Um murro de Santana Castilho na consciência de Passos Coelho e da elite política "laranja" (18-01-2012): As "natas"

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

O caso Freeport: “onde há fume, há lume”

O COMBATE À CORRUPÇÃO

Artigos de Opinião
por Caseiro Marques

Não sei se o eng Sócrates tem ou não alguma coisa a ver com o caso Freeport. Não sei se ele se deixou corromper. Também não faço ideia se houve corrupção na aprovação das alterações que permitiram a construção do Freeport. Igualmente não posso afirmar que houve pressões sobre os magistrados que investigam o caso.
Ou se o ministro da Justiça tem alguma coisa a ver com o assunto. E se o correio dessas pressões do primeiro-ministro sobre a investigação, via ministro da Justiça, foi o Procurador que nos representa no organismo europeu que exactamente coordena a política criminal a nível de investigações de crimes transnacionais. Nada disso sabemos ao certo. Mas a verdade é que os indícios são extremamente fortes, as suspeitas são muitíssimo elevadas e os factos que as sustentam são compreensíveis, passíveis de terem originado a prática daqueles factos, pelos diferentes intervenientes.Apenas a justiça poderá, a final, dizer se a corrupção existiu ou não. Mas, como se diz na minha terra, “onde há fume, há lume”. E, assim sendo, algo de muito errado se está a passar, com o nível amoral a que a política e os negócios desceram em Portugal. Deste modo, o que sei é que, num país minimamente decente, à semelhança do que aconteceu com outras situações similares, o primeiro-ministro já se tinha demitido. O mesmo teria feito o ministro da Justiça, o tal procurador e seguramente outras pessoas envolvidas. Para que o país não se veja confrontado com situações de um qualquer governante europeu ou mundial estar a falar com um responsável governamental português sobre o qual recaem fortes suspeitas de ser corrupto; para que o nível de descrédito a que desceu a classe política em Portugal não se agrave ainda mais; para que os cidadãos deste país possam dormir tranquilos, tendo a certeza que quem os governa é gente decente, impoluta, preocupada com o seu bem-estar e com o bem comum de toda a comunidade, seria bom que todos eles tivessem, em tempo oportuno, apresentado a sua demissão.Assim, damos ao mundo uma péssima imagem daquilo que somos. Sócrates teria feito bem, se quisesse manter-se no lugar, ao menos pôr as suas contas bancárias e de todos os seus familiares à disposição do Ministério Público. Não o fez e temos o direito de pensar que ele nos esconde alguma coisa de grave. Sócrates não se pode comportar como um cidadão qualquer. Ele não é, ou não deveria parecer, um cidadão qualquer. Assim, somos levados a pensar que, de facto, Sócrates não passa de um cidadão vulgar.E isso não fica bem a um cidadãos que por acaso até é primeiro-ministro.E aqui o PS continua à deriva, parecendo também querer esconder alguma coisa ou proteger alguém. Daí a dificuldade em aceitar o fim do sigilo bancário em caso de suspeitas de enriquecimento ilícito. E daí também a sua dificuldade em avançar com a possibilidade de alguém ter de explicar a proveniência dos seus proventos, em caso de uma vida faustosa e de um património de que não se conheça a proveniência. Argumenta-se que se trataria da inversão do ónus da prova o que violaria a Constituição. Ora, em primeiro lugar, para grandes males, grandes remédios. E, em segundo lugar, há maneiras de evitar que a Constituição seja violada, pois é possível incriminar o enriquecimento ilícito, sem inverter o ónus da prova. Basta, para isso, como alguém escrevia há poucos dias, que o MP tenha de fazer a prova da ilicitude dos rendimentos, do património. E também do modo de vida desproporcional entre os proventos e aquele. E também a prova do enriquecimento se ter verificado aquando do exercício dos cargos políticos ou outros. O governo atira com o facto de na Europa os países não possuírem legislação idêntica. Só a França tem este crime na sua legislação penal. Mas não gosta este governo de ir à frente em tanta coisa que não acontece noutros países, mesmo europeus. E não estão sempre a dizer que temos, nisto e naquilo, uma legislação das mais avançadas do mundo? Então é mais uma oportunidade de mais uma vez darmos o exemplo e colocarmos Portugal na vanguarda do combate à corrupção, aliás, na linha do preconizado pelo ONU, que prevê este tipo de incriminação no combate à corrupção. Timidamente, o PS avançou com uma proposta que é manca, inconstitucional, no diz do PSD, provavelmente de propósito para que o Presidente da República a chumbe ou mande para o Tribunal Constitucional, assim se ganhando tempo.Isto depois de chumbar uma proposta do PSD. Mas sempre sobre a pressão dos outros partidos. E aqui honra seja feita ao BE e ao PC, a que seguiu o PSD. Aguardemos para ver no que tudo isto vai dar. Sócrates até pode ganhar as próximas eleições. O povo, bem ou mal, é quem manda. Mas, no final, todos ficaremos a perder com esta situação nebulosa, pantanosa em que, dia a dia, nos vamos atolando todos.

In Notícias de Vila Real, 21/04/2009
http://www.noticiasdevilareal.com/noticias/index.php?action=getDetalhe&id=5408

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Porque é que em vez de se exigir o completo apuramento da verdade no caso Freeport, se invectiva contra tudo e contra (quase) todos?

Em abstracto, a estratégia habitual para prejudicar o cabal apuramento da verdade passa, quase sempre, pela desqualificação daqueles que investigam, acusam ou denunciam. A fórmula é recorrente: PJ instrumentalizada; Justiça manipulada politicamente; jornalistas "maus". Então, fica a pergunta: quem está em condições de apurar a verdade? Talvez, o silêncio dos jornalistas "bons".

Os bons e os maus

Já há mais jornalistas a contas com a justiça por causa do Freeport do que houve acusados por causa da queda da ponte de Entre-os-Rios. Isto diz muito sobre a escala de valores de quem nos governa.
Chegar aos 35 anos do 25 de Abril com nove jornalistas processados por notícias ou comentários com que o Chefe do Governo não concorda é um péssimo sinal. O Primeiro-ministro chegou ao absurdo de tentar processar um operador de câmara mostrando que, mais do que tudo, o objectivo deste frenesim litigante é intimidar todos os que trabalham na comunicação social independentemente das suas funções, para que não toquem na matéria proibida. Mas pode haver indícios ainda piores. Se os processos contra jornalistas avançarem mais depressa do que as investigações do Freeport, a mensagem será muito clara. O Estado dá o sinal de que a suspeita de haver membros de um governo passíveis de serem corrompidos tem menos importância do que questões de forma referentes a notícias sobre graves indícios de corrupção. Se isso acontecer é a prova de que o Estado, através do governo, foi capturado por uma filosofia ditatorial com métodos de condicionamento da opinião pública mais eficazes do que a censura no Estado Novo porque actua sob um disfarce de respeito pelas liberdades essenciais. Não havendo legislação censória está a tentar estabelecer-se uma clara distinção entre "bons" e "maus" órgãos de informação com advertências de que os "maus" serão punidos com inclemência. O Primeiro-ministro, nas declarações que transmitiu na TV do Estado, fez isso clara e repetidamente. Pródigo em elogios ad hominem a quem não o critica, crucifica quem transmite notícias que lhe são adversas. Estabeleceu, por exemplo, a diferença entre "bons jornalistas", os que ignoram o Freeport, e os "maus jornalistas" ou mesmo apenas só "os maus", os que o têm noticiado. Porque esses "maus" não são sequer jornalistas disse, quando num exercício de absurdo negou ter processado jornalistas e estar a litigar apenas contra os obreiros dos produtos informativos "travestidos" que o estavam a difamar. E foi num crescendo ameaçador que, na TV do Estado, o Chefe do Governo admoestou urbi et orbi que, por mais gritantes que sejam as dúvidas que persistem, colocar-lhe questões sobre o Freeport é "insultuoso", rematando com um ameaçador "Não é assim que me vencem". Portanto, não estamos face a um processo de apuramento de verdade. Estamos face a um combate entre noticiadores e noticiado, com o noticiado arvorando as armas e o poder que julga ter, a vaticinar uma derrota humilhante e sofrida aos noticiadores. Há um elemento que equivale a uma admissão de culpa do Primeiro-Ministro nas tentativas manipulatórias e de condicionamento brutal da opinião pública: a saída extemporânea de Fernanda Câncio de um painel fixo de debate na TVI sobre a actualidade nacional onde o Freeport tem sido discutido com saudável desassombro, apregoa a intolerância ao contraditório.
Assim, com uma intensa e pouco frequente combinação de arrogância, inabilidade e impreparação, com uma chuva de processos, o Primeiro Ministro do décimo sétimo governo constitucional fica indelevelmente colado à imagem da censura em Portugal, 35 anos depois de ela ter sido abolida no 25 de Abril.

