Encontramo-nos Sábado
1) Este governo desfigurou a escola pública. O modelo de avaliação docente que tentou implementar é uma fraude que só prejudica alunos, pais e professores. Partir a carreira docente em duas, de uma forma arbitrária e injusta, só teve uma motivação economicista, e promove o individualismo em vez do trabalho em equipa. A imposição dos directores burocratiza o ensino e diminui a democracia. Em nome da pacificação das escolas e de um ensino de qualidade, é urgente revogar estas medidas.
2) Os professores e as professoras já mostraram que recusam estas políticas. 8 de Março, 8 de Novembro, 15 de Novembro, duas greves massivas, são momentos que não se esquecem e que despertaram o país. Os professores e as professoras deixaram bem claro que não se deixam intimidar e que não sacrificam a qualidade da escola pública.
3) Num momento de eleições, em que se debatem as escolhas para o país e para a Europa, em que todos devem assumir os seus compromissos, os professores têm uma palavra a dizer. O governo quis cantar vitória mas é a educação que está a perder. Os professores e as professoras não aceitam a arrogância e não desistem desta luta: sair à rua em força é arriscar um futuro diferente. Saír à rua, todos juntos outra vez, é o que teme o governo e é do que a escola pública precisa.
Por isso, encontramo-nos no próximo sábado.
Subscrevem:
Os Blogues:
A Educação do Meu Umbigo (Paulo Guinote), ProfAvaliação (Ramiro Marques), Correntes (Paulo Prudêncio), (Re)Flexões (Francisco Santos), Educação SA (Reitor), O Estado da Educação (Mário Carneiro), Professores Lusos (Ricardo M.), Outròólhar (Miguel Pinto)
Os Movimentos:
APEDE (Associação de Professores em Defesa do Ensino), MUP (Movimento Mobilização e Unidade dos Professores), PROmova (Movimento de Valorização dos Professores), MEP (Movimento Escola Pública), CDEP (Comissão em Defesa da Escola Pública)
Também subscrevo,
Octávio V Gonçalves
Blogue de análise educacional, social e política, no quadro de um exercício inalienável de cidadania racional, livre, crítica e, partidariamente, descomprometida. Mania de pensar!
Um murro de Santana Castilho na consciência de Passos Coelho e da elite política "laranja" (18-01-2012): As "natas"
Terça-feira, 26 de Maio de 2009
Segunda-feira, 25 de Maio de 2009
Os sectários de Sócrates, defensores do indefensável, convivem mal com o jornalismo de investigação e de denúncia

O desordenado
António Marinho Pinto está para o PS de Sócrates como o estão Vitalino Canas, Augusto Santos Silva ou Pedro Silva Pereira. É um indefectível. Tal como Sócrates, Marinho Pinto vê em tudo o que o prejudica uma urdidura de travestis do trabalho informativo. Tal como Sócrates, o Bastonário dos Advogados vê insultos nos factos com que é confrontado. E reage em disparatado ultraje e descontrolo, indigno de quem tem funções públicas. Marinho Pinto na TVI foi tão sectário como Vitalino Canas ou Santos Silva e conseguiu o prodígio de ser mais grosseiro numa entrevista do que Sócrates foi na RTP e Pedro Silva Pereira na SIC. É obra. Marinho Pinto não tem atenuantes. Não trabalhou no Ministério do Ambiente de Sócrates e, que se saiba, não faz parte do seu núcleo duro. É pois de supor que não esteja vinculado ao voto de obediência cega que tem levado os mais próximos de Sócrates à defesa do indefensável, à justificação do injustificável e a encontrar razão no irracional. Não tendo atenuantes, Marinho Pinto tem agravantes. O Estado de direito delegou na Ordem dos Advogados importantes competências reguladoras de um exercício fundamental para a sociedade. O Bastonário tem que as exercer garantindo uma série de valores que lhe foram confiados pelos seus pares. O comportamento público do Bastonário sugere que ele está a cumprir uma bizarra agenda pessoal com um registo de regularidade na defesa apaixonada de José Sócrates e do PS. O que provavelmente provocou em Marinho Pinto o seu lamentável paroxismo esbracejante em directo foi a dura comparação entre as suas denúncias sobre crimes de advogados e os denunciantes do Freeport. Se a denúncia de irregularidades na administração de bens públicos é um dever, a atoarda não concretizada é indigna. O que o Bastonário da Ordem dos Advogados disse sobre o envolvimento dos seus pares nos crimes dos seus constituintes é o equivalente aos desabafos ébrios tipo: "são todos uns ladrões" ou "carrada de gatunos". Elaborações interessantes e de bom-tom, se proferidas meio deitado num balcão de mármore entre torresmos e copos de três. Presumo que a Ordem dos Advogados não seja isso. Nem sirva de câmara de eco às teorias esotéricas do Bastonário de que a Casa Pia foi uma Cabala para decapitar o PS ou que o Freeport é uma urdidura politico-judicial-jornalistica. Se num caso, um asilo do Estado com crianças abusadas fala por si, no outro, um mega centro comercial paredes-meias com a Rede Natura, tem uma sonoridade tão estridente como o grito de flamingos desalojados. A imagem que deu na TVI foi de um homem vítima de si próprio, dos seus excessos, do seu voluntarismo, das suas inseguranças e das suas incompetências. Marinho Pinto tentou mostrar que era o carrasco do mensageiro que tão más notícias tem trazido a José Sócrates. Fê-lo vociferando uma caterva de insultos como se tivesse a procuração bastante passada pelo Primeiro Ministro para desencorajar e punir este jornalismo de pesquisa e denúncia que tantas e embaraçosas vezes tem andado à frente do inquérito judicial. E a verdade é que sem o jornalismo da TVI não havia "caso Freeport" e acabar com Manuela Moura Guedes não o vai fazer desaparecer.
In JN, 25/05/2009
Domingo, 24 de Maio de 2009
Sábado, 23 de Maio de 2009
Aí está a prova do frenesim mediático e propagandístico do Governo
Além da omnipresença de Sócrates e do Governo na comunicação social, parece que algumas estruturas regionais representativas do Governo se preparam, em período pré-eleitoral e eleitoral, para contratualizarem programas de propaganda à obra governativa, pagos com o dinheiro dos contribuintes. No momento oportuno, serão denunciadas as situações.
Clicar na imagem para ampliar
align="center"> align="center">Obrigado, La Salette div>>
div>A pior herança da governação Sócrates prende-se com o clima de animosidade e crispação instalado no país e nas escolas. A bufaria é uma consequência
Pidezinhos Alguém se admira que, num futuro próximo, até existam prémios para os melhores bufos de serviço?
Vamos esquecer por momentos que uma professora de História teve conversas ordinárias e arrogantes diante de criancinhas de uma escola de Espinho.
Concentremo-nos nas criancinhas.
Elas têm telemóvel antes de saber dizer "Sócrates".
Dominam as tecnologias como nós, "os cotas", nunca saberemos. Nem durando cem anos.
Tricotam sem pestanejar no telélé e até inventaram uma nova linguagem para se entenderem à velocidade do dedo.
Por vezes, trocam mensagens com conteúdos que muito ajudariam à educação sexual dos papás.
Na rua, no metro, no autocarro, estão absolutamente concentrados em si próprios. E virtualmente conectados com os amigos (o conceito de "amigo" também nos levaria longe, mas fiquemos por aqui...)
O Governo, para ajudar à catequização de alguma desta mocidade portuguesa, inventou o Magalhães. E promoveu-o de forma quase pornográfica.
Mensagens, mails e todo um pacote de instrumentos onde simulamos intimidades que não temos, trocaram a volta às relações. De pequenos e graúdos.
Fomos por aí adiante, cantando e rindo, sem pensar no que isso acarretou de exclusão, preconceito, intolerância, individualismo e seguidismo.
Pior: as criancinhas aprenderam depressa - e mais apetrechadas tecnologicamente - que a denúncia e a violação da intimidade, rendem. Nuns casos, até são elogiadas por isso. Com um jeitinho, até poderão faltar às aulas e reprovar nos exames consoante a produtividade da bufaria, quem sabe?
Nos últimos tempos, a moda pegou com os professores.
Não demorará muito a que estes pidezinhos de aviário, alimentados pela nossa inconsciência e irresponsabilidade, comecem a achar graça a algumas coisas que se passam lá em casa. Talvez as gravem. Ou filmem. E partilhem com os amigos.
Um dia talvez casem. Talvez tenham ciúmes. Talvez se divorciem. Talvez se apaixonem ou desapaixonem com facilidade. E sabe-se lá o que farão em nome da vigilância, da paz e da guerra dos afectos.
Um dia, terão um emprego.
E sabe-se lá o que farão para o manter. Ou em nome da ambição.
Se este Governo já pediu aos funcionários públicos para denunciarem a corrupção nos locais de trabalho, alguém se admira que, num futuro próximo, até existam prémios para os melhores bufos de serviço?
Há uns anos conheci uma pessoa que, entre o jornal onde trabalhava e um lugar na PIDE, acabaria por aceitar as funções no jornal. Ficava mais perto de casa, confessou ele, um dia.
Se pensarem que estamos muito longe disso, vá lá, pensem outra vez.
