Um murro de Santana Castilho na consciência de Passos Coelho e da elite política "laranja" (18-01-2012): As "natas"

Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

À mesa do "investimento público" socialista

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In Jornal de Leiria, 26/11/2009 (AQUI...)
Valha-nos a lucidez e a independência de um ou outro socialista.

"Com o clima de corrupção generalizada existente, com os métodos usados na revisão dos preços, com os objectivos anunciados e com as prioridades conhecidas do Governo a serem a EDP, a PT a Mota-Engil, a Ongoing, Joaquim de Oliveira, a Martifer, a Sá Couto e quejandos, é fácil de ver para onde irão os milhares de milhões de euros de investimentos públicos previstos."

Sacrifique-se o país, mas salve-se Sócrates



Um juiz e um magistrado suspeitam que o primeiro-ministro terá cometido um atentado contra o Estado de Direito.
O director do semanário Sol faz acusações factuais gravíssimas sobre interferência e condicionamento da liberdade de expressão.
Mas, neste país não acontece nada.
A preocupação de muitos socialistas reputados, outrora defensores incondicionais da liberdade de imprensa e da ética na política, precipita-se para recomendações e exigências de ocultação e de secretismo.
O Presidente da República parece "assobiar para o lado" com recorrentes discursos centrados na ética e nos valores, mas que não produzem qualquer tipo de consequência.
O Ministério Público, as Entidades Reguladoras e o Parlamento parecem anestesiados.
Como é possível sacrificar-se o prestígio das instituições e a credibilidade da democracia em nome da protecção de um actor político arrogante e politicamente incompetente, que é uma fonte geradora de crispação e que alegadamente não tem pautado as suas condutas pelos padrões exigíveis às altas funções que desempenha? Não possui o PS quadros que dêem garantias de uma actuação e governação credíveis?
Se as escutas feitas, incidentalmente, a Sócrates incorporam conversas que, directa ou indirectamente, remetem para decisões ou actuações com repercussão relevante na vida pública ou política, então, as mesmas perdem a sua dimensão privada e devem, nessas partes exclusivas, ser tornadas públicas.
QUEM NÃO DEVE, NÃO TEME.

Domingo, 29 de Novembro de 2009

Emoções (quase) fortes ao fim-de-semana

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Em Portugal, os fins-de-semana ganharam mais um motivo de interesse pela via da diversificação das expectativas dos portugueses relativamente a um conjunto de happy ends, daqueles que se tem a esperança de poderem vir a ocorrer: uns anseiam pelos resultados no futebol, muitos ficam expectantes que a sorte os bafeje no euromilhões ou no totoloto, e, agora, quase todos aguardam os veredictos de Sábado do Procurador-Geral da República.

Às emoções desportivas e às associadas aos jogos de sorte e de azar, acrescem, no tempo presente, as emoções politizadas.
Há ou não indícios de crimes nas escutas efectuadas a Vara e que apanharam o omnipresente Sócrates? O país fica em suspenso até um qualquer Sábado.
É ou não possível divulgarem-se os fundamentos da decisão do Procurador que ilibou Sócrates de qualquer indício criminal? Num destes Sábados, logo se vê.
Acontece que, ontem, a “roleta encravou” e a decisão foi adiada por falta de outros elementos, mesmo que, neste jogo, não seja difícil ao cidadão comum prever qual será o resultado: divulgar-se-á tudo, excepto os conteúdos das escutas que levaram um juiz e um procurador a suspeitar da existência de crimes graves.

A opinião que começa a prevalecer nas pessoas é a de que o Ministério Público se vem assemelhando a uma espécie de camada de ozono, que visa proteger os politicamente poderosos de extensas e graves exposições a queimaduras solares, independentemente de na aparência poder dar a ideia de um ou outro buraco que se abre.
Mesmo que alguns de nós possamos não querer ou não dever aceitar esta tese.

Entre nós, tende a fazer caminho esta ladainha que separa os vícios privados das virtudes públicas, como se, em algumas circunstâncias não existisse uma óbvia comunicabilidade e repercussão entre estas duas esferas da vida dos indivíduos.
Se, por eventualidade, as conversas entre Sócrates e Vara versaram sobre a melhor técnica para grelhar robalos ou sobre a sensualidade da boca de Manuela Moura Guedes, então, tais conteúdos pertencem à irrelevância da vida privada destes senhores. Mas, se aquilo que se discutiu podia ou pode ter alguma implicação no favorecimento ou prejuízo indevidos (não legalmente suportados) para as funções públicas que Sócrates desempenha enquanto primeiro-ministro, então não se trata de meras conversas privadas e o país deve ter conhecimento daquilo que se anda a urdir nas suas costas para, supostamente, se reforçar um poder político que extravase o jogo democrático limpo e transparente.
E não nos venham com tretas ou com farisaísmos jurídicos para manter em segredo o que pode ter relevância pública grave, porque todos temos o direito de saber com base em que métodos e actuações políticas se está ou não a proteger as liberdades e a governar.

Por fim, sempre digo que o país em geral, e o partido socialista em particular, vão pagar um preço bem elevado pelo sancionar dos antecedentes, do estilo de actuação e das políticas erráticas e erróneas de Sócrates (o país necessita de muito mais do que de uma espécie de Pai Natal do Estado em permanência que tudo subsidia e quase nada dinamiza).
Sócrates faz-nos lembrar um automóvel, cujas velocidades são apenas a primeira e a marcha atrás: muita aceleração estridente e aparente força ao arrancar, para depois não lhe restar outra solução, dada a incompetência da condução, que não seja engrenar a marcha atrás.

E o país não se pode dar ao luxo de se entreter neste vai e vem que não dispõe de “velocidades” mobilizadoras para tirar Portugal dos últimos lugares da Europa.

Educação em... Plano Inclinado

O Plano Inclinado deste Sábado (28 de Novembro) foi de uma qualidade excepcional, contando com a presença, para além de Mário Crespo (moderador), Medina Carreira e Nuno Crato, de Maria do Carmo Vieira.

Defendeu-se, de forma consequente, uma escola pública de qualidade sustentada nos seguintes pilares:
- reabilitação da autoridade dos professores, estúpida e indignamente descredibilizada na anterior legislatura;
- um ensino exigente que, ao invés de nivelar por baixo, procure elevar as competências e os conhecimentos de todos, sobretudo daqueles que chegam à escola com menos saberes e maiores dificuldades;
- a competência científica do docente como o factor que faz toda a diferença no processo de ensino-aprendizagem.

Além destas ideias-chave, demonizou-se, e bem, a cultura reinante do facilitismo e do trabalho para as estatísticas, a infantilização dos conteúdos curriculares, a indisciplina nas salas de aula, a tralha pedagógica inútil e o folclore.
Como tal, focou-se a necessidade de revisão dos currículos, de forma a que os alunos aprendam conhecimentos essenciais e desenvolvam competências estruturantes e não, propriamente, trivialidades. Tudo isto avaliado na base de exames mais frequentes e dotados de níveis de exigência bem mais elevados que os actuais.

Ressaltaram-se as consequências da actual facilitação na progressão dos alunos, como o triunfo generalizado da mediocridade (uma projecção daqueles que, na actualidade, nos governam) e, sobretudo, a ilusão de competência que, de forma fraudulenta, se está a vender aos alunos e às famílias, os quais, só a prazo e em contextos de concorrência aberta, virão, dramaticamente, a descobrir.

Único senão: a defesa, por parte de Nuno Crato, de um exame rigoroso de entrada na profissão docente, como forma de contrariar o eduquês e alguma falta de exigência inerente à formação superior recebida e de garantir que aqueles que entram na profissão evidenciem uma robusta formação científica e elevadas competências para a docência.
A fraqueza desta tese advém do seguinte: 1) os candidatos a docentes não devem ser avaliados relativamente a algo que não fez parte da sua formação (a qual aparece nesta tese desqualificada), pelo que o caminho correcto é apostar em cursos superiores exigentes e de qualidade, de tal forma que a média final do recém-formado fosse, efectivamente, indicadora da sua preparação e valia; 2) quem vai elaborar o exame de acesso e avaliar os resultados? Aqueles que estão no sistema, impregnados das modernices pedagógicas e de todos os vícios e debilidades do sistema?

Vale a pena aguardar pela disponibilização do vídeo do programa AQUI...

