Blogue de análise educacional, social e política, no quadro de um exercício inalienável de cidadania racional, livre, crítica e, partidariamente, descomprometida. Mania de pensar!
Um murro de Santana Castilho na consciência de Passos Coelho e da elite política "laranja" (18-01-2012): As "natas"
Sexta-feira, 30 de Setembro de 2011
As novas ou as velhas?
Com a Banca esmirrada pelos sucessivos e aventureiros financiamentos ao plano (mal sucedido) de salvação política de Sócrates (pactuando com o protelar irresponsável do pedido de ajuda externa), com milhares de empresas envolvidas em processos de insolvência e muitas outras já falidas, seria, no mínimo, pedagógico que o Senhor Presidente economista esconjurasse os receios "infundados" dos empresários, instruindo-os na arte de arriscar e obter sucesso num contexto de dificuldades de financiamento junto de uma Banca descapitalizada, em clima e perspetiva futura de grave recessão económica nacional e em cenários de incerteza internacional.
No limite, sempre podia ficar de fiador!
Fiquem a saber que, doravante, o Ministério ficar-vos-á muito Crato
| Fonte: Rádio Renascença |
O problema de Nuno Crato não é, obviamente, de âmbito comunicacional (seria ainda mais preocupante que uma qualquer entropia comunicacional - que a justificação do próprio Ministro desmente - estivesse na origem da disfuncionalidade de uma equipa ministerial que se esquece de transmitir atempadamente às escolas e aos interessados uma decisão com estas implicações), mas, antes de natureza lógica, concetual e moral.
O que é um prémio de mérito concebido para distinguir a performance escolar de um aluno e poder funcionar como acicate motivacional para os outros alunos (pessoalmente, tenho algumas dúvidas)?
É, obviamente, uma recompensa (neste caso, monetária) que é entregue a cada aluno que é distinguido e não, como, sofisticamente, Nuno Crato sustenta, "por cada aluno" premiado. Como tal, parece verosímil que o Ministério da Educação não acabou com a entrega de 500 euros "por cada aluno" premiado, porque, simplesmente, esse tipo de entrega nunca existiu, pois o prémio sempre foi entregue ao aluno distinguido, mas nunca à escola ou ao que quer que fosse, por intermédio ou à custa do esforço e do empenho do próprio aluno.
Melhor seria que Nuno Crato fizesse um esforço de raciocínio e explicasse os fundamentos da sua recusa em entregar prémios de mérito, a título individual, a quem protagonizou o mérito, seja com base em qualquer convicção ideológica (rejeição do individualismo e de qualquer enquadramento capitalista da meritocracia), em qualquer teoria motivacional (pode acontecer que não aprecie motivações extrínsecas, o que parece incoerente com o seu impulso para se deslocar a aeroportos e aí congratular publicamente alunos meritórios), em qualquer constrangimento financeiro (suprindo a diminuição de apoios) ou, como me parece ser o caso, em qualquer confluência de impreparação com precipitação.
À absoluta falta de consistência lógica e concetual no modo como se deturpa a definição de prémio de mérito dirigido a distinguir um desempenho individual, acresce a imoralidade de impor mudança de regras no decurso do jogo e sem aviso prévio, para já não falar do cinismo em envolver o aluno na indicação do destino do prémio.
Como Nuno Crato se revelou aqui, e surpreendentemente, avesso à meritocracia, materializada em prémio monetário individualizado, é-lhe indiferente um cheque, uma palmadinha nas costas ou a receção num qualquer aeroporto, pelo que doravante os alunos bem poderão contar com o prémio de mérito consubstanciado num mero reconhecimento do Ministério da Educação, na forma de lhes estar muito C(g)rato.
Era tão fácil resolver os problemas dos concursos de professores
Saúdo, nas pessoas dos colegas Miguel e Blandina, a resistência destes professores contratados, que, ao contrário da mistificação grosseira em que incorre Nuno Crato ao confundir manipulação de horários e ultrapassagens injustificadas nos concursos com menos horários disponíveis, não reclamam, propriamente, o aumento da oferta de horários, mas, apenas exigem seriedade, transparência e justiça nas colocações.
E pensar que os problemas dos concursos são facilmente solucionáveis, se a decência e a transparência se sobrepuserem ao apetite de poder e ao impulso de abocanhamento da coisa pública por gente sem escrúpulos.
Basta:
- anunciar a abertura de um concurso público nacional que, suportado na graduação profissional, ponha termo aos arranjinhos dos últimos anos, colocando a concurso todas as vagas (horários não afetos a quadros de escola) de todas as escolas e cuja organização e gestão do concurso integre representantes dos sindicatos;
- proceder a um levantamento exaustivo, criterioso, sério e escrutinado de todas as vagas disponíveis em todas as escolas, que correspondam a necessidades permanentes e para as quais as escolas não disponham de docentes do quadro;
- efetuar colocações temporárias com base em listas regionais (norte, centro e sul), dando aos professores a possibilidade de decidirem concorrer a mais do que uma região e responsabilizando disciplinarmente os diretores pelas eventuais manipulações nas informações relativas à duração temporal dos horários de substituição e dos horários imprevistos ou residuais.
Todavia, a tentação canina para reduzir as escolas a quintas pessoais, começa a parecer irresistível à salivação do poder própria de caciques locais e de partidocratas centrais.
Quinta-feira, 29 de Setembro de 2011
Modelo?
Para quem já foi considerado um autarca modelo, ser engaiolado, na sequência de condenação por fraude fiscal, abuso de poder, corrupção passiva para acto ilícito e branqueamento de capitais, não deixa de constituir uma infeliz ironia.
Sempre concebi o desempenho de cargos políticos como uma missão de serviço aos outros de natureza transitória, austera e absolutamente transparente, pelo que não encaixo que a política possa ser trampolim, tanto para oportunidades de longas carreiras na condução ou na gestão da coisa pública (viver à custa da política), como para inusitadas garantias de vidas financeiramente desafogadas e patrimonialmente abastadas, sobretudo, quando inexplicadas pelas antecedentes fortunas familiares ou pelos ganhos profissionais.
Mas, apurem-se todas as situações de mudanças radicais nos padrões de vida, apenas porque se desempenhou um determinado cargo político.
Uma grande lição
Espero que o treinador do FC Porto, Vítor Pereira, tenha assistido à lição que Domingos Paciência acaba de dar, em Alvalade, sobre como equilibrar uma equipa que se vê reduzida a 10 jogadores.
Tendo sido expulso um defesa esquerdo, o treinador do Sporting substituiu-o por outro defesa esquerdo, nunca descompensando ou desestruturando a equipa.
A Lazio até podia ter empatado o jogo, mas o Sporting mostrou consistência, organização, entrega ao jogo, bem como solidariedade entre setores e entre jogadores.
Ao invés, Vítor Pereira, no jogo com o Zenit, inventou inexplicavelmente, porque deixar em campo Varela, que, nesta época, além de não defender, também não ataca (raramente dá sequência às jogadas), optando por tirar do jogo a explosão e a eficácia de James, ao mesmo tempo que destrói o meio campo defensivo, remetendo o jogador Fernando para um papel inoperante (mal por mal, por que razão Sousa não entrou diretamente para defesa direito?), são opções que não lembrariam a ninguém. E nem a desculpa da lesão de Kléber colhe (como é concebível que uma equipa com as ambições europeias do FC Porto tenha apenas um ponta de lança?), porque o sacrifício de Wolfswinkel, no Sporting, à estratégia de estabilização coletiva, imprimida por Domingos, correspondeu, funcionalmente, a ter ficado sem ponta de lança.
É a diferença entre um treinador que sabe ler o jogo e mexe na equipa de forma a conferir-lhe segurança e eficácia e um outro, cujas substituições esfrangalham a equipa ou secam, de todo, a produção atacante.
Tendo sido expulso um defesa esquerdo, o treinador do Sporting substituiu-o por outro defesa esquerdo, nunca descompensando ou desestruturando a equipa.
A Lazio até podia ter empatado o jogo, mas o Sporting mostrou consistência, organização, entrega ao jogo, bem como solidariedade entre setores e entre jogadores.
Ao invés, Vítor Pereira, no jogo com o Zenit, inventou inexplicavelmente, porque deixar em campo Varela, que, nesta época, além de não defender, também não ataca (raramente dá sequência às jogadas), optando por tirar do jogo a explosão e a eficácia de James, ao mesmo tempo que destrói o meio campo defensivo, remetendo o jogador Fernando para um papel inoperante (mal por mal, por que razão Sousa não entrou diretamente para defesa direito?), são opções que não lembrariam a ninguém. E nem a desculpa da lesão de Kléber colhe (como é concebível que uma equipa com as ambições europeias do FC Porto tenha apenas um ponta de lança?), porque o sacrifício de Wolfswinkel, no Sporting, à estratégia de estabilização coletiva, imprimida por Domingos, correspondeu, funcionalmente, a ter ficado sem ponta de lança.
É a diferença entre um treinador que sabe ler o jogo e mexe na equipa de forma a conferir-lhe segurança e eficácia e um outro, cujas substituições esfrangalham a equipa ou secam, de todo, a produção atacante.
Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011
Um caso gritante de inadaptação ao local de trabalho
| Fonte: Público |
Ao contrário da imagem inicial que se pretendeu vender, e a que alguma comunicação social menos escrutinadora de decisões e realidades concretas continua aderente, a equipa que chefia o Ministério da Educação (com exceção dos secretários de Estado que tutelam o Ensino Superior e a Ciência) é, no quadro do Governo, a mais impreparada e a mais inepta de todas.
Numa máquina complexa como é o Ministério da Educação, ainda por cima acoplada ao Ensino Superior e à Ciência, o sucedâneo natural da impreparação, do desconhecimento e da permeabilidade à conversa de corredor é a desorientação e o rocambolesco, próprios de quem atua na base de desgarrados improvisos, sem fidelidade a compromissos, a convicções e a visões sistémicas.
Mas, a um primeiro-ministro e a um partido que cometem a asneira suprema de desprezar e de desbaratar, quer um recurso humano incomparável, como Santana Castilho, quer as medidas programáticas consistentes e coerentes que o PSD teve até Maio de 2011, merecem que lhes caiam em cima as consequências da quase tresloucada navegação à vista e das desorientações a que temos vindo a assistir atónitos (sobretudo, os mais crentes e distraídos).
Definitivamente, esta equipa ministerial é um erro "Crato", típico de um recrutamento falhado.
Desmontar a narrativa e a prática do cratês
![]() |
| In Público, 28-09-2011 (Obrigado, Zé!) |
Em quase 100 dias de governação, a atuação do ministério da educação tem-se resumido a: capitulação à farsa avaliativa, práticas "eticamente deploráveis", procedimentos trapalhões, tentativas de "canibalização da Educação", "desleixo, improvisação e amadorismo", desconhecimento, impreparação, tiques manipulatórios socratinos e, já agora, inaugurações oportunistas, gerando descrédito, frustração e desencanto nos professores.
Um retrato incontestado de uma realidade ministerial deplorável!...
Terça-feira, 27 de Setembro de 2011
Limpeza
Confesso que, politicamente, poucas coisas me dão mais gozo pessoal que assistir à queda dos baluartes que corporizaram, simbolizaram ou acabaram associados à prepotência, à incompetência, à opacidade, à prestidigitação ou à propaganda que Sócrates injetou na política nacional.
Como tal, tudo o que seja desmantelar a herança socratina, assuma ela a forma de estruturas (institutos, fundações, conselhos...) ou de programas e medidas que consubstanciaram ou suportaram as vertentes odiosa, persecutória, arbitrária, artificiosa, facilitista ou falaz do socratismo, tem o meu aplauso entusiástico.
