natureza discriminatória, seletiva e não equitativa, como é o caso dos cortes de vencimentos e de subsídios na função pública.
Sempre que os governantes sobrelevam o mandato eleitoral, violam a legalidade e atuam discricionariamente, acabam transformados numa espécie de aprendizes de déspotas.
Ora, é exatamente esta metamorfose que acaba de ocorrer com os nossos governantes, senão vejamos:
- não há uma única linha nos programas eleitorais dos partidos da governação relativa ao confisco dos subsídios dos funcionários públicos, além de que o primeiro-ministro considerou tal possibilidade como um "disparate";
- todos os constitucionalistas concordam, incluindo o Tribunal Constitucional (basta atentar nos avisos deixados, há um ano, aquando do corte socrático nos vencimentos), que a decisão de não pagamento dos subsídios não está conforme à Constituição;
- quanto às justificações avançadas pelo governo e, na comunicação social, debitadas pelos seus fazedores de opinião, relativamente à circunscrição dos cortes nos subsídios aos funcionários públicos, criando um tratamento diferenciado e discriminatório entre os cidadãos, as mesmas reportavam a uma forma de compensação face ao facto de os trabalhadores do privado virem a ter o seu horário acrescido em meia hora diária e estarem sujeitos à possibilidade do despedimento. Acontece que estas pretensas razões deixaram de existir, pois, a meia hora ficou pelo caminho e os despedimentos de funcionários públicos estão agora na calha, como se pode inferir do anúncio da nova vaga de excedentários na função pública.
Se a intenção inerente aos cortes dos subsídios é entendível, já os motivos não encontram qualquer fundamentação que vá além do arbítrio e do abuso do poder, por parte dos nossos governantes.

Isto, sim, é concorrência


Em face do quadro comparativo dos preços do gasóleo e da gasolina, não vale a pena continuarmos a hipotecar o nosso tempo com dissertações a fazer prova de práticas de combinação de preços (obviamente, não estou a falar de reuniões na calada da noite ou numa qualquer sala virtual, bastando espreitar e fixar) ou, sequer, a negar a existência de qualquer concorrência efetiva, porque os números são, suficientemente, elucidativos. Resta-me, apenas, formular uma questão e dar corpo a um desabafo, em forma de ceticismo:
- quanto custa aos contribuintes e para que serve, verdadeiramente, a Autoridade da Concorrência?
- se a liberalização do mercado da energia elétrica seguir a mesma tendência da liberalização dos preços dos combustíveis, mais vale ficarmos como estamos.

Caldeirada

Depois dos robalos, eis o polvo, no que parece ser uma peixeirada que é bem capaz de dar garantias de confeção de uma caldeirada a preceito. Claro está que o repasto melhora se for acompanhado com umas entradas a condizer que o contrabalancem, do tipo alheiras e chouriças de porco bísaro de Vinhais.
Se alguém ficar indisposto ou a dose for indigesta, não há problema, pois, talvez se possa desenrascar um atendimento preferencial no centro de saúde.

Fonte: jornal I

Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

Está caladinho para manteres o trabalhinho

Excelente retrato que assenta, como uma luva, à sociedade em geral, mas também a tantos e tantos que, tão precocemente, desistiram das suas justas reivindicações e submergiram.
“Rithy Panh conta-me o Camboja dos anos 1970 e o seu livro reenvia-me, uma e outra página, com uma força que me deixa sem pulso, para o Portugal do presente. Para um país, precisamente, onde quatro décadas de democracia produziram, afinal, uma sociedade asfixiada por valores do silêncio, da cobardia, do bajulamento e dessa gangrena da nossa pátria que é a inveja social.” (Pedro Rosa Mendes, excerto da sua última crónica radiofónica inserta no espaço de opinião "Este Tempo", a partir do minuto 4.15)

Pior do que uma vergonha, só uma vergonha maior

Fonte: Público
Não podia deixar passar em claro a notícia que ontem fez manchete no Público (cuja gravidade acabou ofuscada pelo fogo de palha da pseudo-indignação dirigida a Cavaco Silva) e relativa à desistência da frequência do ensino superior, por parte de muitos jovens, em razão das dificuldades económicas que afetam as suas famílias.
Face a estas situações limite, que, além de inconstitucionais, esventram qualquer moralidade, não podemos permanecer indiferentes, nem reticentes, nem, muito menos, cúmplices silenciosos, porque as mesmas representam uma das maiores vergonhas nacionais.
É absolutamente inadmissível que, no século XXI e num país da união europeia, o estado e a sociedade privem, por força da condição económica, os jovens de prosseguir os seus estudos superiores, sobretudo, quando sobra dinheiro para pagar ordenados obscenos a tanto comissário político.
A própria circunstância de se permitir que um único aluno abandone os seus estudos pela única razão de a sua família não dispor das condições económicas para o manter, representa, do meu ponto de vista, a falência (pelo menos, moral) dos programas de bolsas do estado (como a seguir se perceberá) e, também, dos serviços sociais das universidades.
Todavia, este fenómeno não é dissociável de uma vergonha ainda maior e que, no contexto atual, assume contornos de abjeção moral, uma vez que é sabido que algumas bolsas são atribuídas a alunos que delas não carecem de todo, como é o caso, tanto dos filhos de alguns "empresários" menos escrupulosos que vivem de negócios não faturados ou subfaturados e não declaram rendimentos, como de alunos que, uma vez na universidade, recorrem a um expediente de verdadeira esperteza saloia, declarando viver fora da casa dos pais (em casa alugada) e tornando-se sujeitos fiscais autónomos e trabalhadores a recibos verdes (com rendimentos irrisórios), o que lhes permite tirar daqui vantagens, quer em termos de frequência de aulas e realização de exames (adquirem o estatuto de trabalhador estudante), quer obtendo bolsas a que, sem este artifício manhoso, nunca teriam direito.
Não conheço a legislação, mas parece-me fácil acabar com esta "burla" moral (mesmo que seja legal), bastando determinar, em lei, que se o aluno, (habilidosamente) tornado "emancipado", não dispõe de rendimentos próprios suficientes para pagar os seus estudos, antes de ser o estado a suportá-los, a obrigação de os custear deve pertencer aos ascendentes, prevalecendo o rendimento destes.