Sábado, 28 de Novembro de 2009

As versões "boas" da violação do segredo de justiça

Relativamente a estas graves (porque estas sim comprometem as investigações e não permitem fazer justiça) violações do segredo de justiça, os indignados de serviço remeteram-se ao silêncio. Ficamos todos a saber que há "boas" e "más" violações do segredo de justiça.
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Num tempo em que alguns homens se vão apequenando, eis que emergem duas grandes mulheres


A SIC e a SIC Notícias proporcionaram-nos, ontem, dois grandes momentos televisivos, com as entrevistas a Catalina Pestana (no Jornal da Noite da SIC) e a Felícia Cabrita (no Jornal das Nove da SIC Notícias). Neste último caso, é sempre um momento ímpar de televisão quando, durante meia hora, os telespectadores podem seguir as duas figuras mais destacadas da independência, da coragem e da lucidez jornalística, como são os casos de Mário Crespo e de Felícia Cabrita (a quem devemos a descoberta dos muitos "podres" que se escondem por detrás das aparências luminosas de muitas gravatas de seda e fatos de alta costura).
São mulheres destemidas e com um apurado sentido de justiça, como Felícia Cabrita, que ainda vão mantendo o pouco que resta da sanidade mental deste regime democrático português, tão opaco e tão indecentemente elitista na protecção e na discriminação positiva dos poderosos.
Atente-se no escandaloso tempo de antena que é disponibilizado a "espertalhões" do regime, como Vara (com ascensões meteóricas que "insultam" milhares de licenciados e doutores que não conseguem obter um emprego) quando a mesma cobertura é negada a tantos outros suspeitos e arguidos deste país, cujos processos são divulgados publicamente, que também têm filhos e pais e que desejariam usufruir das mesmas oportunidades de defesa que são proporcionadas a esta nata da sociedade.
Vá lá saber-se se não é desta forma que a comunicação social garante um financiamento do BCP e uma fatia mais suculenta de publicidade institucional. É sempre na selva (neste caso do atropelo a valores e princípios) que tende a prevalecer o instinto de sobrevivência (neste caso, económico).
Já a entrevista (ver em baixo) de Catalina Pestana (minha professora no mestrado em promoção e educação para a saúde) é uma lição de frontalidade, coerência e honestidade, que devia aproveitar àqueles que têm o dever de zelar pela decência do regime democrático, actuando em prol do interesse do país e não da protecção de uns poucos.
São mulheres desta qualidade e desta coragem que envergonham muitos troca-tintas, ex-paladinos da liberdade e espinhas moles que a comunicação social vai exibindo em tristes exercícios de incoerência e/ou de fraqueza moral.



Condição e Estatuto do Professor

Magnífico texto do Luís Costa sobre a condição e o estatuto do ser professor: o indigno agora e a utopia do amanhã, em forma de medidas a sério e não, propriamente, de cosmética para disfarçar despautérios e rotinas do "faz de conta"... tão-só para despeitados e opinião pública ver.
Leitura obrigatória ***** (AQUI...)

Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Algum interesse "Público"

In Público, 15/11/2009

In Público, 27/11/2009

Duas referenciações deste blogue, na secção “Blogues de papel” do jornal Público, em menos de 15 dias. Nada mau!
Agradeço o interesse do Público e gostaria de aproveitar o ensejo para realçar o extraordinário serviço que o jornal prestou à causa dos professores, fazendo eco das iniciativas dos movimentos independentes de professores e, sobretudo, publicando os artigos referenciais de Santana Castilho, que foram, e continuam a ser, um estímulo e uma âncora de coragem e de verticalidade para mim próprio e para a esmagadora maioria dos professores portugueses.
Reconheço, igualmente, a correcção e o elevado profissionalismo com que a jornalista Graça Barbosa Ribeiro sempre se relacionou comigo e deu expressão pública às minhas posições.

Como seria diferente negociar com a divisão na carreira e o modelo de avaliação já suspensos

(Ler mais AQUI...)

António Correia "armado" em jornalista

(...)

(Ler mais AQUI...)

Já não sei se isto é comédia, se é drama ou se é mesmo tragédia...
Já agora, a talho de foice, sempre digo que na problemática da relação saudável e nada intrusiva do governo com a comunicação social, tenho apreciado, particularmente, as últimas intervenções públicas de Jorge Sampaio a pregar o ideário da não interferência na comunicação social e do "regular funcionamento das instituições".
Mas, a coerência e os princípios têm dias e cores...
Em trapalhadas e em intromissões na comunicação social, o governo de Santana Lopes era um coro de anjinhos se comparado com os governos de Sócrates.

Porquê tanta gente de cócoras?

Ler AQUI a retaliação a Pedro Lomba por parte do Diário Económico.
Despedido pelo "delito" de ter escrito esta crónica no Público a 12 de Novembro.
Trata-se de mais um episódio degradante, a acrescentar a muitos outros, da subserviência da comunicação social a Sócrates e de indícios claros de condicionamento da liberdade de imprensa e do pluralismo.
Depois da captura da TVI pela linha editorial benevolente para com Sócrates.
Constatada a suposta influência que o BCP tem sobre um grupo económico que controla jornais e rádios, claramente alinhados com o socratismo.
Escutadas as denúncias de António José Saraiva sobre a existência de pressões miseráveis oriundas do BCP e de alguém próximo do primeiro-ministro.
Pergunto-me, como ainda ontem o fez com indignação António Lobo Xavier, de que está à espera o Parlamento para abrir uma Comissão de Inquérito que apure todos estes factos e aja em conformidade, antes que isto "venezuelize" de vez.
Sinceramente, não me revejo num país de tanta espinha curvada, nem tenho nenhum tipo de respeito por quem vacila ou revela medo em confrontar Sócrates, e o que ele representa, com a realidade e com a verdade.

Quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

A boa moeda de Cavaco está a provar-se ser dinheiro falso

(Ler no blogue de Santana Lopes. AQUI...)
Ter contribuído, decisivamente, para o golpe palaciano que derrubou Santana Lopes e ofereceu de bandeja o poder a Sócrates, com as consequências desastrosas daqui advindas para o país, não deve ser algo de que Cavaco Silva se possa orgulhar.
Tendo dificuldade em enxergar contributos de monta em resultado da governação socrática, eis a situação a que o país chegou pela mão de um aventureiro, mas de que Cavaco Silva e Jorge Sampaio também são co-responsáveis:
- uma economia de rastos (défice, desemprego e dívida pública sem precedentes);
- experimentalismos inconsequentes e conflitualidade na Educação;
- ineficácia na Justiça e tentativas de politização da mesma;
- crispação social nunca vista, fomentada pela prepotência do primeiro-ministro;
- um primeiro-ministro envolvido em inúmeros casos pouco edificantes e permanentemente sob suspeita;
- governos eleitoralistas e demagógicos (veja-se, a título de exemplo, a forma nada séria como esconderam e negaram, meses a fio, a situação das contas públicas);
- ataques de gente arrogante, mas medíocre, a professores, juízes, magistrados, jornalistas…;
- desconfianças e guerrilhas institucionais;
- instrumentalização e condicionamento da comunicação social;
A lista é quase interminável.
Mesmo assim, acredito no arrependimento como um traço distintivo da superioridade humana, embora, neste caso, o mesmo só valerá quando me for dado ler um novo artigo de Cavaco Silva, se tiver que ser em forma oracular que seja, sobre a falsa moeda.

Se não for a Assembleia da República a impor soluções, bem podem os optimistas esperar sentados e suspender o champanhe

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In Público, 26/11/2009
Obrigado, La Salette
Pelos vistos, a ingenuidade não é uma fraqueza assim tão mal distribuída.
Para aqueles que embandeiraram em arco, fizeram festejos prematuros e acreditaram na abertura deste ME (não subestimem a obstinação e a "embirração" de Sócrates em relação aos professores), talvez a proposta da sorridente Isabel Alçada os deixe bastante apreensivos.
Particularmente o PSD já devia ter compreendido que "gato escaldado devia pensar duas vezes antes de se meter em a-venturas".
Esta das quotas por motivações económicas diz tudo sobre a natureza deste governo: poupanças e constrangimentos artificiais e absurdos no financiamento à Educação para se poderem esbanjar milhares de milhões de euros no apoio à Banca, em consequência de especulações e de fraudes financeiras.