É, neste contexto, que apreciei o anúncio da extinção do Conselho Científico para a Avaliação de Professores e que, hoje, me regozijo com a intenção manifestada pelo Governo de acabar com a Fundação para as Comunicações Móveis, verdadeiro instrumento da propaganda socrática que desbaratou milhões de euros, numa distribuição a granel, desenquadrada e inconsequente de computadores "Magalhães".
Apenas lamento que um Ministério da Educação medroso, inseguro e acanhado tenha, contra a palavra do PSD e de Passos Coelho, legitimado e mantido um modelo de avaliação dos professores que, gizado por Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues, constituiu o principal dispositivo de afronta aos professores e de imposição às escolas de processos destituídos de seriedade, parciais, perturbadores do ensino e devastadores para o relacionamento sadio e a cooperação entre professores.
Entre outras limpezas que se impõem, tenho a expectativa que o Governo extinga a Parque Escolar, reformule, de cabo a rabo, o Programa Novas Oportunidades e, pelo caminho, não ignore essa excrescência inútil saída da perfídia de Maria de Lurdes Rodrigues e que dá pelo nome de Conselho de Escolas.
Como tal, tudo o que seja desmantelar a herança socratina, assuma ela a forma de estruturas (institutos, fundações, conselhos...) ou de programas e medidas que consubstanciaram ou suportaram as vertentes odiosa, persecutória, arbitrária, artificiosa, facilitista ou falaz do socratismo, tem o meu aplauso entusiástico.
É, neste contexto, que apreciei o anúncio da extinção do Conselho Científico para a Avaliação de Professores e que, hoje, me regozijo com a intenção manifestada pelo Governo de acabar com a Fundação para as Comunicações Móveis, verdadeiro instrumento da propaganda socrática que desbaratou milhões de euros, numa distribuição a granel, desenquadrada e inconsequente de computadores "Magalhães".
Apenas lamento que um Ministério da Educação medroso, inseguro e acanhado tenha, contra a palavra do PSD e de Passos Coelho, legitimado e mantido um modelo de avaliação dos professores que, gizado por Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues, constituiu o principal dispositivo de afronta aos professores e de imposição às escolas de processos destituídos de seriedade, parciais, perturbadores do ensino e devastadores para o relacionamento sadio e a cooperação entre professores.
Entre outras limpezas que se impõem, tenho a expectativa que o Governo extinga a Parque Escolar, reformule, de cabo a rabo, o Programa Novas Oportunidades e, pelo caminho, não ignore essa excrescência inútil saída da perfídia de Maria de Lurdes Rodrigues e que dá pelo nome de Conselho de Escolas.
Segunda-feira, 26 de Setembro de 2011
Chovem papéis
As "superfícies frontais" que se instalaram no Ministério da Educação não permitem prever, para as escolas e para os professores, melhorias acentuadas nos climas e nas condições de trabalho, pelo que a borrasca burocrática tenderá a persistir, ainda que, relativamente, mais disfarçada.
Obrigado, Isabel!
Numa Farsa, qualquer avaliação é possível
Para quem criticou a avaliação (um relatório crítico mais circunstanciado e extenso que o atual relatório de autoavaliação) que era praticada nas escolas antes da chegada, em 2008, da Farsa da ADD, e que este Governo legitimou e viabilizou, ou subscreveu a diabolização que foi empreendida daquela avaliação, por parte de Sócrates e quejandos, vir, agora, aceitar, sem um pestanejo de crítica, que os diretores possam ser avaliados com base nas habilitações, no percurso profissional e no relatório de autoavaliação, sem qualquer acompanhamento, escrutínio ou comprovação dos dados fornecidos pelos diretores, diz bem da coerência, da exigência e da disposição com que se está na defesa da fantochada que Sócrates e Passos Coelho, cada um a seu modo, inscreveram nos processos de avaliação de professores e diretores.
O diretor relata e o novo Diretor Regional procede a uma análise literária e zás, acata e classifica. A isto chama-se avaliação credível, consistente e justa.
Não vale a pena escrever-se mais nada a este respeito. Estou esclarecido!...
O diretor relata e o novo Diretor Regional procede a uma análise literária e zás, acata e classifica. A isto chama-se avaliação credível, consistente e justa.
Não vale a pena escrever-se mais nada a este respeito. Estou esclarecido!...
Aí está (sempre esteve) uma alternativa ao Facebook
Sem recurso a grandes tecnologias, suportada em escasso investimento e sem consumos energéticos associados (exceto os inerentes ao esvaziamento prévio do conteúdo do hardware de difusão), é possível montar uma rede social e estabelecer relações de amizade a grande distância.
Além da paciência, da perseverança e da esperança, a adesão a esta rede social requer, ainda, uma distinta atitude face ao transcurso do tempo.
Além da paciência, da perseverança e da esperança, a adesão a esta rede social requer, ainda, uma distinta atitude face ao transcurso do tempo.
Sábado, 24 de Setembro de 2011
Remendar e actuar avulsamente dá nisto
| Fonte: Diário de Notícias |
Ao remendar a filosofia da avaliação do desempenho, além de se deixar intacta, nas escolas, a fonte da gangrena, ficam sempre pontas soltas para destoarem ainda mais no conjunto da farrapada.
Todavia, e mesmo que a tutela mereça que lhe caia em cima este imbróglio legal, sempre tem a possibilidade, como o Luís Costa sugeriu aqui, de submeter os directores a uma avaliação democrática, transparente, séria e informada sobre a qualidade dos seus desempenhos e a confirmação, ou não, da continuidade dos seus mandatos: bastar confiar a avaliação aos professores de cada escola/agrupamento, mediante "voto secreto e em sufrágio universal".
De intenções (nem todas boas) está a entrevista cheia
Volvidos três meses de governação, eis que a Secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário, Isabel Leite, dá um ar da sua graça (à mistura com alguma desgraça) e, finalmente, desiberna na forma de uma entrevista ao Correio da Manhã.
A substância da entrevista revela insegurança e escassa convicção, deixando a descoberto indisfarçáveis fragilidades e impreparações (que, no meu ponto de vista, são extensivas ao Ministro da Educação e ao Secretário de Estado da Administração Escolar, que não necessariamente aos Secretários de Estado que tutelam o ensino superior), susceptíveis de não augurarem nada de reformador, nos planos da efectiva exigência e da recondução da vida escolar à seriedade de processos.
Excluindo as notícias positivas da universalização do pré-escolar e da curricularização do Inglês no 1º ciclo, as notas mais destacáveis da entrevista são:
- aridez absoluta relativamente ao ensino secundário, agravada pela abertura manifestada para admitir a ideia disparatada de menorização e depreciação da Educação Física;
- pobreza, indefinição e hesitações quando se trata de avançar com a real clarificação e concretização de medidas e decisões;
- fora do âmbito da infância, mais se assemelhando a uma espécie de Secretária de Estado da Educação da Infância, Isabel Leite revela uma inseguridade e um desconhecimento confrangedores.
A quase redução da entrevista a uma carta de intenções, a impreparação e as hesitações são bem visíveis nas seguintes expressões:
- "É nossa intenção introduzir..."
- "Estamos neste momento a trabalhar no estudo..."
- "Ainda está em fase de estudo."
- "Até poderá ser..."
- "(...) questão que está ainda a ser trabalhada..."
- "É nossa intenção fazer..."
- "É nossa intenção universalizar..."
- "Estamos a equacionar essa possibilidade."
- "Talvez."
Todavia, o mais grave, na entrevista, passa pela afirmação de quatro intenções que consubstanciam outros tantos erros de palmatória (a avançarem, serão erros Cratos). Ei-las:
- admitir que as classificações obtidas na disciplina de Educação Física possam deixar de contar para a média de acesso ao ensino superior é, além de um injustificado défice de compreensão da natureza e da imprescindibilidade desta disciplina para a formação e a educação dos alunos (reduzi-la à prática de desporto é ignorância aflitiva), colidindo com estudos e recomendações internacionais, também um claudicar às pressões e às tentativas para martelar e cozinhar, a preceito, as condições de acesso aos cursos de medicina, adaptando-as a "marrões" com limitações no seu desenvolvimento motor e na sua imagem corporal;
- uma propensão para uma maior curricularização da educação de infância, retirando espaço e função pedagógica à actividade, à brincadeira e ao jogo, assim como um desejo de antecipação da idade da frequência escolar, secundarizando-se e desvalorando-se cada vez mais, quer os afectos, as ligações e os vínculos parentais, quer o natural obstáculo da imaturidade cerebral;
- o que aparenta ser um recuo quanto ao reforço do peso e quanto à generalização dos exames nacionais;
- o risco de entregar a concepção e a aplicação dos exames nacionais a uma estrutura privada e desligada da realidade das escolas (professores universitários?). Não aprenderam nada com a experiência da Compta?
A substância da entrevista revela insegurança e escassa convicção, deixando a descoberto indisfarçáveis fragilidades e impreparações (que, no meu ponto de vista, são extensivas ao Ministro da Educação e ao Secretário de Estado da Administração Escolar, que não necessariamente aos Secretários de Estado que tutelam o ensino superior), susceptíveis de não augurarem nada de reformador, nos planos da efectiva exigência e da recondução da vida escolar à seriedade de processos.
Excluindo as notícias positivas da universalização do pré-escolar e da curricularização do Inglês no 1º ciclo, as notas mais destacáveis da entrevista são:
- aridez absoluta relativamente ao ensino secundário, agravada pela abertura manifestada para admitir a ideia disparatada de menorização e depreciação da Educação Física;
- pobreza, indefinição e hesitações quando se trata de avançar com a real clarificação e concretização de medidas e decisões;
- fora do âmbito da infância, mais se assemelhando a uma espécie de Secretária de Estado da Educação da Infância, Isabel Leite revela uma inseguridade e um desconhecimento confrangedores.
A quase redução da entrevista a uma carta de intenções, a impreparação e as hesitações são bem visíveis nas seguintes expressões:
- "É nossa intenção introduzir..."
- "Estamos neste momento a trabalhar no estudo..."
- "Ainda está em fase de estudo."
- "Até poderá ser..."
- "(...) questão que está ainda a ser trabalhada..."
- "É nossa intenção fazer..."
- "É nossa intenção universalizar..."
- "Estamos a equacionar essa possibilidade."
- "Talvez."
Todavia, o mais grave, na entrevista, passa pela afirmação de quatro intenções que consubstanciam outros tantos erros de palmatória (a avançarem, serão erros Cratos). Ei-las:
- admitir que as classificações obtidas na disciplina de Educação Física possam deixar de contar para a média de acesso ao ensino superior é, além de um injustificado défice de compreensão da natureza e da imprescindibilidade desta disciplina para a formação e a educação dos alunos (reduzi-la à prática de desporto é ignorância aflitiva), colidindo com estudos e recomendações internacionais, também um claudicar às pressões e às tentativas para martelar e cozinhar, a preceito, as condições de acesso aos cursos de medicina, adaptando-as a "marrões" com limitações no seu desenvolvimento motor e na sua imagem corporal;
- uma propensão para uma maior curricularização da educação de infância, retirando espaço e função pedagógica à actividade, à brincadeira e ao jogo, assim como um desejo de antecipação da idade da frequência escolar, secundarizando-se e desvalorando-se cada vez mais, quer os afectos, as ligações e os vínculos parentais, quer o natural obstáculo da imaturidade cerebral;
- o que aparenta ser um recuo quanto ao reforço do peso e quanto à generalização dos exames nacionais;
- o risco de entregar a concepção e a aplicação dos exames nacionais a uma estrutura privada e desligada da realidade das escolas (professores universitários?). Não aprenderam nada com a experiência da Compta?
