A via unidimensional do pensamento único coincidente com a sabedoria do grande líder. A pretexto de remodelações, desmantela-se a opinião livre e o pensamento crítico. Silenciaram-se, no Rádio Clube, os professores incómodos. O povo está sedento de música!

DECLARAÇÕES MARCANTES EM 2009
Barack Obama: "No entanto, a verdade é que nem os professores e os pais mais dedicados, nem as melhores escolas do mundo são capazes do que quer que seja se vocês não assumirem as vossas responsabilidades. Se vocês não forem às aulas, não prestarem atenção a esses professores, aos vossos avós e aos outros adultos e não trabalharem duramente, como terão de fazer se quiserem ser bem sucedidos." (Discurso absolutamente improvável em Sócrates).
Cavaco Silva: "Nunca faltei à palavra dada e aos compromissos que assumi... Os cargos públicos são efémeros, mas o carácter dos homens é duradouro. Não são os cargos que definem a nossa personalidade, mas aquilo que somos em tudo aquilo que fazemos."

quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Auscultem os professores


Esta proposta do ME relativa aos Princípios da Revisão do ECD e da sua articulação com a ADD é inaceitável:

Princípios da Revisão do Estatuto da Carreira Docente e da sua articulação com a Avaliação de Desempenho

1) Estruturação da carreira docente:
• Carreira única para os educadores de infância e para os professores dos ensinos básico e secundário;
• Carreira com uma única categoria, sem divisão entre professores titulares e não titulares;
• Desenvolvimento da carreira em 10 escalões;
• Especialização funcional facultativa nos dois escalões do topo da carreira, para as funções de supervisão pedagógica, de gestão da formação, de desenvolvimento curricular e de avaliação, acessível, sob candidatura, aos docentes que possuam formação especifica adequada.
2) Ingresso na carreira:
• Ingresso na carreira dependente de qualificações adequadas, mérito e selectividade;
• Selectividade no ingresso na carreira realiza-se através de uma prova pública de acesso e da aprovação no final de um período probatório de um ano, em que é obrigatória a observação de aulas e a avaliação da prática docente não lectiva.
3) Progressão na carreira e sua articulação com a avaliação de desempenho:
• Acesso ao escalão imediatamente superior mediante a conjugação dos seguintes elementos: tempo de serviço, formação continua ou especializada e mérito traduzido na classificação obtida na avaliação de desempenho, sem prejuízo da dimensão também formativa da avaliação;
• 0 sistema de classificação e o regime dos efeitos da avaliação de desempenho continuarão a assegurar consequências efectivas da avaliação nas condições e no ritmo de progressão na carreira, sem prejuízo das adaptações necessárias à nova estruturação da carreira docente;
• Independentemente dos normais ciclos de avaliação de dois anos, a avaliação com observação de aulas é condição de acesso ao 3.º e ao 5.º escalão, bem como ao 7.° escalão quando tal observação não tenha tido lugar em nenhum dos ciclos anteriores. Se ao docente não estiver distribuído serviço lectivo, a avaliação requerida para o acesso aos escalões referidos inclui um relatório elaborado pelo director da escola;
• As condições de progressão na carreira promovem a necessária selectividade da progressão, como forma de estimular e premiar um melhor desempenho, mediante a fixação anual de vagas para acesso ao 3.º, ao 5.º e ao 7.º escalão.
4) Distribuição de responsabilidades funcionais:
• A atribuição de funções de coordenação, orientação, supervisão pedagógica e avaliação são reservadas aos docentes posicionados a partir do 4.º escalão da carreira, preferencialmente detentores de formação especializada e, de entre eles, sempre que possível aos docentes dos dois últimos escalões que tenham optado pela especialização funcional correspondente;
• A Direcção de cada escola poderá, por motivo justificado, designar para as funções referidas no ponto anterior docentes posicionados no 3.º escalão, desde que possuam formação especializada para o desempenho das funções em causa.
5) Regime transitório:
• Transitoriamente, aos docentes que actualmente se encontram posicionados nos índices 299 e 340 aplicam-se as regras de progressão previstas no Decreto-Lei n.º 270/2009.

Comentário e proposta minha:
O fim da arbitrária e injusta divisão na carreira entre professores titulares e professores não titulares devia ser objecto de um anúncio oficial por parte do ME, à semelhança do que já ocorreu com a inclusão no processo de avaliação dos docentes que não procederam à entrega dos Objectivos Individuais, explicitando-se e estabelecendo-se desde já a nova estrutura da carreira, deixando para a negociação os princípios e os mecanismos de progressão.
Integrar o princípio do fim da divisão na carreira neste pacote, que contém propostas inaceitáveis para os professores, pode protelar a decisão da eliminação efectiva da divisão para além do aceitável (para já não falar do prazo imposto pelo PSD), além de constituir uma estratégia para o ME ganhar tempo com vista à consolidação da farsa que são as classificações obtidas no 1º ciclo de avaliação e a aberrante e incoerente admissão das suas consequências para efeitos de concursos e de progressão na carreira.

Já que os Sindicatos não tomam a iniciativa de implementação de um processo de audição pública dos professores, escola a escola, relativamente a estes princípios e à proposta de novo modelo de avaliação que será entregue pelo ME, proporei aos movimentos independentes de professores que desencadeiem uma campanha nacional a exigir essa auscultação
Porque qualquer análise que cada um de nós, individualmente, possa fazer das propostas do ME pode ser sempre redutora e não exprimir a vontade maioritária dos professores. E também não é prudente deixarmos assuntos desta relevância ao arbítrio das cúpulas sindicais.
AUSCULTEM OS PROFESSORES!

Permitam que os professores se pronunciem sobre:
1) prova de ingresso na carreira;
2) condicionamentos no acesso aos escalões;
3) anulação dos efeitos das classificações obtidas no 1º ciclo de avaliação para efeitos de concursos e progressão na carreira;
4) duração dos ciclos de avaliação;
5) princípios e mecanismos de avaliação aceitáveis;
6) condições de candidatura a funções de coordenação e supervisão;
7) abertura de um concurso extraordinário de professores, tendo em conta as injustiças e as colocações “privadas” (a pedido) que ocorreram neste último concurso, dando também a possibilidade aos ex-titulares, que assim o desejem, de poderem concorrer;
8) eleição dos directores e dos coordenadores de departamento pelos professores.

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Santana Castilho: "os princípios e a dignidade são inegociáveis"

A falta de classe
Santana Castilho *

Perdoem hoje o estilo. A prosa sairá desarticulada, quais dardos soltos. Este artigo é, conscientemente, feito de frases curtas. Cada leitor, se quiser, desenvolverá as que escolher. Meu objectivo? Manter a sanidade mental. Escorar a coluna vertebral. Resistir. Este artigo é também uma reconfirmação de alistamento na ala dos que não trocam os princípios de uma luta pelo pragmatismo de um lance. Porque amo a verdade e a dignidade profissional como os recém-chegados ao mundo amam o bater do coração das mães. Porque não esqueço os que nenhum lance poderá já compensar. Porque com a partida prematura deles perderam-se pedaços da Escola que defendo. Porque pensar em todos é a melhor forma de pensar em cada um.
A avaliação do desempenho é algo distinto da classificação do desempenho. A avaliação do desempenho visa melhorar o desempenho. A classificação do desempenho visa seriar os profissionais. Burocratas que morreram aos 30 mas só serão enterrados aos 70 tornaram maior uma coisa menor. Quiseram reduzir realidades díspares à unicidade de fichas imbecis. Tiveram a veleidade Kafkiana de particularizar em 150.000 interpretações individuais os objectivos de uma organização comum a todos. Convenceram a populaça que se mede o intangível da mesma forma que se pesam caras de bacalhau. Chefiou-os uma ministra carrancuda, que teve o mérito de unir a classe. Chefia-os agora uma ministra sorridente, que já se pode orgulhar de dividir a classe. Porque, afinal, custa, mas não há classe. Há jogos! De cintura. De bastidores. De vários interesses. Parlamentares, sindicalistas, carreiristas e pragmatistas ajudaram à Babel. Da sua verve jorra a água morna de Laudicéia, a que dá vómitos.
Alçada derreteu o implacável Mário Nogueira que, em socorro da inexperiência da ministra, veio, magnânime, desculpar-lhe as gafes. E, cristãmente, entendeu agora, de jeito caridoso, que não seja suspenso o primeiro ciclo avaliativo. Esqueceu duas coisas: o que reclamou antes e que ciclos avaliativos são falácias de anterior ministra. Ciclos avaliativos, Simplex I, Simplex II e o último expediente (no caso, um comunicado à imprensa, pasme-se) para dizer às escolas que não prossigam com o que a lei estabelece são curiosos comandos administrativos. Uma lei má, iníqua, de resultados pedagogicamente criminosos, devia ter morrido às mãos do parlamento. Por imperativo da decência, por precaução dos lesados, por imposição das promessas de todos. Quanto à remoção das mágoas, meu caro Mário Nogueira, absolutamente de acordo. Depois de responsabilizar os que magoaram. Depois de perguntar aos magoados se perdoam. Por mim, cuja lei foi sempre estar contra leis injustas, a simples caridade cristã não remove mágoas. Não sei perdoar assim, certamente por falta de céu.
Agora, porque sou amigo de Platão mas mais amigo da verdade, duas linhas para Aguiar Branco. Gostei de o ouvir dizer, a meu lado e a seu convite, que a avaliação do desempenho era para suspender. Mas não justifique a capitulação com a semântica. Poupe-me à semântica, porque a semântica não o salva. Enterra-o. Suspender é interromper algo, temporária ou definitivamente. É proibir algo durante algum tempo ou indefinidamente. Substituir é colocar algo em lugar de. Não só não tinha como não terá seja o que for, em 30 dias, para colocar em lugar de. Sabe disso. Bem diferente, semanticamente. Mas ainda mais importante nos resultados. O Bloco Central reanimou-se nas catacumbas e o PS agradeceu ao PSD o salvar da face. Mas os professores voltaram a afastar-se do PSD, apesar do arrependimento patético de Pedro Duarte. E, assim, o PSD falha a vida!
Um olhar aos despojos. Reverbera-se a falta de capacidade de muitos avaliadores para avaliar, mas homologam-se os “Muito Bom” e “Excelente”, que significam mais 1 ou 2 pontos em concurso. Os direitos mal adquiridos de alguns valeram mais que os direitos bem adquiridos de muitos (como resolverão, a propósito, os direitos adquiridos dos “titulares” que, dizem, vão extinguir?). Porque toca a todos, muitos “titulares” que não tinham vagas de “titulares” em escolas que preferiam, foram ultrapassados em concurso por outros de menor graduação profissional, que agora lá estão, em almejados lugares de quadro. Ao mérito, há muito cilindrado, junta-se uma palhaçada final, em nome do pragmatismo. Muitos dos que foram calcados recordam agora que negociar é ceder. Mas esquecem que os princípios e a dignidade são inegociáveis, sendo isso que está em jogo. Um modelo de avaliação iníquo, tecnicamente execrável e humanamente desprezível, que não lhes foi aplicado ao longo de um processo, é agora aceite, em nome do pragmatismo, para não humilhar, uma vez, quem os humilhou anos seguidos.
Sócrates, que se disse animal feroz, vai despindo a pele. Mas não nos esqueçamos da resposta de um dos sete sábios da Grécia, quando interrogado sobre o mais perigoso dos animais ferozes. Respondeu assim: dos bravos, o tirano. Dos mansos, o adulador.
Vão seguir-se meses de negociações sobre o estatuto. O défice, que levou à divisão da carreira e às quotas, agravou-se. Se a desilusão for do tamanho da ilusão, tranquilizem-se porque a FENPROF ficará de fora, como convém, e a FNE poderá assinar um acordo com o Ministério da Educação, como não seria a primeira vez. Voltaremos então ao princípio. O que é importante continuará à espera. Mas guardaremos boas recordações de duas marchas nunca vistas.
* Professor do ensino superior. s.castilho@netcabo.pt
Texto publicado no Público, 25/11/2009
Mais um extraordinário artigo de Santana Castilho, arrasador de um "modelo de avaliação iníquo, tecnicamente execrável e humanamente desprezível", mas também das atitudes e das tomadas de posição de alguns.
Permito-me destacar:
- A visão e a frontalidade do nosso melhor recurso na área da Educação, assim como a verticalidade de quem não aliena princípios e valores, constituindo, para mim próprio e para muitos outros colegas, um referencial de conduta.
- O pragmatismo negocial de Nogueira que o torna incoerente e o desacredita face à convicção com que desqualificou o modelo de avaliação em vigor. Afinal, a "coisa" até se pode aproveitar para classificar professores.
- Verdades dirigidas a um PSD que "falha a vida" e perde os professores ou como Aguiar Branco e Pedro Duarte merecem "ouvir das boas".
Como se podem sancionar e validar classificações e outras consequências que resultam de processos reconhecidamente injustos, incongruentes e incompetentes?
A área da Educação que deveria constituir, para o país, um referencial de exigência, de rigor e de actuação segundo princípios e valores, assiste à actuação de muitos dos seus protagonistas (sindicalistas e actores políticos), tornados verdadeiros farsantes de um teatro do absurdo e de jogos de "faz de conta".
Este texto é, absolutamente, lapidar sobre a incompetência, o descrédito e a injustiça de um modelo e de uma reforma falhada, de que mandava o sentido de coerência e de dignidade não aceitar quaisquer consequências.
Mas, é também uma autêntica lápide que deve ser colocada em cima da incoerência e das fraquezas de alguns actores menores, como Mário Nogueira, Aguiar Branco ou Pedro Duarte.

