Um murro de Santana Castilho na consciência de Passos Coelho e da elite política "laranja" (18-01-2012): As "natas"

Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Mário Crespo formula as perguntas certas. A credibilidade da vida pública e a transparência do regime democrático exigem respostas claras

Perguntas

Porque é que o cidadão José Sócrates ainda não foi constituído arguido no processo Freeport? Porque é que Charles Smith e Manuel Pedro foram constituídos arguidos e José Sócrates não foi? Como é que, estando o epicentro de todo o caso situado num despacho de aprovação exarado no Ministério de Sócrates, ainda ninguém desse Ministério foi constituído arguido? Como é que, havendo suspeitas de irregularidades num Ministério tutelado por José Sócrates, ele não está sequer a ser objecto de investigação? Com que fundamento é que o procurador-geral da República passa atestados públicos de inocência ao primeiro-ministro? Como é que pode garantir essa inocência se o primeiro-ministro não foi nem está a ser investigado? Como é possível não ser necessário investigar José Sócrates se as dúvidas se centram em áreas da sua responsabilidade directa? Como é possível não o investigar face a todos os indícios já conhecidos? Que pressões estão a ser feitas sobre os magistrados do Ministério Público que trabalham no caso Freeport? A quem é que o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público se está a referir? Se, como dizem, o estatuto de arguido protege quem o recebe, porque é José Sócrates não é objecto dessa protecção institucional? Será que face ao conjunto de elementos insofismáveis e já públicos qualquer outro cidadão não teria já sido constituído arguido? Haverá duas justiças? Será que qualquer outro cidadão não estaria já a ser investigado? Como é que as embaixadas em Lisboa estarão a informar os seus governos sobre o caso Freeport? O que é que dirão do primeiro-ministro de Portugal? O que é que dirão da justiça em Portugal? O que é que estarão a dizer de Portugal? Que efeito estará tudo isto a ter na respeitabilidade do país? Que efeitos terá um Primeiro-ministro na situação de José Sócrates no rating de confiança financeira da República Portuguesa? Quantos pontos a mais de juros é que nos estão a cobrar devido à desconfiança que isto inspira lá fora? E cá dentro também? Que efeitos terá um caso como o Freeport na auto-estima dos portugueses? Quanto é que nos vai custar o caso Freeport? Será que havia ambiente para serem trocados favores por dinheiros no Ministério que José Sócrates tutelou? Se não havia, porque é que José Sócrates, como a lei o prevê, não se constitui assistente no processo Freeport para, com o seu conhecimento único dos factos, ajudar o Ministério Público a levar a investigação a bom termo? Como é que a TVI conseguiu a gravação da conversa sobre o Freeport? Quem é que no Reino Unido está tão ultrajado e zangado com Sócrates para a divulgar? E em Portugal, porque é que a Procuradoria-Geral da República ignorou a gravação quando lhe foi apresentada? E o que é que vai fazer agora que o registo é público? Porque é que o presidente da República não se pronuncia sobre isto? Nem convoca o Conselho de Estado? Como é que, a meio de um processo de investigação jornalística, a ERC se atreve a admoestar a informação da TVI anunciando que a tem sob olho? Será que José Sócrates entendeu que a imensa vaia que levou no CCB na sexta à noite não foi só por ter feito atrasar meia hora o início da ópera?
Nota: O Director de Informação da Antena 1 fez publicar neste jornal uma resposta à minha crítica ao anúncio contra as manifestações sindicais que a estação pública transmitiu. É um direito que lhe assiste. O Direito de Resposta é o filho querido dessa mãe de todas as liberdades que é a Liberdade de Expressão. Bem-haja o jornal que tão elevadamente respeita esse valor. É uma honra escrever aqui.

In JN, 30/03/2009

Sábado, 28 de Março de 2009

Charles Smith acusa Sócrates de corrupção. Afinal, não se trata de uma campanha negra da TVI. As peças existem mesmo!

Nota pessoal:
Independentemente da pretensa veracidade da acusação de Charles Smith, que apenas à Justiça compete apurar, é indiscutível a relevância jornalística desta peça.
O que se estranha é a catadupa de episódios em que Sócrates aparece, directa ou indirectamente, envolvido, alguns dos quais respeitam a condutas pouco abonatórias para a credibilidade do primeiro-ministro. Esta circunstância fragiliza, claramente, a autoridade e a respeitabilidade políticas de Sócrates, comprometendo, tanto a governação, como a imagem externa do país. Mesmo presumível inocente, o país merecia muito melhor!