Sexta-feira, 23 de Setembro de 2011
Uma boca cretina
Mesmo sendo originário de um lugar piscatório, Coentrão já devia ter percebido que nem só o peixe morre pela boca. Aos que vestem a pele de tolos a boca também os atraiçoa. Melhor seria que o rapaz se concentrasse e guardasse os seus vaticínios para a época meteórica que o Real Madrid está a protagonizar no campeonato espanhol.
Quando Pereira parece nabo
Os três últimos jogos do FC Porto têm mostrado um Vítor Pereira decepcionante, quer na forma como faz a gestão do plantel, quer nas substituições que empreende ou, ainda, nas dificuldades que revela no registo e na leitura da (não) produção de alguns jogadores no decurso dos jogos.
Não vou discutir questões técnicas que não domino, situando-me meramente no papel de um treinador de bancada que não pode deixar de sublinhar um conjunto de evidências, traduzidas numa mão cheia de situações anómalas óbvias, dificilmente explicáveis e em relação às quais não quero acreditar que a equipa técnica do FC Porto não seja capaz de as descortinar e superar.
No essencial, refiro-me ao seguinte:
- maior preocupação em satisfazer jogadores, porventura, influentes no balneário, enveredando por uma lógica de excessiva rotatividade em prejuízo da estabilização de uma equipa base, comprometendo a injecção de auto-confiança, a segurança e a consolidação de rotinas;
- em confirmação da evidência anterior, resulta inexplicável que Defour tenha sido remetido para o "banco" após três jogos de grande nível;
- falta de ambição da equipa a partir do momento em que passa a ganhar pela diferença mínima, o que é agravado pelas substituições desastrosas feitas nas segundas partes, as quais tendem a desestruturar a equipa, a enfraquecer a pressão e a circulação de bola, assim como a reduzir a zero a eficácia atacante;
- ao contrário do que acontecia na temporada passada, raramente os avançados Hulk e Kléber recuam no terreno e ajudam a equipa a defender;
- é incompreensível que a equipa técnica não tire as devidas ilações dos registos estatísticos de cada jogo, porque, a título de exemplo, Varela tem-se revelado incapaz, esta época, de dar sequência aos lances de ataque, não conseguindo passar ou cruzar a bola com eficácia (a rara excepção foi, hoje, a assistência para o segundo golo do Porto);
- um inexplicável desaparecimento de Hulk após a primeira meia hora dos jogos;
- ninguém compreende o estatuto de Valter no plantel do Porto;
- subestimação das equipas "teoricamente" mais fracas, como ocorreu com o Feirense (em Inglaterra jogam quase sempre as equipas base e duas vezes por semana);
- nas conferências de imprensa, gostaria de ver um treinador mais afirmativo e menos justificativo.
Não vou discutir questões técnicas que não domino, situando-me meramente no papel de um treinador de bancada que não pode deixar de sublinhar um conjunto de evidências, traduzidas numa mão cheia de situações anómalas óbvias, dificilmente explicáveis e em relação às quais não quero acreditar que a equipa técnica do FC Porto não seja capaz de as descortinar e superar.
No essencial, refiro-me ao seguinte:
- maior preocupação em satisfazer jogadores, porventura, influentes no balneário, enveredando por uma lógica de excessiva rotatividade em prejuízo da estabilização de uma equipa base, comprometendo a injecção de auto-confiança, a segurança e a consolidação de rotinas;
- em confirmação da evidência anterior, resulta inexplicável que Defour tenha sido remetido para o "banco" após três jogos de grande nível;
- falta de ambição da equipa a partir do momento em que passa a ganhar pela diferença mínima, o que é agravado pelas substituições desastrosas feitas nas segundas partes, as quais tendem a desestruturar a equipa, a enfraquecer a pressão e a circulação de bola, assim como a reduzir a zero a eficácia atacante;
- ao contrário do que acontecia na temporada passada, raramente os avançados Hulk e Kléber recuam no terreno e ajudam a equipa a defender;
- é incompreensível que a equipa técnica não tire as devidas ilações dos registos estatísticos de cada jogo, porque, a título de exemplo, Varela tem-se revelado incapaz, esta época, de dar sequência aos lances de ataque, não conseguindo passar ou cruzar a bola com eficácia (a rara excepção foi, hoje, a assistência para o segundo golo do Porto);
- um inexplicável desaparecimento de Hulk após a primeira meia hora dos jogos;
- ninguém compreende o estatuto de Valter no plantel do Porto;
- subestimação das equipas "teoricamente" mais fracas, como ocorreu com o Feirense (em Inglaterra jogam quase sempre as equipas base e duas vezes por semana);
- nas conferências de imprensa, gostaria de ver um treinador mais afirmativo e menos justificativo.
Uma fraude legal
| Manchete do Público, 23-09-2001 |
Acontece que o problema não se prende, apenas, com os alunos que optam pela frequência alternativa do ensino recorrente com intenção declarada de contornar muitas das dificuldades do ensino secundário regular e, desta forma, obterem uma média mais favorável, mas, também, com aqueles alunos que, frequentando o ensino regular, não conseguem as médias que lhes permitam aceder aos cursos de medicina, pelo que utilizam o ensino recorrente como expediente para, no espaço de um ano lectivo, frequentarem disciplinas que lhes asseguram classificações de 20 valores, empolando, a martelo, as suas médias do ensino secundário.
Uma vergonha!...
Só Cratismo
O sacudir da autoria e da responsabilização por erros e trapalhadas.
A negação de qualquer razão às manifestações/contestações dos professores, por incapacidade destes para compreenderem a validade e a legalidade do "algoritmo".
A mesma propensão para o marketing político das aparições mediáticas, a pretexto de uma inusitada vocação corta-fitas.
Todavia, o melhor do programa foi, mesmo, a espontaneidade das crianças... desde a saudosista de Sócrates até à convicta anti-Sócrates.
A negação de qualquer razão às manifestações/contestações dos professores, por incapacidade destes para compreenderem a validade e a legalidade do "algoritmo".
A mesma propensão para o marketing político das aparições mediáticas, a pretexto de uma inusitada vocação corta-fitas.
Todavia, o melhor do programa foi, mesmo, a espontaneidade das crianças... desde a saudosista de Sócrates até à convicta anti-Sócrates.
Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011
Professor, amigo, o PS está contigo!
| Fonte: Correio da Manhã |
Os professores não esquecem os ataques, as indignidades e os prejuízos morais e materiais que o PS lhes dispensou, durante quase sete miseráveis anos de governação, e relativamente aos quais não ocorreu nenhuma expiação pública, nem qualquer distanciamento da parte da actual direcção do PS.
Haverá necessidade de fazer um desenho das iniciativas e das decisões da governação socialista que geraram "embustes políticos" na forma como atentaram contra a graduação profissional dos professores?
É preciso ter lata!...
Bola de cristal
A realidade política portuguesa já tem o seu Professor Karamba. Dá pelo nome de Evangelos, ministro grego das Finanças, e no que toca aos sortilégios da antecipação do nosso futuro, tal como consubstanciados nas violentíssimas medidas de austeridade que vai impondo aos gregos, humilha qualquer astrólogo, mas também qualquer analista político ou económico, no acerto preditivo relativamente àquilo que nos espera.
| Fonte: Público |
Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011
Engraxanço, culambismo e (acrescento eu) facilitação
Sobre o engraxanço e o seu actual sucedâneo culambismo, enquanto dinâmicas e disposições tipicamente lusas do relacionamento interpessoal em contextos laborais e políticos, este texto do MEC é um excepcional retrato psicossociológico.
Mesmo que sejam processos distintos, é indiscutível que o culambismo se encontra, em alguns cenários relacionais, reforçado e potenciado nos seus resultados pela disseminação crescente de uma tendência para o facilitismo e para a negligenciação da exigência e da seriedade.
Ainda que sem culambismo necessariamente associado, a facilitação tornou-se uma outra pedra de toque das relações "portugas" que envolvem avaliação, estando também a contaminar as escolas, com extensões e pressões rebuscadas que já se instalaram no ensino secundário e, igualmente, com ramificações em muitas avaliações do desempenho docente.
No ensino secundário, a facilitação é visível, quer no expediente que permite aos alunos socorrerem-se do ensino recorrente para empolarem as suas médias do secundário, frequentando disciplinas alternativas, quer na pressão exercida sobre os professores mais exigentes, ao permitirem-se, por exemplo, no 12º ano, possibilidades de opção entre disciplinas que impõem estudo e trabalho aos alunos e disciplinas que asseguram, à partida, a obtenção facilitada de classificações de 19 e 20 valores para a generalidade dos alunos.
Na avaliação dos professores, a facilitação está à vista de todos, quando se constata que relatores, sem qualquer reconhecimento da sua própria excelência, banalizam a excepcionalidade da excelência, atribuindo este nível classificativo a professores e a educadores que têm um desempenho absolutamente normativo e mediano.
E convém ter presente que, por norma, a facilitação é o melhor antídoto para lidar com a incompetência e a insegurança próprias, além de que casa, notavelmente, com o porreirismo nacional.
Mesmo que sejam processos distintos, é indiscutível que o culambismo se encontra, em alguns cenários relacionais, reforçado e potenciado nos seus resultados pela disseminação crescente de uma tendência para o facilitismo e para a negligenciação da exigência e da seriedade.
Ainda que sem culambismo necessariamente associado, a facilitação tornou-se uma outra pedra de toque das relações "portugas" que envolvem avaliação, estando também a contaminar as escolas, com extensões e pressões rebuscadas que já se instalaram no ensino secundário e, igualmente, com ramificações em muitas avaliações do desempenho docente.
No ensino secundário, a facilitação é visível, quer no expediente que permite aos alunos socorrerem-se do ensino recorrente para empolarem as suas médias do secundário, frequentando disciplinas alternativas, quer na pressão exercida sobre os professores mais exigentes, ao permitirem-se, por exemplo, no 12º ano, possibilidades de opção entre disciplinas que impõem estudo e trabalho aos alunos e disciplinas que asseguram, à partida, a obtenção facilitada de classificações de 19 e 20 valores para a generalidade dos alunos.
Na avaliação dos professores, a facilitação está à vista de todos, quando se constata que relatores, sem qualquer reconhecimento da sua própria excelência, banalizam a excepcionalidade da excelência, atribuindo este nível classificativo a professores e a educadores que têm um desempenho absolutamente normativo e mediano.
E convém ter presente que, por norma, a facilitação é o melhor antídoto para lidar com a incompetência e a insegurança próprias, além de que casa, notavelmente, com o porreirismo nacional.
Como vai a avaliação da docência?
Versando sobre a temática da avaliação dos professores, o artigo do mês de Setembro do Professor João Ruivo é um muito bom contributo para a compreensão lúcida e objectiva do recente acordo entre o Ministério da Educação e alguns sindicatos (a que se deve acrescentar a claudicação e a desistência da Fenprof), ao arrepio da mistificação política e mediática que tem celebrado o enxerto viabilizador de uma farsa e de uma excrescência mole, impregnada dos vícios e dos caprichos da ADD precedente, como se de um sucesso se tratasse. E, neste particular, subscrevo a análise do Professor João Ruivo.
Já algumas das ideias do Professor João Ruivo sobre avaliação merecem-me algum cepticismo, embora me pareça que não valerá de muito prolongar este debate, enquanto se mantiverem estes protagonistas políticos e sindicais, tal o nível de anestesia e de entorpecimento que por aí grassa, em consequência da frustração e do desencanto dos professores com os partidos da governação e com a tarouquice sindical.