In Visão, 20/05/2009
Caso Freeport é mau de mais ou como se sacrifica a reputação da Justiça e do Estado aos interesses pessoais
As artes marciais do processo Freeportpor Pedro Lomba, Jurista
No processo Freeport é tudo mau de mais para ser verdade e já estava na altura de entrar um pouco de vergonha e decoro em todo este caso
É tudo mau de mais para ser respeitado. Um primo que zarpou para a China em busca de redenção no karaté e até hoje nunca foi ouvido; uma procuradora, Cândida Almeida, que foi dizer há meses na RTP que sabia onde é que esse primo estava mas que não podia dizer porque senão ele fugia; a mesma procuradora que na tal entrevista afirmou ter recusado uma investigação conjunta com a polícia inglesa porque "os sistemas jurídicos são diferentes" e que nem queria ver o DVD de Charles Smith por não fazer prova válida em Portugal (como se investigação e prova fossem o mesmo); outro procurador e presidente do Eurojust, Lopes da Mota, agora suspeito de ter interferido abusivamente na investigação, como emissário do primeiro-ministro e do ministro da Justiça para matar essa investigação, e que começou por dizer que só contactou os investigadores portugueses para fazer a coordenação ao nível do Eurojust (mas que coordenação?); o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, que, na sequência de inquérito, instaurou um processo disciplinar a Lopes da Mota, o qual, apesar da gravidade dos factos de que é acusado, se mantém como nosso representante no Eurojust; o procurador-geral que, não podendo demitir Lopes da Mota, resolveu retirar o Freeport ao Eurojust; o Eurojust que diz que "o caso Freeport foi encerrado no Eurojust a 23 de Abril", desmentindo assim Pinto Monteiro.
Sim, é tudo tão mau que custa a crer que é verdade. Mas é mesmo e não há maneira de vermos um mínimo de ética e decoro entrarem no processo Freeport.
Já estava na altura, mas podemos continuar sentados. Quando pesam as suspeitas que pesam sobre Lopes da Mota, como é possível que o governo não o afaste do Eurojust, ao menos até à conclusão do seu processo disciplinar, não para antecipar o seu juízo de culpa, mas para proteger a imagem de Portugal, do Ministério Público e de toda a investigação deste ambiente deletério que está a acabar com as últimas pontas de credibilidade da nossa justiça? Que líricos somos. Para isso era preciso que o primeiro-ministro percebesse que o esclarecimento da verdade e a dignidade da justiça portuguesa estão acima daquilo que ele mais preza: o seu poder, a sua imagem vitoriosa, a sua carreira política. Era preciso que o governo desse um exemplo de sentido de Estado e não atirasse a Procuradoria para este purgatório que é não poder demitir Lopes da Mota nem poder continuar com ele.
Quando se fizer um dia a história do Freeport e de José Sócrates para contarmos aos nossos netos, vai-se falar muito acerca disto: o que fizeram um governo e um primeiro-ministro, com a conivência de uns quantos incompetentes, para liquidar uma justiça já moribunda.
In I informação, 22/05/2009
Nota pessoal (breve):
No caso Freeport, a actuação autónoma e imparcial da Justiça e, especificamente, do Ministério Público devia ter adoptado, desde o início, um princípio do tipo "véu de ignorância" (adaptação de Rawls, 1971) sobre o estatuto, a posição e as funções de quem aparece envolvido, numa tradução prática do princípio de igualdade perante a lei. Depois, era só gerir a informação e a intervenção pública no pressuposto da presunção de inocência de todos, mas investigar na convicção da possível culpabilidade de todos, até provas em contrário ou até à constatação da ausência de provas, suficientemente, incriminatórias. Simples!
As coisas não andam a correr nada bem para aqueles que têm vindo a assumir as "dores" de Sócrates. Veja-se o descontrolo emocional de Marinho Pinto
Os advogados portugueses sentem-se representados por este senhor?
Como diz o povo, "quem lhe dever, que lhe pague".
Além do mais, enveredar pela peixeirada na "casa" de quem nos convida, não é, propriamente, sintoma de boa educação.
De facto, a Ordem dos Advogados tem um bastonário que transmite uma péssima imagem da instituição que representa. Mandar atoardas e acusações para o ar, sem concretizar nomes e situações, é mais do domínio da basófia do que da coragem.
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009
"Com fúria e raiva acuso o demagogo": poema com dedicatória óbvia
Com Fúria e Raiva
Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras
Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada
De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse
Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra
Sophia de Mello Breyner Andersen, in "O Nome das Coisas"
Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras
Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada
De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse
Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra
Sophia de Mello Breyner Andersen, in "O Nome das Coisas"
CE considera o Magalhães ilegal: um Governo obcecado com a propaganda e o eleitoralismo fácil, tende a descurar a preparação das medidas
"O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita".
Neste caso, o Magalhães nasceu ilegal e viu-se sujeito a uma série de vicissitudes que lhe retiraram credibilidade, desde a mistificação da sua originalidade, os erros do software, o marketing ridículo do primeiro-ministro, a não negociação com as Câmaras, a não garantia de ligação à Internet, a falta de formação, o desenquadramento educacional, as manipulações das crianças, a falta de controlo sobre a sua utilização e o seu destino, funcionando alguns como moeda de troca para combater as dificuldades das famílias, alienados a feiras e casas de penhores, etc.
O Magalhães é mais um projecto falhado deste Governo, o que, a juntar à incompetência técnica e política do ME para implementar um modelo credível e justo de avaliação do desempenho dos professores, dá bem nota da ligeireza e da impreparação com que Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues abordam as medidas e os projectos para a educação.
Duas coisas os portugueses já perceberam: a trapalhada e a mistificação em que se converteu o Magalhães; o simulacro e a farsa em que se transformou a avaliação dos professores (com 60 mil a recusarem-se a ser avaliados e com 55 mil a serem pressionados e chantageados para entregarem os Objectivos Indviduais). E quando Sócrates faz depender a melhoria da educação das virtualidades do Magalhães e considera a avaliação dos professores o "desígnio" da sua governação, então está tudo dito sobre a competência deste Governo.
A estas encrencas, acrescentem-se os painéis solares que o não são, o relatório da OCDE que afinal não era, a compra da COSEC que não estava à venda, para já não falar de infindáveis recuos e de inúmeros "ditos por não ditos".
Neste caso, o Magalhães nasceu ilegal e viu-se sujeito a uma série de vicissitudes que lhe retiraram credibilidade, desde a mistificação da sua originalidade, os erros do software, o marketing ridículo do primeiro-ministro, a não negociação com as Câmaras, a não garantia de ligação à Internet, a falta de formação, o desenquadramento educacional, as manipulações das crianças, a falta de controlo sobre a sua utilização e o seu destino, funcionando alguns como moeda de troca para combater as dificuldades das famílias, alienados a feiras e casas de penhores, etc.
O Magalhães é mais um projecto falhado deste Governo, o que, a juntar à incompetência técnica e política do ME para implementar um modelo credível e justo de avaliação do desempenho dos professores, dá bem nota da ligeireza e da impreparação com que Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues abordam as medidas e os projectos para a educação.
Duas coisas os portugueses já perceberam: a trapalhada e a mistificação em que se converteu o Magalhães; o simulacro e a farsa em que se transformou a avaliação dos professores (com 60 mil a recusarem-se a ser avaliados e com 55 mil a serem pressionados e chantageados para entregarem os Objectivos Indviduais). E quando Sócrates faz depender a melhoria da educação das virtualidades do Magalhães e considera a avaliação dos professores o "desígnio" da sua governação, então está tudo dito sobre a competência deste Governo.
A estas encrencas, acrescentem-se os painéis solares que o não são, o relatório da OCDE que afinal não era, a compra da COSEC que não estava à venda, para já não falar de infindáveis recuos e de inúmeros "ditos por não ditos".
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Quinta-feira, 21 de Maio de 2009
Alguns políticos portugueses continuam a dar lições à Europa de democracia, transparência e assunção de responsabilidades.Uma questão de papa Maizena?
Acredite se quiser
Notícias surpreendentes lá de fora: o primeiro-ministro belga, Yves Leterme, propôs hoje (19/12/08) a demissão de todo o Governo, na sequência de acusações de alegadas (alegadas, imagine-se!) pressões sobre a justiça. Leterme nega qualquer pressão sobre o poder judiciário e apenas admite ter feito "contactos"; Michael Martin, presidente da Câmara dos Comuns, anunciou hoje (19/05/09) a demissão, após acusações de alegadamente (alegadamente, pasme-se) ter consentido alegados (só alegados) abusos nas despesas de representação de alguns deputados; dois membros da Câmara dos Lordes foram hoje (20/05/09) suspensos (suspensos, a democracia inglesa está maluca!) por alegadamente (outra vez só alegadamente) terem aceitado dinheiro para votar projectos de lei. Nenhum deles foi, pasme-se de novo, condenado por sentença transitada em julgado, e mesmo assim, pasme-se ainda mais, tiraram consequências políticas de alegações fundamentadas que os visavam. Então e aquela coisa da "presunção de inocência"? As democracias belga e inglesa têm que comer muita papa Maizena para chegarem aos calcanhares da nossa...
In JN, 21/05/2009
Notícias surpreendentes lá de fora: o primeiro-ministro belga, Yves Leterme, propôs hoje (19/12/08) a demissão de todo o Governo, na sequência de acusações de alegadas (alegadas, imagine-se!) pressões sobre a justiça. Leterme nega qualquer pressão sobre o poder judiciário e apenas admite ter feito "contactos"; Michael Martin, presidente da Câmara dos Comuns, anunciou hoje (19/05/09) a demissão, após acusações de alegadamente (alegadamente, pasme-se) ter consentido alegados (só alegados) abusos nas despesas de representação de alguns deputados; dois membros da Câmara dos Lordes foram hoje (20/05/09) suspensos (suspensos, a democracia inglesa está maluca!) por alegadamente (outra vez só alegadamente) terem aceitado dinheiro para votar projectos de lei. Nenhum deles foi, pasme-se de novo, condenado por sentença transitada em julgado, e mesmo assim, pasme-se ainda mais, tiraram consequências políticas de alegações fundamentadas que os visavam. Então e aquela coisa da "presunção de inocência"? As democracias belga e inglesa têm que comer muita papa Maizena para chegarem aos calcanhares da nossa...In JN, 21/05/2009
No caso tão badalado da escola de Espinho, o que fica a marcar a educação e a formação dos jovens? Manuel António Pina dá a resposta
Educação para a delinquência
A notícia veio em tudo o que é jornal e TV: uma professora da Escola EB 2,3 Sá Couto, em Espinho - que dezenas de alunos seus consideram "a mais espectacular da escola" e uma "segunda mãe" - foi suspensa "após afirmações de cariz sexual". A suspensão foi ditada pelo Conselho Directivo depois de duas alunas terem gravado afirmações suas numa aula, alunas que, segundo vários colegas, "fizeram aquilo de propósito e provocaram a conversa toda porque sabiam que estavam a gravar". A Associação de Pais e a DREN acharam muito bem.