Educação e Professores, hoje...

(Ler AQUI...)


(Ler AQUI...)

(Ler AQUI...)

(Ler AQUI...)

A falta de classe

"A falta de classe"
Artigo, absolutamente imperdível, de Santana Castilho que, esta quarta-feira, sairá no jornal Público (versão papel).
Adicionar imagem

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Em tempos de pandemia, excelente metáfora para os crentes nas teorias da conspiração

(recebida por e-mail)

Dia 24 de Novembro: o que se escreve na Imprensa sobre Educação

Sócrates destrói... Sócrates
Jornal de Negócios - A avaliação dos professores é o caso mais inacreditável, para não dizer revoltante. O país inteiro - que não conhecia professores - acreditou que o problema...

Fenprof espera que Governo anuncie fim dos titulares na reunião de ...
Diário de Notícias - (…) defendeu, é "central", não só para haver consenso sobre o novo Estatuto como para se definirem as bases de um novo modelo de avaliação de professores.

Ministra admite que modelo de avaliação pode não surgir em 30 dias
TSF Online - A ministra da Educação admitiu que o novo modelo de avaliação dos professores poderá não surgir nos próximos 30 dias. Isabel Alçada assegurou, contudo...

O PSD guerreiro e o PSD manso
Jornal de Notícias - O projecto de resolução do PSD sobre a avaliação de professores e sobre o estatuto da carreira docente foi, como se previa, ontem viabilizado no Parlamento...

Muito barulho para nada
DiarioEconomico.com - Cinco anos passados, muita contestação depois e muito desgaste para as várias partes, os indícios de que a avaliação de professores regressará ao ponto onde...

Avaliação: «Prazo de 30 dias é curto», diz ministra
IOL Diário - Mas de qualquer forma vamos trabalhar para concluir esse trabalho», disse Isabel Alçada.

Síntese a partir dos Alertas do Google

A aventura da "Mãe Natal" que pode tramar o PSD

In DN online, 23/11/2009 (ler mais AQUI...)

Entre os professores e Sócrates, o PSD não hesitou e escolheu Sócrates. Pois, que a companhia lhe faça bom proveito, mesmo se começam a aparecer os primeiros sinais de que, desrespeito por desrespeito, a abstenção e a “ponderação” do PS face à proposta do PSD até nem é compromisso nenhum. E ainda a procissão vai no adro…
Decerto que vamos poder acompanhar, nos próximos meses (?!), as manobras de diversão negocial do ME com o intuito de recuperar o essencial do modelo de avaliação salvo pelo PSD.
Estou na expectativa de assistir aos malabarismos semânticos do PSD para “descalçar a bota” do incumprimento da sua recomendação, no dia 21 de Dezembro (ou serão 30 dias úteis?).
Relativamente à eliminação da divisão na carreira, vai começar a ladainha, muito provavelmente arrastada, da complexidade da questão e da necessidade de "encontrar pontos de encontro". A bem da eliminação deste "muro" da vergonha e da ignomínia socialista, espero que o dia de amanhã não corrobore a minha apreensão.
Se isto demorar mais de 30 dias, como a ministra e outras fontes do PS admitem, o PSD tem nas mãos um problema que transferiu para si próprio, quando o ónus e a pressão para encontrar uma solução pertenciam ao PS.
Ainda dizem que não há solidariedade e amigos em política!
Ou tratar-se-á de acordos palacianos, de que a nomeação de Silva Peneda é a primeira das contrapartidas?
De qualquer forma, é bem provável que a “Mãe Natal” não chegue a tempo da Festa de Natal do PSD.

As chaves para o sucesso


Existe o caminho do estudo (a educação de que falava Cavaco Silva), do trabalho árduo, da ousadia, do investimento e do risco, mas nem sempre se atingem os efeitos esperados.
Para resultados garantidos, há sempre a via mais fácil do salto "à Vara"...

A propósito de alguém que, por vezes, salta o Banco e se acha Governador de Portugal

Pode parecer demagogia, mas a "cantiga" segue com dedicatória para Constâncio e para a sua tese do aumento dos impostos (até o limão não ter mais sumo) e do congelamento dos aumentos na função pública (os pagadores de crises).
Em Constâncio (a quem os custos da crise nunca tocam), estas incursões pelas decisões governativas, funcionando, ora como muleta, ora como guarda avançada da desgovernação de Sócrates, sempre distraem os portugueses, quer dos seus falhanços enquanto supervisor do sistema bancário, quer das suas fraquinhas capacidades de previsão (o espanto com os 8% de défice é surreal, quando já tantas individualidades e entidades o haviam previsto).
Ao menos, salvem-se os ricos e os milionários!...

segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

O povo português tem o direito de saber

In TSF, 23/11/2009 (ouvir AQUI...)
"Quem não deve, não teme"
Face às avaliações de um juiz e de um procurador no sentido da existência de indícios de um crime grave...
Face às fugas de informação que foram tornadas públicas sobre o teor das escutas...
Face às acusações feitas, ainda ontem, pelo director do Semanário Sol...
Face às efectivas mudanças editoriais ocorridas na TVI...
Os portugueses exigem que se tire a limpo se houve ou não tentativas de condicionamento da comunicação social, uma vez que se trata de uma das questões mais sensíveis à preservação da liberdade e da pluralidade democrática.

A galinha tonta que pôs Sócrates a rir

O partido da gelatina

Há quem tenha da oposição uma ideia de "delirius tremens". As suas ideias movem-se consoante os interesses do momento. O PSD, nesse aspecto, quer tornar-se o partido da gelatina. Move-se de acordo com o vento, com os toques cirúrgicos do PS, e com a sua necessidade de colher qualquer migalha do poder. Como táctica de oposição é um tiro no pé. Como estratégia, é um exercício de roleta russa. O PSD tem de se convencer que, no actual panorama político, não tem a colher para comer: é o "chantilly" que serve de alimento aos outros. Depois de ter passado anos a galopar nas reivindicações dos professores contra a avaliação, é agora o partido que trava o actual regime de avaliação. Dá ao Governo a força parlamentar e política que o Governo estava a ceder nas negociações com os professores. Os professores podem hoje dizer ao PSD: Até tu, Brutus? Tudo, claro, tem um preço. E o PSD, com esta dádiva ao Governo, já começou a pagá-lo. O resto da oposição já o tornou um alvo apetecido. Na guerra de trincheiras entre Governo e oposição, o PSD vai tornar-se o soldado que está em campo aberto. Ao tornar-se o apoiante póstumo de Maria de Lurdes Rodrigues, o PSD está a asfixiar-se de forma democrática. É uma atitude que mostra que o partido está desorientado como uma galinha tonta. Por umas migalhas de poder (que surgem depois de uma negociação) o PSD faz tudo. Ao fazê-lo o PSD tornou-se o filho bastardo do oficialismo. Sócrates deve estar-se a rir. O PSD julga estar no poder mas está fora da Corte. E não percebe isso.
In Diário Económico, 23/11/2009

Só os deputados do PSD (excepção feita a Adão Silva) não enxergaram o ridículo a que se prestaram e, mais grave, o elevado preço que vão pagar junto dos professores.

"Ilibador" Geral da República

Comunicado

"Ilibação progressiva" devia ser um termo da ciência jurídica em Portugal. Descreve uma tradição das procuradorias-gerais da República. Verifica-se quando o poder cai sob a suspeita pública. Pode definir-se como a reabilitação gradual das reputações escaldadas por fogos que ardem sem se ver porque a justiça é cega. Surge, sempre, a meio de processos, lançando uma atmosfera de dúvida sobre tudo. As "Ilibações" mais famosas são as declarações de Souto Moura sobre alegadas inocências de alegados arguidos em casos de alegada pedofilia. As mais infames, por serem de uma insuportável monotonia, são os avales de bom comportamento cívico do primeiro-ministro que a Procuradoria-Geral da República faz regularmente. Dos protestos verbais de inocência dos arguidos que Souto Moura deu à nossa memória colectiva, Pinto Monteiro evoluiu para certidões lavradas em papel timbrado com selo da República onde exalta a extraordinária circunstância de não haver "elementos probatórios que justifiquem a instauração de procedimento criminal contra o senhor primeiro-ministro". Portanto, pode parecer que sim. Só que não se prova. Ou não se pode provar. Embora possa, de facto e de direito, parecer que sim. Este género de aval oficial de "parem-lá-com-isso-porque-não-conseguimos-provar" já tinha sido feito no "Freeport". Surge agora no princípio do "Face Oculta" com uma variante assinalável. A "Ilibação progressiva" deixou de ser ad hominem para ser abrangente. Desta vez, o procurador-geral da República não só dá a sua caução de abono ao chefe do Governo como a estende a "qualquer outro dos indivíduos mencionados nas certidões", que ficam assim abrangidos por estes cartões de livre-trânsito oficiais que lhes vão permitir dar voltas sucessivas ao jogo do Poder sem nunca ir para a prisão. Portanto, acautelem-se os investigadores e instrutores de província porque os "indivíduos mencionados em certidões" já têm a sua inocência certificada na capital e nada pode continuar como dantes.
Desta vez, nem foi preciso vir um procurador do Eurojust esclarecer a magistratura indígena sobre limites e alcances processuais. Bastou a prata da casa para, num comunicado, de uma vez só, ilibar os visados e condicionar a investigação daqui para a frente. Só fica a questão: que Estado é este em que o chefe do Executivo tem de, com soturna regularidade, ir à Procuradoria pedir uma espécie de registo criminal que descrimine vários episódios de crime público e privado e que acaba sempre com um duvidoso equivalente a "nada consta - até aqui".
Ângelo Correia, nos idos de 80, quando teve a tutela da Administração Interna acabou com a necessidade dos cidadãos terem de apresentar certidões de bom comportamento cívico nos actos públicos. A Procuradoria-Geral da República reabilitou agora estes atestados de boa conduta para certos crimes. São declarações passadas à medida que os crimes vão sendo descobertos, porque é difícil fazer valer um atestado de ilibação progressiva que cubra a "Independente", o "Freeport" e a "Face Oculta". Quando se soube do Inglês Técnico não se sabia o que os ingleses tinham pago pelos flamingos de Alcochete e as faces ainda estavam ocultas. Portanto, o atestado de inocência passado pelo detentor da acção penal, para ser abrangente, teria de conter qualquer coisa do género… "fulano não tem nada a ver com a 'Face Oculta' nem tem nada a ver com o que eventualmente se vier a provar no futuro que careça de qualquer espécie de máscara", o que seria absurdo. Por outro lado, a lei das prerrogativas processuais para titulares de órgãos de soberania do pós-"Casa Pia", devidamente manipulada, tem quase o mesmo efeito silenciador da Justiça.
In JN, 23/11/2009

Parece que o controlo sobre a comunicação social se não vai a bem, vai à "Vara"

Não há ninguém, em Portugal e com "eles no sítio", para investigar e julgar esta pouca vergonha?

Entrevista: José António Saraiva
"Não falimos por um milagre”

José António Saraiva, director do semanário ‘Sol’, revela ao CM que o Governo o pressionou para não publicar notícias do Freeport e que depois passou aos investidores.