TIC a menos neste MEC

Como se a circunstância de não constar na página inicial do MEC, na internet, qualquer referência direta ou qualquer link devidamente identificado sobre a consulta pública a decorrer no âmbito da revisão da estrutura curricular, não fosse, de si, um indicador suficiente do desinteresse do MEC nos contributos individuais (uma revisão desta natureza merecia ser debatida e enriquecida a partir do lugar natural onde os saberes e as experiências emergem e se testam, ou seja, as escolas), ainda acresce que, após se descobrir o espaço relativo à "consulta pública - proposta de revisão de estrutura curricular", a participação na consulta vê-se barrada por uma falha técnica que impede a escrita e o envio dos contributos individuais, como as screenshots, em baixo, demonstram.
Certamente, também um problema pouco abonatório das competências TIC neste MEC.

Daqui
Daqui

Concedo que a piada não carrega uma semântica pedagógica

Mas, a motivação para postar o cartoon advém mais da envolvente saloia e pitoresca das chouriças.


Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

Demagogia e mesquinhez

Esta crónica de João Paulo Guerra é verdadeiramente lapidar sobre a demagogia e a mesquinhez que envolve o empolamento das declarações de Cavaco Silva, cuja intencionalidade era chamar a atenção para os cortes a que também tem sido sujeito, mesmo que possamos admitir que a forma utilizada, num país tendencialmente hipócrita, não foi a mais feliz.
Face a alcavalas e salários absolutamente milionários que o estado, direta ou indiretamente, paga a tanto indivíduo medíocre, fazer um caso, que alguma histeria catapultou para o delírio político da demissão virtual (porque, no terreno, a indignação estendeu-se, hoje, a umas escassas dezenas, em frente ao Palácio de Belém), porventura, de muitos que conviveram, tão comodamente, com as mentiras e os ilusionismos de Sócrates.
Ainda gostava de conhecer os vencimentos mensais absolutos, sem sequer os relativizar face ao que merece ganhar o Supremo Magistrado da Nação, de muitos que agora se indignam e que, certamente, auferem mais que os 6000 euros líquidos do Presidente da República, que, convenhamos, é uma contrapartida miserável, tendo em conta as suas altas funções e em comparação com o que auferem, por aí, tantos manjericos, desde jornalistas a comentadores.
Por outro lado, espero que este episódio sirva de lição a Cavaco Silva e o torne mais institucional e formal no exercício das suas funções, coibindo-se de entrevistas de rua.

Num país decente, esta vigarice resolvia-se facilmente



Sou oriundo da terra quente do nordeste transmontano e, como tal, estas situações de exploração do menor conhecimento e da boa fé desta gente sã, que ainda confia na palavra das pessoas, tira-me do sério e deixa-me sem nenhum espaço de tolerância para este tipo de vigarices.
Se, entre nós, houvesse decência e justiça a sério, a pena a ser aplicada a este tipo de meliantes, depois de apurada a autoria e a responsabilidade pela informação enganosa e dolosa transmitida, deveria ser a seguinte: suportar, do seu próprio bolso, os custos totais da instalação e das mensalidades que estão e serão cobradas às pessoas em causa, durante o período do contrato de fidelização.

Aliás, esta situação, aliada a outras e reforçada pelas sugestões e pacotes que os operadores das empresas de telecomunicações nos querem impingir sempre que os contactamos a propósito de outros assuntos, apenas vem adensar a minha suspeita que o negócio da TDT, em Portugal (e ao contrário do modelo espanhol), ao disponiblizar apenas quatro canais e imputar os custos da migração aos cidadãos (que durante, anos a fio, pagaram a taxa para terem direito à radiodifusão), foi mais um daqueles expedientes, vulgo negociatas, saídos da esperteza saloia de políticos e gestores nacionais, destinados a vender meo's, zon's e outros produtos do género.

Tretas, tretas, tretas...

Passos Coelho: "(...) os sacrifícios têm que ser repartidos por todos".
Obviamente, a responsabilidade de escolas e hospitais (apenas para citar alguns dos setores mais discriminados e castigados), na crise atual, é, incomparavelmente, maior do que a dos bancos. Uma espécie de "Passos" trocados nos caminhos da justiça e da equidade.