A notícia veio em tudo o que é jornal e TV: uma professora da Escola EB 2,3 Sá Couto, em Espinho - que dezenas de alunos seus consideram "a mais espectacular da escola" e uma "segunda mãe" - foi suspensa "após afirmações de cariz sexual". A suspensão foi ditada pelo Conselho Directivo depois de duas alunas terem gravado afirmações suas numa aula, alunas que, segundo vários colegas, "fizeram aquilo de propósito e provocaram a conversa toda porque sabiam que estavam a gravar". A Associação de Pais e a DREN acharam muito bem.Ninguém, nem pais, nem Conselho Directivo, nem DREN "acharam mal" o facto de duas jovens de 12 anos terem cometido um crime (se calhar encomendado) para alcançarem os seus fins.
O Código Penal pune com prisão até 1 ano "quem, sem consentimento, gravar palavras proferidas por outra pessoa e não destinadas ao público, mesmo que lhe sejam dirigidas", punição agravada de um terço "quando o facto for praticado para causar prejuízo a outra pessoa".
Educadas desde jovens para a bufaria e a delinquência e sabendo que o crime compensa, que género de cidadãos vão ser aquelas miúdas?
In JN, 20/05/2009
Quarta-feira, 20 de Maio de 2009
O incontornável caso Freeport, verdadeiro "buraco negro" que vai reduzindo a nada o que resta de credibilidade, autoridade, coerência e transparência
Freeport XVIII: o meu primo é um mestre de 'kung fu'
por João Miguel Tavares
Só faltava mesmo o surgimento do jovem herói de Shaolin para transformar o caso Freeport numa ópera bufa que alguém devia levar à cena. Se eu estivesse a assistir a uma telenovela venezuelana onde um dos protagonistas tivesse decidido, numa altura delicada, partir para a China para estudar kung fu, teria encolhido os ombros e suspirado: "Estes argumentistas já não sabem o que mais hão-de inventar." Ao ver o primo de José Sócrates na primeira página do Expresso, empoleirado num pilar como se estivesse a ensaiar para o Karate Kid IV, comecei a rir de incredulidade - e ainda não parei. Aliás, isto é o mais próximo que alguma vez vi da famosa piada dos Monty Python que matava as pessoas à gargalhada.
Caro leitor: eu percebo que você ande enjoado. Eu próprio, semana após semana, sento-me em frente do computador para escrever mais um texto para esta página e a mão está sempre a fugir-me para Alcochete. Mas será que a culpa é minha? Por amor de Deus: depois daquele tio, agora sai-nos um primo vestido de Bruce Lee, a treinar artes marciais no templo de Shaolin e a chamar pelo nome de Wu Guo, "o guerreiro profundo"? Sobre o que é que querem que eu escreva, se nem a família Adams é tão divertida? É a mesma coisa que um paleontólogo tropeçar num osso de dinossauro e virem criticá-lo por começar a escavar.
Desde que o site do DN mudou e os leitores passaram a poder escrever comentários aos textos dos colunistas, sou frequentemente instado a confessar o que me move contra José Sócrates e qual é a minha "agenda". Meus caros amigos: eu não tenho agenda, eu não tenho partido e a minha única ambição política é conseguir governar a minha biblioteca. Acreditem ou não, ainda há seis meses estava convencidíssimo de que iria votar no engenheiro Sócrates nas próximas legislativas, sobretudo perante a tragédia que foram os primeiros meses de Manuela Ferreira Leite. Mas subitamente entrámos na twilight zone política e judicial no que ao Freeport diz respeito. E não há como virar a cara.
Só esta semana, tivemos: 1) O senhor procurador-geral a interpor um processo disciplinar devido a pressões que ele próprio garantira não existirem. 2) Ilustres juristas a defender que conversas privadas não são pressões mas delações (as pressões costumam ser feitas em conversas públicas, como toda a gente sabe). 3) Um jovem herói de Shaolin - que até hoje nunca foi escutado pela justiça portuguesa - a desmentir o seu primo quanto ao seu conhecimento de Charles Smith. E podia continuar. Lamento muito, mas o caso Freeport transformou-se numa tragicomédia nacional, que põe ao léu uma República grotesca, sem princípios, sem carácter e completamente disfuncional. Sobre o que hei-de eu escrever, se a vergonha já se estende desde aqui até à China?
por João Miguel Tavares
Só faltava mesmo o surgimento do jovem herói de Shaolin para transformar o caso Freeport numa ópera bufa que alguém devia levar à cena. Se eu estivesse a assistir a uma telenovela venezuelana onde um dos protagonistas tivesse decidido, numa altura delicada, partir para a China para estudar kung fu, teria encolhido os ombros e suspirado: "Estes argumentistas já não sabem o que mais hão-de inventar." Ao ver o primo de José Sócrates na primeira página do Expresso, empoleirado num pilar como se estivesse a ensaiar para o Karate Kid IV, comecei a rir de incredulidade - e ainda não parei. Aliás, isto é o mais próximo que alguma vez vi da famosa piada dos Monty Python que matava as pessoas à gargalhada.Caro leitor: eu percebo que você ande enjoado. Eu próprio, semana após semana, sento-me em frente do computador para escrever mais um texto para esta página e a mão está sempre a fugir-me para Alcochete. Mas será que a culpa é minha? Por amor de Deus: depois daquele tio, agora sai-nos um primo vestido de Bruce Lee, a treinar artes marciais no templo de Shaolin e a chamar pelo nome de Wu Guo, "o guerreiro profundo"? Sobre o que é que querem que eu escreva, se nem a família Adams é tão divertida? É a mesma coisa que um paleontólogo tropeçar num osso de dinossauro e virem criticá-lo por começar a escavar.
Desde que o site do DN mudou e os leitores passaram a poder escrever comentários aos textos dos colunistas, sou frequentemente instado a confessar o que me move contra José Sócrates e qual é a minha "agenda". Meus caros amigos: eu não tenho agenda, eu não tenho partido e a minha única ambição política é conseguir governar a minha biblioteca. Acreditem ou não, ainda há seis meses estava convencidíssimo de que iria votar no engenheiro Sócrates nas próximas legislativas, sobretudo perante a tragédia que foram os primeiros meses de Manuela Ferreira Leite. Mas subitamente entrámos na twilight zone política e judicial no que ao Freeport diz respeito. E não há como virar a cara.
Só esta semana, tivemos: 1) O senhor procurador-geral a interpor um processo disciplinar devido a pressões que ele próprio garantira não existirem. 2) Ilustres juristas a defender que conversas privadas não são pressões mas delações (as pressões costumam ser feitas em conversas públicas, como toda a gente sabe). 3) Um jovem herói de Shaolin - que até hoje nunca foi escutado pela justiça portuguesa - a desmentir o seu primo quanto ao seu conhecimento de Charles Smith. E podia continuar. Lamento muito, mas o caso Freeport transformou-se numa tragicomédia nacional, que põe ao léu uma República grotesca, sem princípios, sem carácter e completamente disfuncional. Sobre o que hei-de eu escrever, se a vergonha já se estende desde aqui até à China?
In DN, 19/05/2009
Desde 2006, a qualidade da democracia, em Portugal, vai de mal a pior. Mais uma mancha da governação socrática que não sai com lavagens mediáticas
Qualidade da democracia em portugal está a piorar
por JOÃO PEDRO HENRIQUES
Portugal perdeu seis posições, de 2006 para 2008, no 'Democracy Index' feito pelos especialistas da revista 'The Economist'. Passou de 19.º lugar para 25.º. Entre os 27 países da União Europeia, Portugal encontra--se na segunda metade do pelotão. Na verdade, sem os países do alargamento, poderia ser considerado um dos com pior vivência democrática.
Ler o resto da notícia no DN (19-05-2009)
Perante esta vergonhosa queda no ranking europeu, estranha-se a ausência de reacção dos habituais dinossauros e arautos da defesa da democracia e da liberdade. Como outras estratégias de repartição do poder se desenham para o futuro e como isto afecta a imagem pseudo-modernaça de "mon ami" Sócrates, torna-se mais cómodo assobiar para o lado e fingir que não se está atacado de fingimento.
Já o silenciamento da notícia por parte de muitos órgãos de comunicação social, também é um bom indício da existência dos processos de recalcamento que sempre emergem do sentimento de culpa.
O cortejo fúnebre que leva o caixão da democracia apenas vai no adro, pois esperem pelos resultados do clima anti-democrático que o novo modelo de gestão vai impor nas escolas e preparem-se para assistir ao triunfo da pedagogia da subserviência e do lambe-botismo. Isto, claro, se até lá ninguém reagir!
por JOÃO PEDRO HENRIQUESPortugal perdeu seis posições, de 2006 para 2008, no 'Democracy Index' feito pelos especialistas da revista 'The Economist'. Passou de 19.º lugar para 25.º. Entre os 27 países da União Europeia, Portugal encontra--se na segunda metade do pelotão. Na verdade, sem os países do alargamento, poderia ser considerado um dos com pior vivência democrática.