Charles Smith acusa Sócrates de corrupção

Alan Perkins: O que desencadeou a acção da polícia? A queixa era sobre corrupção…
Charles Smith: O primeiro-ministro, o ministro do Ambiente é corrupto.
Alan Perkins: Quando tudo estava a ser construído qual era a posição dele?
Charles Smith: Este tipo, Sócrates, no final de Fevereiro, Março de 2002, estava no Governo. Era ministro do Ambiente. Ele é o tipo que aprovou este projecto. Ele aprovou na última semana do mandato, dos quatro anos. Em primeiro lugar, foi suspeito que ele o tenha aprovado no último dia do cargo… E não foi por dinheiro na altura, entende?Isto foi mesmo ser estúpido¿
Alan Perkins:Quando foram feitos os pagamentos? Como estava em posição de receber pagamentos se aprovou o projecto no último dia do cargo?
Charles Smith: Foram feitos depois. Ele pediu dinheiro a dada altura, mas não…
Charles Smith: João, foi aprovado e os pagamentos foram posteriormente?
João Cabral: Certamente… Houve um acordo em Janeiro. Eles tinham um acordo com o homem do Sócrates, penso que é em Janeiro.
Charles Smith: Sean (Collidge) reuniu-se com o tipo. Sean reuniu-se com funcionários dele, percebe? Sean e Gary (Russel) reuniram-se com eles.
Alan Perkins: Houve um acordo para pagar?
Charles Smith: Para pagar uma contribuição para o partido deles.
Charles Smith: Nós fomos o correio. Apenas recebemos o dinheiro deles. Demos o dinheiro a um primo¿ a um homem¿
Alan Perkins: Mas como o Freeport vos fez chegar esse dinheiro?
Charles Smith: Passou pelas nossas contas
Alan Perkins: Facturaram ao Freeport, ok?
Charles Smith: Ao abrigo deste contrato. Era originalmente para ser 500 mil aqui, desacelerámos, parámos a este nível, certo? Isso foi discutido na reunião, lembra-se? Ele disse: «Nós não queremos pagar». Se ler esse contrato, diz aí que recebemos três tranches de 50, 50, 50… Gary disse: «Enviamos o dinheiro para a conta da vossa empresa».

Fonte: TVI24

Terça-feira, 24 de Março de 2009

De embuste em embuste até à... consagração final! O país está doente e, como tal, aceitam-se terapias de choque. Antes que a coisa descambe!

clicar na imagem para ampliar

In Público, 24/03/2009 (Obrigado La Salette)

Nota pessoal:
Mais um episódio "absolutamente lamentável" da campanha negra contra Sócrates. Não é que agora são os maiores especialistas em energia solar que se juntam ao coro daqueles que não abdicam do seu espírito crítico e do imperativo de escrutínio dos actos públicos, engrossando a vaga persecutória a Sócrates?
Sócrates e alguns dos seus acólitos vão de falta de transparência em falta de transparência, de mentira em mentira, de lei injusta em lei injusta, de embuste em embuste, até à... consagração final!...
Definitivamente, o país está, gravemente, doente, pois não consegue libertar-se de um "tumor" que vai destruindo, com a cegueira de uns, a complacência de outros e o silêncio comprometido ou oportunista de uns poucos, os valores da confiança, da honestidade política, da transparência e da rectidão de procedimentos. Perante um corpo doente, aguarda-se uma terapia de choque à altura. Caso contrário, a coisa ainda descamba, pois começa a não haver pachorra para suportar tanta falta de seriedade política, por junto.
A vocação de Sócrates é mesmo vendas e telemarketing: foram os Magalhães com toda a desinformação e falta de rigor associadas, agora são os painéis solares que, pelos vistos, não o são bem, amanhã serão os carros eléctricos movidos a energia das ondas e, ainda, não perdemos a esperança de o ver a promover, numa Cimeira Europeia, o centrifugador de mel xpto, as alheiras de Mirandela, a aguardente de medronho do Algarve, os pitos de Vila Real ou a broa de Avintes.
Está encontrado o "Mourinho" das televendas. Tratando-se de um primeiro-ministro, é demasiado triste e degradante para ser verdade!