Correio da Manhã – O ‘Sol’ foi coagido pelo Governo para não publicar notícias do Freeport?
José António Saraiva – Recebemos dois telefonemas, por parte de pessoas próximas do primeiro-ministro, dizendo que se não publicássemos notícias sobre o Freeport os nossos problemas se resolviam.
– Que problemas?
– Estávamos em ruptura de tesouraria, e o BCP, que era nosso sócio, já tinha dito que não metia lá mais um tostão. Estávamos em risco de não pagar ordenados. Mas dissemos que não, e publicámos as notícias do Freeport. Efectivamente uma linha de crédito que tínhamos no BCP foi interrompida.
– Depois houve mais alguma pressão política?
– Sim. Entretanto tivemos propostas de investimentos angolanos, e quando tentámos que tudo se resolvesse, o BCP levantou problemas.
– Travou o negócio?
– Quando os angolanos fizeram uma proposta, dificultaram. Inclusive perguntaram o que é que nós quatro – eu, José António Lima, Mário Ramirez e Vítor Rainho – queríamos pa-ra deixar a direcção. E é quando a nossa advogada, Paula Teixeira da Cruz, ameaça fazer uma queixa à CMVM, porque achava que já havia uma pressão por parte do banco que era totalmente ilegítima.
– E as pressões acabaram?
– Não. Aí eles passaram a fazer pressão ao outro sócio, que era o José Paulo Fernandes. E ainda ao Joaquim Coimbra. Não falimos por um milagre. E, finalmente, quando os angolanos fizeram uma proposta irrecusável e encostaram o BCP à parede, eles desistiram.
– Foi um processo longo...
– Foi um processo que se prolongou por três ou quatro meses. O BCP, quase ironicamente, perguntava: "Então como é que tiveram dinheiro para pagar os salários?" Eles quase que tinham vontade que entrássemos em ruptura financeira. Na altura quem tinha o dossiê do ‘Sol’ era o Armando Vara, e nós tínhamos a noção de que ele estava em contacto com o primeiro-ministro. Portanto, eram ordens directas.
– Do primeiro-ministro?
– Não temos dúvida. Aliás, neste processo ‘Face Oculta’ deve haver conversas entre alguns dos nossos sócios, designadamente entre Joaquim Coimbra e Armando Vara.
– Houve então uma tentativa de ataque à liberdade de imprensa?
– Houve uma tentativa óbvia de estrangulamento financeiro. Repare-se que a Controlinveste tem uma grande dívida do BCP, e portanto aí o controlo é fácil. À TVI sabemos o que aconteceu e ao ‘Diário Económico’ quando foi comprado pela Ongoing – houve uma mudança de orientação. Há de facto uma estratégia do Governo no sentido de condicionar a informação. Já não é especulação, é puramente objectiva. E no processo ‘Face Oculta’, tanto quanto sabemos, as conversas entre o engº Sócrates e Vara são bastante elucidativas sobre disso.
– Os partidos já reagiram e a ERC vai ter de se pronunciar. Qual é a sua posição?
– Estou disponível para colaborar.

Fonte: CM, 22/11/2009 (ler AQUI...)

domingo, 22 de Novembro de 2009

Uma questão incontornável

"Há dois magistrados no nosso país que fazem um juízo de valor gravíssimo sobre o conteúdo dessas escutas. A questão que qualquer cidadão comum se coloca é a seguinte: como é possível que sejam destruídas escutas que dois magistrados de duas magistraturas distintas entendem indiciarem a prática de um crime gravíssimo pelo primeiro-ministro sem que o povo português conheça o teor dessas escutas?"

Paulo Pinto de Albuquerque (Professor de Direito Penal)
In DN online, 20/11/2009 (ler o artigo completo AQUI...)

A melhor via para a perpetuação das suspeitas é a destruição ou a ocultação. Tratando-se de um primeiro-ministro, o país não tem o direito de conhecer os indícios em causa?

Uma estratégia política absurda

Engana-se quem considera que o PSD deu um "tiro no pé" no dossiê da avaliação dos professores, porque, em bom rigor, aquilo que fez foi disparar à queima-roupa sobre a própria cara de "verdade" e "compromisso" com que se apresentou às eleições legislativas.

Para justificar a violação da promessa eleitoral consubstanciada no “suspenderemos”, trocando-a por uma “recomendação” ao PS, já se avançaram os argumentos mais díspares:

1) esta posição vai além da suspensão, pois substituir é um passo mais avançado e definitivo;
2) desta forma, resolvem-se os problemas da educação, apazigua-se o clima nas escolas e corresponde-se à vontade de professores, sindicatos e outras estruturas representativas dos professores;
3) o clima favorável à suspensão, que permitiu a muitos professores votar no PSD, agora já “não interessa a ninguém” (deputado Emídio Guerreiro, no programa “Parlamento” - RTP2, 21/11/2009).
4) a incompreensão, com que a quebra do compromisso foi recebida nas salas de professores e pelos movimentos independentes, deve-se a problemas de comunicação e à “ignorância” ou “distorção” que têm caracterizado as reacções negativas à mesma;
5) assim, esvaziou-se qualquer possibilidade de protagonismo do CDS-PP, evitando-se que Paulo Portas surgisse perante a opinião pública como alguém que faz o trabalho de casa (ao contrário do PSD) e contribui para a resolução dos problemas;
6) com este inesperado colaboracionismo retira-se qualquer pretexto para o PS invocar o bloqueio governativo a partir de coligações negativas no Parlamento, inviabilizando-se eventuais manobras do PS tendentes a precipitar eleições antecipadas.

Eis o que falha nesta argumentação e que nos permite qualificar a estratégia do PSD como de alto risco e, no essencial, absurda:

Resposta a 1 – de facto impediu-se a suspensão sem que se tenha a garantia da substituição, trocando-se o certo pelo incerto. Depois, não é o mesmo negociar com o ME a partir do nada ou fazê-lo sob a pressão de manobras ardilosas para manter a base do que vigora. Além de que a suspensão do modelo abria o caminho sério e justo da suspensão dos efeitos da avaliação, permitindo que ninguém saísse prejudicado ou beneficiado relativamente aos colegas.

Resposta a 2 – pelo contrário, adiou-se a resolução dos problemas sem garantias, enquanto nas escolas reina a indignação face ao PSD, a ausência de alívio e a apreensão sobre o que poderá vir a acontecer. Da mesma forma, a maioria dos professores é a favor da suspensão imediata, os movimentos independentes sentiram-se traídos pelo PSD e a própria Fenprof considerou a posição do PSD como vaga e insuficiente. Salva-se a FNE, claro.

Resposta a 3 – ninguém compreende mudanças inesperadas na avaliação dos climas, sobretudo quando se faz um aproveitamento dos mesmos em momentos eleitorais. É o argumento mais cínico de todos.

Resposta a 4 – é lamentável que o PSD recupere a estratégia da equipa de Maria de Lurdes Rodrigues, de Sócrates e de Correia de Campos (ex-ministro da Saúde), tratando os professores e os portugueses em geral como ignorantes ou idiotas, que sem um esforço adicional de explicação não chegam à compreensão do que está em causa.

Resposta a 5 – o problema é que em termos da leitura da opinião pública, o PSD evitou o protagonismo do CDS-PP à custa de uma gestão desastrada e desrespeitosa dos seus próprios compromissos, o que é o pior dos protagonismos para um partido. Além disto, fica sempre a ideia do sacrifício dos princípios à táctica partidária e isso não enobrece a política.

Resposta a 6 – isto nem chega, nesta fase, a ser argumento, mas antes mera retórica lírica, pois existe um largo consenso na sociedade quanto à necessidade de suspender o modelo de avaliação e acabar com a divisão na carreira (questões sufragadas eleitoralmente), pelo que estava fora de questão que o PS esticasse a corda neste momento, além do mais quando as sondagens e os casos mais recentes não são garantia de que obtivesse maioria absoluta.

Na prática, eis o que aconteceu, está a ocorrer e poderá vir a passar-se:

- o PSD comprometeu-se, preto no branco e de forma incondicional, a suspender o processo de avaliação e a pôr fim à divisão na carreira, pelo que é factual que traiu o compromisso público assumido com os professores e com os portugueses em geral, pois na primeira oportunidade (que até já era a segunda) que teve para efectivamente o fazer, esquivou-se a tal. O dia 20 de Novembro poderia ter sido um grande dia para a maioria dos professores e ter ficado marcado como a data que assinalava, quer a cessação de um modelo incompetente, nada sério e injusto, quer o fim da divisão arbitrária na carreira. Mas, por exclusiva responsabilidade do PSD não o foi.

- a mensagem que passou e ficará gravada na opinião pública e, particularmente entre os professores, é a de uma falta à verdade e de uma colagem ao PS (ouvem-se repetidamente os remoques “roeram a corda” e “é tudo farinha do mesmo saco”), confiando numa liderança partidária e de governo que o PSD ataca virulentamente (e justamente) de segunda a quinta-feira, mas que à sexta-feira se torna confiável para ter uma nova “oportunidade”, mau grado a obstinação de Sócrates e do ME em não suspender, nem sequer substituir. Ora, em política o que parece, é.
Além disto, são os próprios comentadores políticos a considerar que quem saiu favorecido neste processo foi o PS (obrigado, PSD).
E, depois, não restam dúvidas que este PSD passou, com a decisão de violar um compromisso eleitoral, um atestado de óbito à sua credibilidade e à sua “política de verdade”.

- com esta sua atitude, o PSD preservou intocável o discurso demagógico e mistificador do PS (recusado por mais de 100 mil professores e a quem o mesmo irrita particularmente), conferindo um novo ânimo ao PS para continuar a repetir que o ciclo chegou, normalmente, ao fim, que foi positivo, que se fizeram muitas aprendizagens e que é necessário aproveitar o trabalho que foi empreendido nas escolas.
No próprio dia 20 de Novembro, já depois de aprovada a recomendação do PSD, a ministra Isabel Alçada não admitia a substituição do modelo, falando antes de afinação e de melhoria dos processos (discurso não muito diferente do que ouvíamos a Maria de Lurdes Rodrigues).
Francisco Assis (PS) não assume nenhum compromisso com o PSD, preferindo dizer que vão “ponderar” as recomendações, pelo que não há garantia do seu cumprimento.
Agora, atente-se nas declarações de Paula Barros (deputada substituta que o distrito de Vila Real não elegeu directamente), no programa “Parlamento” (referenciado em cima) em nome do PS:
“Vamos introduzir as alterações necessárias no modelo que sejam sugeridas pela Comissão Paritária (?)”; “Aquilo que está a acontecer é aquilo que a Sra. Ministra [Maria de Lurdes Rodrigues] sempre previu.”. Ainda de acordo com a deputada, trata-se de melhorar o actual modelo e o prazo de 30 dias é meramente “indicativo”.
Aposto em como Sócrates não vai deixar cair o modelo e vai apenas introduzir alterações ao mesmo, refugiando-se em jogos evasivos de palavras.

- o PSD com a recusa da suspensão mais não fez do que repor, quase intactas, as condições que existiam em Abril de 2008, quando o processo negocial ficou entregue, em exclusivo, aos sindicatos e ao ME, o qual terminou no célebre memorando de entendimento, com as cúpulas sindicais, ao arrepio da vontade dos professores, a reduzirem as fraquezas substantivas e irreparáveis do modelo a uma questão de calendário de implementação.

O PSD chumba a solução, aprova uma recomendação que é uma incerteza e, sobretudo, hipoteca a sua autonomia de actuação, colocando-se à mercê daquilo que o PS possa vir ou não a fazer. O PSD comprometeu-se em ser uma parte importante da solução no Parlamento e acabou, com a sua postura, por evoluir para uma parte incómoda do problema.

Por mais que procure compreender os argumentos dos obreiros desta estratégia, não consigo vislumbrar aqui nada de positivo para o PSD (o que leva um partido que tinha tudo para jogar ao ataque a meter um autogolo e a ter que passar a actuar à defesa?).
Se isto é inteligência política, então, doravante, eu bem me poderia considerar o Napoleão Bonaparte, mesmo que, a fazer fé na minha actual lucidez, nada me sugira que tenha chegado à fase da “mania das grandezas”.

Para bom entendedor, meia palavra devia bastar

" Numa intervenção na escola básica do 2.º e 3.º ciclos e ensino secundário Padre António Morais da Fonseca, em Murtosa, (...) Cavaco Silva lembrou:
«Eu sou bem o exemplo do papel que a Educação pode desempenhar na ascensão na vida profissional no nosso país ou em qualquer outro país», frisou Cavaco Silva.
Pois, continuou o chefe de Estado, a Educação foi, precisamente, a «ferramenta principal, para não dizer a única ferramenta» que os seus pais lhe deram, a par da defesa «dos valores de honestidade, de verdade e de honra». "
In TSF, 21/11/2009 (ler AQUI...)