Ler o resto da notícia no DN (19-05-2009)
Perante esta vergonhosa queda no ranking europeu, estranha-se a ausência de reacção dos habituais dinossauros e arautos da defesa da democracia e da liberdade. Como outras estratégias de repartição do poder se desenham para o futuro e como isto afecta a imagem pseudo-modernaça de "mon ami" Sócrates, torna-se mais cómodo assobiar para o lado e fingir que não se está atacado de fingimento.
Já o silenciamento da notícia por parte de muitos órgãos de comunicação social, também é um bom indício da existência dos processos de recalcamento que sempre emergem do sentimento de culpa.
O cortejo fúnebre que leva o caixão da democracia apenas vai no adro, pois esperem pelos resultados do clima anti-democrático que o novo modelo de gestão vai impor nas escolas e preparem-se para assistir ao triunfo da pedagogia da subserviência e do lambe-botismo. Isto, claro, se até lá ninguém reagir!
Terça-feira, 19 de Maio de 2009
Neste tempo pré-eleitoral, Sócrates disse: "Mantenho o vício da filosofia". E o país filosófico estarreceu de espanto e de incredulidade!
Tem insónias, ouve rádio (aposto que escuta, embevecido, a Eduarda Maio, nas "manhãs da Antena1"), conversa com o motorista e até devora filosofia.
Presumo que andará viciado em dogmatismo, pois cepticismo, exercício da dúvida, espírito de abertura, criticismo, falibilismo ou humildade intelectual, não parecem fazer parte do seu modus vivendi/operandi.
Se a dica do "vício da filosofia" pega, ainda vamos assistir a muitos neófitos das novas oportunidades dirigirem-se às urnas, lá para Setembro ou Outubro, convictos de irem votar no mestre de Platão.
Eu, fico na minha: alguém não resistiu (é o que faz o vício!) à tentação nominalista.
O colega Mário Carneiro (filósofo, mas sem alardear) dissecou a vocação filosófica de Sócrates no blogue O estado da educação e do resto.
Os portugueses já perceberam: tudo o que possa chamuscar "as pessoas mais importantes do país" vai para o "maneta" (obrigado reitor, pela franqueza)
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In Público, 18/05/2009
Obrigado, La Salette
Tempos de grande perplexidade estes, em que se começam a banalizar e a aturar práticas algo esquizóides, sob a forma de lapsos e instintos de destruição.
Ora são as invocações e as acusações indevidas (brincadeiras, pá), ora são apagões de documentos (provas?!) ao nível de autênticos thrillers de suspense e mistério.
Lapsos: Charles Smith; Hugo Monteiro; Júlio Monteiro; Lopes da Mota...
Apagões: documentos da Smith & Pedro terão sido destruídos; documentos da Independente foram para o "maneta"; escritura pública que deu sumiço; agora ficamos a saber que documentos do Ministério do Ambiente, ligados ao caso "Cova da Beira", foram atirados para o "lixo".
Para despeito dos mais curiosos e dos mais ciosos da justiça, fica sem resposta o insondável mistério da nomeação do omnipresente António Morais, no caso do "lixo" da Cova da Beira. Está escancarado o caminho ao "diz que diz", ao mito e à narrativa cinematográfica. Venha a ficção, pois a realidade já não existe mais!
Texto fabuloso, sobretudo em tempos de calinadas na sintaxe por parte de pessoas que, por força dos seus cargos, deviam ser modelos de bem escrever
Recebi este texto por e-mail, mas não resisto a postá-lo, mesmo sem autorização da autora, pois a genialidade e a arte devem constituir bens de fruição pública.
Redacção feita por uma aluna de Letras, que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa.
Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.
Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento.Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo. Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.
Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.
Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.
Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.
Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.
Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisto a porta abriu-se repentinamente.
Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.
Que loucura, meu Deus!
Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
Só que, as condições eram estas:
Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.
Fernanda Braga da Cruz
Alguns que todos conhecemos deviam lê-lo, interminavelmente, com a leveza proporcionada pelo martírio redentor de quem expia um pecado de lesa-sintaxe.
Redacção feita por uma aluna de Letras, que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa.
Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.
Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento.Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo. Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.
Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.
Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.
Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.
Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.
Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisto a porta abriu-se repentinamente.
Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.
Que loucura, meu Deus!
Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
Só que, as condições eram estas:
Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.
Fernanda Braga da Cruz
Segunda-feira, 18 de Maio de 2009
O facilitismo invadiu a política: distribuir, sejam Magalhães, preservativos ou milhões, é sempre a conduta mais básica e rudimentar
“Para as escolas, um aviso: a última vez que o governo distribuiu material pelos alunos, os Magalhães estavam cheios de erros. Espera-se que, desta vez, os preservativos não venham furados.”J. P. Coutinho (Correio da Manhã)
Também, com o frenesim mediático de Sócrates, convenhamos que não lhe há-de sobrar muito tempo para planificar projectos e definir programas de acção e intervenção sustentados, coordenados e fiáveis.
Em tempos de aperto e dificuldades, era mais tranquilizador para os cidadãos verem o seu primeiro-ministro mais recatado, mais ocupado a pensar e a discutir soluções para combater o desemprego e os problemas atávicos do país, do que vê-lo numa voracidade propagandística em tudo o que é distribuições, entregas, inaugurações ou cerimoniais de promessas.
O excesso de exposição mediática já começa a enjoar!
Lendo o artigo de António Barreto, percebe-se melhor porque é que Lopes da Mota ainda não tomou a atitude mais decente, isto é, pedir a sua demissão
Nota pessoal:
A análise que António Barreto empreende da situação da justiça, em Portugal, ajuda-nos a compreender porque Lopes da Mota ainda não solicitou a suspensão das funções que desempenha no Eurojust, assim como permite um melhor entendimento das prontas e inusitadas reacções de muitos agentes da justiça e outras figuras da política de cortinas de fumo e de lodaçal que por cá se vai fazendo, orientadas para a defesa da manutenção do cargo por parte de Lopes da Mota.
Também Sócrates ainda não percebeu o absurdo e o risco para si próprio em manter, num cargo com grande visibilidade internacional, uma pessoa que o ligou, mesmo que indevidamente, ao caso Freeport.
Já António Arnaut, do PS, vem, numa declaração bizarra e completamente deslocada, acusar os magistrados que têm a seu cargo o caso Freeport de delação, pela circunstância de terem cumprido o dever ético e a obrigação legal de denunciarem pretensas pressões e chantagens. O código de silêncio, nestas circunstâncias, seria apanágio de máfias ou de sociedades secretas e obscuras. Por outro lado e para ilustrar o ridículo de personagens que não conseguem enxergar para além da estrito enquadramento jurídico do processo disciplinar, também é caso para perguntar, mesmo neste terreno, onde estavam António Arnaut, Marinho Pinto, Rogério Alves e Cândida Almenida, entre outros, aquando do caso do professor Charrua, que, por um acto de menor gravidade, foi imediatamente suspenso de funções, antes da conclusão do processo disciplinar? Não me digam que estavam ausentes do país! É com estas coerências que os portugueses se vão questionando acerca das motivações que regem certas figuras públicas, tão lestas a usufruírem do palco mediático, mesmo sem terem ligação à coisa.
Por seu lado, o PS chumbará, certamente, a ida de Lopes da Mota ao Parlamento, solicitada pelo PP e pelo BE. Mas, não foi o próprio Lopes da Mota que conferiu dimensão política ao caso, quando invocou os nomes de Alberto Costa e José Sócrates? Os portugueses sempre gostam de pensar que "quem não deve não teme".
Contudo, como evidencia António Barreto, o estado da justiça e o estado de alguma política é o que é!...
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Obrigado, La Salette
Domingo, 17 de Maio de 2009
Em matéria de informática e de TIC, Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues não ensinam nada à Madeira. Só tinham que demorar-se por lá e aprender...
A ilha da Madeira não é, propriamente, o melhor local para Sócrates e a ministra da Educação propagandearem o computador Magalhães e se envolverem em rituais públicos de louva-magalhães.Enquanto o projecto Magalhães é uma iniciativa eleitoralista, impreparada e insusceptível de ser acompanhada e monitorizada (dificilmente se consegue controlar, quer a qualidade e o tipo de utilização, quer o destino de alguns equipamentos), a Secretaria Regional da Educação conseguiu implementar, a partir do ano 2000, um sustentado e integrado projecto de informática e de tecnologias da informação e da comunicação, em múltiplas vertentes e com maior justiça social. Leia-se, a propósito, uma notícia recente do Jornal da Madeira, onde as iniciativas levadas a cabo na Madeira são descritas. Comparem-se os projectos e não é difícil concluirmos o quanto Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues tinham para aprender na Madeira. Foi pena o escasso tempo que lá estiveram não ter permitido a frequência de uma Acção de Formação, mesmo rapidinha (mas, não daquelas que foram disponibilizadas no continente, a propósito do Magalhães).
JORNAL DA MADEIRA
Quase 7 mil famílias já receberam computadores
O documento salienta ser “imperioso” que “as crianças e os jovens estejam familiarizados com as ferramentas informáticas; que a utilização das tecnologias faça parte, com carácter de obrigatoriedade, do seu dia-a-dia escolar; que as escolas estejam dotadas de meios técnicos e de recursos humanos adequados; que as famílias se sintam integradas neste esforço colectivo e igualmente beneficiadas pelas tecnologias na sua relação com a escola”.
“Toda a estratégia foi orientada para tais propósitos, pelo que a Região Autónoma da Madeira iniciou, há vários anos, um esforço no sentido de cumprir estes objectivos, sendo hoje a Madeira um exemplo a seguir na introdução das TIC no processo de ensino/aprendizagem, a par de ser a Região do País com maior cobertura de Internet de “banda larga”, destaca o memorando do Goveno Regional, acrescentando que tendo em vista “ir mais longe na construção da sociedade da informação e do conhecimento”, foram já lançados um conjunto de iniciativas.