Domingo, 22 de Março de 2009

Ainda e sempre a campanha negra ou será cor de burro quando foge?

COR DE BURRO QUANDO FOGE

Vasco Graça Moura
A cada dia que passa, José Sócrates revela as suas fragilidades confrangedoras: é um político mal preparado e enviesado, capaz de má-fé e de manipulação sem limites, arrogante e vaidoso até se dizer chega, sem nenhuma espécie de consistência ou densidade.
Sempre que faz uma alusão a Manuela Ferreira Leite, mistura alhos com bugalhos e não tem escrúpulos em distorcer o sentido de coisas que ela tinha dito. Não se pode contar com ele para um debate sério e muito menos para um combate político leal. Isto, sem falar na falta de originalidade com que capricha em imitar servilmente as inanidades proferidas pelo seu homem de mão Augusto Santos Silva, apaniguado que passa a vida a acusar os adversários de um vazio de ideias do mesmo passo que demonstra que não está propriamente cheio delas.
O primeiro-ministro, rodeado por medíocres criaturas de indefectível servilismo, tem uma fatal vocação para desgovernar, duvidoso mérito emparelhado com medidas e promessas de "retorno absoluto garantido" sistematicamente furadas, entre mentirolas bombásticas e desculpas de mau pagador.
No último congresso do Partido Socialista, ele invocou matérias transcendentes, de suculenta e decisiva importância nacional, que o impediam de se deslocar a Bruxelas para participar na reunião informal de chefes de Estado e de Governo, retendo-o no meigo rebanho dos correligionários que tão acrisoladamente vai pastoreando. Pois aquelas matérias de coturno sublimado revelaram-se afinal tão obviamente "cagativas" que bastou um simples apagão para serem varridas de vez da ordem de trabalhos do conclave.
Sócrates proferiu então aquela frase estarrecedora e napoleónica, destinada a ser gravada a ouro nos manuais de ciência política do futuro ("a nossa legitimidade para estar na Europa começa aqui"). O mesmo sujeito enfático e verboso que se limitou a abordar o tempo de escolaridade e o ensino pré-primário como medidas salvíficas, largou ainda esta pérola requintada: "Aqui, reunidos em Congresso, o PS faz escolhas e toma decisões. É aqui que se discutem as ideias e as propostas políticas que apresentamos aos portugueses." E acrescentou, com aquela convicção feroz de quem se quer fazer passar por uma força da Natureza sem perceber que lhe falta o gabarito: "Nós debatemos, de forma aberta, franca e pública, os problemas do País e as respostas que são necessárias. E é disto que o País precisa e é isto que o País espera de nós. "Viu-se. Houve um debate copioso, aprofundado, fracturante e deveras ensurdecedor. Com tantas ideias e propostas discutidas, com tantas respostas lestas adoptadas, Portugal já não vai para o galheiro.
Faz dó. O PS tornou-se um partido cabisbaixo. E com o PS, o Estado português tornou-se calaceiro e caloteiro. O QREN vai com dois anos de atraso. O funcionamento da justiça pede meças à eternidade. O pagamento das dívidas do Estado às PME continua em ponto morto. Os nomes de amigalhaços e compadres surgem em constelação tentacular, ligados a negociatas e tranquibérnias. As iniciativas sérias, viáveis e eficazes, adequadamente dimensionadas para a natureza e gravidade dos problemas, continuam sem aparecer.
É o Portugal da meia bola e força no melhor das suas águas turvas: umas mediocridades absolutas, umas banalidades sem remédio, uma chocante falta de rigor, uma política trapalhona, uma manipulação permanente e videirinha, umas espertezas saloias, uma teia de rabos-de-palha ainda muito longe do esclarecimento necessário.
Sócrates está-se marimbando solenemente para tudo o que não seja a promoção desenfreada da sua enfatuada pessoa e a sua própria campanha eleitoral.
Incompetente para propor e desencadear quaisquer soluções sérias para o desemprego, a economia, a insegurança, a justiça, a educação, a saúde, etc., etc., é então que se lembra de introduzir o tema da campanha a que chama negra.
Ora quem tanto se autovitimiza com essa rábula da "campanha negra" fica reduzido a fazer, por sua vez, uma campanha cor de burro quando foge. Confere.
In Diário de Notícias, 18/03/2009
http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1174398&seccao=Vasco%20Gra%E7a%20Moura&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco

Nota pessoal (muito curta):
A prosa é dura, mas Sócrates tem-se posto a jeito e o PS tem revelado uma apatia e um acriticismo na forma como não se sabe demarcar de um homem e de uma orientação nada consonantes com os valores, os princípios e a tradição histórica do PS (excepção feita a homens como Manuel Alegre, João Cravinho, Henrique Neto, Ana Benavente ou Manuel Maria Carrilho).
Normalmente, estes erros estratégicos podem parecer que compensam no presente, mas pagam-se caro no futuro, quando se fizer a avaliação, já sem o medo de papões e fantasmas, do arrepiante contributo de Sócrates, e acólitos próximos, para a desqualificação da política, da escola e da democracia.

A escola e os ciganos ou um caso injustificável de segregação étnica

clicar na imagem para ampliar
In Público, 22/03/2009 (Obrigado La Salette)
Nota pessoal:
O caso dos alunos de etnia cigana de Barqueiros e da sua confinação a um único espaço (independentemente de não se tratar do espaço simbolicamente mais nobre da escola, o que também contribui para esvaziar o argumento da discriminação positiva) constitui um péssimo exemplo de convivência e integração intercultural, pelas razões a seguir aduzidas:
1) ao contrário da conceptualização corrente do fenómeno, remetendo-o para uma situação de discriminação, penso que se trata, claramente, de algo mais grave, configurando um caso de segregação étnica em contexto escolar, que ninguém aceitaria se estivessem em causa outros grupos ou outras especificidades (como mais e menos capacitados, mais e menos motivados, mais e menos problemáticos/violentos...);
2) a disparidade de idades (9-18) e de ritmos desenvolvimentais desaconselha a partilha do mesmo espaço, tanto pela exposição a mensagens e conteúdos que reclamam, mercê da idade, diferentes enquadramentos cognitivos e conativos, como pela amálgama de vivências, interesses, preocupações e, mesmo, tendências pró-sociais ou anti-sociais, com que cada um acaba por estar condenado a lidar naquele espaço de partilha;
3) para além do critério étnico (que não é aceitável na escola), não se percebe que outras razões presidiram à separação, pois se estivessem em causa as expectativas escolares, as competências ou as condutas destabilizadoras, então, não duvido que os grupos tivessem que estar misturados;
4) a manutenção/constituição de grupos demarcados, com a consequente visibilização das diferenças em termos de interesses e objectivos, tende a potenciar o afastamento e a conflitualidade entre os grupos (vejam-se as investigações de Sherif e, mais recentemente, de outros psicólogos sociais);
5) apesar de ter sido dada nota de que todos partilhavam o recreio (pois, mal seria que assim não fosse), parece não existirem projectos de cooperação supra-ordenada que permitam a atenuação de antagonismos e a construção de ligações para o futuro.
Em síntese, parece-me um caso paradigmático de solução cómoda para quase todos, excepto para o futuro daquelas crianças e jovens, pela perpetuação do segregacionismo, agora sancionado e certificado pela escola.

O menino de oiro não aprecia manifestações e Eduarda Maio também não. Ele há cada coincidência!...

clicar na imagem para ampliar
In Público, 22/03/2009 (obrigado La Salette)

