Um murro de Santana Castilho na consciência de Passos Coelho e da elite política "laranja" (18-01-2012): As "natas"

Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Santana Castilho homenageia os professores e reduz a cinzas a governação de Sócrates

Livro de Santana Castilho que será lançado no dia 17 de Setembro e cuja dedicatória é dirigida aos professores resistentes:
Às Professoras e aos Professores que não vergaram,
que não empenharam a sua dignidade profissional nem venderam a
sua independência intelectual.

Mais informações sobre o livro no blogue do PROmova.

Na sequência de um texto por mim publicado no blogue do PROmova, a questão decisiva e incontornável é esta: sim ou não ao Compromisso Educação?

Trata-se de um texto que, sem qualquer pretensiosismo intelectual, moral ou político, visa esclarecer alguns mal entendidos, felizmente residuais, acerca do objectivo final do Compromisso Educação, o qual não constitui nenhum caderno protestatório sobre tudo o que está mal ou de que discordamos na Educação, nem pretende esvaziar ou antecipar o espaço de definição de alternativas credíveis que deve pertencer à negociação aberta e séria entre o governo que resultar das eleições legislativas e os sindicatos, ouvidos os professores no terreno.
O Compromisso Educação é tão-só um instrumento de estratégia política para acabar, no imediato, com as duas medidas que indignaram os professores e que motivaram uma contestação ao ministério da Educação e ao governo sem paralelo no passado.
Que me desculpem os mais afoitos e ambiciosos, mas se acham que ter trazido para o centro do debate político a questão da divisão da carreira (que alguns já davam por irreversível) e da substituição do modelo de avaliação (lembram-se de alguma vez as questões da Educação serem o centro do debate eleitoral, ainda por cima num tempo de grave crise económica?), assim como ter todos os partidos da oposição convergentes na afirmação pública da disponibilidade para, no quadro das alternativas de governo e de oposição que saírem das próximas eleições legislativas, acabarem com os dois móbiles da contestação dos professores, é algo insuficiente, vago e opaco, então, de facto, estão a exigir algo que nenhum partido político, nesta fase, está em condições de oferecer.
Para mim, o fundamental é a constatação de que qualquer alternativa no leque partidário, seja ela qual for, é infinitamente preferível ao ataque ignóbil, sob a forma de afrontas, de invectivas mentirosas ao prestígio dos professores e de imposição de medidas discricionárias e aberrantes, que o PS de Sócrates quer continuar a mover e a impingir aos professores, como ainda hoje a ministra-general da guerra contra os professores o confirmou, num derradeiro esgar de impotência e de ressentimento generalizado, reduzido agora a uma história individual quase psicanalítica de mulher incompreendida e mal-amada.

Texto publicado no blogue do PROmova: Compromisso Educação. What else?...

Domingo, 30 de Agosto de 2009

O meu objectivo estratégico é claro e passa por derrotar Sócrates no dia 27 de Setembro. O Luís Costa também pensa assim

Nunca, aqui ou no blogue do PROmova, apelei ao voto no PSD, nem em meu nome pessoal, nem como elemento do Núcleo de Estratégia do PROmova (ao contrário do que um ou outro socrático disfarçado tem sugerido), tendo-me limitado, no âmbito do Compromisso Educação, a sugerir que os professores têm todas as razões para votarem nos partidos que respondem às suas reivindicações fundamentais (preto no branco, de acordo com o que foi assumido nos programas eleitorais conhecidos - hoje ocorrerá a apresentação do programa do CDS/PP, esses partidos são o PSD, o BE e o PCP, pelo que os professores votarão em função das suas sensibilidades políticas) e para não votarem no PS de Sócrates.
Todavia, tenho uma enorme admiração pela inteligência do colega Luís Costa e, pessoalmente, acho o texto por si publicado no seu blogue (dardomeu) um primor de pragmatismo (ler aqui), independentemente de eu próprio e cada um dos professores decidir votar onde bem entender, pois era só o que faltava que assim não fosse.

Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Divulgação do comunicado do PROmova sobre o programa do PSD para a Educação (que surpreendeu os mais distraídos) e a minha resposta a um comentário

Comunicado do PROmova: o PSD posiciona-se também como uma boa alternativa de voto para os professores e suas famílias (pode ser lido aqui).

Como anda por aí muita surpresa embasbacada e alguma urticária com a posição inequívoca de Manuela Ferreira Leite ao lado das principais reivindicações dos professores, divulgo aqui um comentário que deixei no blogue do PROmova:

Com o devido respeito, as suas considerações (comentário pode ser lido aqui) não fazem grande sentido por três razões muito claras:
1) os professores que não se identificam com o PSD, mas se revêem no BE, no PCP ou no CDS/PP, não necessitam de estar muito preocupados com o choque que, eventualmente, pode ter sido para alguns deles verem o PSD colocar-se ao lado das reivindicações justas (diga-se de passagem, pois é algo que os Santos Silvas do PS e alguns comentadores da nossa praça ignoram) dos professores, aliás, sem grande novidade, pois foi, desde Novembro de 2008, esta a posição de Manuela Ferreira Leite, assim como foi com um discurso de valorização dos professores que Paulo Rangel (veja-se a forma muito positiva como acolheu, em Vila Real, o Compromisso Educação)se apresentou nas eleições europeias. E não têm razões para preocupação porque têm boas alternativas nos seus próprios partidos de identificação que também acolhem as reivindicações dos professores;
2) não adianta estar a lançar fantasmas e fumo para cima da inteligência dos professores e dos portugueses, pois as pessoas mudam e aprendem com os erros que cometem no passado (olhe, Sócrates mudou para pior e não há dúvidas que este programa do PSD é um exercício de mea culpa de MFL com algumas medidas que tomou - mas essa postura de reconhecimento do erro não é louvável?, ou prefere a persistência cega nos erros e nas injustiças advogada por Sócrates?), além de que alguém se acredita que em relação aos temas candentes da educação que estão em cima da mesa e que exigem respostas imediatas, Manuela Ferreira Leite (que deu a sua palavra de cumprimento) começaria a sua governação a não cumprir o que tinha acabado de prometer a uma classe com o poder de intervenção que têm neste momento os professores? Isso seria um suicídio político e uma asneada que não passaria pela cabeça das pessoas que dirigem o PSD, pelo menos reconheça-lhes esta inteligência;
3) a sua conversa é muito entretida, mas, no limite, em termos de governação do país o que está em causa é a opção entre Manuela Ferreira Leite, ao lado dos professores nas medidas que os indignaram, e José Sócrates. E a decisão, para quem não se revê nos restantes partidos, é muito simples: dá o benefício da dúvida ao PSD ou vota Sócrates e aí não há, de facto, lugar a dúvidas, pois o que os professores rejeitam será mantido e aprofundado, assim como sabem que poderão contar com retaliações e com penalizações para os que recusaram participar nestas farsas, do mesmo modo que contarão com o mesmo discurso de afronta e desprestígio dos professores.
Como vê, as opções são cristalinas.

Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

Staples regressa às aulas com a mandatária do PS para a juventude e até a veste de cor-de-rosa. Pela minha parte, não comprarei mais nada na Staples

Se em Portugal já é uma vergonha a promiscuidade entre algumas empresas e o socratismo, a campanha de regresso às aulas da Staples é um verdadeiro escândalo, uma vez conhecida a ligação de Carolina Patrocínio ao PS de Sócrates, na qualidade de mandatária para a juventude, ou seja, exactamente o target que regressa às aulas.
Duvido que quem não se dá ao trabalho de tirar o caroço às cerejas, também se predisponha a fazer compras na Staples para regressar às aulas. Dever-se-ia ter contratado para ícone da campanha a empregada da menina.
Trata-se, certamente, de uma opção assumida pela Staples, veja-se o pormenor do cor-de-rosa, pelo que, por mim, boicotarei qualquer compra minha na Staples e aconselharei aqueles que puder a não o fazerem também.

Acabei de tomar posição sobre o programa do PSD no blogue do PROmova. Saúda-se a suspensão do modelo de avaliação e o fim da divisão da carreira

Independentemente da posição que o PROmova venha a tomar mais logo, fica, desde já, o registo dos principais compromissos do PSD em matéria de Educação, ressaltando-se a inclusão das duas principais reivindicações dos professores, ou seja, a suspensão imediata do modelo de avaliação do desempenho e a revisão do ECD com vista à abolição da divisão da carreira.
Confirmam-se, assim, as tomadas de posição públicas, tanto de Manuela Ferreira Leite, em Novembro de 2008, como de Paulo Rangel, no âmbito da campanha para as eleições europeias.
Os professores ficam agora cientes que está nas suas mãos porem fim às duas medidas que mais os indignaram e que os trouxeram para a rua em manifestações de contestação e repúdio nunca vistas, bastando para tal não votarem no PS de Sócrates nas eleições legislativas e fazerem-no antes, à direita ou à esquerda, no PSD, no CDS/PP, no PCP ou no BE.
Estou, plenamente, convicto que o modelo de avaliação e a divisão da carreira têm morte à vista, pelo que não faz qualquer sentido, além de violar flagrantemente a nossa coerência, estar neste momento a proceder-se a pré-inscrições para o concurso fantasma de acesso a uma categoria que vai acabar no imediato.
Outras ideias e/ou propostas do PSD para a Educação:
1) denúncia do clima de laxismo, facilitismo e falta de disciplina que o governo promoveu nas escolas;
2) denúncia da degradação da autoridade e do prestígio dos professores, propondo-se reabilitar a respeitabilidade e o prestígio social dos professores;
3) recuperação de uma cultura de exigência e de rigor;
4) mudanças profundas no Estatuto do Aluno, de molde a valorizar-se a assiduidade, a disciplina e o civismo;
5) promover uma maior autonomia das escolas;
6) garantir a universalidade da educação pré-escolar.
Desde que a autonomia das escolas permita preservar o mecanismo do concurso nacional de colocação de professores, de acordo com a graduação profissional, manifesto a minha concordância pessoal com este programa, à semelhança do que já havia feito relativamente às medidas mais emblemáticas dos programas eleitorais do BE e do PCP.
Há hoje mais motivos de esperança para os professores portugueses.
Está para breve o fim do pesadelo Sócrates - Maria de Lurdes Rodrigues.