Auscultem os professores


Esta proposta do ME relativa aos Princípios da Revisão do ECD e da sua articulação com a ADD é inaceitável:

Princípios da Revisão do Estatuto da Carreira Docente e da sua articulação com a Avaliação de Desempenho

1) Estruturação da carreira docente:
• Carreira única para os educadores de infância e para os professores dos ensinos básico e secundário;
• Carreira com uma única categoria, sem divisão entre professores titulares e não titulares;
• Desenvolvimento da carreira em 10 escalões;
• Especialização funcional facultativa nos dois escalões do topo da carreira, para as funções de supervisão pedagógica, de gestão da formação, de desenvolvimento curricular e de avaliação, acessível, sob candidatura, aos docentes que possuam formação especifica adequada.
2) Ingresso na carreira:
• Ingresso na carreira dependente de qualificações adequadas, mérito e selectividade;
• Selectividade no ingresso na carreira realiza-se através de uma prova pública de acesso e da aprovação no final de um período probatório de um ano, em que é obrigatória a observação de aulas e a avaliação da prática docente não lectiva.
3) Progressão na carreira e sua articulação com a avaliação de desempenho:
• Acesso ao escalão imediatamente superior mediante a conjugação dos seguintes elementos: tempo de serviço, formação continua ou especializada e mérito traduzido na classificação obtida na avaliação de desempenho, sem prejuízo da dimensão também formativa da avaliação;
• 0 sistema de classificação e o regime dos efeitos da avaliação de desempenho continuarão a assegurar consequências efectivas da avaliação nas condições e no ritmo de progressão na carreira, sem prejuízo das adaptações necessárias à nova estruturação da carreira docente;
• Independentemente dos normais ciclos de avaliação de dois anos, a avaliação com observação de aulas é condição de acesso ao 3.º e ao 5.º escalão, bem como ao 7.° escalão quando tal observação não tenha tido lugar em nenhum dos ciclos anteriores. Se ao docente não estiver distribuído serviço lectivo, a avaliação requerida para o acesso aos escalões referidos inclui um relatório elaborado pelo director da escola;
• As condições de progressão na carreira promovem a necessária selectividade da progressão, como forma de estimular e premiar um melhor desempenho, mediante a fixação anual de vagas para acesso ao 3.º, ao 5.º e ao 7.º escalão.
4) Distribuição de responsabilidades funcionais:
• A atribuição de funções de coordenação, orientação, supervisão pedagógica e avaliação são reservadas aos docentes posicionados a partir do 4.º escalão da carreira, preferencialmente detentores de formação especializada e, de entre eles, sempre que possível aos docentes dos dois últimos escalões que tenham optado pela especialização funcional correspondente;
• A Direcção de cada escola poderá, por motivo justificado, designar para as funções referidas no ponto anterior docentes posicionados no 3.º escalão, desde que possuam formação especializada para o desempenho das funções em causa.
5) Regime transitório:
• Transitoriamente, aos docentes que actualmente se encontram posicionados nos índices 299 e 340 aplicam-se as regras de progressão previstas no Decreto-Lei n.º 270/2009.

Comentário e proposta minha:
O fim da arbitrária e injusta divisão na carreira entre professores titulares e professores não titulares devia ser objecto de um anúncio oficial por parte do ME, à semelhança do que já ocorreu com a inclusão no processo de avaliação dos docentes que não procederam à entrega dos Objectivos Individuais, explicitando-se e estabelecendo-se desde já a nova estrutura da carreira, deixando para a negociação os princípios e os mecanismos de progressão.
Integrar o princípio do fim da divisão na carreira neste pacote, que contém propostas inaceitáveis para os professores, pode protelar a decisão da eliminação efectiva da divisão para além do aceitável (para já não falar do prazo imposto pelo PSD), além de constituir uma estratégia para o ME ganhar tempo com vista à consolidação da farsa que são as classificações obtidas no 1º ciclo de avaliação e a aberrante e incoerente admissão das suas consequências para efeitos de concursos e de progressão na carreira.

Já que os Sindicatos não tomam a iniciativa de implementação de um processo de audição pública dos professores, escola a escola, relativamente a estes princípios e à proposta de novo modelo de avaliação que será entregue pelo ME, proporei aos movimentos independentes de professores que desencadeiem uma campanha nacional a exigir essa auscultação
Porque qualquer análise que cada um de nós, individualmente, possa fazer das propostas do ME pode ser sempre redutora e não exprimir a vontade maioritária dos professores. E também não é prudente deixarmos assuntos desta relevância ao arbítrio das cúpulas sindicais.
AUSCULTEM OS PROFESSORES!

Permitam que os professores se pronunciem sobre:
1) prova de ingresso na carreira;
2) condicionamentos no acesso aos escalões;
3) anulação dos efeitos das classificações obtidas no 1º ciclo de avaliação para efeitos de concursos e progressão na carreira;
4) duração dos ciclos de avaliação;
5) princípios e mecanismos de avaliação aceitáveis;
6) condições de candidatura a funções de coordenação e supervisão;
7) abertura de um concurso extraordinário de professores, tendo em conta as injustiças e as colocações “privadas” (a pedido) que ocorreram neste último concurso, dando também a possibilidade aos ex-titulares, que assim o desejem, de poderem concorrer;
8) eleição dos directores e dos coordenadores de departamento pelos professores.

Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Santana Castilho: "os princípios e a dignidade são inegociáveis"

A falta de classe
Santana Castilho *

Perdoem hoje o estilo. A prosa sairá desarticulada, quais dardos soltos. Este artigo é, conscientemente, feito de frases curtas. Cada leitor, se quiser, desenvolverá as que escolher. Meu objectivo? Manter a sanidade mental. Escorar a coluna vertebral. Resistir. Este artigo é também uma reconfirmação de alistamento na ala dos que não trocam os princípios de uma luta pelo pragmatismo de um lance. Porque amo a verdade e a dignidade profissional como os recém-chegados ao mundo amam o bater do coração das mães. Porque não esqueço os que nenhum lance poderá já compensar. Porque com a partida prematura deles perderam-se pedaços da Escola que defendo. Porque pensar em todos é a melhor forma de pensar em cada um.
A avaliação do desempenho é algo distinto da classificação do desempenho. A avaliação do desempenho visa melhorar o desempenho. A classificação do desempenho visa seriar os profissionais. Burocratas que morreram aos 30 mas só serão enterrados aos 70 tornaram maior uma coisa menor. Quiseram reduzir realidades díspares à unicidade de fichas imbecis. Tiveram a veleidade Kafkiana de particularizar em 150.000 interpretações individuais os objectivos de uma organização comum a todos. Convenceram a populaça que se mede o intangível da mesma forma que se pesam caras de bacalhau. Chefiou-os uma ministra carrancuda, que teve o mérito de unir a classe. Chefia-os agora uma ministra sorridente, que já se pode orgulhar de dividir a classe. Porque, afinal, custa, mas não há classe. Há jogos! De cintura. De bastidores. De vários interesses. Parlamentares, sindicalistas, carreiristas e pragmatistas ajudaram à Babel. Da sua verve jorra a água morna de Laudicéia, a que dá vómitos.
Alçada derreteu o implacável Mário Nogueira que, em socorro da inexperiência da ministra, veio, magnânime, desculpar-lhe as gafes. E, cristãmente, entendeu agora, de jeito caridoso, que não seja suspenso o primeiro ciclo avaliativo. Esqueceu duas coisas: o que reclamou antes e que ciclos avaliativos são falácias de anterior ministra. Ciclos avaliativos, Simplex I, Simplex II e o último expediente (no caso, um comunicado à imprensa, pasme-se) para dizer às escolas que não prossigam com o que a lei estabelece são curiosos comandos administrativos. Uma lei má, iníqua, de resultados pedagogicamente criminosos, devia ter morrido às mãos do parlamento. Por imperativo da decência, por precaução dos lesados, por imposição das promessas de todos. Quanto à remoção das mágoas, meu caro Mário Nogueira, absolutamente de acordo. Depois de responsabilizar os que magoaram. Depois de perguntar aos magoados se perdoam. Por mim, cuja lei foi sempre estar contra leis injustas, a simples caridade cristã não remove mágoas. Não sei perdoar assim, certamente por falta de céu.
Agora, porque sou amigo de Platão mas mais amigo da verdade, duas linhas para Aguiar Branco. Gostei de o ouvir dizer, a meu lado e a seu convite, que a avaliação do desempenho era para suspender. Mas não justifique a capitulação com a semântica. Poupe-me à semântica, porque a semântica não o salva. Enterra-o. Suspender é interromper algo, temporária ou definitivamente. É proibir algo durante algum tempo ou indefinidamente. Substituir é colocar algo em lugar de. Não só não tinha como não terá seja o que for, em 30 dias, para colocar em lugar de. Sabe disso. Bem diferente, semanticamente. Mas ainda mais importante nos resultados. O Bloco Central reanimou-se nas catacumbas e o PS agradeceu ao PSD o salvar da face. Mas os professores voltaram a afastar-se do PSD, apesar do arrependimento patético de Pedro Duarte. E, assim, o PSD falha a vida!
Um olhar aos despojos. Reverbera-se a falta de capacidade de muitos avaliadores para avaliar, mas homologam-se os “Muito Bom” e “Excelente”, que significam mais 1 ou 2 pontos em concurso. Os direitos mal adquiridos de alguns valeram mais que os direitos bem adquiridos de muitos (como resolverão, a propósito, os direitos adquiridos dos “titulares” que, dizem, vão extinguir?). Porque toca a todos, muitos “titulares” que não tinham vagas de “titulares” em escolas que preferiam, foram ultrapassados em concurso por outros de menor graduação profissional, que agora lá estão, em almejados lugares de quadro. Ao mérito, há muito cilindrado, junta-se uma palhaçada final, em nome do pragmatismo. Muitos dos que foram calcados recordam agora que negociar é ceder. Mas esquecem que os princípios e a dignidade são inegociáveis, sendo isso que está em jogo. Um modelo de avaliação iníquo, tecnicamente execrável e humanamente desprezível, que não lhes foi aplicado ao longo de um processo, é agora aceite, em nome do pragmatismo, para não humilhar, uma vez, quem os humilhou anos seguidos.
Sócrates, que se disse animal feroz, vai despindo a pele. Mas não nos esqueçamos da resposta de um dos sete sábios da Grécia, quando interrogado sobre o mais perigoso dos animais ferozes. Respondeu assim: dos bravos, o tirano. Dos mansos, o adulador.
Vão seguir-se meses de negociações sobre o estatuto. O défice, que levou à divisão da carreira e às quotas, agravou-se. Se a desilusão for do tamanho da ilusão, tranquilizem-se porque a FENPROF ficará de fora, como convém, e a FNE poderá assinar um acordo com o Ministério da Educação, como não seria a primeira vez. Voltaremos então ao princípio. O que é importante continuará à espera. Mas guardaremos boas recordações de duas marchas nunca vistas.
* Professor do ensino superior. s.castilho@netcabo.pt
Texto publicado no Público, 25/11/2009
Mais um extraordinário artigo de Santana Castilho, arrasador de um "modelo de avaliação iníquo, tecnicamente execrável e humanamente desprezível", mas também das atitudes e das tomadas de posição de alguns.
Permito-me destacar:
- A visão e a frontalidade do nosso melhor recurso na área da Educação, assim como a verticalidade de quem não aliena princípios e valores, constituindo, para mim próprio e para muitos outros colegas, um referencial de conduta.
- O pragmatismo negocial de Nogueira que o torna incoerente e o desacredita face à convicção com que desqualificou o modelo de avaliação em vigor. Afinal, a "coisa" até se pode aproveitar para classificar professores.
- Verdades dirigidas a um PSD que "falha a vida" e perde os professores ou como Aguiar Branco e Pedro Duarte merecem "ouvir das boas".
Como se podem sancionar e validar classificações e outras consequências que resultam de processos reconhecidamente injustos, incongruentes e incompetentes?
A área da Educação que deveria constituir, para o país, um referencial de exigência, de rigor e de actuação segundo princípios e valores, assiste à actuação de muitos dos seus protagonistas (sindicalistas e actores políticos), tornados verdadeiros farsantes de um teatro do absurdo e de jogos de "faz de conta".
Este texto é, absolutamente, lapidar sobre a incompetência, o descrédito e a injustiça de um modelo e de uma reforma falhada, de que mandava o sentido de coerência e de dignidade não aceitar quaisquer consequências.
Mas, é também uma autêntica lápide que deve ser colocada em cima da incoerência e das fraquezas de alguns actores menores, como Mário Nogueira, Aguiar Branco ou Pedro Duarte.