Setembro 2011
Já algumas das ideias do Professor João Ruivo sobre avaliação merecem-me algum cepticismo, embora me pareça que não valerá de muito prolongar este debate, enquanto se mantiverem estes protagonistas políticos e sindicais, tal o nível de anestesia e de entorpecimento que por aí grassa, em consequência da frustração e do desencanto dos professores com os partidos da governação e com a tarouquice sindical.
Setembro 2011
Duplamente chumbado
As arbitrariedades que tomaram conta da colocação dos professores contratados, no quadro das Ofertas de Escola e Bolsas de Recrutamento, a juntar às arbitrariedades da atribuição de classificações, numa avaliação do desempenho fantoche que este Governo teve a desfaçatez política de legitimar, constituem provas, quer da impreparação trapalhona desta equipa do Ministério da Educação, quer da falta de respeito e de sensibilidade para com os professores, decorrentes da forma como assumem e se gabam da viabilização de uma avaliação farsante dos professores e do modo como estão a lidar com as ultrapassagens, administrativamente equivocadas, na colocação dos professores.
E o pior que podia acontecer ao PSD e ao CDS-PP seria incorrerem numa estratégia cosmética de proteger artificialmente a imagem do Ministro da Educação, impedindo a sua ida ao Parlamento para esclarecer os problemas na colocação dos professores (como o email que divulgo em baixo noticia), ao mesmo tempo que lhe cantam loas mediáticas, em nome da mistificação que esconde a falta de seriedade política com que PSD e CDS-PP assumiram e viabilizaram, em versão remendada, a farsa avaliativa de Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues.
É caso para aconselhar: não temais o esclarecimento, o confronto parlamentar e, sobretudo, a actuação transparente, séria e exigente na superação das arbitrariedades!
E o pior que podia acontecer ao PSD e ao CDS-PP seria incorrerem numa estratégia cosmética de proteger artificialmente a imagem do Ministro da Educação, impedindo a sua ida ao Parlamento para esclarecer os problemas na colocação dos professores (como o email que divulgo em baixo noticia), ao mesmo tempo que lhe cantam loas mediáticas, em nome da mistificação que esconde a falta de seriedade política com que PSD e CDS-PP assumiram e viabilizaram, em versão remendada, a farsa avaliativa de Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues.
É caso para aconselhar: não temais o esclarecimento, o confronto parlamentar e, sobretudo, a actuação transparente, séria e exigente na superação das arbitrariedades!
A semana passada chegou ao conhecimento do Bloco de Esquerda a informação de que o Ministério da Educação e Ciência estaria a promover nas Ofertas de Escola e Bolsas de Recrutamento contratos mensais para os professores que não foram colocados no Concurso cujas listas saíram a 31 de Agosto.
De imediato, a deputada Ana Drago enviou um Requerimento à Comissão de Educação, Ciência e Cultura no sentido de chamar o Ministro à Assembleia da República para prestar esclarecimentos sobre a situação. Uma situação como a que está criada nas escolas e nas vida dos milhares de professores contratados que tentam mais uma vez a sua sorte é para nós intolerável, foi por isso que decidimos chamar o Ministro pela primeira vez ao Parlamento.
Enviamos em anexo o Requerimento que foi chumbado hoje na Comissão com votos favoráveis de toda a oposição excepto dos partidos que sustentam o Governo: PSD e CDS-PP.
Agradecemos que divulgue o mesmo para os fins que considerar convenientes, bem como a respectiva votação.
O Bloco de Esquerda não deixará cair esta questão e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para não permitir que mais esta tremenda injustiça de que são alvos os mesmos de sempre permaneça.
Melhores cumprimentos,
Margarida Santos
Assessora do GP do Bloco de Esquerda para a Educação
margarida.santos@be.parlamento.pt
Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011
Para sexta-feira, esperam-se mais buracos
Parece que, desta vez, há uma possibilidade, mesmo que remota, de o céu nos cair em cima. A probabilidade de existirem pessoas que podem ser atingidas com peças, pesando dezenas ou centenas de quilos, pertencentes a um satélite da NASA que se precipitará sobre regiões ainda imprevistas da Terra, entre quinta-feira e sábado, é, apesar de ínfima (1 em 3200), muito superior à da saída do primeiro prémio do Euromilhões (que é apenas de 1 em 116.531.800), pelo que não é de negligenciar em absoluto.
Além do risco acrescido de morte, não dava mesmo jeito nenhum que qualquer peça viesse a atingir o continente português e, muito menos a Madeira, uma vez que buracos já por cá existem em demasia, sendo até muito provável que ainda persistam, em vários sectores e organismos, autênticas crateras dissimuladas.
Se, para os portugueses, os barretes lhes vêm sendo enfiados, a contragosto, desde 2010, não seria despropositado que, na próxima sexta-feira, estes fossem trocados pelos capacetes, não vão os sucessivos murros no estômago que os têm vitimado verem-se tragicamente agravados por um amolgar da tola.
Além do risco acrescido de morte, não dava mesmo jeito nenhum que qualquer peça viesse a atingir o continente português e, muito menos a Madeira, uma vez que buracos já por cá existem em demasia, sendo até muito provável que ainda persistam, em vários sectores e organismos, autênticas crateras dissimuladas.
Se, para os portugueses, os barretes lhes vêm sendo enfiados, a contragosto, desde 2010, não seria despropositado que, na próxima sexta-feira, estes fossem trocados pelos capacetes, não vão os sucessivos murros no estômago que os têm vitimado verem-se tragicamente agravados por um amolgar da tola.
Domingo, 18 de Setembro de 2011
Uma ironia por outra
Por uma mescla de razões e de afectos, que nem sempre consigo explicar muito bem para mim próprio, mas que talvez se prenda com a partilha de inúmeras similaridades com o meu clube identitário, a equipa de futebol do FC Barcelona é aquela que mais aprecio ver jogar e ver ganhar, logo a seguir ao FC Porto.
Todavia, confesso que fiquei tocado pela atitude de humildade e de insegurança de José Mourinho, ao definir a manutenção como o objectivo prioritário do Real Madrid, por mais que as pessoas tendam a pensar que modéstia em excesso é serventia ao orgulho exibicionista.
Como tenho, apesar de tudo, genuína admiração pela inteligência, pela capacidade de trabalho e pelo jogo psicológico que caracterizam os treinos e os planos comunicacionais de Mourinho, vou torcer para que o Real Madrid se consiga manter na primeira divisão do futebol de nuestros hermanos.
Mas, também desejo que o objectivo da manutenção se venha a concretizar, por via de uma espécie de apelo ad misericordiam, pois, verdadeiramente, o mundo mediático, tão insensível a tanta tragédia humana, aposto que se comocionaria, até às lágrimas, com a desventura e a miséria que poderiam vir a abater-se sobre rapazes outrora tão ricos, guapos e habilidosos.
Todavia, confesso que fiquei tocado pela atitude de humildade e de insegurança de José Mourinho, ao definir a manutenção como o objectivo prioritário do Real Madrid, por mais que as pessoas tendam a pensar que modéstia em excesso é serventia ao orgulho exibicionista.
Como tenho, apesar de tudo, genuína admiração pela inteligência, pela capacidade de trabalho e pelo jogo psicológico que caracterizam os treinos e os planos comunicacionais de Mourinho, vou torcer para que o Real Madrid se consiga manter na primeira divisão do futebol de nuestros hermanos.
Mas, também desejo que o objectivo da manutenção se venha a concretizar, por via de uma espécie de apelo ad misericordiam, pois, verdadeiramente, o mundo mediático, tão insensível a tanta tragédia humana, aposto que se comocionaria, até às lágrimas, com a desventura e a miséria que poderiam vir a abater-se sobre rapazes outrora tão ricos, guapos e habilidosos.
Sábado, 17 de Setembro de 2011
O universo disparatado e delirante de Madrinha
Começo por estabelecer uma ressalva prévia: restrinjo-me, neste post, à parte da crónica de Fernando Madrinha, "opinante" do Expresso, que é disponibilizada aqui, pela razão prosaica de que me vi constrangido a implementar um plano pessoal de ajustamento e de corte nas "gorduras" das minhas despesas, tendo começado, exactamente, pela eliminação das aquisições daqueles jornais, cujas linhas editoriais se têm orientado, tanto pelo suporte às políticas de saque fiscal e salarial, como pelo relativo silenciamento das justas reivindicações dos professores, tantas vezes não coincidentes sequer com as agendas sindicais. Ora, entre estes jornais está, naturalmente, o Expresso.
É verdade que existem jornalistas que se esforçam por noticiar factos e acontecimentos, com recurso a narrativas que tendem para a máxima objectividade possível.
Também é verdade que existem cronistas ou colunistas que opinam sobre factos ou acontecimentos, ancorando-se em informações ou dados verosímeis acerca dos mesmos, ainda que possamos discordar da intencionalidade, da coerência ou da capacidade analítica das suas interpretações ou avaliações.
Depois, existe este universo interior, absolutamente fabulado, mistificador e disparatado, de Fernando Madrinha, sempre que se atira a discorrer sobre temas da Educação (não sei a que espécie de modelo de avaliação esta gente se sujeita para poder asnear sem consequências) e acaba no seguinte sucedâneo de referências absurdas, sem qualquer colagem à realidade:
1. Nuno Crato ganhou uma guerra [a do modelo de avaliação] à Fenprof.
Duplo disparate: Nem a Fenprof estava envolvida, desde Janeiro de 2010 (se é que, convictamente, o esteve depois do "memorando de entendimento" de Abril de 2008), em nenhuma guerra com o Ministério da Educação relativa à avaliação dos professores, caso contrário indique o "opinante" uma acção da Fenprof de resistência ou de contestação, nas escolas ou nas ruas, ao modelo em vigor, entre Janeiro de 2010 e a actualidade, nem é jornalisticamente adequado falar de uma vitória de Nuno Crato sobre a Fenprof, quando esta estrutura sindical não rubricou o acordo, ao invés do que tinha ocorrido em Janeiro de 2010, no contexto do "acordo de princípios". Extraordinária capacidade a deste cronista, na forma como transforma acordos em derrotas e desacordos em vitórias.
2. O País estava farto dessa guerra.
Delírio: Em que manifestações, reacções, sinais ou comunicações de comunidades educativas ou da população em geral se baseia o "opinante" para concluir pelo enfartamento em relação a uma guerra, cujas batalhas e soldados são, hoje, exactamente, os mesmos (se não forem mais) de há um ano atrás?
3. Nuno Crato e a sua equipa alcançaram uma vitória política assinalável.
Disparate: O que é uma vitória política assinalável? É o facto de os comentadores e os membros do Governo afirmarem que se tratou de uma vitória política, mesmo que o acordo tenha sido assinado por sindicatos que representam menos 75% dos professores do que representavam os sindicatos que subscreveram o acordo com Isabel Alçada? É a circunstância de este "novo" modelo se traduzir em meros retoques ao anterior, mantendo o essencial das bases do descrédito do anterior e, em alguns, domínios ser uma treta ainda mais facilitista do que aquela que existia no tempo em que o "opinante" defendia que não existia avaliação nenhuma?
4. O problema da avaliação dos professores vitimou Isabel Alçada.
Delírio: Em que momento e devido a que acto(s) ocorreu a morte política de Isabel Alçada? Objectiva e subjectivamente, a percepção com que os professores e os demais portugueses devem ter ficado foi a de que a imolação política de Isabel Alçada se ficou a dever, exclusivamente, à derrota eleitoral de Sócrates.
5. Maria de Lurdes Rodrigues foi a operária (incompreendida) que trabalhou para o sucesso de Nuno Crato.
Disparate: Maria de Lurdes Rodrigues foi um absoluto desastre para a escola pública e para a autoridade dos professores, tendo perturbado irresponsavelmente a escola, com custos culposamente deletérios para a motivação dos professores, para os climas relacionais e para as efectivas qualificações dos alunos.