Assim, é salientando o projecto “Uma Família Um Computador”, com cerca de 6.844 computadores já atribuídos a famílias de baixos recursos, iniciado em 2000 e projectado até 2015, o projecto “Um computador para Todos”, com 84 salas de informática de acesso público, com 504 computadores instaladas em entidades sem fins lucrativos e o projecto “Um professor um Computador”, com mais de 800 professores apoiados na aquisição de computadores portáteis e já concretizado.
Em consequência, o documento realça que no âmbito Escolar, já foi atingido o rácio de 1 computador por 7 alunos nas Escolas Básicas e Secundárias e 1/10 nas Escolas do 1º Ciclo, que foi colocado um Coordenador das Tecnologias de Informação e Comunicação em todas as Escolas Básicas de 2º e 3º ciclos e Secundárias e um técnico de Informática em cada uma das Escolas Básicas de 2º e 3º ciclos e Secundárias.
Foi garantido um “upgrade” dos equipamentos informáticos em cada 2 anos e a substituição total em cada 4 anos, criadas salas de “segunda linha” com acesso livre, adquiridos 4 “wireless labs” (laboratórios informáticos móveis com 16 portáteis cada), instaladas redes “wireless” em todas as escolas, além de estar em curso a instalação de Quadros Interactivos.
Impacto das tecnologias na melhoria dos serviços
Deste modo, acentua o memorando, “o impacto das tecnologias reflecte-se na melhoria dos serviços aos utentes”, nomeadamente com pautas “on-line”, matriculas “on-line”, controle dos Escalões de Acção Social Educativa, gestão das contribuições das famílias nas creches e infantários, portal Estudantes Universitários – Bolseiros, controlo do fornecimento de leite escolar, gestão de alunos e turmas, requisições e fornecimento de material escolar e concursos de pessoal docente.
No âmbito da Educação e da Educação Especial, algumas medidas merecem destaque, nomeadamente a criação de quatro salas (em 2006/2007) em instituições de Ensino Especial, dotadas de computadores adaptados, a atribuição de 101 computadores adaptados a alunos com necessidades educativas especiais, a criação de um centro de avaliação especializada que acompanha a utilização de computadores por pessoas com deficiência, a produção de software adaptado, a criação do projecto de Teleaula “Aprender sem Barreiras” de ensino à distância, em regime de vídeo-conferência e do projecto “Estou na Escola com os meus amigos”, para alunos temporariamente afastados da escola por motivo de doença, o lançamento do Portal de Tecnologias Educativas “EDUCATIC”- Portal de divulgação das TIC na Educação destinado, em primeira linha, aos professores, com disponibilização de jogos educativos e propostas de actividades para os alunos, a atribuição do DCB (Diploma de Competência Básicas) no final do 1.º ciclo, o lançamento do Projecto Mediateca e do “UmTIC” – projecto de apoio à exploração pedagógica das TIC no EB1.
Projecto inovador leva TIC’s a todos os alunos do Ensino Básico da Região
A Região Autónoma da Madeira desenvolve actualmente um projecto inovador que garante que todos os alunos do Ensino Básico (1º ao 9º ano) tenham contacto obrigatório com as Novas Tecnologias. Assim, no 1.º ciclo (do 1º ao 4º ano) 92% das escolas estão em regime de “Escola a Tempo Inteiro”. Nestas as TIC constam, obrigatoriamente da oferta da Escola como “complemento curricular”. A actividade é ministrada por licenciados. A partir de 2009/2010 passa a integrar-se parte da carga horária das TIC na componente curricular. Todas as escolas têm uma sala de informática. No 2.º ciclo - (5º e 6º anos) - a partir do ano 2007/2008 passou a haver, na componente horária designada “Área de Projecto”, e com carácter de obrigatoriedade, o desenvolvimento de um projecto, que implique o uso obrigatório de uma “ferramenta” informática, assim se consolidando as aprendizagens que os alunos já transportam do EB1. Como na RAM são colocados dois professores para a área de projecto, um deles, pelo menos, terá que ter formação informática. Em paralelo, e através da intervenção do coordenador TIC, procurar-se-á introduzir o uso das TIC nas disciplinas curriculares. No 3.º ciclo - (do 7º ao 9º ano) - já existe uma disciplina de TIC de frequência obrigatória, no 9º ano. A partir deste ano, é aconselhado pelo Ministério de Educação que, para os alunos do 8.º, seja usada a Área de Projecto, para o ensino das TIC. Na RAM tornou-se obrigatório, a partir do ano lectivo 2007/2008, a frequência obrigatória em todo o 3.ºciclo, sendo o 7.º e 8º na Área de Projecto e o 9.º como disciplina autónoma.
Augusto Soares
Pegou a moda de invocar, indevidamente, o nome de Sócrates
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Afastada a hipótese de uma campanha negra, pois os casos e os protagonistas são tantos que a rigor ter-se-ia que admitir a tese da existência de múltiplas campanhas negras, as pessoas começam, seriamente, a questionar-se (até que se consume o embrutecimento que há-de resultar do facilitismo que se procura instituir, os indivíduos ainda vão pensando) como é possível que José Sócrates apareça na comunicação social e em alguns processos, directa ou indirectamente, referenciado em situações e casos tão pouco abonatórios, como as condições anómalas da obtenção da licenciatura na Independente, a assinatura de projectos de arquitectura, a central de compostagem da Cova da Beira, o abate do montado de sobreiros - Setúbal, a aquisição pretensamente favorável de imóvel (com o episódio rocambolesco do desaparecimento da escritura pública do imóvel adquirido pela mãe de Sócrates), o caso Freeport, as pressões no caso Freeport e quejandos.
Além do mais, porque este quadro de imputação de alegadas ligações ou envolvimentos nunca tinha ocorrido com nenhum outro político em Portugal.
É desconcertante ver José Sócrates atrair sobre si tantas e tão "indevidas" invocações e imputações de envolvimento em processos de duvidosa lisura ética, quando não mesmo de favorecimentos, atropelos ou actuações pouco transparentes.
Será caso para se soltar um preventivo "cruzes canhoto" e para o homem ir, rapidamente, à bruxa, de molde a libertar-se de energia tão agoirenta!
É desconcertante ver José Sócrates atrair sobre si tantas e tão "indevidas" invocações e imputações de envolvimento em processos de duvidosa lisura ética, quando não mesmo de favorecimentos, atropelos ou actuações pouco transparentes.
Será caso para se soltar um preventivo "cruzes canhoto" e para o homem ir, rapidamente, à bruxa, de molde a libertar-se de energia tão agoirenta!
Quando Charles Smith, o tio, o primo e Lopes da Mota vêm afirmar que referiram indevidamente o nome de Sócrates, então e dado que é pública e notória a sanidade mental destas pessoas, só resta a Sócrates processá-las por difamação, incluindo ao primo, nem que o Natal seja menos efusivo.
P.S. (sem conotações partidárias): todavia, sempre ficam algumas questões que carecem de melhor esclarecimento, a saber:
1) o processo e as rotinas académicas de obtenção da licenciatura por parte de Sócrates foram comuns a outros alunos em situações similares ou tratou-se de procedimentos excepcionais e porquê?
2) a que propósito e com base em que enquadramentos surge o Eng. António Morais com responsabilidades na selecção das empresas a concurso no caso da central de compostagem da Cova da Beira? Quem o nomeou e com base em que critérios?
3) É verdade ou não é verdade que o preço do apartamento adquirido por Sócrates ou familiares tenha tido um custo substancialmente inferior àquele que foi pago por outros proprietários? A ser verdade, existe alguma razão válida para que um tal desconto tenha ocorrido?
4) Confirma-se o desaparecimento da escrita pública relativa ao apartamento adquirido pela mãe de Sócrates? Se sim, que diligências estão a ser feitas pelas autoridades para esclarecer o misterioso desaparecimento? É habitual desaparecerem escrituras públicas e, a sê-lo, que procedimentos adoptam os Cartórios para reporem a informação ou os documentos perdidos?
5) Todos os que se envolveram ou se viram envolvidos no caso Freeport estão ou não estão disponíveis para permitirem que as autoridades possam ter acesso às suas operações bancárias, incluindo as que possam reportar a off-shores?
6) É ou não passível de apuramento pelas autoridades, a denúncia recente de um empresário que referiu o envolvimento de familiares de Sócrates na intermediação da venda de património do Estado?
Os portugueses necessitavam de ver estas e outras questões rápida e cabalmente esclarecidas, de molde a restaurar-se a confiança das pessoas nos agentes políticos. É pedir muito?!
Sábado, 16 de Maio de 2009
Terça-feira, 12 de Maio de 2009
Denúncia da subserviência de alguma comunicação social à vergonhosa máquina de propaganda de Sócrates
João Miguel Tavares
In JN, 12/05/2009
Caro leitor: sempre que lhe vierem dizer que a comunicação social portuguesa é muito agressiva e pouco escrupulosa, lembre-se dos cogumelos de Benlhevai. A tarde de sexta-feira ia a meio quando a TVI24 decidiu fazer um directo da fábrica de cogumelos Sousacamp, em Benlhevai, onde o primeiro-ministro fazia uma distintíssima visita. Eu não tenho nada contra cogumelos, e muito menos contra Benlhevai. Mas o que se passou nessa tarde é um pequeno exemplo de como o grande problema da comunicação social nunca foi o excesso de irreverência ou a falta de escrúpulos, mas sim o respeitinho pelo poder e a devoção às instituições, pondo-se a jeito de tudo o que é propaganda governamental.