In JN, 27/04/2009
http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=M%E1rio%20Crespo

Domingo, 26 de Abril de 2009

Afinal, a banda não é só Xutos & Pontapés. Pelos vistos, também tem "traseiro", do tipo encolhido e ajustado ao plebeísmo "quem tem cu, tem medo"


Ou me engano muito, ou vai instalar-se por aí um "cagaço" medonho aos processos judiciais. Se for pela apreensão face ao pagamento das custas judiciais, acreditem que os não fãs de Sócrates se disponibilizam a organizar uma "vaquinha", com contabilidade organizada e sem recurso a off-shores, que ajude a suportar a coisa.
Parece-me que as pretensas estratégias intimidatórias, venham elas de onde vierem, começam a dar resultado: Smith começou por dizer que não disse o que disse, mas quando confrontado com as evidências da gravação, optou por reconhecer que tava a brincar, pá, pois é tudo mentira; lança-se para a comunicação social a suspeita que os magistrados estão a ser vigiados pela secreta, pois mesmo que o não estejam, isso já é suficiente para os atemorizar; agora, são as declarações de Zé Pedro ao semanário SOL a elogiar Sócrates e a desdizer o que afirmam na letra da canção "sem eira, nem beira", fazendo de todos nós um bando de iliterados e de parvos.
Sendo assim, a música "sem eira, nem beira" é, exactamente, o que o título significa, ou seja, não tem ponta por onde se lhe pegue, pois a valia da sonoridade suportava-se na mensagem veiculada, mas, pelos vistos, a letra está destituída de sentido. Pelo menos, o autor da letra que venha redimi-la do ridículo em que as declarações de Zé Pedro a colocaram.
Para uma abordagem fundamentada e demolidora destes incompreensíveis zigue-zagues, leia-se o excelente post de Mário Carneiro, no blogue O estado da educação e do resto.

O discurso de Cavaco Silva, na cerimónia do 25 de Abril, constituiu uma resposta inteligente à tentativa de condicionamento ensaiada por Sócrates

Além dos aspectos enfatizados pela comunicação social e pelas reacções dos dirigentes políticos, o discurso do Presidente da República [PR] encerrou duas mensagens direccionadas ao (des)Governo de Sócrates, ainda que, dissimuladas no embrulho da consensualidade e do “politicamente correcto”.
A mensagem mais incisiva prendeu-se com a forma habilidosa como, ao mesmo tempo, o PR contornou, tanto o condicionamento prévio agitado por Sócrates na pseudo-entrevista dada à RTP (o PR não iria ocupar o lugar da oposição), como a expectativa que os portugueses e os partidos da oposição vinham depositando no seu discurso do 25 de Abril, em termos de críticas ao (des)Governo. O forte apelo à participação nos três actos eleitorais que se avizinham não pode deixar de ser lido como um esforço para incentivar os cidadãos a canalizarem para o voto aquilo que é o seu desânimo e o seu cansaço face às promessas por cumprir, às políticas erráticas e à ilusão do virtual, à redução narcísica do cargo de primeiro-ministro, a estilos de actuação caldeados por arrogância, incompetência e injustiça, bem como ao clima de crispação que a personalidade de Sócrates instalou no país. Certamente, que o PR não deixará de ter presente que a mobilização eleitoral é sempre penalizadora do status quo, sobretudo, em momentos de dificuldades económicas, indignação e desencanto.
Ao mesmo tempo, o PR reenviou para os próprios portugueses a expectativa que estes colocaram na sua intervenção política, pois, em momentos eleitorais, o verdadeiro poder está nas próprias mãos daqueles que se revoltam, indignam, protestam ou discordam. A mensagem do PR foi, exactamente, no sentido de nos convidar a exercermos esse poder e a não o transferirmos ou alienarmos, nesta fase, a ninguém.
A este propósito, não podemos ignorar o quão o absentismo compromete a qualidade da democracia e veja-se como o próprio Sócrates, tão contestado por milhares e milhares de socialistas dos mais diversos âmbitos profissionais, foi reeleito secretário-geral do PS com uma votação esmagadora, mas de apenas pouco mais de 25% dos militantes socialistas.
A segunda mensagem reportou à limitação dos demagogos e dos arautos de promessas eleitorais que não podem cumprir. Olhe-se para o espectro político e ninguém tem dúvidas na identificação do alvo da mensagem, pois as tentativas de indução de amnésias colectivas não conseguem apagar as juras de criação dos “150 mil empregos”, baixa de impostos e outras que tais.
As críticas demolidoras a esta (des)governação, pretensamente, socialista já foram explicitadas inúmeras vezes pelo PR e traduzem-se nos quatro eixos seguintes: 1) falar verdade aos portugueses; 2) não agravar o já de si insustentável endividamento externo, comprometendo a margem de decisão e de actuação das gerações futuras; 3) acautelar a saída da crise em boas condições, uma vez que estas chuvas de milhões (é sempre a actuação mais fácil) não auguram nada de bom para o futuro; 4) acabar com o vergonhoso concubinato de interesses e com a opacidade entre alguns empresários e os gabinetes ministeriais (veja-se, a título de exemplo, o caso do negócio dos "Magalhães" sem concurso público).
Ainda queriam mais, neste cenário pré-eleitoral? Não me parece que, dado o respaldo popular que Sócrates ainda conserva, por força de uma máquina de propaganda nunca vista, o PR pudesse ir mais longe.
Como tal, não havia necessidade de o PR se tornar repetitivo nas farpas ao (des)Governo, evitando, assim, cair na ratoeira da fórmula "líder da oposição", lançada dias antes por Sócrates.
Com este PR, Sócrates não vai ter, como gostaria, pretextos para escapatórias desresponsabilizantes, nem mesmo para estratégias de vitimização. Belém não é uma boa via para esconder ou disfarçar fraquezas e incompetências próprias. As contas far-se-ão, no momento dos votos, com os portugueses enxovalhados pela arrogância pífia de Sócrates, com os portugueses desiludidos, com os portugueses descrentes neste tipo de fazer política, com os portugueses que viram as suas condições de vida piorar, por inacção ou omissão deste (des)Governo. O PR limitou-se a incentivá-los e a mobilizá-los para irem às urnas exercer, eles próprios, o seu poder. Convenhamos que já não é coisa de somenos.
Só não percebe quem não quer perceber.