Nota pessoal:
Afinal, Eduarda Maio limitou-se a debitar conteúdos definidos por outros. Eu bem que desconfiava!
Já escrevi, num post a propósito do miserável concurso de acesso a professor titular, que havia alguns jornalistas que se limitavam a fazer o papel de meros propagadores de ideias alheias, sem qualquer espécie de criticismo.
Compreende-se, agora, que os episódios menos transparentes e menos recomendáveis da vida de Sócrates (licenciatura, rasura de habilitações, casinhas, para só falar naqueles em que as evidências não deixam escapatórias) tenham passado despercebidos à grande biógrafa dos homens impolutos, pese embora a credibilidade que a presença de Dias Loureiro conferiu à coisa, refiro-me ao lançamento do livro.
A propósito, ninguém fala do sucesso de vendas do livro? Estarão à espera de algum relatório da OCDE que não deixe dúvidas sobre o impacto que a impressividade do fenómeno "Sócrates 2009" terá sobre as vendas da dita pérola literária? (correlação ilusória, antecipam as más-línguas conotadas com a campanha negra).
Relativamente ao spot publicitário da Antena 1, o argumento da ingenuidade invocado por Eduarda Maio, ainda é mais grave e mais decepcionante do que a suposta mensagem publicitária. Ele representa o descrédito da própria, mas também da figura do jornalista-papagaio.
Uma vez que Eduarda Maio confirma a responsabilidade da Administração na aprovação do conteúdo, de que estão à espera as entidades competentes para agir em conformidade?
Incomoda-me a submissão primária ao "dono", pois parece-me mais adequada a um qualquer instinto canino. E nem sempre!...
Por último, deixo um conselho a Fernanda Câncio: continue imperturbável a fazer jus ao seu apelido e não se deixe deprimir pelo ferruncho, pois esta é daquelas que se limitam a ler.

Sábado, 21 de Março de 2009

Silenciem tudo aquilo que noticia factos (isso mesmo, factos!) menos claros das decisões, da conduta e do carácter de Sócrates. Venezuelizem-nos, p.f.

TVI: Director-geral responde de forma dura a críticas de socialistas
Moniz admite guerra sem quartel se vir que membros da ERC são servos do poder
20.03.2009 - 09h40 Inês Sequeira, Luciano Alvarez

O director-geral da TVI, José Eduardo Moniz, reagiu ontem com duras críticas a um comunicado divulgado pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). A autoridade dos media portugueses informou estar a analisar "várias queixas" sobre "a alegada violação de princípios éticos ou legais" por parte do Jornal Nacional, transmitido às sextas-feiras pela estação televisiva de Queluz de Baixo, que nesses dias tem um registo diferente e é apresentado por Manuela Moura Guedes.
Moniz prometeu mesmo travar "um combate sem quartel" se os membros do conselho regulador da ERC, presidido por Azeredo Lopes, "alguma vez aceitassem ser cúmplices do amordaçamento da comunicação social ou servos do poder". Moniz diz recusar-se a acreditar que os responsáveis da ERC assumam esse papel, mas afirma que se tal acontecer "seria gravíssimo". Em causa está uma informação divulgada ontem à tarde pela ERC no seu site na Internet, em que lembra que "têm sido divulgadas na comunicação social várias opiniões que criticam, por vezes de forma veemente, alegadas violações graves de deveres éticos ou legais cometidos no Jornal Nacional de sexta-feira da TVI", e que acusam também a própria autoridade dos media de um "silêncio" que seria "incompreensível".
Entre as críticas que nos últimos dias foram lançadas, uma das mais duras foi a do deputado socialista e ex-secretário de Estado da Comunicação Social Arons de Carvalho, a propósito das notícias relativas ao caso Freeport: "Pior do que a revelação de documentos em segredo de justiça é a sua divulgação deturpada, como a TVI tem procedido grosseira e reiteradamente", acusou o antigo governante, num artigo de opinião publicado pela última edição do Expresso."
"Medíocres e ditadores"
"Bem sei", acrescenta, que "o Jornal Nacional das sextas-feiras é de tal forma primário e canhestro que se torna pateticamente ineficaz. Mas não deixa de ser confrangedor verificar que este estilo, onde o rigor é absolutamente inexistente, subsiste há meses perante o ruidoso silêncio da regulação e da auto-regulação do sector", escreveu o deputado socialista.
Moniz, no comunicado, responde, ainda que indirectamente, às críticas de Arons. E fá-lo de forma muito dura: "É apanágio dos medíocres, dos ditadores e dos que têm medo do jornalismo livre adaptarem os conceitos de ética e deontologia ao que lhes convém, torcendo e amarrotando pessoas a seu bel-prazer. Connosco não têm acolhimento essas práticas."
"Há quem, não conseguindo domar os jonalistas, acredite que o pode fazer instrumentalizando empresas e instituições, utilizando o poder de que dispõe", acrescenta.
E reage também às declarações que têm sido transmitidas na comunicação social por responsáveis do PS e do Governo, nomeadamente o ministro Augusto Santos Silva. "Há quem considere que em democracia é possível condicionar o livre exercício do jornalismo", diz. Moniz lança ainda um recado aos membros do executivo, ao afirmar que "mal iria a democracia, se por via administrativa alguém impedisse os jornalistas de exercer a sua actividade como deve ser".
Ler a notícia completa em http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1370067&idCanal=61