Cala-te boca

Excelentes notícias para a "indústria da cortiça", pois, parece estar de volta a lei da rolha.
RDP acaba com espaço de opinião que serviu de palco a críticas duras a Angola 
A direção da PSP foi demitida

Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

Este dueto improvável, na Educação, não me parece nada ótimo

Não imaginaria vir a assistir a uma convergência de posições entre Albino Almeida, esse longevo dirigente da CONFAP, e a JSD, a propósito do que quer que fosse e, muito menos, acerca da defesa da continuidade da formação cívica, nos ensinos básico e secundário.
Mas, de facto, o PSD e as estruturas e personalidades que o integram têm sido pródigos a surpreender-nos em matéria educativa e, especificamente, na forma como vão acolhendo a tralha e o ferro-velho do socratismo.
Convenci-me, mesmo já tendo esgotado o meu crédito de credulidade, que a JSD partilharia o enfoque decisivo da escola na missão de preparar e qualificar os alunos nos planos do desenvolvimento do raciocínio, da apropriação e utilização do conhecimento, da aquisição das ferramentas concetuais e metodológicas das ciências ou, ainda, da aprendizagem das competências técnicas e profissionalizantes, em prejuízo da aposta em áreas e domínios votados a pouco mais que faz de conta, conversação avulsa, trocas de impressões pessoais, terapias de grupo, projetos desconexos ou atividades de relevância pedagógica inútil ou, no mínimo, discutível.
Confrontado com a posição da JSD, então, por que razão optar pela manutenção da formação cívica em detrimento do estudo acompanhado ou da área de projeto? Aliás, a área de projeto de 12º ano, se bem orientada, era uma extraordinária mais valia, em termos de desenvolvimento do espírito científico, de treino de metodologias de investigação e de clarificação vocacional.
Uma vez que a formação cívica tem a sua abordagem, necessariamente, diluída nas várias disciplinas, assumindo uma especial relevância na filosofia, onde se questionam e fundamentam os valores e a cidadania, não faz sentido a sua continuidade como unidade autónoma, particularmente no âmbito do ensino secundário.
Bem mais preciosa me parece a proposta apresentada pela CNIPE e relativa a uma aula semanal destinada à preparação para os exames.

Ainda te aguentas?

Face a tamanha energia de censura e repulsão que varre o país, será que não há ninguém disponível para se mobilizar e se organizar para uma campanha de real indignação, nos locais de trabalho, nas ruas, nas redes sociais e nos tribunais, contra a discriminação inconstitucional e iníqua que confisca salários e subsídios aos funcionários públicos, convertendo-os em bodes expiatórios de uma crise do estado, de que não são responsáveis?
Ou será que já sublimaram toda a pulsão de revolta, exatamente naquele que mais tem denunciado a falta de equidade na distribuição dos sacrifícios?

Destituam Cavaco Silva

E na sequência dessa destituição, e a modos de um qualquer ritual quase nortecoreano, preferencialmente sem recurso a eleições (porque, aí, correm o risco de Cavaco Silva voltar a ganhar e, como tal, não ficarem nada bem na fotografia da democracia), providenciem o envio de uma delegação a Paris para tentar convencer Sócrates a vir ocupar o cargo de Presidente da República, porque esse não fala publicamente das suas poupanças, não se queixa dos cortes a que tem sido sujeito, nem confessa dificuldades, obviamente, por respeito e solidariedade para com os portugueses que deixou na penúria e não dispõem, no desempenho das suas funções, de carro e motorista.
Se o dito cujo não aceitar, sempre podem recorrer a uma qualquer figura virtual que represente a vontade popular maioritária que ecoa nas redes sociais, que faz o pleno nos tudólogos e que assobia em Guimarães.

Demissão, já!...

In Público, 23-01-2012
É quase sempre assim: "casa de ferreiro, espeto de pau". Quem parecia viver obcecada com a fiscalização e a avaliação de outros, ainda que recorrendo a métodos e instrumentos sem qualquer consistência pedagógica, técnica e ética, descurava para si própria a implementação de princípios básicos de fiscalização e avaliação dos projetos que contratava, com manifesto prejuízo para o erário público e para a moralidade.
Espanta-me que não cresça, nas redes sociais, um qualquer movimento de indignação e uma concomitante manifestação peticionária a exigir que Maria de Lurdes Rodrigues seja demitida das funções que exerce na Fundação Luso-Americana.

Domingo, 22 de Janeiro de 2012

Um país de indignados virtuais e um pouco zarolhos

Acredito na existência de aversões e ressentimentos latentes de uma ampla esquerda, a quem Cavaco Silva infligiu, eleitoralmente, derrotas sucessivas, e que se excita com a possibilidade de utilizar o veículo das pequenas revanches para trazer à superfície esse magma de desafeições cavaquistas, sempre que o Presidente da República comete um erro ou incorre num deslize de linguagem, o que passa a constituir rastilho suficiente para manifestações de uma indignação tal que se pareça estar, mesmo, mesmo, muito indignado.
Pela minha parte e no caso vertente das queixas legítimas de Cavaco Silva sobre os cortes a que tem estado sujeito, não acompanho o fervor desta indignação geral e considero-o, até, comodista, hipócrita e zarolho, no sentido em que desvia o foco atencional dos verdadeiros motivos e protagonistas da crise e da miserabilização do país, substituindo-os, na falta de coragem para os enfrentar nos locais de trabalho, nas ruas e nos tribunais, por uma espécie de saco de pancada virtual (que aliviará simbolicamente a revolta acumulada, concedo), chamado Cavaco Silva.
Para se confirmar o que afirmo, basta atentar nas atuais tendências da indignação nacional, em que, tanto os grupos profissionais atacados nos seus rendimentos e nos seus direitos se corcovam a Passos Coelho (como o haviam feito também em relação a Sócrates), consentido sem qualquer reação, como as ruas, as empresas e as instituições estão desertas de indignados, enquanto os eternizados líderes sindicais, temerosos de perderem o controlo e o tacho, se rendem, iludem (há quantas luas não se enxerga um delegado sindical nas escolas?...) ou folclorizam os protestos.