Se...
… pensássemos que Cavaco Silva tem, porventura, acesso a informações que nós desconhecemos,
… estivéssemos atentos à insistência com que Cavaco Silva vem enfatizando valores de carácter, como a honestidade, a fidelidade à palavra dada, a verdade e a honra,
… se fôssemos um país de bons entendedores,
… então, talvez percebêssemos a que tipo de pessoas podemos estar a entregar os destinos de Portugal.
É pena que o PR esteja fragilizado pela gestão pueril do “caso das escutas” e tenha que enviar mensagens ao país quase pela via do oráculo.
Proferida este fim-de-semana, a afirmação é bem capaz de ter dois destinatários bem distintos. Digo eu…

Nem todos, no PSD, estão a "digerir" bem a quebra do compromisso da suspensão do modelo de avaliação

Alberto João Jardim
Alberto João Jardim disse, ontem, discordar do seu partido no que respeita à avaliação dos professores, das escolhas para o Conselho de Estado e de uma série de posições que o PSD está a tomar na Assembleia da República.
Em declarações proferidas pelo presidente do Governo Regional após um almoço gastronómico dos embaixadores de Lisboa e no qual, mensalmente, é convidada uma figura do panorama político português, Alberto João Jardim disse ao nosso Jornal que discorda «da orientação que a direcção do grupo parlamentar do PSD na Assembleia da República vem assumindo desde o aproximar das posições do PS quanto à avaliação dos professores. «Eu estou com o CDS e com o Partido Comunista em que aquilo deve ser tudo para já arrumado. Além disso, discordo da posição que tomou o meu partido, discordo das escolhas para o Conselho de Estado, discordo de uma série de posições que o PSD está a tomar na Assembleia da República», afirmou.
Ler AQUI...

Adão Silva (deputado por Bragança)
Na hora da votação, apenas Adão Silva deu expressão ao desconforto pela forma como a direcção da bancada do PSD lidou com este dossier. O deputado respeitou a disciplina de voto, mas anunciou uma declaração de voto. Em declarações ao PÚBLICO, o deputado explicou que "o PSD não respeitou um compromisso eleitoral com todos os portugueses, e em especial com os professores". Ao deixar cair a suspensão da avaliação, criticou, a direcção "negou o que tinha assumido" na campanha eleitoral. A declaração de voto só será divulgada nos próximos dias e Adão Silva admite que outros deputados da sua bancada venham a subscrevê-la. Ler AQUI...

Dirigente do PSD que teve a amabilidade e a grandeza de me enviar um e-mail, de que reproduzo aqui uma pequena parte
"Queria apenas transmitir-lhe, a título pessoal, que antes mesmo de saber o resultado das votações de hoje no parlamento mas desde já profundamente envergonhado pelas atitudes que o PSD vem tomando que conto saber tomar nas estruturas políticas a que pertenço as devidas ilações sobre o que se passar. E das quais darei devidamente conta não apenas ao Promova como publicamente através das crónicas de jornal que assino.
Não foi, decididamente, para isto, que dei o meu contributo e o meu trabalho e se há coisa que muito prezo é poder olhar para as pessoas com quem me comprometo com os mesmos olhos com que olho os meus filhos."

sábado, 21 de Novembro de 2009

Dia 21 de Novembro: o que se escreve na Imprensa sobre Educação

Avaliação: ME promete modelo em que professores se revejam
Diário Digital - A ministra da Educação disse ainda que «o Ministério tem tudo preparado para que o primeiro ciclo da avaliação dos professores esteja fechado em Dezembro».

Aprovada proposta do PSD sobre avaliação de professores
Rádio Renascença - (…) o suficiente para ser aprovado o projecto de resolução que recomenda ao Governo a criação de um novo modelo de avaliação no prazo de 30 dias.

Parlamento aprova recomendações do PSD ao Governo
Correio da Manhã - (…) considerou que se poderia ter ido “mais além” na recomendação ao Governo, com a aprovação de uma lei e com a suspensão da avaliação de professores.

Está afastada a suspensão do processo de avaliação dos professores
RTP - O PS chumbou os diplomas apresentados pelo CDS, Bloco de Esquerda, PCP e Verdes, que defendiam a suspensão imediata da avaliação. Em contrapartida, o PS…

Projecto do PSD sobre avaliação docente passa com ...
PUBLICO.PT - O projecto de resolução do PSD sobre a avaliação dos professores e o novo estatuto da carreira docente foi hoje aprovado no Parlamento. O documento contou apenas com os votos favoráveis dos social-democratas e com a abstenção do PS e…

Projecto social-democrata sobre avaliação dos professores foi aprovado
A Bola - O projecto de resolução apresentado pelo PSD, que defende a criação de um novo modelo de avaliação dos professores no prazo de 30 dias, foi esta sexta-feira…

Avaliação de professores aprovado projecto do PSD
EDUCARE.PT - O projecto de resolução do PSD, aprovado com os votos dos sociais-democratas e a abstenção do PS, recomenda o fim da divisão da carreira docente e a definição...

Síntese a partir dos Alertas do Google

Está encontrado o presidente do Clube de Fãs de Maria de Lurdes Rodrigues


Quem ainda tiver pachorra ou for masoquista, sempre pode continuar a ler este exercício de vomitório repelente AQUI...
In CM, 21/11/2009

Desde o início da contestação dos professores, que este homem range os dentes de raiva e destila ódio por haver em Portugal um grupo profissional que luta pela defesa da sua dignidade, da sua reputação e da sua autoridade. Desconhecendo as suas vivências escolares, confesso que nunca percebi o porquê deste reflexo pavloviano.
Apenas a verticalidade dos professores o pode incomodar, porque sobre a natureza da avaliação do desempenho e sobre o conteúdo do estatuto da carreira docente este homem é profundamente ignorante, nunca tendo escrito uma linha sobre a substância e a estrutura concreta das medidas educativas aí implicadas.
Contudo, também nos conforta saber que este estado de irritabilidade é mais nefasto para o próprio, do que, propriamente, afecta os destinatários, pois ninguém reconhece a Emídio Rangel qualquer tipo de competência para se pronunciar sobre estas matérias, além daquela que a liberdade democrática propicia (e bem, ao contrário dos sinais de condicionamento da liberdade de expressão na comunicação social que dão aqueles que Rangel tão ufanamente defende) a um mero treinador de bancada.
Arrepio-me só de pensar como foi possível entregar a este paradigma de facciosismo, durante alguns anos da nossa democracia, a responsabilidade pela informação veiculada por algumas estações televisivas.
Emídio Rangel, acredite que existem outros mecanismos mais salutogénicos de sublimação de traumas, de frustrações e de fracassos pessoais e profissionais.
Que culpa têm os professores que Sócrates ainda não se tenha lembrado de si e o tenha recompensado com um lugar destacado, talvez na ANACOM ou na ERC, pois assim estaria garantido o rigor e a imparcialidade destas entidades reguladoras.
Se não for possível encontrar-lhe um lugar compatível com a sua bajulação do socratismo, sempre se pode organizar um Clube de Fãs de Maria de Lurdes Rodrigues, onde, certamente, ninguém lhe disputará a presidência.

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Intervenção "sem espinhas" de Ana Drago, no Parlamento

Subscrevo integralmente...
O cumprimento das três condições enunciadas pela deputada Ana Drago é o único caminho que é susceptível de pacificar as escolas.
Nenhum professor será deixado para trás, mas também nenhum retirará vantagens de um processo incompetente, destituído de seriedade e injusto.

O PS chamou-lhe um "Figo"?

In CM, 20/11/2009

A confirmar-se a veracidade desta alegada operação "publicitária", ter-se-á atingido o grau zero da democracia a dois níveis:
1) triunfo da política "pesetera";
2) obscena (e cara!) instrumentalização partidária de empresas públicas.
O trágico, em Portugal, é a circunstância dos visados com este tipo de notícias não exigirem o esclarecimento das mesmas até às últimas consequências, pois "quem não deve não teme"...

Dia 20 de Novembro: o que se escreve na Imprensa sobre Educação

Partidos acusam PSD de deixar cair compromisso sobre a educação
LUSA - Bloco de Esquerda, PCP, "Os Verdes" e CDS/PP acusaram hoje o PSD de deixar cair um compromisso eleitoral relativamente à suspensão…

Fenprof diz que avaliação dos professores vai mesmo parar
RTP - (...) Educação terem provocado algumas dúvidas, a Fenprof afirma que não há outra interpretação a fazer senão que a avaliação dos professores vai mesmo parar.

Avaliação Docentes: AR debate hoje propostas da oposição
Diário Digital - A Assembleia da República debate, esta quinta-feira, os vários projectos dos partidos da oposição sobre o modelo de avaliação dos professores.

Estatuto dos professores volta a ser discutido
Açoriano Oriental - Entre os pontos discutidos contaram-se a diferença de ordenados entre os docentes do continente e dos Açores, a avaliação dos professores e os horários dos…

Avaliação dos profs
Diário Económico - Este Governo, com o conforto de uma maioria absoluta, teve a coragem de avançar para um modelo de avaliação dos professores.

Avaliação de professores: PSD no centro das críticas da oposição
A Bola - A decisão do PSD de abdicar da palavra «suspensão» no projecto de resolução que apresentou acerca da avaliação dos professores foi duramente criticada pelos…

PSD salva PS do conflito com os professores
Jornal de Notícias - Socialistas devem viabilizar hoje projecto "laranja"e sociais-democratas rejeitar suspensão da avaliação.

PSD trava suspensão do actual regime de avaliação
Diário de Notícias - Deputados debateram ontem oito diplomas sobre avaliação dos professores e Estatuto da Carreira Docente.

CDS, Bloco e PCP unidos contra PSD na avaliação dos ...
Público - Nem PS nem PSD revelaram ontem abertamente o sentido de voto sobre os projectos relativos à carreira e ao modelo de avaliação dos professores, mas o aparente entendimento entre os dois partidos transformou-se numa nuvem carregada que…

Síntese a partir dos Alertas do Google

Em matéria de Educação e de defesa das justas reivindicações dos professores, Ana Drago (BE) vale o seu peso em ouro

A leccionação na UTAD, durante toda a tarde de ontem e em dose cavalar, da unidade curricular de Psicologia Cultural não me permitiu acompanhar o debate, no Parlamento, acerca da suspensão do modelo de avaliação do desempenho e da revisão do ECD, pelo que confio absolutamente no relato que o colega e amigo Mário Carneiro empreende do debate (ler AQUI) e de que tomo a liberdade de destacar a descrição das posições assumidas por Ana Drago, as quais estão em absoluta sintonia com aquilo que eu próprio e o PROmova defendemos:

"Destes, destaco, pela forma e pelo conteúdo, as intervenções da deputada Ana Drago, do BE, que fundamentou com rigor e com verdade a posição de suspensão da avaliação. Mas não fez apenas isto, foi a única deputada que defendeu um princípio básico: nenhum professor pode ser prejudicado nem beneficiado com a arbitrariedade e com a incompetência do modelo de avaliação vigente. Isto é, por um lado, não pode ficar ao critério discricionário dos directores das escolas a decisão de avaliarem uns professores e não avaliarem outros, e, por outro lado, as classificações de Muito Bom e de Excelente, já atribuídas, não podem contar para efeitos de concurso nem para a progressão na carreira."

Valha-nos a lucidez, a determinação e o sentido de coerência e de justiça desta magnífica representante dos pofessores.

“I have a dream”: um dia, por toda a Imprensa, ecoará apenas propaganda socrática e far-se-ão ouvir em uníssono hossanas ao grande Líder

Clicar na imagem para aumentar

Ler mais AQUI...
In Sábado, 18/11/2009

Hoje, ficou claro: este PSD apostou na estratégia de dar oportunidades ao PS de Sócrates


Continuar a ler AQUI...
In TVI online, 19/11/2009

Depois de, em Setembro, O PSD ter entregue de mão beijada a vitória nas legislativas ao PS de Sócrates, dando-lhe mais "uma oportunidade" de governação, decide agora dar "uma oportunidade" de salvar a face a quem, durante uma legislatura inteira, teve uma atitude persecutória para com os professores e tudo fez para lhes denegrir a imagem e a reputação públicas.

Ao suspender intempestivamente um compromisso eleitoral (ecoam em mim as juras de Manuela Ferreira Leite de que o PSD falava verdade e tudo o que constava no programa eleitoral seria para cumprir – aspecto que faria a diferença para o programa de Sócrates), o PSD dispensou a Sócrates o "balão de oxigénio" (atente-se nos “bons olhos” com que o primeiro-ministro recebeu a proposta de resolução do PSD) de que este necessitava para continuar a debitar propaganda nas televisões, de acordo com a qual o processo de avaliação foi regularmente concluído e valeu ou foi competente para diferenciar o “mérito” dos professores, ao arrepio do que era defendido pelos movimentos de professores (que continuam a negar essa competência e a exigir a anulação do 1º ciclo avaliativo, defendendo a progressão de todos os professores em igualdade de circunstâncias, com “bom”, como única medida séria e decente), sindicatos (que apelidavam o processo de avaliação de “farsa”, mas que agora sancionam as classificações para uns efeitos e negam-nas para outros – o que não se percebe) e pelos partidos da oposição (que enfatizavam o descrédito do modelo e defendiam a sua suspensão, não se compreendendo agora muito bem qual o significado do efeito suspensivo, uma vez que não admitem explicitamente a suspensão das classificações diferenciadas que o “descrédito” gerou).