Com tanta concertação estratégica e salamaleque entre Sócrates e Cavaco, o caldo só podia mesmo azedar

Quando Sócrates riposta, farisaicamente, que discordar da sua escola de sucesso é “insultar” os professores, apenas me ocorrem imagens como esta

P.S.: Se fosse dada uma nova oportunidade governativa a Sócrates e ao seu amigo Pinho (cruzes, canhoto!), era bem provável que, a partir da implementação da Educação Sexual nas escolas, a mesma criatividade que abriu campo à reconquista do Allgarve pelos ingleses viesse a propor, em final de mandato, a realização de uma sessão solene que fizesse também jus às crescentes dificuldades de redacção dos alunos e apresentasse os incomparáveis resultados da governação a partir do slogan

"com Sócrates, uma escola de sosexo"

Afinal, o corajoso Sócrates tem medo de debates televisivos

A fazer fé na notícia do Público (Campanha das legislativas sem debates nas televisões), Sócrates, que tem revelado uma coragem ímpar, tanto para visitar escolas aos fins-de-semana e durante o mês de Agosto, como para contactar em público pessoas que não tenham sido arregimentadas pelas máquinas organizativas da propaganda governamental e do PS, tem medo de debates a dois nas televisões, receando ver confrontada a sua demagogia e propaganda balofas com a argúcia argumentativa de Portas e Louçã (mau grado, na apreciação de Sócrates o primeiro não passar de um populista e o segundo, coitado, não ter currículo que se veja, quando comparado com a meteórica carreira académica e profissional do engenheiro José Sócrates).
A “fera” está mesmo a ficar amedrontada.
Pelos vistos, o senhor Coragem apenas aprecia três formatos de "debate":
1- no parlamento, para onde leva o anúncio de medidas avulsas e onde cultiva o estilo de, sistematicamente, não responder às questões que lhe são colocadas, o que não seria admissível num debate televisivo a sério;
2- em sessões de propaganda, programadas ao milímetro, nas quais Sócrates inventa ele próprio o contraditório e se recria a debater com recordações do passado (é pena que a memória não lhe recorde as suas promessas e afirmações do passado, mas as capacitações mnésicas não são o seu forte, caso contrário não se teria esquecido, durante 7 anos, de declarar rendimentos ao TC) e com fantasmas do presente;
3- entrevistas monocórdicas conduzidas por jornalistas mansos e a partir de questões pré-negociadas.
Já agora, era importante que as televisões assumissem o grito de Sócrates na Madeira ("viva a liberdade") e se desobrigassem da subserviência a Sócrates, organizando os respectivos debates entre os restantes líderes partidários. Que lógica totalitarista é essa do “sem Sócrates não haverá debates”?
O país ficaria a ganhar em esclarecimento, credibilidade e maturidade democrática, além de que se poupavam os portugueses à demagogia, às promessas requentadas e às mentiras de Sócrates.

Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

Não é cabala, mas há um número que persegue Sócrates: 150.000

Num país arredio da reflexão e da construção do pensamento político, saúdo e divulgo a excelente iniciativa do IDP


Apesar de ainda não ter tido a disponibilidade para concluir o meu processo de associação ao Instituto da Democracia Portuguesa (IDP), identifico-me com as suas suas causas e tenho em elevado conceito e estima o seu Presidente, Professor Doutor Mendo Henriques, meu ilustre professor de Filosofia Política, na UCP e no distante ano lectivo de 1984/85.
Deste modo, é com muito gosto que divulgo o cartaz relativo ao II Master de Verão em Política, promovido e organizado pelo IDP.
Trata-se de uma iniciativa altamente meritória, sobretudo, num momento em que o pensamento reflexivo e crítico anda pelas ruas da amargura na sociedade portuguesa (parece-me ser algo constitutivo da nossa sina e, provavelmente, a explicação do nosso atraso, pois já no século XIX Antero de Quental se queixava de viver na terra mais anti-filosófica do planeta), com um primeiro-ministro, permanentemente, refugiado em chavões pré-fabricados e em propaganda boçal ou com uma comunicação social que não analisa, não escrutina, não investiga, não questiona (veja-se o caso actual da escandalosa manipulação estatística do pretenso sucesso escolar, que os jornalistas engolem e nem pestanejam), limitando-se, no essencial, a papaguear e a difundir conteúdos que outros lhes fazem chegar, mesmo que se tratem de inverdades ou idiotices.
Aqui fica o cartaz deste excelente evento, lamentando não ter a disponibilidade de agenda para marcar presença no mesmo:

(clicar no cartaz para ampliar)

O Compromisso Educação tem pernas para andar e pode dar um contributo relevante para a derrota eleitoral de Sócrates

Acabei de postar um texto no blogue do PROmova (ler aqui) que antecipa a sintonia do programa eleitoral do CDS/PP com as principais reivindicações dos professores, especificamente, a revogação da divisão da carreira, o fim deste modelo de avaliação, a revisão profunda do Estatuto do Aluno e o reforço da autoridade e do prestígio dos professores.
O Compromisso Educação é uma excelente estratégia do PROmova, da APEDE e do MUP, que tem permitido inscrever os móbiles da contestação dos professores nos programas eleitorais dos partidos da oposição (até agora, BE, PCP/CDU e CDS/PP, havendo grandes expectativas que o mesmo venha a ocorrer no programa do PSD), assim como tem conferido um importante impulso ao isolamento político do PS de Sócrates, acantonando-o na defesa obstinada e absurda (e eleitoralmente suicidária) de medidas indefensáveis, pela arbitrariedade, inconsistência e injustiça que as enforma.
No decurso do mês de Setembro e, especificamente, em cima da campanha eleitoral paras as legislativas, tudo faremos para aprofundar, consolidar e dar ainda maior visibilidade ao Compromisso Educação.

Terça-feira, 25 de Agosto de 2009

Moita Flores igual a si próprio: fuma-se ou "mama-se" no que estiver disponível ou seja doado

Por uma vingançazinha de lugares (ou ausência deles) em listas de candidatos a deputados, Moita Flores acaba de atribuir a Sócrates a medalha de ouro da cidade de Santarém, expondo-se no limiar da prostituição política à espera de quem der mais para o levar.
Para quem passou a legislatura a zurzir no estilo e no carácter de Sócrates, condecorá-lo no final do seu percurso político a troco de umas instalações de um convento parece-me muito pouco convincente e algo bem revelador daquilo ao que o homem anda na política: palco e protagonismo a qualquer preço.
Pelos vistos, Moita Flores parece retirar aquela “pica” de surpreender pelo lado de uma certa rebeldia e subversão, política, claro, num caldo de perversão hedonista e sádica para as suas próprias convicções.
Mas, nesta fase, também é verdade que a mama de Sócrates parece-lhe mais viçosa e suculenta que a de Manuela Ferreira Leite. A partir de 27 de Setembro logo se verá.
Se Manuela Ferreira Leite “engolir” este tipo e permitir que o PSD o apoie na sua recandidatura, mesmo que o lado mais indecente de uma certa politiquice à portuguesa seja Moita Flores conviver bem com o patrocínio (quem sabe se no intervalo de uma crise de identidade política ainda cai nos braços da Patrocínio e o vemos sôfrego à procura de cerejas sem caroço) do PSD, então a senhora deveria ser proposta ao Vaticano para canonização.

Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Balanço da governação de Sócrates em matéria de emprego

Ainda está para nascer um primeiro-ministro que tenha arruinado a economia e destruído tanto emprego como o fez Sócrates


Falta de seriedade na política e degradação da democracia é não se cumprirem as promessas que se fazem e continuar-se, descaradamente, a fazer promessas em cima de promessas não cumpridas.
Falta de seriedade na política e degradação da democracia é aplicar aos outros o que se recusa para si próprio, como a imputação a Santana Lopes do completo fracasso da sua governação porque a taxa de desemprego estava nos escandalosos 6,7%. E a taxa actual, é sucesso da governação socrática?
Os números do desemprego, já de si calamitosos, necessitam, infelizmente, de ser corrigidos em alta, tendo em conta, quer aqueles portugueses que reportam não ter emprego (número que excede os 600.000), quer o número dos que se encontram a frequentar formações artificiosas que apenas visam esbater o real impacto do desemprego em Portugal, para já não falarmos dos milhares de portugueses que se viram constrangidos a emigrar no período da (des)governação Sócrates.
Por outro lado, o agravamento da situação económica do país é também anterior à crise.
Atente-se nos dados apresentados pelo economista Eugénio Rosa:
"No período de 2005-2008 com Sócrates, o crescimento económico em Portugal foi, em média, igual a menos de metade da média da União Europeia, pois em 4 anos Portugal cresceu apenas 4,8% enquanto a UE27 aumentou 9,8%. Como consequência o PIB por habitante
SPA, ou seja, anulado da diferença de preços, cresceu em Portugal apenas 2.500 euros, enquanto subiu em média na UE27 mais de 3.300 euros. Portugal durante este período afastou-se em todos os anos, em termos económicos, ainda mais da União Europeia.
Mas mesmo crescendo pouco, uma parcela cada vez maior da riqueza criada foi transferida para o estrangeiro, ficando no País para investimento e para melhorar as condições de vida dos portugueses cada vez menos. Em 2004, foram transferidos para o estrangeiro, sob a forma fundamentalmente de juros e de dividendos, 25.943 milhões de euros, ou seja, 18% da riqueza criada nesse ano em Portugal (PIB). Depois de três anos de governo de Sócrates, ou seja, em 2007, e antes da crise se declarar com força, foram já transferidos 33.398 milhões de euros, isto é, 20,5% do PIB. Dividindo este último valor pela população empregada nesse ano obtém-se
6.460 euros por empregado, o que representa mais 27,5% do que em 2004.
Entre 2005 e 2008, o saldo negativo da Balança Corrente, ou seja, das nossas contas com o exterior, aumentou 33%. No conjunto dos 4 anos, o saldo negativo acumulado atingiu 64.081 milhões de euros. Em 2008, ele corresponderá a 11% do PIB, quando em 2005 era 9,5% do
PIB. Esta variação negativa do saldo da Balança Corrente é também um indicador importante da crescente falta de competitividade da economia portuguesa. E apesar do défice das contas externas do País ser superior em cerca de 5 vezes ao défice orçamental, este governo apenas se preocupa e fala do défice orçamental ignorando o défice das contas externas do País cujas consequências no desenvolvimento futuro do País serão certamente muito graves.
Em 2005 a divida do País ao estrangeiro atingia 93.510 milhões de euros e, em 2007, já era de
146.592 milhões de euros, ou seja, mais 56,8%. No mesmo período, o PIB cresceu apenas
12,9%. Como consequência a divida externa aumentou, entre 2004 e 2007, de 64,8% do PIB para 90% do PIB. Em todos os anos de governo de Sócrates a divida externa cresceu de uma forma rápida, e não apenas depois de se ter declarado a crise financeira internacional.
Entre 2004 e 2007, a divida das famílias aumentou 30,5%, pois passou de 112.198 milhões de euros para 146.393 milhões de euros, enquanto as remunerações dos trabalhadores, sem incluir contribuições para a Segurança Social, subiram apenas 10,9%, ou seja, praticamente um terço da subida verificada no endividamento das famílias. Em 2007, a divida média por família era já de 40.665 euros quando em 2004 era de 31.100 euros por família.
Em relação às empresas o endividamento foi também rápido e crescente nos anos de governo de Sócrates. Entre 2004 e 2007, passou de 139.804 milhões de euros para 185.728 milhões de euros, ou seja, aumentou 32,8%, com o consequente disparar dos encargos financeiros."