Todavia, concedo que, numa parte, esta é a única tirada de realismo e de lucidez do "opinante", porque, verdadeiramente, o modelo de Crato (quem diria!...) conserva o essencial da filosofia e dos processos da ADD de Maria de Lurdes Rodrigues.
Além de raramente ter presenciado tanto disparate por milímetro quadrado, convém ter-se presente que foi este tipo de "opinante" e este tipo de jornal que contribuíram (e, pelos vistos, persistem em contribuir) para manter a farsa da avaliação dos professores e o reinado de personagens politicamente miseráveis, como o foram Maria de Lurdes Rodrigues, Sócrates e aqueles que agora se perfilam como seus continuadores.
É verdade que existem jornalistas que se esforçam por noticiar factos e acontecimentos, com recurso a narrativas que tendem para a máxima objectividade possível.
Também é verdade que existem cronistas ou colunistas que opinam sobre factos ou acontecimentos, ancorando-se em informações ou dados verosímeis acerca dos mesmos, ainda que possamos discordar da intencionalidade, da coerência ou da capacidade analítica das suas interpretações ou avaliações.
Depois, existe este universo interior, absolutamente fabulado, mistificador e disparatado, de Fernando Madrinha, sempre que se atira a discorrer sobre temas da Educação (não sei a que espécie de modelo de avaliação esta gente se sujeita para poder asnear sem consequências) e acaba no seguinte sucedâneo de referências absurdas, sem qualquer colagem à realidade:
1. Nuno Crato ganhou uma guerra [a do modelo de avaliação] à Fenprof.
Duplo disparate: Nem a Fenprof estava envolvida, desde Janeiro de 2010 (se é que, convictamente, o esteve depois do "memorando de entendimento" de Abril de 2008), em nenhuma guerra com o Ministério da Educação relativa à avaliação dos professores, caso contrário indique o "opinante" uma acção da Fenprof de resistência ou de contestação, nas escolas ou nas ruas, ao modelo em vigor, entre Janeiro de 2010 e a actualidade, nem é jornalisticamente adequado falar de uma vitória de Nuno Crato sobre a Fenprof, quando esta estrutura sindical não rubricou o acordo, ao invés do que tinha ocorrido em Janeiro de 2010, no contexto do "acordo de princípios". Extraordinária capacidade a deste cronista, na forma como transforma acordos em derrotas e desacordos em vitórias.
2. O País estava farto dessa guerra.
Delírio: Em que manifestações, reacções, sinais ou comunicações de comunidades educativas ou da população em geral se baseia o "opinante" para concluir pelo enfartamento em relação a uma guerra, cujas batalhas e soldados são, hoje, exactamente, os mesmos (se não forem mais) de há um ano atrás?
3. Nuno Crato e a sua equipa alcançaram uma vitória política assinalável.
Disparate: O que é uma vitória política assinalável? É o facto de os comentadores e os membros do Governo afirmarem que se tratou de uma vitória política, mesmo que o acordo tenha sido assinado por sindicatos que representam menos 75% dos professores do que representavam os sindicatos que subscreveram o acordo com Isabel Alçada? É a circunstância de este "novo" modelo se traduzir em meros retoques ao anterior, mantendo o essencial das bases do descrédito do anterior e, em alguns, domínios ser uma treta ainda mais facilitista do que aquela que existia no tempo em que o "opinante" defendia que não existia avaliação nenhuma?
4. O problema da avaliação dos professores vitimou Isabel Alçada.
Delírio: Em que momento e devido a que acto(s) ocorreu a morte política de Isabel Alçada? Objectiva e subjectivamente, a percepção com que os professores e os demais portugueses devem ter ficado foi a de que a imolação política de Isabel Alçada se ficou a dever, exclusivamente, à derrota eleitoral de Sócrates.
5. Maria de Lurdes Rodrigues foi a operária (incompreendida) que trabalhou para o sucesso de Nuno Crato.
Disparate: Maria de Lurdes Rodrigues foi um absoluto desastre para a escola pública e para a autoridade dos professores, tendo perturbado irresponsavelmente a escola, com custos culposamente deletérios para a motivação dos professores, para os climas relacionais e para as efectivas qualificações dos alunos.
Todavia, concedo que, numa parte, esta é a única tirada de realismo e de lucidez do "opinante", porque, verdadeiramente, o modelo de Crato (quem diria!...) conserva o essencial da filosofia e dos processos da ADD de Maria de Lurdes Rodrigues.
Além de raramente ter presenciado tanto disparate por milímetro quadrado, convém ter-se presente que foi este tipo de "opinante" e este tipo de jornal que contribuíram (e, pelos vistos, persistem em contribuir) para manter a farsa da avaliação dos professores e o reinado de personagens politicamente miseráveis, como o foram Maria de Lurdes Rodrigues, Sócrates e aqueles que agora se perfilam como seus continuadores.
Poder e sexo ou apenas Borralho?
Quando aqui admiti a realidade da relação entre poder e sexo, juro que não estava nas minhas cogitações, apesar de tudo, nenhum conceito, nem aparente, nem real, de uma espécie de "escola-motel".
| Fonte: Correio da Manhã |
Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011
Não inventem desculpas, porque a adesão dos contratados foi sempre baixíssima
Como já sei "o que a casa gasta", não divulguei a contestação dos professores contratados, uma vez que o historial de luta deste grupo de docentes é irrisório e, como vaticinei neste blogue, por diversas vezes, os professores contratados, por força da sua dinâmica (ou da falta dela) psico-socio-profissional e da inexistência de uma cultura de protesto consequente e solidário (basta atentar à natureza mais informativa, interpretativa e divulgativa que reivindicativa da maioria dos blogues e grupos online frequentados por professores contratados) não se mobilizam para defenderem os seus interesses.
Já no ano lectivo anterior, aconteceu o mesmo tipo de fiasco que ocorreu hoje e no dia 10 de Setembro, o que retira qualquer validade aos argumentos da resignação face a uma espécie de inevitabilidade dos cortes na Educação e consequente eliminação de horários.
Como tal, tenho que o dizer sem meias-tintas e sem hipocrisias: este tipo de manifestações é uma perda de tempo e um exercício de enfraquecimento público da força sindical, porque a esmagadora maioria dos professores contratados não participa nestas iniciativas, além de que o grosso dos professores contratados nem sequer se envolveu na recente luta dos professores contra o modelo de ADD.
Neste sentido, melhor seria que os sindicatos tivessem a coragem e a inteligência para interpretarem e traduzirem em firme agenda reivindicativa as questões decisivas que, do ponto de vista profissional, se colocam aos professores e das quais depende a seriedade e a decência nas escolas, tais como as que recupero deste post:
Já no ano lectivo anterior, aconteceu o mesmo tipo de fiasco que ocorreu hoje e no dia 10 de Setembro, o que retira qualquer validade aos argumentos da resignação face a uma espécie de inevitabilidade dos cortes na Educação e consequente eliminação de horários.
Como tal, tenho que o dizer sem meias-tintas e sem hipocrisias: este tipo de manifestações é uma perda de tempo e um exercício de enfraquecimento público da força sindical, porque a esmagadora maioria dos professores contratados não participa nestas iniciativas, além de que o grosso dos professores contratados nem sequer se envolveu na recente luta dos professores contra o modelo de ADD.
Neste sentido, melhor seria que os sindicatos tivessem a coragem e a inteligência para interpretarem e traduzirem em firme agenda reivindicativa as questões decisivas que, do ponto de vista profissional, se colocam aos professores e das quais depende a seriedade e a decência nas escolas, tais como as que recupero deste post:
"- um concurso nacional de professores, baseado na graduação profissional e totalmente transparente (monitorizado também por representantes dos sindicatos de professores);
- uma gestão democrática das escolas, porque estas são bens públicos e não quintas partidárias, em que o director deva ser eleito ou obrigatoriamente reconfirmado pela maioria dos professores da escola ou do agrupamento;
- um modelo de avaliação, cujos processos de diferenciação e atribuição do mérito sejam transparentes, não estejam dependentes de um poder autocrático ou de uma pequena rede interna de interesses/amizades e envolvam inspecção externa e órgãos/personalidades da escola eleitos pelos seus pares."
Uma espécie de emplastro?
Pela minha parte, aprecio incomensuravelmente mais o estilo sóbrio e recatado dos políticos escandinavos e britânicos, mas Nuno Crato não resistiu ao apelo das inaugurações e dos rituais de abertura do ano escolar, pois, aprendeu rápido que, num País como o nosso, tendem a prevalecer, nos julgamentos sobre a acção e a eficácia governativas, as meras aparições televisivas e as baboseiras generalistas dos comentadores televisivos, suportadas no sound bite que, por norma, acompanham essas imagens (porque analisar medidas e documentos é uma chatice).
Aliás, assiste-se, hoje, a um fenómeno deveras curioso: enquanto os comentadores regozijam, excitam-se e babam-se com o que afirmam ser o sucesso governativo do Ministro da Educação, o qual analisado à lupa é pouco mais que medíocre, limitando-se a limar, simplificar, reforçar ou estudar a miserável herança socrática (numa espécie de empresa de pinturas e retoques), os agentes educativos e as pessoas comuns (que, por exemplo, participam nos fóruns televisivos e radiofónicos) manifestam uma desilusão quase generalizada e uma avaliação claramente negativa da governação de Nuno Crato.
Sinais dos tempos!...
Aliás, assiste-se, hoje, a um fenómeno deveras curioso: enquanto os comentadores regozijam, excitam-se e babam-se com o que afirmam ser o sucesso governativo do Ministro da Educação, o qual analisado à lupa é pouco mais que medíocre, limitando-se a limar, simplificar, reforçar ou estudar a miserável herança socrática (numa espécie de empresa de pinturas e retoques), os agentes educativos e as pessoas comuns (que, por exemplo, participam nos fóruns televisivos e radiofónicos) manifestam uma desilusão quase generalizada e uma avaliação claramente negativa da governação de Nuno Crato.
Sinais dos tempos!...
| Fonte: RTP |
Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011
E para as amantes não se arranja nada?
| Fonte: Correio da Manhã |
E convém ter presente que depois das amizades, dos tráficos de influências e das fidelidades ou dependências políticas vêm as contrapartidas de várias naturezas, incluindo as relativas a favores sexuais e outros.
Num país de compadrio, de cunhas, de apadrinhamentos elitistas e de tráfico de favores, a autonomia das escolas, como alguns a parecem querer gizar, será um desastre absoluto (defender que a subjectividade e a parcialidade de um director se deve sobrepor, em termos de contratação de docentes, à certificação universitária e à graduação profissional é uma imbecilidade própria de bandalhos que, porventura, subiram na vida, eles próprios, à custa dos arranjinhos), pelo que deve estar limitada por três mecanismos decisivos, dos quais depende a preservação da seriedade, da decência e da qualidade nas escolas:
- um concurso nacional de professores, baseado na graduação profissional e totalmente transparente (monitorizado também por representantes dos sindicatos de professores);
- uma gestão democrática das escolas, porque estas são bens públicos e não quintas partidárias, em que o director deva ser eleito ou obrigatoriamente reconfirmado pela maioria dos professores da escola ou do agrupamento;
- um modelo de avaliação, cujos processos de diferenciação e atribuição do mérito sejam transparentes, não estejam dependentes de um poder autocrático ou de uma pequena rede interna de interesses/amizades e envolvam inspecção externa e órgãos/personalidades da escola eleitos pelos seus pares.
Aliás, são estas as bandeiras pelas quais escrevo neste blogue, critico, denuncio e sempre me baterei!...