Além desta “bóia” específica lançada a Sócrates, o PSD permite que seja o ME a ditar aos sindicatos as regras da negociação, com base e escudados num modelo de avaliação ainda em vigor e que os novos locatários da 5 de Outubro consideram que não será substituído, mas está em “dinâmica” e estará em processo de “revisão”. Veremos se isto é apenas semântica para encobrir a difícil assunção do fracasso do “desígnio” da governação socrática ou se é mesmo convicção para manter intacta a base do modelo.

No essencial, o PSD preferiu hipotecar um compromisso eleitoral e deixar passar a ideia de colagem ao PS (e em política o que parece é), apenas com o intuito de esvaziar e travar o protagonismo do CDS-PP como viabilizador de soluções. Mas, com este gesto perdeu a credibilidade que tinha ganho junto dos movimentos de professores e dos próprios professores, mesmo que esteja convencido de ter agradado às cúpulas dos sindicatos.

Se o PSD tivesse transmitido aos professores, antes das eleições legislativas, que ia dar "uma oportunidade" a Sócrates, acreditem que o resultado eleitoral do partido teria sido muito diferente, para pior.

Mas o verdadeiro terramoto para o PSD é se as “coisas” não se resolvem em 30 dias, pois aí fica muito complicado perceber quem estará disponível para dar “uma oportunidade” ao PSD para suspender o modelo de avaliação e para impor o fim da divisão na carreira.
Vai bater à porta do CDS-PP, do PCP e do BE a quem agora retirou a possibilidade de suspenderem? Não me parece que estes partidos estejam, depois, disponíveis para lhe abrirem a porta, assumindo o PSD sozinho o ónus do entrave à suspensão.

Pensaram nesta possibilidade? Acontece que de Sócrates pode-se esperar tudo.

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Dia 19 de Novembro: o que se escreve na Imprensa sobre Educação

PS vai analisar todas as propostas de avaliação dos professores
A Bola - Francisco Assis garante que o PS ainda não decidiu de que forma vai votar os diplomas dos partidos da oposição sobre a avaliação de professores.

Avaliação de professores com «novas regras»
Diário IOL - A avaliação dos professores vai ser «sujeita a novas regras». O anúncio foi feito pelo secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação…

Professores: PSD só decide depois do debate
Diário IOL - (...) PSD se os sociais-democratas garantirem que não votam favoravelmente nenhum dos projectos para suspender o actual modelo de avaliação dos professores.

Fenprof defende continuidade do diálogo entre ME e sindicatos
RTP - (...) de prosseguir o diálogo com o Ministério da Educação, mesmo depois da ministra ter deixado cair o sistema de avaliação dos professores, tal como existe.

PSD desvaloriza proposta comunista de decidir avaliação dos...
RTP - Os comunistas defendem que a avaliação dos professores deve ser decidida na Assembleia da República na próxima sexta-feira. O deputado social-democrata…

Ministério vai dizer às escolas para pararem avaliação do próximo ano
Expresso - A questão da avaliação dos professores que não entregaram os objectivos individuais e as consequências na progressão na carreira e nos concursos de…

Professores que não entregaram objectivos também serão avaliados
TVI - A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) já se congratulou com a decisão do Governo avaliar os professores que não entregaram os seus objectivos.

Parlamento discute hoje projectos da oposição sobre avaliação de...
LUSA - CDS, BE, PCP e Verdes pedem a suspensão da avaliação dos professores, enquanto o PSD recomenda ao Governo que elabore, em 30 dias, um novo modelo de…

PSD e os professores: «Outros partidos precipitaram-se»
Diário IOL - (...) outros partidos da oposição «eventualmente ter-se-ão precipitado» ao apresentar projectos para suspender o actual modelo de avaliação dos professores.

Empresários dizem 'sim' à avaliação mas 'não' às quotas
Económico - Empresários defendem que a avaliação dos professores é indispensável, mas não faz qualquer sentido a existência de um sistema de quotas que limite a…

Professores: CDS-PP insiste na suspensão da avaliação
IOL Diário - Líder parlamentar questiona ainda o PSD sobre as declarações do deputado Pedro Duarte.

CDS-PP insiste na suspensão do modelo de avaliação...
PUBLICO.PT - O líder parlamentar do CDS-PP defendeu hoje que o Governo deve aceitar a suspensão legal da avaliação dos professores, uma vez que já garantiu que dará indicações às escolas para não iniciarem os procedimentos do segundo ciclo…

Professores não serão penalizados
Destak.pt - Os professores que não entregaram os elementos de avaliação não serão penalizados, declarou hoje o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (FENPROF), Mário Nogueira.

A Educação e os professores merecem respeito
Jornal das Caldas - Volvidos dois anos e depois de ser considerado por instituições independentes na área da educação (designadamente o Conselho Cientifico para a Avaliação de…

Síntese a partir dos Alertas do Google

O teor das conversas é assim tão grave que justifique tamanha celeridade e proteccionismo?

“Uma escuta, autorizada por um juiz de instrução no respeito dos pressupostos materiais e procedimentais prescritos na lei, é, em definitivo e para todos os efeitos, uma escuta válida. Não há no céu - no céu talvez haja! - nem na terra, qualquer possibilidade jurídica de a converter em escuta inválida ou nula”.
Costa Andrade, Professor Catedrático da Universidade de Coimbra.


Afinal, Godinho até pode ser apenas a "face visível"...

In jornal I, 19/11/2009

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Dois textos de leitura obrigatória para negociadores e para defensores de trocas do tipo feira franca

O problema da negociação de questões que atingem princípios deontológicos e a dignidade profissional
Em abstracto
O termo «negociar» não deve ser aplicado na resolução de situações de conflito que atingem princípios deontológicos e/ou a dignidade profissional. (...)
Ler mais AQUI

Suspenda-se a Guerra! O General Disse.
Por que razão devem ser avaliados os professores que não entregaram OIs?Por que razão devem ser avaliados os professores que não entregaram FAA?Por que razão devem ser avaliados os professores que entregaram OIs depois de terminadas as aulas? (...)
Ler mais AQUI

O Projecto de lei Nº 2/XI-1ª do PCP é uma peça legislativa quase perfeita. Falta-lhe um bocadinho assim...


O Projecto de Lei Nº 2/XI-1ª do PCP, que determina as condições da revisão do ECD e as condições da sua realização, é um documento que prima pela clareza e parcimónia, podendo, na próxima sexta-feira, se houver fidelidade da parte de todos aos seus compromissos, colher o apoio de todos os partidos da oposição, uma vez que incorpora o essencial das reivindicações dos professores e que são as seguintes:

1) suspende o modelo de avaliação ainda em vigor ( o que faz toda a diferença);

2) estabelece os processos e os passos tendentes à revisão do ECD que conduza, entre outros aspectos, à eliminação da divisão na carreira em categorias hierarquizadas;

3) considera nulos os efeitos das classificações atribuídas, no primeiro ciclo avaliativo, relativamente aos efeitos previstos para concursos de colocação de professores.

O que, em meu entender, falta neste Projecto e que deveria ser acrescentado, aquando da sua discussão na Assembleia da República, para que o mesmo possa ser coerente e consequente, tanto com os pressupostos de que parte, como com algumas das medidas que já propõem, de forma a poder corresponder às expectativas da esmagadora maioria dos professores e, desta forma, contribuir para a pacificação do clima que se vive nas escolas. Refiro-me, em concreto, às seguintes medidas, cuja implementação será uma questão de tempo, tal a justeza das mesmas:

1) anulação dos efeitos das classificações de "excelente" e "muito bom" para efeitos de progressão na carreira, tendo em conta, quer as condições e os processos (agora abandonados por não darem garantias de rigor e de seriedade na avaliação) "mistificadores" com que as mesmas foram obtidas, quer o facto de não se compreender que o critério admitido como válido para a anulação das classificações para efeitos de concursos não o seja também ao nível da anulação de vantagens para efeitos na progressão na carreira;

2) tendo, exactamente, em conta as condições anómalas em que decorreu a avaliação do desempenho e dada a frente de contestação (de quem, como agora se prova, estava do lado certo) não faz sentido penalizar qualquer professor com base num processo de avaliação absolutamente desacreditado, independentemente de ter entregue ou não meia dúzia de papeluchos que, para sermos sérios, foram e são irrelevantes para o desempenho docente efectivo dos professores nas suas escolas.

Haja coerência e coragem, entre os partidos da oposição, para fazerem valer estas reivindicações.

De tanto querer "dar nas vistas"


Era inevitável!...
Depois de tantos anos, meses, dias, noites e horas a "dar nas vistas", o resultado só poderia mesmo ser este:
aumento brutal das dioptrias.

Dia 18 de Novembro: o que se escreve na Imprensa sobre Educação

Ministra retoma amanhã negociações com professores
Expresso - Isabel Alçada vai discutir com sindicatos as consequências do primeiro ciclo de avaliação dos professores e apresentar uma proposta de calendário para a...

Professores: ministra confirma que vai haver novo modelo de avaliação
TVI - (...) para fechar este ciclo de avaliação, escudando-se a revelar pormenores do que tenciona apresentar em primeira-mão aos representantes dos professores.

AR: PS reúne-se 3ª feira para eleger coordenadores e definir ...
Visão - Perante os diplomas da oposição sobre modelo de avaliação dos professores, o PS eo Governo já sublinharam a sua indisponibilidade para acolher propostas no...

PCP quer suspender a avaliação dos professores esta sexta
TVI - O secretário-geral comunista defendeu que a cessação da vigência do regime de avaliação dos professores deve ser aprovada sexta-feira em definitivo no...

Isabel Alçada deixa cair divisão de professores em duas categorias
DiarioEconomico.com - (...) passos dados pela nova ministra da Educação, Isabel Alçada, no sentido de chegar a um consenso quanto a um novo modelo de avaliação dos professores.

PSD continua a querer suspensão da avaliação dos professores
Expresso - Em relação ao 1º ciclo de avaliação, que diz respeito ao passado ano lectivo e que termina a 31 de Dezembro, o PSD admite que os professores que obtenham as...

Fenprof em sintonia com PCP sobre votações do modelo de avaliação ...
RTP - A Fenprof está de acordo com as pretensões do PCP em querer uma decisão definitiva sobre a suspensão da avaliação dos professores, já na próxima...

Avaliação: professores não querem modelo feito à pressa
TVI - (...) de Professores disse esta terça-feira concordar com o projecto do PSD que recomenda ao Governo que estabeleça um novo modelo de avaliação e acabe com a...

PCP quer suspender a avaliação dos professores esta sexta
IOL Diário - Jerónimo de Sousa considera este «um imperativo político».

Mário Nogueira insiste na suspensão da avaliação e diz ...
Destak.pt - O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, defendeu hoje que a suspensão do actual regime de avaliação dos professores “é fundamental” e avisou que está pronto “para a luta” se o Governo insistir nas “soluções negativas”.

Ministra da Educação afirma que fechar ciclo avaliativo é prioridade
A Bola - (...) de negociações e mais alguma coisa com o objectivo de fechar este ciclo avaliativo», disse a ministra da Educação, segundo o Correio da Manhã.

Alegre elogia abertura da ministra da Educação para ...
PUBLICO.PT - O ex-candidato presidencial Manuel Alegre elogiou hoje a “abertura” do Governo e da ministra da Educação, Isabel Alçada, para “consensos” sobre um novo modelo de avaliação dos professores e para a revisão do Estatuto da Carreira Docente...

Síntese a partir dos Alertas do Google

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Pode ficar suspensa a decisão de suspender a suspensão da avaliação

As mais recentes declarações de Mário Nogueira (FENPROF) e de Pedro Duarte (PSD) deixaram-me absolutamente boquiaberto. Afinal, a exigência de suspensão do modelo de avaliação em vigor é matéria de convicção, de coerência e de fidelidade aos compromissos públicos ou é uma moeda de troca negocial? Para já, vai-se assemelhando mais a uma estratégia circunstancial para os dias ímpares.
Eu, pela minha parte, vou deixar de contribuir para este “peditório”. Trata-se de uma medida preventiva da minha saúde mental, antes que saia deste filme sob o efeito de um qualquer transe dissociativo.
Se o termo suspensão é assim tão incómodo, respondam todos (sindicatos e partidos da oposição) à questão crucial:


Subscrevem o princípio de elementar justiça e bom senso, de acordo com o qual nenhum professor deve sair prejudicado ou beneficiado deste processo de avaliação, dadas as condições excepcionalmente anómalas e destituídas de seriedade em que o mesmo decorreu?

Para já, apenas o PCP foi claro relativamente à anulação dos efeitos de uma avaliação desacreditada e incompetente.
A este propósito, tive, hoje, imensa pena de não poder estar presente (por constrangimentos incontornáveis de última hora), em representação do PROmova, na audição realizada pelo PCP, na Assembleia da República. O PCP merecia a gratidão e o esforço da nossa presença, mas o PROmova acabou por delegar a sua representatividade na APEDE e no MUP.