Educação e Professores, hoje...

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A falta de classe

"A falta de classe"
Artigo, absolutamente imperdível, de Santana Castilho que, esta quarta-feira, sairá no jornal Público (versão papel).
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Terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Em tempos de pandemia, excelente metáfora para os crentes nas teorias da conspiração

(recebida por e-mail)

Dia 24 de Novembro: o que se escreve na Imprensa sobre Educação

Sócrates destrói... Sócrates
Jornal de Negócios - A avaliação dos professores é o caso mais inacreditável, para não dizer revoltante. O país inteiro - que não conhecia professores - acreditou que o problema...

Fenprof espera que Governo anuncie fim dos titulares na reunião de ...
Diário de Notícias - (…) defendeu, é "central", não só para haver consenso sobre o novo Estatuto como para se definirem as bases de um novo modelo de avaliação de professores.

Ministra admite que modelo de avaliação pode não surgir em 30 dias
TSF Online - A ministra da Educação admitiu que o novo modelo de avaliação dos professores poderá não surgir nos próximos 30 dias. Isabel Alçada assegurou, contudo...

O PSD guerreiro e o PSD manso
Jornal de Notícias - O projecto de resolução do PSD sobre a avaliação de professores e sobre o estatuto da carreira docente foi, como se previa, ontem viabilizado no Parlamento...

Muito barulho para nada
DiarioEconomico.com - Cinco anos passados, muita contestação depois e muito desgaste para as várias partes, os indícios de que a avaliação de professores regressará ao ponto onde...

Avaliação: «Prazo de 30 dias é curto», diz ministra
IOL Diário - Mas de qualquer forma vamos trabalhar para concluir esse trabalho», disse Isabel Alçada.

Síntese a partir dos Alertas do Google

A aventura da "Mãe Natal" que pode tramar o PSD

In DN online, 23/11/2009 (ler mais AQUI...)

Entre os professores e Sócrates, o PSD não hesitou e escolheu Sócrates. Pois, que a companhia lhe faça bom proveito, mesmo se começam a aparecer os primeiros sinais de que, desrespeito por desrespeito, a abstenção e a “ponderação” do PS face à proposta do PSD até nem é compromisso nenhum. E ainda a procissão vai no adro…
Decerto que vamos poder acompanhar, nos próximos meses (?!), as manobras de diversão negocial do ME com o intuito de recuperar o essencial do modelo de avaliação salvo pelo PSD.
Estou na expectativa de assistir aos malabarismos semânticos do PSD para “descalçar a bota” do incumprimento da sua recomendação, no dia 21 de Dezembro (ou serão 30 dias úteis?).
Relativamente à eliminação da divisão na carreira, vai começar a ladainha, muito provavelmente arrastada, da complexidade da questão e da necessidade de "encontrar pontos de encontro". A bem da eliminação deste "muro" da vergonha e da ignomínia socialista, espero que o dia de amanhã não corrobore a minha apreensão.
Se isto demorar mais de 30 dias, como a ministra e outras fontes do PS admitem, o PSD tem nas mãos um problema que transferiu para si próprio, quando o ónus e a pressão para encontrar uma solução pertenciam ao PS.
Ainda dizem que não há solidariedade e amigos em política!
Ou tratar-se-á de acordos palacianos, de que a nomeação de Silva Peneda é a primeira das contrapartidas?
De qualquer forma, é bem provável que a “Mãe Natal” não chegue a tempo da Festa de Natal do PSD.

As chaves para o sucesso


Existe o caminho do estudo (a educação de que falava Cavaco Silva), do trabalho árduo, da ousadia, do investimento e do risco, mas nem sempre se atingem os efeitos esperados.
Para resultados garantidos, há sempre a via mais fácil do salto "à Vara"...

A propósito de alguém que, por vezes, salta o Banco e se acha Governador de Portugal

Pode parecer demagogia, mas a "cantiga" segue com dedicatória para Constâncio e para a sua tese do aumento dos impostos (até o limão não ter mais sumo) e do congelamento dos aumentos na função pública (os pagadores de crises).
Em Constâncio (a quem os custos da crise nunca tocam), estas incursões pelas decisões governativas, funcionando, ora como muleta, ora como guarda avançada da desgovernação de Sócrates, sempre distraem os portugueses, quer dos seus falhanços enquanto supervisor do sistema bancário, quer das suas fraquinhas capacidades de previsão (o espanto com os 8% de défice é surreal, quando já tantas individualidades e entidades o haviam previsto).
Ao menos, salvem-se os ricos e os milionários!...

Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

O povo português tem o direito de saber

In TSF, 23/11/2009 (ouvir AQUI...)
"Quem não deve, não teme"
Face às avaliações de um juiz e de um procurador no sentido da existência de indícios de um crime grave...
Face às fugas de informação que foram tornadas públicas sobre o teor das escutas...
Face às acusações feitas, ainda ontem, pelo director do Semanário Sol...
Face às efectivas mudanças editoriais ocorridas na TVI...
Os portugueses exigem que se tire a limpo se houve ou não tentativas de condicionamento da comunicação social, uma vez que se trata de uma das questões mais sensíveis à preservação da liberdade e da pluralidade democrática.