E dispensamos bem essas tretas da "coincidência", com as quais se tenta fugir com o rabo à seringa da inoculação responsável contra a imoralidade, procurando tratar os outros candidatos e cada um de nós como um bando de parvos. Coincidência é a tua tia, pá!...
Se necessitarem de algum estudo acompanhado, disponham
"S. João da Madeira: Presidente da Câmara defende extinção da Parque Escolar na inauguração de "secundária" construída pela autarquia" Fonte: ExpressoConfrontado com a proposta sensata e fundamentada de Castro Almeida, cuja Câmara Municipal, a que preside, consegue construir uma escola secundária a metade do custo (e salvaguardando boas condições de trabalho para os professores), no sentido de extinguir a Parque Escolar, EPE, o Ministro da Educação, Nuno Crato, patenteou, na resposta ao desafio, a sua verdadeira genética política, traduzida num paradigma de indecisão/hesitação, refugiando-se no "vamos estudar" (ou vamos reunir, vamos negociar, vamos adiar - a título de exemplo, alguém acredita que a extinção das Direcções Regionais, que, entretanto, virou simplificação, necessite de 12 meses de estudo?), de forma a passar-se a imagem mediática de uma mudança ponderada, para que tudo permaneça, sensivelmente, igual.
Para um partido reformista, que se dizia preparado, e um Ministro "implosista", estas são atitudes que evidenciam impreparação, ausência de convicções políticas sustentadas e um espírito acanhado.
Quarta-feira, 14 de Setembro de 2011
A boa e a má estatística
| Leitura integral AQUI |
Desta vez, o Relatório internacional "Perspectivas da Educação 2011", que a OCDE apresentou, ontem, em Paris, além de ter falhado o tempo propício ao seu aproveitamento político, vem colidir, na sua conclusão mais destacada, ou seja, o reconhecimento do contributo do programa "Novas Oportunidades" para que o País tenha atingido uma taxa recorde de obtenção de diplomas do final do ensino secundário (96%), traduzida numa subida de 34% entre os anos de 2008 e 2009, com as críticas (adequadas) do Primeiro-ministro e do Ministro da Educação às "Novas Oportunidades", uma vez que o Relatório da OCDE se limita a comparar e a inferir a partir de estatísticas nacionais, na ignorância do funcionamento concreto do programa e dos seus resultados em termos de competências/conhecimentos adquiridos, de oportunidades de emprego e de melhoria efectiva da situação laboral e social das pessoas (muito para além da auto-estima).
Porque é evidente que existe uma diferença óbvia, entre certificação, na forma de passagem de diplomas a pataco, e qualificação.
Mas, o Ministro da Educação, Nuno Crato, ao admitir que este Relatório "esconde a realidade", está a empreender uma distinção entre a má (que oculta a realidade) e a boa estatística (que reflecte a realidade), remetendo essa diferenciação, no limite, para a conduta moral dos decisores políticos (em termos de intencionalidade, idoneidade, transparência). Ora, a desonestidade política com que o Primeiro-ministro enfrentou o dossier da avaliação dos professores e a forma como se referem ao que chamam de "novo modelo de avaliação", que não passa de aplicação de remendos em farrapo velho ou de "água-pé acrescentada a vinho envinagrado", não augura nada de promissor, para futuro, em termos da boa estatística.
Sobre o reportado aumento dos salários dos professores, que o Relatório refere, nem vou gastar argumentos a contraditar os dados apresentados, pois a prova é factual e fácil de obter: basta comparar as folhas de vencimento dos professores, em 2005 e em 2011.
Gente feliz, com medo?
Tendo acabado de assistir à intervenção inicial do líder da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro, e do Primeiro-ministro, congratulando-se com o acordo sobre a avaliação dos professores (não se esqueçam que Isabel Alçada e os sindicatos, incluindo a Fenprof, também chegaram a acordo, no espaço de um mês - a farsa e a perturbação seguiram incólumes nas escolas) e com a actuação do Ministério da Educação.
Se estão tão seguros do acerto, da coerência e do cumprimento de promessas, no sector da Educação, então, permitam-me que lhes deixe aqui um repto público:
Está algum elemento da equipa do Ministério da Educação ou algum deputado do PSD disponível para debater publicamente, numa televisão generalista, a temática do desempenho do Governo, em matéria de Educação, com o Professor Santana Castilho?
Ou será que têm medo do debate, do contraditório e do esclarecimento?
Relativamente ao líder da oposição, António José Seguro, foi "chocante" vê-lo defender a fraude (estatisticamente disfarçada) consubstanciada nas "Novas Oportunidades", pelo que não me parece que desta nova liderança do PS venha algum corte ou distanciamento face ao ilusionismo socrático.
Se estão tão seguros do acerto, da coerência e do cumprimento de promessas, no sector da Educação, então, permitam-me que lhes deixe aqui um repto público:
Está algum elemento da equipa do Ministério da Educação ou algum deputado do PSD disponível para debater publicamente, numa televisão generalista, a temática do desempenho do Governo, em matéria de Educação, com o Professor Santana Castilho?
Ou será que têm medo do debate, do contraditório e do esclarecimento?
Relativamente ao líder da oposição, António José Seguro, foi "chocante" vê-lo defender a fraude (estatisticamente disfarçada) consubstanciada nas "Novas Oportunidades", pelo que não me parece que desta nova liderança do PS venha algum corte ou distanciamento face ao ilusionismo socrático.
Desmontagem demolidora de uma governação de sinal menos
![]() |
| In Público, 14-09-2011 (clicar na imagem para aumentar) |
Se me é permitida uma sugestão aos senhores deputados da oposição, relativamente à sua preparação para o debate com o Primeiro-ministro, ainda por cima com a Educação na agenda, sempre lhes direi que basta reproduzirem a factualidade e a argumentação que faz o conteúdo desta crónica de Santana Castilho e chaparem-nas na resposta à retórica da inevitabilidade e da revolução aparente (no essencial, domina a preservação do socratismo, desde a farsa da avaliação dos professores até aos mega-agrupamentos e à gestão escolar) a que o Primeiro-ministro não deixará de recorrer.
Terça-feira, 13 de Setembro de 2011
Procura-se desaparecido
Quem souber do paradeiro do ex-líder da oposição e candidato a Primeiro-ministro, que dias antes das eleições se comprometeu publicamente a melhorar o programa do PSD para a Educação e que escreveu "Não escondo que, à medida que se adensavam as conturbações trazidas pelas sucessivas tentativas de reforma educativa, mais certeiras me foram parecendo as suas observações críticas [de Santana Castilho] e maior simpatia fui sentindo pela sua análise serena mas acutilante" e "Aqui se procura, com grande pragmatismo mas sem perda de um sólido quadro de referência programática, apontar orientações e soluções susceptíveis de serem incorporadas num programa de acção política governativa", no prefácio de um livro que incumbiu ao Professor Santana Castilho, destinado a convencer os professores das medidas programáticas do seu Governo, é favor disponibilizar essa informação através do email octaviog@sapo.pt (a caixa de comentários deste post também serve para este efeito).
Divulgo, subscrevo e ainda diria mais
A circunstância de divulgar e subscrever esta petição não deve ser interpretada como uma qualquer forma de aceitação desta 3ª (a)versão da ADD (vendida, agora a prestações: por exemplo, 3 páginas de RAA por ano lectivo, o que dá exactamente o mesmo n.º de páginas da versão anterior, por ciclo avaliativo, e dará 12 páginas no final deste novo ciclo), de tal modo que alguém possa pensar que, uma vez expurgado o modelo do objecto desta petição, a filosofia e os processos avaliativos pudessem ficar jeitosos e aceitáveis.
Entre outras razões que tenha divulgado publicamente e que consubstanciam a minha rejeição desta farsa, a minha posição sobre as aulas observadas é pública: não me repugna admitir observação de aulas nos primeiros 4 anos de serviço, mas considero que as mesmas devem estar reservadas para casos de dificuldades no desempenho da docência e, eventualmente, para situações de excepcionalidade, embora sempre por iniciativa e proposta dos órgãos da escola (Director, Coordenador, Conselho Pedagógico ou Departamentos).
Também considero que esta petição deveria incluir, como moeda de troca ao requerido, uma proposta de obrigatoriedade de um plano de formação, com inclusão de observação sistemática de aulas, para os dirigentes sindicais que tenham estado afastados, nos últimos 5 anos, das salas de aulas.
Entre outras razões que tenha divulgado publicamente e que consubstanciam a minha rejeição desta farsa, a minha posição sobre as aulas observadas é pública: não me repugna admitir observação de aulas nos primeiros 4 anos de serviço, mas considero que as mesmas devem estar reservadas para casos de dificuldades no desempenho da docência e, eventualmente, para situações de excepcionalidade, embora sempre por iniciativa e proposta dos órgãos da escola (Director, Coordenador, Conselho Pedagógico ou Departamentos).
Também considero que esta petição deveria incluir, como moeda de troca ao requerido, uma proposta de obrigatoriedade de um plano de formação, com inclusão de observação sistemática de aulas, para os dirigentes sindicais que tenham estado afastados, nos últimos 5 anos, das salas de aulas.
| É favor clicar na imagem para aumentar. Continuar a ler o texto da Petição AQUI |
É por estas e por outras que nos habituámos a ganhar
Dentre a variedade de "combustível" motivacional que impulsiona o FC Porto a ganhar, conta-se, certamente, a forma inqualificável, do ponto de vista do critério jornalístico, como os três diários desportivos portugueses marginalizam a equipa do FC Porto, substituindo a notícia que se impunha, ou seja, a estreia, na edição deste ano da UEFA Champions League, da equipa portuguesa com mais pergaminhos nesta competição, por manchetes ridículas que se alimentam de declarações banais de jogadores, sem qualquer relevância jornalística.
Se não fosse a estratégia mercantilista de atrair papalvos para a compra dos jornais, era caso para nos questionarmos sobre que espécie de coceira benfiquista seria susceptível de causar tamanho vermelhão à nossa imprensa desportiva diária.
Talvez, amanhã sejam constrangidos a fazer manchete com mais uma magnífica vitória e exibição do FC Porto. Costuma ser assim!...
Se não fosse a estratégia mercantilista de atrair papalvos para a compra dos jornais, era caso para nos questionarmos sobre que espécie de coceira benfiquista seria susceptível de causar tamanho vermelhão à nossa imprensa desportiva diária.
Talvez, amanhã sejam constrangidos a fazer manchete com mais uma magnífica vitória e exibição do FC Porto. Costuma ser assim!...
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| Capas dos 3 diários desportivos portugueses, em dia de jogo do FC Porto na UEFA Champions League! |
Aprendiz de La Palice
"O Senhor de La Palice
Morreu em frente a Pavia;
Momentos antes da sua morte,
Podem crer, inda vivia."
(Versos compostos pelos soldados de Jacques de Chabannes, em sua honra)
"Há professores que não ficarão colocados porque não há colocações para eles"
A propaganda é uma cena que (também) lhes assiste
A bebedeira de ritualidades propagandísticas, no início de cada ano lectivo, atravessou toda a governação socrática, gerando tal náusea e repulsa crescentes, que aconselhavam um longo período de nojo para este tipo de manifestações.
Mas, contra as minhas expectativas iniciais, que apontavam para um Primeiro-ministro com um estilo mais austero e recatado (em tempo de contenção, uma nota ou uma intervenção pública telegráfica bastavam), Pedro Passos Coelho e Nuno Crato não foram capazes de resistir ao impulso propagandístico e ei-los a fazer de Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues e Isabel Alçada.