Declarações de Mário Nogueira (ler AQUI):
"Da parte da Fenprof vamos para esta negociação procurar consensos e não temos nenhum problema em subscrever acordos. Mas também não temos nenhum problema, se este Governo persistir nas soluções negativas para a carreira dos professores, de voltar para a rua, para a luta, para as manifestações", afirmou.
O líder da Fenprof intervinha numa audição pública promovida pelo PCP sobre a avaliação dos professores e sobre o estatuto da carreira docente, na Assembleia da República.
A ministra da Educação, Isabel Alçada, afirmou hoje que quarta-feira apresentará um calendário aos sindicatos para negociar novas regras na avaliação de desempenho e no estatuto da carreira docente.
A ministra admitiu que haverá um novo modelo de avaliação e um novo estatuto, mas frisou que optou por não suspender o que está em vigor para não haver "um vazio legal".
Na sua intervenção, Mário Nogueira deixou um "recado" ao ministério da Educação sobre as regras para as convocatórias:
"A negociação tem regras e uma das regras é que as convocatórias não se fazem de um dia para o outro, fazem-se com cinco dias de antecedência", disse, afirmando esperar que "a distracção do secretário de Estado" se tenha devido à vontade de "tentar encontrar os consensos e os acordos". Mário Nogueira elogiou o projecto de lei do PCP por prever a "suspensão ou nulidade" dos efeitos do modelo em vigor, e lamentou que o PSD tenha desistido de propor a suspensão.
"Há uma diferença muito grande entre os projectos do PCP e do PSD", disse, acrescentando que a Assembleia da República pode aprovar a suspensão independentemente de o Governo e os sindicatos começarem desde já a negociar um novo modelo.
Para o sindicalista, vai demorar meses até estar concluído o processo de negociação, a promulgação e até à entrada em vigor do novo modelo.
"Por muito bem que as coisas corram, temos três meses que entre o inicio da negociação e o fim e não faz sentido as escolas estarem a avançar com os procedimentos", defendeu.

Declarações de Pedro Duarte (ler AQUI):
(...) Mas, afinal, se pudesse recuar, o deputado Pedro Duarte deixaria cair o termo que, tanto para os sindicalistas como para a oposição, significa mais do que uma simples questão de semântica: "Não expressamos a palavra suspensão no nosso projecto, mas se voltássemos atrás deixávamos isso bem expresso", admite o vice-presidente da bancada parlamentar do PSD.

Dia 17 de Novembro: o que se escreve na Imprensa sobre Educação


PCP ouve professores sobre avaliação e carreira docente
Diário Económico - (...) sobre as iniciativas legislativas dos restantes grupos parlamentares sobre a avaliação dos professores, que serão quinta-feira discutidas em plenário.

Educação: Novo modelo de avaliação é apresentado esta semana
Voz Da Planicie - Isabel Alçada revelou, na passada terça-feira, que o novo modelo será baseado nos pareceres do Concelho Científico para a Avaliação de Professores (CCAP) e...

Educação: BE retira proposta e aguarda resultado das negociações
Rádio Renascença - Já na passada sexta-feira, o PSD entregou no Parlamento um diploma que prevê a criação de um novo modelo de avaliação dos professores, mas deixou cair a...

PS reúne-se 3ª feira para eleger coordenadores e ...
PUBLICO.PT - O Grupo Parlamentar do PS reúne-se terça-feira à noite para eleger os coordenadores da bancada e para definir a posição face aos diplomas da oposição sobre modelo de avaliação dos professores e estatuto da carreira docente.

Síntese a partir dos Alertas do Google

Compromisso Educação, 0 - Memorando de Entendimento II, 2

E o jogo "parlamentar" só agora começou.
Nas próximas eleições, não se esqueçam de vir bater à porta dos professores.

BE retira projecto de lei que estabelece novo modelo de avaliação de professores
(Lusa)
O Bloco de Esquerda deixou cair o projecto de lei que estabelecia um modelo integrado de avaliação das escolas e dos professores, por considerar inoportuna a sua votação quando sindicatos e Governo estão em negociações.
"Não nos parecia que este fosse o momento da Assembleia da República fazer uma votação sobre um modelo que neste momento está a ser negociado pelos sindicatos", disse à Agência Lusa a deputada Ana Drago.
Segundo a bloquista, o partido entendeu que deve ser dado "tempo de debate e diálogo" ao Governo e aos sindicatos, que na semana passado iniciaram contactos, mas espera que o projecto do Bloco possa servir de "contributo" para as "negociações".
A Assembleia da República discute na quinta-feira um conjunto de diplomas sobre a avaliação de desempenho dos professores, entre os quais se mantém um projecto de lei do Bloco de Esquerda que determina a suspensão do actual modelo e a criação de uma unidade de missão responsável por criar, em 30 dias, um novo modelo.
Quanto ao diploma retirado da discussão e votação de quinta-feira, previa a avaliação dos docentes no momento em que transitam de escalão, mas também do estabelecimento de ensino.
Segundo a proposta, a avaliação deveria ser feita por uma comissão interna, não existindo quotas na atribuição das classificações.

In Público online, 16/11/2009

Questões e perplexidades face às posições de M. Nogueira ou o clima propício aos memorandos de entendimento

Este artigo (ler AQUI) do colega Mário Nogueira (Fenprof) suscita-nos algumas questões e outras tantas perplexidades que passamos a expor sucintamente:
1) Porque razão até ao dia D(ez) de Novembro fazia sentido falar de suspensão deste modelo de avaliação (há registos audiovisuais de Mário Nogueira, do PSD, da FNE e de todos os demais partidos da oposição exigindo a suspensão do modelo de avaliação em vigor – porque não há outro) e a partir da reunião com Isabel Alçada (onde já não foi exigida a suspensão – porquê?) passou a deixar de fazer sentido a suspensão imediata deste modelo?
2) Se já não faz sentido propor a suspensão do modelo de avaliação relativamente a este 1º ciclo, atendendo a que este já está concluído, então porque se está a insistir na farsa de constranger os professores a desistirem da sua oposição determinada, corajosa e coerente a este modelo de avaliação, propondo-lhes a entrega de última hora dos objectivos individuais e da Ficha de Auto-avaliação? Então o ciclo avaliativo já está concluído ou ainda prossegue?
3) Porque razão os sindicatos apelaram aos partidos da oposição para desistirem da suspensão do modelo de avaliação, quando estes o podiam e deviam ter feito no Parlamento, como se comprometeram, tendo em conta que a ministra e Sócrates se recusam a suspender o processo?
4) Quando Mário Nogueira olha para o passado e para o presente vê mágoas, mas os professores vêem injustiças que não se resolvem com o encerramento puro e simples deste ciclo avaliativo. O clima conturbado, a incompetência do modelo e os processos destituídos de seriedade que o operacionalizaram (Mário Nogueira apelidou-o de “farsa”) impõem que ninguém saia deste ciclo avaliativo nem prejudicado, nem beneficiado. Acha Mário Nogueira que se deve alinhar na farsa e no “faz de conta”, sancionando-se as classificações obtidas?
5) Mário Nogueira qualifica a não entrega da FAA como uma ilegalidade, pelo que quem não a entregou não deve ser avaliado (neste ponto, Isabel Alçada foi menos radical, pois ao falar de “elementos de Avaliação” pode estar a abrir a porta àqueles docentes que por coerência e espírito de resistência se recusaram a participar neste modelo de avaliação, mas prestaram contas do seu trabalho), defendendo que, ao invés, a recusa na entrega dos objectivos individuais não foi ilegal. Então, a Fenprof está a empreender a defesa, no contencioso, dos milhares de professores a quem foi negada a possibilidade de entrega da FAA e a consequente avaliação? É que, não havendo suspensão deste processo, como se impunha, as decisões de exclusão da avaliação praticadas por muito directores estão em cima da mesa (a própria ministra o garantiu há dois dias);
6) Apenas a avaliação dos contratados é que deve ser suspensa? E a daqueles que deram aval a um modelo errado e injusto, essa avaliação deve ser mantida e validada? Ninguém percebe os critérios, porque conturbado e absurdo foi todo o processo de avaliação.
Não se trata, caro Mário Nogueira, de remover mágoas do passado, mas antes de repor a justiça e a decência nas escolas.
Apelidar a exigência de reposição da justiça e da seriedade nas escolas de “radicalismo”, “revanchismo” ou “caça às bruxas”, como alguns vêm fazendo (que não o Mário Nogueira, para que fique claro), dá bem nota da confusão que muitos persistem em fazer entre legalidade e moralidade. Foi pena que aquando do ataque aos direitos adquiridos dos professores (como resultante do miserável concurso para professores titulares), este legalismo farisaico tivesse tirado férias.

Publicado no blogue do PROmova

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Também declaro a minha confiança no Procurador que mandou investigar as conversas de Vara e no Juiz que autorizou as escutas

Uma questão de honra

Mark Felt foi um daqueles príncipes que o sólido ensino superior norte-americano produz com saudável regularidade. Tinha uma licenciatura em Direito de Georgetown e chegou a ser uma alta patente da marinha dos Estados Unidos. Com este formidável equipamento académico desempenhou missões complexas no Pentágono e na CIA.
Durante a guerra do Vietname serviu no Conselho Nacional de Segurança de Henry Kissinger. Acabou como Director Adjunto do equivalente americano à nossa Polícia Judiciária. Durante vários anos foi Director Geral interino do FBI. Foi nesse período que Mark Felt se tornou no Garganta Funda. Muito se tem escrito sobre as motivações de um alto funcionário do aparelho judiciário americano na quebra do segredo de justiça no Watergate. Todo o curriculum de Felt impunha-lhe, instintivamente, a orientação clássica de manter reserva total sobre assuntos do Estado. Hoje é consensual que Mark Felt só pode ter denunciado a traição presidencial de Nixon por uma razão. Para ele, militar e jurista, acabar com o saque da democracia americana era uma questão de honra. Pôr fim a uma presidência corrupta e totalitária era um imperativo constitucional. Felt começou a orientar em segredo os repórteres do Washington Post quando constatou que todo o aparelho de estado americano tinha sido capturado na teia tecida pela Casa Branca de Nixon e que, com as provas a serem destruídas, os assaltos ao multipartidarismo ficariam impunes. A única saída era delegar poder na opinião pública para forçar os vários ramos executivos a cumprir as suas obrigações constitucionais. Estamos a viver em Portugal momentos equiparáveis. Em tudo. Se os mecanismos judiciais ficarem entregues a si próprios, entre pulsões absurdamente garantisticas, infinitas possibilidades dilatórias que se acomodam nos seus meandros e as patéticas lutas de galos, os elementos de prova desaparecem ou são esquecidos. Os delitos ficam impunes e uma classe de prevaricadores calculistas perpetua-se no poder. Face a isto, há quem no sistema judicial esteja consciente destas falhas do Estado e, por uma questão de honra e dever, esteja a fazer chegar à opinião pública elementos concretos e sólidos sobre aquilo que, até aqui, só se sussurrava em surdinas cúmplices. E assim sabe-se o que dizem as escutas e o que dizem as gravações feitas com câmaras ocultas que registam pedidos de subornos colossais. Ficámos a conhecer as estratégias para amordaçar liberdades de informação com dinheiro do Estado. E sabemos tudo isto porque, felizmente, há gente de honra que o dá a conhecer. Por isso, eu confio no Procurador que mandou investigar as conversas de Vara com quem quer que fosse. Fê-lo porque achou que nelas haveria matéria de importância nacional. E há. Confio no Juiz que autorizou as escutas quando detectou indícios de que entre os contactos de Vara havia faces até aqui ocultas com comportamentos intoleráveis. E, infelizmente o digo, confio, sobretudo, em quem com toda a dignidade democrática e grande risco pessoal, tem tomado a difícil decisão de trazer ao conhecimento público indícios de infâmias que, de outro modo, ficariam impunes. A luta que empreenderam, pela rectificação de um sistema que a corrupção e o medo incapacitaram, é muito perigosa. Desejo-lhes boa sorte. Nesta fase, travam a batalha fundamental para a sobrevivência da democracia em Portugal. Têm que continuar a lutar. Até que a oposição cumpra o seu dever e faça cair este governo.

In JN, 16/11/2009

Procura-se foguetão e estratega de voo


Para quem se tornou um improvável advogado oficioso de histórias de "faz de conta", dispor-se de foguetão para conquistar a Lua até que nem devia ser problema.
Mas, ainda bem para a credibilização da avaliação e das políticas educativas que há por aí muita gente disponível para embarcar em histórias de "aventuras" e conversas de Tintim...
Eu, pela minha parte, prefiro a contemplação da Lua (privado de foguetão e de brevet) à visão das injustiças e das arbitrariedades (validadas) que compõem o quotidiano escolar.