Voltando ao caso das declarações de Cavaco Silva, não se estará a confundir aquilo que são vencimentos e reformas razoáveis em função de uma longa trajetória profissional (mais de 30 anos) e política, com fortunas rápidas e habilidosas, sem trabalho e descontos concomitantes, que os próprios silenciam e que, como tal, não causam estes movimentos de indignação?
Consideram que, em Portugal, as pensões e os salários devem ser todos iguais, independentemente de qualificações, funções desempenhadas, responsabilidades ou descontos efetuados?
Já não falando das suas qualificações profissionais, não acham que Cavaco Silva (também Mário Soares) deveria ser, entre nós, pelas altas funções desempenhadas ao longo de mais de duas décadas, o político mais bem pago? Acham que deve ser Catroga ou Mexia ou Armando Vara ou Rui Pedro Soares ou tantos outros também de esquerda?
Querem indignar-se a sério? Então, estou seguro de que não faltaram reais motivos para tal, como os seguintes, a título de exemplo:
- não se reprimam tanto e reajam massivamente, invadindo sites e praças, contra os cortes iníquos e à falsa fé nos vencimentos, nas pensões e nos subsídios daqueles que trabalham e descontam e não contribuíram para o regabofe da República;
- exijam, fora do comodismo de cliques e assinaturas de petições inconsequentes, o fim dos cargos inúteis, dos salários milionários e das alcavalas (cartões de crédito, frotas luxuosas) de gestores públicos e afins (empresas sem real concorrência), típicos dos "Catrogas" deste país;
- não convivam, tão mansamente, com os privilégios obscenos e injustificados dos dirigentes e funcionários do Banco de Portugal, das fundações, dos institutos e das empresas públicas de transportes, como a TAP e outras que tais;
- questionem-se sobre as eventuais poupanças, descontos e investimentos que permitem a políticos viver e estudar, desafogadamente e sem trabalhar, no estrangeiro.

Não ter a capacidade para discernir entre situações, temo que nos conduza para um caminho perigoso e descontrolado, que, a prazo, nos poderá mergulhar numa inveja social e num basismo albanês que considerarão injustificados os vencimentos e as reformas de licenciados, professores, advogados, médicos, juízes, etc., indexando tudo aos vencimentos e às reformas de quem não estudou, não teve as funções e responsabilidades destes ou não descontou ao longo de uma vida.

Fez-se justiça?

Num país em que alguns cidadãos obtiveram reformas milionárias, lesivas do erário público, volvidos escassos anos de atividade política e tendo poucas dúvidas que ocorreram inúmeros casos de aposentações precoces de professores, cujos problemas de saúde não assumiam, nem de perto, nem de longe, a gravidade daqueles que afetam esta colega, torna-se absolutamente indecente o calvário a que a Caixa Geral de Aposentações e as juntas médicas em causa sujeitaram a colega Maria Manuela Jácome.
Ainda bem que o Tribunal Administrativo e Fiscal de Loulé repôs a justiça e a humanidade, condenando a Caixa Geral de Aposentações a aposentar, por inteiro, esta colega.
A questão que se impõe é a seguinte: qual é a condenação para os responsáveis pelas decisões que martirizaram quem já era vítima sofrida de uma doença tão severa?

Sábado, 21 de Janeiro de 2012

Os diretores não querem ser professores. Gestores é mais fino

"Não podemos ser avaliados pelas habilitações académicas, pelas habilitações profissionais e pela capacidade de gestão", refere, acrescentando que "será exigido ao ministério a alteração da legislação para clarificar os critérios e quem vai avaliar" (Declarações de Adalmiro da Fonseca, presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos de Escolas Públicas)
Os diretores, cuja formação e experiência profissional é, na maioria dos casos, a da docência, afinal, não querem ser avaliados como professores, ou seja, parece que a inclusão das habilitações académicas e das habilitações profissionais como critérios avaliativos lhes lixou a avaliação do desempenho.
Como tal, vão exigir um modelo de avaliação, por medida, para diretores e suddiretores, que os avalie exclusivamente como gestores, uma vez que a capacidade de gestão lhes é inata, sendo irrelevante a formação e a experiência (conhecendo muitos deles, como os compreendo).
Estranho, apenas, que os senhores diretores, que, salvo honrosas exceções, nunca se opuseram ao estúpido modelo de ADD dos súbditos, não exijam ser avaliados pelos colegas diretores das escolas ou agrupamentos vizinhos, assumindo o novo e bizarro conceito cratiano de avaliação externa.
Além de terem desistido da ideia peregrina das suas demissões (eu bem que apostei que seria mais expetável as galinhas apresentarem dentadura do que um diretor demitir-se), e apesar dos queixumes e das exigências, os diretores, liderados por Adalmiro da Fonseca, já acreditam que tudo acabará aos beijinhos com a equipa de Nuno Crato, num jogo de sobrevivências mútuas.