Balanço da governação de Sócrates em matéria fiscal

Ainda está para nascer um primeiro-ministro que tenha aumentado tanto os impostos como o fez Sócrates

Domingo, 23 de Agosto de 2009

Muitas peças do Diário de Notícias mais parecem um certo jornalismo de militância a favor de Sócrates e do PS

Vão longe os tempos em que adquiria e lia, quase diariamente, o Diário de Notícias (DN), o qual era reconhecido como um referencial de independência, de valores e de jornalismo de qualidade. Hoje em dia, o DN, salvo um ou outro colunista, adoptou uma linha editorial de apoio e suporte descarados a este governo e a Sócrates, em particular.
Só assim se entende a notícia publicada hoje no DN, a partir de um artigo de opinião de Marcos Perestrello, saído no Expresso de 22 de Agosto, a qual, das duas, uma: ou estamos perante uma peça encomendada pela Direcção do PS, numa tentativa imbecil de passar a mão pelo pêlo dos professores (se estão genuinamente interessados em mostrar a bandeira branca do mea culpa comecem por revogar, de imediato, a divisão da carreira e o modelo de avaliação, anulando os seus efeitos - não pela continuação e consolidação provocatórias destas medidas que os professores rejeitam); ou, então, trata-se de mais um exercício de mau jornalismo que a partir de um artigo de opinião, de quem apenas procura fazer pela vidinha no concelho de Oeiras (pois, lá os professores também votam), extrapola, de modo absolutamente injustificado e desconexo, para uma estratégia da Direcção do PS, quando no corpo do artigo não é, em nenhum momento, invocado o estatuto de membro da Direcção do PS, nem Marcos Perestrello alguma vez falou em nome dessa estrutura do partido.
Compreende-se o objectivo do DN, mais uma vez apostado em mistificar a medíocre governação de Sócrates, lançando para as páginas do jornal pretensos balões de ensaio ou bóias de salvação nas áreas mais problemáticas da governação e passando a ideia aos professores e aos leitores em geral de uma pretensa abertura do PS para com as reivindicações dos professores. Pois, nada de mais falso, uma vez que o PS continua apostado na afronta aos professores, como as recentes deliberações do Conselho de Ministros o comprovam, a propósito da miserável divisão da carreira e do modelo de avaliação. Os portugueses já não se deixam enganar por estas manipulações e malabarismos de linguagem.
Convém lembrar aos jornalistas e ao director do DN, tão críticos das listas do PSD, que os deputados do PS que, no decurso da legislatura, se opuseram, no Parlamento, às políticas educativas de Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues foram banidos das listas de candidatos a deputados do PS.
Aconselha-se o DN, a Direcção do PS, Sócrates e o governo a não subestimarem a inteligência, a memória e a vontade dos professores.
Aliás, no dia 27 de Setembro, a importância dos professores, das suas famílias e dos seus amigos far-se-á sentir em todos os círculos eleitorais do país, mostrando a Sócrates, pela segunda vez, que a estratégia de afrontar os professores foi o seu erro político fatal.
Ainda a propósito da indisfarçada subserviência do DN ao projecto de poder protagonizado por Sócrates e pelo seu governo, aconselho, vivamente, a leitura do artigo do colega e amigo António Fortuna, publicado no Semanário Transmontano, sob o tema "Ai Portugal, não te cuides!" (ler AQUI).

Sábado, 22 de Agosto de 2009

Aí está o balanço da governação de Sócrates em matéria de Educação

Resposta no blogue do PROmova a uma espécie de conversão segundo (S.) Marcos (Perestrello)

Acabei de publicar no blogue do PROmova uma reacção, com a designação "O despertar tardio e equivocado de Marcos Perestrello", ao artigo de opinião deste destacado militante socialista e que foi publicado no Expresso de hoje.
Trata-se de um artigo relevante, pois é a primeira vez que um elemento do Partido Socialista, com a importância de Marcos Perestrello, admite que a divisão da carreira é um erro que só a obstinação da ministra da Educação não permitiu que fosse corrigido.
O artigo e a minha análise do mesmo podem ser lidos AQUI.

Vitimado pelo embuste do e-escola, que me fez gastar uma pipa de massa em carregamentos do cartão, vou quase abster-me de postar até regressar a casa

Para a próxima semana, fica o compromisso de empreender a desmontagem do balanço nada credível que a ministra da Educação fez do Plano Tecnológico e de mostrar como eu próprio e tantos milhares de colegas e de famílias que aderiram ao programa e-escolas estamos a ser vítimas de um logro que nos venderam embrulhado numa promessa/meta de fomentar o acesso à Internet.
Contudo, esqueceram-se de propagandear o custo astronómico deste acesso, o qual acarreta que, em apenas uma hora, por exemplo, se derreta um carregamento de 15€ (taxado a 20% de IVA – boa estratégia de fomentar...) a distribuir um e-mail pelas minhas listas de contactos.
De facto, se olharmos para o nível de “avidez” (sem paralelo na Europa, onde de uma forma geral as comunicações e as ligações à Internet são bem mais acessíveis, mesmo sem contar com o nível superior dos seus rendimentos) das empresas de telecomunicações e se levarmos também em conta o indecente orçamento que o PS vai estoirar em propaganda na campanha eleitoral das legislativas, é caso para dizermos que Portugal não está a começar a sair da crise, porque para estes senhores Portugal nunca esteve em crise.
É um país de tripa forra, não sendo sequer necessário conhecer os meandros dos negócios da Fundação para as Comunicações, pois adivinha-se que a mesa seja farta.
Eu, por mim, declaro-me em crise e sem mais orçamento para alimentar a gulodice destas empresas de telecomunicações, pelo que vou reduzir o meu ritmo de publicação de textos.

Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

Obviamente, eu não concorro. Mas, aguardo outras tomadas de posição sobre uma espécie de acesso a um concurso que nunca virá a acontecer