Nota pessoal:
À vampiragem do Estado, versão "eles comem tudo" (sugam é mais apropriado), segue-se o instinto controleiro do tipo "eles controlam tudo".
Desta vez, não está em causa o regular funcionamento das instituições democráticas? Quando, algures no passado recente, um secretário de Estado pretendeu interferir na política editorial de um canal de televisão, reclamando o contraditório, caiu o Carmo, a Trindade e o Governo. Agora, tenta-se condicionar descaradamente as opções informativas, quer seja pela via da "campanha negra", quer pelo recurso às anónimas virgens escandalizadas, e ninguém reage, nem se levanta o coro nacional dos intelectualóides abespinhados. É pena que o escancarado controlo da informação nos órgãos públicos de comunicação não lhes desperte o mesmo tipo de irascibilidade e de frigidez mental.
Alguns bem que gostariam de dispor de um país amorfo e acrítico, que não questionasse nada e se limitasse a acatar, piamente, a voz salvífica do grande líder ou a seguir, grato e embevecido, os seus passos a caminho do abismo moral (faltas à verdade, incumprimento de promessas e injustiças a rodos) e financeiro (experimentem fazer orçamentos familiares em que 97% do que ganham vá para pagar o endividamento e, a seguir, continuem a comprar ferraris e mansões, pois a partir de 2050 isso trar-vos-á lucro e felicidade).

Um país que não pode criticar as orientações seguidas pelo Governo (não há alternativas), que não deve discutir a crise, que não pode escrutinar os actos, as decisões e o carácter do seu primeiro-ministro, ainda é um país independente e soberano?
Em termos de tentativas de controlo da informação, todos conhecemos o processo do fecho da televisão privada por parte de Hugo Chávez, na Venezuela. Será caso para reabilitar o ditado "diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és"? É o velho problema das más companhias.
Ainda bem que existe a TVI, o Público, o Sol, o Correio da Manhã e outros que resistem ao instinto controleiro de alguns e à campanha daqueles que, ao arrepio da crueza da realidade, gostavam de pintar o país e alguns personagens em tons cor-de-rosa, colorações que, infelizmente, não comportam nem um, nem outros. Pois, caso contrário, ainda acordávamos todos, um dia destes, venezuelizados e a levar em cima com o diário do Governo todos os dias e na hora nobre das televisões.
A finalizar, duas notas incontornáveis:
1) se o jornal da TVI é "pateticamente ineficaz", então porquê tanto alvoroço e preocupação?
2) se os factos noticiados são falsos e ofensivos do bom nome e da honra de alguém, então, porque é que o visado não recorre aos tribunais?

Sexta-feira, 20 de Março de 2009

Mais um prego no caixão da desqualificação da escola pública e da falta de seriedade e exigência

Habla usted portunhol?

Já é constrangimento o sentimento dominante de quem tem que falar do actual Ministério da Educação. Lurdes Rodrigues e a sua inimaginável dupla de secretários de Estado, mais a famosa DREN, tornaram-se, com efeito, uma verdadeira mina para os jornais e para o anedotário educativo. E cronistas pouco imaginosos como eu têm a estrita obrigação de, no final do seu mandato, lhes deixar uma eternamente grata coroa de flores no assento etéreo onde subam (ou desçam, pois não se vê que possam subir mais, mesmo num Governo PS).
Agora é o secretário Valter Lemos substituindo-se às universidades e "profissionalizando" como professor de Espanhol qualquer diplomado em outro curso de línguas (e até em Antropologia ou Sociologia…) que se disponha a receber umas luzes de Espanhol simplex tipo Novas Oportunidades, talvez até por correspondência ou, quem sabe?, por fax. De uma penada, e por portaria, o secretário de Estado revoga o decreto-lei 43/2007 e a propalada "exigência" na formação dos professores e contribui para o enriquecimento curricular do Básico e Secundário com mais uma disciplina, o Portunhol.
http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=Manuel%20Ant%F3nio%20Pina