Não havia necessidade, ainda por cima dada a circunstância de haver muito pouco para comemorar, uma vez que estamos confrontados, no plano educativo, com uma governação marcada por atitudes e medidas concretas de sinal menos.
Mas, contra as minhas expectativas iniciais, que apontavam para um Primeiro-ministro com um estilo mais austero e recatado (em tempo de contenção, uma nota ou uma intervenção pública telegráfica bastavam), Pedro Passos Coelho e Nuno Crato não foram capazes de resistir ao impulso propagandístico e ei-los a fazer de Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues e Isabel Alçada.
Não havia necessidade, ainda por cima dada a circunstância de haver muito pouco para comemorar, uma vez que estamos confrontados, no plano educativo, com uma governação marcada por atitudes e medidas concretas de sinal menos.
| Fonte: RTP |
Segunda-feira, 12 de Setembro de 2011
Isto sim, é bom saber/sabor
Regozijo-me com o gosto gastronómico dos portugueses que colocaram as alheiras de Mirandela entre as sete maravilhas da gastronomia portuguesa (tinha avisado que não era, propriamente, um fundamentalista da comida saudável).
E não se ponham aí com ideias de agravar as taxas sobre os produtos tradicionais portugueses, incluindo o vinho.
Embora feitas na mesma terra quente transmontana, as que se consomem cá em casa são de qualidade muito superior à comercial "alheira de Mirandela", pois são produzidas de forma artesanal e apenas no pós matança do porco, em pleno Inverno, com métodos e componentes caseiros, genuínos e inigualáveis. Para provocação daqueles que, habitualmente, resistem a tudo, excepto à tentação, aqui fica uma mostra (fotográfica) das alheiras feitas pela minha mãe, para consumo caseiro (não vá a ASAE, também, ter ideias):
E não se ponham aí com ideias de agravar as taxas sobre os produtos tradicionais portugueses, incluindo o vinho.
Embora feitas na mesma terra quente transmontana, as que se consomem cá em casa são de qualidade muito superior à comercial "alheira de Mirandela", pois são produzidas de forma artesanal e apenas no pós matança do porco, em pleno Inverno, com métodos e componentes caseiros, genuínos e inigualáveis. Para provocação daqueles que, habitualmente, resistem a tudo, excepto à tentação, aqui fica uma mostra (fotográfica) das alheiras feitas pela minha mãe, para consumo caseiro (não vá a ASAE, também, ter ideias):
Em período de cortes, as escolas (ainda) andam aos papéis
Parece-me bem que, independentemente da existência de cortes orçamentais, as escolas procurem reduzir a sua factura energética, nomeadamente, recorrendo a produtos e sistemas de baixo consumo, embora preservando sempre as condições de trabalho na escola, ao nível de uma adequada iluminação, do funcionamento das tecnologias educativas e da manutenção de uma temperatura de conforto, nos espaços interiores das escolas, mormente nas salas de aulas e nos locais de estudo.
O que me custa, mesmo, a compreender é que os cortes nas assim designadas "gorduras" do Estado se iniciem pela prestação de cuidados de saúde e pelas ofertas educativas (já se admitem cortes em actividades curriculares), ao mesmo tempo que se deixa para mais tarde a eliminação de estruturas, procedimentos, contratualizações e mordomias, cuja existência carece de necessidade e de qualquer justificação, seja racional, económica ou moral. E, ainda, estou para ver o quão longe se irá num domínio que, regra geral, tende a afectar as próprias clientelas partidárias.
Também não compreendo a atitude negligente de um Estado que é incapaz de responsabilizar individualmente os decisores que, no âmbito da recuperação de escolas e da construção de centros escolares, a cargo da Parque Escolar, optaram por soluções despesistas em termos energéticos.
Mas, verdadeiramente inacreditável é que se admita cortar, no aquecimento e nas actividades curriculares (que as extra-curriculares vão à vida pela certa), sem que antes se ponha fim a toda uma impressionante e dispendiosa burocracia impressa, que vai desde a parafernália de documentos (planificações, planos, grelhas, fichas, relatórios...) que os professores produzem em computador, mas que circulam e se arquivam em papel, até às comunicações diárias com os encarregados de educação (a despesa, a nível nacional, em papel, tinta, envelopes, selos, registos, deslocações de funcionários aos Correios, deve ser uma brutalidade). Como tal, torna-se imperativo que as escolas deixem de estar mergulhadas em papéis, criando-se e generalizando-se a todas as escolas uma espécie de programa "Impressão 0", que aposte na comunicação por email (também com todos os encarregados de educação que disponham do mesmo), no arquivo digital e no recurso às plataformas de e-learning (moodle ou outras).
O ambiente, os orçamentos das escolas e a modernização/facilitação de procedimentos ficariam a ganhar!
O que me custa, mesmo, a compreender é que os cortes nas assim designadas "gorduras" do Estado se iniciem pela prestação de cuidados de saúde e pelas ofertas educativas (já se admitem cortes em actividades curriculares), ao mesmo tempo que se deixa para mais tarde a eliminação de estruturas, procedimentos, contratualizações e mordomias, cuja existência carece de necessidade e de qualquer justificação, seja racional, económica ou moral. E, ainda, estou para ver o quão longe se irá num domínio que, regra geral, tende a afectar as próprias clientelas partidárias.
Também não compreendo a atitude negligente de um Estado que é incapaz de responsabilizar individualmente os decisores que, no âmbito da recuperação de escolas e da construção de centros escolares, a cargo da Parque Escolar, optaram por soluções despesistas em termos energéticos.
Mas, verdadeiramente inacreditável é que se admita cortar, no aquecimento e nas actividades curriculares (que as extra-curriculares vão à vida pela certa), sem que antes se ponha fim a toda uma impressionante e dispendiosa burocracia impressa, que vai desde a parafernália de documentos (planificações, planos, grelhas, fichas, relatórios...) que os professores produzem em computador, mas que circulam e se arquivam em papel, até às comunicações diárias com os encarregados de educação (a despesa, a nível nacional, em papel, tinta, envelopes, selos, registos, deslocações de funcionários aos Correios, deve ser uma brutalidade). Como tal, torna-se imperativo que as escolas deixem de estar mergulhadas em papéis, criando-se e generalizando-se a todas as escolas uma espécie de programa "Impressão 0", que aposte na comunicação por email (também com todos os encarregados de educação que disponham do mesmo), no arquivo digital e no recurso às plataformas de e-learning (moodle ou outras).
O ambiente, os orçamentos das escolas e a modernização/facilitação de procedimentos ficariam a ganhar!
Santana Castilho demolidor na abertura do ano lectivo
Aqui estão os prometidos vídeos da participação de Santana Castilho, no Opinião Pública da SIC Notícias, emitido na passada quinta-feira.
Fica, magistralmente, demonstrada a desilusão, o nível arrepiante de impreparação e os incumprimentos eleitorais deste Governo, com particular incidência no domínio da educação, com Santana Castilho a ser, largamente, acompanhado pelos telespectadores intervenientes no programa e por parte daqueles que participaram no inquérito telefónico.
Fica, magistralmente, demonstrada a desilusão, o nível arrepiante de impreparação e os incumprimentos eleitorais deste Governo, com particular incidência no domínio da educação, com Santana Castilho a ser, largamente, acompanhado pelos telespectadores intervenientes no programa e por parte daqueles que participaram no inquérito telefónico.
Domingo, 11 de Setembro de 2011
Impreparação
Enquanto aguardo pela disponibilização do vídeo da participação do Professor Santana Castilho, no programa Opinião Pública da SIC Notícias, emitido no dia 8 de Setembro, dado que a mesma é merecedora da mais ampla divulgação, quer pela forma como Santana Castilho pôs a nu a incoerência e a impreparação da governação de Passos Coelho e de Nuno Crato, quer pelo facto de a maioria das intervenções dos telespectadores estarem em sintonia com as abordagens e as avaliações empreendidas por Santana Castilho, ou, ainda, pela percentagem esmagadora de telespectadores (88%) que manifestaram ter expectativas negativas em relação ao ano lectivo que agora se inicia, aproveito para sublinhar as principais ideias-força da entrevista que Santana Castilho deu ao Correio da Manhã.
Aqui, importa ressalvar que se tratou de uma entrevista de quase três horas de duração, que acabou por ser objecto dos habituais cortes, selecções e descontextualizações jornalísticas, perdendo-se, em algumas temáticas, a linha de coerência, a fundamentação e os encadeamentos devidos.
Todavia, o essencial passou e a ideia-força que começo por destacar está a tornar-se cada vez mais consensual, não só entre os professores, como na sociedade portuguesa em geral:
1. A constatação de um Primeiro-ministro e de um Ministro da Educação impreparados.
No Ministério da Educação, o conservadorismo ambivalente na manutenção do existente nas escolas, contra o qual se clamou na oposição (de que o modelo de avaliação é tão-só o exemplo mais flagrante e paradigmático), e as generalidades panfletárias em que incorre Nuno Crato sempre que opina sobre Educação, mostrando andar às apalpadelas logo que o assunto versa sobre medidas, situações ou soluções concretas, constituem provas irrefutáveis desta impreparação básica.
Na condução do Governo, os sinais de desorientação são óbvios, bastando atentar, quer aos incumprimentos face a compromissos eleitorais assumidos publicamente (para não voltar a repisar as promessas na área da educação que caíram em saco roto, sugiro apenas que as televisões procurem obter o testemunho daquela aluna de Vila Franca de Xira que viu a convicção do deu pai ser taxativamente desmentida pelo candidato Passos Coelho, ao remeter qualquer corte no subsídio de Natal para o plano do "disparate"), quer à impotência ou falta de interesse para começar a cortar naquilo que verdadeiramente são as "gorduras" do Estado, ou seja, estruturas e mordomias inúteis que estão à serventia das rapaziadas partidárias penduradas no Estado, que não propriamente cortar nos serviços que são a razão de ser do Estado, como a educação e a saúde, ou, ainda, às hesitações e arrecuas reveladas nos anúncios às mijinhas de medidas relacionadas com cortes na saúde, passando-se a ideia de afinação das decisões pela intensidade e direcção dos coros das reacções mediáticas.
Aqui, importa ressalvar que se tratou de uma entrevista de quase três horas de duração, que acabou por ser objecto dos habituais cortes, selecções e descontextualizações jornalísticas, perdendo-se, em algumas temáticas, a linha de coerência, a fundamentação e os encadeamentos devidos.
Todavia, o essencial passou e a ideia-força que começo por destacar está a tornar-se cada vez mais consensual, não só entre os professores, como na sociedade portuguesa em geral:
1. A constatação de um Primeiro-ministro e de um Ministro da Educação impreparados.
No Ministério da Educação, o conservadorismo ambivalente na manutenção do existente nas escolas, contra o qual se clamou na oposição (de que o modelo de avaliação é tão-só o exemplo mais flagrante e paradigmático), e as generalidades panfletárias em que incorre Nuno Crato sempre que opina sobre Educação, mostrando andar às apalpadelas logo que o assunto versa sobre medidas, situações ou soluções concretas, constituem provas irrefutáveis desta impreparação básica.
Na condução do Governo, os sinais de desorientação são óbvios, bastando atentar, quer aos incumprimentos face a compromissos eleitorais assumidos publicamente (para não voltar a repisar as promessas na área da educação que caíram em saco roto, sugiro apenas que as televisões procurem obter o testemunho daquela aluna de Vila Franca de Xira que viu a convicção do deu pai ser taxativamente desmentida pelo candidato Passos Coelho, ao remeter qualquer corte no subsídio de Natal para o plano do "disparate"), quer à impotência ou falta de interesse para começar a cortar naquilo que verdadeiramente são as "gorduras" do Estado, ou seja, estruturas e mordomias inúteis que estão à serventia das rapaziadas partidárias penduradas no Estado, que não propriamente cortar nos serviços que são a razão de ser do Estado, como a educação e a saúde, ou, ainda, às hesitações e arrecuas reveladas nos anúncios às mijinhas de medidas relacionadas com cortes na saúde, passando-se a ideia de afinação das decisões pela intensidade e direcção dos coros das reacções mediáticas.