Acabei de ser assaltado

Felizmente, e por enquanto, dado o caldo que se está a gerar entre ausência de policiamento, ineficácia da justiça, deseducação e gatunagem convertida e quase tolerada como atividade profissional (com a vantagem da não declaração de rendimentos), não é nada do que o título do post poderia induzir a pensar.
Refiro-me, concretamente, à circunstância de ter sido assaltado por uma dúvida, em face de uma notícia do Expresso, segundo a qual o Presidente da República se terá batido, nos bastidores da negociação do acordo de concertação social, pela queda da meia hora de trabalho adicional que o governo desejava impor aos trabalhadores do setor privado. A minha dúvida vê-se ainda mais adensada pela avaliação positiva que Cavaco Silva fez, ontem, do acordo de concertação social, considerando que o mesmo melhora a situação dos trabalhadores.
Assim sendo, bastou-me recuperar dois posicionamentos de há escassos meses (esta inconveniência de as pessoas ainda terem memória não é nada boa para a credibilização da política), para, cruzando-os, acabar assaltado pela tal dúvida insuperável, que não ajuda nada à imagem que vou formando de alguns políticos. Resumidamente, as teses eram as seguintes:
- o governo avançou com a proposta da medida da meia hora de trabalho extra e apresentou-a como contrabalanço do corte dos subsídios de férias e de Natal no setor público, de forma a assegurar-se alguma distribuição equitativa dos sacrifícios;
- o Presidente da República considerou (e bem) que as medidas restritivas impostas aos funcionários públicos, incluindo os cortes nos subsídios (a somar a cortes socratinos nos vencimentos), colocavam problemas de equidade na imposição de sacrifícios aos portugueses.
Se Cavaco Silva admite que o acordo de concertação social é bom para os trabalhadores, se a meia hora caiu também por sua influência, e se esta era a medida penalizadora que equilibrava os sacrifícios (os servidores do estado entravam com o dinheiro dos seus rendimentos e os trabalhadores do privado contribuíam com mão de obra), então, tal significa que o Presidente da República deu um contributo decisivo para um maior agravamento da falta de equidade na distribuição dos sacrifícios.
E a minha dúvida é: a questão da distribuição iníqua dos sacrifícios reduz-se a um tema de agenda política de circunstância e de oportunidade?

P.S.: Ainda a propósito da distribuição não equitativa dos sacrifícios, custa-me a entender por que razão um pedido de fiscalização das normas do orçamento de estado, relativas ao corte dos subsídios de férias e de Natal, incomoda tanta gente e gera tanto esquivo incompreensível, ou será que está, mesmo, instalado um desprezo generalizado pela Constituição da República Portuguesa? Se esta é letra morta, então, tenham a coragem de lhe fazer as exéquias e enterrem-na, mas poupem-nos a este espetáculo antidemocrático de se perturbarem com o normal exercício de fiscalização e com meros pedidos de escrutínio da legalidade.

Podiam ter encomendado uma missa

Obviamente, as televisões têm os seus próprios critérios jornalísticos e as suas próprias agendas, sejam elas mais explícitas ou mais ocultas, pelo que os responsáveis do programa "Expresso da meia-noite" da SIC Notícias gozam do arbítrio de convidar quem lhes aprouver para os pretensos debates que organizam.
Todavia, é dificilmente compreensível que, face à polémica e ao desencontro de avaliações relativamente ao acordo de concertação social, o programa, acabado de ser emitido, incorporasse, apenas, convidados com posições favoráveis ao acordo, incluindo João Proença, da "UrGeTroika".
Desprezando-se, assim, o efeito esclarecedor de um debate entre oposicionistas e defensores do acordo, não pude deixar de pensar que uma missa de ação de graças produziria, exatamente, o mesmo efeito do programa, só que com a vantagem do inedetismo e de uma menor monotonia.

Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

Parece que vêm aí novidades em matéria de formação contínua

Embora a informação não seja ainda oficial, parece que, muito brevemente, sairão novidades em termos de formação contínua de professores.
Não podendo adiantar muito mais, destaco as três orientações seguintes:
- os professores colocados acima do 8º escalão ficarão dispensados da frequência obrigatória de ações de formação;
- para cada ciclo avaliativo de 4 anos bastarão 50 horas de formação;
- algumas das formações ocorridas nas escolas, por iniciativa destas, poderão vir a ser objeto de reconhecimento e da concomitante certificação.
Vamos esperar pela confirmação.

A não perder, mais logo

Face a estas declarações de Pacheco Pereira, que subscrevo de ponta a ponta, torna-se obrigatório assistir, mais logo, ao programa da SIC Notícias, "Quadratura do círculo", no quadro do qual o conteúdo das críticas de Pacheco Pereira ao governo não deixará de ser explorado e aprofundado.
Independentemente da questão dos ressentimentos pessoais, que habitualmente serve de refúgio àqueles a quem falta a abertura e a contra-argumentação para discutir as ideias e as razões dos que não abdicam da sua lucidez, da sua autonomia e do seu espirito crítico, o fundamental é reconhecer-se a solidez e a pertinência das críticas de Pacheco Pereira.
Pela minha parte, estou à vontade para valorizar esta intervenção de Pacheco Pereira, pois já manifestei discordância pública em relação a algumas das suas análises, mormente a propósito do tema da avaliação dos professores, pela circunstância de confundir o indiscutível princípio da avaliação com um modelo em concreto, cuja irracionalidade e absurdidade ele próprio desconhecia, embora lhe reconheça a inteligência e as competências de análise que lhe permitiram antecipar a tragédia política (pessoal e nacional) de Sócrates, tendo sido pena que, no final de 2010, vá lá saber-se por que desígnios, tenha incumprido relativamente à intenção de divulgação do envolvimento de Sócrates no caso TVI.
No âmbito desta sua entrevista, na TVI24, manifesto a minha total concordância com as suas quatro críticas-chave, a saber:
- constatação de que o governo desconhece o país e, especificamente, ignora as enormes dificuldades e a desesperança que afetam a vida diária de milhões de portugueses (condição insciente que, na minha opinião, começa, porque a propaganda e a gestão política da imagem assim o determinam, a assumir contornos de insensibilidade);
- desmontagem das falsas "parlapatices" do salto da economia, sem que se antevejam sinais consistentes de recuperação económica;
- ausência de motivos, reais ou simbólicos, para congratulações com medidas, como as consagradas no acordo de concertação social, que, do meu ponto de vista, retiram direitos, desprotegem, exploram e empobrecem as pessoas;
- denúncia da abjeta partidarização dos cargos públicos, criando uma trupe de súbditos ao chefe.
Sobre o PS de António José (In)Seguro, nem vale a pena gastar uma linha.

Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012

Os especialistas

Sempre que Passos Coelho, Miguel Relvas e Ricardo Mestre se referem à "zona de conforto", é bem provável que estejamos confrontados, não com situações e estados de espírito de jovens desempregados, como sugeriram, mas com uma qualquer projeção ou transferência das imagens dos gabinetes ministeriais, tal qual os referenciados em baixo, para onde migram tantos jovens especialistas, desviados da condição emigrante pela fortuna partidária.
Além destas práticas de nomeação criarem discricionariedade entre jovens, poderem induzir motivações e habituações, nestas elites de jovens, para viverem na privilegiada dependência dos partidos e do estado, também representam uma despesa injustificada e superlativa para o estado, pois, decerto, existem recursos humanos na administração pública disponíveis e capacitados para exercerem as funções consignadas a estes adjuntos e especialistas.
Quem dirá, perante estas práticas, que o estado e o país atravessam uma crise grave!...


Lista de 29 assessores/adjuntos de Ministérios, todos de idade inferior a 30 anos, havendo 14 "especialistas" com idades entre os 24  e os 25 anos.

Moderação de comentários

Iniciei a moderação de comentários, neste blogue, com o objetivo de travar a invasão de mensagens publicitárias, spams e cadeias de envio.
No quadro da moderação, raramente elimino comentários que não se enquadrem nas tipificações anteriores. No entanto, acontece que, de vez em quando, vejo-me na contingência de não publicar, quer os comentários que integrem insultos explícitos e gratuitos, quer aqueles que incorporem conteúdo racista e discriminatório ou incitem ao ódio, à revolta e ao recurso a armas (numa democracia, as únicas armas que admito são a palavra, a persuasão, a manifestação pacífica, o voto e, em casos justificados, a desobediência civil). Lamento, mas é uma posição de princípios de que não abdico.

Um secreto apagão

Bastou que alguns políticos (eles lá saberão do que falam) levantassem "a lebre" da ligação de jornalistas e comentadores à maçonaria e da necessidade de também estes acompanharem os políticos na divulgação pública das suas ligações maçónicas, para que o fogo de palha mediático acerca, quer da promiscuidade entre maçonaria, secretas e poder político, quer da transparência inerente ao desempenho de funções públicas passar pelo registo de todos os interesses temporais e societais relevantes (o que inclui a maçonaria), se extinguisse das agendas de jornais, rádios e televisões, num ápice.
Inevitáveis contingências de um país pequeno, geográfica e moralmente falando, em que (quase) todos se conhecem e as dependências e amparos de uns relativamente aos outros parecem indisfarçáveis.

A degradação moral da nossa "nata" política

Mais uma notável desmontagem, empreendida pela lucidez, coerência e coragem ímpares de Santana Castilho, da obscenidade, agora alaranjada, que carateriza o exercício do poder de uma elite política que se vai governando à grande e à portuguesa.
Os portugueses têm o que, a cada momento, vão consentindo.

In Público, 18-01-2012 (Clicar na imagem para ampliar)

Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

Quando o todo é infinitamente menor que a soma das suas partes

Não discuto as medidas que estão incorporadas no acordo de concertação social, embora me pareça que a tendência vai sempre no sentido da retirada de direitos e de rendimentos aos trabalhadores, enquanto nenhuma exigência e nenhum compromisso é exigido aos empregadores, da mesma forma que as mentalidades empresariais não são comparáveis entre países, para que se possam mimetizar o mesmo tipo de enquadramentos e regimes laborais.
Além de me parecer que nenhuma empresa estrangeira, sediada em Portugal, tenha tido problemas relacionados com a produtividade dos trabalhadores portugueses ou tenha sido perturbada no seu funcionamento pelas leis laborais (já não penso o mesmo dos custos de funcionamento e da corrupção - que se agravam e ficam incólumes nestes acordos de concertação social), também não duvido que flexibilizações e facilitações sejam ferramentas para a competitividade e a produtividade nas mãos de empresários do norte da Europa, da mesma forma que são instrumentos para arbitrariedades e abusos de poder, quando ao dispor da mentalidade de muitos dos nossos empresários.
Dito isto, tenho a certeza que a esmagadora maioria dos trabalhadores filiados nos sindicatos da UGT não subscreveria este acordo.
Como tal, resta-me colocar duas questões:
- quem e o que representam os dirigentes sindicais?
- por que razão não existe, entre nós, a saudável tradição democrática de referendar, junto dos filiados, a aceitação dos acordos?

Acordo de concertação social já impressiona lá fora

Foi sempre notícia pelas piores razões

In Correio da Manhã, 17-01-2012
Não é minha intenção pronunciar-me sobre a acusação de "prevaricação" que recai sobre Maria de Lurdes Rodrigues, porque respeito o princípio da presunção de inocência e a possibilidade das pessoas se defenderem das acusações judiciais que sobre elas impendem, mesmo que a situação em juízo tenha a aparência de ter sido muito pouco escorreita.
Agora, não posso omitir a minha opinião sobre o miserável reinado político de Maria de Lurdes Rodrigues, enquanto ministra da Educação, relativamente ao qual não existe castigo suficiente que lhe permita expiar as malfeitorias que exerceu sobre os professores e a escola pública, nomeadamente:
- introdução de uma divisão arbitrária e iníqua no estatuto dos professores (os famigerados "titulares");
- tentativas de implementação prepotente de um modelo de avaliação do desempenho absurdo, inoperacionalizável e farsante;
- contributo para a degradação do conceito de aula e do espaço escola, com a imposição de aulas de substituição e de uma conceção de escola armazém, confundindo ensino com ocupação e entretenimento;
- destruição dos climas de escola, arruinando a cooperação e o bom relacionamento entre professores;
- fragilização da autoridade e da respeitabilidade dos professores;
- opção pela facilitação da progressão escolar, em detrimento do ensino e da exigência.
- etc., etc.

Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012

Prevaricaste?

Pagar a formação contínua? Chamem o MEC, que eu não pago

Jornal "I", 16-01-2012
Enquanto partidário de todas as liberdades, não me incomoda nada que cada professor, como qualquer outro cidadão, decida fazer as formações que lhe aprouver e espatifar, como o entender, o seu próprio dinheiro.
Além do mais, a incorporação de saberes e de competências pode sempre constituir um fator de desenvolvimento pessoal, mesmo que a formação obtida não conduza, na prática, a qualquer tipo de reconhecimento profissional, mercê do interminável e entorpecedor inverno que se instalou na carreira dos professores.

De qualquer forma, a situação para que a notícia remete devia levar-nos a refletir sobre o estado em que seis desgraçados anos de socratismo deixaram a escola pública e, especificamente, a formação contínua de professores.
Desde 2008 que, em nome do promíscuo casamento socialista entre um ímpeto controleiro, um desinvestimento na educação, um deslumbramento tecnológico inconsequente e um desejo de planificação centralizada, se destruiu a autonomia dos centros de formação e se paralisaram as suas atividades, acabando-se com a diversidade e a regularidade das ofertas formativas. De tal forma, que a formação contínua direta ou indiretamente proporcionada pelo MEC é quase inexistente e desligada das lacunas pedagógicas e didáticas diagnosticadas pelos professores, em si próprios e em cada escola.

Todavia, esta procura da formação obrigatória fora das escolas e dos centros de formação, e, como tal, paga, não corresponde, na maioria dos casos, a necessidades genuínas de formação e a projetos articulados com a docência, antes a um espírito de se procurar "ser mais papista que o Papa" e obter uma qualquer vantagem (que ninguém vislumbra) ou de receio infundado de ser prejudicado na avaliação ou de ser ultrapassado pelos colegas, uma vez que o docente não é obrigado a pagar a sua formação contínua, devendo apenas fundamentar a inexistência de oferta formativa ou a não seleção para a frequência daquela que tenha sido oferecida.

Se, neste país, até os funcionários do Banco de Portugal têm um subsídio anual para aquisição de livros, material informático, automóveis e segundas habitações, será que os professores, vergastados com cortes nos seus salários, congelamentos das suas progressões e confisco dos seus subsídios, ainda têm uma particular disponibilidade e voluntariedade para reduzirem mais os seus rendimentos e para se mortificarem com formações que, no fundamental, são iscos por medida e de que não tiram qualquer proveito pedagógico, didático e de compensação na carreira?
Será que aquilo que os move é só o receio de poderem vir a progredir (antecipando um qualquer descongelamento que ninguém vislumbra para esta década) ou a prudência em se precaverem relativamente a qualquer possibilidade de competição virtual com os colegas ou, mesmo, uma ambição de colecionar mais certificados?
Eu, pela minha parte, não pago nenhuma formação contínua obrigatória, nem que chamem o MEC!

Além da necessidade de reabilitação dos centros de formação e da urgência no estabelecimento de protocolos entre o MEC e as universidades, era fundamental que os centros de formação também funcionassem como centros de certificação dos planos pessoais e autodidatas de formação, para aqueles professores que investem, em tempo, em artigos científicos, em livros, em projetos ou em pesquisas/investigações, na sua própria atualização pedagógica e científica.

Domingo, 15 de Janeiro de 2012

Acabou-se o estado de (des)graça?

Estou convencido que a polémica relativa às nomeações para empresas públicas, entidades subvencionadas pelo estado ou monopólios (como a EDP) e, sobretudo, a tomada de conhecimento público, em tempos difíceis, dos vencimentos e das alcavalas pornográficas que lhes são inerentes, constituirão um momento de viragem na atitude resignada, indiferente ou apática que a maioria dos portugueses adotou em relação aos cortes, aos sacrifícios e às restrições que o governo e a troika vêm impondo.
À certeza da falta de equidade das medidas mais brutais, como as reduções salariais e o confisco dos subsídios, acrescenta-se, agora, uma perceção generalizada da imoralidade subjacente, quer a algumas das opções de cortes e de despesas do governo, quer ao tratamento discriminatório a que submete os portugueses, consoante sejam comissários políticos ou sejam funcionários públicos, reformados e trabalhadores em geral.
As pessoas começam a questionar-se sobre quantos centros de saúde e valências hospitalares poderiam ser poupados ao encerramento se o estado não pagasse milionariamente a amigos e correligionários dos governantes.
As pessoas começam a questionar-se sobre quantos cortes e sacrifícios poderiam ser evitados se, no estado ou na dependência direta ou indireta do estado, ninguém ganhasse acima do salário do primeiro-ministro e se acabassem, tanto as entidades e os cargos inúteis, como as frotas de luxo, os cartões de crédito, as despesas de representação e outras mordomias indecentes, face ao estado do país.
E, para já, não vou mais longe!

Então, estamos a votos


Mesmo sem ambições ou empáfias de qualquer espécie, registamos o facto de estarem abertas as votações para os "Blogs do ano 2011", as quais decorrem entre 15 e 21 de janeiro, numa iniciativa do blogue Aventar.
Quem se identifique ou, de alguma forma, valorize este nosso blogue e deseje votar nele, pode fazê-lo AQUI, passando o rato por cima da categoria "Educação", que abre a lista com os blogues a concurso, e clicando no pequeno círculo que antecede "Octávio V Gonçalves". Obrigados!