A divisão da carreira entre titulares e meros professores, tanto no princípio que lhe está subjacente, como na forma de provimento e enchimento dos quadros de titulares a partir de um concurso absolutamente arbitrário e injusto, está na base do mal-estar e da degradação do ambiente que se vive nas escolas, mercê de artificiais e casuísticas ultrapassagens na carreira e dos inerentes problemas de auto e de hetero reconhecimento em termos da autoridade e competência exigíveis para funções de coordenação e de avaliação.
Aliás, esta circunstância é confirmada no último relatório do CCAP e o próprio ministério da Educação tentou escamotear a mentira e o erro que criou, implementando acções de formação, com tanto de rápido, como de ridícula substância e exigência.
A estes problemas desencadeados pela incompetência e falta de seriedade do ministério da Educação, acresce a rejeição universal da divisão da carreira, tanto por parte da esmagadora maioria dos professores e dos especialistas em educação, como de todos os partidos da oposição.
Ora, considerando estas realidades e tendo em conta o expectável quadro político que sairá das eleições legislativas, claramente de ausência de maioria por parte de um só partido, é uma evidência que este concurso de acesso à categoria de professor titular, não só nunca irá ocorrer, como a divisão da carreira terá os dias contados.
Como tal, esta espécie de promessa de um contrato de compra e venda de lugares de titular é um logro, uma falta de seriedade e um sinal inequívoco de ausência de sentido democrático por parte deste Governo e de Sócrates, em particular.
Por tudo isto e firmado às posições de coerência que tenho vindo a assumir e de que não abdicarei, não me resta outra posição que a de NÃO CONCORRER a qualquer lugar de titular numa divisão que rejeito, mas também porque este Governo e este PS de Sócrates não contarão com o meu apoio encapotado às suas deploráveis políticas educativas, pois é isto que, nesta fase, esta gente sem escrúpulos procura obter.
Como estou convencido que as pessoas, as estruturas políticas e as organizações representativas dos professores orientam as suas decisões e agem em função daquilo que afirmam e defendem publicamente, saúdo as reafirmações da rejeição da divisão da carreira e/ou do consequente apelo à não participação na encenação do “diz que é uma espécie de concurso”, mas também aguardo um conjunto de tomadas de posição inequívocas, sem lugar a qualquer tipo de cedências ou de evasivas, por parte de outras entidades.
Assim, aplaudo ou aguardo, conforme os casos, as seguintes tomadas de posição:
Tomada de posição dos professores:
Para além de muitos professores que, em nome individual, já manifestaram na blogosfera e por e-mail a sua intenção de não alinharem em mais esta manobra desonesta do ministério da Educação, espero, em nome da coerência e da dignidade pessoal e profissional de cada um, que os milhares de professores que gritaram nas ruas o fim da divisão da carreira e que contribuíram, decisivamente, para derrotar este PS, nas eleições europeias, se mantenham firmes nos seus princípios e não tombem na praia (até o momento escolhido vem a propósito) perante uma simples miragem de coisa nenhuma.
Se outras razões não houvesse para acabar com a divisão da carreira, bastava ter presente, quer a degradação do clima e das relações que estas medidas prepotentes e discricionárias desencadeiam nas escolas, quer a circunstância, não despicienda, de muitos dos melhores professores, pela afirmação da nobreza dos seus valores, dos seus princípios e da sua dignidade se excluírem da participação nestas medidas embusteiras, vendo-se ultrapassados por alguns colegas (felizmente, uma minoria) que espreitam, de forma oportunista, o momento de obter uma vantagem que de outro modo não conseguiriam, como aconteceu com muitas candidaturas ao “muito bom” e ao “excelente”. Não me parece que seja com este núcleo reduzido de pessoas que um país possa construir uma escola de excelência e de exigência, até em termos do exemplo da cidadania.
Tomada de posição dos movimentos independentes de professores e dos bloggers de referência:
Por força da dinâmica da sua estrutura e da sua organização, o PROmova, a APEDE, o MUP e os blogues mais visitados, nomeadamente os editados pelo Ramiro Marques e pelo Paulo Guinote (aqui com a estratégia arriscada do vamos lá todos entupir e com um texto de protesto – se bem percebi, o que seria sempre lido pelo atrevido Valter Lemos como uma adesão massiva à coisa), reagiram, de imediato, no sentido da reafirmação do fim da divisão da carreira e do boicote a este mecanismo de acesso ao concurso.
Tomada de posição da FENPROF:
Como era expectável face às posições sempre assumidas contra a divisão da carreira e o concurso para professores titulares, a FENPROF rejeita este pretenso presente envenenado e denuncia a falta de seriedade desta equipa ministerial, a qual se teria comprometido a não abrir, nesta legislatura, nenhum concurso para acesso à categoria de titular.
Pelos vistos, honrar a palavra dada é conduta que não se usa na pior, até do ponto de vista ético, equipa ministerial de sempre. Torna-se, agora, indispensável que a FENPROF tenha a vontade e a abertura para preparar, em articulação com os movimentos de professores, impressivas acções de luta para Setembro que possam condicionar o rumo das eleições legislativas.
Tomada de posição da FNE:
Uma vez que sempre se manifestou contra a divisão da carreira, não se espera outra tomada de posição que não seja a denúncia e a recusa desta estratégia do ministério, sem as meias-tintas de andar a divulgar documentação relativa ao acesso ao concurso ou de não apelar claramente à não participação dos professores em mais esta afronta.
Tomada de posição dos partidos da oposição:
Tendo em conta que todos os partidos da oposição já se manifestaram publicamente contra a divisão da carreira e o PCP e o BE já, inclusivamente, inscreveram esta medida revogatória nos seus programas eleitorais, torna-se imprescindível que venham denunciar esta tentativa anti-democrática de interferência nas decisões e nas acções que vão competir ao próximo governo, onde não caberão, certamente, nem esta equipa ministerial, nem estas políticas educativas e, estou convicto, nem este primeiro-ministro.
Estamos, pois, perante uma grave ofensa ao escrúpulo democrático e este não é violentado apenas quando estão em causa concursos para o TGV, pois uma escola pacificada e verdadeiramente qualificada é um investimento de maior impacto e mais duradouro do que qualquer comboio.
Tomada de posição do Presidente da República:
Bem sei que os professores portugueses não têm grandes expectativas relativamente a qualquer tomada de posição do presidente da República em defesa da classe mais prestigiada aos olhos dos portugueses, até tendo em conta que já o fez relativamente a outras classes. Aliás, ainda recentemente, promulgou a manutenção do regime simplificado da avaliação do desempenho. Ter-lhe-ia ficado bem uma nota a esclarecer as condições em que ocorreu esta promulgação, pois não é agradável vermos uma pessoa exigente e rigorosa como é Cavaco Silva sancionar uma lei que, além das discrepâncias jurídicas já admitidas por Sócrates (pasme-se!), está transformada, no terreno, numa autêntica farsa e num faz de conta que existe avaliação do desempenho.
Os professores esperavam uma maior preocupação e cuidado por parte do presidente da República relativamente à balbúrdia e às injustiças que reinam nas escolas. Sobretudo, quando se têm verificado reacções públicas em assuntos mais próximos do umbigo presidencial, como a exclusão do Professor Lobo Antunes do Conselho de Ética, mas sem a relevância e a gravidade que têm as matérias educativas.
Todavia, no caso vertente da abertura desta fase de acesso a um concurso que tem subjacente uma divisão da carreira construída sobre arbitrariedades e injustiças e que é rejeitada pela generalidade dos professores e por todos os partidos da oposição, algo nunca visto na democracia portuguesa, justificava-se uma intervenção do presidente da República (sei que é ingenuidade minha, mas a filigrana da argumentação devia sobrepor-se à tradição e aos cálculos políticos), pois trata-se de uma violação grosseira do respeito democrático pelas escolhas dos eleitores no próxima dia 27 de Setembro.
Tomada de posição dos eleitores:
Todos os cidadãos eleitores verdadeiramente preocupados com a qualidade e a exigência da escola pública devem tomar posição contra o caos e as injustiças que este governo desencadeou nas escolas ao longo da legislatura (algo que não é remediável com obras de requalificação, pois na escola a vertente decisiva é a que respeita ao factor humano e, especificamente, aos professores, tão afrontados por este governo na sua dignidade profissional), penalizando eleitoralmente este PS de Sócrates, além do mais porque este primeiro-ministro e esta ministra da Educação lhes venderam um facilitismo que, embora atractivo no imediato, acarretará um preço elevado que os seus filhos e educandos pagarão no futuro, quando confrontados com mercados competitivos que reclamam verdadeiras qualificações.
Octávio V Gonçalves

Terça-feira, 18 de Agosto de 2009

Ministério da Educação adopta lema da mandatária para a juventude proposta pelo PS: antes fazer batota que perder

No momento em que o ME faz batota democrática e revela todo o seu carácter desavergonhado e destituído de seriedade política e pessoal, insistindo no divisionismo e na degradação do ambiente nas escolas, mas também procurando condicionar a próxima legislatura, através da dádiva ilusória da titularidade, eis que a reflexão de hoje do Manuel António Pina mostra como as leis da atracção se aplicam, tão milimetricamente, aos batoteiros.
Vale a pena reflectir sobre o tipo de gente que um partido como o PS, outrora de princípios e de valores, quer impingir ao país.
De facto, Sócrates não podia ter escolhido mandatária mais representativa do seu carácter e da sua actuação política: detectam-se os erros, então faz-se batota encobrindo-os e prosseguindo na mesma senda; as realidades pioraram, desde o desemprego e as dificuldades das famílias até à inércia da economia, então faz-se batota e escondem-se por detrás do biombo da propaganda do “avanço” português; as estatísticas não traduzem nada de positivo, então faz-se batota e torturam-se a tal ponto que confessem um pedacinho de aparente sucesso.
Em Setembro, os portugueses terão a dignidade e o bom senso de se verem livres das batotas e dos disparates que fizeram a imagem de marca de um primeiro-ministro que devia ser motivo de vergonha e de constrangimento ético para todos nós.



Fazer batota

Não sei para que servem os chamados "mandatários", mas alguma serventia hão-de ter ou os partidos não se dariam ao trabalho de os arranjar. Tratando-se de eleições e estando votos em causa, é provável que um "mandatário" seja alguém que supostamente renda votos.
Assim, se o partido A ou o partido B cobiçarem, por exemplo, os votos dos gagos, arranjarão um "mandatário para os gagos", alguém que seja um modelo para os gagos, de tal maneira que, votando ele num determinado partido, todos os outros gagos façam o mesmo, assim a modos que um flautista de Hamelin dos gagos. É por isso que não vejo a lógica da escolha da tal de Carolina Patrocínio (quem?) para "mandatária para a juventude" do PS. Será aquele o modelo (em plástico que, como diz O'Neill, sai mais barato) de juventude que o PS tem para oferecer aos jovens, uma juventude com empregadas para tirar os caroços das cerejas e as grainhas das uvas e que "prefere fazer batota a perder"? Ou o PS também prefere fazer batota a perder? Disse Sócrates em Amarante que a crise ainda não acabou. A financeira não sei, mas a outra vai de vento em popa.
In JN, 18/08/2009

Divulgação do comunicado do PROmova: Acesso à categoria de professor titular? Não, obrigado.