Excelente crónica sobre as aversões de Sócrates às perguntas, ao jornalismo livre e ao país real

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In Público, 25/04/2009
Obrigado, La Salette

As guerras de Sócrates ou a repetição da velha fórmula: quando a mensagem desagrada procura-se eliminar o mensageiro

Ao contrário daquilo que Sócrates afirmou na entrevista "encomendada" à RTP, não foram processados cidadãos que o difamaram, mas jornalistas que, no exercício da sua actividade profissional, divulgaram factos, emitiram opiniões ou empreenderam deduções sobre os dados ou as informações em seu poder. São as peças jornalísticas, boas ou más, que desencadearam as reacções intempestivas e desproporcionadas de Sócrates, uma vez que o apuramento de difamação não cabe a Sócrates, mas aos tribunais, ou seja, é uma possibilidade final e não um dado de partida. Em que posição fica o primeiro-ministro face à liberdade de imprensa se, à semelhança do que ocorreu com o autor do blogue Portugal Profundo, os jornalistas forem ilibados do crime de difamação?
Mas, o mais caricato da entrevista de Sócrates foi a distinção que empreendeu entre o "mau" jornalismo e o "bom" jornalismo (porventura, apenas contribuindo para afundar mais o Diário de Notícias), como se o país estivesse minimamente interessado nos seus (in)suspeitos gostos jornalísticos, em função de pouco mais do que critérios de incomodidade e de bajulação.
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In Público, 24/04/2009
Obrigado, La Salette

Sábado, 25 de Abril de 2009

Não se recomenda, mas tem piada: "Quem tem boca... vaia Sócrates"

Embora as vaias e o folclore de rua não se enquadrem no estilo que privilegio quando se trata de manifestar a minha indignação e a minha oposição às políticas educativas conduzidas por Sócrates, preferindo a força dos argumentos, confesso que achei piada à nova versão de um conhecido ditado popular. Assim sendo,
QUEM TEM BOCA... VAIA SÓCRATES

Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Existem lugares mais apropriados para fazer psicanálise do que um estúdio de televisão: quando o passado nunca mais parte e o futuro nunca mais chega!

Artigo lúcido de Helena Matos, relativamente ao qual destaco as seguintes ideias-força: Portugal está, neste momento, sem Governo; José Sócrates, justa ou injustamente, está refém do seu passado; confrontamo-nos com uma legislatura falhada, feita de obras virtuais, leis apressadas e atabalhoadas, futuros inventados e hipotecados. A análise e o balanço são cruéis, mas, simultaneamente, são certeiros.

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In Público, 23/04/2009
Obrigado, La Salette

Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

José Eduardo Moniz não aceita "recados" de Sócrates e reagiu com a firmeza e a classe que outros querem aparentar, mas não possuem

José Eduardo Moniz é um homem corajoso que não se deixa atemorizar com intervenções pretensamente intimidatórias e com processos judiciais que, no limite, visam condicionar as agendas jornalísticas e a liberdade de expressão e opinião.
Como José Eduardo Moniz há muitos portugueses que não têm medo de Sócrates, por mais poder e ares de irascibilidade que aparente.
O que, verdadeiramente, preocupa Sócrates é a circunstância de o Jornal da TVI ser, à sexta-feira, o mais visto, podendo tal procura ser sintomática do cansaço que as pessoas sentem face a um Governo e a um primeiro-ministro arrogantes, que fazem da propaganda e do exercício auto-laudatório o manto com que escondem a inépcia, tanto para enfrentar problemas e situações, como para cumprir metas e promessas.
Se as pessoas não apreciassem os factos relatados pela TVI, certamente, optariam por seguir linhas editoriais mais dóceis e subservientes.



Ler também:
Entrevista de José Sócrates à RTP - Coacção sobre arguidos e testemunhas em directo na RTP
http://josemariamartins.blogspot.com/

O discurso do primeiro-ministro está desfocado da realidade. Acrescento que o tom arrogante e irascível do mesmo não é aconselhável em tempos de crise

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In Público, 22/04/2009
Obrigado, La Salette

Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

A minha síntese telegráfica da entrevista de Sócrates


Jornalistas: mansinhos, generalistas, pouco assertivos e, em alguns períodos da entrevista, intimidados;
Sócrates: repetitivo, esgotado, crispado, defensivo, ameaçador, arremedos de "Cristo". Quase tudo impróprio para um primeiro-ministro.
Posicionamentos de Sócrates relativamente a alguns temas:
1. Estratégia de condicionamento das intervenções futuras do Presidente da República (apreensão face à "pedaleira" da bicicleta de Cavaco Silva);
2. Em relação à crise, nenhuma responsabilidade e nenhuma memória dos avisos que a oposição e outros agentes foram fazendo, tão entretido andava a vender ilusões;
3. Sobre a saída da crise e o futuro nenhuma ideia mobilizadora (um deserto);
4. Situação do país: a cassete e a propaganda habituais;
5. Caso Freeport: recurso ao argumento, nada convincente, da campanha política e tentativa de estancar a abordagem pública do caso pela via dos processos judiciais contra jornalistas e do semblante ameaçador;
6) Silenciamentos comprometedores relativamente à Educação, à Justiça e à Segurança (políticas falhadas).

Terça-feira, 21 de Abril de 2009

Mário Crespo: "O DVD do Freeport é o equivalente às gravações do Watergate que fizeram cair Nixon"


Notícia é só aquilo que alguém quer esconder

A noite de sexta-feira foi frenética nas redacções por todo o país. Às 20 horas, a TVI mostrou a gravação onde Charles Smith é, pela primeira vez, visto e ouvido a descrever um acto de corrupção no licenciamento do Freeport. Um por um, jornais, rádios e TV tentaram obter comentários do gabinete do primeiro-ministro. Tornou-se clara a linha oficial de controlo de estragos dos operadores de média do Governo: nada havia de novo na transmissão da TVI, o primeiro-ministro considerava falsas as afirmações feitas no DVD e tencionava processar quem o tinha difamado.
Com mais ou menos emotividade e calor, os assistentes do primeiro-ministro contactados mostraram também o seu desagrado pelas intenções da Comunicação Social de considerar o DVD da TVI peça importante na cobertura noticiosa do caso Freeport. É de facto muito importante. O DVD do Freeport é o equivalente às gravações do Watergate que fizeram cair Nixon. Foi na consciência disso que, para desgosto dos conselheiros de São Bento, vários órgãos de Informação optaram por reproduzir excertos do scoop da TVI. Outros não. Todos estão no pleno direito de exercer o seu juízo editoral.
Assim, nos dias seguintes, quem passasse os olhos pelos jornais, ouvisse rádio ou seguisse a TV, inevitavelmente seria informado da notícia que a TVI tinha originado. A liberdade de expressão funciona assim, validando-se nesta diversidade de opções que serve o interesse público. O fundamental é que o continue a fazer em total liberdade porque, com os casos do Freeport e do BPN em roda livre e manifestamente longe de uma conclusão, há incógnitas e suspeitas transversais a todo o Estado, e a democracia tem-se vindo a esboroar. Isto não é uma só questão filosófica. É contabilística também. Os economistas sabem projectar os custos da corrupção no quotidiano das dificuldades dos portugueses. Neste mundo do dinheiro público aplica-se muito bem a lei da química de Lavoisier - nada se cria nem se perde, tudo se transforma. O problema está nessa transformação. Se no Freeport ou no BPN alguém fica com dinheiro subtraído aos lucros dos promotores, ele não entra nos impostos e não se transforma em bem-estar social. Os roubos já conhecidos no BPN (mais de dois mil milhões) e os quatro milhões que a Freeport detectou que tinham desaparecido das contas do seu investimento em Portugal deviam ter passado pelo circuito fiscal e ter sido transformados em bem-estar geral nacional. Foi dinheiro do Estado que foi roubado e, se não fosse a Comunicação Social com os seus exageros e exactidões, a sua pluralidade e o seu sectarismo, a sua independência e o seu clubismo fanático, por vezes tudo manifestado na mesma publicação, nada se saberia e o país empobreceria ainda mais depressa. Claro que é preocupante ter a democracia de um Estado dependente de um só sistema, aparentemente tão frágil e anárquico. Mas neste momento é o que nos resta. Entre segredos de justiça e segredos cúmplices, o Estado tem-se vindo a desrespeitar. O DVD do Freeport foi escondido durante anos, ocultando a verdade ou parte dela. Cinco processos judiciais contra jornalistas depois, é conhecido. Nada pode ficar como dantes. Como Bob Woodward disse, "notícia só é aquilo que alguém quer esconder. Tudo o mais é publicidade".
Há demasiada publicidade em Portugal.

In JN, 20/04/2009
http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=M%E1rio%20Crespo

Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

Depois da campanha negra vem aí o recadismo, o botabaixismo, o remoquismo e outros pecadilhos de quem não enxerga o país virtual de Sócrates

São cada vez menos os portugueses que vivem no país de Sócrates. A realidade concreta é uma coisa, o ilusionismo e a virtualidade do discurso socrático é outra, bem distinta.
Como Sócrates confessou não apreciar recados, talvez tenha chegado a hora de Cavaco Silva falar de forma clara, directa e grossa.
Ou não tem legitimidade institucional e democrática para o fazer?