Terça-feira, 3 de Março de 2009

Sócrates estará para o apelo à moral na política como a Cicciolina está para a monogamia (J. M. Tavares, DN)

JOSÉ SÓCRATES, O CRISTO DA POLÍTICA PORTUGUESA
João Miguel Tavares
Jornalista - jmtavares@dn.pt

Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina. A intervenção do secretário-geral do PS na abertura do congresso do passado fim-de-semana, onde se auto-investiu de grande paladino da "decência na nossa vida democrática", ultrapassa todos os limites da cara de pau. A sua licenciatura manhosa, os projectos duvidosos de engenharia na Guarda, o caso Freeport, o apartamento de luxo comprado a metade do preço e o também cada vez mais estranho caso Cova da Beira não fazem necessariamente do primeiro-ministro um homem culpado aos olhos da justiça. Mas convidam a um mínimo de decoro e recato em matérias de moral.
José Sócrates, no entanto, preferiu a fuga para a frente, lançando-se numa diatribe contra directores de jornais e televisões, com o argumento de que "quem escolhe é o povo porque em democracia o povo é quem mais ordena". Detenhamo-nos um pouco na maravilha deste raciocínio: reparem como nele os planos do exercício do poder e do escrutínio desse exercício são intencionalmente confundidos pelo primeiro-ministro, como se a eleição de um governante servisse para aferir inocências e o voto fornecesse uma inabalável imunidade contra todas as suspeitas. É a tese Fátima Felgueiras e Valentim Loureiro - se o povo vota em mim, que autoridade tem a justiça e a comunicação social para andarem para aí a apontar o dedo? Sócrates escolheu bem os seus amigos.
Partindo invariavelmente da premissa de que todas as notícias negativas que são escritas sobre a sua excelentíssima pessoa não passam de uma campanha negra - feitas as contas, já vamos em cinco: licenciatura, projectos, Freeport, apartamento e Cova da Beira -, José Sócrates foi mais longe: "Não podemos consentir que a democracia se torne o terreno propício para as campanhas negras." Reparem bem: não podemos "consentir". O que pretende então ele fazer para corrigir esse terrível defeito da nossa democracia? Pôr a justiça sob a sua nobre protecção? Acomodar o procurador-geral da República nos aposentos de São Bento? Devolver Pedro Silva Pereira à redacção da TVI?
À medida que se sente mais e mais acossado, José Sócrates está a ultrapassar todos os limites. Numa coisa estamos de acordo: ele tem vergonha da democracia portuguesa por ser "terreno propício para as campanhas negras"; eu tenho vergonha da democracia portuguesa por ter à frente dos seus destinos um homem sem o menor respeito por aquilo que são os pilares essenciais de um regime democrático. Como político e como primeiro-ministro, não faltarão qualidades a José Sócrates. Como democrata, percebe-se agora porque gosta tanto de Hugo Chávez.
In DIÁRIO DE NOTÍCIAS



Nota pessoal:
Os ataques de Sócrates, de Santos Silva e de Silva Pereira à TVI constituem a mais desavergonhada tentativa de condicionamento da liberdade de imprensa e uma verdadeira campanha que visa silenciar a implicação de Sócrates em diversos episódios ou processos pouco claros, de molde a que não se apure nada e se abafe tudo que assuma alguma transcendência, como é habitual na democracia e na justiça portuguesa.
A carta rogatória e o seu conteúdo são uma invenção dos jornalistas da TVI?
Têm estes referido informação e factos que não estejam incluídos nos documentos apensos aos diferentes processos?
Se não têm, então os órgãos de comunicação têm o direito e o dever de divulgar informação que evidencie interesse jornalístico e relevância nacional. Ou a implicação (corresponda a mesma à verdade ou não corresponda - e é à justiça que compete apurar) de um primeiro-ministro em actos ou processos de legalidade ou moralidade duvidosa não deve ser divulgada e esclarecida?
Se os jornalistas caluniam e inventam, então, é simples, deixem-se de pressões populistas e movam-lhes os respectivos processos judiciais.
Tudo o resto é fumo para turvar a visão clara.

Segunda-feira, 2 de Março de 2009

Inactivados os dispositivos da discussão e da crítica, resta ao PS começar a construir o altar e genuflectir na presença do "querido líder"

Mas, sempre há "socrates2009"!
Isto é alguma campanha presidencial ou é a inspiração que vem da Venezuela? Que letargia tomou conta do PS para aceitar desaparecer por detrás de um cromo mediático designado por "socrates2009"?