Em Benlhevai estava o primeiro-ministro. O ministro da Agricultura. Televisões. A Lusa. E cogumelos. A TVI24 levou um carro de exteriores para um directo que consistiu em acompanhar três anúncios, qual deles o mais ridículo: dois contratos de investimento que vão criar a loucura de 165 postos de trabalho (em tempo de vacas magras, se for preciso Sócrates até convoca as câmaras para anunciar a contratação da sua nova empregada doméstica); o aumento para 28 dos "túneis de produção de substrato", que parece ser uma coisa que faz os cogumelos muito felizes; e como bónus a notícia de que o Governo vai aumentar as ajudas para a "agricultura de montanha", coisa que deve preocupar para aí o João Garcia, e só quando não está a trepar os Himalaias.
O interesse noticioso desta viagem de estudo pelos cogumelos de Benlhevai é obviamente nulo. Mas se está lá o primeiro-ministro a comunicação social tem de ir. Porque vai sempre. E depois tem de passar umas imagens nos telejornais. Porque passa sempre. É uma espécie de contrato não escrito entre o primeiro e o quarto poderes, que Sócrates aproveitou como nenhum outro. E por isso devemos ser o país do Ocidente onde os ministros mais desfilam pela televisão, com cada espirro legislativo e cada tabuleta descerrada a merecer ampla cobertura mediática.
Para sermos justos, o Governo não é o único beneficiário de toda esta disponibilidade. Ainda recentemente, após a entrevista de José Sócrates à RTP, as TV foram a correr pôr os microfones na boca dos partidos com assento parlamentar (incluindo Os Verdes, para as clássicas "reacções". Mas porquê, meu Deus? Num país onde os media andam a ser tão acusados de serem terríveis para o nosso querido engenheiro, alguém devia explicar porquê então esse tempo de antena permanente, esta disponibilidade perpétua para escutar o que partidos e Governo têm para dizer, mesmo que quase sempre seja uma mão-cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Todos os dias nos enfiam cogumelos pela goela abaixo - e ainda protestam.
In JN, 12/05/2009
Caro leitor: sempre que lhe vierem dizer que a comunicação social portuguesa é muito agressiva e pouco escrupulosa, lembre-se dos cogumelos de Benlhevai. A tarde de sexta-feira ia a meio quando a TVI24 decidiu fazer um directo da fábrica de cogumelos Sousacamp, em Benlhevai, onde o primeiro-ministro fazia uma distintíssima visita. Eu não tenho nada contra cogumelos, e muito menos contra Benlhevai. Mas o que se passou nessa tarde é um pequeno exemplo de como o grande problema da comunicação social nunca foi o excesso de irreverência ou a falta de escrúpulos, mas sim o respeitinho pelo poder e a devoção às instituições, pondo-se a jeito de tudo o que é propaganda governamental.Em Benlhevai estava o primeiro-ministro. O ministro da Agricultura. Televisões. A Lusa. E cogumelos. A TVI24 levou um carro de exteriores para um directo que consistiu em acompanhar três anúncios, qual deles o mais ridículo: dois contratos de investimento que vão criar a loucura de 165 postos de trabalho (em tempo de vacas magras, se for preciso Sócrates até convoca as câmaras para anunciar a contratação da sua nova empregada doméstica); o aumento para 28 dos "túneis de produção de substrato", que parece ser uma coisa que faz os cogumelos muito felizes; e como bónus a notícia de que o Governo vai aumentar as ajudas para a "agricultura de montanha", coisa que deve preocupar para aí o João Garcia, e só quando não está a trepar os Himalaias.
O interesse noticioso desta viagem de estudo pelos cogumelos de Benlhevai é obviamente nulo. Mas se está lá o primeiro-ministro a comunicação social tem de ir. Porque vai sempre. E depois tem de passar umas imagens nos telejornais. Porque passa sempre. É uma espécie de contrato não escrito entre o primeiro e o quarto poderes, que Sócrates aproveitou como nenhum outro. E por isso devemos ser o país do Ocidente onde os ministros mais desfilam pela televisão, com cada espirro legislativo e cada tabuleta descerrada a merecer ampla cobertura mediática.
Para sermos justos, o Governo não é o único beneficiário de toda esta disponibilidade. Ainda recentemente, após a entrevista de José Sócrates à RTP, as TV foram a correr pôr os microfones na boca dos partidos com assento parlamentar (incluindo Os Verdes, para as clássicas "reacções". Mas porquê, meu Deus? Num país onde os media andam a ser tão acusados de serem terríveis para o nosso querido engenheiro, alguém devia explicar porquê então esse tempo de antena permanente, esta disponibilidade perpétua para escutar o que partidos e Governo têm para dizer, mesmo que quase sempre seja uma mão-cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Todos os dias nos enfiam cogumelos pela goela abaixo - e ainda protestam.
Nota pessoal:
É, absolutamente, vergonhosa e destituída de critério jornalístico a forma como as televisões ignoram muitas iniciativas da sociedade civil, relativas a verdadeiros problemas do país (veja-se o caso da educação que não é merecedor de debates e de coberturas noticiosas à altura da gravidade dos problemas que afectam as escolas), para irem, todos os dias, quais cordeirinhos amansados, atrás da máquina de propaganda de Sócrates, efectuar directos de "cogumelos", de "painéis solares", que afinal não o são, ou de uma irrelevante "creche". Um dia destes, ainda somos confrontados com um directo sobre a inauguração do portão de acesso ao anexo de uma qualquer casa em Pias, para a qual Sócrates tenha sido convidado, na qualidade de financiador indirecto pela via do rendimento de inserção.
Lopes da Mota é amigo: por auto-recreação deu-se ao incómodo de pressionar a favor de Sócrates
Caso Freeport: Presidente do Eurojust alvo de processo disciplinarO Conselho Superior do Ministério Público, reunido esta terça-feira em Lisboa, confirmou que o presidente do Eurojust será alvo de processo disciplinar.
In JN, 12/05/2009
Freeport: PGR avança para processo disciplinar no caso das pressões
O procurador-geral da República decidiu converter o inquérito sobre as pressões aos magistrados que investigam o caso Freeport em processo disciplinar. O resultado do inquérito foi esta tarde comunicado aos membros do Conselho Superior do Ministério Público por Pinto Monteiro.
In Público, 12/05/2009
Nota pessoal:
Ao que parece, as pressões no caso Freeport têm um rosto instrumental: chama-se Lopes da Mota. Supostamente, trata-se de alguém com experiência no ofício (recordam-se as suspeitas no caso Fátima Felgueiras), na linha de práticas de interferência no poder judicial, também imputadas a Alberto Costa, aquando da sua permanência em Macau.
Falta agora apurar quem foram os mandantes, pois só um parvo acredita que um alto funcionário do Ministério Público ponha em causa, de modo tão insensato, a sua carreira e o seu prestígio, ao assumir de forma tão altruísta as "dores" do primeiro-ministro, actuando por sua "conta e risco".
O pior que pode acontecer é tudo ficar resolvido e ser, rapidamente, consumido nos fogos de palha mediáticos, uma vez obtida a demissão do Procurador Lopes da Mota (se calhar, até haverá o desplante de nem chegar a tanto). O aviso já veio da parte de Vitalino Canas, porta-voz do PS, ao "proibir" que possam ser tiradas ilações deste caso. Há muito que estes senhores queimaram a mulher de César!
A propósito de fogos de palha, já alguém procurou a explicação para o desaparecimento da "escritura pública" do apartamento adquirido pela mãe do primeiro-ministro?
É normal os documentos arquivados pelos notários irem, assim e também, para o "maneta"?
Isto não começa já a ter contornos de demasiada coincidência?!
Será que as "pessoas mais importantes do país" atemorizam assim tanto aqueles que têm por função e obrigação investigar todos os cidadãos, no pressuposto da igualdade perante a lei?
Haja decência!
Domingo, 10 de Maio de 2009
Sexta-feira, 8 de Maio de 2009
Para quem afirma que Manuel Pinho não acerta uma, aí está a receita para o país sair da crise: alimentar os políticos com papa Maizena ou talvez não
Pinho decreta o fim da crise e ela aí está em força e para durar.
Pinho faz juras de que "não atira a toalha ao chão", mas foi visto, recentemente, a estendê-la no areal de uma praia do Allgarve.
Pinho acusa Rangel de ainda ter que comer muita farinha Maizena, mas esqueceu-se de se ver ao espelho e cometeu um erro básico de percepção: não reparou no aspecto bem nutrido de Paulo Rangel.



Pinho faz juras de que "não atira a toalha ao chão", mas foi visto, recentemente, a estendê-la no areal de uma praia do Allgarve.
Pinho acusa Rangel de ainda ter que comer muita farinha Maizena, mas esqueceu-se de se ver ao espelho e cometeu um erro básico de percepção: não reparou no aspecto bem nutrido de Paulo Rangel.



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Mais uma vez, Pinho equivoca-se, pois parece não restarem dúvidas se foi a ele próprio ou a Paulo Rangel que escasseou a farinha Maizena na criação. Mera constatação nutricional!
Quinta-feira, 7 de Maio de 2009
Reportagem da TVI sobre o negócio da Cova da Beira: este "lixo" não conspurca ninguém?
Reportagem exibida pela TVI sobre a negociata da construção e exploração da Central de Compostagem da Cova da Beira.
"Porque é que a zona mais pobre do país está a pagar a tonelada do lixo mais cara do país?"
"Isto é tudo uma malandragem!"
"Se o dinheiro for bem aplicado e for bem gerido...". E se não for, como não foi? Em Portugal, não há responsabilidade política?
Quem introduziu o polivalente Professor Morais nesta história? Não há ninguém com "eles no sítio" para investigar estas ligações?
"Porque é que a zona mais pobre do país está a pagar a tonelada do lixo mais cara do país?"
"Isto é tudo uma malandragem!"
"Se o dinheiro for bem aplicado e for bem gerido...". E se não for, como não foi? Em Portugal, não há responsabilidade política?
Quem introduziu o polivalente Professor Morais nesta história? Não há ninguém com "eles no sítio" para investigar estas ligações?