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In Público, 19/04/2009
Obrigado, La Salette

Nós, Europeus Menos

Como interpretar o recentramento do discurso de Vital Moreira exclusivamente na Europa, quando, em 2004, desvalorizava as eleições europeias e a relevância das instituições da Europa?
Como se infere do seu texto de 2004, é caso para perguntar: o que vai Vital Moreira fazer para o Parlamento Europeu?
A 9 de Março de 2004, no artigo "Europa menos", do 'Público', Vital Moreira justificava a elevada abstenção registada em Portugal nas eleições europeias pelo facto de o Parlamento Europeu não ser importante para definir a política comunitária, nem para escolher a Comissão Europeia.
Atente-se nas afirmações de Vital Moreira:
"As eleições nacionais servem para escolher o Governo, tendo-se uma percepção de que podem ser decisivas para a escolha das orientações políticas. No caso do Parlamento Europeu, porém, nenhuma dessas condições se verifica".
"Apesar do sucessivo alargamento das suas competências, a escolha do Parlamento Europeu não determina nem as linhas de orientação política na Europa nem quem a governa".
"A linha política do governo europeu depende tanto ou mais das eleições nacionais do que das europeias".
Como tal, o repto de Paulo Rangel para que se discutam as questões e os temas nacionais na campanha para as eleições europeias, não só faz todo o sentido, como corresponde, integralmente, ao pensamento de Vital Moreira.
Ou será que as declarações de 2004 emergiram de uma qualquer "excitação juvenil" fora da idade?

Domingo, 19 de Abril de 2009

Vídeo exibido pela TVI: o caso Freeport descrito por alguns dos seus protagonistas

Os portugueses só esperam que, neste caso, a Justiça não seja cega, nem surda, nem muda, independentemente de quem esteja ou não esteja, de facto, envolvido no esquema. O que se fizer ou não fizer com as informações avançadas no vídeo, nomeadamente, em termos da necessidade de ouvir as pessoas acusadas na peça e de escrutinar, com rigor, todos os seus movimentos de contas nos anos de 2002 e de 2003, vai ser determinante para a credibilização da Justiça portuguesa e para a solidez do regime democrático.
Os portugueses já perceberam que as declarações de Charles Smith não são um absoluto devaneio ou a total construção de uma mentira, dado que não é pura invenção, nem campanha montada, a implicação de familiares de Sócrates, pois algum tipo de participação já foi admitido, publicamente, pelo tio do primeiro-ministro. O que está em causa é, tão-só, apurar a extensão e a gravidade deste envolvimento.
É imprescindível que o Ministério Público investigue todas as informações e todas as pistas disponíveis, sem receios nem tibiezas, no sentido de confirmar ou infirmar a veracidade das mesmas. Será pedir muito?


Recuperação de uma crónica incómoda para que não caiam no esquecimento ou se apaguem as tristes histórias

Mais do que "cabala", trata-se de "acabá-la". Isso mesmo, levar a investigação até ao fim, com rigor e transparência.
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Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

O vídeo dos Xutos, agora acompanhado com o clip de imagens da TVI, merece reposição, mais assim a modos de "sem montado, nem Beira" (tradução livre)

É sempre reconfortante ouvir esta canção de intervenção da melhor banda rock portuguesa e que, ou me engano muito, ou vai fazer furor nos tempos mais próximos, pois trata-se de uma mensagem eficaz que vai penetrar em públicos, onde nenhuma oposição chegaria. Adivinham-se tempos conturbados e preocupações acrescidas para Sócrates e o seu Governo das Aparências.

Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

É a justiça, estúpidos

Quando a preocupação de alguns é preservar aqueles que parecem estar acima da lei (pelo menos não escondem o embaraço e a paralisia que algumas situações lhes causam) e o enfoque de outros é situar a investigação judicial acima de querelas político-partidárias, o nosso sistema de justiça mostra-se abaixo da moral e da sensibilidade ao sofrimento profundo das pessoas.
Os familiares das vítimas da queda da ponte de Entre-os-Rios perdem os seus entes queridos em condições trágicas (alguns nunca chegaram a recuperar os corpos), assistem à impotência e ineficácia do sistema de justiça para encontrar os responsáveis pelo estado de deterioração a que deixaram chegar um equipamento público (a partir de determinados níveis, os cidadãos habituaram-se a constatar que a culpa morre sempre solteira) e, como se isto não fosse suficientemente dilacerante, são agora confrontados com a indecência moral de terem que suportar as custas judiciais, num valor exorbitante de meio milhão de euros.
Se o Estado cobrar e receber este dinheiro, pelo menos que o canalize para ajudar o BPN ou o BPP, pois aí a falta de vergonha torna-se completa.
Definitivamente, há qualquer coisa neste regime que está moribundo e ameaça ficar putrefacto.
Por mais empatia que possamos ter, é impossível imaginarmos o nível de revolta e repugnância que toda esta situação deve causar aos familiares das vítimas.
É possível pedir uma nesga de respeito e de sentido de vergonha a quem de direito?!

Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

O Magalhães já inspira a música nacional e, pela amostra de qualidade de algum software, não tardará a converter-se num objecto "pimba" de culto

Excelente proposta musical para animar os comícios do PS de Sócrates, no verão quente de 2009.

Helena Roseta (à semelhança de Manuel Alegre) também nos acompanha na rejeição do gosto pelas fardas cor-de-ridículo

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In Público, 14/04/2009
Obrigado, La Salette

Grande crónica neo-orweliana contra as pressões para se ficar de bico calado. A ser lida também por Marinho Pinto, falador-mor que defende o silêncio

2009

"Estava um dia frio e límpido de Abril e os relógios batiam treze badaladas" e eu dei comigo a pensar: 'Se calhar o melhor é passar um pano encharcado em creolina sobre isto tudo e deixarmo-nos de coisas porque a melhor política é o trabalho e qualquer dia… toca-me a mim'. Do Ministério do Amor já tinham vindo sérias admoestações. Recordam-se do zelador da justiça que, questionado por um jornalista mais impertinente sobre se o "Grande Irmão" poderia ser constituído arguido, respondeu: "Olhe, até você pode ser constituído arguido"? E não é que foi mesmo! Só na última semana foram uns três! Tudo isto para que não haja dúvidas que na "Oceânia", como foi dito, "não é qualquer director de Jornal com as suas campanhas" ou "uma qualquer televisão quem governa". Quem governa na Oceânia é "quem o povo escolhe". Por isso, estes três (e brevemente serão mais) obviamente foram entregues ao Ministério do Amor (um deles já foi ouvido) e agora vão de certeza parar à Sala 101 onde "confrontarão os seus piores receios" até aprenderem a amar sem reservas quem tanto bem lhes faz e a quem tanto devem. Tem que haver uma punição exemplar por esta ingratidão dos que não reconhecem o imenso trabalho que tem sido feito pelo Ministério da Abundância na "distribuição de rações". Como é que os amigos não os denunciaram (como foi feito, e bem na DREN)! Então o Ministério da Verdade não tinha já decidido dar mais um ano de completo bico-calado sobre tudo! E eles (e elas) a pisar cada vez mais o risco contando coisas! Falam de pressões sobre o próprio Ministério da Verdade! Subornos no Ministério da Abundância e, sacrilégio ultrajante, sugerem que há corrupção a alto nível! Qual nível? Ao nível do topo do "Partido Interno"! Como é que se pode dizer uma coisa destas e esperar fazê-lo com impunidade, aqui na Oceânia onde a Abundância é inigualável, e a paz e a justiça nas ruas é garantida por dez mil novos disparadores Glock-19 de 9mm! O Ministério da Verdade já exortou à serenidade com um brilhante anúncio na Rádio e na TV informando que as manifestações de rua são "contra" os cidadãos. E eles não quiseram acreditar! E mesmo no Período do Grande Silêncio decretado pelo Ministério da Verdade divulgaram coisas como se quem mandasse na Oceânia fosse um "qualquer Director de Jornal com as suas campanhas" ou "uma qualquer televisão", quando todos sabemos que quem manda é "quem o povo escolhe". Por isso vamos passar a esfregona bem encharcada em creolina sobre tudo isto e, com o Grande Silêncio garantido pelo Ministério da Verdade, com os desviantes na "Sala 101" a aprenderem a estar calados quando os mandam, o povo sereno votará e escolherá quem quer que continue a mandar na Oceânia. As listas para o "Partido Interno" já estão quase prontas. Depois vêm as do "Partido Externo". Nessas, os descontentes ao verem como ficam os jornalistas que o Ministério da Verdade vai levar à Sala 101, aceitarão de vez o Grande Silêncio e terá "chegado o grande momento. Salvar-nos-emos, seremos perfeitos."
PS: As frases entre aspas, mais inspiradas, são do 1984 de George Orwell. As menos inspiradas são de 2009. Quanto ao mais, como Marx diz no Capital, "muda-lhes os nomes e esta é a tua história".

Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

Por detrás do deslumbramento tecnológico e dos Magalhães a pataco esconde-se um fenómeno de subnutrição de crianças que devia envergonhar o Governo

A subnutrição de crianças é um murro no estômago de qualquer governante, quanto mais no peito arrogante daqueles que sacrificam a assunção e o enfrentamento da realidade difícil de muitos portugueses aos seus projectos de vaidade, infalibilidade e poder pessoal.
O Director Geral de Saúde vem alertar para o fenómeno dramático e a ministra da Educação considera alarmismo.
O Procurador Geral da República chamou a atenção para a violência e a insegurança nas escolas e a ministra da Educação desvalorizou.
Os estudantes universitários estão a abandonar os estudos e o Governo finge não ver.
As Universidades estão a braços com uma crise financeira gravíssima e o ministro da Ciência e Ensino Superior diz que está tudo resolvido.
As falências de empresas são em catadupa e continuam-se a anunciar milhões que não chegam a tempo.
O desemprego aumenta galopante e a resposta é inventar formações para encobrir estatísticas.
Muitas intervenções do Governo em empresas e sectores de actividade estão a ser um fiasco (Qimonda, Minas de Aljustrel...).
Existe em tudo isto uma dissociação e um afastamento do Governo em relação à realidade quotidiana que começam a prefigurar irresponsabilidade política, enquanto o primeiro-ministro se vai recreando com acções de propaganda pelo país, ensaiando inaugurações de meias obras e de intervenções de micro-escala.
Uma tristeza!
Por uma vez, deixem-se de gestão de aparências e de protagonismos que não têm, assumam a realidade que existe e transfiram o foco da atenção para o empenho e o trabalho dos portugueses. Valorizem o trabalho das pessoas, ao invés de o denegrirem, como fizeram com muitas classes profissionais.
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In Público, 13/04/2009
Obrigado, La Salette

A crise como ela devia ser explicada a financeiros, gestores, economistas e políticos. Simplicidade genial!

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Obrigado, Luísa

Os governantes corajosos vão às escolas aos fins-de-semana e nos períodos de férias

Na impossibilidade, porque o ridículo faz mossa na imagem, de se continuar a enveredar por encenações, como a descrita na imagem ao lado, opta-se por visitar as escolas em períodos de interrupção das actividades lectivas, evitando-se o inconveniente de ter que enfrentar professores e alunos reais, daqueles que existem mesmo nas escolas.
Repetiu-se esta estratégia, hoje, na visita às Escolas Secundárias Carolina Michaëlis, Rodrigues de Freitas, Aurélia de Sousa, todas no Porto, e José Régio, em Vila de Conde.
Assim, nenhum professor ou nenhum aluno aproveita a presença da titular do ME e do primeiro-ministro para mostrar o seu descontentamento face às políticas educativas de fachada e aos ataques à Escola Pública levados a cabo por este Governo.
De facto, em tempo de férias as escolas estão abertas, decorre tudo na maior tranquilidade, os docentes estão confortáveis e reina uma normalidade imperturbável.
Estão garantidas as aparências e evita-se a urticária que os professores desencadeiam em MLR e em Sócrates.

Mais força para lutar... contra as injustiças, as desigualdades, os enriquecimentos ilícitos, as promessas por cumprir, as licenciaturas manhosas...

Grande contributo dos Xutos & Pontapés para a denúncia da actual situação do país e, espera-se, para o lento despertar de um país conformista e amorrinhado que, tantas vezes, esmorece na sua força de lutar e se torna refém de cálculos mesquinhos que levam os indivíduos a soçobrar na afirmação da sua dignidade pessoal e profissional, apenas com o intuito de ir garantindo a sua "vidinha" de pequenas e soturnas vantagens.
Esta música é, certamente, uma lição de combatividade para muitos!
Mas, também é mais um tributo ao "ingenheiro" que nos (des)governa e que se acrescenta à "balada das promessas por cumprir" de Rui Veloso (ver e ouvir aqui).
Enquanto não consigo o clip de imagens que a TVI associou à música (outras montagens mais cruéis e com algumas associações que não subscrevo, podem ser vistas no YouTube), aqui fica o hino da indignação.


Sábado, 11 de Abril de 2009

Nunca uma pergunta tão simples causou tanto incómodo: donde vieram os cabritos?

De que tem medo o PS?
O PS tem um problema com a corrupção que, sendo o PS Governo, se torna um problema do país. Sempre que o tema vem à baila, designadamente na AR, o PS mostra-se patentemente incomodado, e tal incómodo manifesta-se numa torrente de palavras e declarações de intenção que, por um motivo ou por outro (e pode legitimamente recear-se que seja por outro), nunca se traduz em actos. Paralelamente, se hoje, em Portugal, é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um corrupto ir parar à cadeia, isso deve-se fundamentalmente a um Código Penal aprovado pelo PS. Ao mesmo tempo, o deputado socialista que mais batalhou por eficazes leis anti-corrupção passou a… ex-deputado.
Agora é o enriquecimento ilícito de titulares de cargos públicos. Os portugueses habituaram-se a ver gente que ocupa ou ocupou lugares de decisão política aparecer a vender cabritos sem ter, que se saiba, cabras e pareceria natural que a lei lhe perguntasse (como já faz no domínio fiscal) donde vieram os cabritos. O PS acha a pergunta imprópria, e nem permite que o TC se debruce sobre ela. Que hão-de pensar os portugueses?
In Jornal de Notícias, 10/04/2009

Que espécie de trauma ou complexo está por detrás destas motivações? Respeite-se o direito de personalidade ou opte-se por uma farda cor-de-ridículo

A funcionárias de Loja do Cidadão
Estado proíbe minissaias e decotes
O uso, em serviço, de blusas decotadas, saias muito curtas, gangas, perfumes com cheiro agressivo, roupa interior escura, saltos altos e sapatilhas, é proibido às funcionárias da Loja do Cidadão de 2ª geração de Faro, inaugurada no passado dia 3, com a presença do primeiro-ministro [e considerada por este como “a mais moderna e avançada do País"].
In Correio da Manhã, 10/04/2009

Nota pessoal:
Isto é algum exercício de mau gosto sobre discriminação de género ou trata-se de um lamentável lapso jornalístico? Acontece que não é dito nada sobre interdições masculinas!
E porque não a obrigatoriedade de uso do cinto de castidade?
E será que não vão abrir concurso para revistadores ou verificadores da roupa interior das funcionárias?
Aguarda-se, agora, um qualquer Despacho a definir medidas e tamanhos permitidos, bem como limiares olfactivos, pois, decerto não vão querer deixar os critérios entregues à arbitrariedade e subjectividade do chefe.
Por este andar, e existem já indícios de intromissões bem preocupantes, esta mentalidade retrógrada começará a legislar sobre o tamanho do bife que cada um pode comer à refeição ou sobre o número máximo de relações sexuais entre casais, no decurso da semana.
Liberdade individual e direitos de personalidade não dizem nada a esta gente?...