Para quem é, meia verdade basta

Os partidos políticos e os governos estão bem cientes que, no essencial, os conteúdos informativos tendem a assumir o formato de flashes noticiosos curtos, redutores e repetitivos (quantas vezes uma notícia já desmentida ou refutada continua a ser mostrada ou reproduzida por longas horas ou dias), além de que essas notícias são servidas na base de um processamento e alinhamento esquemáticos, sem contraditório e sem escrutínio crítico.
Como tal, as meias verdades, as ocultações, as manipulações ou, mesmo, as falsidades acabam, muitas vezes, por passar indetetáveis ou intangíveis à compreensão de uma parte significativa das pessoas que consomem a informação veiculada, maioritariamente, pelas televisões.
Se a esta realidade, induzida pela pressão das redações, mas também por opções jornalísticas, acrescentarmos, quer o desconhecimento popular de diversos e complexos sectores, mecanismos, linguagens e problemas específicos (as respetivas minorias especializadas, normalmente silenciadas na comunicação social, descortinam, de modo mais fácil e rápido, as falhas ou os embustes relativos às suas áreas), quer a lógica intuitiva e a adesão quase tribal impostas pelo medium transformado, ele próprio, no essencial da mensagem (como McLuhan já havia postulado desde final dos anos 60*, por contraposição à lógica da sequencialidade, do rigor e da coerência típica da “galáxia de Gutenberg”), então, estão reunidas as condições para o discurso político incorporar, sistematicamente, uma degradação da verdade (entendendo-a eu, neste particular, não como entidade imperscrutável e subjetivizada, mas como tradução, suscetível de escrutínio, de situações ou dados factuais) e da coerência, a partir da fonte da mensagem, sem que aqueles que a veiculam e a rececionam dela duvidem ou a questionem.
Serve este enquadramento para situar a comunicação governamental de três meias verdades, usadas instrumental e artificiosamente, quer para (1) ocultar a realidade do abocanhamento partidário do Estado, quer para (2) dissimular a inevitabilidade de mais medidas de austeridade e, ainda, para (3) desresponsabilizar o Governo nas nomeações da EDP.
(1) Passos Coelho exibe um gráfico de reconduções na administração (por exemplo, ao nível de diretores-gerais e similares), que são habituais, ao mesmo tempo que omite gráficos do que verdadeiramente corresponde à apetecível (porque mais bem remunerada) empregabilidade em empresas públicas, empresas participadas, fundações, entidades e por aí adiante, onde ocorre o grosso das nomeações de amigos e correligionários.
(2) Quando Vítor Gaspar, o ministro das Finanças, reafirmou, várias vezes, que não haveria mais medidas de austeridade devidas à transferência do sistema de pensões dos bancários, sem ter a transparência para se comprometer com a inevitabilidade de novos sacrifícios, a comunicação social deixa-se tomar pela habilidade e acaba a informar que o ministro anuncia que não ocorrerão mais medidas de austeridade, sem mais, inibindo-se de confrontar o ministro com outras razões para as haver, que não a transferência em causa.
(3) A privatização (ou melhor, a nacionalização pelo governo chinês) da EDP ainda não foi consumada legalmente, pelo que é impossível que o Governo não tenha sido chamado a pronunciar-se sobre as nomeações.

* Conceções de Marshall McLuhan, pelo próprio, aqui, aqui e aqui.

Sábado, 14 de Janeiro de 2012

Acusação certeira

Fonte: Público
Também me parece que a resposta dos líderes europeus é mais reativa do que proativa, indo mais atrás do prejuízo do que, propriamente, antecipando danos.
Falta aos atuais líderes europeus a dimensão política, técnica e ética que a gravidade dos riscos reclama.
Entre nós, às soluções geradoras de austeridade e pobreza, ainda acrescem a iniquidade na distribuição dos sacrifícios e a falta de coragem para enfrentar vampiragens, mordomias e negociatas obscenas daqueles que não tendo vínculo ao Estado, o sanguessugam desde as franjas (parcerias, fundações, empresas públicas, comissários políticos...).

A pedir meças com Portas, lojas e secretas


Esta é, mesmo, a minha praia predileta e, para mim, passe o subjetivismo bebido em Alberto Caeiro, esta praia é mais transparente, bela, saudável e arejada do que as vossas, porque é a minha praia.

Os diretores já não se demitem

Pelo menos, aqueles que têm assento na excrescência lurdista que dá pelo nome de conselho de escolas.
Quando, há dias, um outro diretor se mostrava saudoso de Maria de Lurdes Rodrigues, ameaçava com uma demissão em massa dos diretores e manifestava sintomas agudos de solidão, pois havia sido abandonado pela tutela, não se imaginava que, afinal, a reconciliação (ainda que de outra estrutura, não sei se concorrente) fosse tão rápida e decorresse "num clima óptimo", apenas porque terá sido resolvida, atempadamente e a contento, a "coisa", ou seja, as receitas privadas que cada escola gerar ficarão nos estabelecimentos de ensino.
Face a cortes de milhões de euros na educação, os diretores congratulam-se, porque terão uns trocos para administrar a seu bel-prazer. É a este tipo de mentalidade que estamos entregues. Bravo!
Estranho não ter sido reportada, na notícia, qualquer referência a uma qualquer celebração, com chá e bolinhos.

Alguém me arranje emprego BOM, JÁ

Nada que um bom currículo em colagem de cartazes, no PSD ou no CDS-PP (e no PS, em memória do ciclo político anterior), não facilitasse!