Terça-feira, 5 de Maio de 2009
Segunda-feira, 4 de Maio de 2009
Medina Carreira: o processo de avaliação dos professores está num estado de tontice
Entrevista de Medina Carreira ao Correio da Manhã e Rádio Clube
Excerto relativo à Educação
ARF - Aumentar a escolaridade obrigatória nestas condições é uma ideia má?
MC - Teoricamente é uma boa medida. Como mexer na Justiça também seria uma boa medida.
LC - Mas é preciso que a escola seja boa.
MC - Agora mexer na escola e ficar tudo na mesma não interessa. Se os alunos estiverem lá e são tão bons os bons como são bons os maus, quer dizer, anda lá um número grande a atrapalhar o trânsito, em nome de uma coisa esquisitíssima e que eu não aceito que é a escola inclusiva. Ora, a escola é inclusiva se as pessoas estão lá para aprender. Se não estão para aprender têm de ir para outro sítio. Um estádio de futebol, põe-se lá toda a gente aos pontapés na bola. Agora, na escola só pode estar quem queira aprender. Mas isso tem de ser aferido. Nós temos todos os anos de verificar se eles aprenderam.
ARF - Têm de ter exames, não é?
MC - Fazer exames. Nós temos de ter programas decentes, feitos por intelectuais, por artistas, por técnicos. Nem sei quem é que os fez. São uns programas horríveis, os manuais são de fugir. E depois inverte-se tudo. Nós não podemos ter professores a ensinar bem se os alunos nem os ouvem. O senhor pode arranjar 200 mil catedráticos que não consegue ensinar esta gente. Porque eles não querem aprender. Oitenta por cento dos que estão lá não querem aprender. Bons são sempre bons. Quando nós éramos crianças também havia bons e havia maus. E havia uns médios e estes estudavam por causa dos exames.
LC - Seriam a maioria.
MC - Isso foi ontem, é hoje e será na próxima geração. Agora não. Temos os bons que eram bons e temos o resto. E como não há exames nunca chega a ocasião para estudar. Portanto isto é uma falsificação. O ensino em Portugal é uma intrujice. Uma intrujice cara. E depois inverte-se isto. Vamos avaliar os professores, nem sei quais são os critérios. No estado em que aquilo está parece-me uma tontice, mas não se avaliam os alunos. Isto tem pés e cabeça? Isto é de uma sociedade de gente com juízo?
ARF - Esta nossa escola é uma certa escola, que dura há anos e anos.
MC - É uma escolinha. Não é uma escola, é uma escolinha. É um grupo de gente que está a praticar um crime gravíssimo que vai liquidar uma geração. Se não mais. Mas a próxima geração maioritariamente está liquidada. As pessoas não aprendem a língua. Nós pensamos em português. Se a gente não sabe bem português não pensa bem. Nós não sabemos fazer contas, nós não sabemos geografia. Se perguntarem a um rapazito qualquer onde é que é Washington não faz ideia nenhuma, é capaz de dizer que é na Ásia.
LC - Acha que a geração que vai estar no mercado de trabalho daqui a dez , vinte anos vai ser pior?
MC - Vai ser cada vez pior. Porque está a enraizar-se esta decadência do ensino. O ensino está numa decadência profunda.
LC - E algum dia foi melhor? Nestes últimos 30 anos?
MC - Para os que podiam andar na escola foi muito melhor. Andavam eram poucos. Mas o problema não é esse.
LC - Estamos a falar de quando?
MC - Do tempo em que eu estudei. No século passado. E da minha filha, que andou na escola pública.
LC - Antes do 25 de Abril.
MC - Sim, muito antes.
LC - A escola era melhor antes do 25 de Abril do que é agora?
MC - Incomparavelmente. A diferença é que eram poucos. Eram para aí 30 por cento menos do que hoje.
LC - E preferia que fossem poucos?
MC - Não, não prefiro que sejam poucos. Eu prefiro é autenticidade, porque isto é uma vigarice. É que os pais dos que lá estão têm de ter a certeza de que estão a aprender. Não é serem poucos ou muitos. Não interessa nada produzir quantidade que é lixo. Nada.
LC - Mas a quantidade á partida diminui sempre a qualidade. A massificação do ensino diminui a qualidade, não acha?
MC - Mas não é diminuir até zero. Nós estamos a bater no chão. É diminuir um pouco. Agora isto não é nada. Um aluno sai dali e não sabe escrever. Eu ensinei muitos anos e acabei por me irritar com o ensino. Dava-lhes provas escritas e era dificílimo de entender o que escreviam. Cheias de erros, linha sim, linha não um erro, expunham pessimamente, tudo aquilo era um ver se te avias.
LC - Acha que no Ministério da Educação não sabem isso?
MC - O Ministério da Educação, como os outros Ministérios neste nosso regime, está ali para parecer, para apresentar uma estatísticas lá forjadas não sei como. Para vocês nas sondagens descobrirem que este Governo é um Governo muito próspero.
LC - Cavaco Silva tem razão quando diz que não se deve governar para as estatísticas.
MC- Com certeza. Não se deve governar para as estatísticas. Deve governar-se em função de um objectivo e daquilo que é fundamental para o País. Porque nós andamos distraídos com tanta coisa e não percebemos que quando se fala de economia não estamos a falar de economia. Estamos a dizer desemprego, pobreza, desigualdades e riscos para o Estado social. Com esta economia que cresce 0,5 % ao ano dentro de dez anos as políticas sociais têm de ser completamente revistas. Não há dinheiro para manter estas políticas sociais.
ARF - Aumentar a escolaridade obrigatória nestas condições é uma ideia má?
MC - Teoricamente é uma boa medida. Como mexer na Justiça também seria uma boa medida.
LC - Mas é preciso que a escola seja boa.
MC - Agora mexer na escola e ficar tudo na mesma não interessa. Se os alunos estiverem lá e são tão bons os bons como são bons os maus, quer dizer, anda lá um número grande a atrapalhar o trânsito, em nome de uma coisa esquisitíssima e que eu não aceito que é a escola inclusiva. Ora, a escola é inclusiva se as pessoas estão lá para aprender. Se não estão para aprender têm de ir para outro sítio. Um estádio de futebol, põe-se lá toda a gente aos pontapés na bola. Agora, na escola só pode estar quem queira aprender. Mas isso tem de ser aferido. Nós temos todos os anos de verificar se eles aprenderam.
ARF - Têm de ter exames, não é?
MC - Fazer exames. Nós temos de ter programas decentes, feitos por intelectuais, por artistas, por técnicos. Nem sei quem é que os fez. São uns programas horríveis, os manuais são de fugir. E depois inverte-se tudo. Nós não podemos ter professores a ensinar bem se os alunos nem os ouvem. O senhor pode arranjar 200 mil catedráticos que não consegue ensinar esta gente. Porque eles não querem aprender. Oitenta por cento dos que estão lá não querem aprender. Bons são sempre bons. Quando nós éramos crianças também havia bons e havia maus. E havia uns médios e estes estudavam por causa dos exames.
LC - Seriam a maioria.
MC - Isso foi ontem, é hoje e será na próxima geração. Agora não. Temos os bons que eram bons e temos o resto. E como não há exames nunca chega a ocasião para estudar. Portanto isto é uma falsificação. O ensino em Portugal é uma intrujice. Uma intrujice cara. E depois inverte-se isto. Vamos avaliar os professores, nem sei quais são os critérios. No estado em que aquilo está parece-me uma tontice, mas não se avaliam os alunos. Isto tem pés e cabeça? Isto é de uma sociedade de gente com juízo?
ARF - Esta nossa escola é uma certa escola, que dura há anos e anos.
MC - É uma escolinha. Não é uma escola, é uma escolinha. É um grupo de gente que está a praticar um crime gravíssimo que vai liquidar uma geração. Se não mais. Mas a próxima geração maioritariamente está liquidada. As pessoas não aprendem a língua. Nós pensamos em português. Se a gente não sabe bem português não pensa bem. Nós não sabemos fazer contas, nós não sabemos geografia. Se perguntarem a um rapazito qualquer onde é que é Washington não faz ideia nenhuma, é capaz de dizer que é na Ásia.
LC - Acha que a geração que vai estar no mercado de trabalho daqui a dez , vinte anos vai ser pior?
MC - Vai ser cada vez pior. Porque está a enraizar-se esta decadência do ensino. O ensino está numa decadência profunda.
LC - E algum dia foi melhor? Nestes últimos 30 anos?
MC - Para os que podiam andar na escola foi muito melhor. Andavam eram poucos. Mas o problema não é esse.
LC - Estamos a falar de quando?
MC - Do tempo em que eu estudei. No século passado. E da minha filha, que andou na escola pública.
LC - Antes do 25 de Abril.
MC - Sim, muito antes.
LC - A escola era melhor antes do 25 de Abril do que é agora?
MC - Incomparavelmente. A diferença é que eram poucos. Eram para aí 30 por cento menos do que hoje.
LC - E preferia que fossem poucos?
MC - Não, não prefiro que sejam poucos. Eu prefiro é autenticidade, porque isto é uma vigarice. É que os pais dos que lá estão têm de ter a certeza de que estão a aprender. Não é serem poucos ou muitos. Não interessa nada produzir quantidade que é lixo. Nada.
LC - Mas a quantidade á partida diminui sempre a qualidade. A massificação do ensino diminui a qualidade, não acha?
MC - Mas não é diminuir até zero. Nós estamos a bater no chão. É diminuir um pouco. Agora isto não é nada. Um aluno sai dali e não sabe escrever. Eu ensinei muitos anos e acabei por me irritar com o ensino. Dava-lhes provas escritas e era dificílimo de entender o que escreviam. Cheias de erros, linha sim, linha não um erro, expunham pessimamente, tudo aquilo era um ver se te avias.