Clicar na imagem para aumentar

In PÚBLICO (agradecimento à colega La Salette Loureiro)

O país em que a Justiça nada faz acontecer, excepto para os cirúrgicos bodes expiatórios, os pilha-galinhas ou os que lutam por princípios e valores

e claro, para aqueles que, ocasionalmente, estão na mira de uma ou outra "virgem púdica".
Um país de impunidade, desqualificado, acrítico, sem exigência, aquecido a fogos de palha e pasto suculento para os "chico-espertos".

Sensação de que nada acontecerá
00h52m
Está instalado no país um dorido sentimento de resignação de que nada vai acontecer nem no Freeport nem no BPN. Haverá cordeiros sacrificiais, mas que (para usar terminologia de offshore) estarão longe de ser os UBOs das fraudes.
Estão longe de ser os Ultimate Benificiary Owners porque o sistema em Portugal nunca chega, nem parece querer chegar, aos verdadeiros beneficiários do que quer que tenha acontecido a muitos milhões, entre bandos de flamingos desalojados para sempre do delta do Tejo, sobreiros seculares cujo abate é autorizado a peso de Euro e dinheiros partidários que têm circulado por blocos centrais de interesses desde o 25 de Abril. Mas como se fala em milhões de Euros sonegados e é cada vez maior a horda ululante de desempregados, precisa-se de bodes expiatórios para dar a imagem virtual de que, em Portugal, com bens públicos não se brinca. No Freeport, Charles Smith cumpre com o perfil para ser o primeiro imolado. Ver Mr. Smith a entrar e a sair do Tribunal de Setúbal entre câmaras de TV sugere que a justiça funciona. Depois, como é estrangeiro e é britânico, e como desde o Ultimato à Maddie em Portugal não gostamos dos Ingleses, Charles Smith é o suspeito perfeito para ser o corruptor num processo em que não há, e provavelmente nunca vai haver, corrompidos. Se os houvesse também pouco interessava. Em Portugal a corrupção detectada e não provada venera-se porque é sinal de esperteza. A bem investigada cai fora de prazo e deita-se fora. A apanhada em flagrante custa cinco mil Euros. No Banco Português de Negócios o bode que expia é Oliveira e Costa. A prisão preventiva dá a ilusão de que a justiça funciona mas o ameaçador mutismo do testa de ferro da bizarra construção de contabilidade prevaricadora grita acusações ao mais alto nível imaginável. A sua serena declaração de auto-incriminação (que é tudo o que realmente se sabe sobre Oliveira e Costa) é a mais ameaçadora postura na história portuguesa do crime sem castigo. Enquanto Oliveira e Costa se mantiver calado está seguro na zona dos privilegiados da prisão dos ricos. Quando falar (e ele acabará por falar), provavelmente, cai o regime. É materialmente impossível ser ele o único responsável pela infinita complexidade das urdiduras financeiras nos Second Lives do BPN e da SLN. Logo, ao assumir toda a culpa, Oliveira e Costa mente e encobre. Pelos montantes envolvidos ele não pode ter sido o único beneficiário dos dinheiros que saltaram continentes, vindos sabe-se lá de onde para a maior operação de Dry Clean na história de Portugal, e foram parar…sabe-se lá onde. O certo é que se traduziram em compras de poder e de influência que conseguem transtornar o normal funcionamento das instituições. O problema não é da justiça. Este Carnaval tivemos dois exemplos da celeridade vertiginosa com que o Ministério Público e a Polícia conseguem actuar quando querem. Num par de horas confiscaram, censuraram, ameaçaram, intimaram e intimidaram por causa de imagens de mulheres nuas apensas a um objecto de propaganda governamental e a um livro. Já no Freeport e no BPN, entre investigações, rogatórias e reguladores apáticos, os anos foram passando no dengoso bailado de impunidades rumo ao limbo de todas as prescrições. Hoje ficamos com aquela terrível sensação tão bem descrita por Torga, de que, apesar de estarmos todos a ver tudo nas angústias paradas da vida que não temos, nada vai acontecer.
In Jornal de Notícias