Dia 16 de Novembro: o que se escreve na Imprensa sobre Educação

Diário de Notícias - José Sócrates, disse ontem ver "com bons olhos" o facto de o PSD "abdicar da tentativa de suspender" o actual modelo de avaliação dos professores...

Jornal de Notícias - Partindo deste patamar comum vamos chegar a um modelo que sirva a todos, disse ao JN a deputada Paula Barros, da comissão de Educação.
Diário de Notícias - O Ministério da Educação deverá viabilizar uma solução, para a avaliação de desempenho dos últimos dois anos, que permita às escolas classificarem todos os...

Síntese a partir dos Alertas do Google

Ler, também, no Público (edição papel) o artigo de Mário Nogueira (FENPROF) "Remover mágoas, valorizar os professores e construir futuro" (artigo que será, mais logo, comentado no blogue do PROmova).

Bastaram "sorrisos e beijinhos" para que se suspendesse a exigência de suspensão do modelo de avaliação


Sócrates e a ministra da Educação insistem que não suspendem o modelo de avaliação, os sindicatos desincentivam agora o Parlamento a fazê-lo (não era este o discurso de Mário Nogueira aqui no vídeo) e o PSD também abdicou de o fazer.

Afinal, já (quase) ninguém deseja ou acha oportuna a suspensão do modelo de avaliação.
Por acaso, já pensaram na possibilidade de o manter, pois, sempre serviu para diferenciar qualitativamente os professores de uma forma sancionada, até ver, pelo PS, PSD, FENPROF e FNE?
Palavras, palavras, palavras!...

Ricardo Silva (APEDE) não faz por menos e coloca as questões absolutamente decisivas


No blogue da APEDE, o colega e amigo Ricardo Silva coloca as questões verdadeiramente decisivas que não permitem, séria e responsavelmente, sancionar-se as atribuições de "excelente" e "muito bom" no quadro do desacreditado modelo de avaliação em vigor, que alguns fraquejaram no compromisso de o suspender.
É, para mim, um acréscimo de conforto e de motivação poder contar com a determinação e a argúcia do Ricardo nesta luta pela decência.
Vamos a isto, Ricardo, até que a seriedade e a justiça sejam repostas nas escolas.
Não são as posições de meias-tintas e as cedências que sacrificam princípios e valores (tão impressivos nos outdoors), em nome de coisa nenhuma para além daquelas que os partidos da oposição já garantiam por si próprios no Parlamento, que nos torcem e nos vencem.
Como afirmou A. Malraux, "o meio termo é o termo médio dos medíocres".

Texto do Ricardo Silva (APEDE):
Eu queria apenas colocar uma questão muito simples aos colegas:concordam que os professores titulares avaliadores que não avaliaram ninguém e não tiveram aulas assistidas venham a ser classificados com «Muito Bom» e «Excelente» apenas e só porque há quotas específicas para esse grupo de professores? Consideram isso justo e merecedor de uma aceleração na progressão na carreira (se confirmarem a classificação no futuro) ou de uma majoração na sua graduação profissional? Consideram mesmo que isto pode ser entregue como moeda de troca no “tabuleiro negocial”?
Afinal andámos a lutar pela justiça e agora vamos permitir que fiquem “nódoas” e “resíduos” da brutal injustiça que foi a aplicação deste modelo de ADD? E vamos permitir que afirmações da ministra não tenham consequências: quando se diz que “é preciso dar formação aos avaliadores” isto significa que as avaliações que se fizeram aferem realmente a qualidade superior dos avaliados com MB e Exc., de modo a permitirem efeitos que prejudicam outros colegas que se mantiverem firmes numa luta a que o tempo veio dar total razão?
Eu sei que a negociação exige cedências, mas não cedemos já nós o suficiente? Ou o que é que chamam ao congelamento das carreiras, aumento da idade da reforma, supressão das reduções no horário lectivo, regime de faltas, reduções por idade, aumento da burocracia de que o Estatuto do Aluno é só um exemplo, etc. etc. etc.?
Não se trata de querer a cabeça de ninguém, não se trata de querer exibir o escalpe dos adesivos e oportunistas, não se trata de humilhar ninguém, trata-se apenas de uma coisa, de uma coisa simples mas muito importante: REPARAR INJUSTIÇAS, REPÔR ALGUMA DECÊNCIA neste autêntico lodaçal! Isso é negociável? Para mim não. Chamem-me radical! Há princípios de que não abdico. E já nem quero agora tergiversar sobre o que poderíamos e deveríamos ter conseguido ganhar em tempo útil… se … se…

domingo, 15 de Novembro de 2009

Jornais de todo o mundo à mão de um clique

Cada bolinha laranja nos mapas dos continentes são jornais de cidades daquele estado ou País. Para aceder à primeira página de cada jornal basta clicar na respectiva bolinha.
Aceder AQUI

Dois textos que vale mesmo a pena ler

Uma caricatura de País (ler AQUI)
Mais um texto brilhante do Mário Carneiro, no blogue "O estado da educação e do resto"


Saúdo o regresso do colega Luís Costa à escrita de intervenção. Retomando a actividade do blogue "DARDOMEU", presenteou-nos, hoje, com este excelente texto: Uma política de merdade (ler AQUI)

Just to remember...



Suspenderemos o actual modelo de avaliação dos professores, substituindo-o por outro que, tendo em conta os estudos já efectuados por organizações internacionais, garanta que os avaliadores sejam reconhecidos pelas suas capacidades científicas e pedagógicas, com classificações diferenciadas tendo por critério o mérito e dispensando burocracias e formalismos inúteis no processo de avaliação."
Programa eleitoral do PSD

Concretizar o princípio de Canavarro é um acto de bom senso e de justiça

José Manuel Canavarro, secretário de Estado da Administração Educativa durante o governo de Santana Lopes, defende que executivo e sindicatos têm de fazer algumas cedências para que o processo de negociações seja levado a bom termo. Num debate que, "nesta fase vai ser muito político e muito pouco técnico", José Manuel Canavarro refere que "está por saber se se vai atacar os sintomas ou a causa da doença". Ou seja, se a discussão vai ficar pelo modelo de avaliação dos professores ou se passará por aquilo que define como "o mal de todos os males, o estatuto da carreira docente". Mas manifesta dúvidas: "Não sei se a abertura do Governo e da ministra da Educação chegarão aí".
Quanto à suspensão da actual avaliação dos docentes, o ex-secretário de Estado defende que "seria melhor neutralizar os efeitos do modelo anterior" . Sobretudo há que salvaguardar um princípio, sublinha: "Aquilo que ficou para trás ou conta igual para todos ou não conta para ninguém."

In DN online, 10/11/2009


Não partilho do cepticismo de José Manuel Canavarro relativamente à revisão do ECD e, em particular, ao fim da divisão entre titulares e não titulares, mas isso logo se vê se cai na negociação entre governo e sindicatos ou se é feito cair em legislação revogatória da Assembleia da República (pois, os partidos da oposição não assumirem este explícito compromisso eleitoral consubstanciaria o descrédito partidário e uma inqualificável macacada política, em que não acredito).
Todavia, congratulo-me e subscrevo, em absoluto, o princípio defendido por José Manuel Canavarro, de acordo com o qual ninguém deve retirar vantagens deste desacreditado processo avaliativo.
Trata-se, apenas de uma questão de sentido de justiça, de coerência e de bom senso básicos (algo que, entre nós, alguns, convencidos que assim levantam tapumes que lhes escondem as contradições, apelidam de radicalismo), pois não podemos sustentar que este processo de avaliação foi "uma farsa", "muito mau", "incompetente", "nada sério", "uma fantochada", "indigno", "absurdo", para, em simultâneo, não retirarmos destes qualificativos a única consequência decente que pode ser extraída: anular os efeitos de uma avaliação que não foi reconhecidamente séria e competente, atribuindo-se, excepcionalmente, a todos os docentes uma classificação administrativa de "Bom" que não os penalize e lhes permita progredir na carreira (restando ainda saber que carreira?).
Ou será que o nível de exigência dos professores já se acomodou aos critérios e à intencionalidade que tanto atacámos em Sócrates, que é fazermos de conta que a avaliação até pode diferenciar qualitativamente os professores mesmo que tenha sido ridícula, injusta e incompetente?
E é por tudo isto que, do meu ponto de vista, "suspender" é muito diferente de "substituir" e "recomendar" não é o mesmo que "revogar", sobretudo quando o destinatário último das recomendações é Sócrates, o qual em matéria de política educativa tem um passado (e um presente) que não aconselha a figura da recomendação, caso contrário não teria deixado apodrecer o ambiente na Educação, mantendo em funções uma equipa desastrada, assim como insistindo em medidas que todos, excepto ele próprio, reputam de erradas e injustas.


Por antecipação
Entretanto, espero, ainda hoje, ter tempo para escrever e divulgar um texto que contrarie a excitação, os equívocos, as lições de estratégia e as pretensas “mestre-alvices” finórias de muita luminária intelectual e moral que por aí pulula.

Obviamente, trata-se de conversas que, mesmo sendo privadas, têm relevância pública

A voz da razão
Obviamente, publique-se


O presidente do Supremo Tribunal anulou e mandou destruir as escutas entre Sócrates e Vara. Infelizmente, Noronha Nascimento não anulou nem destruiu as dúvidas do país sobre o conteúdo dessas escutas.
O problema, longe de ser legal, é agora político: pode um primeiro-ministro sobreviver ao clima de desconfiança que paira sobre ele? Um clima onde ‘tráfico de influências’ e ‘conspiração contra o Estado de Direito’ fazem parte da suspeição? A pergunta responde-se a ela própria: se Sócrates não esclarece coisa alguma; e se o Presidente junto do PGR, não parece interessado em avaliar a insanidade do regime, pondero seriamente se os jornalistas não deviam fazer serviço público e, caso as tivessem, que publicassem as conversas em falta. Seria um crime? Ainda que fosse, a história ensina que há crimes necessários para evitar crimes maiores.

João Pereira Coutinho, Colunista
In CM, 15/11/2009

Duas notas breves sobre a discussão que a questão das escutas incidentais ao primeiro-ministro está a suscitar (e que, ao contrário da pretensa escandaleira alimentada pelas vozes da depuração unidimensional da democracia e da ocultação/silenciamento dos actos dos poderosos, são um sinal de abertura, transparência e maturidade democráticas):
1- aqueles que, permanentemente, invectivam contra a lentidão da Justiça (e que, por norma, são os mesmos que reclamam um sem fim de garantias e estratégias dilatórias na defesa dos arguidos) devem estar, agora, entusiasmados com a incompreensível celeridade com que foi decidida a destruição dos registos das escutas a Sócrates, contra a opinião abalizada de muitos juristas, que consideram que as mesmas poderiam constituir importantes peças de defesa em eventuais processos que possam vir a ser desencadeados;
2- atendendo a que o juiz de instrução terá suspeitado (de acordo com o noticiado) da existência de ‘tráfico de influências’ e de ‘conspiração contra o Estado de Direito’, a destruição das gravações não anula as suspeitas, pois certamente as conversas não eram de lana caprina, mas teriam alegadamente relevância pública, sobretudo se versaram (como algumas fontes referenciaram) sobre aquisições na comunicação social, cujo resultado final foi a instauração de um paradigma de docilidade para com o primeiro-ministro, o que é uma interferência em favor próprio na vida política do país. Só há uma forma de eliminar as suspeitas sobre o carácter da intervenção do primeiro-ministro: publiquem-se as peças.
O país necessita de muita coisa, excepto de um primeiro-ministro sob permanente suspeita.

Dia 15 de Novembro: o que se escreve na Imprensa sobre Educação

Educação: Declaração de Isabel Alçada suscita controvérsia
Correio da Manhã - A ministra da Educação garantiu ontem que nem todos os professores serão avaliados no 1º ciclo avaliativo, como exigiam os sindicatos.

Ausência de avaliação para professores sem elementos “é uma ...
RTP - Quem o afirma é a ministra da Educação, quando questionada sobre a possibilidade de evitar a penalização dos profissionais que se excluíram do actual modelo.

Quem não entregou elementos de avaliação não será avaliado ...
LUSA - A ministra da Educação, Isabel Alçada, afirmou hoje que os professores que não entregaram os elementos de avaliação não serão...

Professores que não entregaram elementos de avaliação ...
Público - A ministra da Educação, Isabel Alçada, afirmou hoje que os professores que não entregaram os elementos de avaliação não serão avaliados, acrescentando que “não se trata de uma questão de penalização”, mas de cumprir a lei.

Sindicatos insistem no fim da divisão da carreira
Jornal de Notícias - O novo modelo de avaliação dos professores ea revisão do Estatuto da Carreira Docente foram ontem debatidos na reunião do Secretariado Nacional da FNE.

Portas acusa PSD de «ceder» ao PS na avaliação professores
Diário Digital - O presidente do CDS-PP acusou hoje o PSD de ter «cedido» ao PS na matéria da avaliação dos professores e recusou falar do «caso das escutas» alegando que o...