Quinta-feira, 9 de Abril de 2009

Para que ninguém ceda à tentação idiota de comparar Sócrates a Obama

Dizem os americanos:
"We have Barak Obama, Stevie Wonder, Bob Hope, and Johnny Cash."

Respondem os portugueses:
"We have José Sócrates, No Wonder, No Hope, and No Cash."


A propósito de "VOLTAR A ACREDITAR", palpita-me que os medicamentos para a memória vão deixar de ser comparticipados!

Mais trabalho para o "processador" Sócrates: eu também subscrevo!

Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

Em Roma sê portista. Só o Porto nos faz sonhar!...

PORTO, PORTO, OLÉ!...
Jogo de grande classe do FC Porto, à semelhança do que já havia acontecido em Madrid.
O Porto está de regresso ao palco dos campeões e a Europa do futebol começa, outra vez, a ficar nervosa com o talento desta equipa.
A nós, valha-nos a competência destes jogadores e desta equipa técnica, pois sempre nos permite esquecer, por momentos, o pesadelo do socratismo e do rodriguismo.
ROMA ESPERA-NOS!...

Parece que o Plano Tecnológico vai ser enriquecido com um poderoso "processador". Pinho e a Economia: quem não gosta de quem?

O Plano Tecnológico parece poder vir a incorporar um novo produto de grande sucesso. Fala-se por aí que se tratará de um poderoso "processador", aplicável a jornalistas, colunistas e bloggers que manifestem opiniões que colidam com a auto-estima e o autoconceito do nosso grande timoneiro.

Entretanto, o ministro Pinho confessa não gostar da pasta da Economia, pois parece que a economia do país não vai muito à bola, nem ao autódromo, com ele, apesar de as empresas e os seus trabalhadores votarem nele massivamente. Vai uma aposta em como este homem ganhava as eleições com 70% dos votos, se não estivéssemos em crise? De facto, é muito lixado e injusto governar em tempos de crise e aperto, sem dinheiro para alugar Falcons ou sem verbas para campanhas fotográficas milionárias. Após o fim da crise, proponho que lhe fosse atribuído, a título vitalício, o cargo de "Governador dos Allgarves".

Também a revista FLASH desta semana surpreende ao assemelhar, num exercício de imbecilidade sem limites, Sócrates a Obama. O que separa estes dois homens não é a falta de uma primeira dama, é tudo o resto: humildade, reconhecimento de erros, autenticidade, ética na política, credibilidade, passado sem habilidades, ideias para o futuro. Um tem, o outro não!

Quem disse que Sócrates acordou tarde para a crise? Que culpa tem o primeiro-ministro que o país não tenha valorizado o seu lapso premonitório?

Num momento em que Cavaco Silva, com pezinhos de lã para não gerar instabilidade - pois, sempre é preferível uma estabilidade podre e pantanosa a uma instabilidade clarificadora, vai sublinhando o óbvio, ou seja, que a crise portuguesa tem especificidades nacionais e já era previsível em 2007, é justo relembrar que Sócrates não escondeu de ninguém o seu pressentimento. O vídeo aqui incorporado é uma peça elucidativa de que o empobrecimento do país estava em marcha, mesmo que a percepção fosse subconsciente e, imediatamente, negada.

video

Terça-feira, 7 de Abril de 2009

"Brincadeiras estúpidas" ao almoço. Já agora, quem pagou a conta?

Causas e consequências

Demasiado estúpido
O dr. Lopes da Mota não precisa de desmentir nada: tudo o que confirma é mais do que suficiente.
Como seria de esperar, o dr. Lopes da Mota desmentiu categoricamente qualquer tentativa de pressão sobre os dois magistrados que tutelam o caso Freeport: ao contrário do que tem sido noticiado, o presidente do Eurojust garante que nunca lhes sugeriu o arquivamento do processo – quando muito, pode ter dado uma opinião descontraída sobre a matéria – nem nunca se referiu aos perigos que corriam as suas carreiras, caso estes persistissem em não levar em conta a sua habilidosa sugestão – na pior das hipóteses, ofereceu-lhes um conselho amigo sobre a melhor forma de singrar na vida. Nada mais! E nada que justifique o alarido que se fez à volta deste incidente.
À boa maneira portuguesa, o dr. Lopes da Mota limita-se a confirmar o que lhe parece ser óbvio. É verdade que teve um almoço com os dois colegas que têm em mãos o processo, onde, naturalmente, no meio disto e daquilo, se falou da investigação em curso e do seu hipotético arquivamento. Pelo caminho, e como vinha a propósito, achou por bem lembrar-lhes que o engº Sócrates queria que o caso fosse rapidamente esclarecido. Dando mostras de uma incomensurável boa-fé, o dr. Lopes da Mota esclareceu posteriormente que se tinha limitado a dar conta de um facto que toda a gente conhecia, já que o primeiro-ministro, por diversas vezes, tinha verbalizado esse desejo – e já que esse desejo, como se depreende, deve ser uma espécie de farol, capaz de iluminar a investigação que os seus colegas levam a cabo.
Quanto aos ‘recados’ que o dr. Alberto Costa terá enviado aos dois magistrados, através da sua estimável pessoa, parecem-lhe ainda mais fáceis de explicar. Antes de mais, não houve ‘recados’. Houve, sim, uma infeliz coincidência temporal que fez com que ele tivesse estado com o ministro da Justiça pouco antes de se encontrar com os procuradores que estão à frente de uma investigação que envolve o nome do primeiro-ministro. Perante isto, o dr. Lopes da Mota não precisa de desmentir nada: tudo o que ele confirma é mais do que suficiente. Se o presidente do Eurojust, o homem que assegura a ligação entre a investigação portuguesa e a investigação inglesa, no caso Freeport, andou por aí, em conversinhas dúbias, saltitando alegremente do gabinete do dr. Alberto Costa para a mesa dos magistrados responsáveis pelo processo, então, das duas uma: ou o dr. Lopes da Mota se demite; ou o dr. Lopes da Mota é demitido. Independentemente de se saber se foi mandatado para o efeito ou se, como diz o procurador-geral da República, gosta apenas de "brincadeiras estúpidas" – o que, diga-se de passagem, parece demasiado estúpido.
Constança Cunha e Sá, Jornalista
In Correio da Manhã, 07/04/2009

Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

Procuram-se genéricos e vomitórios portáteis para aqueles que começam a ficar enjoados com o caso Freeport

Face ao aumento da procura, é provável que a Associação Nacional de Farmácias admita a possibilidade de os farmacêuticos serem obrigados a receitar genéricos para os crescentes focos de enjoo e de nojo que grassam por aí. A possibilidade de produção e comercialização de vomitórios portáteis também não está descartada. Alguns defendem que a epidemia se estanca com o arquivamento ou com o silenciamento na comunicação social (o que era provável que viesse a produzir o mesmo resultado) do caso Freeport.