A galinha tonta que pôs Sócrates a rir

O partido da gelatina

Há quem tenha da oposição uma ideia de "delirius tremens". As suas ideias movem-se consoante os interesses do momento. O PSD, nesse aspecto, quer tornar-se o partido da gelatina. Move-se de acordo com o vento, com os toques cirúrgicos do PS, e com a sua necessidade de colher qualquer migalha do poder. Como táctica de oposição é um tiro no pé. Como estratégia, é um exercício de roleta russa. O PSD tem de se convencer que, no actual panorama político, não tem a colher para comer: é o "chantilly" que serve de alimento aos outros. Depois de ter passado anos a galopar nas reivindicações dos professores contra a avaliação, é agora o partido que trava o actual regime de avaliação. Dá ao Governo a força parlamentar e política que o Governo estava a ceder nas negociações com os professores. Os professores podem hoje dizer ao PSD: Até tu, Brutus? Tudo, claro, tem um preço. E o PSD, com esta dádiva ao Governo, já começou a pagá-lo. O resto da oposição já o tornou um alvo apetecido. Na guerra de trincheiras entre Governo e oposição, o PSD vai tornar-se o soldado que está em campo aberto. Ao tornar-se o apoiante póstumo de Maria de Lurdes Rodrigues, o PSD está a asfixiar-se de forma democrática. É uma atitude que mostra que o partido está desorientado como uma galinha tonta. Por umas migalhas de poder (que surgem depois de uma negociação) o PSD faz tudo. Ao fazê-lo o PSD tornou-se o filho bastardo do oficialismo. Sócrates deve estar-se a rir. O PSD julga estar no poder mas está fora da Corte. E não percebe isso.
In Diário Económico, 23/11/2009

Só os deputados do PSD (excepção feita a Adão Silva) não enxergaram o ridículo a que se prestaram e, mais grave, o elevado preço que vão pagar junto dos professores.

"Ilibador" Geral da República

Comunicado

"Ilibação progressiva" devia ser um termo da ciência jurídica em Portugal. Descreve uma tradição das procuradorias-gerais da República. Verifica-se quando o poder cai sob a suspeita pública. Pode definir-se como a reabilitação gradual das reputações escaldadas por fogos que ardem sem se ver porque a justiça é cega. Surge, sempre, a meio de processos, lançando uma atmosfera de dúvida sobre tudo. As "Ilibações" mais famosas são as declarações de Souto Moura sobre alegadas inocências de alegados arguidos em casos de alegada pedofilia. As mais infames, por serem de uma insuportável monotonia, são os avales de bom comportamento cívico do primeiro-ministro que a Procuradoria-Geral da República faz regularmente. Dos protestos verbais de inocência dos arguidos que Souto Moura deu à nossa memória colectiva, Pinto Monteiro evoluiu para certidões lavradas em papel timbrado com selo da República onde exalta a extraordinária circunstância de não haver "elementos probatórios que justifiquem a instauração de procedimento criminal contra o senhor primeiro-ministro". Portanto, pode parecer que sim. Só que não se prova. Ou não se pode provar. Embora possa, de facto e de direito, parecer que sim. Este género de aval oficial de "parem-lá-com-isso-porque-não-conseguimos-provar" já tinha sido feito no "Freeport". Surge agora no princípio do "Face Oculta" com uma variante assinalável. A "Ilibação progressiva" deixou de ser ad hominem para ser abrangente. Desta vez, o procurador-geral da República não só dá a sua caução de abono ao chefe do Governo como a estende a "qualquer outro dos indivíduos mencionados nas certidões", que ficam assim abrangidos por estes cartões de livre-trânsito oficiais que lhes vão permitir dar voltas sucessivas ao jogo do Poder sem nunca ir para a prisão. Portanto, acautelem-se os investigadores e instrutores de província porque os "indivíduos mencionados em certidões" já têm a sua inocência certificada na capital e nada pode continuar como dantes.
Desta vez, nem foi preciso vir um procurador do Eurojust esclarecer a magistratura indígena sobre limites e alcances processuais. Bastou a prata da casa para, num comunicado, de uma vez só, ilibar os visados e condicionar a investigação daqui para a frente. Só fica a questão: que Estado é este em que o chefe do Executivo tem de, com soturna regularidade, ir à Procuradoria pedir uma espécie de registo criminal que descrimine vários episódios de crime público e privado e que acaba sempre com um duvidoso equivalente a "nada consta - até aqui".
Ângelo Correia, nos idos de 80, quando teve a tutela da Administração Interna acabou com a necessidade dos cidadãos terem de apresentar certidões de bom comportamento cívico nos actos públicos. A Procuradoria-Geral da República reabilitou agora estes atestados de boa conduta para certos crimes. São declarações passadas à medida que os crimes vão sendo descobertos, porque é difícil fazer valer um atestado de ilibação progressiva que cubra a "Independente", o "Freeport" e a "Face Oculta". Quando se soube do Inglês Técnico não se sabia o que os ingleses tinham pago pelos flamingos de Alcochete e as faces ainda estavam ocultas. Portanto, o atestado de inocência passado pelo detentor da acção penal, para ser abrangente, teria de conter qualquer coisa do género… "fulano não tem nada a ver com a 'Face Oculta' nem tem nada a ver com o que eventualmente se vier a provar no futuro que careça de qualquer espécie de máscara", o que seria absurdo. Por outro lado, a lei das prerrogativas processuais para titulares de órgãos de soberania do pós-"Casa Pia", devidamente manipulada, tem quase o mesmo efeito silenciador da Justiça.
In JN, 23/11/2009

Parece que o controlo sobre a comunicação social se não vai a bem, vai à "Vara"

Não há ninguém, em Portugal e com "eles no sítio", para investigar e julgar esta pouca vergonha?

Entrevista: José António Saraiva
"Não falimos por um milagre”

José António Saraiva, director do semanário ‘Sol’, revela ao CM que o Governo o pressionou para não publicar notícias do Freeport e que depois passou aos investidores.

Correio da Manhã – O ‘Sol’ foi coagido pelo Governo para não publicar notícias do Freeport?
José António Saraiva – Recebemos dois telefonemas, por parte de pessoas próximas do primeiro-ministro, dizendo que se não publicássemos notícias sobre o Freeport os nossos problemas se resolviam.
– Que problemas?
– Estávamos em ruptura de tesouraria, e o BCP, que era nosso sócio, já tinha dito que não metia lá mais um tostão. Estávamos em risco de não pagar ordenados. Mas dissemos que não, e publicámos as notícias do Freeport. Efectivamente uma linha de crédito que tínhamos no BCP foi interrompida.
– Depois houve mais alguma pressão política?
– Sim. Entretanto tivemos propostas de investimentos angolanos, e quando tentámos que tudo se resolvesse, o BCP levantou problemas.
– Travou o negócio?
– Quando os angolanos fizeram uma proposta, dificultaram. Inclusive perguntaram o que é que nós quatro – eu, José António Lima, Mário Ramirez e Vítor Rainho – queríamos pa-ra deixar a direcção. E é quando a nossa advogada, Paula Teixeira da Cruz, ameaça fazer uma queixa à CMVM, porque achava que já havia uma pressão por parte do banco que era totalmente ilegítima.
– E as pressões acabaram?
– Não. Aí eles passaram a fazer pressão ao outro sócio, que era o José Paulo Fernandes. E ainda ao Joaquim Coimbra. Não falimos por um milagre. E, finalmente, quando os angolanos fizeram uma proposta irrecusável e encostaram o BCP à parede, eles desistiram.
– Foi um processo longo...
– Foi um processo que se prolongou por três ou quatro meses. O BCP, quase ironicamente, perguntava: "Então como é que tiveram dinheiro para pagar os salários?" Eles quase que tinham vontade que entrássemos em ruptura financeira. Na altura quem tinha o dossiê do ‘Sol’ era o Armando Vara, e nós tínhamos a noção de que ele estava em contacto com o primeiro-ministro. Portanto, eram ordens directas.
– Do primeiro-ministro?
– Não temos dúvida. Aliás, neste processo ‘Face Oculta’ deve haver conversas entre alguns dos nossos sócios, designadamente entre Joaquim Coimbra e Armando Vara.
– Houve então uma tentativa de ataque à liberdade de imprensa?
– Houve uma tentativa óbvia de estrangulamento financeiro. Repare-se que a Controlinveste tem uma grande dívida do BCP, e portanto aí o controlo é fácil. À TVI sabemos o que aconteceu e ao ‘Diário Económico’ quando foi comprado pela Ongoing – houve uma mudança de orientação. Há de facto uma estratégia do Governo no sentido de condicionar a informação. Já não é especulação, é puramente objectiva. E no processo ‘Face Oculta’, tanto quanto sabemos, as conversas entre o engº Sócrates e Vara são bastante elucidativas sobre disso.
– Os partidos já reagiram e a ERC vai ter de se pronunciar. Qual é a sua posição?
– Estou disponível para colaborar.