COMUNICADO DO PROmova

Exmo. (a) Sr. (a)
Director (a)

Na sequência do Decreto-Lei n.º 104/2008, de 24 de Junho, informamos que a partir de hoje se encontrará disponível o formulário electrónico para candidatura e upload do trabalho, da prova pública de acesso à categoria de professor titular.
Solicita-se assim que informe todos os docentes do Agrupamento ou Escola não agrupada que reúnem os requisitos exigidos para tal.
Informa-se ainda que após a entrada dos requerimentos electrónicos, os dados dos candidatos ficarão disponíveis para validação das respectivas escolas.
As várias etapas deste processo, bem como a operacionalização do mesmo, constam da Nota Informativa, a disponibilizar na página electrónica da DGRHE.
Com os melhores cumprimentos,
A DGRHE

Aguardava-se algo deste género em tempo de férias, pois é habitual os fracos, inseguros e cientes da repelência dos seus actos, aproveitarem os momentos de ausência ou de relaxamento das pessoas para atacarem.
A abertura, a pouco mais de um mês do fim da legislatura, de um concurso para acesso à categoria de professor titular que a esmagadora maioria dos professores rejeita, que nenhuma estrutura representativa dos professores aceita e que todos os partidos da oposição recusam, é um gesto de hostilidade e uma declaração de guerra aos professores, além de que constitui uma falta de escrúpulo democrático e de seriedade política.
Nesta fase e tendo em conta o contexto político actual, os professores que são contra a divisão da carreira e que não vão sancionar de nenhuma forma o abjecto e fantoche primeiro concurso para professor titular só têm dois caminhos a tomar:
1) não concorrerem à prova pública de acesso à categoria de professor titular, mantendo a coerência das suas posições e não dando trunfos eleitorais a esta ministra da Educação e a Sócrates, ao mesmo tempo que trairiam o apoio que todos os partidos da oposição deram à exigência de revogação da carreira;
2) contribuírem para a derrota deste PS de Sócrates, nas próximas eleições legislativas, dando oportunidade a que BE, CDS/PP, PCP e PSD acabem de vez com a arbitrariedade e a injustiça que é a divisão da carreira.
Esta gente não presta mesmo e só a sua derrota eleitoral, em 27 de Setembro, trará paz às escolas e condições de mobilização dos professores para uma educação pública de exigência.
Vamos todos, nas próximas eleições legislativas, votar à esquerda ou à direita, mas NUNCA neste PS de Sócrates.
E para Setembro estamos a preparar iniciativas de recrudescimento da contestação, com grande impacto mediático e político, pelo que solicitamos a todos os colegas para estarem atentos e, chegado o momento, se mobilizarem massivamente para a participação nas mesmas. Brevemente, haverá novidades.
PROmova,
PROFESSORES – Movimento de Valorização

País governado por um vendedor de banha da cobra

Tudo isto é triste

A chanceler alemã Angela Merkel vai ter eleições em Setembro. Tal e qual como cá. E, naturalmente, quer manter-se no poder. Apesar disso, é uma senhora que não cede à demagogia e à mentira e sabe que os seus cidadãos não são parvos nenhuns.
A Alemanha, como outros países, foi apanhada em cheio pela crise financeira e económica e está a sentir na pele os efeitos. Por estes dias a senhora Merkel foi confrontada com uma ligeira recuperação do PIB alemão no segundo trimestre, isto é, 0,3% em relação aos primeiros três meses do ano. E a chanceler alemã foi muito clara ao dizer que seria pouco sério antecipar o fim da crise ou prever o que se irá passar na economia e no mercado de trabalho nos próximos tempos. Declarações responsáveis, serenas, sérias de uma senhora que vai ter eleições em Setembro e que, naturalmente, as quer ganhar.
Por cá, como se sabe, não há nada disto. Por cá, como se sabe, a mentira, a irresponsabilidade e a falta de seriedade andam de mãos dadas indiferentes à crise e ao sofrimento de muitos milhares de indígenas deste sítio pobre, manhoso, triste, cheio de larápios, repleto de mentirosos e, obviamente, cada vez mais mal frequentados. A política de banha da cobra feita por medíocres continua a ser o pão-nosso de cada dia. O senhor presidente do Conselho esteve dez dias em Menorca a gozar umas mais do que merecidas férias. Infelizmente decidiu interromper as ditas com um artigo de opinião sobre uma escolha qualquer.
Infelizmente o senhor presidente do Conselho não fez a escolha decisiva e decidiu regressar com os mesmos tiques, as mesmas palavras, as mesmas mentiras, a mesma demagogia. Eufórico, com um sorriso patético, veio gabar-se das suas políticas quando o Instituto Nacional de Estatística anunciou um crescimento de 0,3% do PIB no segundo trimestre. Para o senhor presidente do Conselho essa ligeira recuperação mostra que o seu Governo está no rumo certo e proclamou de imediato o princípio do fim da crise.
No dia seguinte, a mesma instituição revelou que o desemprego tinha subido para 9,1% e que mais de 507 mil pessoas estavam sem trabalho, o pior desempenho dos últimos 30 anos. É claro que o senhor presidente do Conselho, desta feita, culpou a crise internacional pelo desastre. Estes dois comportamentos são obviamente muito reveladores. A Alemanha é dirigida por uma senhora séria e responsável e este sítio é, como se vê, governado por um vendedor de banha da cobra.
António Ribeiro Ferreira
In CM, 17/08/2009

Nota pessoal (muito breve):
Nunca me passou pela cabeça vir a postar um texto deste senhor, tal foi, em tempos, o seu enlevo e a sua cegueira pela actuação da ministra da Educação, já aí claramente incompetente.
Mas, o texto, além de desmistificar o oportunismo e o descaramento de Sócrates, também serve para ilustrar que até 27 de Setembro é sempre tempo para qualquer um abrir os olhos e constatar o tipo de pessoa a quem os portugueses confiaram a governação.

Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009

PS de Sócrates tem o segredo do prolongamento da juventude e não são cerejas sem caroço, mas anda lá perto...

Juventude de plástico

Afinal a Fonte da Juventude é algures em Lisboa. Esqueçam-se chacras, ritos tibetanos, melatonina, anti-oxidantes, botox e mais tralha esotérica e química; a coisa funciona por decreto. Assim, os portugueses serão, a partir de 2010, "jovens" até aos 30 anos.
A concessão de mais 5 anos de juventude aos portugueses foi anunciada pelo Cartão Jovem e não envolve qualquer transacção gótica com Mefistófeles, tendo sido decidida "em conformidade com outros organismos europeus". Em Portugal, o método mais eficaz de permanecer jovem continua no entanto a ser a propriedade de uma empresa ou uma exploração agrícola, sendo-se "jovem empresário" e "jovem agricultor" até aos 40 com todos os invejáveis privilégios da juventude, do amor de Margarida a taxas de juro bonificadas. Nunca como hoje foi tão fácil ser eternamente jovem e, como a mandatária do PS para a juventude, pedir à criada que lhe tire os caroços das cerejas porque jovens socialistas não comem cerejas com caroço. De temer é que tal retrato de plástico da juventude esconda no sótão, como Dorian Gray, um outro, senescente e pouco bonito de ver.
In JN, 17/08/2009


Nota pessoal (breve):
Apenas mais um contributo para o país das oportunidades fáceis:
- facilidades no prolongamento da juventude;
- facilidades na obtenção de qualificações (se for ao domingo, tanto melhor);
- facilidades no cumprimento das penas;
- facilidades na celebração de contratos milionários com o Estado;
- mais fácil viver na dependência do Estado;
- tentativas para facilitar o sucesso escolar;
É no que dá confiar a governação do país a políticos de baixo nível.
O pior de tudo é a maçada das cerejas terem caroços e as uvas grainhas. Desafios nada fáceis!

Domingo, 16 de Agosto de 2009

O Público alinha na estratégia do "baixo nível político". Será que os "engordados" amigos do PS também estão disponíveis para a baixa política?

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In Público, 16/08/2009
Obrigado, La Salette
Nota pessoal:
Num país com problemas endémicos de corrupção, de favorecimento pessoal e propenso a embolsar as clientelas partidárias, aprovar regras e implementar mecanismos que eximem as grandes obras e projectos do Estado à figura do concurso público, é criar as condições não, propriamente, para a baixa política, mas para a política subterrânea e obscura.
Quando uma maioria faz aprovar legislação a dispensar de concursos públicos transparentes está a segurar-se na legalidade, mas está a arruinar-se na moralidade e na seriedade, pois esses enquadramentos legais apenas visam proteger o favorecimento e a opacidade em negócios que envolvem milhões de euros, privilegiando-se os amigos do PS (veja-se, a propósito, o caso Liscont).
E depois vêm estes senhores rotular a denúncia destas situações e das negociatas que lhe estão associadas como sendo intervenções de “baixo nível político”, pressionando no sentido do seu esconjuro em termos de debate público e tornando-os assuntos tabus em campanha eleitoral. Em política, não basta ser, é imprescindível parecer, caso contrário, escancaram-se as portas à suspeita e à desconfiança. Nada de mais natural.
Depois, não venham dizer que a exigência do escrutínio democrático e do concurso público, com base em cadernos de encargos rigorosos e em processos transparentes, é baixa política. Bem ao contrário, esta exigência é uma medida estruturante de elevada política, garante da decência do Estado e da protecção do dinheiro dos contribuintes.
Por último, não resisto ao pormenor da fotografia que o Público acoplou à notícia: a apetência, que virou hábito, de Sócrates e da ministra da Educação preferirem visitar creches, contratar figurantes, simular cenários, seleccionar participantes e deslocarem-se às escolas aos fins-de-semana ou em períodos de férias.
É chegada a hora de Sócrates ir, espontaneamente, às escolas (quando lá estiverem alunos e professores), aos mercados, às feiras e às praças ouvir o que os portugueses lhe têm a dizer. Bora lá!

Alguém, ainda, esperaria que esta equipa do ME, técnica e politicamente incompetente, produzisse um texto legislativo de qualidade?

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In Público, 16/08/2009
Obrigado, La Salette
Nota Pessoal:
Quando o presidente da República se referiu à fraca qualidade dos textos legislativos, estava, certamente, a pensar na torrente de leis, decretos, portarias e regulamentos produzidos pela equipa do Ministério da Educação, de longe a estrutura do governo que apresenta um maior índice de contestação às suas medidas legislativas, tanto nos tribunais, como na comunicação social e nas ruas.
No essencial, a produção legislativa deste ME resultou de inabilidade negocial, de incompetência técnica e, sobretudo, de uma debilidade científica e ética por demais evidente, gerando peças inconsistentes, desgarradas, arbitrárias, injustas, atabalhoadas e discrepantes (até Sócrates o reconheceu), de que esta proposta de lei relativa à educação sexual nas escolas não é excepção (mas, podíamos adir a título ilustrativo o ECD, a deplorável e mentirosa legislação que suportou o concurso para professor titular, o estatuto do aluno ou as leis e regulamentos relativos à avaliação do desempenho).
O que aqui temos, neste artigo de opinião, é, tão-só, mais uma análise avalizada que confirma o carácter precipitado, trapalhão, confuso e errado da proposta de lei sobre educação sexual nas escolas, deixando tudo em aberto para as regulamentações posteriores que já não dependerão deste governo.
A escassos dois meses do final do mandato do governo e do início do novo ano lectivo, esta lei é pouco mais que um instrumento eleitoralista na estratégia de sedução à esquerda, como forma de obviar uma governação que nem sequer foi ao centro ou à direita, antes seguiu a errática da impreparação e da prepotência.