Confesso que me repugnam as aparições cirúrgicas dos pretensos senadores da nação, que ao invés de aproveitarem a sua autoridade para exigirem a moralização da vida pública e, consequentemente, o cabal esclarecimento das situações e das implicações menos claras que, supostamente, envolvem agentes políticos, venham pugnar pelo manto de silêncio e pela reserva da informação.
O problema, nesta fase, é que os cidadãos perderam a confiança no controlo demasiado restringido da informação e temem pela eventual existência de pressões, ameaças ou desinteresses que tolham as investigações, pelo que reclamam vir a ser informados sobre os resultados da investigação de todas as pistas e de todos os indivíduos, pois ninguém está acima ou ao lado da lei.
O que, nesta fase, mais enjoaria as pessoas, não seria, certamente, o incómodo político de ver correlegionários nossos envolvidos no caso, mas, antes, a suspeita de que, por quaisquer proteccionismos ou prevenção de instabilidades, não se apurasse toda a verdade, doa a quem doer.
Alguém se questiona sobre as motivações que levaram o presidente do Sindicato dos Magistrados do MP e os magistrados que conduzem o caso Freeport a deixarem transparecer, publicamente, a existência de pressões e de ameaças? Segundo os órgãos de comunicação social, essas denúncias haviam sido transmitidas superiormente e o que, alegadamente, terá ocorrido? Nada, ou seja, a negação pública da existência de pressões. A denúncia pública é a melhor defesa e garantia contra as pretensas tentativas de isolamento e de exercício de represálias que venham a ser agitadas contra os agentes de justiça que decidem no âmbito do caso Freeport.
O que começa a enojar muitos cidadãos deste país, que não abdicam da sua liberdade e do seu espírito crítico, é a circunstância de alguns não manifestarem, publicamente, o seu enjoo face a recorrentes quebras de compromissos políticos e de fugas à verdade, face a golpes de esperteza saloia, face às afrontas de que muitos profissionais dignos deste país (como é o caso dos professores) foram objecto ou face ao endividamento irresponsável do país.
Nojo metem as opções políticas e administrativas que não garantem a contratação dos quadros técnicos suficientes por parte da administração fiscal para não deixarem prescrever um terço dos 10,9 milhões de euros de correcções ao IVA da banca (vide em http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1372851), mas, em contrapartida, dispõem dos recursos humanos e dos mecanismos implacáveis para exigirem multas e coimas no cumprimento das obrigações fiscais aos cidadãos anónimos do país, no dia imediato ao do fim do prazo para liquidação.
Nojo causam-nos aqueles que não se enjoam com a incompetência, com a falta de seriedade política e com as injustiças criadas e mantidas por aqueles que nos (des)governam, fingindo não ver o óbvio.
Por favor, não continuem a abusar da inteligência dos portugueses!

O passado de Sócrates parece mais esburacado do que um queijo suíço

A Voz da Razão
Os humores de Sócrates
José Sócrates apresentou uma queixa-crime contra João Miguel Tavares, do ‘DN’. Motivo? A seguinte frase: "Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte da Cicciolina."
Quando li o aforismo, confesso que já imaginava represálias. Não de Sócrates; mas da sra. Cicciolina, que durante longos anos teve casamento estável e consta que fiel. Enganei-me. Foi Sócrates, e não Cicciolina, quem se sentiu ofendido. E, ofendido, o primeiro-ministro decidiu inaugurar um novo capítulo na relação do governo com a opinião: processar qualquer colunista que duvide sobre uma carreira que parece mais esburacada do que um queijo suíço.
Só espero que o eng. Sócrates não amue por eu comparar o seu passado a um queijo. O mesmo já não posso dizer do queijo.

João Pereira Coutinho, Colunista
In Correio da Manhã, 04/04/2009
Nota pessoal:
Paulatinamente, os jornalistas, os colunistas, os bloggers e o país em geral vão acordando do sono dogmático e da hibernação acrítica que os caracterizou no decurso da governação socrática, despertando agora para a constatação da fragilidade e da inconsistência de um líder com "pés de barro", que o conformismo e o marketing político foram mitificando como uma figura determinada e bem-falante. Efectivamente, determinado nas opções erradas, nas injustiças (veja-se a arbitrariedade e a falta de seriedade de muitas medidas na educação) e na diabolização do passado, mesmo que muitas das alternativas de futuro careçam de credibilidade, bem como enclausurado na fórmula do discurso do "absolutamente essencial/fundamental" a propósito, sobretudo, de realidades virtuais.
Com a progressiva erosão da autoridade e da credibilidade de Sócrates, a que tem correspondido uma multiplicação exponencial de crónicas e de peças jornalísticas demolidoras para a governação e para o carácter de Sócrates, adivinha-se um aumento de empregabilidade no meio judicial, pois é expectável que comecem a chover queixas-crime contra tudo e contra todos, na equivocada convicção de que é possível, por esta via, condicionar a opinião das pessoas ou atemorizar os espíritos livres e críticos, dada a impossibilidade de, nesta fase, se agitarem e/ou administrarem eventuais "represálias".
Relativamente ao processo judicial accionado contra o colunista João Miguel Tavares, do "Diário de Notícias", por delito de opinião, aguardamos que o tribunal determine que Sócrates é uma pessoa "convincente". Será, certamente, um grande trunfo eleitoral: "tribunal determina que Sócrates é mais convincente do que Cicciolina é monogâmica".

Sábado, 4 de Abril de 2009

O porreirismo de Sócrates, o desprestígio das instituições e a ruína moral do país. Uma crónica nada porreira de Helena Matos

Nunca se deve dar poder a um tipo porreiro

O porreirismo de Sócrates, pela natureza do cargo que ocupa, criou um problema moral ao país.
No início, ninguém dá nada por eles. Mas, pouco a pouco, vão conseguindo afirmar o seu espaço. Não se lhes conhece nada de significativo, mas começa a dizer-se deles que são porreiros. Geralmente estes tipos porreiros interessam-se por assuntos também eles porreiros e que dão notícias porreiras. Note-se que, na política, os tipos porreiros muito frequentemente não têm qualquer opinião sobre as matérias em causa mas porreiramente percebem o que está a dar e por aí vão com vista à consolidação da sua imagem como os mais porreiros entre os porreiros. Ser considerado porreiro é uma espécie de plebiscito de popularidade. Por isso não há coisa mais perigosa que um tipo porreiro com poder. E Portugal tem o azar de ter neste momento como primeiro-ministro um tipo porreiro. Ou seja, alguém que não vê diferença institucional entre si mesmo e o cargo que ocupa. Alguém que não percebe que a defesa da sua honra não pode ser feita à custa do desprestígio das instituições do Estado e do próprio partido que lidera. O PS é neste momento um partido cujas melhores cabeças tentam explicar ao povo português por palavras politicamente correctas e polidas o que Avelino Ferreira Torres assume com boçalidade: quem não é condenado está inocente e quem acusa conspira. Nesta forma de estar não há diferença entre responsabilidade política e responsabilidade criminal. Logo, se os processos forem arquivados, o assunto é dado por encerrado. Isto é o porreirismo em todo o seu esplendor.
Acontece, porém, que o porreirismo de Sócrates, pela natureza do cargo que ocupa, criou um problema moral ao país. Fomos porreiros e fizemos de conta que a sua licenciatura era tipo porreira, exames por fax, notas ao domingo. Enfim tudo "profes" porreiros. A seguir, fomos ainda mais porreiros e rimos por existir gente com tão mau gosto para querer umas casas daquelas como se o que estivesse em causa fosse o padrão dos azulejos e não o funcionamento daquele esquema de licenciamento. E depois fomos porreiríssimos quando pensámos que só um gajo nada porreiro é que estranha as movimentações profissionais de todos aqueles gajos porreiros que trataram do licenciamento do aterro sanitário da Cova da Beira e do Freeport. E como ficámos com cara de genuínos porreiros quando percebemos que o procurador Lopes da Mota representava Portugal no Eurojust, uma agência europeia de cooperação judicial? É preciso um procurador ter uma sorte porreira para acabar em tal instância após ter sido investigado pela PGR por ter fornecido informações a Fátima Felgueiras.
Pouco a pouco, o porreirismo tornou-se a nossa ideologia. Só quem não é porreiro é que não vê que os tempos agora são assim: o primeiro-ministro faz pantomina a vender computadores numa cimeira ibero-americana? Porreiro. Teve graça não teve? Vendeu ou não vendeu? Mais graça do que isso e mais porreiro ainda foi o processo de escolha da empresa que faz o computador Magalhães. É tão porreiro que ninguém o percebeu mas a vantagem do porreirismo é que é um estado de espírito: és cá dos nossos, logo, és porreiro.
E foi assim que, de porreirismo em porreirismo, caímos neste atoleiro cheio de gajos porreiros. O primeiro-ministro faz comunicações ao país para dizer que é vítima de uma campanha negra não se percebe se organizada pelo ministério público, pela polícia inglesa e pela comunicação social cujos directores e patrões não são porreiros. Os investigadores do ministério público dizem-se pressionados. O procurador-geral da República, as procuradoras Cândida Almeida e Maria José Morgado falam com displicência como se só por falta de discernimento alguém pudesse pensar que a investigação não está no melhor dos mundos...
Toda esta gente é paga com o nosso dinheiro. Não lhes pedimos que façam muito. Nem sequer lhes pedimos que façam bem. Mas acho que temos o direito de lhes exigir que se portem com o mínimo de dignidade. Um titular de cargos políticos ou públicos pode ter cometido actos menos transparentes. Pode ser incompetente. Pode até ser ignorante e parcial. De tudo isto já tivemos. Aquilo para que não estávamos preparados era para esta espécie de falta de escala. Como se esta gente não conseguisse perceber que o país é muito mais importante que o seu egozinho. Infelizmente para nós, os gajos porreiros nunca despegam.