Fonte: CM, 22/11/2009 (ler AQUI...)

Domingo, 22 de Novembro de 2009

Uma questão incontornável

"Há dois magistrados no nosso país que fazem um juízo de valor gravíssimo sobre o conteúdo dessas escutas. A questão que qualquer cidadão comum se coloca é a seguinte: como é possível que sejam destruídas escutas que dois magistrados de duas magistraturas distintas entendem indiciarem a prática de um crime gravíssimo pelo primeiro-ministro sem que o povo português conheça o teor dessas escutas?"

Paulo Pinto de Albuquerque (Professor de Direito Penal)
In DN online, 20/11/2009 (ler o artigo completo AQUI...)

A melhor via para a perpetuação das suspeitas é a destruição ou a ocultação. Tratando-se de um primeiro-ministro, o país não tem o direito de conhecer os indícios em causa?

Uma estratégia política absurda

Engana-se quem considera que o PSD deu um "tiro no pé" no dossiê da avaliação dos professores, porque, em bom rigor, aquilo que fez foi disparar à queima-roupa sobre a própria cara de "verdade" e "compromisso" com que se apresentou às eleições legislativas.

Para justificar a violação da promessa eleitoral consubstanciada no “suspenderemos”, trocando-a por uma “recomendação” ao PS, já se avançaram os argumentos mais díspares:

1) esta posição vai além da suspensão, pois substituir é um passo mais avançado e definitivo;
2) desta forma, resolvem-se os problemas da educação, apazigua-se o clima nas escolas e corresponde-se à vontade de professores, sindicatos e outras estruturas representativas dos professores;
3) o clima favorável à suspensão, que permitiu a muitos professores votar no PSD, agora já “não interessa a ninguém” (deputado Emídio Guerreiro, no programa “Parlamento” - RTP2, 21/11/2009).
4) a incompreensão, com que a quebra do compromisso foi recebida nas salas de professores e pelos movimentos independentes, deve-se a problemas de comunicação e à “ignorância” ou “distorção” que têm caracterizado as reacções negativas à mesma;
5) assim, esvaziou-se qualquer possibilidade de protagonismo do CDS-PP, evitando-se que Paulo Portas surgisse perante a opinião pública como alguém que faz o trabalho de casa (ao contrário do PSD) e contribui para a resolução dos problemas;
6) com este inesperado colaboracionismo retira-se qualquer pretexto para o PS invocar o bloqueio governativo a partir de coligações negativas no Parlamento, inviabilizando-se eventuais manobras do PS tendentes a precipitar eleições antecipadas.

Eis o que falha nesta argumentação e que nos permite qualificar a estratégia do PSD como de alto risco e, no essencial, absurda:

Resposta a 1 – de facto impediu-se a suspensão sem que se tenha a garantia da substituição, trocando-se o certo pelo incerto. Depois, não é o mesmo negociar com o ME a partir do nada ou fazê-lo sob a pressão de manobras ardilosas para manter a base do que vigora. Além de que a suspensão do modelo abria o caminho sério e justo da suspensão dos efeitos da avaliação, permitindo que ninguém saísse prejudicado ou beneficiado relativamente aos colegas.

Resposta a 2 – pelo contrário, adiou-se a resolução dos problemas sem garantias, enquanto nas escolas reina a indignação face ao PSD, a ausência de alívio e a apreensão sobre o que poderá vir a acontecer. Da mesma forma, a maioria dos professores é a favor da suspensão imediata, os movimentos independentes sentiram-se traídos pelo PSD e a própria Fenprof considerou a posição do PSD como vaga e insuficiente. Salva-se a FNE, claro.

Resposta a 3 – ninguém compreende mudanças inesperadas na avaliação dos climas, sobretudo quando se faz um aproveitamento dos mesmos em momentos eleitorais. É o argumento mais cínico de todos.

Resposta a 4 – é lamentável que o PSD recupere a estratégia da equipa de Maria de Lurdes Rodrigues, de Sócrates e de Correia de Campos (ex-ministro da Saúde), tratando os professores e os portugueses em geral como ignorantes ou idiotas, que sem um esforço adicional de explicação não chegam à compreensão do que está em causa.

Resposta a 5 – o problema é que em termos da leitura da opinião pública, o PSD evitou o protagonismo do CDS-PP à custa de uma gestão desastrada e desrespeitosa dos seus próprios compromissos, o que é o pior dos protagonismos para um partido. Além disto, fica sempre a ideia do sacrifício dos princípios à táctica partidária e isso não enobrece a política.

Resposta a 6 – isto nem chega, nesta fase, a ser argumento, mas antes mera retórica lírica, pois existe um largo consenso na sociedade quanto à necessidade de suspender o modelo de avaliação e acabar com a divisão na carreira (questões sufragadas eleitoralmente), pelo que estava fora de questão que o PS esticasse a corda neste momento, além do mais quando as sondagens e os casos mais recentes não são garantia de que obtivesse maioria absoluta.

Na prática, eis o que aconteceu, está a ocorrer e poderá vir a passar-se:

- o PSD comprometeu-se, preto no branco e de forma incondicional, a suspender o processo de avaliação e a pôr fim à divisão na carreira, pelo que é factual que traiu o compromisso público assumido com os professores e com os portugueses em geral, pois na primeira oportunidade (que até já era a segunda) que teve para efectivamente o fazer, esquivou-se a tal. O dia 20 de Novembro poderia ter sido um grande dia para a maioria dos professores e ter ficado marcado como a data que assinalava, quer a cessação de um modelo incompetente, nada sério e injusto, quer o fim da divisão arbitrária na carreira. Mas, por exclusiva responsabilidade do PSD não o foi.

- a mensagem que passou e ficará gravada na opinião pública e, particularmente entre os professores, é a de uma falta à verdade e de uma colagem ao PS (ouvem-se repetidamente os remoques “roeram a corda” e “é tudo farinha do mesmo saco”), confiando numa liderança partidária e de governo que o PSD ataca virulentamente (e justamente) de segunda a quinta-feira, mas que à sexta-feira se torna confiável para ter uma nova “oportunidade”, mau grado a obstinação de Sócrates e do ME em não suspender, nem sequer substituir. Ora, em política o que parece, é.
Além disto, são os próprios comentadores políticos a considerar que quem saiu favorecido neste processo foi o PS (obrigado, PSD).
E, depois, não restam dúvidas que este PSD passou, com a decisão de violar um compromisso eleitoral, um atestado de óbito à sua credibilidade e à sua “política de verdade”.

- com esta sua atitude, o PSD preservou intocável o discurso demagógico e mistificador do PS (recusado por mais de 100 mil professores e a quem o mesmo irrita particularmente), conferindo um novo ânimo ao PS para continuar a repetir que o ciclo chegou, normalmente, ao fim, que foi positivo, que se fizeram muitas aprendizagens e que é necessário aproveitar o trabalho que foi empreendido nas escolas.
No próprio dia 20 de Novembro, já depois de aprovada a recomendação do PSD, a ministra Isabel Alçada não admitia a substituição do modelo, falando antes de afinação e de melhoria dos processos (discurso não muito diferente do que ouvíamos a Maria de Lurdes Rodrigues).
Francisco Assis (PS) não assume nenhum compromisso com o PSD, preferindo dizer que vão “ponderar” as recomendações, pelo que não há garantia do seu cumprimento.
Agora, atente-se nas declarações de Paula Barros (deputada substituta que o distrito de Vila Real não elegeu directamente), no programa “Parlamento” (referenciado em cima) em nome do PS:
“Vamos introduzir as alterações necessárias no modelo que sejam sugeridas pela Comissão Paritária (?)”; “Aquilo que está a acontecer é aquilo que a Sra. Ministra [Maria de Lurdes Rodrigues] sempre previu.”. Ainda de acordo com a deputada, trata-se de melhorar o actual modelo e o prazo de 30 dias é meramente “indicativo”.
Aposto em como Sócrates não vai deixar cair o modelo e vai apenas introduzir alterações ao mesmo, refugiando-se em jogos evasivos de palavras.