Ao que isto chegou
| Fonte: SIC Notícias |
- não vai além de remendos (facilitistas, mas susceptíveis de gerarem os mesmos vícios burocráticos e folclóricos) em arbitrário farrapo velho;
- contraria a filosofia de avaliação que Paulo Portas sempre defendeu na oposição;
- traduz uma aceitação tácita da filosofia de avaliação entre pares ( e não só) que Paulo Portas criticava na oposição, para já não falar da sanha suspensiva que animava esta gente, quando ainda não eram governo.
Preservar uma espécie de rec(r)ato e manter um silêncio diplomático sobre um acordo que impõe um modelo desalinhado face às melhores experiências europeias de avaliação de professores, que até no modus operandi da obtenção do acordo foi uma imitação das encenações socráticas, como aqui previ, permitiriam salvaguardar uma imagem de maior credibilidade política a Paulo Portas, porque a filosofia e os processos do "novo" modelo são, basicamente, os do modelo "velho", apenas atirando água-pé para cima de vinho envinagrado, o que está nos antípodas daquilo que Paulo Portas sempre defendeu, na oposição.
Uma vergonha, esta politica troca-tintas!
Sábado, 10 de Setembro de 2011
Mais uma vez, não me enganei
Mesmo não tendo a pretensão a dotes adivinhatórios, porque me basta analisar os eventos passados e a psicosociodinâmica dos professores contratados, a verdade é que a manifestação de hoje, marcada para Lisboa, redundou numa mobilização decepcionante, à semelhança do que sucedera em anos anteriores, não indo além de meia centena de docentes, num universo de quarenta e cinco mil.
Por mais que me custe escrever isto, é factual que tomei a liberdade de não divulgar esta iniciativa, porque não acredito na mobilização dos contratados, pelas razões que já aqui* expus, embora não tenha sido a falta de divulgação deste protesto, nos blogues e no Facebook, que lhe comprometeu o sucesso.
* Escrevi assim, em 3 de Setembro de 2011:
Por mais que me custe escrever isto, é factual que tomei a liberdade de não divulgar esta iniciativa, porque não acredito na mobilização dos contratados, pelas razões que já aqui* expus, embora não tenha sido a falta de divulgação deste protesto, nos blogues e no Facebook, que lhe comprometeu o sucesso.
* Escrevi assim, em 3 de Setembro de 2011:
Todavia, mesmo compreendendo e solidarizando-me com o drama de muitos milhares de professores que tinham a legítima expectativa de prosseguir uma carreira dedicada ao ensino (e um País que tem milhares de alunos com dificuldades escolares não pode cometer o "crime" de dispensar professores), também aposto que estas formas de luta estão condenadas ao fracasso, por ausência de espírito reivindicativo da maioria dos professores contratados (foi notório em outras contestações), pelo facto de muitos terem ainda a expectativa de virem a obter lugar e por força da pulverização regional das manifestações, o que é uma forma de lhes reduzir o impacto.
Quem diria
Depois de uma manhã de chuva, fui surpreendido por uma excelente tarde de sol na praia de S. Félix da Marinha, ainda por cima com aquela sensação rara de usufruir de um areal e de um mar quase privativo, tal a descrença generalizada em relação à meteorologia.
É pena que, no ambiente educativo, à tempestade socrática não se tenha seguido a bonança desta maioria, prevalecendo no horizonte, por culpa própria do PSD e do CDS-PP, sinais preocupantes de borrasca.
Chamar os "boys" pelos nomes... ou a diferença que faz um D
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| Daqui |
Ponto prévio: este “novo” modelo de ADD mais não é do que o “carnaval antigo” com algumas roupagens novas e outras tingidas.
Se em Janeiro de 2010 tanto apregoaram que nunca dariam aval a uma avaliação com quotas, se “bateram” tanto nas negociações pela madrugada fora, não obtiveram os ganhos de agora, as quotas se mantiveram como atualmente, então, porque assinaram o Acordo de Princípios e agora não dão acordo a esta “nova” avaliação?
Daqui de muito longe apenas me ocorre uma diferença: em janeiro era uma negociação a modos que PSiana e, no presente, é mais PSDiana… a diferença que um D faz!
Uma evidência da (in)coerência dos ditos “nossos representantes” ou de meros “representantes políticos”?
José Aníbal Félix de Carvalho
Vídeo não aconselhável a pessoas incoerentes e inconsistentes
Na impossibilidade técnica de digitalizar as duas páginas da magnífica e esclarecedora entrevista que Santana Castilho dá ao Correio da Manhã, aqui disponibilizo o vídeo da mesma.
Recorrendo a argumentos, situações exemplos demolidores, Santana Castilho contribui, decisivamente, para que os portugueses, e os professores em particular, percebam melhor as fragilidades estruturais de Passos Coelho e de Nuno Crato. E nada de duradouro e profícuo se constrói a partir da desonestidade politica, da incoerência, da inconsistência e da adesão à arbitrariedade. Mais à frente, isto paga-se!...
Sendo fundamental servir na totalidade estas verdades incontestadas, tal como expostas por Santana Castilho, não deixarei de as servir, de seguida, nas suas fatias mais suculentas.
Recorrendo a argumentos, situações exemplos demolidores, Santana Castilho contribui, decisivamente, para que os portugueses, e os professores em particular, percebam melhor as fragilidades estruturais de Passos Coelho e de Nuno Crato. E nada de duradouro e profícuo se constrói a partir da desonestidade politica, da incoerência, da inconsistência e da adesão à arbitrariedade. Mais à frente, isto paga-se!...
Sendo fundamental servir na totalidade estas verdades incontestadas, tal como expostas por Santana Castilho, não deixarei de as servir, de seguida, nas suas fatias mais suculentas.
Nuno Crato (e Passos Coelho) avaliado: Definitivamente, MAU!...
Mais logo, comentarei a entrevista, bem como a intervenção de Santana Castilho no Opinião Pública do dia 8 de Setembro, da SIC Notícias, que, incompreensivelmente, continua a não disponibilizar vídeos destes programas.
Correio da Manhã - Foi convidado por Pedro Passos Coelho para ministro da Educação?
Santana Castilho - Não, não fui convidado para ser ministro.
- Mas esperava ser convidado?
- Se tivesse surgido, seria a consequência - porque não dizer, com honestidade - de um trabalho [colaboração no programa eleitoral do PSD] e de diálogos, dos quais poderia retirar que essa era uma probabilidade.
- Está satisfeito ou desiludido com a actuação do Governo?
- Profundamente desiludido.
- Porquê?
- Porque me parece evidente que se trata de um Governo genericamente impreparado, designadamente o primeiro-ministro, que revela essa impreparação.
| Fonte: Correio da Manhã |
Santana Castilho - Não, não fui convidado para ser ministro.
- Mas esperava ser convidado?
- Se tivesse surgido, seria a consequência - porque não dizer, com honestidade - de um trabalho [colaboração no programa eleitoral do PSD] e de diálogos, dos quais poderia retirar que essa era uma probabilidade.
- Está satisfeito ou desiludido com a actuação do Governo?
- Profundamente desiludido.
- Porquê?
- Porque me parece evidente que se trata de um Governo genericamente impreparado, designadamente o primeiro-ministro, que revela essa impreparação.
Hurra! Hurra!
Portugal exulta, porque, a partir de hoje, "tem um novo modelo de avaliação dos professores" (sic, Nuno Crato, 10-09-2011).
Já não há paciência para tamanha desonestidade política!
Espero que os professores que se revêem, nesta farsa avaliativa, aproveitem o dia de segunda-feira para, massivamente, se tornarem sócios da FNE e dos demais sindicatos que aceitaram a continuação da fantochada.
Já não há paciência para tamanha desonestidade política!
Espero que os professores que se revêem, nesta farsa avaliativa, aproveitem o dia de segunda-feira para, massivamente, se tornarem sócios da FNE e dos demais sindicatos que aceitaram a continuação da fantochada.
Sexta-feira, 9 de Setembro de 2011
Noite de Farsa
Como aqui previra, as negociações prosseguem noite adentro, numa maratona que mimetiza, em quase tudo, as estratégias negociais socráticas.
Ver o PSD e o CDS-PP atolados, bem acima do pescoço, no pântano de uma filosofia do desempenho que Maria de Lurdes Rodrigues importou do Chile e que não tem paralelo em nenhum país da Europa, é uma triste e decepcionante ironia.
Mas, ouvir Mário Nogueira, quer a agarrar-se exclusivamente às quotas, aos efeitos nos concursos e aos níveis classificativos, acatando a arbitrariedade dos processos que substantivam este modelo, desde o colocar os professores a avaliar professores até à fantochada das aulas observadas por colegas ou à doideira das candidaturas individuais às classificações máximas, quer a defender a necessidade de um virar de página relativamente à problemática da avaliação do desempenho dos professores, dando a entender uma aceitação tácita da perpetuação desta farsa avaliativa, apesar do aparente desacordo da Frenprof, diz bem da identificação sindical com esta ADD e da desesperança em qualquer mudança no sentido da seriedade, do rigor, da simplicidade e da transparência da avaliação dos professores.
Ver o PSD e o CDS-PP atolados, bem acima do pescoço, no pântano de uma filosofia do desempenho que Maria de Lurdes Rodrigues importou do Chile e que não tem paralelo em nenhum país da Europa, é uma triste e decepcionante ironia.
Mas, ouvir Mário Nogueira, quer a agarrar-se exclusivamente às quotas, aos efeitos nos concursos e aos níveis classificativos, acatando a arbitrariedade dos processos que substantivam este modelo, desde o colocar os professores a avaliar professores até à fantochada das aulas observadas por colegas ou à doideira das candidaturas individuais às classificações máximas, quer a defender a necessidade de um virar de página relativamente à problemática da avaliação do desempenho dos professores, dando a entender uma aceitação tácita da perpetuação desta farsa avaliativa, apesar do aparente desacordo da Frenprof, diz bem da identificação sindical com esta ADD e da desesperança em qualquer mudança no sentido da seriedade, do rigor, da simplicidade e da transparência da avaliação dos professores.
À tarde é que é bom
É da tradição negocial entre sindicatos e Ministério da Educação, sempre que está em causa o jogo de simplificações e de trocas à volta de um modelo de avaliação dos professores que vem desestabilizando as escolas desde Janeiro de 2008 (a teimosia do centrão em impor esta farsa, e a bananice ou dissimulação com que os principais sindicatos a têm aceite, deve ser um fenómeno único no mundo), passar a ideia para os professores e para a opinião pública de que as negociações foram difíceis e o acordo esteve na iminência de não se concretizar. Como tal, não seria de bom tom acordar-se o que quer que fosse pela manhã do último dia negocial, pois esvaziar-se-ia a dramaticidade do cerimonial e dos rituais que sempre têm acompanhado os entendimentos e os acordos à volta desta ADD.
Em noite de jackpot gordo no Euromilhões, quase apostava que o acordo, a existir, há-de acontecer lá mais para o final da noite, mesmo que, devido à crise, os bolinhos possam ser substituídos por bolachinhas de água e sal.
Em noite de jackpot gordo no Euromilhões, quase apostava que o acordo, a existir, há-de acontecer lá mais para o final da noite, mesmo que, devido à crise, os bolinhos possam ser substituídos por bolachinhas de água e sal.
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