In Público, 02/04/2009

Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Os deuses até podem estar moucos, mas há muitos portugueses despertos, atentos, com espírito crítico, sem medo de papões e que vão estar vigilantes

Análise social e política de Cunha Ribeiro

OS DEUSES DEVEM ESTAR MOUCOS

O estertor das bombas que vão explodindo aqui e ali neste país de vampiros encapotados em túnicas negras de falsos heróis, são vozes de burro que emudecem a caminho do céu. E consta que, mesmo em Belém , o celestial inquilino Cavaco apenas ouve ruídos surdos de histórias pouco edificantes que vai ignorando para não ter de corar de vergonha.
No BPN jazia há anos, envolta em espessos maços de notas, uma bomba-relógio cujo alcance global dos seus estilhaços persiste guardado no segredo dos deuses. E o seu potencial poder de morte e destruição foi pateticamente ignorado pelo Banqueiro-Mor, Víctor Constâncio, que foi incapaz de a desmantelar em devido tempo. Essa bomba continua com forte potencial explosivo, mas os “deuses” teimam em evitar mais explosões.
No Porto, em Gondomar e no Bessa ouviram-se estalar as bombas cuja pressão destruidora , em vez de deflagrar no Carmo ou na Trindade, feriu de morte o Estádio do Boavista. E há mais Estádios e mais Boavistas por esse país além. Mas os “deuses”, de ouvidos tapados, vão dizendo que não.
Em Lisboa, na mal frequentada 5 de Outubro, a ministra que os nossos senadores( Soares, Cavaco,…) tanto admiram ( menos pela inteligência que pela falsa coragem) contratou, a peso de ouro, na zona franca das amizades, um eis-juíz que, em vez de trabalho sério e competente, lhe deixou ficar, algures num gabinete abandonado, uma bomba-relógio por baixo de resmas de fotocópias. E seguramente haverá mais disto por lá! Mas os “deuses”, de ouvidos entupidos, vão achando que não.
Em Oeiras, uma bomba artesanal, mas de longo e devastador alcance, ecoou agora por todo o país e até na Suíça. Mas as mais altas instâncias, mais preocupadas em manter o status quo da podridão, mantêm os ouvidos tapados, e assobiam pr`ó tecto. .
Em Alcochete a bomba que já detonou parece apenas ter implodido, tardando em explodir deveras. Em Alcochete nada se perde, mas tudo se esconde e se transforma. Há evidências que se negam; velas acesas que se apagam; favores que se revelam primeiro e se negam depois. Espantosas escamoteações da verdade. Investigações que se fingem céleres, mas em contínua desaceleração até ao almejado esquecimento. E o deus de Belém, mudo e quedo, de ouvidos teimosamente ensurdecidos, teima em não ouvir coisa nenhuma.
Em Braga, o Sr. Corrupto Braga Parques acrescentou ao currículo um crime de corrupção activa e tornou-se presidente de uma empresa municipal, com a extraordinária aprovação e complacência do pseudo- socialista Mesquita Machado. E os deuses do Olimpo lisboeta persistem, com teimoso cinismo, na sua “divina” surdez.
E neste absurdo mar de falsos detonadores, em que o ruído é geral e quotidiano só me resta pasmar e dizer : “os deuses devem estar moucos”.
C.R.

Diagnóstico: isaltinismo. O vírus dissemina-se na exacta proporção do seu não impacto nas sondagens. Esta é que é a dimensão trágica do fenómeno

Análise social e política de Cunha Ribeiro


O ISALTINISMO

O Isaltinismo não é infelizmente uma teoria filosófica nova. O isaltinismo é uma doença contagiosa que se propaga com vertiginosa facilidade em zonas de forte expansão urbanística.
Há espécimes em que esta doença tem maior propensão ao contágio. Entre eles sobressai, com enorme destaque, o dos presidentes de câmara.
Com efeito, basta que se abra um concurso para pavimentar uma estrada, construir um bairro social ou uma nova escola, para o clima aquecer e o vírus encontrar o terreno propício à sua incubação. Normalmente ele vem alojado no bafo alarve de um empreiteiro que o transmite, subrepticiamente, numa conversa bem comida e bem regada com o virtual receptor.
O isaltinismo tem enormes semelhanças com o novo-riquismo. Quem sofre de isaltinismo tem grande carência alimentar no domínio gastronómico da lagosta e do caviar. Fuma, sem vício, charuto de Havana. Reserva garrafa de uísque no Elefante Branco. Viaja no banco de trás de um Mercedes ou de um Jaguar. Foge compulsivamente aos impostos e tem contas na Suíça ou em paraísos fiscais.
Quem sofre de isaltinismo não tem qualquer problema em ser arguido. Vai a tribunal como se fosse ao café. Olha o Juiz com íntimo desprezo, pois sabe , de antemão, que vai ser absolvido, por falta de prova.
O isaltinismo é uma doença mas não parece, porque há muita gente que admira os isaltinos e não se importava de sofrer do mesmo contágio.
Ainda não há estatísticas, mas consta que o isaltinismo teve um grande impulso sob este governo, que, segundo dizem, sofre também da mesma doença.
Do Norte ao Sul, do litoral ao interior, a doença não pára de crescer.
E o pior é que não se vislumbra nenhuma vacina que ponha fim a esta terrível maleita.
Cunha Ribeiro

Freeport, pressões, ameaças e... tudo normal, não se passa (quase) nada

In CM, 02/04/2009
Nota pessoal:
Mais grave do que o caso Freeport é a acusação de João Palma, presidente do Sindicato dos Magistrados do MP, sobre a existência de pressões no caso Freeport, as quais poderão ter assumido a forma de ameaças às carreiras dos magistrados.
Face a estas acusações, que deviam desencadear um apuramento imediato e total, assim como mobilizar o país no sentido da exigência de respostas claras, sucederam-se uma tendência e dois episódios nada tranquilizadores:
1) aquela que constitui uma das acusações mais graves da história da democracia portuguesa tem sido ignorada ou secundarizada pela comunicação social, o que denota bem o estado de captura da comunicação social pelos interesses políticos ou, então, um estado incompreensível de anestesia face ao essencial. As excepções são o Público, a TVI e, sobretudo, o Correio da Manhã;
2) o comunicado do Procurador Geral da República confundiu ao invés de esclarecer, negando o que admite e, como tal, passando uma mensagem de hesitação e de tibieza;
3) a ser verdade a noticiada tentativa de conciliação entre os magistrados que conduzem o processo e o pretenso magistrado que os pressionou, tal significaria uma operação de silenciamento ou de branqueamento da situação que possa ter ocorrido? Preocupante.
A confirmarem-se, tanto as pressões destinadas ao arquivamento do caso, como as ameaças efectivas à carreira dos magistrados, está em causa o regular funcionamento das instituições democráticas e, como tal, a intervenção do Presidente da República torna-se inevitável, sob pena do regime democrático entrar num processo imparável de desacreditação, além das pessoas começarem a interiorizar que, face a episódios incomparavelmente menos graves, a demissão do governo de Santana Lopes, por parte de Jorge Sampaio, configurará um golpe de estado caprichoso.
Da parte do PS, o argumento da "campanha negra" deu lugar ao subterfúgio da intriga, da maledicência e da inveja, sem que se perceba muito bem da parte de quem e com que motivações. É a capitulação dos argumentos e o estafado recurso ao sequestro emocional da racionalidade. Longe vai o tempo das maquinações e manipulações do director do Público e do Jornal Nacional da TVI.
Desta vez, os cidadãos vão estar atentos ao desenvolvimento do processo e não vão aceitar ser tratados como néscios ou mentecaptos.