Pretensa empregada de Carolina Patrocínio apanhada em flagrante a tirar-lhe o caroço às cerejas

E o peixe, quem lhe tira as espinhas?...
E quem abre o saquinho do preservativo, é sempre o namorado?...
Ora aí está uma mandatária para a juventude representativa dos jovens portugueses, que não se dá a maçadas típicas de gente vulgar.
De facto, este PS de Sócrates não podia ter escolhido melhor "coqueluche"

Por que é que o PS de Sócrates insiste em tomar os portugueses por parvos?

Face ao ataque certeiro que Aguiar Branco fez a este governo, na sua intervenção na festa do Pontal, acusando-o, a partir de um elenco cruel de casos, de ser um governo sob suspeição, a reacção da parte do PS surgiu pela voz de Vieira da Silva, o qual se refugiou na habilidade retórica de considerar as acusações como de “baixo nível político”.
O facto relevante é que não apresentou nenhum compromisso de esclarecimento, nem avançou com nenhum dado ou argumento válido contra essas suspeições. Aliás, às habituais respostas-chavão só faltou, desta vez, o artifício da acusação do negativismo e do bota-abaixismo.
Refugiando-se na figura da virgem pudente ofendida com a “baixa política”, o PS apenas mostrou que tem o aferidor do nível político do debate avariado.
Sempre que se faz referência aos episódios que comprometem o carácter pessoal de Sócrates estamos perante “baixa política”, como se o carácter fosse uma dimensão irrelevante num primeiro-ministro. Aquilo que os portugueses esperavam do PS era a demonstração do não envolvimento de Sócrates nesses casos, mas tal nunca ocorreu.
Sempre que se ataca o estilo de actuação e de intervenção pouco credível do primeiro-ministro (em algumas situações, faltando flagrantemente à verdade e em outras exibindo oportunismos e viés de atribuição por demais evidentes) isso é "política de baixo nível".
Sempre que alguém lança legítimas suspeições sobre negociatas obscuras e penalizadoras do Estado e dos contribuintes que escapam ao concurso público (ao contrário do que está a acontecer em Espanha com os supostos “magalanes”) e ao escrutínio que devia caber à Assembleia da República, aqui d’El Rei que isso é “baixa política”.
Quando se acusa o governo de estalinismo está a fazer-se “política de baixo nível”, mas quando Sócrates agita a ideia de salazarismo a propósito do PSD e do CDS/PP aí o primeiro-ministro ensaia uma “política de alto nível”.
Para Sócrates e para este governo, tudo o que seja afronta ao mérito, ao currículo e à dignidade dos professores é "política de alto nível".
Para Sócrates e para este governo, tudo o que seja mascarar as realidades, sejam do desemprego, das dificuldades reais das pessoas ou dos projectos que encravaram no terreno, com recurso a habilidades e a estatísticas de circunstância é "política de alto nível".
Para Sócrates e para este governo, tudo o que seja esconder as promessas eleitorais que foram feitas e não dar as explicações do seu incumprimento é "política de alto nível".
Os portugueses já compreenderam à saciedade que há um problema de carácter em Sócrates, que não é despiciendo, uma limitação de credibilidade na sua atitude e uma conduta de falta de transparência na sua governação.
Por favor, não subestimem a inteligência dos portugueses e não os tomem por parvos!...

Sábado, 15 de Agosto de 2009

Dia 14 de Agosto: síntese das notícias (ou da ausência delas) sobre Educação

VARANDA PARA O MAR
A partir deste postigo, com vista para o mar de S. Félix da Marinha, procuro fazer um apanhado, com as respectivas hiperligações, das notícias diárias sobre Educação, publicadas nos jornais e transmitidas nas rádios e televisões. Aqui fica uma síntese, em alguns casos telegraficamente comentada, dos temas que hoje foram notícia em matéria educativa:

1- Escolas públicas de Música e de Dança vão poder recrutar professores (Público, 14/08/2009): As escolas do ensino artístico especializado vão poder recrutar professores através de concursos internos e externos, assim como integrar nos quadros os docentes que desempenham funções na escola durante dez anos consecutivos. As regras estão definidas em portaria que aguarda publicação no Diário da República, informa o Ministério da Educação.
Comentário: esta é daquelas medidas que, tendo em conta a especificidade das funções e a escassez de profissionais qualificados, o tipo de recrutamento, desde que suportado em critérios de exigência minímos que não seja gerador de ultrapassagens indevidas ou de injustiças, não "aquenta nem arrefenta". Parece-me, embora o desconhecimento desta área me possa estar a trair uma melhor opinião.

2- Pais em protesto contra lei da Educação Sexual (SOL, 14/08/2009): Um grupo de encarregados de educação de todo o país realiza hoje uma acção de protesto em Lisboa contra a nova Lei da Educação Sexual, exigindo o fim da sua obrigatoriedade e conseguinte restituição da liberdade de educação das famílias.
Comentário: numa questão sensível como esta, em que está em causa um imprescindível equilíbrio entre a responsabilidade das famílias e a função formativa das escolas, aconselhava o bom senso que houvesse uma ampla discussão prévia, um espírito de abertura para acolher diferentes aportes e sensibilidades, o não sacrificar um tema sério a um timing e a uma intencionalidade eleitoralista de sedução à esquerda, conhecer estudos e avaliar experiências implementadas em outros países e, sobretudo, cuidar antes da preparação das condições no terreno para uma efectiva e eficaz educação sexual. Mas, o que possa vir a acontecer no terreno não tem relevância nenhuma para este ME e, como tal, produziu-se mais uma lei a martelo, trapalhona, inconsistente, impositiva e que dificilmente funcionará, com resultados satisfatórios, no terreno.

Da irrelevância das listas de deputados e da necessidade do conhecimento prévio da composição dos governos


Uma discussão inútil

Em período de defeso futebolístico, a discussão sobre as listas eleitorais para as legislativas confunde-se com a da constituição dos plantéis das principais equipas para a próxima época. Só que, no futebol, uma equipa ter um jogador e não outro pode fazer, e faz habitualmente, a diferença, ao passo que na AR tanto faz.
Porque, no estado a que chegou a nossa democracia, os deputados não jogam, são meros espectadores, claques organizadas constituídas por gente sem vontade, e muitas vezes sem carácter, incapaz (ao contrário do que acontece no futebol) do mínimo sobressalto crítico.
Por algum motivo o Parlamento, que deveria constitucionalmente ser o coração da democracia, é hoje a instância mais desprestigiada da vida política portuguesa.
Mesmo as suas competências legislativas foram progressivamente apropriadas pelos governos. Aí, no Governo, é que tudo se joga. E, aí, os eleitores não metem prego nem estopa. Os partidos deviam anunciar a composição dos governos que propõem aos portugueses e não as inúteis listas de "yes men" que eles irão principescamente pagar durante os próximos quatro anos.
In JN, 14/08/2009

Notas pessoais (muito breves):
Salvo raras excepções, a ausência de "sobressalto crítico" tornou-se, de facto, o critério de selecção dos candidatos a deputados.
Esta ditadura dos "yes men", tradição que se tornou mais ou menos transversal a todos os partidos políticos, esvazia de sentido a algazarra que tem sido feita à volta das exclusões de nomes das listas de candidatos a deputados, pois em todos os partidos se verificam exclusões e inclusões, exactamente, com base nos mesmos critérios.
Mas, menos compreensíveis, ainda, são as declarações de Moita Flores ao admitir a possibilidade de votar no PS apenas por uma questão de discordância face a nomes e lugares nas listas por Santarém, mandando às malvas os princípios e as razões que o levaram a escrever, no Correio da Manhã, crónicas de forte oposição ao governo de Sócrates. Fica-lhe mal!
Por fim, os cidadão deveriam, efectivamente, exigir a divulgação, em plena campanha eleitoral, dos nomes para cada uma das pastas ministeriais, pois este "pormenor" faria toda a diferença. E alguns partidos, nomeadamente o PSD, só tinham a ganhar se o fizessem relativamente à pasta da Educação, apresentando uma figura mobilizadora dos professores e das suas famílias, como Santana Castilho ou Paulo Rangel. Fica mais uma vez a sugestão.

Sexta-feira, 14 de Agosto de 2009

Entrevista de Medina Carreira à SICN: Avançar Portugal para orçamentos completamente bloqueados a curto e médio prazo

Mais uma entrevista arrasadora do Prof. Medina Carreira para escutar com toda a atenção e para os portugueses agirem em conformidade com os problemas e as preocupações aí apresentadas.
Ideias mais impressivas:
O programa eleitoral do PS é conversa fiada (...) que não tem lá nada que preste. (...) Não vale nada".
"Estamos a cavar a sepultura, criando mais dívida e mais juros".
A política irresponsável e patética de grandes investimentos [típica do socratismo] vai empobrecer o país e comprometer a vida e a independência das gerações futuras.
Em 2007, o crescimento, sob a forma de procura interna, foi aparente e resultou de um endividamento externo brutal. O Governo faz de nós uns tontos.
Os jornalistas ocupam-se, em 80% do tempo, com tretas e questões inúteis. À moda de um papagaio. Filtrem, de forma exigente, a informação e a propaganda dos políticos.



Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

Dia 13 de Agosto: síntese das notícias (ou da ausência delas) sobre Educação


VARANDA PARA O MAR
A partir deste postigo, com vista para o mar de S. Félix da Marinha, procuro fazer um apanhado, com as respectivas hiperligações, das notícias diárias sobre Educação, publicadas nos jornais e transmitidas nas rádios e televisões.Aqui fica uma síntese, em alguns casos telegraficamente comentada, dos temas que hoje foram notícia em matéria educativa:


1- UE: Encerramento de escolas apenas se ajudar a atrasar transmissão de Gripe A (JN, 13/08/2009): O Comité de Segurança Sanitária da União Europeia aconselhou hoje, quinta-feira, o encerramento de escolas apenas quando houver alunos infectados com o vírus da gripe A (H1N1) e a medida possa ajudar a atrasar a transmissão da doença.
Comentário: comunicação generalista e mais ao estilo La Palisse, recomendando que as escolas se mantenham em funcionamento se aí não ocorrerem focos de gripe A. Existindo casos de alunos infectados, o encerramento deve ser ponderado sempre que o mesmo possa impedir a propagação do contágio.

2- Alterada prova de ingresso na carreira docente (Público, 13/08/2009): O Conselho de Ministros aprovou hoje alterações à prova de ingresso na carreira docente, ficando dispensados da sua realização os professores que no ano passado ou neste ano tenham obtido "muito bom" ou "excelente" na avaliação de desempenho.
Notícia também na RR e na TVI24.
Comentário: os professores e as suas estruturas representativas rejeitam a utilidade desta prova de ingresso, uma vez que os candidatos à docência são objecto de avaliação pelas universidades e, maioritariamente, submetem-se a estágios que são avaliados por orientadores treinados para o efeito. Como tal, este pretenso instrumento de selecção lança um anátema, tanto sobre a qualidade e a adequação da formação ministrada nas universidades e institutos superiores, como sobre a objectividade e a validade das classificações aí atribuídas.
Além do mais, é o próprio Valter Lemos que confirma o carácter redundante e inútil da prova de ingresso ao dispensar da mesma os professores que tenham obtido "muito bom" e "excelente" na avaliação do desempenho. E, neste particular, o Governo e Valter Lemos revelam a sua falta de seriedade política, pois estão a discriminar e a seriar professores a partir de classificações obtidas no quadro de um processo de avaliação desacreditado que decorreu de um modelo de avaliação inconsistente, injusto, universalmente rejeitado e que o próprio primeiro-ministro considerou inadequado.
A isto acresce uma outra questão incontornável que devia ter sido colocada a Valter Lemos e que é a seguinte: quando as escolas dispuserem de um modelo de avaliação sério e justo (que não este, qualquer que seja a sua versão) e os professores forem classificados com "bom", então para que serve a prova de ingresso? Vai eliminar candidatos já avaliados no sistema como "bons" professores?

O mês de Agosto não é, por natureza, muito pródigo em notícias sobre Educação.
Todavia, em Setembro, os temas explosivos da Educação e, especificamente, aqueles que passam pela contestação dos professores ressurgirão em força.

Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

Síntese diária das notícias (ou da ausência delas) sobre Educação, em plena época estival

Inauguro, esta quarta-feira, dia 12 de Agosto, uma rubrica no blogue, a que chamei VARANDA PARA O MAR, pois será a partir deste postigo com vista para o mar de S. Félix da Marinha que procurarei fazer um apanhado, com as respectivas hiperligações, das notícias diárias sobre Educação, publicadas nos jornais e transmitidas nas rádios e televisões.

Aqui fica uma síntese, em alguns casos telegraficamente comentada, dos temas que hoje foram notícia em matéria educativa:

1- Ensino Especial recebe verbas diferenciadas (JN, 12/08/2009): a deputada Luísa Mesquita denuncia casos de disparidade nas verbas atribuídas pelo Ministério da Educação às unidades de Ensino Estruturado e Centros de Recursos TIC para a Educação Especial.

2- Gripe A: Comissão Europeia vai fazer recomendações sobre regresso às aulas (Público, 12/08/2009): a Comissão Europeia divulgará, amanhã, "ideias" sobre prevenção da gripe A em ambiente escolar. Todavia, a decisão de protelamento do início do ano escolar ou de encerramento das escolas ficará a cargo dos Governos dos Estados-membros.
Comentário: é importante que, em Portgugal, a atitude propagandística de Sócrates não conduza a uma exploração mediática do estilo sóbrio e competente da ministra da Saúde. As últimas aparições da ministra já excederam o adequado ao vir ao reportar-se a situações de pretensa contaminação intencional e premeditada, sem cumprir a sua obrigação de denunciar os casos ao Ministério Público. Melhor seria que se começasse a preocupar com algumas falhas, e ainda a procissão da gripe A vai no adro, na linha Saúde 24 e, porventura, na respsota dada à asituação ocorrida em Celorico de Basto.

3- Pais da Escola Secundária António Nobre querem instaurar processo-crime à DREN (Público, 12/08/2009): a Federação Concelhia de Associações de Pais do Porto (FECAP) e a Associação de Pais da Escola Secundária António Nobre querem instaurar um processo-crime à Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) por "autoritarismo" e "jogo de interesses".
Comentário: de facto, DREN que começa a legislatura torta, tarde ou nunca se endireita. Excesso de protagonismo de Margarida Moreira e sempre pelas más razões.

Mais um caso de profanação de símbolo nacional

Scolari já debandou há muito, a selecção nacional não entusiasma por aí além e aquilo que foi, em tempos, o hastear de bandeiras nacionais em mastros improvisados de ilusão e orgulho, converteu-se, por força do relaxo e da indiferença, em autênticos casos de profanação de símbolo nacional, puníveis com pena de prisão.
Nestes casos concretos, como o que se exibe na foto, os processos terão sido objecto de arquivamento porque foram convincentes as atenuantes de falta de subsídio estatal para ajuda à aquisição de escadotes e as alegações de sportinguismo.

Terça-feira, 11 de Agosto de 2009

Duas referências assassinas para o Governo de Sócrates

Jornal I, 11/08/2009
Luís Campos e Cunha foi ministro das Finanças deste mesmo Governo de Sócrates e, portanto, será uma das pessoas melhor colocadas para fazer esta avaliação. Se ele o diz!...


(...) “no seu propósito de controlar ou condicionar a actividade jornalística”
Público online, 11/08/2009

Da entrevista de José Eduardo Moniz perpassa a ideia de insustentáveis pressões deste Governo sobre a TVI, na tentativa de proteger a imagem de Sócrates dos efeitos devastadores oriundos dos "casos" objectivamente relatados por este canal de televisão. As pressões do anterior Governo, a propósito do espaço semanal de Marcelo Rebelo de Sousa, foram uma brincadeira de crianças.

RAPIDINHAS: vivemos tempos de ausência de escrúpulo democrático e de falta de escrúpulo moral

Dois episódios recentes ilustram, inquestionavelmente, a degradação que vem afectando a vida democrática nacional, tanto no plano político estrito, como no domínio da justiça e da equidade social.
Refiro-me, em concreto, à revisão do ECD aprovada pela voluntariedade do último Conselho de Ministros, bem como às notícias que nos chegam da TAP relativas às duplicações dos salários dos gestores e ao esbanjamento em aquisições milionárias de viaturas para os 42 directores da empresa (a dimensão da TAP justifica a existência de 42 directores?!...), num tempo definido como de “situação financeira muito grave”.
Os retoques efectuados no ECD, em termos de encurtamentos de anos de permanência em determinados escalões e de criação de um escalão para acomodar aqueles que têm azar ao jogo, basearam-se na convicção equívoca de que os professores vendem os seus princípios a remendos de circunstância e a aparentes migalhas e traduzem, no essencial, uma tentativa desesperada e derradeira de “consolidar” um princípio de divisão da carreira universalmente contestado, nas escolas e fora delas. Ainda por cima, quando esta revisão do ECD, que não foi solicitada nem aceite por ninguém na forma que veio a assumir, se autojustifica em declarações, mais uma vez, mentirosas da ministra da Educação, ao defender que as mesmas corresponderiam a uma ansiada reivindicação dos professores. Aquilo que os professores exigem é o fim da divisão arbitrária da carreira e a reposição da justiça e da tranquilidade nas escolas. A ministra da Educação tem-se feito de ignorante relativamente aos argumentos inatacáveis que sustentam a revogação da divisão da carreira e nunca teve a coragem e a competência para defender o concurso dos titulares a não ser com recurso às mais descaradas mentiras e mistificações.
Este episódio traduz, a dois meses de eleições legislativas e num quadro político de ausência de maiorias absolutas e quando todos os partidos da oposição estão sintonizados com os professores na rejeição da divisão da carreira, uma clara ausência de escrúpulo democrático.
Já a circunstância de o Governo não se ter oposto às mordomias que o Presidente da TAP e os seus directores atribuíram a si próprios (ver o post anterior), num período em que se exigiram enormes sacrifícios aos portugueses e em que muitos se confrontam com dificuldades dramáticas, é bem revelador das duas caras deste PS de Sócrates, que enche a boca com palavras em prol da justiça social, mas que convive bem com esta falta de escrúpulo moral por parte daqueles que regem os destinos da TAP.

Altas mordomias pagas com o dinheiro dos contribuintes. E se a crise não fosse gravíssima?...