PS faz acordo com PSD sobre avaliação de professores
Diário Digital - O PS está disponível para votar a favor do projecto do PSD que propõe uma nova avaliação dos professores, segundo a edição deste sábado do I.

José Sócrates e Isabel Alçada: Diálogo na escola
Rádio Renascença - José Sócrates “vê com bons olhos” o recuo do PSD, que ontem abdicou de pedir a suspensão do modelo de avaliação de professores, ao contrário dos ...

Sócrates desmente acordo com PSD a propósito da avaliação dos ...
A Bola - José Sócrates desmentiu, este sábado, a existência de qualquer acordo prévio com o PSD relativamente à questão do modelo de avaliação dos professores.

'Centrão' chega a acordo sobre avaliação dos professores
A Bola - PS e PSD chegaram a um acordo sobre o modelo de avaliação dos professores. Os sociais-democratas deixaram cair a exigência da suspensão do actual modelo.

Novo modelo de avaliação dos professores tem que resultar de ...
LUSA - A FNE desconhece um eventual acordo entre o PS eo PSD para um novo modelo de avaliação dos professores, e sublinha que só estará de...

Educação: Sócrates diz ver "com bons olhos" o facto de o PSD ...
Expresso - (...) da tentativa de suspender " o actual modelo de avaliação dos professores, mas negou que exista um acordo com os sociais-democratas sobre esta matéria.

i: «Acordo entre PS e PSD. Avaliação dos professores vai avançar»
TVI - PSD deixa cair a suspensão da avaliação e o PS aprova a proposta laranja, que já foi entregue no Parlamento.

José Sócrates nega que tenha existido acordo com PSD ...
PUBLICO.PT - “Tanto eu como a senhora ministra da educação vemos com bons olhos o exercício de responsabilidade dos partidos que eliminam das suas recomendações a suspensão da avaliação dos professores”, declarou José Sócrates aos jornalistas no...

Sócrates vê "com bons olhos" o facto de o PSD "abdicar ...
Destak.pt - O primeiro-ministro disse hoje ver "com bons olhos" o facto de o PSD "abdicar da tentativa de suspender" o actual modelo de avaliação dos professores, mas negou que exista um acordo com os sociais-democratas sobre esta matéria.

Síntese a partir dos Alertas do Google

sábado, 14 de Novembro de 2009

Assim, dificilmente os portugueses levarão o PSD a sério!


video


Os professores não mereciam um PSD em risco de se ficar pela "poética dimensão da retórica" eleitoral.
É absolutamente incompreensível (é Sócrates que deve ser constrangido a perder a face e não, propriamente, o PSD – qual é a necessidade de dar a mão a Sócrates para se ficar sem a própria cara?) e injustificada (não mudou nada de substantivo em relação à semana passada) a pirueta que o PSD se prepara para ensaiar em matéria de avaliação dos professores, pois não há nada que sustente este volte face na posição do PSD, ainda por cima com a gravidade de se tratar da quebra de um compromisso eleitoral, que foi central na campanha deste partido, e que até ontem vinha sendo energicamente reafirmado.
É com incoerências desta natureza que se desacredita a política e que, infelizmente para a democracia portuguesa, se percebe a dificuldade que o PSD tem tido para reconquistar a confiança dos eleitores e, neste caso específico, dos professores.
Relativamente às declarações de Aguiar Branco (aqui no vídeo, mas repetidas nos órgãos de comunicação e ouvidas por mim, ao vivo, na audição pública promovida pelo PSD no dia 4 de Novembro), fica-nos agora a dúvida sobre quem se esconde atrás da retórica de circunstância ou sobre quem tem medo das decisões políticas sérias e a sério, preferindo no limite alienar as expectativas e a dignidade dos professores a jogadas palacianas, que certamente não envolverão feijões, embora se comecem a assemelhar a uma espécie de “feijoada” de interesses de bloco central.
Em contradição flagrante com a determinação evidenciada, no vídeo, pelo líder do grupo parlamentar, Aguiar Branco, surgem agora as inacreditáveis declarações do deputado Pedro Duarte.

Declarações do deputado Pedro Duarte (PSD):
- [O importante] "é que se esqueça o modelo de avaliação que vigorou até hoje e que foi muito mau em todos os aspectos para a dignidade dos professores e para o funcionamento das escolas".
- [A suspensão, neste momento] "não teria qualquer efeito prático nas escolas".
- "Para bem da serenidade e da estabilidade, faz sentido que rapidamente se conclua o que se tem de concluir deste primeiro ciclo avaliativo e que se parta imediatamente para um novo modelo de avaliação".

Estas declarações carecem de qualquer robustez argumentativa, assassinam princípios e suportam-se em equívocos. Ora, vejamos:
1) quem afirma que o modelo de avaliação em vigor (e que a ministra ainda hoje assegurou que não será suspenso) é “muito mau em todos os aspectos para a dignidade dos professores e para o funcionamento das escolas” e, além disto, aplaudiu, há pouco mais de oito dias, a certeira e lúcida “sentença” de Santana Castilho, de acordo com a qual o único destino possível deste modelo de avaliação é “o caixote do lixo”, não pode, em coerência, sancionar e aprovar as absurdas e ignóbeis diferenciações de pretensa qualidade entre professores que este modelo produziu, tal como expressas nas classificações de “excelente” e “muito bom”;
2) não se percebe que Pedro Duarte afirme que, neste momento, a suspensão “não teria qualquer efeito prático nas escolas”, quando até ontem se reconhecia que deveria ter, pois caso contrário o PSD e, em particular, Aguiar Branco, não a defenderiam publicamente. Mas, ao invés do que o deputado afirma, o facto é que a suspensão tem efeito prático, pois abre a necessidade de suspender e anular, quer as classificações obtidas em consequência da aplicação do modelo, quer a recusa em avaliar aqueles que corajosa e lucidamente não dobraram a espinha para implementar um modelo errado e injusto (os que tinham razão nas suas reivindicações é que serão penalizados?). E este é que é o ponto-chave, pelo que não o compreender é cometer um erro político de consequências desastrosas para o PSD;
3) por último, o deputado Pedro Duarte ainda não percebeu que não se pode “concluir” um processo avaliativo, cuja credibilidade as escolas e os professores não reconhecem e que inclui ou exclui da avaliação os professores de forma caprichosa e ao arbítrio do humor de cada director, violando-se grosseiramente o princípio de equidade (milhares de professores não entregaram os objectivos individuais, e alguns, como eu, nem a FAA, mas seremos avaliados, enquanto milhares de professores não serão avaliados pelo facto de não terem entregue os objectivos individuais, mesmo tendo entregue a FAA). As decisões discricionárias e as injustiças não se encerram assim. Nenhum professor partilha o postulado de Sócrates (nele, percebemo-lo bem), segundo o qual se torna preferível uma má e injusta avaliação a não haver nenhuma. Não haverá serenidade e estabilidade nas escolas até que se garanta que nenhum professor resistente ficará para trás, por ausência de participação numa farsa a que chamam avaliação, mas também que nenhum desertor ou oportunista obterá vantagens em termos de concursos ou carreira, por força de uma avaliação de “excelente” e de “muito bom”, conseguida em condições de completo descrédito, falta de transparência e ausência de competência/rigor avaliativo.
Se o PS já tinha perdido, irremediavelmente, a ligação afectiva de muitos milhares de professores, o PSD acaba, com esta quebra de compromisso, de garantir o mesmo resultado, afugentando do seu espaço político o grupo profissional dos professores.
Resta-nos a determinação e a coerência inamovíveis do CDS-PP, do BE e do PCP, mesmo que estes partidos da oposição não sejam suficientes para suspender, em sede parlamentar, o modelo de avaliação e todos os seus efeitos.
Se o PSD levar por diante a sua estratégia absurda de subserviência perante Sócrates (veja-se o ar de alívio e até de triunfalismo com que se apresentou hoje na inauguração de três escolas reabilitadas – aliás, repetindo a mesma receita propagandística de deslocação às escolas aos sábados, evitando a presença incómoda de professores e alunos), cometerá, do meu ponto de vista, um erro político gravíssimo, cujas consequências negativas para a imagem pública do partido (já se ouvem nas escolas as expressões “roer a corda” ou “os professores não pagam a traidores”) perdurarão por muitos anos.
Não é uma atitude séria, nem politicamente responsável, sancionar resultados e consequências que advêm de um aventureirismo avaliativo que se provou estar errado e ser injusto, de tal forma que hoje ninguém o defende.
De modo a não se impedir a progressão dos professores, noutra carreira que não esta dividida, só há uma solução honesta e autêntica: atribuir a todos os professores a classificação de Bom, até se definir um modelo exigente e justo, que permita uma verdadeira, rigorosa e transparente diferenciação qualitativa dos professores.
O PSD tem, além do mais, a responsabilidade acrescida de honrar o seu slogan “política de verdade”, uma vez que o que está em causa neste modelo de avaliação é uma política de aparência, de logro, de incompetência e de falta de seriedade. Alinhar nela, de qualquer forma, é morrer politicamente para os professores.
Assim, dificilmente os portugueses levarão o PSD a sério!

Vai tudo para o "maneta". Estranho, no mínimo!...



O Reitor Luís Arouca confirmou que alguns documentos do dossiê da licenciatura de Sócrates foram para o maneta (Ler AQUI)
O processo de construção e concessão da Estação de Resíduos Sólidos Urbanos da Associação de Municípios da Cova da Beira foi ilegalmente destruído em 2007 (Ler AQUI)
Documentos da casa da mãe de Sócrates perderam-se no notário (Ler AQUI)
Cerca de 75% dos arquivos da contabilidade do Freeport em Londres desapareceram num incêndio suspeito (Ler AQUI)

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Sócrates tem "a infelicidade de estar para as trapalhadas como o pólen para as abelhas"

Carta aberta ao primeiro-ministro José Sócrates
por João Miguel Tavares


Excelentíssimo senhor primeiro-ministro: Sensibilizado com o que tudo indica ser mais uma triste confusão envolvendo o senhor e o seu grande amigo Armando Vara, venho desde já solidarizar-me com a sua pessoa, vítima de uma nova e terrível injustiça. Quererem agora pô-lo numa telemovela - perdoe-me o neologismo - digna do horário nobre da TVI é mais um sintoma do atraso a que chegámos e da falta de atenção das pessoas para as palavras que tão sabiamente proferiu aquando do último congresso do PS: "Em democracia, quem governa é quem o povo escolhe, e não um qualquer director de jornal ou uma qualquer estação de televisão." O senhor acabou de ser reeleito, o tal director de jornal já se foi embora, a referida estação de televisão mudou de gerência, e mesmo assim continuam a importuná-lo. Que vergonha.
Embora no momento em que escrevo estas linhas não sejam ainda claros todos os contornos das suas amigáveis conversas, parece-me desde já evidente que este caso só pode estar baseado num enorme mal-entendido, provocado pelo facto de o senhor ter a infelicidade de estar para as trapalhadas como o pólen para as abelhas - há aí uma química azarada que não se explica. Os meses passam, as legislaturas sucedem-se, os primos revezam-se e o senhor engenheiro continua a ser alvo de campanhas negras, cabalas, urdiduras e toda a espécie de maldades que podem ser orquestradas contra um primeiro-ministro. Nem um mineiro de carvão tem tanto negrume à sua volta. Depois da licenciatura na Independente, depois dos projectos de engenharia da Guarda, depois do apartamento da Rua Braamcamp, depois do processo Cova da Beira, depois do caso Freeport, eis que a "Face Oculta", essa investigação com nome de bar de alterne, tinha de vir incomodar uma pessoa tão ocupada. Jesus Cristo nas mãos dos romanos foi mais poupado do que o senhor engenheiro tem sido pela joint venture investigação criminal/comunicação social. Uma infâmia.
Mas eu não tenho a menor dúvida, senhor engenheiro, de que vossa excelência é uma pessoa tão impoluta como as águas do Tejo, tirando aquela parte onde desagua o Trancão. E não duvido por um momento que aquilo que mais deseja é o bem do País. É isso que Portugal teima em não perceber: quando uma pessoa quer o melhor para o País e está simultaneamente convencida de que ela própria é a melhor coisa que o País tem, é natural que haja um certo entusiasmo na resolução de problemas, incluindo um ou outro que possa sair fora da sua alçada. Desde quando o excesso de voluntarismo é pecado? Mas eu estou consigo, caro senhor engenheiro. E, com alguma sorte, o procurador-geral da República também. Atentamente, JMT.

In DN online, 10/11/2009

Aí está uma faceta de Sócrates de que ninguém se havia apercebido

Clicar na imagem para ampliar
In Sol, 13/11/2009
Estou atónito com o inusitado desta revelação!