LC - Acha que no Ministério da Educação não sabem isso?
MC - O Ministério da Educação, como os outros Ministérios neste nosso regime, está ali para parecer, para apresentar uma estatísticas lá forjadas não sei como. Para vocês nas sondagens descobrirem que este Governo é um Governo muito próspero.
LC - Cavaco Silva tem razão quando diz que não se deve governar para as estatísticas.
MC- Com certeza. Não se deve governar para as estatísticas. Deve governar-se em função de um objectivo e daquilo que é fundamental para o País. Porque nós andamos distraídos com tanta coisa e não percebemos que quando se fala de economia não estamos a falar de economia. Estamos a dizer desemprego, pobreza, desigualdades e riscos para o Estado social. Com esta economia que cresce 0,5 % ao ano dentro de dez anos as políticas sociais têm de ser completamente revistas. Não há dinheiro para manter estas políticas sociais.
Domingo, 3 de Maio de 2009
No quadro de uma ética republicana, qualquer primeiro-ministro devia, mais do que qualquer outro cidadão, estar obrigado ao dever de transparência
Nota pessoal:
Perante a gravidade dos assuntos noticiados pelo semanário Sol, estranha-se o denso silêncio e o torpor que tomou conta da generalidade da comunicação social e dos partidos políticos, quando, em qualquer outro país de democracia exigente e consolidada, se estaria a exigir o total esclarecimento das situações e das alegações relatadas.
Trate-se de uma cabala bem urdida ou tenham as acusações um suporte fáctico, há uma evidência que não pode ser iludida: no decurso de uma única legislatura, são inúmeros os casos (coisa nunca vista com anteriores primeiros-ministros ou com qualquer outro político) que envolvem, directa ou indirectamente, José Sócrates e são vários os actores que afirmam ou indiciam o seu envolvimento em situações de ética e/ou legalidade muito duvidosas.
É imperativo que todos os casos se esclareçam devidamente, sem subterfúgios de arquivamentos, silenciamentos ou desqualificações artificiais, caso contrário, estará em causa uma ou várias das seguintes alternativas: a autoridade e a credibilidade do sistema judicial vêem-se irremediavelmente minadas; a reputação e o bom nome das pessoas não são susceptíveis de serem protegidos; degrada-se a imagem externa do país pela via do enfraquecimento político do seu primeiro-ministro; joga-se a própria viabilidade do regime democrático.
Nestas circunstâncias, o sistema judicial não pode transmitir, nem uma ideia de impotência para actuar em determinados casos que envolvam personalidades públicas, o que constituiria uma violação grosseira do princípio de igualdade dos cidadãos perante a lei, nem uma incapacidade para proteger os cidadãos da calúnia e da difamação, deixando de garantir o direito ao bom nome e à reputação. Das duas, uma.
Dentre tudo, o cenário mais pavoroso seria aquele que arrumasse a extrema gravidade destas situações nas gavetas da banalidade quotidiana e da ausência de sobressalto, sob a forma de uma qualquer indiferença, amnésia ou evasão do sistema de justiça, das entidades políticas, da comunicação social e dos cidadãos em geral, em consonância com a nossa deplorável tradição dos fogos de palha mediáticos. Não exigir, em permanência, que estes casos sejam completamente esclarecidos equivaleria a condenar o país à selva dos interesses e do "salve-se quem puder".
Mas, em relação à primeira situação relatada pelo semanário Sol, o primeiro-ministro tinha a obrigação de dar uma prova inequívoca do "quem não deve, não teme", pondo tudo em pratos limpos, pois bastava, para tal, que o seu familiar apresentasse a cópia da respectiva escritura pública, uma vez que todas as pessoas possuem cópias de documentos tão importantes, no contexto das suas vidas e dos seus negócios.
Já a segunda situação deve ser objecto do devido apuramento por parte das autoridades, indagando sobre a veracidade ou a natureza caluniosa das afirmações produzidas.
Perante a gravidade dos assuntos noticiados pelo semanário Sol, estranha-se o denso silêncio e o torpor que tomou conta da generalidade da comunicação social e dos partidos políticos, quando, em qualquer outro país de democracia exigente e consolidada, se estaria a exigir o total esclarecimento das situações e das alegações relatadas.
Trate-se de uma cabala bem urdida ou tenham as acusações um suporte fáctico, há uma evidência que não pode ser iludida: no decurso de uma única legislatura, são inúmeros os casos (coisa nunca vista com anteriores primeiros-ministros ou com qualquer outro político) que envolvem, directa ou indirectamente, José Sócrates e são vários os actores que afirmam ou indiciam o seu envolvimento em situações de ética e/ou legalidade muito duvidosas.
É imperativo que todos os casos se esclareçam devidamente, sem subterfúgios de arquivamentos, silenciamentos ou desqualificações artificiais, caso contrário, estará em causa uma ou várias das seguintes alternativas: a autoridade e a credibilidade do sistema judicial vêem-se irremediavelmente minadas; a reputação e o bom nome das pessoas não são susceptíveis de serem protegidos; degrada-se a imagem externa do país pela via do enfraquecimento político do seu primeiro-ministro; joga-se a própria viabilidade do regime democrático.
Nestas circunstâncias, o sistema judicial não pode transmitir, nem uma ideia de impotência para actuar em determinados casos que envolvam personalidades públicas, o que constituiria uma violação grosseira do princípio de igualdade dos cidadãos perante a lei, nem uma incapacidade para proteger os cidadãos da calúnia e da difamação, deixando de garantir o direito ao bom nome e à reputação. Das duas, uma.
Dentre tudo, o cenário mais pavoroso seria aquele que arrumasse a extrema gravidade destas situações nas gavetas da banalidade quotidiana e da ausência de sobressalto, sob a forma de uma qualquer indiferença, amnésia ou evasão do sistema de justiça, das entidades políticas, da comunicação social e dos cidadãos em geral, em consonância com a nossa deplorável tradição dos fogos de palha mediáticos. Não exigir, em permanência, que estes casos sejam completamente esclarecidos equivaleria a condenar o país à selva dos interesses e do "salve-se quem puder".
Mas, em relação à primeira situação relatada pelo semanário Sol, o primeiro-ministro tinha a obrigação de dar uma prova inequívoca do "quem não deve, não teme", pondo tudo em pratos limpos, pois bastava, para tal, que o seu familiar apresentasse a cópia da respectiva escritura pública, uma vez que todas as pessoas possuem cópias de documentos tão importantes, no contexto das suas vidas e dos seus negócios.
Já a segunda situação deve ser objecto do devido apuramento por parte das autoridades, indagando sobre a veracidade ou a natureza caluniosa das afirmações produzidas.
Sábado, 2 de Maio de 2009
Os interrogatórios, em Fafe, são apenas mais um episódio, entre muitos outros, de greve à ética por parte do Ministério da Educação tutelado por MLR
Ética mínima
Face às críticas dos pais que acusam os inspectores do ME que inquiriram alunos da Secundária de Fafe acerca de uma manifestação contra a ministra de terem utilizado, nos interrogatórios dos jovens, métodos "absolutamente inconcebíveis depois do 25 de Abril" e os terem incitado a acusar e denunciar os seus professores, defende-se a Inspecção-Geral da Educação dizendo que tudo o que fez foi "legal". Juntamente com o "cumprimento de ordens", a "legalidade" sempre foi (foi-o em momentos sórdidos do século XX e continua a sê-lo) a explicação mais à mão para justificar o injustificável. Como se só o que é ilegal fosse condenável. Os inspectores do ME terão contudo lido Jellinek na Faculdade e saberão que o direito é apenas o "mínimo ético" (e conhecendo nós quem faz as leis, podemos ter uma ideia de quão eticamente mínimo é esse mínimo…). Ora talvez a um ministério da "Educação" seja exigível, nas relações com escolas e com jovens, um pouco mais - a não ser que no Ministério se esteja em greve à ética - que o cumprimento de serviços mínimos éticos. Mas, se calhar, sou eu que estou a ver mal a coisa.In JN, 01/05/2009
Nota pessoal:
Mais uma excelente crónica de Manuel António Pina, atacando o minimalismo ético consubstanciado na actuação da IGE, a propósito de actos praticados por adolescentes, num espaço público exterior à Escola Secundária de Fafe, contra a pessoa da ministra da Educação.
Mesmo condenando a forma que os alunos encontraram para manifestar a sua rejeição do Estatuto do Aluno, parece-me, absolutamente, reprovável a actuação da IGE, quer pelo modus operandi utilizado, quer pelo reportado incentivo ou pressão para a delação, enquanto prática que repugna à estrutura moral de uma personalidade jovem que se quer ajustada. Em teoria, presumo que qualquer pai ou encarregado de educação preferirá, no limite, que o seu filho ou educando seja um arremessador acidental de um ovo do que se torne um delator das suas figuras significativas, vindo a personificar um tipo de pessoa objecto da censura e do desprezo dos outros.
Todavia, a dimensão que mais choca as pessoas parece ser a mise-en-scène de uma IGE instrumentalizada numa espécie de "polícia de investigação ao serviço de Sua Majestade", pois a circunstância dos actos terem ocorrido fora do espaço escolar deveria enquadrá-los, estritamente, no âmbito da actuação das autoridades policiais e do Ministério Público.
Já sabíamos que este ME e este Governo faltam à verdade, manipulam criancinhas, inventam estatísticas, geram ilusões, falsificam realidades, ameaçam, recorrem à chantagem, para agora ficarmos também a saber que andam obcecados por servir, à opinião pública, cabeças de professores em bandejas revanchistas. Contudo, não vão ter esse deleite, pois os professores, como excelentes profissionais que são, não envolvem ou instrumentalizam alunos para servirem os seus objectivos de luta. Ao contrário de outros!...
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