A piedade mata

As más notícias são que a TAP atravessa, segundo o Conselho de Administração de Fernando Pinto, uma "crise gravíssima", tendo tido no ano passado 280 milhões de euros de prejuízos e vendo-se forçada a pedir sacrifícios aos trabalhadores e a recusar-lhes aumentos salariais.
As boas são que, no mesmo ano de 2008, os administradores atribuíram-se "prémios" com que duplicaram os seus vencimentos (Fernando Pinto, por exemplo, levou 816 mil euros, em vez dos miseráveis 30 mil mensais mais regalias que lhe cabiam); e que decidiram entretanto adquirir 42 automóveis topo de gama para si e as dezenas de directores avulsos que enxameiam a empresa, pois deslocavam-se todos em viaturas "velhas" de quatro anos, impróprias das suas altas funções. Trata-se de uma inovadora ideia de gestão: vão-se os dedos mas fiquem os anéis (e comprem-se mais). Deve-se, a inventiva ideia, a Dali que, contava Gala, era nos momentos em que atravessava "crises gravíssimas" que mais gastava, pois, argumentava ele, "a piedade dos vizinhos mata". A TAP pode morrer, mas ninguém há-de ter razões para se apiedar dos seus administradores.
In JN, 11/08/2009

Solidariedade com a ala monárquica do 31 da Armada

Não sou monárquico, pela elementar razão de defender que qualquer cidadão deve gozar, por lei, das mesmas prerrogativas e oportunidades de acesso ao exercício do poder político, mesmo que tal signifique correr-se o risco (que na monarquia também não está salvaguardado) de, por vezes, nos vermos constrangidos a carregar com governantes de predicados insuportavelmente medíocres, prepotentes e pouco dados à probidade política, como ocorre com Sócrates.
Mas também é verdade que me exasperam as ameaças legalistas e penalistas que se vão por aí brandindo a propósito do acto subversivo de substituição temporária da bandeira republicana pela bandeira monárquica na emblemática varanda do edifício da Câmara Municipal de Lisboa, alegadamente levado a cabo por um grupo de indivíduos ligados ao blogue 31 da Armada.
Os dispositivos da ameaça e da indução do medo já se agitam na comunicação social a pretexto do crime de profanação de símbolo nacional, apontando-se para o limite de dois anos de prisão para os transgressores.
Num país em que muitos marginais que atentam contra a ordem e a tranquilidade públicas e ameaçam a vida e o património das pessoas andam à solta, a rapidez com que se pretende dar a ideia de retaliação destes actos simbólicos que interferem com os princípios organizativos da “quinta política” é bem o sintoma da fragilidade racional e da fraqueza moral em que, muitas vezes, assentam as nossas convicções políticas, sempre predispostas a banir a diferença pela força do “direito”, princípio de actuação que só vale em determinadas circunstâncias. Pois, convém não fazermos profissão de ignorância sobre as condições subversivas e violadoras da lei que deram corpo ao acto fundacional da República.
É, neste âmbito específico, que manifesto aqui a minha total solidariedade aos elementos que concretizaram o acto, ainda por cima tratando-se de uma acção meramente simbólica de rebeldia ideológica, sem consequências políticas e sociais, esperando que a Justiça canalize os seus meios e oriente a sua motivação para os casos e as situações que minam, verdadeiramente, a credibilidade da República, como a corrupção e as decisões políticas levianas e/ou de favor que, essas sim, comprometem, irresponsavelmente, a vida das pessoas e a viabilidade futura do país (agravando o endividamento dos portugueses e arruinando o sentido de decência e moralidade públicas), e que, regra geral, tendem a gozar de uma indigna impunidade.

Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

RAPIDINHAS: confesso-me estupefacto com a estupefacção de Cavaco Silva

Confesso a minha absoluta estupefacção com a circunstância de Cavaco Silva ter ficado "estupefacto", a fazer fé naquilo que a imprensa noticiou (ver aqui e aqui), com a quebra, por parte de Sócrates, do suposto compromisso que teria assumido de recondução do Professor João Lobo Antunes no Conselho Nacional de Ética.
Em primeiro lugar, começo por manifestar sérias dúvidas que ainda exista alguém, no país, que se surpreenda com a relação difícil de Sócrates com a verdade, o incumprimento de promessas, as trapalhadas, as contradições, os desmentidos categóricos que horas ou dias depois são contrariados pelo próprio ou afins. O descrédito do primeiro-ministro e a falta de confiança na sua palavra constituem, nos dias que correm, uma marca registada da sua actuação. Sócrates é o tipo de político que não já não consegue vender, convincentemente, nenhuma promessa, nenhuma ideia e a quem dificilmente algum português compraria um automóvel em segunda mão.
Como tal, parece-me ser despropositado ou, então, demasiada ingenuidade da parte de Cavaco Silva, após os episódios que têm envolvido Sócrates e tendo em conta o comportamento que este teve no caso do Estatuto dos Açores, que ainda se venha falar de estupefacção.
Por outro lado, também fica uma nota de alguma desilusão relativamente à ausência de reacção da parte do Presidente do República quando outros cidadãos, que não ele próprio ou as pessoas do seu círculo íntimo como neste caso, foram e são vítimas da prepotência e dos desmandos de Sócrates e do seu Governo. Veja-se a flagrante arbitrariedade e injustiça que foi a lotaria do concurso para professores titulares, prejudicando discricionariamente milhares de professores e desrespeitando os seus currículos e trajectos profissionais. Não tinha feito, nesta situação, todo o sentido uma reacção de “estupefacção” por parte do Presidente da República?!...
Como a foto, simbolicamente, documenta é óbvio que a relação entre Cavaco Silva e Sócrates azedou de vez, o que a julgar pela popularidade que o Presidente da República vem obtendo nas sondagens não favorece nada Sócrates, pelo que se a hostilização a Belém fizer parte de uma estratégia premeditada de sedução à esquerda do PS, estou convencido que o tiro há-de sair pela culatra. Até porque, entre Cavaco e Sócrates, sempre que se confronta verdade e mentira ou confiança e desconfiança, os portugueses não hesitam sobre o lado que é devido a cada um.

P.S.: ainda em relação a este caso, confio na honestidade de Paulo Rangel, o qual confirmou a existência desse compromisso por parte do Governo (ver aqui).

Domingo, 9 de Agosto de 2009

"Diarreira" de promessas: vírus ataca forte e confere uma dimensão "intestinal" à campanha de Sócrates e aos últimos dias do seu (des)Governo


Subsídios em saldo

Neste Verão de clima incerto, não poderemos escapar à contaminação que as eleições trouxeram à "estação pateta", outrora consagrada a sol e banhos. Como os "programas de governo" já não dizem nada a ninguém, resta a confecção das listas como disfarce da impaciência enquanto não chega a hora do voto. Manuela Ferreira Leite foi o alvo da semana: continuaria a sê-lo quaisquer que fossem as escolhas.
Mas as listas também dizem pouco: vota-se no líder ou, na pior hipótese, no clube. Até o bom recurso de avaliar o que foi feito nos últimos quatro anos se perdeu no meio do partidarismo.
Contra um anunciado "programa mínimo", ou de emergência, tem-se mantido no "cartaz" a diarreia de promessas que atacou José Sócrates, distinguindo-se mal se na condição de primeiro-ministro ou na de secretário-geral. A questão não é de somenos: as inaugurações (em "replay" ou deslocalizadas daqui para longe) são governamentais, mas as promessas pertencem ao foro da propaganda. Afinal, numa variante à ideia do próprio, ainda está para nascer um primeiro-ministro mais "generoso" com os eleitores do que este que nos coube em sorte há quase cinco anos. Todos os dias ele anuncia um novo subsídio para isto ou para aquilo e tão depressa paga abortos e preservativos, como (agora) nascimentos. Aliás, fico a desconfiar de que já há mais subsídios do que portugueses…
Chegou-se também à magia de transformar a primeira pedra de uma fábrica de acessórios numa certificação do país como "fabricante de aviões"! Como o ministro Pinho já não está ao serviço, deve ter sido mais uma obra do dr. Basílio.
Pode igualmente acreditar-se no carro eléctrico com baterias tão portuguesas como o próprio "Magalhães", na Fundação das Comunicações do ministro Lino ou nas "scutes" que agora já não são. Enfim, a lista cresce.
O que vale ao ministro das Finanças (e aos contribuintes que somos todos nós) é que as eleições estão aí ao virar da esquina e, depois delas, os subsídios acabam em "águas de bacalhau"…
In JN, 09/08/2009

Nota pessoal (breve):
As promessas de Sócrates não colhem junto das pessoas, nem entusiasmo, nem sequer aceitação, por três razões demasiado elementares que toda a gente já percebeu:
1) Sócrates construiu a sua vitória eleitoral, em 2005, com base no golpe constitucional de Sampaio e num conjunto de promessas que, no essencial, não cumpriu, faltando-lhe a coragem e os argumentos para explicar as razões pelas quais não foram cumpridas. Como diz o povo "à primeira quem quer cai, à segunda só já cai quem quer". Aliás, as promessas actuais mais mediatizadas pela máquina eleitoral socialista não renovam ou sequenciam as feitas na campanha das legislativas de 2005, pois até para a falta de vergonha há limites;
2) as promessas mais emblemáticas, agora propostas, remetem para subsídios ou apoios despesistas que, tendo em conta o seu habilidoso impacto orçamental, os portugueses não compreendem por que razão não foram objecto de implementação na actual legislatura e surgiram agora num golpe de mágica. As pessoas já não suportam que se faça uma gestão eleitoralista, a expensas de dinheiros públicos que são de todos, daquilo que são necessidades e dificuldades que vêm afectando as pessoas no seu quotidiano;
3) já toda a gente interiorizou, excepto Sócrates, que os anos que aí vêm implicarão grandes sacrifícios, privações e dificuldades, não se coadunando com estas chuvas de milhões a torto e a direito. Como tal, o discurso socrático não goza de credibilidade e parece uma evidência que se Sócrates prometer dar 5 com a mão esquerda lhes vai fanar 100 com a mão direita.
Mas o mais grave e revelador de maior desfaçatez é a circunstância de o Governo ter andado a reter apoios e subsídios, com custos enormes para aqueles a quem eram devidos, para agora os distribuir em plena campanha eleitoral, como acontecerá no ministério da Agricultura e em outras áreas (exemplificativamente, vamos estar atentos ao destino das ambulâncias do INEM parqueadas em Lisboa).
Se atentarmos à esmagadora maioria das promessas eleitorais, trata-se, no fundamental, de distribuir ou despejar dinheiro do Estado, não se vislumbrando ideias ou projectos estruturantes para impulsionar um desenvolvimento sustentado de todas as regiões do país, o que constitui, verdadeiramente, o registo da mediocridade socrática.
Por fim, só um apontamento à promessa estrambótica do apoio à natalidade, que acaba por ser um financiamento encapotado à banca e que permitirá a qualquer criança nascida pela propulsão destes 200€, dispor de dinheiro, aos 18 anos de idade, para trocar de telemóvel ou para comprar cigarros sem ter que cravar os pais ou sacrificar a mesada.