- o PSD com a recusa da suspensão mais não fez do que repor, quase intactas, as condições que existiam em Abril de 2008, quando o processo negocial ficou entregue, em exclusivo, aos sindicatos e ao ME, o qual terminou no célebre memorando de entendimento, com as cúpulas sindicais, ao arrepio da vontade dos professores, a reduzirem as fraquezas substantivas e irreparáveis do modelo a uma questão de calendário de implementação.

O PSD chumba a solução, aprova uma recomendação que é uma incerteza e, sobretudo, hipoteca a sua autonomia de actuação, colocando-se à mercê daquilo que o PS possa vir ou não a fazer. O PSD comprometeu-se em ser uma parte importante da solução no Parlamento e acabou, com a sua postura, por evoluir para uma parte incómoda do problema.

Por mais que procure compreender os argumentos dos obreiros desta estratégia, não consigo vislumbrar aqui nada de positivo para o PSD (o que leva um partido que tinha tudo para jogar ao ataque a meter um autogolo e a ter que passar a actuar à defesa?).
Se isto é inteligência política, então, doravante, eu bem me poderia considerar o Napoleão Bonaparte, mesmo que, a fazer fé na minha actual lucidez, nada me sugira que tenha chegado à fase da “mania das grandezas”.

Para bom entendedor, meia palavra devia bastar

" Numa intervenção na escola básica do 2.º e 3.º ciclos e ensino secundário Padre António Morais da Fonseca, em Murtosa, (...) Cavaco Silva lembrou:
«Eu sou bem o exemplo do papel que a Educação pode desempenhar na ascensão na vida profissional no nosso país ou em qualquer outro país», frisou Cavaco Silva.
Pois, continuou o chefe de Estado, a Educação foi, precisamente, a «ferramenta principal, para não dizer a única ferramenta» que os seus pais lhe deram, a par da defesa «dos valores de honestidade, de verdade e de honra». "
In TSF, 21/11/2009 (ler AQUI...)

Se...
… pensássemos que Cavaco Silva tem, porventura, acesso a informações que nós desconhecemos,
… estivéssemos atentos à insistência com que Cavaco Silva vem enfatizando valores de carácter, como a honestidade, a fidelidade à palavra dada, a verdade e a honra,
… se fôssemos um país de bons entendedores,
… então, talvez percebêssemos a que tipo de pessoas podemos estar a entregar os destinos de Portugal.
É pena que o PR esteja fragilizado pela gestão pueril do “caso das escutas” e tenha que enviar mensagens ao país quase pela via do oráculo.
Proferida este fim-de-semana, a afirmação é bem capaz de ter dois destinatários bem distintos. Digo eu…

Nem todos, no PSD, estão a "digerir" bem a quebra do compromisso da suspensão do modelo de avaliação

Alberto João Jardim
Alberto João Jardim disse, ontem, discordar do seu partido no que respeita à avaliação dos professores, das escolhas para o Conselho de Estado e de uma série de posições que o PSD está a tomar na Assembleia da República.
Em declarações proferidas pelo presidente do Governo Regional após um almoço gastronómico dos embaixadores de Lisboa e no qual, mensalmente, é convidada uma figura do panorama político português, Alberto João Jardim disse ao nosso Jornal que discorda «da orientação que a direcção do grupo parlamentar do PSD na Assembleia da República vem assumindo desde o aproximar das posições do PS quanto à avaliação dos professores. «Eu estou com o CDS e com o Partido Comunista em que aquilo deve ser tudo para já arrumado. Além disso, discordo da posição que tomou o meu partido, discordo das escolhas para o Conselho de Estado, discordo de uma série de posições que o PSD está a tomar na Assembleia da República», afirmou.
Ler AQUI...

Adão Silva (deputado por Bragança)
Na hora da votação, apenas Adão Silva deu expressão ao desconforto pela forma como a direcção da bancada do PSD lidou com este dossier. O deputado respeitou a disciplina de voto, mas anunciou uma declaração de voto. Em declarações ao PÚBLICO, o deputado explicou que "o PSD não respeitou um compromisso eleitoral com todos os portugueses, e em especial com os professores". Ao deixar cair a suspensão da avaliação, criticou, a direcção "negou o que tinha assumido" na campanha eleitoral. A declaração de voto só será divulgada nos próximos dias e Adão Silva admite que outros deputados da sua bancada venham a subscrevê-la. Ler AQUI...

Dirigente do PSD que teve a amabilidade e a grandeza de me enviar um e-mail, de que reproduzo aqui uma pequena parte
"Queria apenas transmitir-lhe, a título pessoal, que antes mesmo de saber o resultado das votações de hoje no parlamento mas desde já profundamente envergonhado pelas atitudes que o PSD vem tomando que conto saber tomar nas estruturas políticas a que pertenço as devidas ilações sobre o que se passar. E das quais darei devidamente conta não apenas ao Promova como publicamente através das crónicas de jornal que assino.
Não foi, decididamente, para isto, que dei o meu contributo e o meu trabalho e se há coisa que muito prezo é poder olhar para as pessoas com quem me comprometo com os mesmos olhos com que olho os meus filhos."

Sábado, 21 de Novembro de 2009

Dia 21 de Novembro: o que se escreve na Imprensa sobre Educação

Avaliação: ME promete modelo em que professores se revejam
Diário Digital - A ministra da Educação disse ainda que «o Ministério tem tudo preparado para que o primeiro ciclo da avaliação dos professores esteja fechado em Dezembro».

Aprovada proposta do PSD sobre avaliação de professores
Rádio Renascença - (…) o suficiente para ser aprovado o projecto de resolução que recomenda ao Governo a criação de um novo modelo de avaliação no prazo de 30 dias.

Parlamento aprova recomendações do PSD ao Governo
Correio da Manhã - (…) considerou que se poderia ter ido “mais além” na recomendação ao Governo, com a aprovação de uma lei e com a suspensão da avaliação de professores.

Está afastada a suspensão do processo de avaliação dos professores
RTP - O PS chumbou os diplomas apresentados pelo CDS, Bloco de Esquerda, PCP e Verdes, que defendiam a suspensão imediata da avaliação. Em contrapartida, o PS…

Projecto do PSD sobre avaliação docente passa com ...
PUBLICO.PT - O projecto de resolução do PSD sobre a avaliação dos professores e o novo estatuto da carreira docente foi hoje aprovado no Parlamento. O documento contou apenas com os votos favoráveis dos social-democratas e com a abstenção do PS e…

Projecto social-democrata sobre avaliação dos professores foi aprovado
A Bola - O projecto de resolução apresentado pelo PSD, que defende a criação de um novo modelo de avaliação dos professores no prazo de 30 dias, foi esta sexta-feira…

Avaliação de professores aprovado projecto do PSD
EDUCARE.PT - O projecto de resolução do PSD, aprovado com os votos dos sociais-democratas e a abstenção do PS, recomenda o fim da divisão da carreira docente e a definição...

Síntese a partir dos Alertas do Google

Está encontrado o presidente do Clube de Fãs de Maria de Lurdes Rodrigues


Quem ainda tiver pachorra ou for masoquista, sempre pode continuar a ler este exercício de vomitório repelente AQUI...
In CM, 21/11/2009

Desde o início da contestação dos professores, que este homem range os dentes de raiva e destila ódio por haver em Portugal um grupo profissional que luta pela defesa da sua dignidade, da sua reputação e da sua autoridade. Desconhecendo as suas vivências escolares, confesso que nunca percebi o porquê deste reflexo pavloviano.
Apenas a verticalidade dos professores o pode incomodar, porque sobre a natureza da avaliação do desempenho e sobre o conteúdo do estatuto da carreira docente este homem é profundamente ignorante, nunca tendo escrito uma linha sobre a substância e a estrutura concreta das medidas educativas aí implicadas.
Contudo, também nos conforta saber que este estado de irritabilidade é mais nefasto para o próprio, do que, propriamente, afecta os destinatários, pois ninguém reconhece a Emídio Rangel qualquer tipo de competência para se pronunciar sobre estas matérias, além daquela que a liberdade democrática propicia (e bem, ao contrário dos sinais de condicionamento da liberdade de expressão na comunicação social que dão aqueles que Rangel tão ufanamente defende) a um mero treinador de bancada.
Arrepio-me só de pensar como foi possível entregar a este paradigma de facciosismo, durante alguns anos da nossa democracia, a responsabilidade pela informação veiculada por algumas estações televisivas.
Emídio Rangel, acredite que existem outros mecanismos mais salutogénicos de sublimação de traumas, de frustrações e de fracassos pessoais e profissionais.
Que culpa têm os professores que Sócrates ainda não se tenha lembrado de si e o tenha recompensado com um lugar destacado, talvez na ANACOM ou na ERC, pois assim estaria garantido o rigor e a imparcialidade destas entidades reguladoras.
Se não for possível encontrar-lhe um lugar compatível com a sua bajulação do socratismo, sempre se pode organizar um Clube de Fãs de Maria de Lurdes Rodrigues, onde, certamente, ninguém lhe disputará a presidência.

Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Intervenção "sem espinhas" de Ana Drago, no Parlamento

Subscrevo integralmente...
O cumprimento das três condições enunciadas pela deputada Ana Drago é o único caminho que é susceptível de pacificar as escolas.
Nenhum professor será deixado para trás, mas também nenhum retirará vantagens de um processo incompetente, destituído de seriedade e injusto.

O PS chamou-lhe um "Figo"?

In CM, 20/11/2009

A confirmar-se a veracidade desta alegada operação "publicitária", ter-se-á atingido o grau zero da democracia a dois níveis:
1) triunfo da política "pesetera";
2) obscena (e cara!) instrumentalização partidária de empresas públicas.
O trágico, em Portugal, é a circunstância dos visados com este tipo de notícias não exigirem o esclarecimento das mesmas até às últimas consequências, pois "quem não deve não teme"...

Dia 20 de Novembro: o que se escreve na Imprensa sobre Educação

Partidos acusam PSD de deixar cair compromisso sobre a educação
LUSA - Bloco de Esquerda, PCP, "Os Verdes" e CDS/PP acusaram hoje o PSD de deixar cair um compromisso eleitoral relativamente à suspensão…

Fenprof diz que avaliação dos professores vai mesmo parar
RTP - (...) Educação terem provocado algumas dúvidas, a Fenprof afirma que não há outra interpretação a fazer senão que a avaliação dos professores vai mesmo parar.

Avaliação Docentes: AR debate hoje propostas da oposição
Diário Digital - A Assembleia da República debate, esta quinta-feira, os vários projectos dos partidos da oposição sobre o modelo de avaliação dos professores.

Estatuto dos professores volta a ser discutido
Açoriano Oriental - Entre os pontos discutidos contaram-se a diferença de ordenados entre os docentes do continente e dos Açores, a avaliação dos professores e os horários dos…

Avaliação dos profs
Diário Económico - Este Governo, com o conforto de uma maioria absoluta, teve a coragem de avançar para um modelo de avaliação dos professores.

Avaliação de professores: PSD no centro das críticas da oposição
A Bola - A decisão do PSD de abdicar da palavra «suspensão» no projecto de resolução que apresentou acerca da avaliação dos professores foi duramente criticada pelos…

PSD salva PS do conflito com os professores
Jornal de Notícias - Socialistas devem viabilizar hoje projecto "laranja"e sociais-democratas rejeitar suspensão da avaliação.

PSD trava suspensão do actual regime de avaliação
Diário de Notícias - Deputados debateram ontem oito diplomas sobre avaliação dos professores e Estatuto da Carreira Docente.

CDS, Bloco e PCP unidos contra PSD na avaliação dos ...
Público - Nem PS nem PSD revelaram ontem abertamente o sentido de voto sobre os projectos relativos à carreira e ao modelo de avaliação dos professores, mas o aparente entendimento entre os dois partidos transformou-se numa nuvem carregada que…

Síntese a partir dos Alertas do Google

Em matéria de Educação e de defesa das justas reivindicações dos professores, Ana Drago (BE) vale o seu peso em ouro

A leccionação na UTAD, durante toda a tarde de ontem e em dose cavalar, da unidade curricular de Psicologia Cultural não me permitiu acompanhar o debate, no Parlamento, acerca da suspensão do modelo de avaliação do desempenho e da revisão do ECD, pelo que confio absolutamente no relato que o colega e amigo Mário Carneiro empreende do debate (ler AQUI) e de que tomo a liberdade de destacar a descrição das posições assumidas por Ana Drago, as quais estão em absoluta sintonia com aquilo que eu próprio e o PROmova defendemos:

"Destes, destaco, pela forma e pelo conteúdo, as intervenções da deputada Ana Drago, do BE, que fundamentou com rigor e com verdade a posição de suspensão da avaliação. Mas não fez apenas isto, foi a única deputada que defendeu um princípio básico: nenhum professor pode ser prejudicado nem beneficiado com a arbitrariedade e com a incompetência do modelo de avaliação vigente. Isto é, por um lado, não pode ficar ao critério discricionário dos directores das escolas a decisão de avaliarem uns professores e não avaliarem outros, e, por outro lado, as classificações de Muito Bom e de Excelente, já atribuídas, não podem contar para efeitos de concurso nem para a progressão na carreira."

Valha-nos a lucidez, a determinação e o sentido de coerência e de justiça desta magnífica representante dos pofessores.

“I have a dream”: um dia, por toda a Imprensa, ecoará apenas propaganda socrática e far-se-ão ouvir em uníssono hossanas ao grande Líder

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In Sábado, 18/11/2009

Hoje, ficou claro: este PSD apostou na estratégia de dar oportunidades ao PS de Sócrates


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In TVI online, 19/11/2009

Depois de, em Setembro, O PSD ter entregue de mão beijada a vitória nas legislativas ao PS de Sócrates, dando-lhe mais "uma oportunidade" de governação, decide agora dar "uma oportunidade" de salvar a face a quem, durante uma legislatura inteira, teve uma atitude persecutória para com os professores e tudo fez para lhes denegrir a imagem e a reputação públicas.

Ao suspender intempestivamente um compromisso eleitoral (ecoam em mim as juras de Manuela Ferreira Leite de que o PSD falava verdade e tudo o que constava no programa eleitoral seria para cumprir – aspecto que faria a diferença para o programa de Sócrates), o PSD dispensou a Sócrates o "balão de oxigénio" (atente-se nos “bons olhos” com que o primeiro-ministro recebeu a proposta de resolução do PSD) de que este necessitava para continuar a debitar propaganda nas televisões, de acordo com a qual o processo de avaliação foi regularmente concluído e valeu ou foi competente para diferenciar o “mérito” dos professores, ao arrepio do que era defendido pelos movimentos de professores (que continuam a negar essa competência e a exigir a anulação do 1º ciclo avaliativo, defendendo a progressão de todos os professores em igualdade de circunstâncias, com “bom”, como única medida séria e decente), sindicatos (que apelidavam o processo de avaliação de “farsa”, mas que agora sancionam as classificações para uns efeitos e negam-nas para outros – o que não se percebe) e pelos partidos da oposição (que enfatizavam o descrédito do modelo e defendiam a sua suspensão, não se compreendendo agora muito bem qual o significado do efeito suspensivo, uma vez que não admitem explicitamente a suspensão das classificações diferenciadas que o “descrédito” gerou).

Além desta “bóia” específica lançada a Sócrates, o PSD permite que seja o ME a ditar aos sindicatos as regras da negociação, com base e escudados num modelo de avaliação ainda em vigor e que os novos locatários da 5 de Outubro consideram que não será substituído, mas está em “dinâmica” e estará em processo de “revisão”. Veremos se isto é apenas semântica para encobrir a difícil assunção do fracasso do “desígnio” da governação socrática ou se é mesmo convicção para manter intacta a base do modelo.

No essencial, o PSD preferiu hipotecar um compromisso eleitoral e deixar passar a ideia de colagem ao PS (e em política o que parece é), apenas com o intuito de esvaziar e travar o protagonismo do CDS-PP como viabilizador de soluções. Mas, com este gesto perdeu a credibilidade que tinha ganho junto dos movimentos de professores e dos próprios professores, mesmo que esteja convencido de ter agradado às cúpulas dos sindicatos.

Se o PSD tivesse transmitido aos professores, antes das eleições legislativas, que ia dar "uma oportunidade" a Sócrates, acreditem que o resultado eleitoral do partido teria sido muito diferente, para pior.

Mas o verdadeiro terramoto para o PSD é se as “coisas” não se resolvem em 30 dias, pois aí fica muito complicado perceber quem estará disponível para dar “uma oportunidade” ao PSD para suspender o modelo de avaliação e para impor o fim da divisão na carreira.
Vai bater à porta do CDS-PP, do PCP e do BE a quem agora retirou a possibilidade de suspenderem? Não me parece que estes partidos estejam, depois, disponíveis para lhe abrirem a porta, assumindo o PSD sozinho o ónus do entrave à suspensão.

Pensaram nesta possibilidade? Acontece que de Sócrates pode-se esperar tudo.